Arquivo do mês: setembro 2010

ENTENDA O ÓDIO DE GILMAR MENDES CONTRA O PT

Antes de mais nada: é evidente que o que vocês verão aqui, publicado hoje, não é apenas a demonstração de que o inacreditável gesto de Gilmar Ferreira Mendes, ontem, durante sessão do STF – suspendendo o julgamento de uma ação do PT contra a obrigatoriedade de dois documentos para o exercício do voto nas eleições do próximo domingo – reside numa mera vingança tola por conta da postura dos bravos senadores Eduardo Suplicy e José Eduardo Dutra (hoje presidente do PT) durante sessão do Senado Federal cuja ata foi publicada no dia 23 de maio de 2002. Na referida sessão, o Senado Federal deliberou, através de votação, sobre o parecer 385/2002 elaborado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, através da mensagem 129/2002, e que recebeu, na origem, o número 310/2002. Tratava-se da indicação do nome de Gilmar Mendes para o cargo de Ministro do STF, indicação esta feita por Fernando Henrique Cardoso, então Presidente da República. Em 25 de abril de 2002, como a imagem abaixo demonstra, FHC submeteu à consideração do Senado Federal o nome de Gilmar Mendes para exercer o cargo na vaga decorrente da aposentadoria do Ministro José Néri da Silveira.

Mendes, segundo reportagem publicada nos jornais de hoje, teria recebido, ontem, telefonema de José Serra – que a ele se dirigiu como “meu presidente” – com um pedido especial: obstar o julgamento que corria no STF visando derrubar a regra que obriga o eleitor a apresentar-se nas zonas eleitorais, no próximo dia 03 de outubro, portando dois documentos – o título de eleitor e um documento de identidade com foto (o que é claramente inconstitucional, tanto que quando Gilmar Mendes pediu vista do processo a fim de não permitir o julgamento antes das eleições o placar estava 7 a zero, pela derrubada da exigência).

Mas vocês verão aqui, e é a isso que me proponho, deixando maiores elucubrações para cada um de meus leitores, que Gilmar Mendes tem razões de sobra para agir com ódio contra o PT. Antes, porém, quero lhes deixar com uma informação: Gilmar Mendes foi o Ministro indicado para o STF que menos votos favoráveis à indicação recebeu. Foram 57 votos favoráveis e 15 contrários. Percebam, daqui por diante – farei brevíssimas análises ao longo da exibição das imagens – como foram duros, incisivos, veementes e – hoje se vê – como estavam certíssimos os então senadores Eduardo Suplicy e José Eduardo Dutra, ambos do PT.

A imagem abaixo é do trecho em que se dá a abertura da sessão para discussão, em turno único, do parecer 385 de 2002.
Logo no início da sessão o senador Eduardo Suplicy pede a palavra para discutir a matéria. Diz, o bravo senador, dando início à brilhante exposição que fez, que a oposição (o PT era, àquela época, partido de oposição ao governo do PSDB) já havia aprovado dois nomes anteriormente indicados por Fernando Henrique Cardoso para o cargo de Ministro do STFNelson Jobim e Ellen Gracie. Relata que, entretanto, percebia-se uma certa tendência, nos votos de ambos, capaz de transformá-los no que o senador chamou de “líder e vice-líder do governo no Supremo Tribunal Federal”.
Feito o intróito de seu raciocínio, Suplicy passa a falar diretamente sobre a indicação de Gilmar Mendes. E fazendo menção à sabatina que antecede a submissão do nome do postulante ao Senado Federal, diz que, valendo-se de um jargão jurídico citado por José Eduardo Dutra, que temia que Gilmar Mendes agisse, como Ministro do SFT, como uma longa manus – um preposto – de FHC. Em simples definição, uma “longa mão”, a “extensão da mão”. Vão tomando nota da gravidade da exposição de Eduardo Suplicy. E vocês ainda não viram nada.

Carimba, ainda, na testa de Gilmar Mendes, a pecha de “jurista de extração conservadora”, o que qualquer calopsita sabe ser a mais pura expressão da verdade diante do que já vimos o Ministro fazer como julgador no STF. Passa a fazer longa exposição de exemplos que corroboram seu entendimento, e ao final deste texto você verá um linkque direcionará para a íntegra, em PDF, de seu discurso naquela sessão.

