Arquivo da tag: Aldir Blanc

DO DOSADOR

  • Luiz Antonio Simas, meu amigo há mais de 10 anos, meu irmão, meu compadre e o homem que cuida de mim com a competência de sacerdote mais-velho, é um tímido e um modesto, embora os movimentos em torno dele façam parecer o contrário, razão pela qual não viria (e não virá) a público dizer o que eu disse a ele, a pedidos. Aldir Blanc, um de meus orixás vivos, com quem falo com freqüência (os assuntos vão do futebol à política internacional, dos livros à música, das mulheres aos escrotos da vida pública), mandou-me e-mail e pediu que repassasse o recado ao Simas, o que fiz prontamente. Eis o e-mail do Bardo da Muda: “Viu esse? Por favor, mande um tremendo abraço pro Simas. Ninguém está escrevendo como ele. Bj, Aldir.”. Referia-se, o Aldir, ao texto Brasil, um tremendo sucesso, publicado pelo Simas no Facebook. O portentoso texto – brilhante! – pode ser lido aqui. Era o que eu queria lhes dizer;
  • Ainda sobre Luiz Antonio Simas (ele, se quiser, que confirme): há mais de 10 anos, logo que eu o conheci, ainda não éramos íntimos, eu ainda não tinha recebido a honraria de ser nomeado padrinho-de-rua do seu Benjamin, disse a ele e à minha comadre, Candida: “Luiz Antonio Simas, com as proporções e as individualidades devidas e preservadas [tenho horror dessa coisa de sucessor, substituto e outros bichos], vai ser o Suassuna do Sudeste. Vai correr Brasil, de camisolão, cantando e encantando toda a gente que com ele esbarrar.”. Quando Sérgio Cabral (o pai, por favor) apresentou Aldir Blanc e João Bosco em 1972 na série Disco de Bolso, d´O Pasquim, disse algo assim: “Quando o Brasil inteiro reconhecer a genialidade de Bosco e Blanc como a maior dupla de parceiros da música brasileira quero esse mérito, o de ter dito primeiro.”. Cito de cabeça, mas foi algo assim. Com o Simas, podem apostar, vou querer o mesmo mérito;
  • Eis que tem início, hoje, a Semana Santa. Hoje, a Missa do Lava-Pés. Amanhã, a Procissão do Senhor Morto, no Sábado de Aleluia a missa do Fogo Pascal, e no domingo de Páscoa serei um sobrevivente renascido depois da Quaresma, 40 longos dias de holocausto. Não sou católico, quem me acompanha sabe. Mas mora em mim, eternizada, as Semanas Santas da minha infância que, com a graça dos deuses, foi uma zorra na matéria: minha bisavó e minha tia Hidinha, católicas fervorosas, cumpriam a Quaresma, vestiam preto na Sexta-Feira Santa, a casa de meus avós (com quem as duas moravam) era um silêncio agudíssimo em respeito à data. Meu avô dizia-se católico, respeitava o silêncio das duas mas não me recordo dele tão envolvido com a data. Vovó, por sua vez, espírita fanática, tinha certa dó de ver a mãe e a tia ainda tão presas aos rituais da Santa Igreja Católica. Meu tio Carlos Henrique, irmão de vovó, também respeitava a liturgia da mãe e da tia mas gostava mesmo era da umbanda, vestia branco às sextas-feiras (incluindo a Sexta-Feira Santa, o que gerava leve reprimendas de minha bisavó consubstanciadas num balançar de cabeça com os olhos fechados), recebia o Caboclo Tupiara com quem eu trocava altos papos, meu pai depois deu de ser cavalo do Caboclo Tupinambá, minha avó não dispensava um passe do caboclo – qualquer um deles – com um dos livros do Kardec debaixo do braço, meu avô não dizia nada (era um calado) mas fazia o sinal de cruz sempre que passava por uma igreja. Ah, sim, a Penha, que trabalhava na casa de meus avós, tinha um cabelo que ia até a altura dos joelhos e é a primeira e mais remota lembrança de tenho de uma pentecostal fanática;
  • Isso pra não falar da banda paterna. Avós judeus. Minha avó freqüentava, escondida de meu avô, um centro espírita na Praça da Bandeira (moravam na Tijuca). O Clube Monte Sinai era quase que o playground de minha casa, o que significa dizer que a imensa maioria dos meus amigos de infância era judia, que fui a dezenas de Bar-Mitzva em praticamente todas as sinagogas da cidade (o que fez com que, até hoje, eu recite trechos da Torá num ídiche de causar inveja em israelense nativo) e sempre com aquele drama que me acompanha, de certa forma, até hoje: “Eduardo Goldenberg? Judeu, né?”. Daí eu conto toda a ladainha numa tentativa que não cessa de fazer com que eu mesmo compreenda quem sou e que fruto deu esse caldo todo, uma vez que eu me comovo feito o diabo na Semana Santa, choro às escâncaras no Círio de Nazaré, bato cabeça pra Ogum, meu pai, faço ebó quando Ifá manda, converso com minha avó à noite, rezo de mãos dadas com a Morena e vou assim, por aí, eternamente assustado e assombrado como o menino de calças curtas e camisa listrada que renega meus 48 anos de idade.
  • Até.
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ALDIR BLANC – DECLARAÇÃO DE APOIO

