Arquivo do mês: fevereiro 2007

ELE CONHECE DEUS; PESSOALMENTE

Eis que ontem, depois que disponibilizei o video no qual o filho do Costinha, Alexandre, chora convulsivamente diante do ídolo, o Zico, deu-se a bulha, estabeleceu-se o rebuliço. Todos os meus mais chegados, todos, choraram junto com o menino. E as reações foram várias. Mas uma obsessão tornou-se coletiva: quem se lembrava da tal reportagem na televisão? E eis a resposta impressionante, em negrito, com a veemência szegeriana: ninguém.

Eu digo “ninguém” mas em nome da precisão que me acompanha preciso fazer a ressalva. O Fraga lembrou. Não apenas lembrou. Instado a responder à pergunta que correu a cidade, pigarreou, já que o Fraga pigarreia com uma constância impressionante. Mas o pigarro do Fraga não tem nada a ver com a necessidade de liberar-se do muco depositado na garganta. Não. O pigarro do Fraga é um pigarro vaidoso. Explico.

Alguém diz:

– Adoro o Chico Buarque!

E o Fraga, de primeira:

– Rã! Chiquinho? Meu irmão! Meu irmão! O Chico é meu irmão! Eu o apresentei à Marieta!

Ou ainda:

– Tenho saudades da Elizeth…

E o Fraga, alisando o cabelo:

– Lisa?! Rã! Uma mãe pra mim! Uma mãe.

Sempre essas bossas.

E ontem, disse o Fraga diante de uma Folha Seca úmida de curiosidade depois do “rã” gutural:

– Mas é claro que me lembro! Eu pedi ao Zico que recebesse o Costinha!

O Fraga é assim. O Fraga conhece os que ainda sequer nasceram! E com uma importantíssima ressalva. O Fraga não conhece, nem sequer reconhece, os anônimos. Você diz:

– Fraga, você conhece o Pedro da Silva?

– Quem? – ele responde dando de ombros.

Mas basta ouvir o sobrenome reluzente, o ocupante de um importante cargo, um famoso, uma famosa, e o Fraga torna-se um encolerizado do bem, desfilando seu corolário de pigarros:

– Meu irmão!

– Come aqui na minha mão! – diz estendendo a palma pra cima como se oferecesse alpiste à ave imaginária.

– Rã!

Até.

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FLAMENGO E EU, DE CALÇAS CURTAS

Ontem foi a estréia do Flamengo na Libertadores 2007, e graças a isso, e por isso, meu dia foi tenso, como tenso foi o dia de todos os rubro-negros sérios que conheço, e que não são poucos. Tensão que, diga-se em nome da precisão, mostrou-se justificável. O jogo de estréia foi a 4 mil metros de altitude, num estádio tão horroroso quanto o gramado, e ter arrancado um empate depois de estarmos perdendo de 2 a zero foi, sem dúvida, uma grande vitória. Aliás – e afinal – essa é a tradição da Libertadores, e um clube disposto a conquistar o título não pode valer-se de desculpas pequenas como essas para justificar seus fracassos. Começou bem, então, o Flamengo.Como começou bem, também, meu dia. Acordei com a saudade a meu lado, que a saudade insiste em me fazer permanente companhia sempre que minha garota viaja. E nada como ocupar o tempo para que seus efeitos colaterais sejam menos evidentes. O dia ontem foi, além de tenso, intenso. Inúmeros compromissos profissionais me mantiveram, o tempo todo, ocupadíssimo. Ocupadíssimo, porém – não é demais repetir – tenso.

A tensão e a intensidade dos compromissos foram, entretanto, quebradas ao longo do dia. Meu mano paulista, o Szegeri, por exemplo, depois de ter recebido um e-mail meu contendo um filminho do YouTube, que por sua vez me foi passado pelo Leo Boechat – já, já, falo do filminho! – bateu o telefone pra mim e ficou de papo comigo exatos 19 minutos e 51 segundos. De papo, não. Ficamos, os dois, chorando juntos, e não estou, meu pai – peço licença a vocês para dirigir-me, exclusivamente, a meu velho pai -, fazendo gênero. O Szegeri foi, no instante em que assistiu o filminho – já, já, falo dele! – um homem emocionado, um meninote de calças curtas de mãos dadas com o avô. Já volto ao assunto. Vamos ao final da tarde.

Chegou ontem ao Rio de Janeiro o Augusto (leiam sobre o Augusto aqui). E na véspera, ainda em São Paulo, onde vive, pediu-me o Augusto:

– Quero conhecer a Folha Seca!