Eduardo Suplicy engrossa o discurso. Diz, com todas as letras, que para Gilmar Mendes a Constituição Federal jamais será “o escudo dos pobres, contra os ricos e poderosos”. Destemido, diz que a “sua Constituição” – a de Gilmar Mendes“vai de encontro aos interesses do povo”. E aqui faço uma breve pausa para falar sobre o gesto de Gilmar Mendes durante a sessão de ontem no STF.

Agiu ou não contra o interesse do povo pedindo vista de um processo relativamente simples e cujo julgamento, ontem mesmo, facilitaria o acesso do povo ao direito sagrado do voto? A se confirmar o pedido de José Serra, estaria ou não configurada a posição de “preposto” – não de FHC, simplesmente, mas do PSDB e de seus permanentes escusos interesses contrários aos interesses do povo?

Vamos seguir.

Aqui, penso eu, Eduardo Suplicy foi duríssimo – mas uma vez mais certeiro, visionário, verdadeiro e preciso. Uma vez mais sem meias palavras, acusa Gilmar Mendes de ser, “em relação a quem é pobre, excluído ou marginalizado”, a “incorporação do Satânico Dr. No.”. Para aqueles que não ligam o nome ao personagem dos filmes de James Bond, trata-se do chefe de uma organização criminosa, perito em física nuclear.

Pegou pesado, Eduardo Suplicy. Mas não faltou com a verdade. E Gilmar Mendes– sabidamente um homem frio e vingativo – não o perdoaria jamais por conta disso.

Ainda mais corajoso, pouco antes de encerrar sua fala na discussão da matéria, Eduardo Suplicy abre mão da prerrogativa do voto secreto e diz:

“Apesar de a votação ser secreta, o meu voto e o voto de meus companheiros de Partido serão contrários”

Gilmar Mendes não se esqueceu disso. E é importante termos em mente que o pedido submetido à votação ontem no STF foi formulado justamente pelo Partido dos Trabalhadores, o que votou, em bloco, contra a indicação do nome de Gilmar Mendespara o cargo.

Pede a palavra, então, o senador José Eduardo Dutra, hoje presidente do PT. A exemplo de seu companheiro de partido, não mede palavras para descer o lenho em Gilmar Mendes. Diz que não vê, na figura do postulante ao cargo, a presença da reputação ilibada, requisito imprescindível para o exercício do mesmo.

Notem o trecho abaixo, no qual Dutra relata sobre as indagações feitas a Gilmar Mendes durante a sabatina que antecedeu a sessão no Senado Federal. Expõe apenas umas das “questões meio nebulosas” que cercam Gilmar Mendes, que delas teria se esquivado sob o argumento de que se tratava de uma “armação do Ministério Público”.

O fato concreto – e você poderá ler a íntegra da sessão clicando aqui – é que ontem foi a mais recente aparição do Satânico Dr. No no STF. Jogando contra o povo, atendendo aparentemente a um pedido abjeto do candidato José Serra, do PSDB, Gilmar Mendes expôs sua capacidade de bom preposto.

O que é preciso saber, agora, é que como agirão os demais Ministros do SFT diante da gravíssima denúncia de que um mero candidato à Presidência da República teve a pachorra de interferir na decisão de um Ministro do Supremo Tribunal Federal em aguda oposição aos interesses do povo brasileiro. Supremo Tribunal Federal que é, diga-se, o órgão de cúpula do Poder Judiciário, e a quem compete, precipuamente, a guarda da Constituição Federal.

Até.

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DECLARAÇÃO DE VOTO N´O GLOBO

Foi o professor Luiz Antonio Simas que acabou de desligar o telefone. Ligou-me, confirmou o encontro que tem comigo hoje à noite – vamos conceder entrevista para o portal da Copa do Mundo de 2014 do Ministério do Turismo (aqui) – e disse, sôfrego:

– Meu Deus! Você já leu a coluna do Chico Bosco de hoje?

Fui, como sempre, franco:

– Não.

E ele prosseguiu, teatral:

– Se o Brizola criou a expressão UDN de tamancos quando, há décadas, referiu-se ao PT, está criada, definitivamente, uma nova expressão…

Entrei no jogo:

– Qual?

– O PV da Marina Silva é a UDN de cocar! Chico Bosco declara voto na Marina… mas isso não é o que há de mais impressionante em sua coluna…

– O quê há mais?

