Arquivo do mês: junho 2010

>DO DOSADOR

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* Cheguei ontem de São Paulo depois de momentos tensos no aeroporto de Congonhas. Meu vôo estava marcado para às 9h50min mas por conta do mau tempo no Rio de Janeiro acabei saindo de lá somente às 11h30min, ainda a tempo, graças aos deuses, de ver o jogo do Brasil, 3 a 0 sobre o Chile. Falarei sobre São Paulo no correr do tempo, mas adianto a vocês que foi – tanto Campinas quanto São Paulo – uma senhora estada, da manhã do dia 23 até a manhã de ontem;

* vamos aos meus pitacos sobre a atuação de ontem. O goleiro Júlio César ainda não foi – e ainda bem! – exigido à vera até o momento. Ontem, então, trabalhou muito pouco. Com a pontaria permanentemente equivocada dos chilenos, não teve trabalho algum. Acho que abusou demais dos chutões pra frente em detrimento de saídas de bola mais cadenciadas. Mas, evidentemente, não comprometeu. O lateral Maicon foi muito pouco à frente por conta do posicionamento da equipe chilena. Foi bem na marcação, falhou em alguns cruzamentos e não errou tantas cobranças de escanteio como nos jogos anteriores. Lúcio foi um monstro e sofreu um pênalti não marcado em dividida com Contreras. Não entendi, sinceramente, a não marcação da falta. Não se pode dizer que o zagueiro fez fita, pois o salto que deu – quero crer – foi muito mais para se defender de uma contusão do que cena propriamente dita. Seguro como sempre. E o melhor em campo, ao lado de Juan. O zagueiro rubro-negro mandou na defesa, ganhou praticamente todas as bolas e na bola, sempre. Ainda foi coroada com o primeiro gol do Brasil, de cabeça, quando saltou mais que todos com precisão no cabeceio, praticamente uma escorada na bola. Excelente atuação! Michel Bastos, limitado como de costume, fez sua melhor partida ontem. Correu pra burro e não teve muito trabalho na marcação. Vê-se, pois, que fez sua melhor partida porque errou pouco. Outro que atuou melhor do que em todos os jogos até então foi Gilberto Silva. Esteve bem na marcação e jogou duro, mais do que o necessário. Mas não é mais tempo de brinquedo. O que justifica sua atuação. Lamento bastante o cartão amarelo de Ramires, que teria assumido o posto no time titular na vaga de Felipe Melo. Foi outro que correu muito, marcou e foi marcado e que deu um pouco mais de luz ao meio-campo brasileiro. Acho que perdemos muito com sua suspensão e que sentiremos sua falta no jogo contra a Holanda. Daniel Alves pouco armou, como de se esperar de alguém com sua função. Movimentou-se bastante, entretanto, e não chegou a comprometer. Kaká continua devendo uma atuação à altura das expectativas. Uma vez mais, num único lance, foi fundamental, servindo de bandeja a Luís Fabiano. Errou passes demais e tomou outro amarelo, bobo. Foi substituído por Kleberson que foi lançado mais à frente do que está acostumado a jogar. Durante o tempo em que jogou, não criou nada, mais por conta de seu posicionamento. Robinho foi inexplicavelmente eleito o melhor em campo pela FIFA. Esteve bem mal até marcar o gol, mais um contra os chilenos. Quando deu de cair mais pela esquerda viveu seus melhores momentos em campo. E participou, ao lado de Kaká, da jogada que rendeu o gol de Luís Fabiano. Gilberto? Isso deixa para lá. Luís Fabiano marcou uma vez mais no mundial. Um golaço, diga-se. Driblou o goleiro, tocou pra dentro e correu pro abraço. É torcer pra manter o faro aguçado contra os holandeses. Nilmar, coitado, entrou e sofreu com a já sabida falta de criatividade do meio-campo canarinho. Eu queria que alguém me explicassse porque jogamos com quatro (quatro!!!!!) volantes se vencíamos bem a partida, de forma convincente, com amplo domínio do jogo. Coisas do Dunga. Mas estamos nas quartas, e é isso o que importa;

* não compreendo, também, o chororô da imprensa brasileira. Pombas! Ganhamos de 3 a zero, jogamos bem, passamos para as quartas-de-final e me parece pouco crível que haja ainda alguém esperando uma atuação de gala do escrete. Temos a melhor defesa, um matador na frente, dois homens que têm lampejos capazes de resolver um jogo e se temos uma meiúca limitada é com essa meiúca limitada que temos que contar. Acabou-se, de vez – o que parecia já ter acontecido – a minha paciência com esses nunca-satisfeitos;