Em 1979, quando o Brasil já enfrentava, há mais de 15 anos, os horrores da ditadura, Elis Regina cravou no imaginário popular, para todo o sempre, uma obra-prima que viria a ser considerada, anos depois, o Hino da Anistia. Era O bêbado e a equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc. Aldir, genial como sempre, dizia saber “que uma dor assim, pungente, não há de ser inutilmente.”.

Em 2010, quando a eleição presidencial estava para ser decidida no segundo turno entre Dilma Rousseff e José Serra – e quando Marina Silva e o PSOL mantiveram-se covardemente neutros – tive a honra de expôr, aqui no Buteco do Edu, a declaração de voto do bardo da Muda, meu amigo, um de meus orixás vivos, Aldir Blanc – aqui.

Agora, às vésperas do segundo turno entre Dilma Rousseff e Aécio Neves, outra vez entre o PT e o PSDB, exatos 4 anos e um dia depois, é com bastante emoção e orgulho que exibo, em primeira mão, a declaração de apoio de Aldir Blanc à reeleição de Dilma Rousseff.

E que essa declaração corra a grande rede para que o Brasil tome conhecimento da posição tomada – e não poderia ser diferente – por um dos maiores artistas populares do Brasil. Obrigado, Aldir! Saravá!

declaração de apoio de aldir a dilma

Até.

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ALDIR BLANC E ANESCAR, CRIADOR E CRIATURA

A cidade do Rio de Janeiro viveu, na noite de ontem, um momento mágico e por uma razão muito simples: Aldir Blanc esteve na rua. Mais precisamente no bairro do Leblon, na livraria Argumento, para prestigiar o lançamento do livro Aldir Blanc – Resposta ao tempo, do jornalista Luiz Fernando Vianna. Não é meu papel, tampouco minha intenção, fazer o registro jornalístico da noite (feito aqui, pelo Sidney Rezende). Quero mesmo é lhes contar a história de um reencontro que eu, não escondo meu orgulho por isso!, arquitetei. Antes, porém, vamos ao ano de 2009.

Passamos a madrugada de 04 para 05 de agosto de 2009, eu e Leo Boechat, no bunker do Blanc, na Tijuca (leiam aqui sobre a inacreditável noite).

Aldir e Leo não mais se encontraram desde aquele agosto de 2009…

Deu-se que passou o tempo e poucas semanas depois da morte da Dani, em julho de 2011, acordei destruído determinado dia, ainda esfacelado por conta de tudo aquilo. Como “cada um tem a própria receita pra combater a desgraça”, um dos versos blanquianos que repito como mantra, ancorei no Bar Britânia, na Tijuca, pela manhã, a fim de combater, à base de ostras e cerveja, a dor que me consumia. Leo Boechat ligou-me, sacou o clima (coisa de craque) e disse:

– Tô indo praí.