– Ele diz, Edu, que o Merval Pereira é imprescindível! – e deu de gargalhar feito Exu-Caveira.

Fui ao jornal. E quero lhes dizer uma coisa antes de lhes mostrar trechos do texto.

Conheço o Chico, pessoalmente, por quem tenho profundo respeito. Mas quero crer que ele pisou feio na bola nesta quarta-feira, 29 de setembro. E quero lhes dizer o por quê. É evidente que não terei um por cento de sua audiência, eis que O GLOBO é lido por milhares, milhões de pessoas – na versão impressa e na digital (que é o meu caso, já que não gasto um centavo com o jornalão). Mas aqui, no meu pedaço, faço o meu barulho particular.

Não terei a audiência do Chico e não tenho a bagagem do malandro: no artigo são citados F. Scott Fitzgerald, Thomas Jefferson, Tales Ab´Saber. Não sou dado a freqüentar a casa do saber (propositalmente com minúsculas), não me arrisco a filosofar (nem em português, que dirá em alemão), não sou in, não sou cult, e por todas essas razões somadas a muitas outras que não convém elencar para não cansá-los vou jogar minha bolinha rasteira pra lhes dizer o por quê de minha aguda decepção com o artigo do Chico. Vou me valer, entretanto, da levantada de bola que o ensaísta propõe logo no primeiro parágrafo.

Se eu entendi sua proposta, se o “cenário político brasileiro, às vésperas das eleições, exige um modo de pensar fitzgeraldiano”, e se devo ter a “habilidade de sustentar duas ideias opostas na mente, ao mesmo tempo, e ser capaz de operar desse modo” para ser “fitzgeraldiano” vamos às minhas operações (e que me parecem até muito simples).

Assim como me falta bagagem para travar uma batalha de idéias com o Chico Bosco, faltam-me, também, as palavras para expressar minha convicção de voto em Dilma Rousseff depois do que disse, em texto recente, a professora Maria da Conceição Carneiro Oliveira, a Maria Frô. O texto a que me refiro pode ser lido, na íntegra, aqui. Por ora, destaco:

“O Brasil de hoje apesar dos problemas que ainda tem deu um salto qualitativo sem precedentes e não é apenas em sua economia que faz com que o presidente Lula seja aclamado internacionalmente e que equipe da Al Jazeera inglesa se desloque até o interior de Pernambuco para conhecer um progama modelo para o mundo de combate a fome. O salto qualitativo passa pela consciência de muitos brasileiros que aprenderam que a política é um bem de todos e que uma boa política pode salvar vidas e uma má política pode nos levar a morte.

O Brasil de hoje dá muito mais chances ao jovens de periferia como as que eu não tive.

Diego Casaes é só um exemplo do Brasil de hoje: um jovem negro que saiu da periferia de Salvador, falando inglês com fluência foi para Copenhague cobrir a COP15. Diego além de trabalhar com cultura digital é colaborador do Global Voices e toca um projeto com as dimensões do Eleitor 2010. Ele é só um dos meninos que conheço que não teve seu talento e todas as suas potencialidades assassinadas pela falta de oportunidade de um Brasil que, anterior ao governo Lula, era só exclusão. Diego Casaes foi aluno do Prouni, o mesmo programa que o DEM, partido da coligação do PSDB, quer acabar e para isso entrou com ação de inconstitucionalidade no STF.

O Brasil de hoje do PROUNI está formando mais de 400 médicos filhos de faxineira, empregadas domésticas e uma infinidade de outros trabalhadores braçais que nunca sonharam em ter seus filhos na universidade.

O Brasil de hoje é um Brasil que nos faz ter orgulho de ser brasileiros, apesar de toda a tentativa perversa de uma mídia monopolizada e partidária desmoralizar o presidente mais popular da história do país.

O Brasil de hoje fez a maior capitalização da história mundial de uma empresa, a Petrobras, que cada dia é mais brasileira e que garantiu as riquezas do pré-sal para o povo brasileiro.

O Brasil de hoje tem a chance de eleger em primeiro turno uma mulher com uma história de vida e uma história pública de decência, voltada para a luta contra a ditadura militar e que foi presa e torturada por isso.