* Alemanha e Argentina farão um jogaço, como jogaço será o Brasil e Holanda. No bolão – e dane-se o bolão! – pus a Holanda derrubando o Brasil. Não creio nisso, sinceramente. Faremos, tenho certeza, mais um jogo-teste-para-cardíaco. E aposto, de leve, na seleção alemã. Continuo achando uma teta a defesa argentina. E acho que a Alemanha, que vem de um portentoso 4 a 1 contra a Inglaterra, vai mamar nas tetas dos hermanos. A conferir;

* pra encerrar (e voltarei ao assunto). O troço que mais me comoveu durante a estada em São Paulo foi ter ido à sede do Anhangüera, ver o samba dos Inimigos do Batente com Gisa Nogueira e Didu Nogueira, homenageando os 10 anos de morte do grande João Nogueira. Tudo foi emocionante, tudo. Mas nada foi mais emocionante do que estar com meu mano Arthur Tirone, o Favela, naquele que é seu reduto máximo. Os olhos que brilhavam, a voz que teimava em sair gaguejante, os braços atônitos que tudo mostravam e para tudo apontavam, nada disso sairá da minha memória.

Até.

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>LIGEIRO RECESSO

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O BUTECO entra em ligeiro – e raro – recesso até a próxima segunda-feira. Amanhã vou para São Paulo, com pouso em Campinas. Como estou, eis a confissão que faço, ligeiramente viciado nesse troço que atende pelo nome de TWITTER, vou dando as notícias, ou o passo-a-passo, por lá (aqui).

Até.

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>DO DOSADOR

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* Assisti à partida de ontem na casa de meus pais, no Alto da Boa Vista, uma vez mais evitando grandes aglomerações e os bondes das descotroladas que se espalham por aí. É preciso estar atento ao jogo, o que requer pouca gente por perto. Depois dos dois jogos da manhã, bebi uma cerveja no BAR DO MARRECO rigorosamente sozinho, tomei fôlego e subi a Conde de Bonfim;

* vamos à minha análise individual dos jogadores depois da vitória de 3 a 1 sobre a Costa do Marfim. O goleiro Julio César foi, de novo, o goleiro seguro de sempre. É, na minha humílima opinião, o maior do mundo em atividade. Fez diversas defesas importantes durante o jogo (duas fundamentais) e não teve, em absoluto, culpa no gol de Drogba, já no final da partida (embora a nossa defesa tenha vacilado, de leve). Maicon mostrou vontade mas não teve liberdade para ir tantas vezes ao ataque como no jogo da estréia. O zagueiro Lúcio mostrou a segurança de sempre. Foi mais à frente do que eu gostaria, mas não comprometeu o setor defensivo em nenhum momento. Juan foi outro que jogou com segurança e com tranqüilidade. Aliás, diga-se, eis aí uma marca da seleção no jogo de ontem: tranqüilidade. Mesmo enfrentando um corpo a corpo duríssimo por parte dos marfinenses, desonestos algumas vezes (com a complacência do árbitro), manteve a cabeça no lugar e jogou, como disse o Parreira à imprensa depois do jogo, como se estivesse treinando. Michel Bastos (confundido pelos locutores, mais de uma vez, com o Robinho!), poucas vezes foi à frente, dedicando-se mais à marcação (ligeiramente mal feita). Gilberto Silva, isso deixa para lá. Felipe Melo vem me surpreendendo, não pelo futebol (que é pequeno), mas pela frieza com que enfrentou, ontem, as duras jogadas da Costa do Marfim. Fez o que se esperava dele: muitos desarmes e só. Elano marcou seu segundo gol nesta Copa do Mundo e esteve bem até o momento em que foi covardemente atingido no tornozelo. Aliás… foi lamentável o que disse o Neto durante a transmissão da BAND. Segundos após o lance deu de gritar:

– Quebrou! Quebrou! Quebrou a tíbia e o perônio!

