Arquivo do mês: fevereiro 2007

>SASSARICANDO

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No sábado passado, 24 de fevereiro, fomos, eu e a Sorriso Maracanã, assistir ao espetáculo “Sassaricando – e o Rio inventou a marchinha”, de Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral, pai, evidentemente. Ingressos esgotados, gente pelo ladrão, filas intermináveis na porta, mas eis que nosso filho mais novo, Tiago Prata – não somos nós quem dizemos isso, mas o próprio menino, leiam e ouçam aqui! – usou seu prestígio para comprar – eu disse comprar! – ingressos para nós. E lá fomos nós, eu e Dani, a mulher que me ensinou a sorrir – e que chorou de maneira olímpica junto comigo durante as duas horas de espetáculo – para o Teatro SESC Ginástico, reformado e belíssimo.

Acontece, meus poucos mas fiéis leitores, que eu só meto a mão na cumbuca quando sei mexer no que tem dentro, só dou pitaco sobre o que conheço, razão pela qual não vou me atrever a fazer crítica do espetáculo. Não nasci pra Heliodora.

Mas posso, sim, falar sobre o que fui eu durante os 120 minutos de espetáculo.

Antes de mais nada eu preciso lhes dizer: “Sassaricando” é um musical eminentemente carioca. Acho que senti troço semelhante quando li “Carnaval no fogo”, do Ruy Castro. Eu fui lendo, fui lendo, e pensava, enquanto me deliciava com as magnifícias histórias do livro, que dificilmente um não-carioca compreenderia na íntegra o que aquilo tudo significava e representava. Talvez o mesmo aconteça com “Sassaricando”.

É evidente que a música tem um alcance fabuloso, e é bem possível que um não-carioca, um gaúcho, por exemplo, tenha relinchos de alegria ao ouvir os primeiros versos de “Sassaricando”. Ou que um paulista, daqueles feitos de cimento armado e que odeiam o Carnaval, esboce um sorriso de canto de boca escutando “Aurora”.

Mas já na abertura do musical, quando Juliana Diniz abre um baú de memórias deixado por seu avô – não confundam com o Monarco, pô! – e lê, em off, uma carta deixada pelo velho endereçada a ela, fica claro: os cariocas, os cariocas de alma é que saberão o que vai ali e sentirão a mesma saudade, junto com a neta do avô folião que não existe mais.

Pausa para breve informação: eu e Dani éramos os mais novos da platéia. Guardem essa informação. À nossa frente – ficamos na última fila – um mar ártico, se me entendem. Ou cabelos brancos ou carecas reluzentes.

Durante a apresentação das 89 marchinhas que compõem o espetáculo, entremeadas por dois vídeos mortalmente emocionantes (“A Cidade” e “A marchinha e o carnaval”), o primeiro narrado pelo carioquíssimo Hugo Carvana e o segundo pelo não menos carioca Sérgio Cabral, pai, choramos inúmeras vezes.

Não chegamos, depois do espetáculo, a comentar sobre isso. É como se tivéssemos combinado de brincar separados com as emoções daquela tarde.

Eu quis dançar de mãos dadas com a Soraya Ravenle quando ela cantou, sozinha, “Bandeira Branca”, ou ainda quando me feriu a alma já combalida cantando “Paris”, quando eu, fungando, para completo assombro da velhota ao meu lado, cantei junto “mas eu gosto muito mais do Leme!”. Eu quis fazer pas-de-deux com a Sabrina Korgut quando ela invadiu o palco pra cantar “Lig, lig, lig, lé”. Eu quis entrar debaixo do mesmo guarda-chuva branco da Juliana Diniz quando ela pediu à Alá, sestrosa, água pra iaiá. Ali eu era o ioiô.

Eu senti uma puta felicidade por estar ali, vendo e ouvindo meus contemporâneos, Eduardo Dussek e os garotos, Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta, os dois bicudos que conseguiram a façanha de me fazer perder um CD arranhado de tanto que não me saía da vitrola, cantando cada vez melhor, sendo que esse último – confissão pública!!!!!, perdão Pedro Paulo! – eu vi bebê, em Caxambu, sul de Minas.

Eu senti um estranhíssimo orgulho de ver o Pratinha, moleque de 19 anos de idade, segurando as pontas dos músicos, com o bastão que lhe foi passado pelo craque Luís Filipe de Lima, que já é uma espécie de ISO 9000 em termos de musicais. O cara tá lá? Vai sem erro!

E – causa maior do meu quase passamento – o que foi pior.

A cada intervalo, a cada estouro das palmas, eu insistia em procurar, dentre aquelas cabecinhas brancas, a redezinha de pérolas em volta dos cabelos macios da minha bisavó.

Até.

PS: a temporada no “Teatro SESC Ginástico” termina no dia 18 de março. Tudo indica que a temporada vai prosseguir no “Teatro João Caetano”, na Praça Tiradentes. Se você é carioca, não perca. Szegeri, meu mano, venha! Pensei em você grande parte do espetáculo!