Por isso e por todas as realizações do governo Lula – as quais Dilma representa a manutenção e a ampliação dos avanços deste governo transformador – que a cada e-mail perverso que recebo contra Dilma, a cada manchete vergonhosa que leio na mídia que vota em Serra, a cada site fascista, proselitista, reacionário onde leio postagens mentirosas, a cada mensagem estúpida e detratora que leio no twitter, apesar de fazer o meu estômago revirar (nem nos meus piores pesadelos acharia que os adversários pudessem fazer uma campanha tão baixa), aumenta a minha gana para sair às ruas, conversar com as pessoas, discutir política, ouvi-las e dizer porque minha candidata é Dilma Rousseff.

Meu pai e minha mãe estavam de viagem marcada para Salvador para o final de setembro e adiaram-na para o dia 04/10. Eles votarão em Dilma Rousseff. A Ana, mensalista aqui de casa, vai se deslocar até a sua cidade pra votar em Dilma Rousseff.

Quanto a mim, mantenho viva aquela adolescente do comício da praça Princesa Isabel, a mesma adolescente que lutou por melhores condições de vida e trabalho, que ia para Vila Socó discutir política com os trabalhadores, que se indignou e brigou para que Cubatão deixasse de ser o Vale da Morte. Por isso, nos próximos cinco dias até a eleição vou continuar ligando e conversando com todos os que conheço, convidando-os a refletir sobre a importância de suas escolhas para o futuro do nosso país.

A mídia que vota em Serra e que durante oito anos fez oposição ferrenha ao presidente Lula, chamando-o até de estuprador (sem sofrer qualquer tipo de censura por parte do presidente) está fazendo seu trabalho. Está defendendo seu projeto neoliberal, privatizador, excludente, porque a vitória de Serra assegura seus interesses econômicos. Esta mídia não mediu e não medirá esforços pra conseguir seu objetivo. Ela não tem ética alguma, publica notícias e documentos falsos, como a Folha de São Paulo fez quando publicou, em primeira página, a ficha falsa de Dilma produzida por um blog de extrema-direita.

Resta-nos, portanto, a mim e a todos os brasileiros que fazem oposição a este projeto conservador e reacionário, com nosso trabalho de formiguinha, resistir, ir à luta e garantir a vitória de um Brasil mais inclusivo e cidadão. À luta, companheiras e companheiros e até a vitória sempre.”

Tenho pouco – ou nada, para ser mais preciso – a dizer depois da brihante dissertação da professora Maria.

Mas vamos ao “pior momento”, como sinalizou o também professor Luiz Antonio Simas:

Tenho, pelo Merval Pereira, o mais absoluto desprezo. Jornalista alinhado com a direita mais retrógrada – não por acaso foi a estrela de um recente encontro a portas fechadas no Clube Militar, no Rio de Janeiro -, é daqueles que me faz ter orgulho por ter cancelado, há muitos anos, a assinatura do jornal comandado por uma chusma que me dá engulhos: ele próprio, é claro, Cora Rónai, Artur Xexéo, Arnaldo Jabor, Patrícia Kogut, Ana Cristina Reis e outros tantos. Mais: a direção para a qual aponta o dedo de Merval Pereira é indicativo do caminho que nunca vou seguir. Por isso, na minha tijucaníssima visão, Chico Bosco pisou feio na bola.Há muitos dias que Merval Pereira vem tentando inflar a candidatura de Marina Silva. Nada contra – quero fazer a ressalva – a legitimidade da candidatura verde. Mas o oportunismo no qual se agarra a candidata tem, de fato, um alcance e uma perspectiva muito perigosa. Quero crer que por conta disso – desse perigo – o professor Luiz Antonio Simas falou em “UDN de cocar”. O jornalista Merval Pereira defende, e não é de hoje – e aí reside a baixeza e a pobreza de seu raciocínio – que apenas a tal “onda verde” poderá tirar votos de Dilma Rousseff, fazendo com que Serra, e não Marina, chegue ao segundo turno. Isso porque José Serra, como sabemos todos, patina, desde priscar eras, na preferência de no máximo 30% do eleitorado brasileiro.

