Arquivo do mês: agosto 2006

>COERÊNCIA

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Um dos troços mais bacanas que tem é verificarmos, quando analisamos com atenção o conjunto das nossas posturas, dos nossos discursos, do nosso comportamento, o quanto somos coerentes e como essa coerência salta aos olhos dos terceiros que também nos observam. Explico.

Vocês que me lêem sabem o quanto eu bato, sem piedade, com a borduna imaginária, nos bares-mentira que crescem, como câncer, na cidade do Rio de Janeiro, como o Belmonte, o Informal, o Conversa Fiada, o Devassa, o Manoel & Joaquim. Logo, quando eu digo que não piso em nenhuma (isso dito com a intensidade szegeriana) dessas bostas, nem pra comemorar aniversário de amigo, não entendo o susto e o inconformismo como os que verifiquei, por exemplo, dia desses, vindos da Fumaça. Ao mesmo tempo em que me dá intenso prazer ouvir do Szegeri, meu irmão paulista, quando sabe de minha intransigência:

– Não poderia esperar outra coisa de ti.

E vocês que me lêem também sabem o quanto eu bato, igualmente sem piedade alguma, com o tacape imaginário, no Jota, que aparentemente é pessoa física quando escreve as sonolentas crônicas às segundas-feiras n´O GLOBO e pessoa jurídica (faturando horrores) quando assina a coluneta diária no mesmo jornal.

Tanto da crônica como da coluneta emergem um jornalista pífio, bobo, sem-graça, que não tem nada de interessante para dizer.

E hoje, lendo, n´O GLOBO, a entrevista concedida ontem pela Heloísa Helena, vejo como é verdadeiro isso: o Jota não tem nada, rigorosamente nada, de interessante para dizer. O que me dá imensa alegria, já que há muitos meses venho dizendo isso sobre o dito elemento.

publicado no jornal O GLOBO de 30 de agosto de 2006

Diante da candidata à Presidência da República, diante de uma mulher que concorre à vaga de Chefe do Poder Executivo, diante de uma Senadora da República (com o “S” maiúsculo que o ACM, pra citar um só exemplo, não merece), vivendo o Brasil o quadro que todos sabemos viver, o Jota, um homúnculo, pede a palavra e sopra:

– Por que a senhora usa sempre a mesma roupa? Qual a mensagem?

Jota, passa amanhã.

Sem mais comentários, salvo um, apenas: ele, Jota, ele sim, usa sempre o mesmo artifício quando faz publicidade explícita em espaço tão nobre do jornal. A mensagem eu sei o que esconde. Já são, vejam no menu à direita, 19 os atentados cometidos pelo jornalista (não consigo evitar a gargalhada quando me refiro assim a ele).

Até.

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>OS INVESTIDORES

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Depois de uma semana com a carta do Aldir ao ACM exposta no balcão, é bom voltar à carga sentando a biaba no Jota, não sem antes erguer o copo num brinde a mais um êxito do Buteco, que, neste mês de agosto, já ultrapassou a marca de 2.500 visitas, recorde desde a inauguração. Êxito, devo dizer em nome da precisão que me é peculiar, que é de vocês todos, fiéis freqüentadores. Dito isto, em frente.

nota publicada no jornal O GLOBO de 29 de agosto de 2006

Eu digo sempre que os bares-mentira que o Jota exalta – Informal, Belmonte, Conversa Fiada, Devassa e por aí vai – são comandados por investidores que querem apenas o lucro e que não têm nenhum compromisso com a manutenção dessa tradição carioquíssima que é o buteco, o buteco pé-sujo, o cospe-grosso. Mentem, e mentem desde a plaquinha que ostentam na porta – Boteco Belmonte, Botequim Informal – passando pelo cardápio pernóstico e caríssimo. Além de serem investidores que querem apenas o lucro (não há problema nisso, afinal são apenas investidores) não entendem nada, rigorosamente nada do assunto. Repito, frisando: NADA.

E o que anuncia (verbo perfeitamente cabível) hoje o Jota?

Anuncia a mais nova empreitada do economista Carlos Lessa, que já comanda a detestável Brasserie Rosário.

