Arquivo do mês: maio 2010

>COPA ALEIXO

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Foram Marcus Handofsky e Leo Boechat os responsáveis. Durante encontro havido, na sexta-feira, no AL-FÁRÁBI, como lhes contei aqui, os dois me incitaram a procurar pelos videos de Bruno Aleixo, de Portugal, na grande rede:

– Você vai viciar! – me disse um deles.

– Depois me conta! – o outro.

Eis que no sábado pela manhã minha menina encontrou-me rolando no chão de rir, diante do computador. Ela assistiu comigo um, dois, três episódios do programa COPA ALEIXO. (que é apenas um dos tantos programas estrelados pelos malucos d´além-mar, basta procurar pelos demais). Não esboçou sequer um mover de lábios. O que comprova como somos, moços e moças, feitos de material infinitamente diferentes.

Deixo aqui a dica.

Até.
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>COMIDA DI BUTECO, O EVENTO

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Luiz Antonio Simas escreveu mais um texto de antologia (aqui). Um texto que é uma espécie de carta aberta aos organizadores do evento COMIDA DI BUTECO. Como a que eu escrevi, aqui. Ei-lo:

“Começou ontem aqui no Rio de Janeiro o evento Comida di Buteco. Sobre ele escreveu com rigorosa propriedade o polemista carioca Eduardo Goldenberg. O jornal O Globo trouxe, em encarte, detalhes sobre o babado. A coisa, como se percebe, promete ser movimentada.

Em resumo: trinta e um restaurantes apresentam suas criações, o público atribui notas aos pratos, temperatura da bebida e higiene dos locais. Em meados de julho, em um show com vários artistas e Djs, os vencedores serão anunciados. Dentre os patrocinadores do furdunço, vejam só, temos uma universidade privada, uma marca de maionese, uma cervejaria, uma corretora de imóveis e uma companhia de aviação.

A realização do evento sugere algumas reflexões sobre as relações entre cultura e economia. Vou pegar, de leve, esse bonde e dar meu pitaco.

Entendo cultura como todo o processo humano de criação e recriação de formas de viver. Cultura é o conjunto de padrões de comportamento, elaboração de símbolos, visões de mundo, crenças, hábitos, tradições, anseios e que tais que caracterizam e distinguem um determinado grupo social.

É nesse sentido que a própria economia deve ser vista como um cadinho do processo cultural que caracteriza os povos. As relações econômicas também são elementos constitutivos do modo de ser de um grupo – e aí podemos refletir sobre uma pá de coisas, dentre elas a maneira como diferentes grupos socias encaram os atos de consumir, trocar, vender, comprar, se desfazer de um bem, valorizar ou não um objeto, etc… Tudo isso é elemento constitutivo de cultura, feito comer, dançar, rezar, enterrar os mortos e acordar as crianças.

O que esse Comida di Buteco propõe, infelizmente, se inscreve numa inversão perigosa: é um exemplo bem acabado – e assustadoramente corriqueiro – de submissão da cultura à economia. Explico.

A ideia do festival me parece ser a de transformar o que seria a cultura de botequim em um bom negócio para todos. Tento acreditar, sinceramente, nas boas intenções do babado e é possível que os envolvidos no evento achem de fato que estão valorizando o boteco. Sinto dizer que não estão.

O problema é que ao invés de entender a economia como parte constitutiva da cultura – esse poderoso campo que engloba nossos atos e nos define como homens humanos – essa perspectiva inverte tudo e transforma a cultura em parte constitutiva da economia – esse campo que, quando determinante, nos define como meros consumidores, desumanizados por conseguinte.

Insisto: a economia é que deveria ser encarada como um dos aspectos da cultura. O festival transforma a cultura em um mero elemento submetido aos ditames do mercado. Quando isso acontece, o que era cultura perde toda a carga de representações de modos de viver dos homens e se transforma, esvaziada de sua dimensão vital, em simples evento ou entretenimento, como queiram.

O Comida di Buteco é isso: um evento, desprovido de qualquer outro valor que não seja o de movimentar a economia da cidade, divulgar os patrocinadores, difundir a imagem dos participantes e aumentar o faturamento dos restaurantes envolvidos – objetivos legítimos, diga-se de passagem, ainda que não me comovam e que eu lhes faça sérias restrições.

O problema – gravíssimo! – é que a cultura, quando transformada e empobrecida em mero evento, morre. O festival, sob o pretexto de valorizar o botequim, joga contra exatamente o que diz querer valorizar.

Quando digo que a cidade tem alma, uso evidentemente uma metáfora para demonstrar que a cidade tem cultura. O botequim é, pois, um dos elementos constitutivos da cultura carioca. Certa feita escrevi o seguinte sobre o tema:

“O buteco é a casa do mal gosto, do disforme, do arroto, da barriga indecente, da grosseria, do afeto, da gentileza, da proximidade, do debate, da exposição das fraquezas, da dor de corno, da festa do novo amor, da comemoração do gol, do exercício, enfim, de uma forma de cidadania muito peculiar. É a República de fato dos homens comuns…”

É o nosso jeito, a nossa maneira, de recriar o mundo, inventar a vida, beber o passado, digerir o presente e projetar futuros. Nos definimos, dessa forma, como membros do nosso grupo e criadores de cultura – humanizados, portanto.

O Comida di Buteco cumpre muito bem o objetivo de agitar a cidade, movimentar a economia, colocar as pessoas na rua e o escambau. Não consigo, porém, deixar de ouvir uma voz, vinda sabem os deuses de onde [será o rugir do rótulo da maionese patrocinadora da coisa ?] , que parece inverter as lições do velho vagabundo:

– Não sois homens! Consumidores é que sois!

