Arquivo do mês: maio 2006

E LÁ VAMOS NÓS!

Bem, meus caros, poucos mas fiéis leitores… Parto hoje, com a Sorriso Maracanã, a mulher que me ensinou a sorrir, essa força bruta e delicadíssima que é a Dani, para dez dias em Portugal. Estou, assim, exaltando a Dani nesse momento não apenas porque estou nessa manhã, depois de quase sete anos a seu lado, ainda mais apaixonado que ontem, mas porque eu me borro de medo de avião, de viagem, tenho tremores só de olhar mala, e só a mão da minha garota é capaz de me devolver a paz e a tranqüilidade. Só seu cheiro é capaz de me servir de calmante, só seu sorriso é capaz de me fazer esboçar um sorriso quando o avião decola, só seu abraço me faz cochilar durante o vôo.

E vamos parar com isso, ou daqui a pouco os comentários começam a chegar, ai, que lindo, oh, que amor bonito, ui, que relação é essa?, e o Szegeri vai me esculhambar.

Por falar em esculhambar. Pô. Saquem o “bilhete eletrônico” emitido pela TAP.

bilhete eletrônico da TAP

Feiíssimo. Sem charme algum. Era bem mais interessante – vejam como um pobre, um tijucano raciocina – aquele libreto, páginas e mais páginas, carbono vermelho, mil e uma instruções, tudo mais solene, mais grave, mais emocionante. Agora, não. Em nome da praticidade, do corte de custos, dessas merdas que nos atropelam, a gente imprime, de casa, o bilhete aéreo, banalizando um troço que, ao menos para mim, é altamente importante eis que sinto-me, sempre, na iminência da morte quando viajo.

São só dez dias, lembrem-se disso. Embarcamos de volta – se lá chegarmos, toc, toc, toc na tábua de madeira imaginária – no dia 05 de junho. Ou seja, pouquíssimo. Mas mesmo assim, mesmo sendo pouquíssimo, notem como os queridos que me cercam me conhecem bem. Dão, a essa mínima viagem, a essa curta ausência, uma importância como a que foi dada à viagem do major Marcos à Estação Espacial Internacional (ISS). Vejam.

Hoje já chegou e-mail da Maria Paula e da Manguaça. Almoçam conosco, hoje, no Salete, a Inês, a Guerreira e a Betinha. A Guerreira irá nos levar ao aeroporto, para onde também vai, para um beijo-tchau, o Mauro, que já esteve conosco ontem à noite, bem tarde, no Rio-Brasília, para um beijo-tchau também. Eu fui assistir ao jogo do Flamengo e Dani chegou, tadinha, tardíssimo, arrumando as malas, eis que eu não guardo nem meia. Ontem ligou-me o Pompa, de São Paulo, para um solene “boa viagem, meu irmão”, e eu chorei quando desliguei. Ah, sim. Disse-me mais, o Pompa, em tom de súplica:

– Querido… Não vá ao Rock in Rio, por favor…

Papai, mamãe, minha sogra, Maguinha, a irmã que eu não tive, todos ligaram como se fôssemos ficar um ano fora. Talvez seja tudo reflexo do que me vai na alma numa altura dessas.

Mas, enfim. Amanhã, às 6h40min, horário de Lisboa, estarão a nossa espera, no aeroporto, Próspero e Cidália, pais da Inês, que gentilmente acataram o pedido da filha:

– Resgatem o Edu e a Dani no aeroporto, por favor!

Lá ainda encontraremos o Cristiano, meu irmão, que fugirá, por cinco dias, de Clermont-Ferrand, e a Fumaça, que fugirá, por dois dias, de Maputo.

Estou levando na bagagem meu palmtop de pobre, o mesmo que levei para Belo Horizonte. Prometo, para o retorno, relatos detalhados, bem à minha moda.

Até.

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JOTA, ALAÍDE E CHICO

Vejam vocês que o Jota mantém sua regularidade. Depois de pouco mais de uma semana sem citar sequer uma das bostas que ele tanto incensa (pode ser Informal, Devassa, Belmonte, Conversa Fiada, Manoel & Joaquim, Jobi etc), vem ele, hoje, em sua lamentável coluneta n´O GLOBO e adula pela bilionésima vez o Bracarense citando o Chico e a Alaíde. E eu preciso fazer brevíssima auto-exaltação já que é, confesso, bastante boa a sensação de saber-se visionário.

