Arquivo do mês: janeiro 2013

NÓS, OS FOLIÕES

Ontem, 14/01/2013, meu compadre-de-rua, Luiz Antonio Simas, publicou Nós, os foliões, que pode ser lido aqui. Temos, eu e Luiz Antonio – e Fernando Szegeri, seguramente – visões muito semelhantes sobre o Carnaval. Aqui, por exemplo, você poderá ler muito do que já escrevi sobre o tríduo de Momo (aproveitem e leiam também esse texto aqui, delicioso relato do homem da barba amazônica, de 2007). Razão pela qual, sem pudor algum, 24h depois, valendo-me do mesmo título, retomo o assunto.

Pausa para exibição da fototeca: a foto abaixo, de 1974, exibe esse que vos escreve nos ombros do velho pai, imperiano de fé e completamente alucinado, até hoje, pelo Bafo da Onça.

D (14)

Voltando e fazendo, de leve, breve digressão.

 Quem me lê sabe o quanto, e há quanto tempo, eu brigo contra o que fazem com os botequins da minha mui amada e leal cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Fomos assistindo, aos poucos, à morte dos botequins mais vagabundos em nome da “tendência”, em nome do “serviço diferenciado”, em nome das “franquias”, em nome dos festivais que ajudam a descaracterizar o ambiente autêntico das biroscas, das tendinhas, dos pés-sujos. Eu era – e nunca me importei com isso, ao contrário do que se pode pensar – o chato que de tudo reclamava. Por isso acho graça que hoje, muitos anos depois, tanta gente esteja por aí a lamentar o rumo que as coisas tomaram nessa área: contam-se nos dedos os pés-sujos na zona sul da cidade. Tesouros, em todos os bairros, desapareceram para dar vez a botequins de luxo que nada têm a ver com a cidade e sua gente.

Valho-me da autoridade que o Simas têm – já que tenho quase-nenhuma! – para demonstrar que era e é legítima minha grita. Eis comentário do bardo da Tijuca, em 18/08/2006, na primeira vez em que o mesmo manifestou-se no blog, antes mesmo de nos conhecermos pessoalmente:

“Eduardo, sou um leitor assíduo do blog, morador do Maracanã, amigo do peito do grande Rodrigo Ferrari (da inestimável livraria Folha Seca) e admirador das suas campanhas cívicas – sim, cívicas – contra as sem-vergonhices do Jota e dos Leblons da vida. Mas sempre estive em silêncio obsequioso. Hoje, porém, vou me manifestar: sensacional! Como eleitor e admirador do velho, aplaudo de pé a cena! Quanto ao Roberto Talma…nunca me enganou! Francamente… abraço.”

Ao se referir às “sem-vergonhices do Jota e dos Leblons da vida”, Simas falava justamente das minhas denúncias, quase diárias, contra o jabá que corria (e ainda corre) solto na coluna Gente Boa, do Segundo Caderno de O Globo, assinada pelo Joaquim Ferreira dos Santos (o “Jota”) para favorecer os bares-limpos que explodiram no Leblon (Conversa FiadaBotequim InformalBelmonte etc.).

Com o Carnaval, de certo modo, dá-se o mesmo.

A babaquização da festa sagrada, profana, está aí, diante dos olhos de todo mundo e todo mundo acha graça, acha o máximo.

Eu até vejo certa vantagem em todo esse processo… Enquanto os mais-jovens, os universitários, os cheios-de-lêndea do PSOL, fundam blocos que tocam de tudo – menos Carnaval – e arregimentam uma multidão de idiotas que vão em busca, apenas, de festa e pose, mais vazios ficam os que se prestam ao papel do Carnaval – que pouca gente, de fato, compreende qual é.

A exceção, por tudo o que representa, é o Cordão da Bola Preta. Ali, ao lado dos fantasmas que deram o primeiro sopro no começo do século passado, é que eu mergulho nas manhãs de sábado para só renascer e reaparecer com as cinzas da quarta-feira.

Até.

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Arquivado em carnaval