ELE CONHECE DEUS; PESSOALMENTE

Eis que ontem, depois que disponibilizei o video no qual o filho do Costinha, Alexandre, chora convulsivamente diante do ídolo, o Zico, deu-se a bulha, estabeleceu-se o rebuliço. Todos os meus mais chegados, todos, choraram junto com o menino. E as reações foram várias. Mas uma obsessão tornou-se coletiva: quem se lembrava da tal reportagem na televisão? E eis a resposta impressionante, em negrito, com a veemência szegeriana: ninguém.

Eu digo “ninguém” mas em nome da precisão que me acompanha preciso fazer a ressalva. O Fraga lembrou. Não apenas lembrou. Instado a responder à pergunta que correu a cidade, pigarreou, já que o Fraga pigarreia com uma constância impressionante. Mas o pigarro do Fraga não tem nada a ver com a necessidade de liberar-se do muco depositado na garganta. Não. O pigarro do Fraga é um pigarro vaidoso. Explico.

Alguém diz:

– Adoro o Chico Buarque!

E o Fraga, de primeira:

– Rã! Chiquinho? Meu irmão! Meu irmão! O Chico é meu irmão! Eu o apresentei à Marieta!

Ou ainda:

– Tenho saudades da Elizeth…

E o Fraga, alisando o cabelo:

– Lisa?! Rã! Uma mãe pra mim! Uma mãe.

Sempre essas bossas.

E ontem, disse o Fraga diante de uma Folha Seca úmida de curiosidade depois do “rã” gutural:

– Mas é claro que me lembro! Eu pedi ao Zico que recebesse o Costinha!

O Fraga é assim. O Fraga conhece os que ainda sequer nasceram! E com uma importantíssima ressalva. O Fraga não conhece, nem sequer reconhece, os anônimos. Você diz:

– Fraga, você conhece o Pedro da Silva?

– Quem? – ele responde dando de ombros.

Mas basta ouvir o sobrenome reluzente, o ocupante de um importante cargo, um famoso, uma famosa, e o Fraga torna-se um encolerizado do bem, desfilando seu corolário de pigarros:

– Meu irmão!

– Come aqui na minha mão! – diz estendendo a palma pra cima como se oferecesse alpiste à ave imaginária.

– Rã!

Até.

2 Comentários

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2 Respostas para “ELE CONHECE DEUS; PESSOALMENTE

  1. >Capitão-do-mato,Peço aos seus milhares de leitores que corram para ler o blog do Simas de hoje (www.hisbrasil.blogspot.com), onde são relatadas suas peripécias juvenil-estudantis, distribuindo tackles pelos corredores do Colégio Palas (fonte absolutamente confiável me confirmou).Agradeço a lembrança, mas corrijo e ressalto, com veemência Szegeriana, que os anônimos são, e sempre foram, meus favoritos.Aguardo sua agenda para definir a data em que nos encontraremos com Deus…Saravá!

  2. >Edu, então foi com o Fraga que aconteceu aquela história famosa. Ele estava em Roma, entrou no palácio papal e apareceu ao lado do sumo patife na sacada. A multidão lá fora urrando. Alguém perguntou, então, quem era aquele lá em cima. Uma freira da Indonésia respondeu: “Quem? Aquele babaca com cara de nazista que está ao lado do Fraga? Não sei”.

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