Patético. Elano foi substituído por Daniel Alves que não teve tempo para rigorosamente nada. Kaká começou o jogo muito mal. Suas cinco primeiras intervenções foram equivocadíssimas. Errou, como no primeiro jogo, todos os primeiros passes. Redimiu-se, depois, acertando os passes para dois dos três gols. Foi injustamente expulso mas poderia ter sido sacado do time e poupado pelo Dunga, já que era evidente seu desentendimento com seus marcadores. Robinho quase que marca um golaço no começo do jogo. Depois, jogou pro time em detrimento do brilho individual. Ramires sofreu do mesmo mal que Daniel Alves. Luís Fabiano marcou dois gols. O primeiro, uma porrada-jabulani indefensável. O segundo, uma pintura. Na primeira matada, a bola bateu em sua mão visivelmente sem intenção. Depois, ajeitou a bola com o braço – voluntariamente -, o que não tira a beleza do lance. Intrigante a risadinha do árbitro durante uma rápida conversa com o jogador na volta ao meio do campo. Creio que isso, em algum momento, vai prejudicar o Brasil de agora em diante. A conferir. O técnico Dunga pecou por não tirar o Kaká depois do terceiro gol. Sem o bom-moço e com Elano machucado (provavelmente fora do jogo contra Portugal na próxima sexta-feira), vai penar pra dar ao meio-campo algum lampejo de criatividade;

* conversei rapidamente com meu mano Szegeri hoje pela manhã sobre a postura do Dunga na coletiva após o jogo. O sujeito está, é fato, num labirinto sem saída. “Perdeu essa batalha”, disse-me o homem da barba amazônica referindo-se à relação que estabeleceu com a imprensa. Acho, entretanto, que fez bem ao espinafrar o bunda-mole Alex Escobar. Aliás, ao tratar a GLOBO como vem tratando. Ouvi, à boca pequena, o segiunte: segunda-feira, véspera do jogo de estréia da seleção brasileira, por volta das 11 horas da manhã, hora local na África do Sul, aportaram na entrada da concentração do Brasil, Fátima Bernardes acompanhada pelo repórter Tino Marcos e mais uma equipe completa de filmagem. Indagada pelo chefe de segurança do que se tratava, a esposa do chefão William Bonner teria dito:

– Estamos aqui para fazer uma reportagem exclusiva com o treinador e alguns jogadores.

Comunicado do fato, o técnico Dunga, pessoalmente, dirigiu-se ao portão e, após ouvir o blá-blá-blá global, foi incisivo, curto e grosso:

– Me desculpe, minha senhora, mas aqui não tem essa de reportagem exclusiva. Ou a gente fala pra todas as emissoras de ou não fala pra nenhuma.

– Mas esse acordo foi feito ontem entre o Renato Maurício Prado e o Ricardo Teixeira. Tenho autorização para realizar a matéria.

– Não tem autorização nem meia autorização. Aqui nesse espaço eu é que resolvo o que é melhor para a minha equipe. Com licença que eu tenho mais o que fazer. E pode mandar dizer pro Ricardo que se ele quer insistir com isso, eu entrego o cargo agora mesmo!

O treinador, então, virou as costas e saiu sem ao menos se despedir.

Se é ou não verdade, não sei. Sei que, pessoalmente, gosto muito de ver alguém enfrentando a toda poderosa que SEMPRE (eis um indício de que o troço pode ser verdade) esnobou as concocorrentes com as tais “entrevistas exclusivas”.

* acaba de terminar Portugal 7 x 0 Coréia do Norte. Não me impressiona. Não fomos tão bem na estréia contra o fraquíssimo adversário por conta da pressão e da tensão natural de qualquer estréia. Pra cima deles!

Até.

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O AVANÇO EVANGÉLICO É PERIGOSÍSSIMO

A ser verdade o que noticia a nota publicada hoje em O GLOBO na coluna ANCELMO GOIS, estamos diante de mais um caso estarrecedor envolvendo o crescimento vertiginoso das igrejas pentecostais no mundo, e vou me ater, aqui, ao Brasil.

nota publicada na coluna ANCELMO GOIS de O GLOBO de 18 de junho de 2010

Tenho dito a diversos amigos e colegas, notadamente da área jurídica, que não é possível manter-se inerte diante desse movimento (anti-cristão acima de tudo eis que intolerante e movido pelo ódio) que cresce assustadoramente diante de todos nós. Querem, os líderes religiosos que aqui se identificam como “evangélicos”, o poder acima de tudo.

O Brasil é um país laico. E um Estado laico tem como dever defender e promover a mais aguda e absoluta separação entre o Estado e as comunidades religiosas, bem como a saudabilíssima neutralidade do Estado em matéria religiosa. Zelar pela liberdade de consciência e pela igualdade entre cidadãos em matéria religiosa. Ora, o que vemos aqui?