Tolo é quem pensa que o homem é desprovido da humanidade que lhe define quando morre. Mesmo morto, defuntinho da silva, o homem segue vivo na memória da sua gente, como dinamizador, pela lembrança, da tradição.

O homem só é desprovido de sua radical humanidade – morto, sem vitalidade – quando deixa de criar cultura e vira um reles espectador de uma vida que já não lhe é mais pertencimento.”

Até.

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DO DOSADOR

* Estou sentado diante da tela do computador depois da atividade de todas as manhãs, depois de regar meu jardim florido de preconceitos, conceitos e obsessões. E se é para o bem de todos, e felicidade geral, digo que parei. Parei, meus poucos mas fiéis leitores, de podar, de regar e de expôr na prateleira do BUTECO uma de minhas obsessões, messieur Moacyr Luz, que acaba de chegar da França, onde sentiu-se um “Chet Backer tupiniquim”. Confesso que foi engraçado ficar brincando (sério) de mostrar a quem me lê as mutações e as transformações sofridas por uma das mais frondosas flores de meu jardim privado de obsessões. Foi engraçado mostrar que o homem que não resistia “aos botequins mais vagabundos” passou a chamar Roberta Sudbrack de fada. Foi engraçado mostrar que o homem que se dizia do povo passou a considerar Cora Rónai sua porta-voz. Foi engraçado mostrar que o homem que bebia nas mais fabulosas espeluncas da cidade passou a se preocupar com o limão do mictório. Mas não achei nenhuma graça na declaração dada ontem por ele: “Lula não é Maradona. Nem com essa mãozona toda, dá Dilma.”. Ao sugerir que Lula pretende eleger Dilma Roussef na mão grande, ao fazer o vaticínio que, evidentemente, favoreceria Jose Serra, messieur Moacyr Luz passou dos limites. Passou a feder, o meu jardim. Por questões de higiene – eis o que lhes disse no começo – parei, de hoje em diante, de fazer menção àquela que foi, durante um bom tempo, uma das flores preferidas de meu canteiro de concreto;

* de rolar de rir o mais recente relato de um recente sonho de Luiz Antonio Simas, aqui;

* antes do almoço, ontem, fui com Felipinho Cereal ao ANTIGAMENTE, na rua do Ouvidor, provar do petisco que concorre, pelo restaurante, no lastimável concurso COMIDA DI BUTECO. Chama-se SELEÇÃO BRASILEIRA, custa R$ 14,90 e pode ser visto aqui. São onze bolinhos com ingredientes diferentes e, misteriosamente, com sabores idênticos – com exceção do bolinho de feijoada, imitação risível dos clássicos bolinhos de feijoada do ACONCHEGO CARIOCA e do PETIT PAULETTE. Todos os onze bolinhos, pré-congelados (o que é mais do que compreensível), vieram à mesa com o miolo empedrado e frio. E isso tudo com direito a um insuportável molho de maionese, desses com sabor. Façam uma idéia da tragédia (que tal bolinho de feijoada mergulhado na maionese?). Espero, franca e sinceramente, que a seleção brasileira faça infinitamente mais bonito na Copa do Mundo;

* o AL-FÁRÁBI, na rua do Rosário, mais conhecido como a Abadia dos Infernos, tem o portentoso Maurício ocupando o cargo de Abbas Palatinus, que pode ser visto aqui, sentado em seu trono, à espera dos que recorrem à cura de suas almas cansadas depois de um dia intenso de trabalho. Estive lá, na semana que passou, na companhia dos fiéis Marcus Handofsky e Leonardo Boechat, mais-que-iniciados. Fui apresentado a velhinhos, anões, óleos de motor e outras maluquices. Os caras são violentamente desequilibrados e beber na companhia deles, regidos, os três, pelo Abbas Palatinus é tarefa por demais alentadora. Um dos mais impressionantes momentos deu-se no final da noite. Manifestei o desejo de levar pra casa três garrafas de cerveja inglesa, de marcas diferentes, que são as preferidas de minha menina. Travou-se um debate de fazer morrer de inveja os quadros do PSOL. Eu, neófito e humílimo, saí carregando uma caixa com as garrafas acondicionadas em plástico-bolha somente depois de coisa de – o quê?! – 45 minutos de discussão acalorada. É – faço a confissão e dou a dica – um programaço.

Até.

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CARTA ABERTA AOS ORGANIZADORES DO COMIDA DI BUTECO

Como a Sra. Maria Eulália Araújo, que bateu o telefone pra mim no dia 13 de maio de 2010, conforme lhes contei aqui, não tornou a ligar para marcarmos a conversa proposta por ela, valho-me deste espaço para, através desta carta aberta, dizer a ela o que eu gostaria de dizer, franca e sinceramente, pessoalmente (valendo dizer que continuo aguardando sua ligação para que não haja qualquer mal-entendido).

Quero começar transcrevendo um trecho do release do evento COMIDA DI BUTECO que foi distribuído à imprensa e que pode ser lido, na íntegra, aqui.

“Assim como no futebol, a democracia se institui de fato no boteco. Entendendo e valorizando o botequim, como um dos mais importantes espaços da sociabilidade do brasileiro, o mote da campanha do CdB esse ano é uma declaração de amor ao boteco. Da zona sul ao subúrbio, as torcidas misturam raças, crenças, diferenças sociais, no botequim e no campo. Com o slogan “Em cada coração bate um buteco, em cada buteco batem vários corações” a Free Produções, realizadora do evento, pretende mobilizar torcidas, superando o número de mais de 200 mil pessoas que visitaram os 31 concorrentes de 2009. Ano de copa, ano de boteco! A culinária será o tempero especial desse campeonato para quem for assistir aos jogos nos estabelecimentos participantes.

