Arquivo do mês: abril 2010

>UM GRANDE ENCONTRO

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Em 05 de setembro de 2009 deu-se um troço inusitado, e divido o troço com vocês por conta do que escrevi hoje, falando das coisas mais simples dessa vida (aqui). Estávamos no velho centro do Rio, eu, Fernando Szegeri e Luiz Antonio Simas, para onde fomos pra beber e jogar conversa fora. Entramos, por volta das 18h, no cada vez melhor AL-FÁRÁBI, na rua do Rosário, tocado por Carlos Alves (que faz anos hoje!) e Evelin. Juntou-se a nós a doce Candinha. Foi quando o Carlos cerrou as portas da abadia. Ficamos ali, os seis, cercados por dezenas de garrafas de cervejas do mundo inteiro durante horas. Foi quando flagrei esse fabuloso momento, esse encontro desses dois grandes brasileiros, amantes das coisas mais simples da vida. Com vocês, Luiz Antonio Simas, em tom professoral (sensacional!), cantando XINGU, obra-prima de João Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro. A gravação, tosca, foi feita através de celular. Mas presta-se, perfeitamente, ao registro desse grande momento.

Até.

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>AS COISAS SIMPLES – PARTE III

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Em 15 de agosto de 2006 – lá se vão quase quatro anos! – escrevi AS COISAS SIMPLES – PARTE I, aqui, e em 17 de agosto de 2006, AS COISAS SIMPLES – PARTE II, aqui. Alguns trechos, só pra refrescar a memória e pra construir o alicerce desta terceira parte. No primeiro texto, usei como mote o sufoco que foi encontrar pilhas pequenas para um radinho de pilhas que eu havia comprado:

“Os dois episódios nos tornam irmãos na nostalgia, nos tornam irmãos na saudade de uma forma de existência que vai desaparecendo, e explico mais, explico mais!

As coisas simples, como as casas com cadeiras na calçada e uma fachada escrito em cima que é um lar, estão sumindo, e sumindo mesmo.

Vejam.

Deixemos de lado o radinho de pilha, que ilustra bem essa angústia e essa busca desenfreada pelo simples e falemos de sorvete. Sorvete? É. Sorvete.

Fui ao supermercado na sexta-feira a pedido da Dani:

– Traz uma caixa de sorvete napolitano! – disse minha garota.

Reside na minha busca alucinada pelo sorvete napolitano – e também pelo de chocolate, que eu queria para mim – a morte das coisas simples também no setor das guloseimas (que é uma palavra em desuso, perfeita para o enredo de hoje).

Há nas prateleiras e nas geladeiras dos mercados uma aridez impressionante e angustiante de sorvetes simples: chocolate, flocos, creme, napolitano… São dificílimos de achar!

O que há, então?

Sorvete de côco com raspas de abóbora e lâminas de hortelã. Sorvete de pistache com gotas de chocolate meio-amargo. Sorvete de manga Tommy com patê de rúcula selvagem. E por aí vai.

Há um atropelo revoltante das coisas simples, das coisas primitivas que sempre nos bastaram. E há o surgimento de sorvetes – estamos falando de sorvetes – caríssimos em detrimentos dos baratos, mais gostosos, mas mais simples, e deve ser desse “mais simples” que as pessoas querem fugir em busca da adeqüação às regras sujas que o marketing impõe. As pessoas que querem estar na moda. Que querem estar in.

“Mais um exagero do Edu”, ouço daqui as críticas.

Pois dêem tempo ao tempo.”

Tomem nota: depois do radinho de pilha falei do sorvete (guardem essa informação). Vamos em frente. No segundo texto, tirei o Marcuse da prateleira e segui:

“O pernosticismo grassa numa velocidade assustadora, e explico.

Aqui na Tijuca o arroz acompanha o feijão. No Leblon o feijão é escoltado pelo arroz.

Aqui na Tijuca a gente serve massa com queijo ralado. No Leblon a massa vem salpicada com lascas de parmesão.