Pequena pausa para transcrever trecho de entrevista concedida pelo dito cujo:

“Confere que o Sr. está sendo assediado pelo casal Garotinho?

Não estou sendo assediado, primeiro porque sou amigo deles há muitos anos, desde os tempos que era prefeito de Campos. Ele fez uma administração muito interessante em Campos, de inclusão social. Independente de qualquer coisa eu gosto dos dois. Mas não fui assediado não. Eu tenho sido muito procurado para conversar sobre o Brasil e muitas destas conversas acontecem aqui em casa.”

A entrevista pode ser lida aqui.

Em frente.

Carlos Lessa, diz a nota publicada na coluneta, está junto com Guilherme Studart – economista também – num “projeto gastronômico”. Não satisfeito com a padaria de merda que mantém no Centro do Rio, acaba de comprar um buteco na esquina da mesmíssima rua, do Rosário, com a Rua do Mercado.

Diz, com a arrogância que só um amigo do casal Garotinho tem, que “será o melhor botequim de comida popular do Rio”.

Eu não sei se vocês notam a boçalidade que a frase guarda. Afinal, qual buteco de verdade não tem comida popular?????

E fechando a propaganda, desculpem, fechando a nota, escreve o Jota:

“Guilherme é o mais rigoroso pesquisador do assunto na cidade.”.

Então, tá, Jota. Vindo de você, só rindo.

Até.

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UM PEDIDO DO ALDIR É UMA ORDEM

Dentre os orgulhos que eu carregarei pra sempre está o de ser amigo do Aldir, o “ourives do palavreado”, como bem o definiu Dorival Caymmi, baiano que merece todo o meu respeito e admiração, com a mesma intensidade com que outro baiano, ACM, merece meu desprezo e nojo. Acabo de receber o seguinte email do Aldir:

“Amigos: Estou enviando minha crônica em resposta ao senador ACM que me chamou de “canalha”. Não foi possível publicá-la, mas faço questão que ela seja lida pelo maior número possível de pessoas. Por favor, colaborem. Abraços, Aldir Blanc”

O Buteco fica, então, até a próxima segunda-feira com a crônica do Aldir exposta, com um pedido meu, que torno público, a todos aqueles que vêm aqui ao balcão, diariamente: espalhem para o maior número de pessoas a crônica do Aldir. Fica como presente da gente pelos 60 anos que ele completa no próximo dia 02 de setembro.

“BOLÔ-FEDEX

Leva, meu samba, meu mensageiro, esse recado…

O Sena-Sênior ACM, vulgo Malvadeza, me acusou de ser “um elemento lulista infiltrado” no JB. E concluiu seu arrazoado (?) me chamando de canalha.

Senadô-Skindô, por mais que eu viva nenhum elogio me trará orgulho maior do que ser chamado de canalha por V. Excrescência. Quem lê minha coluna sabe que o pau canta à direita, à esquerda e, claro, no centro, com igual prodigalidade. Espero que a grande famiglia pefelista já tenha providenciado junta médica competente para lubrificar os parafusos do Cacicão. A julgar pelas suas mais recentes declarações, as encrencagens, desculpem, engrenagens, estão precisando de uma lubrificada urgente: ginkgo biloba, piracetan, talvez um viagrinha… O senador, craque em prestidigitação, mais uma vez misturou as bolas: combatividade é muito diferente de baba paranóica escorrendo gravata parlamentável abaixo.

A ojeriza é mútua. Estou farto de maquiavelhos de fraldão deitando regras. Toda essa mixórdia envolvendo valeriodutos, mensaleiros, sanguessugas e saúvas, começa com políticos da sua estirpe. O mecanismo é manjado. Se as denúncias favorecerem meu partido, palmas, vamos apurar. Agora, se a canoa virar, o denunciante passa a bandido e fim de papo, vai ser preciso buscar a propina em outro guichê. A máscara-de-pau que descrevo acima é suprapartidária. Os que não a exibem são as exceções que confirmam as regras vigentes. Quando as regras rompem os diques e escorrem periferia abaixo, não há Lembo Pétala-Macia que evite derramamento de sangue – na maioria dos casos, inocente. Mas o meu negócio não é discurso, é galhofa. Já que falei em bolas misturadas… Dizem que um velho político pefelista, preocupado com as más performances nos palanques, procurou um médico, antigo cupincha de castelo e carteado.