´Acredito que o Comida di Buteco seja mais que um concurso gastronômico. Ele é um fenômeno sociológico que deveria ser estudado de perto, pois movimenta economicamente toda a cadeia produtiva do setor, agregando qualidade ao serviço, gerando novos postos de trabalho e maior receita para os estabelecimentos envolvidos´ – afirma Maria Eulália Araújo, uma das realizadoras do concurso.”

Cito um trecho do release e cito, agora, tentando uma costura que dê lógica a meu raciocínio, um de meus mestres, o historiador Luiz Antonio Simas, autor de um tratado sobre o assunto, DO PORTO AO BOTEQUIM – UM CHAMADO AO BOM COMBATE, que pode ser lido, na íntegra, aqui:

“Ando cabreiro com algumas coisas que estão acontecendo nas ruas cariocas. Aqui perto de casa, por exemplo, as notícias não são das melhores. Um botequim que costumo frequentar, o Bar do Chico, inventou uma reforma meio mandrake, que incluiu pizza no cardápio, visual moderninho, garçom de gravata e, é claro, aumento dos preços dos produtos. Botequim, já não é mais. Periga virar um playground de bêbados com rodízio de pizza depois das seis da tarde.

(…)

A Lapa, por sua vez, agoniza. Virou valhacouto de adultescentes, simulacro de berço do samba, com bares que vendem bebidas por preços proibitivos e que visualmente lembram a lanchonete da entrada do Memorial do Carmo, no cemitério vertical do Caju – um lugar mais digno para se beber, diga-se.

O Nova Capela [cada vez mais Nova e menos Capela ] hoje é atração turística para uns basbaques que encaram uma ida ao velho bar como uma espécie de safari no Quênia e saem dizendo que foi uma experiência inesquecível. O Bar Brasil resiste com bravura, mas até quando?

(…)

É aí, e eu queria falar disso desde o início, que localizo na minha cidade de São Sebastião o espaço de resistência a esses padrões uniformes do mundo global – o botequim. Ele, o velho buteco, o pé-sujo, é a ágora carioca. O botequim é o país onde não há grifes, não há o corpo-máquina, o corpo-em-si-mesmo, a vitrine, o mercado pairando como um deus a exigir que se cumpram seus rituais.

O buteco é a casa do mal gosto, do disforme, do arroto, da barriga indecente, da grosseria, do afeto, da gentileza, da proximidade, do debate, da exposição das fraquezas, da dor de corno, da festa do novo amor, da comemoração do gol, do exercício, enfim, de uma forma de cidadania muito peculiar. É a República de fato dos homens comuns – cenário não habitado pelos personagens de novelas do Manoel Carlos.

É nessa perspectiva que vejo a luta pela preservação da cultura do buteco como algo com uma dimensão muito mais ampla que o simples exercício de combate aos bares de grife que, como praga, pululam pela cidade e se espalham como metástase urbana.

A luta pelo buteco é a possibilidade de manter viva a crença na praça popular, espaço de geração de ideias e utopias – sem viadagens intelectuais, mas fundadas na sabedoria dos que têm pouco e precisam inventar a vida – que possam nos regenerar da falência de uma (des)humanidade que limita-se a sonhar com o tênis novo e o corpo moldado, não como conquista da saúde, mas como simples egolatria incrementada com bombas e anabolizantes cavalares.

O botequim é, portanto, e não abro mão do hífen, o anti-shopping center, a anti-globalização, a recusa mais veemente ao corpo-máquina dos atletas olímpicos ou ao corpo pau-de-virar tripa das anoréxicas – corpos que se confundem na doença comum desse mundo desencantado: Metáforas da morte.

Ali, no velho buteco, entre garrafas vazias, chinelos de dedo, copos americanos, pratos feitos e petiscos gordurosos, no mar de barrigas indecentes, onde São Jorge é o protetor e mercado é só a feira da esquina, a vida resiste aos desmandos da uniformização e o Homem é restituído ao que há de mais valente e humano na sua trajetória – a capacidade de sonhar seus delírios, festejar e afogar suas dores nas ampolas geladas feito cu de foca. É onde a alma da cidade grita a resistência : Laroiê!

Esse combate, amigos, é muito mais significativo do que imaginam os arautos modernosos e seus programadores visuais.

Botequim tem alma, é entidade, feito os trapiches e sobrados do cais do porto em noite de lua cheia.”

Quase não há o quê dizer depois do que disse Luiz Antonio Simas. Mas eu quero dizer mais, ainda que evidentemente sem a mesma elegância, sem a mesma sabedoria, sem a mesma autoridade e sem o mesmo preparo intelectual.

Tenho, vocês sabem, diversos leitores em Campinas, interior de São Paulo (ainda que os campineiros rejeitem o termo “interior”). Campinas é a terceira cidade em número de leitores, perdendo apenas para o Rio de Janeiro e São Paulo. Vários deles, desde que comecei a falar sobre o evento aqui no Rio de Janeiro, me mandaram e-mails contando sobre a experiência que foi o COMIDA DI BUTECO, que estreou por lá neste 2010. O mesmo se deu, também, com leitores de Belo Horizonte, onde nasceu o projeto, a quinta cidade que mais me lê, atrás de Brasília. Todos, sem exceção, me pedem, no final dos e-mails, que eu não divulgue seus nomes. Como sou preciso do início ao fim, como sou honesto do princípio ao fim, atenderei a este pedido sem entrar no mérito da razão que leva alguém a pedir isso. Que assim seja.