Evidentemente que não só no Leblon, mas o Leblon é o bairro de “Páginas da Vida”, obsessão dos apedeutas d´O GLOBO, e personifica esse status pernóstico que vem destruindo, aos poucos, a delícia das coisas mais simples.

Antes, ainda, de falar sobre os butecos, e dando um tom szegeriano ao Buteco, vamos a trechos retirados do livro “Tecnologia, Guerra e Fascismo – Coletânea de artigos de Herbert Marcuse”, editora UNESP. O que tem isso a ver?, ouço daqui a pergunta. Os trechos são auto-explicativos:

“A tecnologia (…) é (…) uma forma de organizar e perpetuar (…) as relações sociais, uma manifestação do pensamento e dos padrões de comportamento dominantes, um instrumento de controle e dominação.

(…)

Para compreender toda sua importância, é necessário examinar rapidamente a racionalidade tradicional e os padrões de individualidade que estão se dissolvendo no presente estágio da era da máquina.

(…)

O indivíduo humano (…) apoiava valores que contradizem flagrantemente os que predominam na sociedade de hoje.

(…)

Todo protesto é insensato e o indivíduo que persiste em sua liberdade de ação seria considerado excêntrico.

(…)

A mecânica da submissão se propaga da ordem tecnológica para a ordem social; ela governa o desempenho não apenas nas fábricas e lojas, mas também nos escritórios, escolas, juntas legislativas e, finalmente, na esfera do descanso e lazer.”

Bem. Por isso eu sou considerado um excêntrico quando fico dando murro em ponto de faca gritando contra essas mentiras imundas que são os bares-mentira que a patuléia freqüenta deslumbrada acreditando estar, ó, no que há de melhor.”

Do que me chamam meus detratores senão de “chato”, de “excêntrico”, como por exemplo uma moça no TWITTER – a quem não conheço – que ontem me perguntou:

– Você não cansa não?

Não. Eu não canso. Mas voltemos ao texto de 2006:

“Os butecos autênticos, primitivos, originais, estão sumindo justamente por que vêm sendo destruídos pela força econômica das franquias (Belmonte, Devassa, Informal, Conversa Fiada, Manoel e Joaquim, Pirajá, Original dentre tantos outros) e, o que é pior, gente da melhor qualidade passa a achar natural, sem perceber que é manipulada pelo grande aparato (que tem no Jota, por exemplo, um propagador), beber caipirinha – só pra citar um exemplo – com um palito feito de cenoura crua enterrado no copo, coisa nojenta que acontece no Belmonte, foi a Fumaça que me contou. Daí eu preciso citar outro trecho de autoria do Marcuse:

“Mas o homem não sente esta perda da liberdade como o trabalho de uma força hostil e externa: ele renuncia à sua liberdade sob os ditames da própria razão. A questão é que, atualmente, o aparato ao qual o indivíduo deve ajustar-se e adaptar-se é tão racional que o protesto e a libertação individual parecem, além de inúteis, absolutamente irracionais. O sistema de vida criado pela indústria moderna é da mais alta eficácia, conveniência e eficiência. A razão, uma vez definida nestes termos, torna-se equivalente a uma atividade que perpetua este mundo. O comportamento racional se torna idêntico à factualidade que prega uma submissão razoável e assim garante um convívio pacífico com a ordem dominante.”

O que eu quero demonstrar, e peço perdão desde já pelo tom mais sério do que de costume – ou nem mais sério, mas mais formal – é que as pessoas, e há várias queridas minhas entre elas, não entendem a razão que me leva a não entrar, em nenhuma hipótese, num lixo desses como os que já citei, por uma questão de coerência, de protesto, de manifestar um não rotundo (ave, Brizola!) à imposição de comportamento que o aparato, incessantemente, imputa à sociedade.

É preciso estar atento e forte, permanentemente, para que nossas convicções mais arraigadas não sejam diluídas, aos poucos, ao ponto de passarmos a achar natural os troços mais artificiais e mentirosos.”