– Tô com um problema, num sabe? Bem na… plataforma de lançamento.

– Hein?

– Pois é. Gases. Uma coisa impressionante. Além das explosões e dos odores, tem hora que chego a levitar. Uma assessora já foi arremessada contra meu contador de caixa 2. Estão hospitalizados. Isso não pode continuar.

O amigo explicou que aquela não era a especialidade dele, mas que pensaria no assunto, conversaria com colegas renomados, faria até pesquisa na internet.

No comício seguinte, o esculápio apareceu com um vidro misterioso, sem rótulo, e entregou ao político:

– É pra…

Mas o tumulto, o puxa-saquismo, os vivas, a euforia bem remunerada impediram a necessária e urgente troca de informações. Cerca de meia hora depois, o SSJE (Secretário para Superfaturamento Junto a Empreiteiras) agarrou o ilustre médico pelo paletó.

– Corre que o Chefe tá pegando fogo nas… nas partes baixas.

– O quê?!?

O socorrista encontrou o parlamentável feito um bebê, sem calças, com uma brutal reação alérgica na proa da região pélvica.

– Mas… Eu mandei você beber a poção e você esfregou nos…

– No calor da luta política, eu confundi peido público com pêlo púbico.

Aldir Blanc”

Até.

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>ALDIR À VERA

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Ergo o copo de chope hoje, de pé diante do balcão do Buteco, em homenagem a uma grande figura a quem eu conheço – quando me dei conta, ontem à noite, da extensão do tempo tomei um puta susto! – há mais ou menos 20 anos, Vera Mello.

eu e Vera Mello no Estephanio´s, 12 de dezembro de 2005

Assim, ó.

Eu era moleque ainda e babei – lembro-me disso com a nitidez que me é peculiar – quando a ouvi cantando pela primeira vez, numa festa na casa do Toledo, pai do ilustrador e pai da minha namorada à época, acompanhada pelo violão do Renato Alvim e pela bateria do saudoso Eloir de Moraes. Lembro-me, também, do susto que a Vera levava quando ouvia meus pedidos:

– Que idade você tem, menino? – e ríamos.

E Vera ficou amiga de mamãe, e eu passei a assisti-la cantando nas festas em minha casa também.

Anos depois – essas maluquices que a vida apronta – fui selecionado pra cantar num domingo no Mistura Fina, na Lagoa, no projeto “Profissional Amador”. Convidei pra me acompanhar apenas dois violões, justamente o do Renato Alvim e de seu filho, Alexandre Alvim. Ah, e é claro, não posso me esquecer, levei como convidados o Walter Alfaiate e o Nélson Sargento, rebocados horas antes no Bip-Bip. E a Vera Mello, que não arredou pé do meu lado um só minuto enquanto estive no palco pela primeira e última vez (haja coragem pra encarar aquilo por mais de 1 minuto!).

Vai daí que nós construímos uma relação impressionantemente bonita, e é por isso que estou hoje bastante feliz, indo hoje ver o sonho que a Vera acalenta há quatro anos – sou testemunha ocular da fecundação da idéia.

Hoje, no Centro Cultural Carioca, na carioquíssima Praça Tiradentes, a Verinha apresenta o espetáculo “Aldir à Vera”, com direção geral da minha comadre querida Mariana Blanc e direção poética de Elisa Lucinda, abrindo, assim, as comemorações pelos 60 anos desse monstro sagrado, brasileiro e carioca, no ouvido de quem um anjo soprou numa esquina qualquer da Rua dos Artistas:

– Vai, Aldir, ser Blanc na vida em nome da Vila!

Até.

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>O RECADO DO SZEGERI

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Vejam vocês se eu posso ser 100% normal, como mamãe e papai gostariam que eu fosse.

Bastou eu falar, aqui no Buteco, dos radinhos de pilha, das delícias das coisas mais simples, bastou fotografar e expor meu Motobrás e pronto!