Rádios (AM e FM, que há até pouco tempo estava livre dessa praga) e televisões nas mãos dessa escória que – repito – quer apenas o poder a qualquer preço. Rádios e televisões que são concessões do Estado, que evidentemente não deveria permitir a desigualdade de forças que vemos na distribuição das correntes religiosas nestes setores.

Dia desses, voltando de carro de Volta Redonda, assombrei-me durante o trajeto. TODAS (eu disse TODAS) as rádios que consegui sintonizar transmitiam programas evangélicos.

TODAS! Estaquei numa delas. Uma histérica desequilibrada agredia, valendo-se de termos impublicáveis, a Igreja Católica e seus “santos mentirosos”, o Espiritismo e seus “charlatões”, o Candomblé e seus “demônios”, a Umbanda e seus “espíritos das trevas”, a macumba e seus “fanáticos assassinos”, os judeus e “seus avarentos” e por aí.

Estamos aí fingindo que não é conosco. Bispos e bispas de mentira, ladravazes tratados com condescendência por quem detém o poder dessas concessões, estão espalhados por aí, como ratos, nas câmaras municipais, nas assembléias legislativas, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Fomentam o ódio, usurpam o dinheiro suado do povo humilde que não raciocina e vão em frente, marchando como o mais sanguinário dos facínoras em direção ao poder.

É preciso agir – e falo sério – antes que seja tarde.

Até.

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O ANTI-BRASILEIRO, O ANTI-CARIOCA

A grande rede veio, mesmo, para revolucionar o sistema de forças que domina o mundo. As redes sociais (e como já falamos delas aqui…), os blogs, os sites que disponibilizam vídeos feitos por qualquer um, são peças de um mecanismo que não perdoa a ninguém e que está aí, ao alcance de todos, pronto para, por exemplo, arrancar as máscaras de gente que mantém no pescoço um número de caras aptas a lhes servir conforme a conveniência da situação. Li, ainda há pouco, no twitter, Ed Motta fazendo patético apelo a seus seguidores para que todos espalhassem suas justificativas para a veiculação da entrevista recentemente publicada pela revista Contigo. Fui ler o tal apelo. A entrevista, na qual Ed Motta escorraça o brasileiro, o Brasil, o carioca, o Rio de Janeiro, o índio, o samba de enredo, na íntegra, está aqui. E o que dizia, no apelo, o sujeito? Leiam:

“A revista CONTIGO veio na minha casa fazer uma matéria e em vários momentos a jornalista dizia que o gravador estava desligado. Eu, imbecil completo, por estar na minha casa, estava relaxado falando um monte de bobagens, toda equipe dava risada etc. Gravador ligado? Não. Desligado em vários momentos. Conclusão: foi publicada, numa boa, a pior matéria que já fizeram comigo, má-fé total, várias afirmações em tom de piada que, escritas, passam uma imagem como se eu fosse um nazista. Isso é que dá perder tempo com uma revista de 10ª categoria como a CONTIGO. Sacanagem das brabas.”

Dá pra ter pena de um cara desses que, em 2006, deu entrevista para a revista Isto É dizendo isso?

“Para ficar perfeito, o chá tem de ser preparado com água mineral. Preferencialmente com spring water, ou água de montanha. A nossa água de Petrópolis também é boa.” Quando lhe dizem que a sua nova mania sai caro, ele concorda. E esnoba: “Não é para o povão, mas eu não consumo nada do povão. Felizmente! A não ser que seja o povão da Itália, o povão da França.”

Eu, que recentemente publiquei Coleta de provas (aqui) para dar cores fortes de coerência à defesa de tudo que faço aqui com franciscana paciência, fiquei feliz com esse troço todo.

Não é por acaso que está sendo marcado o “0800 no Astor”, não é por acaso que Cora Rónai o incensa em sua coluna de hoje…

Agora: que justificativa teria o anti-brasileiro, o anti-carioca para ceder ao convite e conceder entrevista para uma revista dessa “categoria”? Patético, não?

Até.

