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PORTUGAL, A SAGA – PARTE VIII

Lisboa, 02/06/06, sexta-feira

Acordamos às 10h. Descemos, tomamos café na rua (não incluído na diária do hotel), e como não sabíamos a que horas o Cristiano chegaria, deixamos bilhete na recepção e ficamos de ligar de hora em hora. Fomos de metrô até a Praça do Rossio. Lá chegando demos uma explorada na região e descemos a Rua Augusta. Fiquei impressionado com a quantidade de absurda de pessoas oferecendo, sem cerimônia, e escancaradamente, marijuana e haxixe. Eu, que como já disse tenho mais medo de maconha do que de barata, fiquei em pânico. Mas Dani disse:

– Relaxa. – e passei a fingir que não via aquele acinte.

Exploramos a Rua Augusta, a Rua Áurea, a Rua da Prata, e entre uma ligação e outra… pronto! Conseguimos falar com o Cristiano, e daí marcamos 18h30min na estação Alameda de metrô para irmos juntos ao Rock in Rio. Aliás, eis o quadro do dia: Dani em êxtase com o show do Roger Waters, com o Rock in Rio, com o Santana, e eu num desinteresse de fazer chorar.

Paramos para beber ginjinha no Largo de Domingos, a típica bebida de Lisboa, um licor à base de aguardente, açucar, água e canela, feito com ginja (cereja brava), que eu já havia provado há uns anos quando a Betinha voltou de Portugal com uma garrafa do néctar. O copinho vendido a 1 euro e seria uma das obsessões da estadia em Lisboa (perdi a conta do quanto bebi).

Fizemos um de nossos programas prediletos quando viajando. Andar, andar, andar, e a esmo. Por absoluto acaso (nenhuma menção em nenhum guia) descobrimos a Igreja de Nossa Senhora da Pena, lindíssima e a casa onde morreu Luiz de Camões, em 1580, na esquina da Calçada Sant´Ana com a Calçada Nova do Colégio.

Paramos para almoçar no restaurante PiriPiri, que achamos bem ao estilo do Salete (dá-lhe, Tijuca!), na Rua Arco do Marquês do Alegrete número 9. Pedimos peru assado no forno com arroz, fritas e salada, a 5 euros e 60 cêntimos, mais meia garrafa de vinho, conta de 9 euros. Como sobrou muita comida, pedi pão e fiz um sanduíche gigantesco para levar para o show (dááááá-lhe Tijuuuuuuuuuuuuuca!). E isso para juntar à marmita que a Eduarda nos deu ontem com dezenas de salgadinhos. Tijuca-ca-ca-ca-ca!!!!!

Rumo ao Rock in Rio.

Meu Deus.

Encontramos o Cristiano com uma amiga, por coincidência chamada Ignez. Chegamos à estação.

De lá até a entrada do Rock in Rio, 15 minutos.

Vejam bem.

Do que mais gostei durante o show?

Do pôr-do-sol.

pôr-do-sol em Lisboa

Ah, sim. É verdade que o show do Santana foi perfeito e que foi emocionante ver o Rui Veloso cantar Porto Sentido ao vivo.

Mas eu, definitivamente, não dou a mínima para eventos do gênero.

Até.

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PORTUGAL, A SAGA – PARTE VII

Porto x Lisboa, 01/01/06, quinta-feira

Acordamos às 9h. Café. Mochilas prontas. Chek-out. Deixamos as mochilas no hotel e de metrô fomos ao Estádio do Dragão, do Futebol Clube do Porto. Fomos à Loja Azul, uma loja gigantesca vendendo tudo com a marca do clube. Compramos um boné pro Próspero. Fomos ainda ao bar, todo azul, bem grande, com telões de cristal líquido, incrível. Bebi um imperial Superbock.

Eu no Estádio do Dragão

Voltamos de metrô, buscamos as mochilas e fomos comer no Regaleira, dica do Sr. Bessa, onde foi feita a primeira Francesinha do Porto há 50 anos!

Acabei de comer nesse minuto e é, definitivamente, a melhor das que comemos, 9 euros cada uma, 5 euros a jarra de vinho, 2 euros e 40 cêntimos a porção de croquetes de carne que o garçom recomendou (deliciosos) e fomos embora, depois de muitíssimo bem atendidos pelo Manoel Mota, que pediu:

– Recomende a Regaleira e este vosso amigo aos amigos do Brasil!

Feito.

Tomamos o ônibus não sem antes mais duas taças de vinho verde e um pastel de Belém na rodoviária mesmo.

Três horas e quinze até Lisboa.

Chek-in no Ibis que, estranhamente, nos cobrou as 4 diárias antecipadamente. Hábito ou foi nosso passaporte que inspirou cuidados?

Tomamos banho sem pressa, arrumamos as roupas, os vinhos, as taças, e descemos a pé em direção à Praça de Espanha para tomarmos o ônibus das 20h para Setúbal, já que vamos ao jantar de aniversário da Cidália, que faz anos hoje. Paramos no XPTO no caminho, um café, e bebemos dois imperiais Superbock, a 80 cêntimos cada. Compramos as passagens (3 euros e meio cada) e chegamos à Setúbal.

Andamos até a casa e – não poderia ser diferente – fomos recebidos efusivamente por nossos amigos, excitadíssimos à espera de nossos relatos sobre o Porto.

À mesa, a mesma fartura cidálica. Bolinhos de bacalhau, azeitonas, empadinhas de frango, muitos pães, canja de grão, esparregado, arroz, e tome vinho, e tome papo, e tome histórias nossas, e tome declarações de amor recíprocas, e cantamos os parabéns para Cidália, a quem demos o último CD do Chico Buarque, ela uma apaixonada pela música brasileira.