Eis que me comovo diante disso. Quatro anos se passaram e sou tido, por meus detratores, como mais “chato” que nunca, mais “excêntrico” que nunca, e isso apenas porque não me canso de dizer que NÃO ADMITO (e não admitir não significa falta de flexibilidade, significa apenas que não quero determinada coisa perto de mim) essa babaquice, essa viadagem, essa frescurada, essa histeria coletiva em torno do que nos desumaniza a todos. Vejam vocês.

Vou repetir: nunca fui ao restaurante de Roberta Sudbrack, a quem não conheço. Não posso, portanto, julgar sua comida, embora a única pessoa que conheço que já provou de sua comida, Luiz Carlos Fraga, tenha me dito que a coisa não é isso tudo o que dizem por aí. Mas é inegável que é uma moça de talento (cozinhando, ou não teria a projeção que tem, e se promovendo, ou não teria alcançado a projeção que tem). Daí a eu achar natural a histeria e a esquizofrenia em torno de sua comida vai uma distância aguda e absurda. Eu NÃO acho normal a dita cozinheira ficar mandando mensagens pelo celular para seus clientes dizendo coisas como “seus bombolonis já acordaram, pentearam o cabelo e estão a caminho da sua mesa”. Como não acho normal, diante do doce chegado à mesa, a cliente responder, também pelo telefone (!!!!!), “olha, se isso é a sobremesa eu não sei, eu só sei que estou no céu!!!”. Aí tem um que diz que chorou diante da codorna que lhe foi servida, outro escreve “morri” quando apresentado ao risotto, e a viadagem não cessa. Um compositor, um que cantava há pouco, cheio de orgulho, “eu não resisto aos botequins mais vagabundos” só se refere a ela como “fada”, o que é, convenhamos, de foder a paciência. Para que tudo soe coerente, analisem com frieza e vejam se o comportamento não se torna idêntico à factualidade que prega uma submissão razoável, garantindo assim um convívio pacífico com a ordem dominante. É tão evidente!

E pra encerrar.

Ontem fui apresentado ao blog de um sujeito que se denomina – tirem as crianças da sala! – O DJ DA LITERATURA. Antes, leiam BESTEIRAS OLÍMPICAS, aqui, que publiquei em 19 de março deste ano sobre a papagaiada em torno do lançamento de um livro de Paula Parisot.

Voltando ao DJ, que mantém o blog MIXLIT. Diz ele que “inspirado no trabalho de seleção e edição dos DJ´s que adicionam e cruzam instrumentos e músicas em uma única faixa, MIXLIT mistura diversos autores e estilos em surpreendentes e divertidos mash-up´s literários.”. Tem, o DJ, a pachorra de fazer o alerta no blog: “se você é ou representa algum dos autores remixados aqui e se incomodou com a utilização de trechos de seus textos, entre em contato conosco e logo retiraremos a passagem em questão.”. Que tal?

O troço – vão tomando nota – não tem limite. A patuléia nem percebe que vai sendo envolvida pelos tentáculos desse monstro que pretende destruir o que nos é mais caro, as coisas mais simples, as coisas mais verdadeiras, e fica todo mundo achando normal, como uma moçoila que, exaltando o DJ, disse que o escritor (?!?!?!?!?!) “está de parabéns com o novo projeto, MixLit. Simplesmente, ele faz mash-up´s literários, à moda dos DJs de Ibiza.”. Em apertada síntese, o sujeito chupa trechos de diversos autores, junta tudo conforme sua mente criativa (!!!!!) e é tratado, por aí, como gênio da raça.

Eu – confesso – não tenho NENHUMA paciência pra isso. Ontem, ainda assombrado diante do monitor enquanto lia sobre o troço, escrevi para um escritor de verdade pedindo sua opinião sobre a coisa (tenho essa mania sempre que fico me perguntando se estou a exagerar na minha repulsa). Mandei apenas o link do blog do DJ. A resposta foi um alento:

“Como você disse, é uma (…), inútil, de quem não sabe e nem tem o que escrever. Para onde vamos, ou, para onde eles vão? Abraço.”