Eu escrevi, à certa altura, que a Alaíde era uma chef de cozinha, e não uma cozinheira (debochando, evidentemente). E mais! E mais! No mesmíssimo texto eu digo que o Chico, apesar de ser um garçom medíocre e passável, é o primeiro quando o assunto é pose, mídia, fama, salamaleques e rapapés. Deixem-me continuar a formatar meu raciocínio (que frase típica do Jota, essa!).

nota publicada no jornal O GLOBO, Segundo Caderno, 25 de maio de 2006
Vejam do que a Consoante chama a Alaíde: quituteira. Pô! Eu não disse!? Ele nunca irá se referir à Alaíde como cozinheira. Nunca (e esse nunca, por favor, dito de forma szegeriana).

E o Chico? Bem… Eu disse que ele era o primeiro quando o assunto é pose, é mídia. Dêem uma sacada no site dessa nova cerveja que tem três garotos-propaganda. Pigarro. Não são três garotos. É um já bem coroa (e como o Lan foi se deixar levar por isso, meu Deus?!). Um que é apenas um sorriso enorme e disforme (o Carlinhos de Jesus é apenas boca aberta e mistérios, e um dia falo sobre isso). E outro que é quem?

O Chico (que depilou, segundo o Fraga, a sobrancelha para posar para a elaboração do material publicitário).

Mas o que supostamente anuncia o Jota? Eu disse supostamente porque fica evidente, se vocês acompanharem a seção BARBARIDADES DO JOTA (já com sete atentados, contando com o de hoje, no canto, à direita, no menu), que o que ele pretendeu, apenas, foi citar o nome do Bracarense. Anuncia que a Alaíde e o Chico vão representar o Bracarense em Belo Horizonte durante o “Festival de Comida de Boteco” (sic). Pô! Ô cara mal informado, ou mal assessorado, ou sei-lá-o-quê. O nome do evento é “Comida di Buteco”, assim mesmo, com “i” no “di” e com “u” no “buteco”. Mas o Jota nada sabe. O Jota nada apura. O Jota é lamentável. E isso pra não falar na expressão “best-seller do botequim” usada para referir-se ao bolinho de aipim com camarão vendido no Bracarense, que vem juntar-se a tantas expressões pavorosas e repulsivas criadas pelo homúnculo em questão, como bem disse, dia desses, o Fraga.

E para dar impressionantes cores de coerência a tudo, notem o final da podre nota. Ele diz que o sócio do Bracarense (pernóstico como o Jota) BRINCA quando fala que o Bracarense é “hors-concours” na matéria. No domingo, uma coleguinha do Jota, a Éle, escreveu – vejam aqui – que um certo estudante entrevistado por ela BRINCOU ao referir-se ao Belmonte como um pé-limpo.

Eles dois brincando e eu, lutando sozinho, falando muito sério.

Até.

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>FRIO NO RIO

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“Vejam vocês que, aqui no Rio, basta a temperatura romper, pra baixo, a barreira dos 20 graus, e as ruas são uma festa de casacas, ponchos, gorros, luvas, mantas, cachecóis, coletes e sobretudos. Foi assim ontem.” Foi assim que eu comecei, em julho de 2005, a contar essa história. E foi assim, também, ontem.

Uma chuva ininterrupta, um vento cortante e uma temperatura em torno de 18 graus, e pronto. Lá fui eu, agasalhado, encontrar o Fraga, que de pouco tempo pra cá vem batendo permanente ponto no balcão virtual do Buteco, no Bar Getúlio, no Catete.

Como eu já disse a certa altura, o Catete é uma espécie de Tijuca encravada na zona sul da cidade, os jardins do Palácio do Catete é uma espécie de Praça Saens Peña dos velhinhos de lá, e sinto-me, por isso, em casa.

Lá pusemos o papo em dia – aliás, há pessoas com quem a gente põe o papo em dia e o papo nunca fica em dia tão bom o papo é – regado a chope (bem tirado pelo Valdo), Lua Cheia e lágrimas, que o Fraga chorou e fez chover na mesa quando contou histórias do Otelo Caçador, rubro-negro de boa cepa. Chegou-se o Baiano, tocou meu celular e era a Sorriso Maracanã dando uma ordem prontamente obedecida:

– Ah… venham então pro Sat´s. Já estou aqui.

balcão do Sat´s, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, 23 de maio de 2006

O Sat´s fica no comecinho da Rua Barata Ribeiro, em Copacabana. Pode ser considerado um restaurante, é verdade, mas também pode ser chamado de pé-sujo, antítese das casas charmosas que tanto encantam os idiotas de plantão.