Passamos à sala de estar e demos de cantar, Eurico no piano, eu e Próspero revezando no violão, todos cantando e Eduarda, eis uma surpresa, cantando absurdamente bem, causando “ohs” e “ahs” embevecidos em mim e na Dani. Cantou, e cantou à capela, e com a alma, e com o coração, uma voz abençoada. E o troço estava tão bom, mas tão divertido, que às 3 e meia da manhã nos demos conta do avançado da hora!

Na hora de sair, mais surpresas. E faço breve pausa.

É notório que eu me comovo com a capacidade que têm, os meus, de escolherem presentes emocionalmente significativos para mim. Foi o Capitão Léo Golla, por exemplo, e a cuíca. O Szegeri e a Parker com que aprendeu a escrever. O Toledo e a coleção completa d´O Pasquim. Isso para ficar nos mais recentes.

O que fizeram Cidália e Próspero? Nos ofereceram uma garrafa de vinho do Porto, relíquia de família, oriunda de Peso da Régua (a família e o vinho), de… de… de… 100 aninhos.

Só isso.

E ainda dois CD´s com fado (Fernando Machado Soares – “Fados de Coimbra” e Antônio dos Santos), um outro com todas as fotografias tiradas por eles durante nossos passeios, e ficamos – eu, particularmente, graças ao impacto que esses gestos causam em mim – emocionadíssimos com tanto carinho, com tanta deferência, com tanto bem-querer.

Eduarda e Eurico queriam mostrar onde moram. E lá fomos nós para uma visita rápida, eram quase 4 da madrugada, e nossos anfitriões, incansáveis, nos levariam à Lisboa!!!!!

Muito legal o apartamento dos dois, que se casaram em 13 de agosto do ano passado. Tudo novo, evidentemente, ficamos de papo uns 15, 20 minutos, e tomamos o rumo de Lisboa.

Eduarda, Dani e Cidália

É um fato: voltei de Portugal com uma família em Setúbal.

Até.

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E LÁ VAMOS NÓS!

Bem, meus caros, poucos mas fiéis leitores… Parto hoje, com a Sorriso Maracanã, a mulher que me ensinou a sorrir, essa força bruta e delicadíssima que é a Dani, para dez dias em Portugal. Estou, assim, exaltando a Dani nesse momento não apenas porque estou nessa manhã, depois de quase sete anos a seu lado, ainda mais apaixonado que ontem, mas porque eu me borro de medo de avião, de viagem, tenho tremores só de olhar mala, e só a mão da minha garota é capaz de me devolver a paz e a tranqüilidade. Só seu cheiro é capaz de me servir de calmante, só seu sorriso é capaz de me fazer esboçar um sorriso quando o avião decola, só seu abraço me faz cochilar durante o vôo.

E vamos parar com isso, ou daqui a pouco os comentários começam a chegar, ai, que lindo, oh, que amor bonito, ui, que relação é essa?, e o Szegeri vai me esculhambar.

Por falar em esculhambar. Pô. Saquem o “bilhete eletrônico” emitido pela TAP.

bilhete eletrônico da TAP

Feiíssimo. Sem charme algum. Era bem mais interessante – vejam como um pobre, um tijucano raciocina – aquele libreto, páginas e mais páginas, carbono vermelho, mil e uma instruções, tudo mais solene, mais grave, mais emocionante. Agora, não. Em nome da praticidade, do corte de custos, dessas merdas que nos atropelam, a gente imprime, de casa, o bilhete aéreo, banalizando um troço que, ao menos para mim, é altamente importante eis que sinto-me, sempre, na iminência da morte quando viajo.

São só dez dias, lembrem-se disso. Embarcamos de volta – se lá chegarmos, toc, toc, toc na tábua de madeira imaginária – no dia 05 de junho. Ou seja, pouquíssimo. Mas mesmo assim, mesmo sendo pouquíssimo, notem como os queridos que me cercam me conhecem bem. Dão, a essa mínima viagem, a essa curta ausência, uma importância como a que foi dada à viagem do major Marcos à Estação Espacial Internacional (ISS). Vejam.

Hoje já chegou e-mail da Maria Paula e da Manguaça. Almoçam conosco, hoje, no Salete, a Inês, a Guerreira e a Betinha. A Guerreira irá nos levar ao aeroporto, para onde também vai, para um beijo-tchau, o Mauro, que já esteve conosco ontem à noite, bem tarde, no Rio-Brasília, para um beijo-tchau também. Eu fui assistir ao jogo do Flamengo e Dani chegou, tadinha, tardíssimo, arrumando as malas, eis que eu não guardo nem meia. Ontem ligou-me o Pompa, de São Paulo, para um solene “boa viagem, meu irmão”, e eu chorei quando desliguei. Ah, sim. Disse-me mais, o Pompa, em tom de súplica:

– Querido… Não vá ao Rock in Rio, por favor…

Papai, mamãe, minha sogra, Maguinha, a irmã que eu não tive, todos ligaram como se fôssemos ficar um ano fora. Talvez seja tudo reflexo do que me vai na alma numa altura dessas.

Mas, enfim. Amanhã, às 6h40min, horário de Lisboa, estarão a nossa espera, no aeroporto, Próspero e Cidália, pais da Inês, que gentilmente acataram o pedido da filha:

– Resgatem o Edu e a Dani no aeroporto, por favor!

Lá ainda encontraremos o Cristiano, meu irmão, que fugirá, por cinco dias, de Clermont-Ferrand, e a Fumaça, que fugirá, por dois dias, de Maputo.

Estou levando na bagagem meu palmtop de pobre, o mesmo que levei para Belo Horizonte. Prometo, para o retorno, relatos detalhados, bem à minha moda.

Até.

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