Arquivo do mês: julho 2007

>E DURANTE MINHA AUSÊNCIA…

>

… meu irmão Luiz Antonio Simas, do mais-que-fundamental blog HISTÓRIAS DO BRASIL, não deixou a peteca cair!

Leiam aqui!

Até.

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BALANÇO DE MINHA PRÓPRIA AUSÊNCIA

Eis-me aqui, de volta ao balcão virtual do BUTECO, depois de uma ausência forçada de dezenove dias – sou preciso até para isso. Sinto-me, pois, na obrigação – é preciso fazer a pungente declaração – de dar uma brevíssima satisfação a vocês, meus poucos mas fiéis leitores, explanando sobre as razões que me levaram à ausência, ao silêncio, ao afastamento.

Recebi, durante esse período, emails comoventes de gente – é impressionante isso! – preocupada com meu sumiço.

É a essa gente que me dirijo.

E a mim mesmo, que fique claro.

E dirijo-me a mim mesmo pois preciso expurgar o que me consome por dentro, o que me corrói como ácido letal, o que me arruina e me aterra como um pesadelo que sobrevive à noite e que persiste durante o dia.

Passei – a foto abaixo é exata visão do que vi por longos cinco dias – fabuloso período de, digamos, férias, ao lado da minha Sorriso Maracanã, em Pouso da Cajaíba, pequeno paraíso que fica a cerca de duas horas de barco de Paraty.

Pouso da Cajaíba, 25 de julho de 2007

Pausa… Estive também em Paraty, por uma noite, quando de lá voltamos. Fedia, ainda, à FLIP, mas foi agradável.

Voltando.

Antes de nossa ida para Pouso da Cajaíba, porém – lembrem-se lendo isso aqui -, recebemos em casa esse homem que dedica-se, com a paciência de um Aleijadinho, a me destroçar.

Fernando Szegeri veio, dessa vez, como diria minha mãe, com a família trololó em peso. Nunca entendi bem essa expressão que aprendi com mamãe. Mas os diálogos que eu ouvia eram assim:

– Fulana foi, Mariazinha?

– Foi.

– Sozinha?

– Não. Com a família trololó a tiracolo!

Ou então:

– Mariazinha, você vem com o Isaac?

– E com a família trololó também!

Feita a explicação, estando claro que “família trololó” significa todo-mundo-ao-mesmo-tempo-agora, vamos em frente.

Vocês hão de se recordar, lendo isso aqui, que eu tenho verdadeira aversão ao empréstimo de livros. Escrevi, vejam bem, que:

“Eu não empresto livros em nenhuma hipótese, e empresto ao “nenhuma” a ênfase szegeriana. Não é que eu desconfie do caráter do sujeito a quem emprestaria o livro, em absoluto. Mas é regra pétrea esse troço de emprestar o livro e o livro nunca (szegerianamente de novo) voltar. Simples. O sujeito lê, guarda na intenção de um-dia-eu-devolvo e fica por isso mesmo.”

E o que fez Fernando Szegeri?

Demonstrando que diverte-se com meu sofrimento, ainda de pijamas, na manhã em que partiria para São Paulo, apalpando um livro de Nelson Rodrigues tirado da estante do corredor, disse apalpando capa e contracapa, como se analisasse uma peça de picanha maturada:

– Hummm…

Um “hummm” dito pelo Szegeri mete-me medo, dá-me as piores sensações.

– O que foi?

– Esse eu não li… – disse enigmático.

– Não?

– Vou levar! – e meteu o exemplar debaixo do braço esquerdo, dirigindo-se ao banheiro, onde ficou – sua média diária durante a estadia, diga-se – uma hora e meia.

Vejam isso!

Não pediu-me emprestado (e eu não conseguiria dizer “não” a ele, por puro pânico).

Não disfarçou.

Não foi sutil.

Quando saiu do banheiro, vestindo um puidíssimo roupão azul de listras brancas e chinelões dignos de um bisavô centenário, perguntei ajoelhado diante da porta (protagonizando uma cena patética, diga-se):

– Leu?

Ele riu.

Apenas riu.

Tinha meu livro na mão direita, e foi com ela (com a mão direita) que deu sete batidinhas no alto de minha cabeça, dizendo ritmado:

– Vou-le-var-pra-São-Pau-lo! – para explodir, então, numa gargalhada sardônica.

No dia seguinte parti para Pouso da Cajaíba com Dani.

Vivi momentos de lua-de-mel no Haiti, é verdade.