Chegamos eu e Fraga e encontramos Dani, que por sua vez aguardava o Alex, que por sua vez chegou em minutos. Mesa de quatro e começamos o serviço.

Dani no Sat´s, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, 23 de maio de 2006

Alex no Sat´s, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, 23 de maio de 2006

Coração de galinha, galeto na brasa, mais e mais chope, o papo escorrendo enquanto a chuva escorria na calçada e o Fraga, num princípio de golpe-baixo propôs:

– Vamos ao Braca? Quero que você reveja sua opinião…

Não fosse o toró (sinto-me velhíssimo dizendo toró) eu teria aceitado. O malandro despediu-se e nós, remanescentes, tomamos a direção do Cervantes, o que significa dizer dar apenas dez passos.

Alex, Dani e Fraga na calçada em frente ao Sat´s, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, 23 de maio de 2006

E lá ficamos entre caldeiretas, sanduíches como só no Cervantes, salada, e às onze e meia da noite convocamos ele, o maior taxista da cidade, mão na roda, grande figura, o Paulinho. Anotem aí: 87675543. Com ele não tem tempo ruim, não tem distância, não tem hora. O Szegeri, por exemplo, sabe disso como ninguém.

Até.

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LUTAS INGLÓRIAS

Outro dia mesmo eu estava escrevendo e refletindo publicamente sobre os sentimentos que me assolavam às vésperas do meu trigésimo oitavo aniversário, movimento ao qual chamei de espiral, e tasquei lá: por que eu levei – e levo – tão a sério o verso ninguém tem nada de bom sem sofrer, do Vinicius de Moraes?????

Ontem, quando no final do dia eu e Dani fomos dar rápida volta pelo Centro da cidade com a Inês e fechamos o passeio com quarenta minutos de Paladino, fiquei pensando nesse misto de brincadeira e revolta que cerca o cerco que faço ao Jota, arremedo de jornalista que assina coluneta n´O GLOBO. Cerco que eu faço, vocês que me lêem sabem, em defesa de uma das mais arraigadas – ou a mais – tradições cariocas, instituição mais-que-solidificada no imaginário popular e no dia-a-dia de seu povo, mesmo o mais humilde, que é o buteco, troço que o Jota parece odiar. Afinal, não odiasse os butecos e não exaltaria, sistematicamente, verdadeiras pragas e autênticas mentiras como os bares/botecos/botequins Devassa, Informal, Manoel & Joaquim, Belmonte, Conversa Fiada e tantos outros que vêm chegando, aos poucos mas de forma avassaladora, ao Rio depois de tomarem São Paulo de assalto (sobre São Paulo melhor poderá falar o Szegeri, Marcão, Augusto, Julio Vellozo, Fernando Borgonovi, todos soldados do meu exército).

Daí fiquei pensando nisso, nessa silenciosa batalha em defesa de algo que me é tão caro, daí achei graça desse enfrentamento entre um sujeito apaixonado até a alma escrevendo em seu blog, com algo em torno de 100 visitas/dia, e um (vá lá) jornalista com uma coluneta diária no jornal de maior circulação no Rio de Janeiro, um dos maiores do país. Uma luta inglória.

E lembrei-me – mais que lembrar, eu ouvi a voz do Aldir e do João cantando juntos – do chamamento do samba: Glória a todas as lutas inglórias!

Por isso criei, no menu à direita, a seção BARBARIDADES DO JOTA, com link para todos os textos nos quais eu tento, devagar, demonstrar a nojeira que é o “jornalismo” que esse homem faz, ao menos quando o assunto é o buteco. Tanto que chamei, a cada um dos links, de ATENTADO, numerados um a um.

Porque é definitivamente um atentado o que ocorre a cada exaltação da mentira, a cada inauguração de um McDonald´s de bêbado onde existia um pé-sujo, a cada negação da cultura primitiva do povo carioca, tão massacrado, tão usurpado, tão maltratado por sucessivos desgovernos. A imprensa, como sempre tão bem defende meu dileto amigo Fausto Wolff, que deveria estar ali, de pé, ao lado do povo, ao menos no tocante ao Jota, ao menos no tocante ao assunto, cospe na cara do povo para bajular os investidores.

