Arquivo do mês: janeiro 2010

>REBOUÇAS: PORTA DE ENTRADA DO RIO?

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O prefeito anti-carioca, Eduardo Paes, que fala besteira como quem respira, soltou mais essa:

Repitamos: “O Rebouças é a entrada do Rio, para o visitante que chega. O importante é que ele vai se tornar um túnel de uma cidade civilizada. Hoje, parece um túnel de uma cidade antiga.”.

Não vou nem entrar no mérito de outra burrada solta no meio da frase do infeliz. Só uma besta, da cabeça à sola dos sapatos, para confundir conceitos como civilização e antigüidade – isso é assunto pra outro canto, não pra cá. Vamos ao que nos interessa, comecemos com um exemplo.

Bruno Ribeiro é carioca exilado em Campinas. Vez ou outra, vem ao Rio. É, portanto, turista. E NUNCA, pelo que me consta, atravessou o túnel Rebouças para precisar estar no Rio – refiro-me ao verdadeiro, ao Rio em estado bruto, ao Rio que eu amo.

O turista não precisa atravessar o túnel Rebouças para conhecer a cidade (como fez Roberta Sudbrack em recente safári, quando confundiu Madureira com a Jordânia). Não precisa mesmo. Já que estamos perto do Carnaval, e hoje é dia de Flamengo e Fluminense, vejamos.

O turista quer ir ao jogo, ver a torcida do Flamengo? Estádio do Maracanã, Tijuca, zona norte. Mais à noite quer ir assistir ao ensaio técnico da VILA ISABEL? Sambódromo, Catumbi, zona norte. À noite, quer encarar a melhor pizza do Rio de Janeiro? PIZZARIA DOM COSTA, rua do Matoso, Tijuca, zona norte. Prefere cozinha chinesa, a melhor do Brasil? HUAN LIAN, Tijuca, zona norte. Pela manhã, sol e água fresca sem as praias lotadas onde tudo é proibido pelo alcaide? Floresta da Tijuca e suas cachoeiras, ou o MONTANHA CLUBE e sua cachoeira particular, ambos na zona norte. Quer conhecer a quadra de uma escola de samba? Só na Tijuca e adjacências há o SALGUEIRO, o IMPÉRIO DA TIJUCA, a VILA ISABEL, a quadra da ESTÁCIO DE SÁ. Como diz Luiz Antonio Simas, está na Tijuca o maior pólo tecnológico do Rio de Janeiro: CEFET, a PETROBRAS, tudo numa rua só. E eu poderia ficar aqui, meus poucos mas fiéis leitores, desfiando as vantagens da zona norte e a mais absoluta desnecessidade de atravessar o Rebouças para conhecer o que há de melhor na cidade do Rio (para o lado de lá há pose, há pose, há pose).

Salve a Tijuca, o Catumbi, o Centro da cidade, o Bairro de Fátima, a Lapa, a Cinelândia, a Gamboa, São Cristóvão, Estácio, Grajaú, Alto da Boa Vista, Muda, Usina, Vila Isabel, salve o Méier, o Engenho de Dentro, o Engenho Novo, Madureira, Oswaldo Cruz, Andaraí, Benfica, o Cachambi, Del Castilho, Inhaúma, Bonsucesso, Bangu, Olaria… salve a zona norte, a zona forte da cidade!

Faz um troço, prefeito: descobre a porta de saída do Rio e vaza!

Até.

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NEM MUDA NEM SAI DE CIMA

Como lhes contei aqui, desfilou ontem o NEM MUDA NEM SAI DE CIMA, na Tijuca, homenageando – merecidamente – Moacyr Luz. Bonito o desfile, bonito o que escreveu o enredo, hoje, em seu blogaqui:

“Essa história de bloco deveria ser tratada com fichinhas tipo BA – BLOCOS ANÔNIMOS. A gente vicia na emoção que esse estatuto traz, perde e ganha amigos, rifa a alma pra conseguir comprar as camisas, convence um craque amigo de criar a estampa consagradora, jura que será a última vez que se mete nisso, mas quando a bateria cadencia, chora… O desfile desse ano do “Nem Muda Nem Sai de Cima” me deu nó na garganta. Fui o enredo. Acostumado a homenagear, fui pego de supresa na emoção, nasceu um riso na boca que só amenizou quando amanheci repetindo o último verso – “Cabô, meu pai, cabô…”. O arredor desse estado todo é a cidade. As pessoas chegam de bairros distantes, ouso dizer que conheço todos. Vêm do Méier, Copacabana, Irajá, Baixada Fluminense. Uns deixaram o churrasco na birosca da esquina pra alimentar de canto o rio de gente que transborda à rua. Outros não quiseram se bronzear, cruzando o túnel que separa status pra abraçar a Muda com seus apêndices – Formiga e Borel. Vejo os ambulantes suados. Carregam gelo nas costas, abanam com a outra mão o braseiro de asinha e salsichão. Agora um latão é tres, dois é cinco! Os rolimãs numa ladeira tangeciam nossos corpos enquanto o carro de som cresce na microfonia do intérprete. Meus queridos Gabriel, Pedrinho e Guilherme gesticulam animados uma garrafa de maracujá. O mestre Capoeira pede atenção ao cavaco, vem aí a Bateria do Império da Tijuca. Mesmo longe da passarela, eu recuo. Na outra margem correm as caixas pro foguetório: só pode durar 30 segundos, ordem da prefeitura! Hoje tem corda no bloco protegendo os ritmistas. Sai a primeira estrofe, e, junto com as rimas, o primeiro morteiro… “Aplausos, pois o samba somos nós”. Não sou da Polícia Militar pra contabilizar o público. Acho que, feito a final de 50, o Rio de Janeiro compareceu. Basile e Lula subiram pra pedir à São Pedro que não chovesse, destino contínuo dos nossos desfiles, e o bloco saiu pela Garibaldi, itinerário tijucano que inclui um congestionamento da Conde de Bonfim. Percebi que tempo passou, 15 anos. As crianças que habitavam os primeiros enredos, hoje são pais de novos foliões. O coração permanece amarelo e vermelho, cores da nossa bandeira. Eu saí da Tijuca, mas a Tijuca não saiu de mim. Até a garça do Rio Maracanã me acenou. Só não fui à dispersão porque o coração engasgou na boca, os olhos molhados não enxergariam meus diretores pra agradecer. Juro que foi a última vez, mas a bateria cadencia, o peito acelera e…”

Ao lado de dois de meus afilhados – Felipe (no meu colo, na foto abaixo) e Helena – e com uma garrafa de Red Label no bolso, presente do Pavão, eu fiz a festa.

A lamentar, apenas, o fato de que não consegui comprar, e pela primeira vez em 15 anos, uma camisa do bloco. Não havia o meu tamanho…

Até.

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>NÃO FIQUE DE FORA DESSA!!!!!

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Já são vinte e três vinte e cinco as camisas encomendas para o sensacional desfile (concentra mas não sai) do bloco NEM MUDA NEM SAI DO SIMAS. Não fique fora dessa! Até leitores de São Paulo estão engrossando o cordão. Custam R$ 33,00 (trinta e três reais) e podem ser encomendadas por aqui.

Até.

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>2 de FEVEREIRO, DIA DE YEMANJÁ

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Estamos aí, há poucos dias do dia 2 de fevereiro, dia de festa no mar, dia em que quero sempre ser um dos primeiros a salvar Yemanjá.

(a propósito… vocês já conhecem o site oficial do Caymmi? Imperdível, aqui)

Hoje, sábado, deixo com vocês, no balcão do BUTECO, RAINHA DO MAR, do próprio, na voz da Leci Brandão.

http://www.divshare.com/flash/playlist?myId=10323676-4da

Até.

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>BOLETIM – NEM MUDA NEM SAI DO SIMAS

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Como vocês já estão carecas de saber – como eu e o homenageado – vejam aqui, nasceu dia desses, num buteco às margens do rio Maracanã, na Tijuca, o bloco carnavalesco NEM MUDA NEM SAI DO SIMAS, criado por fãs incondicionais da caneta, do coração e das idéias desse brasileiro máximo que é Luiz Antonio Simas, historiador maiúsculo, professor as 24 horas do dia, dono do melhor blog do Brasil, o HISTÓRIAS BRASILEIRAS.

Então é o seguinte, já que carnaval é isso também: furdunço – e é preciso termos em mente que a idéia surgiu de um lampejo luminoso! – e desorganização absoluta. Quem quiser, mesmo, a camiseta (notem que a camisa é Hering, de qualidade, portanto) é só mandar um e-mail para a direção do bloco, por aqui, de preferência avisando nos comentários a este texto que o pedido foi feito por e-mail, até mesmo para que o BUTECO tenha exata noção do sucesso da idéia. Basta um “EU QUERO UMA!”, ou “EU QUERO DUAS!”, por aí.

Todas as camisas são brancas e os tamanhos são P, M, G, XG e XXG (que é o meu caso, é claro). Para os casos expeciais, há tamanhos a partir dos 2 anos até o 5G, violentamente gigantesco! O problema – confesso – é o preço (mas o troço vale, o mito vale!). Cada camisa sai por R$ 33,00. Para quem for de fora do Rio, posso fazer de duas formas: envio através de SEDEX A COBRAR ou SEDEX normal, ao custo de R$ 30,70 (o que significa dizer que até 4 camisas podem ser enviadas a este custo, desde que para o mesmo endereço). Todas as tratativas neste sentido devem ser feitas pelo e-mail da direção do bloco, não esqueçam disso, este aqui.