O que quero dizer, com todas as letras, é que até uma calopsita sabe que Marina Silva, oportunista até o último fio de cabelo lavado com shampoo da NATURA, passou a fazer parte do jogo da direita, que está, por sua vez, usando o verde (oliva?) para impedir uma rotunda derrota de José Serra já no primeiro turno. Em apertada síntese, Merval Pereira – o “imprescindível” na visão do ensaísta – passou a considerar o crescimento de Marina Silva imprescindível (a repetição é de propósito) para os objetivos do PSDB. Daí ter passado a inflá-la em suas colunetas… O que é surreal, convenhamos. José Serra, quando Merval Pereira passou a pregar a “onda verde”, tinha em torno de 25% das intenções de voto. Marina tinha 10%. Não que o quadro tenha mudado muito, apesar do esforço patético do DATAFOLHA, reiteradas vezes desmentido pelos demais institutos de pesquisa, mas a combinação de vilania com burrice implementada pelo raciocínio de Merval Pereira é assombrosa.

Vai daí que a expressão “estatura moral e simbólica” usada por Chico Bosco me parece, mesmo, adequadíssima à “UDN de cocar”.

Termina seu ensaio, o Chico Bosco, dizendo – então – que seu voto vai para a candidata que aponta “para um projeto civilizatório que ultrapasse o desejo, humanamente acanhado, de comprar um iPone ou uma TV de plasma de 30 polegadas.”.Falta-me, a partir desse desfecho politicamente acanhado – eis que as conquistas do governo Lula são infinitamente maiores e menos palpáveis do ponto de vista meramente materialista – qualquer outro argumento.

E cabe sinalizar, para terminar, que o “imprescindível” Merval Pereira, hoje, comemora o que ele chama de “mudança de vento”.

Onda. Vento. A que outro fenômeno recorrerá o “imprescindível” para tentar mudar o voto do eleitor brasileiro, único fenômeno capaz de decidir uma eleição?

Até.

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>ATÉ O SLOGAN O SERRA ROUBOU?!

>

Hoje, em função do tempo curto, a exibição do acervo da VEJA será igualmente curto e pra mostrar um troço curioso que eu não sei se alguém já havia notado. A primeira ilustração do post de hoje traz a histórica capa de janeiro de 2002, logo após a posse de Lula. É evidente que a revista, que presta semanal desserviço ao Brasil, não deixou escapar a maldade logo no primeiro dia do governo que chega ao final do segundo mandato com uma aprovação popular na casa dos 80%.
“A partir de agora, começa a cobrança” (…) como se a cobrança, em se tratando de Lula, não datasse do final da década de 70, quando começava a despontar o líder sindical que se tornaria o mais querido presidente da história do Brasil, disputando, palmo a palmo, o carinho e a admiração dos brasileiros com Getúlio Vargas.
O curiso vem agora – e foi a isso que me referi quando imaginei quantas pessoas já haviam se dado conta da “coincidência”. O mitômano José Serra e seu PSDB usam – todos sabem – o slogan COM SERRA O BRASIL PODE MAIS. O que eu não sabia é que esse slogan havia sido chupado do discurso de posse de Luiz Inácio Lula da Silva.
Até.

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MAIS PREVISÕES DA VEJA SOBRE BRIZOLA

E prossigo hoje exibindo a performance da VEJA, um dos mais atuantes órgãos de imprensa a serviço dos poderosos. Aqui, fiz um vasto levantamento do papelão que a revista fez no ano de 1982 durante a campanha e a cobertura das eleições diretas para governadores daquele ano, com foco em Leonel Brizola, massacrado e perseguido pela revista, dado como “sem chances” de chegar à vitória. Hoje, encontrei outro desses tesouros que desmascaram a revista. Notem a capa da edição de julho de 1981. Ela trata das primeiras pesquisas para as eleições do ano seguinte.

Abaixo, foto da mesma edição mostra Miguel Arraes e Leonel Brizola. Atentem para a legenda:

“Leonel Brizola e Miguel Arraes: esmagados pelo peso do eleitorado jovem”

E mantendo sua tradição de prognósticos furadíssimos, notem trecho da matéria, em destaque, com destaque para o seguinte vaticínio:

“O PDT e seu chefe podem morrer já no primeiro teste.”

Como todos sabem, no ano seguinte, em 1982, o dado como morto Leonel de Moura Brizola, contra tudo e contra todos, elegeu-se governador do Estado do Rio de Janeiro. Morta, há muito anos, e claudicante, está a revista VEJA.

Até.

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VEJA E AS PREVISÕES PARA SERRA EM 2010

Sigo hoje com mais uma divertidíssima demonstração do quanto é risível o jornalismo (e o emprego da palavra “jornalismo” neste caso já é risível) feito pela revista VEJA. Vamos, primeiro, à exibição da revista americana TIME de maio de 2008. Na capa, Barack Obama, eleito presidente dos Estados Unidos e homem do ano pela revista. Visto? Então vamos começar mais um passeio pela lata de lixo abrilina.