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ARREMESSO AO PASSADO NO FUTEBOL

Copa do Mundo é mesmo assim. Tirando os pseudo-intelectuais que acham o máximo torcer contra o Brasil – como nos mostra a desinteressada Cora Rónai em sua coluna de hoje n´ O GLOBO – e os descolados que ilustram a coluneta de Joaquim Ferreira dos Santos também de hoje, gente que acha que “a Copa é desculpa para a gente se produzir” e que “futebol tem que ter humor, alegria” – nojo absoluto! – envolvemo-nos todos com a aura que circunda os dramas do esporte bretão. Não por outra razão, como lhes contei aqui, pulei da cama às 4 da matina na terça-feira passada, dia da estréia do Brasil no campeonato mundial. Na manhã da quarta-feira, ainda ressaqueado com a atuação pífia do escrete brasileiro, tomei conhecimento de que no Leblon e em Ipanema o pau quebrou – filme de sempre! – entre playboys mimados, pitboys problemáticos, lutadores de jiu-jitsu e afins. Fui tomado por uma febre causada por um arremesso agudo ao passado que me remeteu ao tempo da inocência. Estava eu em 1978 de mãos dadas com meu velho pai, meu irmão do meio agarrado na outra mão. Eu, de Flamengo. Meu irmão, de Vasco. Papai tentava, naquele dia, me fazer ver o que ele considerava “uma burrice”. Eu, que nascera vascaíno graças à sua ótica diante do nascimento do primogênito, me rendera ao amor pelo rubro-negro graças ao Zico e pelas próprias mãos do Zico, como lhes contei aqui. Aquela final entre Flamengo e Vasco era, então, o que meu pai considerava a chance da redenção. O empate favoreceria o Vasco e papai não podia imaginar que o gol de Rondinelli, no final do jogo, poria seus planos por terra. Mas não é isso o que quero lhes contar.

Meu arremesso me levou à rampa do Maracanã. Éramos proibidos, eu e meus irmãos, de falar palavrão em casa. “Respeitem a sua mãe!” era um mantra no apartamento da São Francisco Xavier, 90. Mas bastava passarmos na roleta do estádio, vinha o aviso:

– Aqui pode! Aqui pode!

E nestes tempos de gritos de guerra sanguinários e cabeludíssimos, deliciei-me com a música que ecoava em meus ouvidos durante o transe causado pelo arremesso ao passado. Gritava a torcida rubro-negra:

– Ô, ô, ô, o Zico é craque é o Roberto é um cocô!

A torcida do Vasco, que dividia a rampa com a torcida adversária (troço impensável nos dias de hoje), devolvia:

– Ô, ô, ô, o Zico é craque, o Roberto é que ensinou!

Havia os gritos mais ousados:

– Um, dois, três, quatro, cinco mil! Eu quero que o Vasco vá pra puta que o pariu!

Papai dizia:

– Aqui pode! Aqui pode!

– Zum-zum-zum! Passou um avião! E nele estava escrito que o Vasco é campeão!

É desse ano, 1978, que vem meu primeiro registro de memória de uma Copa do Mundo. Eu, nascido em 1969, não trago nada dentro de mim com relação às Copas de 1970 (evidentemente, eu com um ano…) e de 1974. Foi em 1978, na casa de uns amigos de meus pais, na ainda nativa e inexplorada Barra da Tijuca, que assistimos a Brasil e Suécia, 1 x 1, com um gol irregularmente anulado, de Zico, aos 45 minutos do segundo tempo – vejam o lance aqui.

Ali cravou-se em mim a paixão pela seleção brasileira, ali eu entendi que o futebol é a antítese do humor e da alegria. Usina permanente da inocência que nos faz suportar, mais firmes, a dureza do dia-a-dia.

Até.

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>DO DOSADOR

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* Vivi, ontem, um dia típico de Copa do Mundo em dia de Brasil. Às 4h da manhã levantei depois de sonhar, a noite toda, com o jogo contra a Coréia do Norte. Fui à cozinha, preparei a moela, fui à feira comprar camarões para meus convidados (Luiz Antonio Simas e sua Candinha), fui ao Centro comprar pão, assisti ao primeiro tempo de Portugal e Costa do Marfim na companhia do Santos, encontrei-me com o Simas no BAR DO MARRECO (onde vimos o segundo tempo) e tomei o rumo de casa com cerveja gelada e mais que tais. Às 15h30min, nossa estréia na Copa do Mundo de 2010;

* achei péssimo para o Brasil o empate entre portugueses e marfinenses. Há quem tenha comemorado. Eu, um contumaz poltrão, acho que foi pior pra nós. O grupo fica, com os resultados de ontem, rigorosamente aberto para o infito sem a polarização que duas vitórias estabeleceriam e vamos ao meu raciocínio. Creio que Portugal e Costa do Marfim vão vencer a fraquíssima Coréia do Norte. Estou apostando numa Costa do Marfim, contra o Brasil, fechadíssima (acreditando que venceremos com sufoco). E num jogo franco e aberto contra Portugal. Resumo da oporeta: tensão absoluta, sabe-se lá se decidindo vagas pelo saldo de gols. Nosso saldo de ontem, 1 golzinho só, não ajuda;

