Arquivo do mês: setembro 2007

VOU VER JULIANA

A vida é mesmo capaz de pequenos milagres que dão mais graça à própria vida. E é graças a um desses milagres que eu, acompanhado da minha imprescindível Sorriso Maracanã, de pé, diante do balcão imaginário, estarei, hoje à noite, junto da nossa queridíssima Juliana Amaral (comigo, aqui), no show de lançamento de seu mais novo disco, JULIANA SAMBA, com participações especiais de Moacyr Luz e Wanderley Monteiro.

Muito axé pra Ju!

A semana promete e o samba agradece… Na terça-feira, é Moyseis Marques – veja ele cantando aqui – que lança seu disco.

Até.

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ARAGUAIA

O JB, o outrora aguerrido JB, desde ontem vem dando ampla cobertura à questão judicial que envolve o desaparecimento de 58 ativistas do PCdoB, entre os anos de 1972 e 1975, e os militares que estiveram na linha de frente da repressão à Guerrilha do Araguaia.

O jornal O GLOBO, que foi subserviente a vida inteira aos militares golpistas e ditadores, mantém asqueroso silêncio sobre este importantíssimo, e inédito, acontecimento.

Não querer lançar luzes sobre esta importante vitória dos familiares dos desaparecidos, que desde 1982 tentam obter informações sobre o paradeiro dos corpos de seus parentes mortos, é até coerente com a história covarde do jornal O GLOBO.

Mas não noticiar que o coronel Lício Ribeiro Maciel, um dos comandantes dos grupos que prenderam e mataram guerrilheiros, ameaçou receber à bala o oficial de justiça que porventura ouse intimá-lo a depor, e declarou que se arrepende de ter prendido, e não matado, José Genoíno, é gesto rigorosamente divorciado do Jornalismo maiúsculo.

Um nojo, como de costume.

Até.

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27 DE SETEMBRO

“Gbalá é resgatar, salvar
E a criança, esperança de Oxalá
Gbalá, resgatar, salvar
A criança é esperança de Oxalá”

(Martinho da Vila)

Ana Clara, 24 de dezembro de 2005

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A PODRIDÃO DE UM JORNAL

Ontem minha caixa de email espocou feito milho em pipoqueira, que eu odeio forno de microondas e, conseqüentemente, a pipoca prática que tem gosto de isopor. O relógio marcava seis e meia da manhã quando chegou o primeiro, assinado por um Tabelião (senti-me notificado):

“Meu velho, nem uma palavra sobre o atual furdunço envolvendo os pé-sujos e sua higiene, e o comentário do Juarez Becoza sobre serem lugares feitos por gente do povão para gente do povão? Já foi melhor nisso, hein? Beijos.”

Notem que a marcação de meus poucos mas fiéis leitores é, ao contrário da marcação exercida pelos zagueiros do Flamengo, infelizmente…, implacável. Mas vamos ao palpitante assunto que tantos emails provocou.

O GLOBO, ontem, através de uma de suas empregadas, Selma Schmidt (recuso-me a chamar de jornalista quem se presta a certos papéis), deu início – não tenho dúvidas disso – a uma sórdida campanha contra os butecos cariocas (ainda são dez mil, apesar da ação predatória de meia-dúzia de empresários e de milhares de babacas que caem no conto desses imbecis).

matéria publicada no jornal O GLOBO de 25 de setembro de 2007

A matéria intitulada PÉS BEM MAIS DO QUE SUJOS, que ocupa uma página inteira do caderno RIO, tem um tom denuncista covarde e propõe-se aparentemente a cobrir a vistoria (chamada de blitz, na matéria) feita em oito butecos pelo presidente da Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores. Vistoria essa acompanhada pelo jornal O GLOBO. Eis aí meus primeiros estranhamentos.

Quando houve, recentemente, um operação feita pela Delegacia do Consumidor com acompanhamento de técnicos da Vigilância Sanitária, e quando descobriram algo como cem quilos de carne vencida no Belmonte do Jardim Botânico, não havia UM mísero fotógrafo ou UM mísero jornalista de O GLOBO “acompanhando” a operação?

Por que esta notícia saiu num canto de página, tímida, sem qualquer destaque? Vejam aqui.

Vejam bem… É EVIDENTE (com a ênfase szegeriana) que, em geral, as cozinhas dos butecos pé-sujos não são, de fato, um primor de higiene e assepsia. Mas também não o são as cozinhas de QUALQUER restaurante, simples ou requintado, ou de QUALQUER bar-de-merda dessas redes perniciosas de franquia.

E não tem mais o que fazer o presidente da Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores?

A certa altura da matéria, o tal presidente da malfadada comissão alerta:

“- Quem consome alimentos preparados nesses bares está sujeito a contrair doenças infecto-contagiosas.”

E quem não está sujeito a contrair doenças infecto-contagiosas comendo em QUALQUER lugar na rua? Quem?