Vamos ao que pude apurar, Sra. Eulália. Em Campinas poucos bares se interessaram pela coisa. Os mais antigos bares campineiros, os mais tradicionais, correram do festival como o diabo da cruz. Dentre os participantes, um abandonou o barco no meio do caminho (exatamente como fez o tradicionalíssimo BAR LAGOA, no Rio, em 2009, fora da edição de 2010). E isso, Sra. Eulália, porque seus donos teriam achado trabalhoso demais seguir à risca as regras impostas pelos senhores: decorar o ambiente com cartazes e bandeirinhas da maionese Hellmann´s, a maior patrocinadora de 2010, jamais servir a clientela sem antes estender, sobre a mesa, uma toalha de papel exibindo a marca dos patrocinadores, dentre outras imposições vigiadas de perto pelos auditores do festival.

O resultado, de certo modo, foi bacana: os bares que incluíram maionese em seus pratos foram mal na classificação geral. Um deles, o BAR DO CANDREVA, que se orgulha de ter mais de quarenta anos de tradição, serviu o que um dos meus leitores julgou ser uma “intragável porção de cebolas cruas recheadas com maionese, batata palha e frango desfiado”. Rodou. Deu-se mal na avaliação do público.

Venceu, em Campinas, o BAR DO CARIOCA, com uma simples e tradicionalíssima língua. Sem a maionese, é claro.

Disseram mais, os campineiros. Disseram que muitos dos butecos antes desconhecidos e onde se podia beber em paz, estão agora quase sempre lotados de uma gente estranha, alheia ao modus operandi dos bares até então pacatos. Esse fenômeno, Sra. Eulália, por exemplo, é recorrente aqui no Rio. Sou do tempo em que beber no ACONCHEGO CARIOCA era uma experiência fabulosa. Hoje, filas e mais filas na porta, vans levando gente que se comporta como num safári (como bem disse Luiz Antonio Simas), gente que chega arrotando que veio de longe cobrando coisas inimagináveis num buteco de verdade. Uma gente que acha que frequentar botequim é um programa exótico, modernos, descolado.

Um dos problemas do festival, Sra. Eulália, é que antes se podia beber uma cerveja tranqüilamente nesses lugares. Ocorre que essa gente está, agora, ocupando esse espaço que sempre foi do povo visto com nojo e com desprezo. Não se esqueçam: “o buteco é a casa do mal gosto, do disforme, do arroto, da barriga indecente, da grosseria, do afeto, da gentileza, da proximidade, do debate, da exposição das fraquezas, da dor de corno, da festa do novo amor, da comemoração do gol, do exercício, enfim, de uma forma de cidadania muito peculiar. É a República de fato dos homens comuns – cenário não habitado pelos personagens de novelas do Manoel Carlos.”. É isso: o COMIDA DI BUTECO é o passaporte pros personagens da novela da oito.

Os donos dos butecos – permita-me a digressão -, que deveriam ter o mínimo de consciência, crescem os olhos diante da perspectiva de triplicar o lucro, e danam a subir os preços da bebida e da comida, a fazer reformas desnecessárias que descaracterizam seus bares, a tratar com certa indiferença os clientes antigos enquanto adulam os bacanas que gastam os tubos. E faço a ressalva: a Katia, queridíssima minha, fez tudo isso, é verdade, mas é incapaz de destratar seus clientes mais antigos. E, ainda bem, acalenta o sonho de abrir um novo bar, um outro buteco, longe de toda essa parafernália que cerca hoje o ACONCHEGO CARIOCA.

O que quero lhes dizer é que o festival COMIDA DI BUTECO está, sim, promovendo a destruição dos botequins na medida em que inventa e fetichiza a chamada cultura de botequim. O “fenômeno sociológico” citado no release faz isso: passa por cima dos bares participantes do concurso e os destrói, sem piedade, oferecendo o lucro como contrapartida.

A classe média, sempre ávida por novidades (como é novidadeira, a classe média…), gosta do festival porque o festival lhe diz o que é bacana, o que está na moda, o que ela deve comer, onde ela deve ir com os amigos, é a maior responsável por essa insuportável mania de buteco. É daí vem o fetiche pelo jiló (antes odiado e considerado comida de passarinho), pela sardinha (antes, comida de pobre), pela cachaça (antes, bebida de mendigo) e por aí vai. Tudo o que antes era tido como ruim, porque popular, hoje virou artigo de luxo, disputado a tapa nos bares onde antes se podia ter conta e beber com os cabeças brancas de sempre. Muito, senhores, por conta do tal “fenômeno sociológico”.

Não foi diferente o teor dos e-mails que chegaram de Belo Horizonte. Mas a queixa recaiu sobre o evento que fecha o festival, a tal da SAIDEIRA, que acontecerá no Rio de Janeiro pela primeira vez. Lá, foi evento para mais de quinze mil pessoas, com palcos divididos por duplas sertanejas e bandas de pop-rock, tendas armadas com petiscos frios e requentados, latinhas de cerveja morna, seguranças, e uma multidão de gente estranha.

Se quisermos que nossos filhos saibam o que é um buteco autêntico in loco e não através de fotos em museu, é preciso parar, agora, com essa papagaiada.

Razão pela qual eu – e não estou sendo irônico – até comemoro a escolha que os senhores fizeram para mais essa edição no Rio de Janeiro. Meus butecos de fé não estão lá. O pé-sujo mais autêntico não está lá. Razão pela qual eu comemoro a escolha dos curadores do evento, que demonstram, uma vez mais, não entender nada do riscado. Nada. Melhor assim.

Obrigado, organizadores.

Quero apenas lhes dizer, antes de terminar, que tenho profundo respeito pelo trabalho dos senhores. Ao contrário do que a senhora me disse por telefone, Sra. Eulália, imagino, sim, o esforço despendido para fazer acontecer o festival. Imagino mesmo. O que não me obriga, por óbvio, a achar que se trata de uma iniciativa saudável para o Rio de Janeiro que eu amo e que luta, como doido, contra os que fazem de tudo para sugar dinheiro às custas de suas melhores tradições. E pra encerrar: não estarei, é claro, na SAIDEIRA, que acontecerá na Cidade do Samba no dia 17 de julho, um sábado. Mas posso adiantar para os senhores aquela que será a mais triste cena da festa.