Pois em abril de 2010, assim… digamos… depois de uma fantástica inspiração dos editores, a VEJA escolheu para a capa da edição o candidato José Serra, do PSDB. Um detalhe diferencia as fotografias, eu diria que um ato falho do tucano: enquanto Obama posou com a mão esquerda no rosto, José Serra preferiu fazer carinha-de-fofo com a mão direita emoldurando um dos mais falsos sorrisos da face da Terra.

Com a frase menino-mimado – “Eu me preparei a vida inteira para ser presidente” – a revista apresenta a matéria “SERRA E O BRASIL PÓS-LULA”. Vamos a instigantes momentos da reportagem.

A revista VEJA tem a pachorra de abrir a matéria dando a entender que o PSDB estava – àquela época – unificado em torno da candidatura de José Serra, coisa que até uma calopsita sabia (e sabe) não ser, nem de longe, verdade. O PSDB, rachado, com pena de tucano voando pra fora das gaiolas em todo o país, nunca esteve, desde a eleição de Lula em 2002, perto de estar unificado. Aécio e Serra, por exemplo, nunca se bicaram (pelo que a foto que vocês verão abaixo é de fazer até uma calopsita morrer depenada de tanto rir). Mas foi assim, apresentando um PSDB unido, que a VEJA abriu a matéria querendo provar que “José Serra começa a pavimentar o caminho rumo ao seu objetivo: liderar o Brasil na era pós-Lula”.

Imediatamente abaixo, uma das fotos mais patéticas em matéria de divergência entre o ato e o fato. Com aquele sorriso fácil que todo mineiro tem rosto, Aécio Neves recebe um beijo de José Serra. Segundo a matéria, a patuléia presente ao ato (a “massa cheirosa”, segundo a jornalista Eliane Cantanhede) gritava, em êxtase “vice, vice, vice!” em direção ao neto de Tancredo. Como mineiro não é bobo, uai, o beijo não rendeu rigorosamente nada além da fotografia estampada na revista.

Agora o negócio começa a ficar mais divertido. Vocês sabem que uma das especialidades da VEJA é o prognóstico. No trecho abaixo, pinçado da matéria, a análise (tirem as crianças da sala para que vocês possam explodir de rir):

“No Nordeste, o tucano subirá em palanques com probabilidade de vitória em seis dos nove estados, sendo que na Bahia, dona do quarto colégio eleitoral do país, ele terá o apoio do único candidato capaz de azedar a reeleição do petista Jaques Wagner; Paulo Souto, do DEM.”

Bom… segundo a última pesquisa, Jaques Wagner tem 53% das intenções de voto. O “único capaz de azedar a reeleição” tem 16%.

E como se não bastasse… José Serra não vence Dilma Rousseff em NENHUM (com a ênfase szegeriana) estado do nordeste. Nem em 6 (como previra a revista), nem em 5, nem em 4, nem em 3, nem em 2, nem em 1… Vejam abaixo como eles são bons de prognóstico, assim como foram em 1982 quando disseram, em abril, que Leonel Brizola era um candidato “sem chances do PDT ao Palácio Guanabara” (vejam aqui).

O melhor, na categoria patético, está por vir. A revista VEJA consultou, para dar sustento às suas previsões, o astrólogo Oscar Quiroga, não por acaso colunista do jornalão O ESTADO DE SÃO PAULO, sucursal da tucanalhada paulista. Voltem a tirar as crianças da sala, a cuíca vai roncar.

O astrólogo, consultando Urano, a Lua, Vênus e Júpiter, previu que o ponto alto da campanha de José Serra, seu sólido crescimento, se daria entre os dias primeiro e 25 de agosto. Graças a essa conjunção, segundo o astrólogo, o candidato tucano se tornaria, nesse período, capaz de “reunir o apoio de diferentes vertentes em torno de sua candidatura”. Como até hoje isso não aconteceu – nem comício o homem faz! – a VEJA contribuiu, uma vez mais, para o anedotário brasileiro.