Antes preciso dizer que a marca é MOTOBRAS, sem o acento, que eu coloco quando escrevo apenas para que as pessoas não leiam errado o santo nome do santo objeto.

Os amigos, os amigos dos amigos, todos tiveram febre e saíram em busca de seus baús pessoais atrás de seus Motoradios (deram vez aos Motobrás), de seus Spikas (papai tem um! papai tem um!), de seus egoístas, e eu digo, sem modéstia, que teve início um movimento que pretende dar vez, de novo, a esse inseparável amigo do homem, o radinho de pilha.

Mas como eu dizia, vejam se eu posso ser normal cercado de gente como o Szegeri, por exemplo.

Eu chego em casa e dou de cara com a luzinha vermelha da secretária eltrônica piscando. Aperto o botão.

E o quarto é inundado pela voz do Pompa, dizendo as seguintes palavras:

“Queridos… é o mano Szegeri.

´cês tão aí?

Então eu vou deixar gravado…

Edu…

Que lindo…

A voz do radinho vermelho…

Se liga, se liga!

Ele funcionou, Edu! (com a voz já embargada)

(fala o radinho vermelho)

Que lindo, né, querido?

(Szegeri chorando)

Beijo-tchau!

(fala a secretária eletrônica)”

Seguramente você acha que isso é fruto de minha imaginação ou mais um de meus exageros. Então ouça. E veja você mesmo que eu sou, sempre, preciso do início ao fim.

Eu posso ser 100% normal? Não, evidentemente que não.

Até.

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FURANDO O BLOQUEIO

Há, no jornal O GLOBO, uma seção chamada POR DENTRO DO GLOBO que pretende mostrar aos leitores o dia-a-dia da redação, os perrengues enfrentados pelos repórteres, a rotina dos responsáveis pelo jornal, enfim.

Ontem o título da matéria foi FURANDO O BLOQUEIO e começava assim:

“Apesar do embargo decretado pelo governo à presença de jornalistas estrangeiros em Cuba, O GLOBO conseguiu furar o bloqueio e mostrar a seus leitores como o país enfrenta a ausência de Fidel Castro no poder, pela primeira vez em 47 anos.”

Foi impossível não lembrar do dia 16 de setembro de 2000.

Tivesse eu um jornal e teria publicado na edição do dia 17 de setembro de 2000:

“Apesar do embargo decretado pela direção da TV GLOBO à simples menção do nome de Leonel Brizola, candidato a Prefeito pela cidade do Rio de Janeiro, EDUARDO GOLDENBERG conseguiu furar o bloqueio e mostrar aos milhões de telespectadores de todo o país como é que se dribla a inteligência dos repórteres que trabalham ao vivo, obrigados a ouvir o nome do líder trabalhista, pela primeira vez na história da Vênus Platinada.”

Foi graças a esse gesto, meus poucos mas fiéis leitores, que eu vinguei a Beth Carvalho, que infelizmente o Moacyr Luz deixou de ser meu amigo e que o Brizola, o velho e saudoso Leonel Brizola, me telefonou no dia seguinte, dizendo a frase que não esqueço:

“Tu não tens idéia da alegria que encheu o peito desse velho!”

Qualquer dia eu conto essa história com detalhes, que ela é muito boa.

Até.

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>AS COISAS SIMPLES – PARTE II

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Vou retomar hoje o tema “AS COISAS SIMPLES”.

Já falei da dificuldade que foi encontrar meu radinho de pilha, já falei da dificuldade que é encontrar, hoje, os mais simples sabores de sorvete, mercado também invadido por pernosticismo. E hoje vou falar, um de meus assuntos preferidos, de buteco.

Antes, brevíssima digressão.

O pernosticismo grassa numa velocidade assustadora, e explico.

Aqui na Tijuca o arroz acompanha o feijão. No Leblon o feijão é escoltado pelo arroz.

Aqui na Tijuca a gente serve massa com queijo ralado. No Leblon a massa vem salpicada com lascas de parmesão.

Evidentemente que não só no Leblon, mas o Leblon é o bairro de “Páginas da Vida”, obsessão dos apedeutas d´O GLOBO, e personifica esse status pernóstico que vem destruindo, aos poucos, a delícia das coisas mais simples.