Peço que espalhem isso. A luta, ainda que inglória, dignifica.

Até.

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SAMBA, SUOR E CERVEJA

Ontem, domingo, tive de ir duas vezes ao Tom Jobim, o aeroporto. A primeira às 5h20min para buscar a razão dos meus sorrisos, a Dani, de quem tinha olímpica saudade (como agora, e ela saiu há 10 minutos), chegando de Salvador. A segunda, às 11h, para buscar uma amiga querida que conhecemos há coisa de seis meses e com quem estabelecemos uma relação de muito afeto, a Inês, do Casaco Amarelo, chegando de Boston. Aliás, mínimo intróito antes de lhes contar sobre o domingo: a Inês é uma espécie de Cacau. Cheirosíssima. E é filha de Próspero e Cidália, que nos receberão na sexta-feira, quando chegamos a Lisboa (contei isso para que vocês notem a extensão da teia). Em frente.

Daí foi assim.

Inês e Dani em nossa casa, 21 de maio de 2006

Inês chegou, comoveu-se quando pisou na cidade – ama o Rio desbragadamente, a Inês – fui levá-la ao Flamengo, onde está hospedada na casa de uma amiga, para lá deixar as malas e fiquei esperando por ela no Picote (feíssimo, depois da reforma, mas com um chope ainda notável). Tomamos o rumo de casa e o encontro das duas, Inês e Dani, foi prenúncio de um dia especial. Choraram de me fazer partir pro uísque.Estávamos, eu e Dani, dispostos a dar a ela um domingo carioquíssimo. E tijucaníssimo, razão pela qual tomamos o 433 em direção à Lapa.

Inês, Dani e eu, 21 de maio de 2006, na escadaria do Selarón, na Lapa, Rio de Janeiro, RJ

Tivemos a sorte de encontrar com o próprio Selarón, aquela figura, Inês comprou um de seus quadros, e subimos os degraus em direção a uma casa onde haveria feijoada com samba, ali mesmo, no final da escadaria. Mas não ficamos. Entrei apenas eu para um estudo de terreno. E tirando minha comadre Mariana Blanc e Marquinho Presidente não conhecíamos mais ninguém. O que não seria, a princípio, um problema. Mas o restante da assistência era apenas pose. Eu deveria ter desconfiado. Santa Teresa, eu queria o quê? Era uma casa verde estilinho descolada. Duas feijoadas, a tradicional e uma vegetariana. Por isso aquele festival de havaianas coloridas, óculos escuros gigantescos, turbantes escondendo as colônias de lêndea, muita neblina de cânhamo e ó, mandei-me dali rapidinho. Dani bateu o martelo:

– Vamos levá-la ao Bar do Arnaudo!

Dani e eu, Bar do Arnaudo, Santa Teresa, Rio de Janeiro, RJ, 21 de maio de 2006

Subimos Santa Teresa de táxi e – notem a extensão da teia! – toca o celular. Vidal e Dalton estão indo nos encontrar.

Fizemos aquele espetáculo: carne de sol, macaxeira, manteiga de garrafa, farofa de abóbora, muita cebolinha, pirão de leite, carré, Original gelada, doses de Marimbondo e aquela vista que só Santa Teresa oferece, aquela leseira dos domingos, aquela indolência dos domingos, e acima de tudo aquela capacidade de aproveitar o domingo até o último minuto.

Dalton no Bar do Arnaudo, Santa Teresa, Rio de Janeiro, RJ, 21 de maio de 2006

Dani e Vidal no Bar do Arnaudo, Santa Teresa, Rio de Janeiro, RJ, 21 de maio de 2006

Conta paga, tomamos o rumo da quadra da G.R.E.S. São Clemente, para a roda de samba do Galocantô. Vidal nos deixou lá e, ó, tomou o rumo de casa.

E lá, no Terreiro do Galo, mais e mais festa. Encontramos com a Duda, com a Guerreira, com a Iracema Monteiro, que, inclusive, cantou e quebrou tudo, inclusive a mim quando ofereceu um samba ao Toledão.

Duda no Terreiro do Galo, 21 de maio de 2006

Dani, Iracema, Guerreira e Inês no Terreiro do Galo, 21 de maio de 2006

Eu e Dalton no Terreiro do Galo, 21 de maio de 2006

A certa altura toca meu celular – notem a teia, a teia!

