Arquivo do mês: novembro 2007

>BREVE RECESSO

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Eduardo Goldenberg e Danielli Pureza, Cabo Frio, 07 de abril de 2007Hoje é dia de partir em direção à Cabo Frio, para um justo recesso e merecido descanso até o dia 02 de dezembro, onde serei, seguramente, um homem feliz.

O BUTECO, por isso, fica fechado até minha volta.

Se você é novo no pedaço é uma boa oportunidade para dar uma xeretada no balcão. São, até o momento, 800 textos – desde março de 2004.

Até.

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>PROJETOS, PROJETOS, PROJETOS…

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Muito já se falou – e muito mal – sobre essa praga que invadiu, de uns anos pra cá, o Brasil: os projetos culturais. Explico (serei breve pois meu foco hoje é outro).

Tudo – dito com a ênfase szegeriana – agora é projeto. E na esteira desse troço vieram os (pausa para o vômito) formatadores de projeto, os captadores de verbas para projeto, os divulgadores de projeto e outras profissões, ó, daqui (polegar e indicador apertando e balançando, de leve, o lóbulo da orelha direita), que vivem, mesmo, e bem, é disso.

Não vou ficar aqui citando nomes de projetos pois já disse, no primeiro parêntese do primeiro parágrafo, que meu foco hoje é outro. Mas todos vocês devem conhecer alguém que já ganhou um bom dinheiro (embolsou um bom dinheiro, pra ser mais claro) com uma merda dessas. Não são poucos, por exemplo, os projetos faraônicos que captam uma fortuna, prevendo 1.001 eventos, e que na hora agá rendem uma coisinha humilde, uma festinha estranha pra gente esquisita que não consome nem dez por cento da verba captada e que é, ploft!, desviada pra dentro do bolso do povo que – repetindo – vive disso. É o que se vê embora haja exceções, o que confirma a regra.

Mas não é sobre isso que quero falar, como já lhes contei. Quero lhes contar sobre a noite de ontem.

Fomos, eu e Dani Sorriso Maracanã, ao lançamento da segunda caixa, contendo três livros, do projeto ÁLBUM DE RETRATOS (também não é sobre ele que quero falar), patrocinado pela PETROBRAS com base nas leis brasileiras de incentivo à cultura e realizado por uma empresa chamada TRIO DE JANEIRO PRODUÇÕES ARTÍSTICAS, que captou, para executá-lo, segundo o site do Ministério da Cultura, R$1.187.200,00 (um milhão cento e oitenta e sete mil e duzentos reais) embora tenha sido solicitada a módica quantia de R$2.245.128,00 (dois milhões duzentos e quarenta e cinco mil e cento e vinte e oito reais). Mas isso não vem, definitivamente, ao caso.

Fomos convidados pelos mais-queridos Rodrigo Folha Seca e Daniela Duarte, editores dos livros.

A noite tinha tudo pra ser agradável e, de certa forma, foi. Encontrei-me com gente que não via há algum tempo, como a Mary Debs, o Hugo Sukman, o Marcelo Ferreira, o Lan, a Valéria, e com gente que está sempre (e nunca é demais!) por perto, como o Prata, a Maria Helena, o Leal, o Miguel Folha Seca, Bruno César, e o Rodrigo e a Dani, é claro.

Antes, uma breve pausa.

Como bons tijucanos, fomos dos primeiros a chegar. Pouco depois de nós chegou o Moacyr Luz, autor do projeto, e é sobre uma tirada sua, iluminada, que quero lhes contar para amenizar o azedume do que quero, de fato, lhes dizer.

Caminhava pelo salão um rapaz com o corpo todo pintado, semi-nu, visivelmente um desses artistas que interpretam estátuas vivas e que faria, digamos, parte da decoração.

Perguntou-me o Môa olhando pro cara e já rindo:

– Edu, que horas são?

Eu, sacando que vinha sacanagem:

– Sete e cinqüenta e sete…

E o Môa, dirigindo-se ao sujeito:

– Ô, meu irmão… Anda enquanto você pode, hein!, faltam só três minutos!