Vai ser quando uma das estrelas da festa, Moacyr Luz, subir no palco pra cantar “Brasil, tira as flechas do peito do meu padroeiro, que São Sebastião do Rio de Janeiro ainda pode ser salvar”. Vai ser triste, senhores, e vai ser de uma hipocrisia agudíssima: porque o festival é, estejam certos disso, uma saraivada e tanto de flechas no peito do velho santo.

Eu, humílimo, vou ficar daqui, permanentemente, tentando arrancá-las.

Até.

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>CINEMA VIPADO

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Há coisa de – o quê?! – um ano, mais ou menos, fui jantar na casa de um casal mais-que-querido e à certa altura disse o varão em direção à varoa:

– Conta pro Edu sobre aquele seu amigo… – e fez cara de enjôo.

Pois contou-me ela, com a mesmíssima máscara denotando asco, que havia encontrado, para um jantar de matar-saudade, no Leblon, um grupo de amigas dos tempos de faculdade. Todas com seus maridos para o que seria uma confraternização. E o marido de uma delas foi, em dado momento, o centro das atenções.

Disse o pernóstico, sócio de um banco na cidade mais endinheirada do país:

– Ano passado captei, para minha carteira, aportes da ordem de 55 milhões de dólares…

E baforou o charuto.

Em outro palpitante comentário, quando a conversa descambou para o assunto cinema, foi enfático:

– Ah, eu agora só vou ao cinema nas salas do Cinemark, no Jardim Panorama…

O marido de minha amiga, amigo meu também, diga-se, um sujeito extremamente simples, como eu, diga-se, buscando entrosamento, arriscou:

– É. Os cinemas Cinemark são bacanas.

O bacana quase o interrompeu:

– Meu filho, aqui no Rio não há o que há em São Paulo…

Fez mais anéis de fumaça e prosseguiu:

– Lá as poltronas são como as das classes executivas dos melhores aviões. Têm assentos reclináveis, revestidos de couro, com descanso para os pés e apoio para os braços, são as chamadas love seat. Não se trata de um cineminha popular. Não tem 600 lugares, são apenas pouco mais de 200 poltronas. Ambas dispõem ainda de bilheteria exclusiva e serviço de bar que entrega nos assentos pipoca com azeite trufado, vinho e café. E baratíssimo! Custa só R$ 46,00!

Diante do olhar de espanto do interlocutor, gargalhou como um José Mayer na novela das oito e disse:

– Cinema, agora, só com pipoca feita de milho importado com azeite trufado.

Meus amigos alegaram um compromisso e se retiraram, enojados.

O nojo agora chega ao Rio de Janeiro com o nome “cinema vipado”. Mais precisamente à Barra da Tijuca.

Notícia de merda que, evidentemente, Joaquim Ferreira dos Santos publica hoje em sua coluneta.

nota publicada na coluna GENTE BOA do SEGUNDO CADERNO de O GLOBO de 28 de maio de 2010

Até.

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SER MODERNO É TUDO

Tenho angariado, com uma velocidade impressionante graças às redes sociais, mais e mais detratores. Gente que, franca e sinceramente, não me tira nem o sono e nem a disposição de seguir em frente apontando meu dedo indicador polemista em direção a tudo aquilo que, mais que me incomodar, fomenta a construção de uma sociedade doentia onde a novidade – a todo custo – é o que todos buscam sem um mínimo de visão crítica capaz de fazer essa gente enxergar o ridículo que protagoniza. Explico. Se eu critico Roberta Sudbrack (importante ler esse texto aqui) e sua food experience, se eu digo que acho lastimável que a ex-cozinheira de FHC tenha publicado um livro de alta gastronomia para cães, se eu digo que acho esquizofrênico a dita cuja escrever que batata dança, que pepino canta e que pão ronca e que acho incompreensível que milhares de pessoas delirem por conta disso (tem até quem confesse chorar diante dos pratos preparados por ela), se eu digo que acho lamentáveis os textos de Cora Rónai, a porta-voz de Moacyr Luz (o mesmo que chama Roberta Sudbrack de fada), se eu digo que não é possível admiti-la, mais uma vez, escrevendo no caderno de esportes durante a Copa do Mundo, se eu digo que o ASTOR BAR é só mais um ramo de uma empresa exitosa e lucrativa que nada tem a ver com o Rio de Janeiro e sua melhor tradição no ramo de botequins, se eu mostro, por “a” mais “b”, que o Moacyr Luz é uma espécie de girassol de carne e osso (vira-se para o ponto mais iluminado do palco, sempre!) se desdizendo diuturnamente, pronto: aumenta o número dos que me julgam mal sem parar pra pensar (porque se pensassem, veriam o ridículo que é o teor de seus próprios discursos). Repito: não me importo.

E se eu sou mal julgado por essa gente que insiste em não parar pra pensar no que eu vira-e-mexe digo aqui neste balcão, deixo com vocês, hoje, fabuloso texto publicado na revista CARTA CAPITAL, de autoria de Márcio Alemão, por mim grifado:

“Todos mergulham na busca doentia pela novidade, mas estão a 5 centímetros da superfície

Ainda sobre a lista de San Pellegrino, a famosa lista publicada pela famosa revista inglesa The Restaurant. Na semana passada eu perguntei o que teria feito com que publicação se tornasse tão importante para a mídia. Ninguém me respondeu. Continuo acreditando que uma das grandes sacadas é chamar todo mundo de ignorante, mal informado. “O quê? Você nunca foi ao Plavi Podrum, em Volosko, na Croácia? Não comente isso em voz alta.”