Mas a obsessão do livro perdido (eu sei que ele JAMAIS me devolverá a obra) foi a causa de pesadelos, calafrios, tremores, perguntas sem sentido dirigidas a caiçaras que de nada sabiam, tragédia particular que por pouco, por muito pouco, não estragou meu merecido descanso.

Até.

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>ELE ESTÁ PRA CHEGAR

>

Meus poucos, mas fiéis leitores, tomem nota: a festa de abertura dos Jogos Panamericanos vai parecer uma rodinha inocente de ciranda durante o recreio de uma turminha qualquer de Jardim da Infância diante da festa que se anuncia para receber esse mito amazônico, esse ser que guarda na barba o segredo das matas que conhece como à palma da mão, esse monstro que atende pelo pomposo nome de Fernando José Szegeri.

Sim, ele está pra chegar.

Fernando Szegeri

Nós, eu e minha Sorriso Maracanã, uma vez mais, humílimos, o receberemos em nossa igualmente humílima casa, na Tijuca. E por dez dias.

Ocorre que, dessa vez – talvez pela extensão da visita -, há um rebuliço no pedaço.

Papai, quando soube da vinda do homem, com o garfo e a faca apontados para o teto, o garfo na mão esquerda e a faca na mão direita, gritou:

– Eles ficarão aqui em casa!

Tentei argumentar:

– Mas já está tud…

Virou-se pra mamãe e disse, afagando suas mãos:

– Desculpa, filha…

E olhando-me nos olhos:

– Foda-se. Eles ficarão aqui em casa!

Beberiquei, ontem à noite, em casa, com Luiz Antonio Simas, que planeja roteiros inacreditáveis para meu (posso dizer “nosso”) irmão paulista. Rodrigo Folha Seca, esse poço artesiano de doçura, com quem encontrei-me na tarde de segunda-feira passada, quando estive na livraria do meu coração para uma, digamos, visitinha de praxe, cravou as mãos enormes (o Folha Seca tem as maiores mãos de que se tem notícia) no meu tímido braço e com os olhos saltados emoldurados por cabelos imensos e desgrenhados (ele parece estar usando fones seculares de ouvido) perguntou obcecado:

– Quando o Szegeri chega? Quando? – e babava.

O Prata, até o Prata, me ligou insofrido:

– O Szegeri vem quando?

Eu, já de saco cheio do papel, devolvi:

– Pra quê você quer saber?

– Preciso fazer as unhas antes.

Vejam vocês o que vem por aí.

Fefê faz acertos em sua escala de trabalho. O Pepperoni está visivelmente mais excitado, num abanar de rabo que não cessa. Ontem – é preciso dizer – foi o Bruno Ribeiro quem recebeu o Szegeri, em Campinas, e a cidade nunca mais será a mesma. Já soube que o Szegeri não pagou nada, nem as passagens de ida e de volta.

Definitivamente o homem é um mito.

Parei, há pouco, de escrever.

Tocou o interfone.

Era o porteiro, Eduardo:

– É verdade que aquele barbudão chega amanhã?

Eu disse, incrédulo:

– É.

– Oba! – foi o que disse meu xará.

Até.

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MINUCA PROS AMIGOS

Estive, no final de semana que passou, na mais-que-aprazível cidade de Volta Redonda, para comemorar o aniversário da Mamaia, uma dentre as incontáveis tias da Dani, a quem adotei como minha faz tempo. Chegamos na sexta-feira tarde da noite, a festa seria no sábado à noitinha, e já na manhã do sábado acordei com uma obsessão etílica e resmungei de boca cheia:

– Preciso encontrar aquela cachaça…

– Qual? – respondeu-me o Comandante, meu legendário sogro.

– A Minuca. Andam dizendo por aí que é das melhores do Brasil…

O Comandante, hiperbólico como um senador romano, deu uma espécie de urro que fez tremer a cozinha. Sumiu pelo corredor e voltou com uma garrafa na mão. Era ela. A Minuca.

Afastei o pires com a xícara ainda cheia, dispensei o cafezinho, empurrei o pratinho com o sanduíche de presunto e queijo no pão francês e servi-me da cachaça, que estava fechada.

Um assombro.

Comandante com os olhos arregalados:

– Boa? Boa?

E eu, fazendo cena, de olhos fechados, cheirando o copo, disse:

– Quantas você tem?

– Uma.

– Vamos à Bananal!

E fomos.

Sem mais delongas, meus poucos mas fiéis leitores, estive na Chácara Santa Inês, em Bananal, e lá fomos atendidos por uma senhora simpaticíssima. Eis o resumo do diálogo:

– Bom dia.

– Bom dia.

– Eu gostaria de comprar umas garrafas de Minuca…

– Pois não… O senhor já conhece?