E como Urano, a Lua, Vênus e Júpiter não decidem o destino do país – quem decide é o povo – finalizo a exposição de hoje com um gráfico das pesquisas DATAFOLHA desde maio até agosto (a época da fartura para Serra, segundo Quiroga). Foi justamente quando o jacaré começou a arreganhar ainda mais a bocarra que há de engolir, pra sempre, esse político de quinta categoria que atenta, dia após dia, contra a democracia pela qual tanto lutamos.

Até.

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VEJA CONTRA BRIZOLA EM 1982

Prossigo hoje exibindo as barbaridades perpetradas, desde sua fundação, pela revista VEJA. Pra quem ainda não viu, aqui, aqui e aqui eu já dei bem uma mostra do que a revista da ABRIL faz com o jornalismo que diz representar. São matérias rigorosamente parciais, prognósticos quase sempre desastrosos e um desserviço ao Brasil. Hoje, na quarta série, exponho diversas capas, reportagens, editoriais e fotografias das edições de 1982, quando tivemos as primeiras eleições diretas para governadores de Estado depois dos anos de chumbo. No Rio de Janeiro, a seqüência é implacável na demonstração disso, Leonel Brizola, o velho caudilho, guerreiro sempre ao lado do povo, deu uma lição na revista – e na TV GLOBO, que fez o que pôde para usurpar a vontade do povo do Rio de Janeiro que, por duas vezes, o consagrou nas urnas.

Nesta primeira capa, de abril de 1982, vê-se Sandra Cavalcanti, a mais-querida da revista, tratada como um fenômeno.

Querem saber como a VEJA tratava o futuro governador do Rio de Janeiro? Com deboche, como a imagem da matéria deixa claro, a revista VEJA, já aí demontrando seu talento para prognósticos, diz que Leonel Brizola é um “candidato sem chances do PDT ao Palácio Guanabara”. Vamos acompanhando o correr dos meses, e das edições, para ver como corria (e como ainda corre!) o barco apriliano.

Devo dizer que a simples menção ao nome de Leonel Brizola era raríssima, mesmo com o crescimento de sua candidatura. E quando era mencionado, era com deboche, com baixeza, com evidente espírito de ódio.

Só fui encontrar mais sobre Brizola na edição de 22 de setembro de 1982, quando estávamos a dois meses das eleições. Abaixo, a imagem da capa da referida edição, com matéria no interior da revista (nunca na manchete) indicando – com a pecha do ridículo – o crescimento de sua candidatura. Vejam lá.
Tratado com desdém, Leonel Brizola é, para a revista, “a moda carioca da próxima temporada”. Seu nome, segundo a VEJA, “emergia da água rasa das pesquisas eleitorais com 12%”. Seu nome, para eles, tomava conta do “berço das manias da cidade” – a zona sul. Como se Brizola não tivesse, também, forte – fortíssimo! – reduto eleitoral na Baixada Fluminense, entre o povo mais simples e mais humilde, no interior – em Volta Redonda, conta-se, mais de 80% dos votos foram para ele.
Uma semana depois, na edição de 29 de setembro de 1982, a revista VEJA publicava a sétima pesquisa VEJA-GALLUP sobre a eleição.
Já com um discurso transformado – e já jogando na lata do lixo a previsão feita em abril – a revista noticia, na matéria “Um quarteto com chances” que Miro Teixeira, Sandra Cavalcanti, Wellington Moreira Franco e Brizola “dividem o eleitorado fluminense e todos podem vencer”. Mas ainda assim a revista não perdeu a oportunidade de mais uma bola fora. Notem bem: “O crescimento de Brizola é consistente, contínuo, mas ele ainda esbarra nas diminutas dimensões do PDT (…)”.
Mais uma semana e estamos em 06 de outubro de 1982. É publicada mais uma pesquisa e, dessa vez, o gráfico das pesquisas aparece na capa da revista. É importante notar que, em 1982, as pesquisas não registravam, com a velocidade captada hoje, a migração de votos de um candidato para outro. Mas é curioso perceber que uma semana depois, aquele candidato que estava 12 pontos percentuais atrás da primeira colocada figurava já na liderança, com 24% do eleitorado contra 21% do segundo, 15% da terceira e 12% do quarto. Uma eleição quente, como se vê, disputada voto a voto. Mas o mais curioso – e mais repugnante – está por vir. Acompanhem.
Em editorial desta mesma edição, de 06 de outubro, Elio Gaspari – são dele as iniciais E.G. que assinam o texto -, então editor da revista, faz uma análise das eleições que ele considera “a mais apaixonada do país”. Até aí, nada. Mas tirem as crianças da sala para acompanharem o que diz o editor na “Carta ao Leitor”.
“No caso de Brizola, por exemplo, votar nele não significa apenas apoiar suas críticas aos governos federal e estadual. Significa, também, anistiar suas aventuras anistiadas, como sua conexão cubana, e sua demagogia do presente (…).”

