DO DOSADOR

* Estou sentado diante da tela do computador depois da atividade de todas as manhãs, depois de regar meu jardim florido de preconceitos, conceitos e obsessões. E se é para o bem de todos, e felicidade geral, digo que parei. Parei, meus poucos mas fiéis leitores, de podar, de regar e de expôr na prateleira do BUTECO uma de minhas obsessões, messieur Moacyr Luz, que acaba de chegar da França, onde sentiu-se um “Chet Backer tupiniquim”. Confesso que foi engraçado ficar brincando (sério) de mostrar a quem me lê as mutações e as transformações sofridas por uma das mais frondosas flores de meu jardim privado de obsessões. Foi engraçado mostrar que o homem que não resistia “aos botequins mais vagabundos” passou a chamar Roberta Sudbrack de fada. Foi engraçado mostrar que o homem que se dizia do povo passou a considerar Cora Rónai sua porta-voz. Foi engraçado mostrar que o homem que bebia nas mais fabulosas espeluncas da cidade passou a se preocupar com o limão do mictório. Mas não achei nenhuma graça na declaração dada ontem por ele: “Lula não é Maradona. Nem com essa mãozona toda, dá Dilma.”. Ao sugerir que Lula pretende eleger Dilma Roussef na mão grande, ao fazer o vaticínio que, evidentemente, favoreceria Jose Serra, messieur Moacyr Luz passou dos limites. Passou a feder, o meu jardim. Por questões de higiene – eis o que lhes disse no começo – parei, de hoje em diante, de fazer menção àquela que foi, durante um bom tempo, uma das flores preferidas de meu canteiro de concreto;

* de rolar de rir o mais recente relato de um recente sonho de Luiz Antonio Simas, aqui;

* antes do almoço, ontem, fui com Felipinho Cereal ao ANTIGAMENTE, na rua do Ouvidor, provar do petisco que concorre, pelo restaurante, no lastimável concurso COMIDA DI BUTECO. Chama-se SELEÇÃO BRASILEIRA, custa R$ 14,90 e pode ser visto aqui. São onze bolinhos com ingredientes diferentes e, misteriosamente, com sabores idênticos – com exceção do bolinho de feijoada, imitação risível dos clássicos bolinhos de feijoada do ACONCHEGO CARIOCA e do PETIT PAULETTE. Todos os onze bolinhos, pré-congelados (o que é mais do que compreensível), vieram à mesa com o miolo empedrado e frio. E isso tudo com direito a um insuportável molho de maionese, desses com sabor. Façam uma idéia da tragédia (que tal bolinho de feijoada mergulhado na maionese?). Espero, franca e sinceramente, que a seleção brasileira faça infinitamente mais bonito na Copa do Mundo;

* o AL-FÁRÁBI, na rua do Rosário, mais conhecido como a Abadia dos Infernos, tem o portentoso Maurício ocupando o cargo de Abbas Palatinus, que pode ser visto aqui, sentado em seu trono, à espera dos que recorrem à cura de suas almas cansadas depois de um dia intenso de trabalho. Estive lá, na semana que passou, na companhia dos fiéis Marcus Handofsky e Leonardo Boechat, mais-que-iniciados. Fui apresentado a velhinhos, anões, óleos de motor e outras maluquices. Os caras são violentamente desequilibrados e beber na companhia deles, regidos, os três, pelo Abbas Palatinus é tarefa por demais alentadora. Um dos mais impressionantes momentos deu-se no final da noite. Manifestei o desejo de levar pra casa três garrafas de cerveja inglesa, de marcas diferentes, que são as preferidas de minha menina. Travou-se um debate de fazer morrer de inveja os quadros do PSOL. Eu, neófito e humílimo, saí carregando uma caixa com as garrafas acondicionadas em plástico-bolha somente depois de coisa de – o quê?! – 45 minutos de discussão acalorada. É – faço a confissão e dou a dica – um programaço.

Até.

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3 Comentários

Arquivado em confissões

3 Respostas para “DO DOSADOR

  1. >caro EduardoConcordo contigo. Se ainda tinha alguma dúvida, registrada no meu comentário de texto anterior sobre o Moacyr Luz, essa de pender seu peso todo para o lado serrista foi a gota d'água. Zé fini. Não sei com que empolgação irei continuar escutando aquilo tudo que aprendi a gostar ao longo do tempo. Por fim, me elucide algo, pois encontro-me a 800 km de distância do Rio: O que Aldir diz disso tudo? A quantas anda o entrosamento entre os dois? Esqueço o Moa na prateleira e pego um bom Guinga para escutar nesta tarde, enquanto trabalho no computador.Saudações bauruenses do Henrique Perazzi de Aquino (www.mafuadohpa.blogspot.com)

  2. >Bolinho de feijoada , argh! Temho péssima impressão!

  3. >Henrique: eu não sei o que o Aldir pensa disso. Só torço pra que a parceria não morra, como parecem ter morrido todas as antigas convicções do Moacyr. Compondo ele é um craque. Um abraço.Monica: o bolinho de feijoada, bem feito, é fabuloso. Beijo.

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