* vamos à análise da atuação dos jogadores, um a um. Infelizmente a previsão de que a seleção brasileira seria modorrenta e sem inspiração confirmou-se. O goleiro Júlio César pouco ou nada fez, assim como nada pôde fazer no instante do gol que sofreu no final do jogo. Juan foi patético no primeiro tempo e menos mal (nada mais que isso) na etapa final. O zagueiro Lúcio foi outro que, como o goleiro, não teve trabalho na zaga. Atuação apagadíssima. Michel Bastos, isso deixa para lá. Sinto nojo só de escrever seu nome. Maicon, adulado de forma significativa pelo narrador da TV GLOBO, eleito pela FIFA o melhor em campo, fez um gol-jabulani e foi raçudo, que é o mínimo que se espera de quem veste a amarelinha. Foi pouco à frente, muito provavelmente atendendo ordens do general de casaca (que casaca a do Dunga, hein?!). Felipe Melo, uma arma de destruição em massa na opinião de Aldir Blanc, fez o de sempre: faltas, faltas, faltas e falta (de criatividade, como de hábito). Foi substituído por Ramires, que não conseguiu repetir a atuação que teve no último amistoso antes da estréia, e que me deu esperança de vê-lo ganhar a vaga. Levou um cartão amarelo besta. Gilberto Silva foi outro que não fez NADA (com a ênfase szegeriana) de produtivo. E conseguiu ser pior que o horroroso Felipe Melo: nem faltas fazia, deixando avenidas abertas para os norte-coreanos (inabilidosíssimos, graças aos deuses). Nem o segundo gol do Brasil, de autoria de Elano (em magistral passe de Robinho), foi capaz de redimir o meia inteiramente medíocre. Sacado logo depois do gol, deu lugar a Daniel Alves que, isso também deixa para lá. Kaká foi outro que esteve muito aquém do esperado (se bem que, com a recente contusão, tenha nos deixado esperando muito pouco…). Errou demais e não teve sequer sombra de qualquer rompante genial. Saiu para a entrada de Nilmar que, mesmo com pouco tempo de atuação, fez mais que Luis Fabiano nos 90 minutos (esse também deixa para lá, que sua atuação foi bisonha). Robinho, que deve estar sentindo aguda saudade de seus companheiros da Vila Belmiro, fez por ele e fez por Kaká. Foi bem, na minha humílima opinião, ainda mais se levarmos em conta sua companhia durante todo o jogo. Seu passe para o segundo gol foi fabuloso, fabuloso. Como fabulosa foi, diga-se, a chulapada dada pelo mediano Elano;

* fomos obrigados a assitir o jogo na TV GLOBO. Tentamos a BAND, mas ouvimos, alguns segundos antes, a explosão da vizinhança na hora do gol de Maicon. Esses delays são impressionantes;

* Flamengo, rapidamente. Nojenta, como de hábito, a postura do goleiro Bruno diante de Zico, na Gávea. Vai tarde, o fanfarrão. Torço, agudamente, para a concretização de sua venda;

* hoje começa a segunda rodada dessa primeira fase. África do Sul e Uruguai entram em campo às 15h30min. Começará, assim, a ser melhor desenhado o painel das oitavas-de-final;

* e pra terminar: triste, muito triste, a cobertura da Copa do Mundo. Encontrei um Luiz Antonio Simas desolado com o caderno de esportes d´O GLOBO nas mãos, ontem à tarde. Adnet, Mazzeo, gente sem NENHUMA (com a ênfase szegeriana) autoridade ou intimidade com o assunto escrevendo sobre a Copa do Mundo. E hoje pela manhã, no jornal matinal da TV GLOBO, matérias patéticas que revoltam o pobre-torcedor: repórteres entrevistaram a mãe do Lúcio e a mãe do Júlio César, aquela em casa e esta, coitada, no Maracanã, debaixo do gol. As perguntas? “A senhora ficou nervosa?”, “O que a senhora acha do tamanho do gol?” e outras babaquices inacreditáveis. Depois? Léo Jaime comentou o jogo de dentro do estúdio. Um lixo absoluto. Juntamente com o CALA BOCA GALVAO, top do top no TWITTER, deveria vir o CALA BOCA GLOBO;

* e vamos em frente. Domingo enfrentaremos a Costa do Marfim e o jogo de ontem deixou essa certeza: vem pedreira por aí.

Até.

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