Que tal?

Abaixo, uma fotografia de Leonel Brizola em carreata pelas ruas de Niterói, reduto político seu até seus últimos dias. E ainda hoje. Vá a Niterói, ouça o povo de Niterói e você verá que o velho caudilho vive, ainda, no imaginário do povo.
Três semanas depois, estamos em 17 de outubro de 1982. A VEJA publica, nesta edição, a nona rodada de pesquisas, anunciando, em matéria sobre as eleições, um “novo salto de Brizola”.
A revista começa a se render às evidências e anuncia que “o candidato do PDT se isola na liderança”. Lê-se, na matéria, uma fala de Brizola que seria uma de suas marcas. Falando sobre seus adversários diretos, disse o saudoso líder:
– Vamos engoli-los como se toma um prato de mingau: pelas bordas.
Na primeira edição de novembro, as eleições ganham, novamente, a capa. “QUEM AVANÇA NA RETA FINAL” é a chamada. Entre os que avançam está lá, o segundo da esquerda para a direita, Leonel de Moura Brizola.
Abaixo, ao lado de Saturnino Braga, e cercado por eleitores, Leonel Brizola.
E finalmente, na edição do dia 24 de novembro de 1982, Leonel Brizola já consagrado nas urnas, aparece na capa ao lado de Franco Montoro, eleito governador de São Paulo. No interior da revista, como de se esperar, nenhuma espécie de retratação, nenhum pedido de desculpas pelo fracasso retumbante diante da vitória maiúscula do “candidato sem chances”.
Recomendo vivamente que vocês cliquem na imagem abaixo e leiam a matéria “A vitória em ritmo de samba-enredo”. A leitura lhes dará exata dimensão da grandeza de Leonel Brizola, a possibilidade de viver seus sentimentos entre a votação e a apuração dos votos, sua certeza de vitória a despeito do golpe e do escândalo Proconsult engendrado pela mais poderosa rede de comunicação do Brasil, a GLOBO, e a certeza de que não é de hoje que a VEJA se presta aos mais abjetos objetivos.

Até.

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REVISTA VEJA, DEZEMBRO DE 1980

Confesso a vocês que o troço vicia. Escarafunchar o arquivo da VEJA revela o que todos já sabemos sobre a faceta mais odiosa da revista: ela sempre esteve a serviço dos poderosos e dos que jamais sonharam com a hipótese de um governo popular capaz de transformar, efetivamente, a vida das pessoas para melhor. Depois de exibir aqui uma seleção de capas da revista entre 1979 e 2006, mostrei-lhes ontem, aqui, capa e matéria de uma edição de maio de 1979 na qual, por uma lado, a revista considerava Lula um líder sindical fracassado e de outro um ferramenteiro, do ABC paulista, Enoch Batista, que declarou que Lula, mesmo depois de afastado da presidência do sindicato, e isso há 31 anos!, continuaria sendo seu presidente. Troço comovente, como os comentários ao texto demonstram.

Hoje, na prateleira, capa e matéria da edição especial de final de ano, de 31 de dezembro de 1980.

capa da edição da revista VEJA de 31 de dezembro de 1980

Abaixo, uma das matérias que compõe a retrospectiva do ano de 1980. Com o título ABC NÃO ERA CANUDOS, o revistão – que assim se enquadra na série MORDA A LÍNGUA, criada através de hashtag pelo professor Idelber Avelar – assim se refere ao atual presidente do Brasil que, 30 anos depois do vaticínio abrilino, chega ao final de seu segundo mandato com 80% de aprovação popular:

“O desfecho do confronto entre metalúrgicos e o governo sustou o surto de greves e fez de 1980 um ano negro para Lula, hoje reduzido a cacique do PT”

Sorte da tribo Brasil que a VEJA, uma vez mais, errou suas imparciais previsões.

matéria publicada na revista VEJA de 30 de dezembro de 1980

Até.

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