– Já.

– Qual?

– Tem mais de uma?

– É que temos a Minuca envelhecida em tonéis de jequitibá-rosa, de carvalho e de peroba-do-campo…

– Ah! Só conheço a do jequitibá…

Ela, gentilíssima, pediu licença e voltou com um pratinho com aipim frito.

Serviu-me das outras duas.

A de jequitibá, na minha modestíssima opinião, é infinitamente superior.

Ao que eu disse:

– Vou levar.

E ela me estendeu uma garrafa.

Eu ri.

– Quero treze, minha senhora… aliás… como a senhora se chama?

– Minuca!

cachaça Minuca

Descansam aqui em casa, então, onze – duas eu já dei de presente – garrafas do tesouro.

Sobrarão poucas.

Mas sobrarão.

Até porque eu já conheço o caminho do pecado.

Até.

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>DIVIDINDO ANGÚSTIAS – PARTE II

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Conforme lhes prometi aqui, conto hoje sobre a segunda razão pela qual eu sou, desde a semana passada, um ser em estado agudo de angústia.

Antes, porém, uma alvissareira notícia: acabou a porra – peço perdão pela incontinência verbal – da FLIP. E eu ODEIO, de modo maiúsculo, a porra da FLIP, como já lhes contei aqui. Lá, durante a porra da FLIP, há (e houve, seguramente, eu não preciso estar lá pra saber disso…) um permanente desfile da tribo abjeta dos que se dizem descolados. E confesso que esse ano, especialmente esse ano, em que o homenageado foi Nelson Rodrigues, o maior, minha ojeriza atingiu o pico. Vivo fosse e ele JAMAIS – com a ênfase szegeriana – teria estado em Parati, misturado à canalha que geme com um livro de capa lindíssima na mão enquanto tropeça nas pedras irregulares da cidade histórica durante a porra da FLIP mas que ao longo do ano é incapaz de ler um prefácio que seja. Fechando: quando você lê, desavisadamente, no blog alheio, a frase “fliparemos todos”, aí o vômito é inevitável. Dito isto, em frente.

Em frente e voltando ao tema!

Bateu-me o telefone, na sexta-feira passada, o Szegeri. Minto. Enviou-me, o bom barbudo, uma mensagem para o aparelho celular. Enigmática, como sói acontecer:

“Encontre-me às sete da noite no bate-papo do Gmail”

Notem que o tom foi exatamente esse – o de uma ordem, a qual eu obedeci, é claro, como obedeço sempre – e que é exatamente essa a realidade que se destaca do fato: o Szegeri JAMAIS bate o telefone pra mim (ou muito raramente). Eu recebi no final da semana passada, quero fazer a confissão pública, minha conta telefônica. Apenas com ligações para o Szegeri (o que inclui ligações do meu fixo e do meu celular feitas para seu celular, para sua casa ou para seu trabalho) eu gastei – façam silêncio – OITOCENTOS REAIS. E pedi a ele, a título de curiosidade, que me mandasse por fax sua conta de telefone. Eis o que me doeu e que ainda agora me dói… Não há, em toda a extensa conta telefônica do Szegeri, uma única ligação tendo a mim como alvo. Há, isso sim, uma aridez impressionante de meus números naquelas incontáveis folhas que compõem suas contas telefônicas.

Isso se deu por volta das treze horas. Fui, então, creiam firmemente nisso, um homem catatímico dali em diante. Houve, em mim, uma tal ebulição de excitação graças àquela mensagem, que eu não fui capaz de mais nada, a não ser ficar olhando, compulsivamente, os ponteiros do relógio à minha frente, fazendo contas e imaginando o que me seria dito por meu irmão paulista.

Mas o troço não parou ali, naquela mensagem que ficou arquivada em meu aparelho celular. Mandou-me, o dono daquela barba amazônica, email às duas e meia, mais ou menos:

“—– Original Message —–
From: Fernando Szegeri
To: Eduardo Goldenberg
Sent: Friday, July 06, 2007 2:27 PM
Subject: a conversa de hoje

Esteja às sete horas em ponto à minha espera. O assunto é muito urgente. E não me pergunte nada por email. Não tenho tempo para você agora.

Fernando Szegeri

Visite minha revista “Só dói quando eu Rio…”
http://sodoiquandoeurio.blogspot.com

——————————————————————————–

No virus found in this incoming message.
Checked by AVG Free Edition.
Version: 7.5.476 / Virus Database: 269.10.1/888″

Quem me conhece minimamente sabe o que foi capaz de gerar em mim o teor do email acima transcrito.