Esse hábito, diga-se, é comum entre as elites bem informadas de todo o mundo: passar a noite discutindo sobre um talento obscuro, duvidoso, uma provável mentira, uma inevitável bobagem. Se o assunto for jazz, ninguém deve perder tempo para falar sobre a genialidade de Miles Davis. Deve haver um Zé qualquer oriundo de uma parte remota do planeta que está fazendo um som que realmente interessa.

Sobre a luz das pinturas de Turner vale a pena trocar algumas exclamações e suspiros? Não. Melhor analisar o conceito rompedor do paroxismo da imperfeição urbana das instalações do grupo Stirjsk.- “Não conhece o Stirjsk? Jantam sempre no imperdível Trum, uma joia da cozinha contemporânea do Kafiristão. O chef é o provocativo e ambicioso Daniel Dravot.”

Essa busca doentia pelo “novo” eu não engulo com facilidade. Digo mais fracamente: não engulo de jeito nenhum. Qual o problema em falar sobre uma rabada com polenta e agrião? Com relação à feijoada estão todos satisfeitos? Eu diria que a maioria das feijoadas servidas por aí é bem ruim. Eu diria que muita gente sofisticada, que certamente conhece as melhores espuminhas do mundo, não faz a menor ideia do que venha a ser um bom feijão. Tem muito chef de salto alto tentando fazer feijão e se dando muito mal.

Mas isso na verdade não importa. Os que topam pagar um saco de dinheiro por um prato de feijão, a turma que prefere discutir instalações obscuras e esquecer as pinceladas luminosas, também não faz a menor ideia do que seja um bom feijão. Existe um outro lado? Sempre existe.

Assunto novo. Ninguém aguenta um sujeito que se especializou em clássicos da Borgonha e do Piemonte e adora a comida clássica italiana e a francesa. Não saber citar pelo menos três nomes do mundo do vinho que hoje produzem “vinhos de autor” é o fim da picada. O novo, o moderno, a novidade, alguma imbecilidade para se colocar no Twitter e que atraia a atenção de azêmolas seguidoras é o que se busca neste momento tão exuberante da humanidade.

Sem a eterna novidade estamos condenados a ter de praticar alguns mergulhos. Temo que a maioria se afogaria a 5 centímetros da superfície de tudo. Mas teria um lado bom e não apenas um outro lado? Claro. É praticamente o mesmo. Assunto para festas, coquetéis, convenções da firma, confraternização entre os pais dos amiguinhos de escola de nossos filhos.

Imagine que grande impacto você não causaria na firma ao jogar na mesa a informação de que o melhor restaurante do mundo é o pequeno Noma, na Dinamarca. E, se um pequeno restaurante localizado em um lugar tão distante e sem a menor tradição gastronômica pode ser o melhor do mundo, por que a “nossa firma” de farinha de osso não pode ser a nova Apple?

Na escola, para os pais sempre muito aborrecidos da Joaninha, você pode ir falando, em ordem, todos os nomes dos premiados. E não é que ia esquecendo do mais importante? Quem se lembra de minha experiência nos restaurantes Pierre Gagnaire e L’Astrance há três anos, em Paris?

Todo mundo, né? Mas vou falar mais uma vez. Na época o Gagnaire era o 3º da tal lista e o L’Astrance o 11º.

Eu disse que minha experiência foi muito interessante, mas que, ao lembrar de ambos, nenhuma gota de saliva surgia em minha boca. Para ser bem franco, não via e ainda não vejo o menor motivo para voltar a nenhum deles. Pois certamente os membros da seleta academia San Pellegrino andaram lendo o Refogado. O Pierre Gagnaire não para de cair. Hoje é o 13º. O L’Astrance foi para 16º. E teve gente dizendo, na época, que eu não estava preparado para o novo da gastronomia. Hã, hã.”

O texto está aqui, no site da CARTA CAPITAL.

Pequeno exercício: alguém ainda fala dos bares da REDE BELMONTE, queridinhos da imprensa meia-boca, ícones da cidade na opinião de Moacyr Luz? Não. Caíram no ostracimo. Alguém ainda quer saber de temakeria se kebaberia é a onda da vez? Não. Caiu no ostracismo. E eu poderia citar, aqui, dezenas de exemplos. Não o faço para não me tornar enfadonho.

E tem sempre dizendo que eu não estou preparado para o novo, que sou preconceituoso e blá-blá-blá. Arram. Tá bom, então.

Até.

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COMIDA DI BUTECO 2010 – OS PARTICIPANTES

Saiu, finalmente (afinal o festival começa amanhã!), a lista dos participantes do COMIDA DI BUTECO 2010, no Rio de Janeiro. Vamos a eles e a meus comentários.

01) SABOR DA MORENA concorre com ENTOCADO DA MORENA, “abóbora japonesa amassada, com Hellmann’s e dendê. Recheio de camarão à baiana e cobertura de côco ralado e queijo parmesão, gratinado, levando por cima um camarão médio frito com pedacinhos de coentro”. Fica na rua São Manuel, 43, em Botafogo. Não conheço o bar. UM bar usando maionese-patrocinadora no prato.

02) SIRI concorre com FUZUÊ DE CAMARÃO, “camarões médios fritos, camarões miúdos fritos, refogados e à milanesa acompanhados de palmito”. O SIRI indicado fica na rua dos Artistas, 02, em Vila Isabel e tem uma filial na Barra da Tijuca. Na minha humílima opinião, está mais pra restaurante do que pra buteco.

03) BAR DA AMENDOEIRA concorre com SHOW DE BOLA, “bolinho de bacalhau com camarão acompanhado de molho de Hellmann’s com salsinha”. Fica na rua Conde de Azambuja, 881, em Maria da Graça. É, de fato, um grande bar. Mas escorregou na maionese e rendeu-se à patrocinadora. São DOIS bares usando o ingrediente.