É, de fato, uma alívio perceber que não estamos sozinhos, lutando como náufragos em meio a esse oceano poluído que tenta nos engolir.

“Food experience”, “sorbet” – essa gente não fala mais “sorvete” -, “soft opening”, “mash-up´s literários”… e assim caminho com humildade.

Até.

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>PROSSEGUE O SILÊNCIO DIANTE DO ESCÂNDALO

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Passados mais de 15 (quinze) dias contados do estouro do escândalo no TJRJ, o silêncio vergonhoso e conivente dos jornalões continua, vejam aqui!

P.S.: o troço agora vai ser investigado pela ótica do crime, vamos ver se vai dar em alguma coisa. Estamos em cima! Aqui.

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>DO DOSADOR

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* Passei um agradabilíssimo dia de aniversário, data em que se comemora, também, o Dia Municipal do Teatro de Bonecos, uma iniciativa do vereador Eliomar Coelho, do PSOL, que assim contribui muito para o desenvolvimento da cidade do Rio de Janeiro e de sua população. Não soube de NENHUMA (com a ênfase szegeriana) iniciativa do vereador, justo no dia de ontem, para fazer valer a data inútil que criou;

* dentre os presentes que ganhei um me emocionou sobremaneira. Leo Boechat, meu compadre, deu-me de presente um time de botão, belíssimo, todos os botões numerados e escalados pelo próprio. Dez amigos dão nome aos jogadores, idéia monumental eis que capaz de fazer balançar o peito desse velho que vos escreve;

* assim também com o mimo de Luiz Antonio Simas, macumbeiro de escol, que me presenteou com uma imagem de São Judas Tadeu, padroeiro do Flamengo. Vindo de um botafoguense, emociona. Desde que a imagem não tenha sido devidamente trabalhada, se é que me faço entender;

* senti a falta da presença (ou de um mísero telefonema) de Eliomar Coelho, Moacyr Luz e Tiago Prata, convidados que foram para o encontro na rua do Rosário na hora do almoço. Como são rancorosos…;

* papai apareceu e mostrou-se assombrado. Os marmanjos trocavam figurinhas do álbum da Copa do Mundo e meu velho não segurou o susto com a cena inusitada;

* eu disse “inusitado” e quero lhes contar. Andei perguntando a alguns simpatizantes do PSOL sobre seus votos no segundo turno, eis que até o mais rústico quadro do partido sabe que a disputa será mesmo entre Dilma Roussef e Jose Serra. O candidato a presidente do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, respondeu-me: “Em mim ou em ninguém, não voto em candidatos da direita”, algo assim. Diante da resposta (nem o mais impressionistas dos quadros do partido acredita nisso), eu disse: “Não seja patético. Dilma é de direita?”. E ele, de volta: “O debate político tem regras de civilidade. Se quiser que eu responda eleve o tom da sua crítica.”. Referia-se, por óbvio, ao uso da palavra “patético”. Foi quando perguntei ao candidato se ele gostaria que eu me valesse da CARTILHA HELOÍSA HELENA DAS REGRAS DE CIVILIDADE. Não obetive resposta. E faço a ressalva: gosto do modus operandi de Heloísa Helena antes que se pense o contrário. O que não suporto é esse papinho falso de “elevar o nível do debate”. Ou não é patético Plínio de Arruda Sampaio acreditar que vai para o segundo turno?;

* vai parecer cabotino – e é – mas quero mostrar pra vocês a bacana homenagem que me prestou ontem esse irmão de Campinas, Bruno Ribeiro, aqui;

* daqui a pouco tem Flamengo e Corinthians pela primeira partida das oitavas da Libertadores. O jogo, no Maracanã, promete. Casa cheia (restam menos de 5 mil ingressos à venda) e muita emoção no duelo entre os dois times mais populares do Brasil. Sem palpites para o resultado, junto-me aos bons, daqui a pouco, no Complexo da Matoso, o verdadeiro pólo gastronômico extraoficial da cidade. Lá – poucos sabem onde fica o tesouro – uma garrafa de Brahma estupidamente gelada custa R$ 2,40. Eu disse dois reais e quarenta centavos;