Escangalhou-se de rir, o cara.

Dito isso, em frente.

A festa, para 400 convidados (informação que colhi com um dos quatro seguranças de plantão na porta de entrada), não juntou mais do que 80, 90, 100 pessoas.

Dentre essas 100 pessoas, um caricaturista. Foi fácil reconhecê-lo. Uma prancheta na mão com várias cartolinas, dois ou três lápis na outra. Esbarramo-nos à certa altura, nos apresentamos, apresentei Dani a ele, e ele:

– Muito bonita, a senhora. Posso desenhá-la?

– Claro… – disse minha garota já com o sorriso mais bonito do mundo estampado no rosto.

E eis que o caricaturista é interrompido por uma mulher mal-ajambrada:

– O que é que você está fazendo? – o tom era arrogante, pernóstico, humilhante.

Ele, sem interromper o trabalho:

– Como assim?

E notem a pérola que saiu da boquinha da mulher:

– Cheio de gente famosa… Lan, Nelson Sargento, Ruth de Souza, Cacá Diegues, e você fica aí desenhando desconhecidos?!

O cara:

– Posso acabar?

E a chucra, com o tonzinho autoritário que é comum a quem detém, ainda que por uma noite, o poder:

– Rápido! Rápido!

Ele, com a autoridade que os cabelos brancos dão, pondo a mão no meu ombro:

– Deixa pra lá, amigo. Falta finesse…

E foi em respeito a ele, ao pedido dulcíssimo da minha menina, em respeito ao convite que me fora feito por dois amigos queridos, que evitei dizer à chucra o que ela merecia ouvir.

Até.

PS: Aldir Blanc manifestou-se sobre o mesmo tema em 08 de dezembro de 2007, em seu próprio blog, o PALMEIRA DO MANGUE, com o texto PAU NO LOMBO, que pode ser lido aqui.

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>FOTOTECA PRA MEU PAI – PAQUETÁ

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Fiquei devendo essas fotos pro meu pai.

Paquetá, 24 de novembro de 2007
Paquetá, 24 de novembro de 2007
Paquetá, 24 de novembro de 2007
Paquetá, 24 de novembro de 2007

Paquetá, 24 de novembro de 2007
Paquetá, 24 de novembro de 2007

Paquetá, 24 de novembro de 2007

Até.

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ARREMESSO AO PASSADO EM PAQUETÁ

Assim que chegamos à Paquetá, no sábado, a primeira pessoa que me veio à cabeça foi meu pai. Desde pequeno que ouço histórias de meu pai em Paquetá, ilha que o viu tantas vezes, em tantas férias, de calças curtas, juntamente com seu irmão, Leopoldo, e com seus pais, meus avós Elisa e Oizer (sobre meu avô, leiam Ventos em meu coração, aqui, e O pai me disse, aqui).

Mal desembarquei e disquei pra ele (acho uma fantasia nostálgica belíssima o uso do verbo “discar” na era do telefone celular):

– Pai? Em que casa você ficava quando era menino aqui em Paquetá?

– Você está em Paquetá? – a voz engasgada denunciava o susto.

– Arrã.

E ele, preciso:

– Praia dos Tamoios, 557. Se por acaso não existir mais esse número, pergunte pela casa do seu João.

Estávamos, mesmo, na Praia dos Tamoios, e sugeri que seguíssemos direto pra lá.

Dei a mão pra minha menina e eu já era, no instante em que desligara o telefone, um sujeito guinchado abruptamente em direção ao passado. E eu já pisava a terra batida do piso na beira da praia em direção à casa buscando as pegadas deixadas por meu pai há mais de sessenta anos.

Estacamos diante da casa.

Paquetá, 24 de novembro de 2007

Um imenso portão branco fechado e eu, branco, acho que de medo (sou um poltrão diante de fantasmas que não vejo), permaneci estacado diante da placa 557. Foi a Betinha quem primeiro empurrou o portão, por onde entrou com a Dani. Eu, ainda do lado de fora, tornei a discar pro meu pai:

– Achei.