Antes, ainda, de falar sobre os butecos, e dando um tom szegeriano ao Buteco, vamos a trechos retirados do livro “Tecnologia, Guerra e Fascismo – Coletânea de artigos de Herbert Marcuse”, editora UNESP. O que tem isso a ver?, ouço daqui a pergunta. Os trechos são auto-explicativos:

“A tecnologia (…) é (…) uma forma de organizar e perpetuar (…) as relações sociais, uma manifestação do pensamento e dos padrões de comportamento dominantes, um instrumento de controle e dominação.

(…)

Para compreender toda sua importância, é necessário examinar rapidamente a racionalidade tradicional e os padrões de individualidade que estão se dissolvendo no presente estágio da era da máquina.

(…)

O indivíduo humano (…) apoiava valores que contradizem flagrantemente os que predominam na sociedade de hoje.

(…)

Todo protesto é insensato e o indivíduo que persiste em sua liberdade de ação seria considerado excêntrico.

(…)

A mecânica da submissão se propaga da ordem tecnológica para a ordem social; ela governa o desempenho não apenas nas fábricas e lojas, mas também nos escritórios, escolas, juntas legislativas e, finalmente, na esfera do descanso e lazer.”

Bem. Por isso eu sou considerado um excêntrico quando fico dando murro em ponto de faca gritando contra essas mentiras imundas que são os bares-mentira que a patuléia freqüenta deslumbrada acreditando estar, ó, no que há de melhor.

Confraria do Bode Cheiroso, na Rua General Canabarro, na Tijuca

Os butecos autênticos, primitivos, originais, estão sumindo justamente por que vêm sendo destruídos pela força econômica das franquias (Belmonte, Devassa, Informal, Conversa Fiada, Manoel e Joaquim, Pirajá, Original dentre tantos outros) e, o que é pior, gente da melhor qualidade passa a achar natural, sem perceber que é manipulada pelo grande aparato (que tem no Jota, por exemplo, um propagador), beber caipirinha – só pra citar um exemplo – com um palito feito de cenoura crua enterrado no copo, coisa nojenta que acontece no Belmonte, foi a Fumaça que me contou. Daí eu preciso citar outro trecho de autoria do Marcuse:

“Mas o homem não sente esta perda da liberdade como o trabalho de uma força hostil e externa: ele renuncia à sua liberdade sob os ditames da própria razão. A questão é que, atualmente, o aparato ao qual o indivíduo deve ajustar-se e adaptar-se é tão racional que o protesto e a libertação individual parecem, além de inúteis, absolutamente irracionais. O sistema de vida criado pela indústria moderna é da mais alta eficácia, conveniência e eficiência. A razão, uma vez definida nestes termos, torna-se equivalente a uma atividade que perpetua este mundo. O comportamento racional se torna idêntico à factualidade que prega uma submissão razoável e assim garante um convívio pacífico com a ordem dominante.”

O que eu quero demonstrar, e peço perdão desde já pelo tom mais sério do que de costume – ou nem mais sério, mas mais formal – é que as pessoas, e há várias queridas minhas entre elas, não entendem a razão que me leva a não entrar, em nenhuma hipótese, num lixo desses como os que já citei, por uma questão de coerência, de protesto, de manifestar um não rotundo (ave, Brizola!) à imposição de comportamento que o aparato, incessantemente, imputa à sociedade.

É preciso estar atento e forte, permanentemente, para que nossas convicções mais arraigadas não sejam diluídas, aos poucos, ao ponto de passarmos a achar natural os troços mais artificiais e mentirosos.

Fechando, então, deixo com vocês um filminho que fiz, no sábado passado, num buteco na Tijuca, minha gloriosa Tijuca, para onde levei meu sobrinho, Henrique, 13 anos de idade, com a intenção de injetar carioquice nas veias do menino, em quem aposto minhas fichas. A cerimônia do lava-pés, que vocês nunca – esse “nunca” dito com a ênfase szegeriana – verão nessas bostas exaltadas pelo Jota.


Até.

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