04) BAR VARNHAGEN concorre com ESPÍRITO DE PORCO, “filet mignon suíno, fatiado, acompanhado de salada de batata com Hellmann’s”. Fica na Praça Varnhagen, 14, na Tijuca. São TRÊS bares usando a maionese.

05) ENCHENDO LINGÜIÇA concorre com DAS TRIPAS CORAÇÃO, “lingüiça de coração de frango com polenta frita, cebola no vinho e ovos de codorna”. Fica na avenida Engenheiro Richard, 2, no Grajaú. As lingüiças servidas lá são fabricadas na própria casa. Como adoro coração de frango e jamais comi lingüiça preparada com, é parada certa pra mim.

06) ADEGA DO CESARE concorre com GURJÕES MISTOS COM MOLHO TÁRTARO, “camarão, lula e iscas de peixe e frango à dorê acompanhado de molho tártaro feito com maionese Hellman’s”. Estou aqui reproduzindo as descrições dos pratos constantes do release oficial do evento e morrendo de rir com esse apontar da marca da maionese!!!!! Fica na rua Joaquim Nabuco, 44, em Copacabana. Peixe misturado com galinha é demais pra mim. Não passo nem na porta desse. Com mais esse, já são QUATRO bares usando a maionese.

07) DA GEMA concorre com FONDUE DA GEMA (nome rigorosamente incompreensível num festival que pretende ser de comida de buteco…) que é “creme de milharina com Hellmann’s, milho branco, temperos e mussarela. Lingüicinha de porco da casa e costelinha para acompanhar”. Já há tempos que estou pra conhecer o bar, que fica na rua Barão Mesquita, 615, na Tijuca. Apesar da maionese, que pretendo deixar boiando na cumbuca, vou pra conhecer e provar das carnes. São CINCO bares usando a maionese.

08) PETISQUEIRA MARTINHO concorre com PETISQUIM, “casquinha de siri recheada com frutos do mar, requeijão cremoso e Hellmann’s”. A marca da maionese está lá, em destaque, a do requeijão, não! Rigorosamente fora disso. Casquinha de siri com maionese e requeijão é inaceitável. Fica na praia do Jequiá, 33, na Ribeira, na Ilha do Governador (se bem que a ilha do atual governador fica em Angra dos Reis). São SEIS.

09) ORIGINAL DO BRÁS, campeão em 2008 e vice-campeão em 2009, concorre com BRASILEIRINHO ORIGINAL, “iscas de carne de sol com purê de mandioca feito com Hellmann’s e flocos de alho frito”. Não perderei meu tempo, esse ano, indo até lá. No ano passado decepcionei-me agudamente com o prato concorrente que ficou em segundo lugar e que corria o risco de cegar o incauto que pretendesse comer a escultura que tinha palitos enormes enterrados na comida servida no prato. Mais que se rendeu à maionese-patrocinadora. Fica na rua Guaporé, 680, em Brás de Pina. São SETE.

10) ACADEMIA DA CACHAÇA concorre com TAPIOCA CARIOQUINHA, que são “duas tapiocas recheadas, sendo uma com cordeiro desfiado e a outra com espinafre”. Tentador. Mas a casa, além de ter filial na Barra da Tijuca (e sou radicalmente contra isso), está mais pra restaurante do que pra buteco. Inclusive a casa indicada pelo release é a da Barra, na avenida Armando Lombardi, 800. Chance zero de eu ir.

11) REAL CHOPE, um belo buteco, concorre com KIBINHO DE BACALHAU, “porção de oito kibes de bacalhau”. Fica na rua Barata Ribeiro, 319, em Copacabana. Lá estarei, seguramente.

12) ANTIGAMENTE vem com SELEÇÃO BRASILEIRA, uma “seleção de 11 bolinhos variados, inspirados na culinária brasileira, acompanhados de molho de cachaça Hellmann’s”. Cachaça com maionese?! Hã?! Fica na rua do Ouvidor, 43, no Centro. Dos doze listados até agora, OITO com maionese. Nesse é capaz de eu ir. Estou sempre pela área e, confesso, curioso pra provar o que se anuncia como uma gororoba.

13) PETIT PAULETTE, do meu queridíssimo Paulete, concorre com CROCREVETE DU LET, um nome que deve ter sido pensado durante um pesadelo, ele só pode estar de sacanagem… São “camarões crocantes servidos em cestas comestíveis crocantes, com molho Hellmann’s especial”. Embora a descrição seja viadesca demais pro meu gosto, o Paulete é um cracaço na cozinha. Estarei lá, com certeza, na rua Barão de Iguatemi, 408, na Tijuca. Com ele, são NOVE escorregando na maionese.

14) BAR DA PORTUGUESA concorre com PUNHETA DA DONDON, “bacalhau cru desfiado com cebola, azeite, azeitonas, salsa, cebolinha e alho”. Fica na rua Custódio Nunes, 155, em Ramos. Não conheço, estou disposto a conferir.

15) CACHAÇARIA MANGUE SECO concorre com CAMARÃO ATOLADO, “camarão atolado em creme de abóbora na casquinha crocante de milho, com cobertura de queijo coalho gratinado”. Tentador, vou conferir. Fica na rua do Lavradio, 23, na cada vez mais estuprada Lapa.

16) BECO DO RATO concorre com FÍGADO SUSTADO, “fígado refogado com jiló em rodelas untado com Hellmann’s, cebola e molho especial, acompanhado de torradas”. Fica na rua Joaquim Silva, 11, também na Lapa. Não vou. Rodela untada com maionese não dá. Dá, sim, vontade de vomitar antes de comer. São DEZ reféns da maionese.