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CARNAVAL 2007

Eis que sobrevivi a mais um Carnaval.

Foi, confesso nessa manhã de segunda-feira, do alto dos meus 37 anos, um Carnaval inesquecível, e explico.

Foi inesquecível porque eu morri na sexta-feira à noite para renascer, apenas, no final da tarde de sábado, depois do magnânimo desfile do Cordão da Bola Preta, com mais de 300 mil pessoas.

Estava eu, entre amigos, na Folha Seca, quando de pé anunciei comovidíssimo:

– Morro agora, amigos meus, morro agora, amor da minha vida, para somente renascer amanhã à tarde, depois do desfile do Bola Preta, eis que cederei meu corpo, que não mais me pertencerá a partir da agora, para meu irmão Fernando José Szegeri, que desfilará, assim, pela décima nona vez, pelo portentoso Cordão!

E assim foi, como já lhes mostrei aqui e aqui.

Pausa explicativa: falarei hoje, e apenas hoje, para não matar vocês todos de enfado, sobre o Carnaval 2007.

Quando acabou o desfile do Bola Preta, o maior evento da cidade do Rio de Janeiro, Dani me acordou do transe. Fomos, então, com Fefê, para a casa dos mais-queridos Betinha e Flavinho, de carro, na caçamba do possante carro do Flavinho, vejam que belo momento!, e notem como eu atendo ao pedido da minha garota, que diz docemente:

– Canta, Pituco!

E nada me detém. Nem o Fefê quando diz, antes de explodir numa gargalhada:

– O Edu cantou poucas vezes isso…

Do doce lar do queridíssimo casal, partimos pra casa do Cassio Loredano e da , pra uma feijoada, que ninguém é de ferro.

Às sete da noite tomamos o rumo de casa, eu e Sorriso Maracanã, parando, é claro, que ninguém é de ferro, no Rio-Brasília pra uma longa saideira.

No domingo, às oito da manhã já estávamos, eu e minha menina, linda, mais linda a cada dia, no Cordão do Boitatá, na Praça XV. Um grande baile popular promoveu o Cordão do Boitatá, vejam aqui a praça tomada pelo povo! Dia de céu azul – durante todo o Carnaval, aliás! -, muita cerveja gelada, muitos amigos, e de lá partimos em direção ao aniversário do Mello Menezes, grande figura, comemorado com o já tradicionalíssimo churrasco, ao ar livre, atrás do Aeroporto Santos Dumont, com a vista da Baía de Guanabara, muita cerveja, muita música e muitos amigos, de novo, que ninguém é de ferro pra viver sem eles.

De lá partimos pra casa. Dani desfilaria, como de fato desfilou, pela G.R.E.S. Estácio de Sá. Deixei minha menina na concentração e fiquei, confesso, tristíssimo ao vê-la entrando naquele curral pelo qual só passam os integrantes das escolas de samba, eu sem ela, ela sem mim… Cena tristíssima… Encontrei, entretanto, Candida e Simas numa barraca onde derrubamos algumas garrafas de Brahma, geladíssimas.

Do Sambódromo partimos os três, a pé – eu disse a pé – em direção ao Capela, onde Dani nos encontraria depois do desfile. Lá bebemos enquanto esperávamos minha menina, que chegou lindíssima – notem o quanto ando apaixonado! – e propôs:

– Ah… Vamos comer galeto no Columbia?

Fomos. Fomos e fechamos a noite na gloriosa Tijuca.

A segunda-feira anunciou-se tranqüila. Afinal de contas havíamos marcado com papai e mamãe uma espécie de revival emotivo… Reproduzindo evento e cenário da minha infância, os dois abririam – como de fato abriram – os salões do apartamento no Alto da Boa Vista para um reduzido e seleto grupo de amigos para comer, beber, jogar conversa fora e assistir, na íntegra, o desfile das Escolas de Samba pela TV, incluindo G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro, escola de mamãe e minha também! Pois lá ficamos eu e Dani, papai e mamãe, Rodrigo Folha Seca com Joana e Miguel Folha Seca, Fefê, Simas com Candida, Manguaça com Fernanda, Flavinho com Betinha. Foi uma puta noite, divertidíssima, duas garrafas de Red Label foram embora, dezenas de latas de Brahma, mamãe fez comida para 4.500 componentes de uma escola de samba, e de lá saímos já de manhã.

Saímos, mas não pra casa!

Fomos tomar banho de cachoeira pra recuperar as energias, que ninguém é de ferro, e à tardinha fomos homenagear Aldir Blanc, enredo do bloco Muvuca do São Carlos, no Estácio. Encontramos, de novo, uma pá de amigos, assistimos emocionados um Ceceu Rico, pai do Aldir, emocionadíssimo, acenando da janela de seu apartamento, na Maia Lacerda, e de lá fomos tomar um chope, que ninguém é de ferro, eu, Dani, Mari Blanc, Eloá e Zé Reinaldo. Estávamos ainda bebendo quando toca meu celular:

– O Rio-Brasília está fechado… Estou bebendo num buteco aqui perto… Vem pra cá…

Era um combalido Borgonovi. Tomamos o rumo da espelunca, eu, Dani e Mello Menezes, e arrastamos o malandro pra um uísque em nossa casa. Expulsei o Borgonovi, com a educação que só a Tijuca dá, pouco antes das duas da manhã.

