>OS INVESTIDORES

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Depois de uma semana com a carta do Aldir ao ACM exposta no balcão, é bom voltar à carga sentando a biaba no Jota, não sem antes erguer o copo num brinde a mais um êxito do Buteco, que, neste mês de agosto, já ultrapassou a marca de 2.500 visitas, recorde desde a inauguração. Êxito, devo dizer em nome da precisão que me é peculiar, que é de vocês todos, fiéis freqüentadores. Dito isto, em frente.

nota publicada no jornal O GLOBO de 29 de agosto de 2006

Eu digo sempre que os bares-mentira que o Jota exalta – Informal, Belmonte, Conversa Fiada, Devassa e por aí vai – são comandados por investidores que querem apenas o lucro e que não têm nenhum compromisso com a manutenção dessa tradição carioquíssima que é o buteco, o buteco pé-sujo, o cospe-grosso. Mentem, e mentem desde a plaquinha que ostentam na porta – Boteco Belmonte, Botequim Informal – passando pelo cardápio pernóstico e caríssimo. Além de serem investidores que querem apenas o lucro (não há problema nisso, afinal são apenas investidores) não entendem nada, rigorosamente nada do assunto. Repito, frisando: NADA.

E o que anuncia (verbo perfeitamente cabível) hoje o Jota?

Anuncia a mais nova empreitada do economista Carlos Lessa, que já comanda a detestável Brasserie Rosário.

Pequena pausa para transcrever trecho de entrevista concedida pelo dito cujo:

“Confere que o Sr. está sendo assediado pelo casal Garotinho?

Não estou sendo assediado, primeiro porque sou amigo deles há muitos anos, desde os tempos que era prefeito de Campos. Ele fez uma administração muito interessante em Campos, de inclusão social. Independente de qualquer coisa eu gosto dos dois. Mas não fui assediado não. Eu tenho sido muito procurado para conversar sobre o Brasil e muitas destas conversas acontecem aqui em casa.”

A entrevista pode ser lida aqui.

Em frente.

Carlos Lessa, diz a nota publicada na coluneta, está junto com Guilherme Studart – economista também – num “projeto gastronômico”. Não satisfeito com a padaria de merda que mantém no Centro do Rio, acaba de comprar um buteco na esquina da mesmíssima rua, do Rosário, com a Rua do Mercado.

Diz, com a arrogância que só um amigo do casal Garotinho tem, que “será o melhor botequim de comida popular do Rio”.

Eu não sei se vocês notam a boçalidade que a frase guarda. Afinal, qual buteco de verdade não tem comida popular?????

E fechando a propaganda, desculpem, fechando a nota, escreve o Jota:

“Guilherme é o mais rigoroso pesquisador do assunto na cidade.”.

Então, tá, Jota. Vindo de você, só rindo.

Até.

5 Comentários

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5 Respostas para “>OS INVESTIDORES

  1. >Quer dizer que não stão contentes em se apropriar da Zona Sul, impingindo esse estigma de boçalidade e arrogância que encobre o fato notório de que também há nessa parte da cidade gente honesta e cariocas de estirpe? Agora querem apropriar-se também do Centro? Vão se machucar, porque além do predomínio da população honrada que caga para esses modismos fabricados e pra essas grifes fedorentas, que não está nem aí pra esse imundo colunismo-social-matéria-paga, aquelas plagas do Centro são compostas de ruas multi-centenárias, caminhos pisados por pés escravos, muito sangue derramado das costas dos santos pra construir aquilo que ali está. Aos eguns os santuários que lhes pertence. Que o Senhor dos Caminhos conhecerá a medida da vilipendiação.

  2. >Edu, resistiremos! Os cachaças da Rua do Ouvidor, reunidos em assembléia extraordinária na Folha Seca, decidem responder a este novo “projeto gastronômico”, ao lado da Brasserie (cujo funcionário uma vez me disse que se trata de uma “boutique de pães”, é mole?), divulgando a nossa trincheira: o “boteco do Espeto”, um botequim de primeira linha quase na esquina da Ouvidor com a Rio Branco.O boteco em questão pertencia ao seu David, que resolveu fecha-lo. Prontamente os frequentadores , evidentemente de porre,fizeram uma vaquinha e compraram o estabelecimento.O nome ninguém sabe, a cerveja é gelada, os petiscos generosos e o garçom é a cara do Espeto, dos Batutinhas. E ainda entregam a cerveja na Folha Seca! Não passarão! Abraço

  3. >Szegeri, meu mano: pra você ver como a sanha desses caras, que ainda contam com a benevolência, com a simpatia e com os holofotes fornecidos pelo homúnculo que atende pelo apelido de jota (minúsculo como você mesmo sugeriu), não tem limites. Já há, inclusive, acredite!, um Devassa cravado ali no Centro do Rio de Janeiro, bem na Rua do Rosário, veja você que heresia, mas há de falir, há de falir!L.A.Simas: foi um puta prazer conhecê-lo ontem, com a camisa do Voltaço (pra delírio da Dani Sorriso Maracanã), na Folha Seca, em meio à comemoração do aniversário do Rodrigo. E o que começamos a arregimentar ontem mesmo, porrancas históricas naquele canto sagrado da cidade, há de acontecer muito em breve. Não passarão!

  4. >Grande Edu! E o pior é que o Rio não precisava ter importado essa moda do “falso velho”, um troço esquisito que, salvo engano, foi criado em São Paulo. Felizmente vocês aí têm um exército para resistir, porque por aqui os boêmios mais antigos estão morrendo e a molecada nova parece estar se lixando para a porra toda. Pé-sujo de verdade é artigo de luxo, mas continuam de pé pela insistência de uma meia dúzia de malucos feito a gente, que deixa o salário naqueles caixas registradoras só pelo prazer de vê-las funcionando. Bom, agora é sério: quinta estou aí, ficarei hospedado no Merlin, em Copa. Depois da entrevista é fato que vou beber. Caso esteja à toa ou pelas redondezas, me dá um toque. Vou marcar com uma amiga carioca de encontrar no Cervantes e de lá partir para aquele botequim que você gosta mais e é logo ao lado. O nome esqueci, mas acho que sei qualé. Hasta!

  5. >Deve haver algum botequim de comida elitista para esses dois mentecaptos.Eu pensava que aquelas sandices, publicadas pela Veja, que o Lessa dizia fossem manipulação, mas vejo que não. Alguém amigo do “casal” só pode ser um imbecil.Fico imaginando como é o tal consultor. Usa jaleco nas pesquisas? Cheira café entre um prato e outro para notar o aroma? Reclama quando encontra um ladrilho encardido no bar?

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