Em menos de uma hora bebíamos juntos. Leo, profundamente alérgico a frutos do mar (e eu acho que foi pra me agradar, sei lá!) disse à certa altura que comeria “só a pontinha de uma ostra”. Assim foi feito e em segundos meu compadre estava vermelho (tendendo ao roxo), dramaticamente pondo as mãos no pescoço e tossindo. Liguei, imediatamente, pro meu Orixá vivo:

– Aldir? Tu lembra do Leo, aquele meu amigo que esteve aí no dia da entrevista do João?! – ele, do outro lado da linha, lembrou-se no ato.

Segui:

– Tava bebendo comigo, é alérgico a frutos do mar, comeu uma ostra e está tod… – fui interrompido.

– Leva o cara pro hospital agora! Agora! Ele vai morrer! Vai morrer!

Enquanto isso, Leo atravessava a rua de volta trazendo uma caixa de Polaramine, ainda vermelho e já tendendo ao cor-de-rosa. Explodiu meu celular, era o Aldir:

– E aí? E aí?

Contei tudo, atualizei o boletim, passei o telefone pro Leo (dia desses conto como também já tive consultas profícuas com o Aldir por telefone), desligamos, continuamos a beber, a tarde começou a cair como um viaduto e o telefone tocou de novo. Aldir, audivelmente emocionado:

– Edu…

– Oi.

– Eu sabia, eu sabia…

Fiquei em silêncio esperando…

– O Leo é o meu compadre Anescar do samba com o João… Escrevi sobre ele muito antes de conhecê-lo!

Explodi de rir e fiz o Leo explodir comigo diante da genial sacada do genial bardo.

Ontem, pouco antes de sairmos da livraria, minha Morena – que ganhou um abraço-benção do Aldir que quase me derrubou… – disse:

– Uma foto, uma foto de vocês três!

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Fez a foto.

E o Aldir, que já havia dedicado o livro do Leo para o Anescar, postou-se entre nós, abraçou-nos e disse: vamos cantar o samba que eu fiz pra ele.

Taí o registro.

Volto a falar sobre a noite de ontem. Por tudo, profundamente emocionante para mim.

Até.

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ESSE É O SOM DA MINHA TERRA

Eis-me de novo, hoje, recorrendo aos versos daquele que considero o maior dentre nossos letristas (e vejam que somos uma nação farta nesse quesito!): Aldir Blanc. Aliás, breve pausa: dá-me um prazer tremendo espalhar as letras de Aldir por aí (leiam Aldir Blanc e o ECAD, aqui). Não é raro que alguém me escreva pra dizer – “oh, eu não sabia que essa letra era do Aldir…” – e está aí, nessa revelação, o nascedouro desse prazer. O letrista, o poeta, o “ourives do palavreado” (apud Dorival Caymmi, sobre Aldir), a antítese da estrela que sobe ao palco, que grava o disco, que faz shows pelo mundo afora, é, nesse ponto, um injustiçado. E que seja, então, o Buteco, humilde trincheira com o objetivo de expôr a genialidade do caboclo.

É que, como eu lhes disse ontem, aqui, vem chegando o Carnaval – faltam agora apenas cinco dias, pouco mais de cem horas – e a minha ansiedade vai tomando proporções incomensuráveis. Não vejo a hora de mergulhar como um louco na espiral curativa dos cordões e dos blocos, misturado à ralé, à gentalha, aos prisioneiros, aos exus catimbeiros a fim de que a forja colorida me remodele a alma que me vaza em forma de sangue há muito tempo – e que quase me cega.

Com vocês, meus poucos mas fiéis leitores, na voz da Clarisse, do disco Novos Traços, Cravo e Ferradura, de Cristóvão Bastos e Aldir Blanc.

Primeiro foi um som leve
de peneira peneirando
o mar de idéias de um louco,
a água dentro do coco,
foi crescendo entre palmeiras
e tambores batucando.

Um balbucio, um rugido
um som de tragédia e circo,
um som de linha de pesca,
som de torno e maçarico.
Veio um som de escavadeira,
bate-estaca, britadeira,
um som que machuca e lanha,
um som de lata de banha.

Som de caco, som de tralha,
era um som de mutilados
quebrando gesso e muleta,
um som de festa e batalha.

Ah, era um som que me orgulhava,
som de ralé e gentalha,
era o som dos prisioneiros,
som dos exus catimbeiros,
ai!, era o som da canalha:
trovão, forja, baticum,
som de cravo e ferradura
Dez mil cavalos de Ogum!