Mas o presidente dessa ocupadíssima comissão prefere apontar o dedo na direção, justamente, dos butecos. Sugestão rápida: por que não faz uma vistoria apurada nas contas pessoais de seus colegas vereadores? Por que não checa os contratos escusos entre a Prefeitura e algumas construtoras, que tiveram o PAN como objeto, e que enriqueceram, da noite pro dia, uma pá de gente? Por que? Por que bater no lado mais fraco, sempre? Digo lado mais fraco porque, um dia depois da publicação da tímida matéria denunciando a apreensão de carne vencida no Belmonte, deu-se ampla publicidade a uma nota oficial (é de rir) divulgada pela assessoria de imprensa (é de rir) da cadeia do bar-de-merda. Quem irá meter o indicador na fuça do vereador e defender os butecos?

Outro troço, esse engraçado. A Sra. Selma Schmidt (eu gostaria de saber como) chegou até a Sra. Rita de Cássia Goulart, manicure, 38 anos, sumidade quando o assunto é buteco. E escreveu a seguinte pérola, peça fundamental na história do jornalismo investigativo:

“Há duas semanas, a manicure Rita de Cássia Goulart, 38 anos, passou mal com a lingüiça que comeu em um pé-sujo em Laranjeiras:

– Botequim, nunca mais.”

Ontem, enquanto almoçava um PF num pé-sujo no Largo do Machado, neguinho no balcão, apontando pra tal matéria, dizia com a boca cheia de farofa, rindo violentamente:

– PQP! A Rita bebeu cerveja, bebeu cachaça, pediu rabo de galo, limão da casa, comeu meia porção de lingüiça e mete a culpa na coitada?!

O que exsurge da matéria covarde e meramente denuncista é o que acompanha a história desse jornal, desde sua fundação (sobre posturas do jornal O GLOBO, recomendo a leitura de elucidativo texto de meu mano Simas, aqui): ódio às coisas do povo e às coisas da gente mais simples, nojo à escâncara de tudo o que é popular e que sobrevive independente da submissão aos poderosos e às engrenagens sujas do maquinário que sustenta a canalha.

Não passarão!

Até.

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>A PEDIDA DA TERÇA-FEIRA

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A partir das 18h, na livraria Folha Seca, a livraria do meu coração, na rua do Ouvidor 37, Luís Filipe de Lima autografa OXUM – A MÃE DA ÁGUA DOCE, o mais novo livro da coleção ORIXÁS. Já tenho meu exemplar devidamente autografado mas estarei lá.

convite para o lançamento do livro OXUM, de Luís Filipe de Lima
Com a devida licença, e excepcionalmente, axé!

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>A SABEDORIA DO SIMAS

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Luiz Antonio Simas é, para quem o conhece, uma referência. Diante do alunado, um farol. Diante dos amigos, a sapiência. Não é à toa que o Szegeri, o homem da barba amazônica de São Paulo, e também um sábio, o chama apenas de Velho, com o maior respeito que pode haver. Não é à toa que o Bruno Ribeiro, lá de Campinas, sem saber do epíteto dado pelo Szegeri, também a ele se refere como O Velho, assim mesmo, com o artigo maiúsculo denotando, digamos, intensa obediência. E por aí vai… Poderia eu, se quisesse cansá-los, desfiar um rosário de exemplos que atestam, incontestavelmente, a extensão da sabedoria desse brasileiro máximo, desse carioca imprescindível, desse, hoje, enraizado tijucano até o último fio de cabelo que ele, diga-se, já não tem.

Fiz menção à calvície do Simas e senti vontade de reviver esse trecho, que publiquei aqui, e que dá exata noção do que vai no alto da cabeça do sábio:

“Não há, no alto da cabeça do protagonista de hoje – ou mesmo do lado, atrás – um único projeto de fio de cabelo. Não há a mais remota expectativa de um fio de cabelo. Não há a esperança, mesmo distante, da mais remota penugem. Um tufo, que seja. Nada. O Leo Boechat, por exemplo, é uma Rapunzel ao lado do Simas. Daí a barbaridade que foi assistir a Candinha fazendo carinho com os dedinhos naquela superfície árida como se enrolasse cachinhos imaginários.”

Mas vamos ao que quero lhes contar.

Simas, rua do Ouvidor, 25 de agosto de 2007, foto de Felipinho Cereal

Dia desses passeávamos eu, Rodrigo Ferrari e Luiz Antonio Simas, pelo velho centro histórico do Rio de Janeiro. Foi quando ouvimos o grito:

– Professor! Professor!

Era um aluno do Simas – cujo nome preservarei a pedidos – que esbravejava e brandia os braços como um desses bonecos infláveis de posto de gasolina, sentando do lado de fora do Al-Fárábi (clique!), sebo capitaneado pelo Carlos, na rua do Rosário.