Como eu já havia marcado com o Arthur às seis da tarde na livraria – que o genial Pratinha chama de escritório! – tudo se encaixou.

E vamos ao capítulo Folha Seca do dia.

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Cheguei e já dei de cara com um Rodrigo Folha Seca em estado de tensão semelhante ao meu. Feliz, entretanto, diante de um quadro (posto na parede ontem mesmo!) que lhe foi dado de presente por ocasião da festa de três anos da livraria contendo as figurinhas de treze craques do Flamengo. Notem que eu digo “figurinhas” e me refiro às figurinhas FUTEBOL CARDS, que vinham juntamente com o chiclete PING PONG, e só de estar escrevendo isso eu já tenho, nesse exato instante, 5 anos de idade. Acham que eu enlouqueci? Acha, meu pai – com a licença de todos, mais uma vez -, que estou fazendo gênero? Então dêem uma xeretada aqui! Pausa para pequena informação: estou chorando. E sigo.

Cheguei, dei de cara com um Rodrigo em estado de tensão e com um Augusto, carioca exilado em São Paulo e rubro-negro até a alma, extasiado diante das prateleiras da mais carioca das livrarias da cidade, o que significa dizer do Brasil e do mundo.

Além de extasiado diante das prateleiras, Augusto dizia-se incrédulo diante do que via. É bem verdade que o Augusto praticamente mora dentro da Mercearia São Pedro, na rua Rodésia, onde mora, um bar que é também uma livraria. Mas me pareceu, pela reação do Augusto, que uma livraria que é também um bar – o que nada tem a ver com as afrescalhadas livrarias da zona sul com seus cafés abjetos – que ele estava diante de uma novidade! E estava mesmo! Ficamos ali nas casco-escuro de Brahma (fornecidas pela Toca do Baiacu) e na punheta de bacalhau com pão francês fresco (fornecida pelo Casual, do Chefe Santos).

Até que chegou o Simas. E faço nova pausa. O Simas, até ontem chamado pelo Szegeri de Velho, ganhou novo apelido, ontem mesmo. E foi, de novo, o Szegeri quem o cunhou: Amarildo. Como o Simas é, de fato e de direito, um possesso, o apelido lhe caiu como luva. E notem que o Szegeri captou a possessão do Simas sem nem ao menos conhecê-lo pessoalmente!!!!!

E até que chegou o Arthur, o mais novo membro da confraria. Estava formado o time.

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Devo dizer, em nome da precisão e em nome da gratidão, que deve ser sempre manifesta, que marcamos o encontro, eu e o Arthur, porque ele tinha – disse-me na segunda-feira – um presente para me entregar. E de fato me entregou. Ocorre que o presente – aliás, um presentão! – eu já tinha… Craque que é, tinha nas mãos um exemplar belíssimo, 775 páginas, da “Coleção Revista da Música Popular”, que eu comprara justo na Folha Seca. Levemente decepcionado – o que é natural numa hora dessas – o Arthur, num gesto de mestre, cata outra obra-prima de uma das prateleiras, pede uma caneta e crava uma dedicatória que me comove, e notem que eu já vivia, desde o começo do dia, emoções fortes, o que me fez ter certeza de que a noite prometia!Ei-la, que eu adoro quebrar sigilos!

“Edu, o livro que eu ia te dar era outro; porém este, assim como aquele, diz respeito ao Rio Antigo, que me remete diretamente à rua do Ouvidor, local onde estreitamos nossa amizade, dentro da livraria onde adquiri este exemplar. Pronto: o círculo está fechado. Um grande abraço fraterno, Arthur.”

Trata-se de “Crônicas da província do Brasil”, de Manuel Bandeira, em edição belíssima da COSACNAIFY.

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Ali ficamos, bebendo, jogando conversa, num clima que só mesmo a cidade do Rio de Janeiro – na rua, no centro, na zona norte, nos subúrbios da cidade – propicia. Cidade que, diga-se, continua linda e em paz apesar do massacre a que vem sendo submetida pela imprensa sórdida e nojenta, que dá a esse menino que morreu recentemente, João, um tratamento jamais dado às vítimas anônimas de violências muito mais brutais do que a verificada no assalto que não deu certo. Uma única pergunta, a que faço: se são monstros os meninos que roubaram o carro da mulher que perdeu abruptamente o filho que por uma fatalidade ficou preso do lado de fora do carro pelo cinto de segurança e que recebeu em casa, poucos dias depois da tragédia, Fátima Bernardes e a equipe do Fantástico (câmeras, auxiliares de câmera, maquiadores etc etc etc), o que são os meninos de classe média que atearam fogo no índio pataxó, em Brasília, há não muitos anos? Pigarreio e sigo.