Daí dirão vocês:

– Acabou?

E eu respondo daqui, altíssimo:

– Não!

Na Quarta-Feira de Cinzas a Sônia, minha mui amada Manguassônia, promoveu a cada vez mais produzida e caprichada Feijoada da Apuração! O apartamento estava decorado, havia Engov em quantidade industrial, dezenas de tira-gostos de comover, teve o auxílio luxuoso de uma torta de morango e uma mousse de chocolate preparadas pelas mãos da Joana, doceira de mão cheia, e uma quantidade de confete e serpentina capaz de fazer a mais competente faxineira pedir demissão no dia seguinte!

Eu, que não perco o espetáculo que é ver a Sônia cozinhando, cheguei lá um pouco antes das onze da manhã. E de novo reunidos estávamos todos, entre amigos, com muita bebida, com muita comida, com muita tensão no momento da apuração, e eu confesso que fiquei triste vendo o Simas chorar com o rebaixamento de seu querido G.R.E.S. Império Serrano.

Como triste fiquei, depois, vendo minha comadre, Mariana Blanc, também chorando, envolvida que estava, até a raiz dos cabelos, com o carnaval da G.R.E.S. Estácio de Sá, também rebaixada. Fomos até sua casa, na Muda, pra dar um beijo no Marquinho Presidente, que fazia aniversário. Mas lá ficamos pouco tempo! Afinal, o Flamengo faria sua segunda partida pela Libertadores!

E no Estephanio´s, mais festa.

O encontro com os amigos, a vitória do Flamengo, e a certeza, no fim da noite, de que o Carnaval foi inesquecível.

O Carnaval cumpriu, como se vê, sua função redentora.

Até.

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LAVA-PÉS

Fuçando alguns blogs agora pela manhã, tive a grata surpresa de ver um filminho que fiz, curto mas cheio de significado, 16 segundos apenas, indicado pelo Juarez Becoza, em seu blog:

“A cerimônia do lava-pés

Caro leitor:

Fuçando no You Tube (minha nova mania na internet), descobri este fiel de registro de uma das mais antigas tradições da boemia botequeira. O vídeo flagra o momento final, o pós-saideira, a hora em que os últimos e insistentes guerreiros do copo são literalmente “lavados” para fora do estabelecimento. Um documento fidedigno do verdadeiro espírito dos botecos, filmado pelo colega Eduardo Goldenberg, do blog Buteco do Edu”

Eis o filminho, aqui:

Até.

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>RECESSO DE CARNAVAL

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Hoje é sábado.

O Desfile das Campeãs acontece, neste instante, na Marquês de Sapucaí.

O corpo e a alma – esta refeita depois de assistir ao espetáculo SASSARICANDO, hoje à tarde, e sobre ele falarei no curso da semana que começa amanhã – descansam o necessário descanso.

E pra isso, meus poucos mas fiéis leitores, nada melhor do que a companhia da mulher que me ensinou a sorrir, boa bebida, boa comida, e o conforto do lar.

Até.

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SZEGERI E BETINHA, SUA MUSA

Isso foi em 2004…

E como amor pela musa é troço que não arrefece… Ei-los, de novo, em 2007. No Bola Preta.

Até.

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E QUEM DISSE QUE ELE NÃO VIRIA?

Eis a trinca de paulistas!

Fernando Borgonovi, Fernando Szegeri e Julio Vellozo, no Bola Preta!

Até.

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>BOLA PRETA, E LÁ VAMOS NÓS DE NOVO!!!!!

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Eu não tenho nenhuma dúvida – nenhuma! – de que o desfile do Cordão da Bola Preta é o maior evento da cidade do Rio de Janeiro. Do Brasil, eu diria. Não tem Natal, não tem reveillón, não tem evento, data, festa, capaz de tirar do Bola, que é como os íntimos o chamam, o título de maior evento da cidade. E estamos, eis a razão pela qual eu, excitadíssimo, escrevo neste momento, a poucas horas do início do furdunço.

Todos os anos é a mesma coisa, vocês podem conferir lendo isso aqui.

Mas esse ano não vai ser igual àquele que passou.

Hoje, às nove da manhã, será coroada Rainha do Bola Preta ninguém menos do que Adele Fátima.

Por todas as razões que vocês, meus poucos mas fiéis leitores, estão carecas de saber – quem não sabe saiba aqui! – tenho, neste instante, tenra idade, calças curtas, e é esse menino que vai, de mãos dadas com o Szegeri, à Cinelândia pra abrir o Carnaval.

Até.

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