O Simas, sempre solícito, nos disse:

– Aluno meu. Vamos até lá…

Sentamo-nos à mesa com o rapaz que estava – é preciso dizer em nome da precisão – em frangalhos. Bêbado. Falando com dificuldade.

Tão logo nos sentamos, o menino agarrou-se num dos braços do Simas, como se fora um náufrago em mar bravio, dizendo coisas em seu ouvido e exibindo, seguidas vezes, o celular.

O resumo da história…

O rapaz estava sendo assediado por uma colega de turma, tremenda baranga, através de incontáveis mensagens enviadas pelo celular. O rapaz – esse era seu drama – tentava, sem êxito, ser frio, polido, desinteressado nas respostas. Mas a mal-ajeitada não dava trégua.

Foi quando o Simas, depois de analisar cuidadosamente o conteúdo das mensagens – recebidas e enviadas – passou à lição. Passou à lição e eu e o Folha Seca rolávamos de rir diante do embevecimento do menino.

– Meu garoto… Vamos aos seus erros crassos… NUNCA – e ele emprestava um tom, uma expressão, uma ênfase, como se desse aula para uma centena de alunos – responda NADA para uma mulher por quem você não tem interesses escusos com uma exclamação no final… Veja essa aqui… termina com beijos seguido de uma exclamação… Um horror! Um horror!

O garoto de olhos vidrados.

– Essa outra, veja… – e esfregava a tela do celular no nariz adunco do aluno – depois de beijos você pôs reticências… Isso soa lânguido para uma baranga apaixonada…

E ele ficou ali, analisando uma a uma, quando o menino, unhas cravadas no braço do mestre, perguntou:

– E eu faço o quê, professor? Ignoro?

– Claro que não, rapaz… Se você ignorar ela imaginará que você não recebeu a mensagem e vai ficar insistindo…

– E então? E então?

– Quer saber, garoto? É infalível…

– Por favor…

– Responda apenas o seguinte… Em letras maiúsculas… AQUELE ABRAÇO. E ponha um ponto final, apenas.

Ontem à noite bateu-me o telefone o Simas. Contou-me, às gargalhadas, que o aluno lhe telefonara pela manhã, gratíssimo. Seguiu a lição e nunca mais recebeu qualquer investida da tal fulana.

Um gênio, nosso Simas. Um gênio.

Até.

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>UMA QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA

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Desde ontem, quando escrevi VAI CHEGAR A HORA DA CANALHA – leiam aqui -, e desde que li o comentário do Marcão“recusar atendimento médico de emergência a quem precisa é crime” -, um troço voltou, e vira-e-mexe isso acontece, à minha cabeça.

Como determinadas pessoas conseguem desempenhar papéis tão perniciosos à sociedade?

Explico.

Como pode um cidadão formar-se em medicina e aceitar trabalhar num lugar – no caso o Shopping Rio Design Center – em que a ordem é atender apenas aos clientes do empreendimento, deixando de lado, sem atendimento, os funcionários que, no final das contas, sustentam o negócio?

Isso me lembra história recente envolvendo minha Sorriso Maracanã. Precisando de um determinado exame e sendo usuária da UNIMED (sem o negrito, imerecido), minha garota teve a autorização para o tal exame negada. Entrei em campo. Telefonei pra lá, puto, vociferando contra os sanguessugas que tocam a UNIMED (e é assim com a AMIL, com a DIX, com a SULAMERICA…) e eis o final da conversa:

– Então eu vou autorizar, ok? Mas o Sr. me compreenda… Sou médico, empregado da UNIMED, e sou pago justamente para isso, para filtrar os pedidos de exame considerados supérfluos pela empresa…

Mandei-o à merda, literalmente – fiz questão de confirmar que nossa conversa ESTAVA sendo gravada -, e desliguei com intensa piedade daquele homem, daquele covarde, daquele desgraçado que se formou e que se nega, diariamente, a cumprir a função social da profissão que abraçou.

Assim se passa, também, com os advogados.

Como pode – pergunto-me sempre que enfrento uma grande empresa – alguém se prestar ao papel sujo de defender quem não tem defesa? Como pode um advogado – e cruzo com inúmeros playboys de merda e desclassificadas que rodam suas bolsinhas Louis Vuitton pelos corredores do Tribunal de Justiça se prestando a esse papel sórdido – defender um grande banco em detrimento de um mutuário com dificuldade para honrar seus compromissos, em detrimento de um idoso, de uma idosa, ludibriados por promessas falsas de crédito barato? Como pode?

Como pode um jornalista prestar-se ao papel de só escrever bosta atrás de bosta, dia após dia, pisando em cima do jornalismo maiúsculo, negando-se a defender quem não tem condições de se defender, omitindo-se quando é imperioso falar a verdade? Como pode aceitar fazer parte do jogo sujo dos poderosos que manipulam informações conforme sua conveniência, vendendo a alma aos diabos que hão de ver sua hora chegar?

Como pode?

Até.

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