* no sábado reunir-me-ei com alguns poucos na mansão dos Zampronha, no Alto da Boa Vista, para um rali de cordeiro. Na segunda-feira, se me for permitido, divido as receitas com vocês. Vai ter lingüiça, filé, costela e pernil de cordeiro, ofertas da CASTELLA ALIMENTOS, de São Paulo (conheçam aqui), que me enviou, de presente, diversos cortes para que eu experimente. Segundo Leonardo Brum, gerente comercial da marca, a receita que pus aqui, do pernil que fiz, me fez merecedor do presente. Patrocinador, aqui, não é oculto. A gente mata a cobra e mostra o pau.

Até.

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OBRIGADO, ELIOMAR COELHO!

Obrigado, Eliomar Coelho! Hoje, 27 de abril de 2010, dia em que comemoro mais um ano de vida (o quadragésimo primeiro), comemora-se, pela terceira vez, no município do Rio de Janeiro, o Dia Municipal do Teatro de Bonecos, obra fundamental (vejam aqui) para minha mui amada e leal cidade de São Sebastião! Obrigado, vereador.

teatro de bonecos

Duvido (com a ênfase szegeriana) que o vereador mova uma palha para comemorar a data.

Só dói quando eu rio.

Até.

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>DO DOSADOR

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* Passei um final de semana, que começou na sexta-feira pela manhã por conta do feriado de São Jorge, de intensas emoções que quero dividir com vocês, meus poucos mas fiéis leitores. Fui a São Paulo para o casamento de uma moça, vejam vocês, que é daquelas que se encaixa na categoria “das que vi nascer”. O simples fato de pensar isso – “vou ao casamento dela, eu a vi nascer” – já transforma você numa espécie de múmia. Eu, às vésperar de completar 41 anos (faço anos amanhã), parti, de carro, rumo à cidade de São Paulo, para ver casar uma menina que veio ao mundo quando eu já tinha 9 anos (em certas ocasiões, dar nomes não interessa). A conheci na cidade de Caxambu, sul de Minas, onde passávamos as férias, e lembro-me dela criança. Os delírios que acometem um homem de 40 anos de idade deu-me a certeza, entretanto, de que eu a vi nascer (o que não é, em absoluto, real). Daí a emoção que me acompanhou durante o trajeto. Emoção que – conto para ser preciso do início ao fim – já havia me assaltado quando recebi, em meados de 2009, por e-mail, a notícia de que ela ficara noiva e marcara o casamento para 24 de abril;

* esqueçam Brunet, Bruni, Bündchen, Piovani. A noiva, lindíssima – sou fã confesso de sua beleza lato sensu -, eu só fui ver na igreja. No hotel em que nos hospedamos, entretanto, revi muita gente presente na minha infância. Fui arremessado ao passado diversas vezes e tive febres terçãs a cada encontro. Mal consegui disfarçar meu assombro com os golpes nostálgicos. Uma me perguntou: “Por que o Dudu se transformou nesse homem tão sério, hein?!”. Não consegui responder, a não ser com os olhos, permanentemente marejados;

* estávamos todos, em torno de 60 pessoas, todas do Rio de Janeiro, hospedados no mesmo hotel, aguda gentileza da noiva. Eu entrava no elevador, rumo ao vigésimo andar, e dava de cara com uma, com outra, e meu elevador de sentimentos rumava para a década de 80, fazendo com que eu sofresse impactos capazes de me fazer um homem atônito, sem fôlego, incapaz de administrar – eis um de meus dramas íntimos – minhas emoções e sentimentos;

* na sexta-feira, depois de almoçar no ORA POIS, simpático português na Vila Madalena, fui à casa de Fernando Szegeri. Pela primeira vez, em muitos anos – conheço o homem da barba amazônica há mais de 10 anos -, lá estivemos reunidos, os Szegeri e os Goldenberg. E tome pancada no combalido coração;