17) BOTECO SALVAÇÃO concorre com COXINHA INVERTIDA, “coxinha recheada com provolone acompanhada de molho rosé à base de Hellmann’s”. Fica na rua Henrique de Novais, 55, em Botafogo. Talvez eu vá. Coxinha de galinha está entre minhas perdições. Mas se eu for, o salgado não será conspurcado pelo molho à base de patrocínio. São ONZE.

18) ANGU DO GOMES concorre com NA CAMA COM GOMES e saquem sa descrição: “bacalhau, azeite, cebola roxa, azeitonas pretas, Hellman’s, leite, queijo provolone ralado e requeijão, tudo isso acamado no creme de batata baroa gratinado”. Outro que me deu ânsia de vômito durante a leitura. Acamado?! Fica na rua Sacadura Cabral, 17, no Largo da Prainha. Tô fora. E já são DOZE com maionese.

19) CALDO BELEZA concorre com MOCOTÓ BELEZA. Trata-se de “caldo de mocotó acompanhado de torradas com pasta de Hellman’s com alho torrado”. Um vendido, esse. Vai usar a maionese só pra agradar à patrocinadora… O prato é o caldo, pô! A torrada destoa e não irei nesse treco. Fica na rua Senador Vergueiro, 238, no Flamengo. São TREZE com maionese.

20) ADEGA PÉROLA, tradicionalíssimo, concorre com BOLINHO DE SIRI COM MOLHO DE HELLMANN´S E PÁPRICA, que é (a descrição é impactante) um “bolinho de Siri com molho de maionese Hellmann’s e páprica”. Fica na rua Siqueira Campos, 138, em Copacabana. Até posso ir. Mas é certo que eu vá comer uma dentre tantas as delícias sem maionese daquele balcão! São QUATORZE com maionese!

21) PAVÃO AZUL, outro portento em Copacabana, concorre com (o erro gramatical é deles!) RESSUCITARAM O CAMARÃO, que é um “risotinho de camarão”. Fica na rua Hilário de Gouveia, 78, em Copacabana. Nunca tenho paciência pras filas de lá, mas estou disposto a ir.

22) ACONCHEGO CARIOCA concorre com FUTRICA NA ROÇA, “picanha suína assada, temperada com Hellmann’s e especiarias, coberta com molho de banana da terra e cebolas refogadas na cerveja”. As queridíssimas Katia e Rosa mandam bem demais na rua Barão de Iguatemi, 388, na Tijuca. Não me desanima a presença da patrocinadora. Se eu bem conheço a lei que rege a casa, deve ter menos de 0,1% de maionese no tempero. Vou lá! São QUINZE, já.

23) NORDESTINO CARIOCA concorre com CALDO DE CARIDADE, “carne moída de primeira, ovos, farinha de mesa, coentro, ovos de codorna, temperos nordestinos e torradas na brasa com creme de cebola e Hellmann’s”. Fica na avenida Sargento Carlos Argemiro Camargo, 49, em Jacarepaguá. Não conheço, estou disposto a ir. Com mais esse, DEZESSEIS escorregando na maionese.

24) BAIXO ARAGUAIA concorre com PICANHA AO MOLHO ESPECIAL, “picanha na brasa com molho especial, acompanhada de farrofa”. Fica na rua Araguaia, 1709, na Freguesia. Vou, é claro. Picanha é comigo.

25) BAR URCA, ótimo, concorre com CASQUINHA À VILA DO CHÃ, “casquinhas de bacalhau”. Fica na rua Candido Gaffrée, 205, na Urca. Estou sempre por lá. Vou lá provar.

26) CACHAMBEER concorre com EXPLODE CABRITÃO, “cabrito no bafo temperado em ervas finas e servido na chapa, no estilo Cachambeer, acompanha farofa amarela de alho torrado e açafrão e molho especial da casa com Hellmann’s”. É um grande lugar pra se beber e comer, fica na rua Cachambi, 475, no Cachambi. Vou e vou mais de uma vez. O “estilo Cachambeer” é sensacional! São DEZESSETE com maionese.

27) BAR DO PICOTE, ótimo embora venha perdendo a qualidade do chope ultimamente, concorre com EMPANADO DO PICOTE, “camarão empanado”, e fica na rua Marquês De Paraná, 128, no Flamengo. Não custa, eu vou.

28) GRACIOSO concorre com JABAZINHO, “massa de abóbora com recheio de carne seca, empanados com flocos de arroz, acompanha molho de mostarda preta, mostarda amarela e gorgonzola, feitos com Hellmann’s”. Fica na rua Sacadura Cabral, 97, na Saúde. Vou. DEZOITO com maionese.

29) BAR 20 concorre com 20 COMER, “porção com seis unidades de bolinhos de arroz recheados com calabresa, empanados em farinha crocante de Doritos”. Fica na Henrique Dumont 85, em Ipanema. Sem chance de eu ir.

30) SANTA SAIDEIRA concorre com PEDACINHO DO NORTE, “táboa composta de carnes seca e de sol, queijo coalho e aipim frito em cubos, acompanha farofa, manteiga de garrafa e molho a base de Helmann’s”. Fica na rua do Progresso, 5, no Largo das Neves. Já são DEZENOVE com maionese.

31) PONTAPÉ concorre com BAIÃO CARIOCA, “uma panqueca (com massa feita com maionese Helmann’s, arroz e aipim), recheada com carne seca acebolada coberta com molho de feijão de corda e queijo coalho derretida por cima”. Quase golfei lendo a descrição. Tô fora. E dentre os 31 concorrentes, VINTE vão de maionese.

Vamos lá.

O release do festival vocês podem ler aqui.

Adivinhem quem fará o show de encerramento do festival?

Ele mesmo.

O compositor parente de Paris, o franco-brasileiro e franco-atirador pra todos os lados, Moacyr Luz!

Em tudo há coerência.

Até.

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