Esse é o som da minha terra:
som de andaime despencando,
de encosta desmoronando,
de rios violentando
as margens do meu limite.

Samba, samba, samba,
pulsas em tudo que existe,
vazas se meu sangue escorre,
nasces de tudo o que morre.

Até.

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DAS CINZAS À RESSURREIÇÃO

Não é a primeira vez e não será a última que recorro aos versos de meu orixá vivo, Aldir Blanc, para compreender a vida, seus movimentos e meu momento. É que vem chegando o Carnaval e eu ando, assim, comovido feito o diabo. Fiz minha estréia hoje no Gigantes da Lira (fotos aqui), um amistoso, é verdade, porque a coisa começa à vera, mesmo, no sábado de Carnaval, com a saída do Cordão da Bola Preta, como lhes contei aqui. E durante o desfile de hoje, e o Gigantes da Lira é um bloco infantil, a criança é sua tônica, fui de novo uma criança no meio de tantas crianças, ansiosa pelo milagre do Carnaval. Sim, meus poucos mas fiéis leitores, porque eu creio no milagre do Carnaval – e mais do que crer, eu preciso dele!

O Carnaval – relicário de uma tradição – é a vitória da ilusão, e eu preciso, durante o tríduo, ser bordadeira, ser carpinteiro, ser escultor e artesão para armar um novo homem, à moda do Rio de Janeiro que se renova e se reinventa a cada golpe que recebe. Preciso ser ainda mais passional do que já sou, ter mesmo veias de serpentina, alma de isopor e purpurina para galgar os degraus que me levarão, após a missa campal do povo brasileiro, ao altar profano a fim de merecer a hóstia consagrada e a dádiva do milagre que há de acontecer com a intervenção do deus maldito – das cinzas à ressurreição.

Deixo com vocês, na voz de Beth Carvalho, melodia belíssima de Moacyr Luz, a sabedoria do bardo tijucano, Aldir Blanc. Há de ser – será! – uma profecia.

Carnaval
Relicário de uma tradição
Imortal vitória da ilusão
Carnaval, coração…
Bordadeira e carpinteiro
Armam outro Rio de Janeiro
Escultor, artesão
Carnaval passional:
Veias de serpentina
A alma de isopor e purpurina…
Carnaval, missa campal do povo brasileiro
Onde a hóstia sagrada é o pandeiro
Carnaval, celestial império do trambique
Onde o crente idolatra o repique
Rio que passa e que não passou
Chama devassa purificou
O meu sentimento na contradição de um ritual
Carnaval anormal:
O menino é menina
E o doutor Juiz é a bailarina…
O carnavalesco é um deus maldito
E isso é que é bonito: recriar a criação
Pamplona, Julinho, Joãozinho Trinta dão a pinta
Que nada se acaba quando é feito por paixão
Arlindo Rodrigues, Fernando Pinto, isso é lindo!
– das cinzas à Ressurreição!

Até.

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BOLA PRETA

Corria o ano de 2009, dia 20 de janeiro, e lá estava eu – como sempre – na festa de aniversário da livraria do meu coração, a mais carioca das livrarias da cidade, a Folha Seca, comandada pelo Comendador Rodrigo Ferrari. Samba comendo solto do lado de fora, na rua do Ouvidor, até que a noite foi caindo, restamos uns poucos no interior da livraria e encostei naquele sagrado balcão com meu copo americano e minha cerveja.

Chegou-se o legendário Zé Leal, chegou-se Gabriel Cavalcante (quando ainda não me era hostil) e chegou-se, também, o querubim Tiago Prata, apelido que lhe foi dado por Aldir  Blanc (vejam aqui como foi cravado o apelido).

Alguém fez a sugestão. Bola Preta, de Jacob do Bandolim e com letra póstuma de Aldir Blanc, genial como de praxe, e contando toda a história do histórico cordão. Ouso dizer, sem medo do erro, que só eu sei, de cabeça, de cabo a rabo, a imensa letra do bardo tijucano. Com o auxílio desses três craques – e eu não me lembro quem foi que registrou o momento – mandei bala.