* no sábado pela manhã fomos ao Mercado Municipal da Cantareira, um troço pra deixar carioca com inveja da pujança paulista. Depois, uma visita à Praça Benedito Calixto e almoço num japonês, o SUSHI YÁ, incapaz de fazer cosquinhas no tijucano MITSUBA, mas muito bom. Descemos a pé para o Ó DO BOROGODÓ. Vimos o começo da roda de samba tocada pelos Inimigos do Batente, o melhor programa das tardes de sábado de São Paulo, e saímos logo, logo. Ali, no Ó DO BOROGODÓ, em dezembro de 2005, havia sido meu último encontro com a noiva, vejam aqui. Fui, da hora em que entrei a hora em que saí, um homem ansioso;

* às sete e meia da noite eu estava, ansiosíssimo (ainda, e sempre), à espera do carro que nos levaria à igreja, outro mimo da gentilíssima noiva. A cerimônia foi belíssima, e tenham em conta que cerimônias de casamento são, em geral, enfadonhas. Não aquela. Pelos bancos da igreja, os personagens de grande parte de minha infância. Uma delas, cega por conta da diabetes (soube no dia). Um bebê que eu eu carregara no colo entrou desfilando na igreja, sob o tapete vermelho, como padrinho da prima. Com 20 anos de idade. E eu sofrendo solavancos por dentro, segurando o choro. Entra a mãe da noiva e quero lhes fazer mais uma confissão: foi, do início da cerimônia ao final da festa, a mais radiante mãe-de-noiva que eu jamais vi. E veio a noiva, de braços dados com o pai, que me viu em tenra idade. Lindíssima, ela também radiante. Na minha cabeça, carequíssima, rodavam os filmes que me faziam sofrer a mais cálida das febres. E fomos à festa;

* foi, ainda estou fazendo confissões, a mais perfeita festa a que já fui. Como diria um de meus ídolos, Nelson Rodrigues, o champanhe jorrava das bicas de ouro espalhadas pelo salão. O uísque era servido como água da bica nos mais simples botequins da cidade. Havia, eu tive essa impressão à certa altura, mais garçons e garçonetes do que convidados. A comida, a anti-food-experience, perfeita como tudo. A música, adequadíssima (dancei diversas vezes, eu que sou o anti-pé-de-velsa). E três momentos (para ser conciso e não cansar vocês, foram mais de três…) tornaram a noite rigorosamente inesquecível. O primeiro quando veio á mesa a mãe da noiva. Impossível não se emocionar com aquele sorriso do qual brotava luz e felicidade, contagiante. O segundo quando fui cutucado por trás. Olhei. Era um dos padrinhos da noiva, o que peguei, literalmente, no colo quando era um bebê. Com um copo de cerveja na mão, me disse: “Oi, Dudu. Sou Flamengo por sua causa, cara…”. Quase morri. Acho que não consegui disfarçar a emoção quando o abracei e durante o tempo em que conversamos. O terceiro, é claro, quando falei com a noiva, a segunda mulher mais linda do salão (minha menina é imbatível). Eu, orgulhosíssimo, como um tio que baba diante da felicidade da sobrinha, fui até ela acompanhado por meu irmão do meio. E ela, a noiva, com os olhos cheios d´água, disse-nos coisas tão bonitas que, franca e sinceramente, não cabem aqui;

* no domingo pela manhã, ainda comovidíssimo, voltamos à Lapa para um churrasco na casa de Fernando Szegeri. Atravessei os 450km que separam o Rio de São Paulo impactado com tanta coisa bonita.

Até.

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>FOOD EXPERIENCE

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Dedico o vídeo abaixo a todos aqueles que acham que “food experience” não existe e que não passa de uma criação minha, de tão inacreditável que é o troço. Vejam e vejam com os próprios olhos a que ponto pode chegar a capacidade do homem contemporâneo.

Até.

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