A data do desfile já está definida, dentro do esquema concentra mas não sai. O NEM MUDA NEM SAI DO SIMAS reunir-se-á no sábado, dia 06 de fevereiro de 2010, a partir das 15h, no BODE CHEIROSO, comovente espelunca na rua General Canabarro, na Tijuca, em frente ao antigo edifício da TELERJ.

O samba está sendo composto por diversas mãos. E o tema – o Diretor de Carnaval, ÁLVARO COSTA E SILVA rejeitou, peremptoriamente, a idéia de “enredo” – será “MANOELZINHO MOTTA, HONRA E GLÓRIA CARIOCA”.

Até.

P.S. 1: já são, até o momento, vinte vinte e uma camisas encomendadas!

P.S. 2: as camisas até então encomendadas já estão à disposição de seus donos na livraria FOLHA SECA, na rua do Ouvidor 37, com exceção da de Julio Vellozo, já postada para São Paulo por SEDEX, e das da minha menina, de Renata Werneck e de Álvaro Costa e Silva, que serão entregues na próxima mensana;

P.S. 3: os pedidos devem ser feitos impreterivelmente por e-mail, aqui.

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>CENAS TIJUCANAS

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No JB de amanhã, sábado (cliquem na imagem para ler a crônica)!

crônica publicada no JB de sábado, 30 de janeiro de 2010Até.

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A VILA NA 28 DE SETEMBRO

Nenhum de nós, ali, bebeu com Nöel ou foi com ele ao bordel. Mas tínhamos todos a intenção, lúdica, imaginária e efetiva de estarmos próximos do poeta da Vila, da energia da VILA ISABEL, que promete fazer baixar o malandro na avenida no desfile de 2010. E ele baixou, meus poucos mas fiéis leitores, já no ensaio de quarta-feira passada na 28 de Setembro, coração do bairro. Encontrei-me com Luiz Antonio Simas, sua Candinha e Claudio Renato, diplomado naquelas pedras das calçadas musicais, morador da Praça Sete, por volta das 20h, no PETISCO DA VILA, na esquina da 28 com a Visconde de Abaeté, a fim de preparamos o músculo do lado esquerdo do peito pra pedrada que – sabíamos – estava por vir.

Luiz Antonio Simas, Candinha e Claudio Renato, PETISCO DA VILA, 27 de janeiro de 2010

Ficamos ali coisa de – o quê? – uma hora, uma hora e meia, até que a bateria começou a fazer barulho, sabem como?, aperta o couro daqui, afina a cuíca dali, esquenta os tamborins, que foi quando pedimos a conta e partimos pra avenida.

Encontrei uma porção de amigos, encontrei minha comadre, encontrei com a rapaziada do morro dos Macacos, do Pau da Bandeira, com a rapaziada que durante anos foi responsável pelo suingue do SEGURA PRA NÃO CAIR, bloco que mantive por 5 anos, entre 2001 e 2005, ali pertinho, na Vila mesmo, limite com a Tijuca.

Quando Tinga, puxador oficial da escola, começou a cantar “Tão bonita a nossa escola, é tão bom cantarolar…”, foi difícil segurar a emoção. Quando a bateria, sob o comando do mestre Átila, entrou pra acompanhar o povo, foi ainda mais difícil. E foi impossível, meus poucos mas fiéis leitores, segurar o choro e a emoção quando milhares de vozes louvaram Nöel Rosa com o samba monumental de autoria do Martinho da Vila pro Carnaval de 2010.

Eu vi a Candinha chorando, eu vi o Simas com lágrimas nos olhos, eu vi o Claudio Renato indo chorar sozinho, na esquina mais próxima. E vi – e filmei! – o que eu havia lhes contado aqui que eu veria… “(…) os apartamentos dos prédios ficam todos acesos com gente na janela, bandeiras azuis e brancas tremulando nas mãos dos moradores orgulhosos e a energia da nossa Vila Isabel mexe com o coração do mais frio dos homens.”.

Sou da Vila não tem jeito, comigo eu quero respeito que o meu negócio é sambar!

Com vocês, quatro vídeos feitos durante o furdunço, com destaque pro último, onde aparece um senhor, cabelos brancos, copo de cerveja no parapeito da janela, fazendo tremer dois pequenos pavilhões dessa gigantesca escola de samba!

Até.

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