E ele, de primeira:

– Está de frente pra casa?

– Arrã.

– Do lado direito… tem um varandão? Uma espécie de alpendre?

– Arrã.

E desliguei quando avistei um homem vindo em nossa direção, saído de dentro da casa.

Paquetá, 24 de novembro de 2007

Dani já me conhece e, tenho certeza, me reconheceu, naquele momento, como um homem congelado pela emoção misturada com o medo. E foi ela quem perguntou:

– Boa tarde… Aqui é que é a casa do seu João?

O homem, altíssimo, barbado, riu. E disse ajeitando os óculos:

– Seu João morreu em 1970. Hoje quem mora aqui é a filha dele, com quem fui casado.

E riu.

Quando ele riu, depois de ter dito isso, pensei pra dentro:

– Fudeu. Esse é o seu João…

A Dani, então, apontando pra mim:

– É que o pai dele passou a infância aqui… A gente pode fazer umas fotos da casa?

E ele, simpaticíssimo, abriu os braços e disse:

– À vontade e com o maior prazer…

Paquetá, 24 de novembro de 2007

Evidentemente que movido e acionado pelo turbilhão emocional que me perturbava, fiz dezenas de fotos sem nexo enquanto suava excessivamente. E eu cheguei a ter, à certa altura, certeza absoluta de que nosso guia não só percebera meu estado como me sacaneava de forma aviltante e aguda. Ou não teria dito coisas como:

– Seu pai seguramente almoçou e jantou muitas vezes com esses talheres… – e me apontou uma cristaleira imensa que exibia faqueiros de prata exibidos como num museu.

– Tira fotos desse piso aí onde você está pisando… Seu pai deve ter brincado muito nesse chão…

E eu sentindo um zumbido nos ouvidos e vendo a casa girar.

Paquetá, 24 de novembro de 2007

A casa estava girando quando entrou, na sala, uma senhora. O gorducho, diante do silêncio, adiantou-se:

– Eles vieram em busca da casa e procurando pelo seu pai… O pai dele – e apontou o indicador em minha direção – passou a infância aqui!

Ela disse coisas, ele disse outras tantas coisas, eu percebia que eles quatro conversavam amistosa e animadamente, só que o piso, com desenhos e geometria capazes de piorar a sensação de tontura, me fazia estar muito longe, há anos dali, brincando de rolimã com meu pai diante dos olhos azuis de meu avô.

Paquetá, 24 de novembro de 2007
Até.

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COMO PENSA O COORDENADOR EDITORIAL

Já disse o que tinha de dizer sobre o projeto (pausa para o vômito) Amores Expressos. Publiquei Amores expressos: nojo anunciado (leia aqui) em 23 de março de 2007, O nojo anunciado em forma de blog (leia aqui) em 15 de maio de 2007, O coordenador editorial (leia aqui) em 24 de maio de 2007, Amores expressos: e eles são geniais (leia aqui) em 15 de agosto de 2007 e Eu sou um huno (leia aqui) em 31 de agosto de 2007.

Já disse o que tinha de dizer mas preciso, diante da leitura deste trecho, pinçado do blog mantido n´O GLOBO ON LINE pelo coordenador editorial do malfadado projeto, que é intensamente bonito perceber a força e a integridade da coerência do que nos move.

É impressionante o descompromisso com o Brasil do coordenador editorial do projeto beneficiado com dinheiro advindo das benesses de uma lei brasileira. Um nojo, em resumo.

E uma perguntinha, antes de terminar: quereria, o coordenador editorial, quando refere-se a “barzinhos literários”, mencinonar a Mercearia São Pedro, em São Paulo?

Até.

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SÁBADO EM PAQUETÁ

O Rio viveu, no sábado, um dia glorioso, um dia desses que nos enche o coração de alegria, um dia desses em que sentimos uma flecha a menos no peito do padroeiro e que nos dá a certeza de que estamos salvos.