Estávamos a poucas semanas do Carnaval, e o Bola Preta já fazia de mim um ansioso – tanto que cantei emocionado.

Até.

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O BÊBADO E A EQUILIBRISTA

Quando eu escrevi Uma noite na Tijuca, aqui, contando sobre a inacreditável tarde, a inacreditável noite que viveu-se, no dia 10 de setembro de 2007, no Estephanio´s Bar, durante as filmagens do filme Praça Saens Peña, de Vinícius Reis, exibi, também, um vídeo gravado naquela tarde, no qual o artista plástico Mello Menezes, acompanhado pelo violão certeiro de Tiago Prata (chamado de neto, naquela noite, por Aldir Blanc, está no texto!), interpreta de forma lancinante a belíssima Valsa do Maracanã, de Paulo Emílio e Aldir Blanc (é igualmente lancinante a interpretação do Prata, um craque).

Quero lhes contar, rapidamente, sobre a relação entre o Estephanio´s Bar e o Aldir.

O Estephanio´s, já lhes contei, ficava na esquina das ruas Ribeiro Guimarães e Artistas. O Aldir, que escreveu, inclusive, o belíssimo livro Vila Isabel – Inventário da Infância, passou grande parte de sua infância a poucos metros dali, na rua dos Artistas número 257, onde moravam seus avós Aguiar e Noêmia. Aquele bar era, portanto, de certa forma emblemático pra ele. E uma curiosidade: bares têm, quase todos, imagens de santos em seus balcões, em suas paredes, em seus altares pagãos. Lá, no Estephanio´s, tínhamos uma imagem gigantesca do Aldir Blanc, pairando sobre as cabeças dos freqüentadores. Talvez por isso o diretor do filme, Vinícius Reis, tenha escolhido o Estephanio´s para a gravação das imagens de cenas do filme que juntavam o ator Chico Diaz contracenando com o Aldir, no papel dele mesmo.

E o Aldir, se não era exatamente uma figura fácil entre os freqüentadores, até que foi muitas vezes – muitas! – ao Estephanio´s – tanto no antigo, na rua Visconde de Itamarati, como no da rua dos Artistas. Foi, cantou, tocou, varou noite, protagonizou muitas das mais bacanas noites naquele bar que, como lhes disse aqui, fez história na Tijuca. Foi até enredo do bloco do pedaço, o Segura pra não cair, cujas fotos disponibilizei aqui, e escreveu aquela que é a mais bela página da história do bloco: quando o enredo, no ano seguinte, em 2005, foi o João Bosco, Aldir desfilou e, à certa altura fez sinal e pediu silêncio à bateria. Chamou o violão do bloco, disse algo em seu ouvido, fez o mesmo com o João e os dois, para delírio absoluto dos milhares de presentes, cantaram juntos O Mestre-Sala dos Mares. Vamos voltar à noite do dia 10 de setembro de 2007.

Uma vez desmontado o set de filmagens, ficamos todos para a noite que se anunciava inesquecível.

O que quero lhes dizer, hoje, e lhe mostrar, é um tesouro. Ontem à noitinha a Gisela Camara, assistente do Vinícius Reis, avisou-me que tinha descoberto um vídeo muito especial, encontrado por acaso enquanto remexia em suas coisas, seus registros, seus materiais. E era, de fato, um tesouro.

O vídeo mostra Aldir Blanc cantando um de seus clássicos, O Bêbado e a Equilibrista, acompanhado, mais uma vez, pelo genial Tiago Prata, à direita do bardo tijucano, de vermelho. À direita do Prata, eu. À minha frente, à esquerda do Aldir, Mary Blanc, que dá uma força ao Aldir, travado pela emoção à certa altura da letra (notem que a voz falha quando canta-se o “irmão do Henfil”…). Vê-se Rodrigo Ferrari, já quase no final do filme, no canto à direita da tela. E a voz que emenda com o tema de Chaplin, terminada a música, é do grande Mello Menezes.

Meus agradecimentos públicos à Gisela e a Tainá, que fez o registro. Um momento, sem sombra de dúvida, pra sempre na minha melhor memória, e que agora divido com vocês, meus poucos mas fiéis leitores.

Até.

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