Dentro de minha cabeça, no interior da minha caixa craniana, ecoava, num eco de cem mil vozes em uníssono, a frase curta “o assunto é muito urgente, urgente, gente, gente, ente, ente, ente, o assunto é muito urgente, urgente, gente, gente, ente, ente, ente…” e até febre eu tive.

Tive febre e não suportei. Bati o telefone pro Szegeri. E ele, numa impiedade jamais vista, não me atendeu. Liguei uma, duas, cinco, dez, doze vezes. Na décima-terceira, ele atendeu:

– O que foi, porra?! Não posso falar!

E bateu com o telefone no gancho, humilhando-me ainda mais.

Vai daí que o relógio marcou dezenove horas. Eu estava há mais de meia-hora, num plantão de enfermeira de CTI, à espera de um sinal de vida seu. Foi quando acendeu-se a luz verde que indicava Fernando Szegeri on line. Eu disse, sôfrego e com a respiração curta:

– E aí? E aí?

– E aí o quê?

– O que você queria me contar? Muito urgente. O quê?

– Nada.

Quebrei o mouse, de ódio, diante dessa resposta.

Arranquei o mouse de outro computador, conectei-o à minha máquina, e disse, minutos depois:

– Nada?

– Nada.

Respirei fundo.

– Mas você disse que queria falar comigo…

– E quero.

– Então diga… – eu esfregava as mãos como se quisesse produzir fogo.

– Estou indo ao Rio.

– Sim. E?

– Vou ficar na sua casa.

– Sim. E?

Em condições normais eu já estaria feliz com a notícia.

– E vamos ficar 10 dias hospedados aí.

– Sim. Mas e aquele assunto urgente?

– Aí eu te conto.

– Não… Não… Por favor, conte…

Eu estava tentando fingir calma com as reticências, mas fervilhava e socava a mesa como um tocador de tímbalo.

– Pessoalmente.

– Mas você não disse que me contaria por aqui?

– Mudei de idéia.

– Adiante-me o assunto.

– Não.

Tentei argumentar mas o ímpio desconectou.

Sei que chega ao Rio ainda esta semana.

E só.

Até.

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>DIVIDINDO ANGÚSTIAS

>

Hoje, ainda sem tempo – eu ando sem tempo, eis a razão para nada ter escrito ontem, o que gerou uma dúzia de emails de gente ralhando feio comigo – quero dividir com vocês, meus poucos mas fiéis leitores, dois troços que, confesso, estão me angustiando de forma atroz.

A primeira: faz anos, hoje, a Candinha. Sabendo disso – sou uma espécie de agenda ambulante – bati o telefone pro Simas ontem à tarde:

– A que horas sai para o trabalho, amanhã, a Candinha?

– Oito e meia.

– Ótimo. Vou mandar entregar flores antes disso.

– Antes disso? – e riu – Impossível!

Como eu sou um sujeito que obedece, sempre que possível, aos preceitos de Vinícius de Moraes

“É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista – muito mais, muito mais que na modista! – para aprazer ao grande amor.”

… eu tenho meu florista de confiança, na Tijuca, evidentemente. Por isso eu respodi ao Simas:

– Antes das oito, querido. Obrigado!

Desligamos.

Desligamos e eu fui, dali em diante, um sujeito imaginando a cena da entrega das flores. Escolhi as rosas, escolhi as trinta rosas, a cor das trinta rosas, e tratei de tudo com o Marcelo e com a Adriana, fazendo a recomendação repetidas vezes:

– Antes das oito, hein!

E o Marcelo, bolorento como eu:

– OK!

Dei-me por satisfeito.

– A Candinha merece… – fui caminhando pra casa falando sozinho.

E de fato merece.

A Candinha é uma moça extremamente “sweet” – como diz minha Sorriso Maracanã. A doçura em pessoa, provoca em mim evocações que tomo como inabaláveis verdades.

Está para nascer a menina. A família, de Campos e em Campos, reza, em conjunto e de mãos dadas, no corredor do hospital, enquanto aguarda a notícia alvissareira que há de vir da sala de parto.

Luiz Antonio Simas, então com nove anos de idade, bebe uma garrafa de Grapette calmamente sentado, de pés descalços, diante da casa da avó, em Nova Iguaçu.

Ao que nasce a menina, Luiz Antonio Simas deixa cair – e quebrar – a garrafa de Grapette. Só perceberia o por quê daquela estranha sensação, naquele instante, anos depois.

Ao mesmo tempo, em Campos, a enfermeira exibe a criança, como um troféu, através da gigantesca vidraça, para a família emocionada, que enxuga lágrimas coletivamente num coro de “ohs” e “ahs”. Alguém diz ao pai:

– Como se chamará?