Teve samba na mais carioca das ruas, a rua do Ouvidor, em frente à livraria do meu coração, a Folha Seca, pra comemorar lançamento de livro do Pimentel e CD do Zé Luiz do Império.

E teve samba, também, em Paquetá, para o lançamento carioca do CD que registra a presença da Cristina Buarque no terreiro da rapaziada, competentíssima, do Terreiro Grande.

Minha garota queria, há anos, conhecer Paquetá. Surgiu, então, a oportunidade perfeita, capaz de me fazer, não sem dor, abrir mão de mais um sábado naquele canto da velha cidade, onde assenta-se o verdadeiro axé que mantém pulsante o coração carioca.

Não estive, portanto, no samba da Ouvidor. Mas quem lá esteve, como meu querido Luiz Antonio Simas, viveu uma grande tarde, o que pode ser atestado com a leitura de Antologia carioca, crônica escrita por um sóbrio Simas, que nada bebeu durante todo o sábado – leiam aqui. Sobre o samba de lá, também escreveu Maria Helena Ferrari, mãe do poço artesiano de ternura, aqui.

O furdunço em Paquetá começou com o embarque na Itapetininga; eu, minha Sorriso Maracanã e a Betinha juntamo-nos à multidão que partia, feliz da vida, em direção à ilha.

Teve samba no embarque, teve samba durante a agradabilíssima viagem de pouco mais de uma hora, e teve samba – e muito, e muito bom! – na esquina das ruas Doutor Lacerda e Pinheiro Freire, em frente a um bar que, verdade seja dita, manteve a cerveja, do primeiro ao último minuto, gelada, geladíssima, com capa nevada de gelo – o que é, convenhamos, raríssimo.

roda de samba em Paquetá, 24 de novembro de 2007
roda de samba em Paquetá, 24 de novembro de 2007
roda de samba em Paquetá, 24 de novembro de 2007

Assim que desembarcamos em Paquetá fomos dar uma volta pela ilha. Amanhã, sem falta, conto a vocês sobre o passeio que me lançou ao passado com uma força e uma intensidade difíceis de segurar.

vista da barca, saindo de Paquetá, 24 de novembro de 2007

Até.

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>UM APELO PATÉTICO

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Na segunda-feira passada, dia em que o Jota escreve, além da coluneta GENTE BOA, uma crônica de meia página também no SEGUNDO CADERNO de O GLOBO, o homúnculo publicou, como se vê abaixo (o título é indicativo de seu caradurismo), um texto de uma desfaçatez impressionante. E se não salta, ou não saltou aos olhos do leitor médio a desfaçatez olímpica do patético apelo feito pelo colunista, foi por falta de atenção ou por excesso de condescendência com o autor do troço.

crônica publicada no jornal O GLOBO de 19 de novembro de 2007

Não custa repetir uma vez mais: desde que passou a ser publicada a coluna GENTE BOA (que é a antítese disso) que eu, daqui do balcão, marco em cima a coluneta que representa o que há de pior e de mais destrutivo, o que há de mais anti-carioca na imprensa escrita aqui no Rio de Janeiro. Até onde cataloguei, apontei 34 atentados contra a cidade, contra nossa gente, contra nossas mais caras tradições. 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 34 atentados que podem ser lidos, um a um, bastando clicar sobre cada um dos números! São radiografias nítidas, límpidas, que prescindem de laudo para que emerja, de cada uma delas, a podridão putrefata (a redundância é proposital) da tal coluna.

E veio, o homúnculo, na segunda-feira passada, fazer um apelo patético (os destinatários do apelo são os jurados do prêmio RIOSHOW de gastronomia, promovido pelo jornal O GLOBO, como se eles pudessem salvar os butecos, os restaurantes mais simples, as biroscas, os pés-sujos…!!!!!!!!!!), implorando pela manutenção de tudo aquilo que é destruído pelos investidores e pelos predadores que são, diuturnamente, exaltados, bajulados e festejados no espaço que ele próprio mantém no jornal.

Como diria uma amigo meu: que nojo!!!

Até.

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