É o Szegeri. O Pompa. Eu digo “alô” e ele:

– Eduzinho…

E quando ele fala “Eduzinho” eu sei que vem pito.

Vejam isso. O Pompa telefonou-me, às oito e meia da noite, para dizer que estava arrasadíssimo com a ausência de uma mísera ligação minha que fosse. Carente, o Pompa. De joelhos, ao telefone, implorando por uma discada, uma mensagem que fosse, um “torpedinho só”, disse ele.

De lá saímos quase às onze da noite.

Se foi bom?

Se a Dani se divertiu?

Se a Inês gostou?

Saquem o sorriso das duas, quase doze horas depois do encontro. É auto-explicativo.

Dani e Inês no Terreiro do Galo, 21 de maio de 2006

Até.

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>38 ANOS JUNTOS

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Há exatos 38 anos Isaac e Mariazinha se casavam.

minha mãe, eu e meu pai no Trapiche Gamboa, Rio de Janeiro, RJ, 27 de abril de 2006

Como forma de homenageá-los, reproduzo aqui trecho do texto publicado no Buteco em 21 de julho de 2005, chamado “Papai arremessado ao passado”.

“Já lhes contei que o Isaac, no início da década de 60, deu de cara com a mamãe numa festa em que ele era o penetra (uma rotina pra ele. Papai, Mauro, Pato e Babolina não passavam um único final de semana sem uma festa, sem uma penetrada clássica). Numa casa suntuosa na Rua Mariz e Barros, copo de Cuba Libre na mão, cigarro no canto da boca, papai não suportou ver o par de coxas morenas de mamãe deslizando degraus abaixo numa escada de mogno em caracol. Estacou ali, diante dela, os olhos dando voltas como um carrinho de montanha-russa, e ao som de “Georgia On My Mind”, na voz do Ray Charles, disse-lhe ao pé do ouvido, “caso com você um dia!”. E assim foi feito.

Pois em determinado momento da noite, já era noite, papai, carregado na cerveja, pediu silêncio ao Fefê e a todos. Cambaleando, foi até o minisystem e catou um CD. E pôs pra tocar, justamente, Ray Charles cantando “Georgia On My Mind”. E a cena foi de uma beleza tocante.

Sem que nenhum de nós entendesse nada, papai foi até os fundos do terraço e voltou com uma escada de carpinteiro, de madeira mesmo, e a escorou na caixa d´água. Com as mãos, fez um gesto pra que mamãe subisse os degraus (e mamãe o obedeceu, com certa dificuldade, carregadíssima na cerveja também). Daí fez outro sinal pra que ela descesse a escada. E quando mamãe pousou no chão, um papai com olhos marejados disse-lhe algo ao pé do ouvido e ficaram ali, os dois, dançando como se estivessem naquela casa da Mariz e Barros.

As vizinhas aplaudiram, a Duda gritou chorando “o Dedeco não vem mesmo?”, Flavinho dava tiros pro alto comemorando a cena, o Branco chorava enxugando as lágrimas nas mangas de sua jaquetinha surrada, e depois da dança papai e mamãe partiram, de táxi, não sem antes lançarem beijos em direção à vizinhança e em cada um de nós, que a tudo assistíamos embevecidos.

Era o papai lançado ao Passado. Um romântico.

No dia seguinte, ele foi ao nosso encontro, no Estephanio´s, sozinho, assistir a derrota do Vasco para o Flamengo, no pior Vasco e Flamengo que já assisti na vida. Fim do jogo, papai se levanta, xinga o Eurico, amaldiçoa o Romário, joga o resto de chope de seu copo na tela da 29 polegadas e me diz, baixinho, “vou à sua mãe que lá sou mais feliz”.

Até.

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GENTSKRÔTA

Fazendo uma espécie de trocadilho semi-infâme com o nome da coluneta do Joaquim Ferreira dos Santos, quero prosseguir na minha solitária porém heróica campanha com dois objetivos bastante definidos. O primeiro, dizer um não rotundo (saudade do Brizola…) a esses McDonald´s de bêbado nojentos que, como câncer (bom dia, Joaquim Ferreira dos Santos), vêm se espalhando pela cidade. E o segundo, dizer que a avassaladora e destruidora multiplicação dessas mentiras (Belmonte, Informal, Conversa Fiada, Manoel & Joaquim, entre outros) conta com o apoio maciço, vergonhoso, de alguns pseudo-jornalistas, que têm no Joaquim Ferreira dos Santos – só pode ser, só pode ser – um líder. Senão vejamos.