E ele, embevecido diante daquele corpinho alvo que lhe é exibido, envolvido numa manta cor-de-rosa, diz, atropelando-se em soluços intermitentes:

– Com esse rostinho e essa expressão… Chamar-se-á Candida! Candida!

Eis aí um caso agudo de precisão impressionante entre o nome e a criatura, entre a criatura e o nome. Você, por exemplo, dá de cara com a Candinha na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê (perdão por esse troço horrível, mas foi, como direi?, praticamente psicografado) e diz:

– Lá vai uma cândida…

E quando descobre que pode e deve usar o “c” maiúsculo, aí sim, dá-se a maravilhosa sensação da descoberta da magia da coisa. Dito isso, em frente. Ou melhor… Voltando!

Quero lhes contar da minha angústia.

Aliás, eu dividiria com vocês, hoje, duas angústias. Mas como estou me alongando demais, fico apenas com essa. Na segunda-feira conto-lhes a segunda.

Bateu-me o telefone, há pouco – são quase três da tarde! -, justamente, a Candinha.

E preciso confessar que desde às oito da manhã eu vivia uma espécie de febre de ansiedade, uma coceira espiritual que mais parecia uma urticária do ectoplasma. Roí as unhas, liguei para o florista às oito e cinco – quando ele me confirmou a entrega -, chequei a bateria do celular, verifiquei emails, e nem sinal da Candida.

Atendi, sôfrego – e fingindo desinteresse:

– Olá, querida! Parabéns! – por dentro, a cobra da ansiedade me devorava.

E as flores?, eu gemia internamente.

E ela, dulcíssima:

– Ai, Edu… Obrigada pelo cartão…

Pensei: pronto! Só gostou do cartão! Nem falou das flores.

Eu:

– De nada, querida, não há o que agradecer…

Foi quando ela emendou:

– … o Simas leu pra mim… Lindo! Obrigada! E agradeça à Dani…

Aterrei-me.

O SIMAS LEU?????

Susurrei:

– Mas… mas… não foi você quem as recebeu?

E ela, saltitante:

– Não! Hoje eu saí cedíssimo! Por que?

– Ora, ora… por nada…

E desligamos depois das palavras de praxe.

E eis minha angústia.

Luiz Antonio Simas, esse carioca máximo, esse brasileiro fundamental, esse amigo imprescindível, não tem, aparentemente, o menor talento para a jardinagem.

O que terá feito com as trinta rosas que escolhi, meticulosamente, na quinta-feira à noite? Candinha as encontrará murchas, murchíssimas, sobre a pia da cozinha? Ou no chão, e Mariazinha, a fera que o casal mantém em casa, terá devorado pétalas e folhas?

Estou, como se vê e como diz com propriedade meu mano paulista, Fernando Szegeri, pior a cada dia.

Até.

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>BABAQUICE TEM LIMITE

>

Anseio, veementemente (redudância proposital), pelos comentários do camarada Favela a este troço que exponho hoje, puto dentro das calças, no balcão virtual do BUTECO. Mais que os do Favela, anseio pelos comentários de seu irmão Bruno, um sujeito que tem, visivelmente, a Tijuca dentro de si. Como anseio pelas palavras, que serão seguramente delicadas, do Daniel, o santista, um cara que tem – vê-se pelo desenho de seu corpo – vaidades agudas com a aparência.

Algo como o que escreveu o Favela quando publiquei BANHO DE CAPUCCINO – leiam aqui:

“Olha, aqui pelas bandas cinzentas, se alguém da Barra Funda aparece numa porra dessas, vai ter que mudar pra Moema.

Veja só, Edu: jogo futebol todos os domingos. Pô, na várzea é porrada pra cá, cusparada pra lá, e um belo dia, um jogador novo do nosso time chegou com o peito raspado, alegando: “minha namorada pediu”.

Pegamos o metrossexual à força e arrancamos boa parte da sobrancelha dele…

Agora, ele só joga em playbolls com outros fresquinhos.

Fico puto com essas viadagens! Vaidade de cu é rôla, como você diz.”

Vale lembrar que a viadagem do banho de capuccino é moda na Barra Cada Vez Menos da Tijuca, e que foi o caderno BARRA do JB que publicou aquela matéria-de-merda.

E vejam que nova pérola publica hoje o mesmo caderno do mesmo jornal…

matéria publicada no caderno BARRA, do JB de 04 de julho de 2007

Ah… não é uma tendência gay?

Então tá.

Com vocês, o pessoal da Tijuca e da Barra Funda… Fiquem à vontade!

Até.

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