Aqui o Joaquim Ferreira dos Santos exalta o que ele chamou de pé-sujo fashion. Aqui ele cita diversos bares de merda, criando uma espécie de ranking, atendendo, evidentemente, ao interesse dos investidores. Aqui ele dá uma babada escancarada no Chico, o garçom do Bracarense, que acaba de ser lançado como garoto propaganda de uma nova marca de cerveja que, já, já, estará sendo exaltada pelo Joaquim. Aqui, mais uma do jornalista, que nessa nota criou mais uma de suas expressões infelizes… boteco grifado.

Eis que hoje deparo-me com matéria (paga, me pareceu) não do Joaquim, mas de uma coleguinha sua (não dou o nome nem a paulada).

Título da matéria (mal escrita): “A noite carioca tem agora o Baixo Copacabana – trecho entre as ruas Domingos Ferreira, Bolívar e Constante Ramos tem bares, restaurantes e cafés charmosos”.

Vou reproduzir alguns trechos bastante elucidativos e tecerei brevíssimos comentários.

“O Copa Café também costuma ter fila de espera por mesa. O dono, Roberto Peres, que inicialmente pensou na Lapa para abrir o negócio, não se arrependeu. De olho no movimento crescente, já negocia para abrir outra casa no Baixo Copa, o Café Club.”.

Vão tomando nota. A moça, que já havia citado na mesma coluna o bar Bossa Nova e o restaurante Don Camillo, tasca mais um estabelecimento na matéria. Mas, como diria Stanislaw Ponte Preta, isso deixa para lá. Vamos em frente.

“O universitário Carlos Henrique Lima, morador do Flamengo, é freqüentador, com um grupo de amigos, do Boteco Belmonte, na esquina da Domingos Ferreira com a Bolívar. A casa, que funciona no Flamengo desde 1952, também apostou nessa região de Copacabana, onde abriu as portas há cerca de um ano.”.

Aqui nota-se, além do estilo pífio da moçoila, ignorância, que é – antes que me acusem de estar sendo grosseiro – o estado daquele que não tem conhecimento ou cultura, em virtude da falta de estudo ou da falta de experiência ou da falta de prática. Ou da má-fé. Pigarreio e continuo. Alguém precisa dizer a essa moça que o que funcionava desde 1952 no Flamengo era um buteco de verdade, que atendia pelo nome de Belmonte (peço publicamente a ajuda dos queridos Szegeri e Fraga), com um balcão enorme, espaçoso, um pé-sujo de primeira linha, que foi comprado, violado, destruído e reaberto com o mesmo nome por um cidadão que atende pelo nome de Antônio (não sei se com ou sem acento, mas sei que sem escrúpulo), figurinha fácil nas colunas do Joaquim Ferreira dos Santos. Investidor inescrupuloso (é mentira o que reza o letreiro de todas as filiais do Belmonte… “desde 1952”), vocês verão, mais abaixo, do que é capaz o sujeito.

“- O Belmonte é um pé-limpo – brinca Carlos.”.

Pausa. Notem como é fraca a moça que assassina a matéria. Brinca está mal aplicado. Há a cacofonia com o nome do tal estudante. Há uma absoluta ausência de brincadeira na frase do estudante, eis que a suposta piada é velha e sem nenhuma graça. Mas vamos à faceta do investidor do Belmonte.

“Para evitar concorrência, o dono do Belmonte comprou o ponto do outro lado da calçada e abriu o Bel Crepe, que, claro, tem muito movimento.”

Que beleza! A mocinha conseguiu emplacar mais dois nomes: Belmonte e Bel Crepe (puta mau gosto, inclusive, na escolha do nome). E exalta, sem pudor, o feito do dono do Belmonte. É o monopólio sendo formado. A mentira sendo espalhada. Feito câncer. Vamos seguir, e notem o desfecho da matéria e como a coleguinha do Joaquim Ferreira dos Santos (Luciana Fróes) consegue encaixar outro bar que nem aberto ainda está, e que também está sempre na coluneta do Joaquim.

“O Baixo Copa vai ainda este ano ganhar outro bar, na esquina da Domingos Ferreira com a Barão de Ipanema: uma nova filial do Botequim Informal.”

Um nojo.

Um verdadeiro nojo.

Até.

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