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Dentro da livraria, pendurado na parede, o manto sagrado dava ao ambiente um caráter litúrgico.E quem passa, meus poucos mais fiéis leitores, quem passa caminhando pela rua do Ouvidor, quem passa caminhando lentamente diante da porta da livraria?

Ele, Júnior. O lateral-esquerdo rubro-negro que, na década de 80 e no princípio da de 90 (já no meio-campo), brilhou ao lado dos craques que conquistaram, em 1981, a Libertadores, a mesma Libertadores que perseguiremos nesse 2007 com sanha de possesso.

Eu disse “possesso” e volto a lembrar do Simas, ou melhor, do Amarildo.

Vejam com seus próprios olhos. É ou não é um possesso?

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E eis que chego ao final do relato, não sem antes dizer que foi emocionante assistir a partida, no Estephanio´s, ao lado do Augusto, do Rodrigo, do Simas, do Fefê, do Prata, da Betinha (que mais cedo também chorara vendo o tal filminho a que me refiro a seguir), do Flavinho, do Marquinho, e eu mantenho minha previsão: 2007 será um ano rubro-negro!Vamos ao filminho.

(ô, texto longo!)

Trata-se de um filme bastante antigo. Nele, o comediante Costinha está com seu filho, de 10 anos de idade, na Gávea, para apresentar o menino a seu ídolo, o Zico, ídolo de inúmeras gerações, dentre as quais a minha.

O menino chora, copiosamente – como choramos todos ontem, eu, Betinha, Rodrigo Folha Seca, Szegeri, (e não estou fazendo gênero, meu pai…) – diante do Galinho de Quintino. Chora e não crê na visão do ídolo à sua frente.

E por que – meu velho pai perguntará – choramos todos?

Posso falar por mim, mas tenho a clara certeza de que falo por todos.

Choro porque em 2007 os meninos não têm um único jogador brasileiro, jogando no Brasil, capaz de despertar tamanha paixão. Choro porque em 2007 o dinheiro fala mais alto que tudo, e os meninos não querem mais o futebol de bola-de-meia, a bolinha de gude, o Sítio do Pica-Pau Amarelo, mas o tênis mais caro, o jogo eletrônico mais moderno e votar no BigBrotherBrasil. Choro porque eu sou arremessado ao passado, abruptamente, e soluço de mãos dadas com o Alexandre, e minhas mãos tremem junto com as mãos dele, e eu enxugo minhas lágrimas com os dois braços, junto com ele.

Eu preciso parar de escrever. Choro nesse exato instante, como diz meu mano Szegeri, de maneira imunda.

Ah, sim.E como não quase-morrer de emoção lembrando dos versos do Moraes Moreira?

“E agora como é que eu fico
nas tardes de domingo sem Zico no Maracanã?
Agora como é que eu me vingo de toda derrota da vida
se a cada gol do Flamengo eu me sentia um vencedor?
Como é que ficamos os meninos, essa nova geração?
Arquibaldo, geraldinos,
como é que fica o povão?
Será que tem outro em Quintino?
Será que tem outro menino?
Vai renascer a paixão ou não?”

Até.

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MULHERES E SUAS OBSESSÕES

Eu e Simas passamos, há uns dias, pela mesmíssima experiência, levados, cada um, respectiva e obviamente, pelas mãos de nossas garotas, Dani Sorriso Maracanã e Candida. Deu-se assim a descoberta da coincidência: bateu-me o telefone o Simas, e aflitíssimo – notei pela respiração curta e ofegante.

– Onde você está?

– No shopping.

– Meu Deus!

– E você?

– No shopping.

– Meu Deus! Fazendo o quê?

– Comprando um colchão com a Candida. E você?

– Comprando um colchão. Sem a Dani mas a mando dela. Meu Deus…

– Daqui a uma hora no Rio-Brasília, Edu, por favor.

– Ok!

E nos encontramos, de fato, no Rio-Brasília.

Eu, quando cheguei, já encontrei o simpático casal à mesa. Candida, candidamente sorvia Coca-Cola de canudinho, e o Velho Simas, vermelhíssimo, no maracujá. Ergueu-se o Simas, quando me viu, e deu-me um abraço que só os irmãos dão, cochichando-me ao pé do ouvido:

– Uma fortuna! Uma fortuna!

– Nem me diga! Nem me diga, Simão!

Sentei-me, pedi um maracujá pra mim, e puxei da carteira, revoltado, um panfleto.

panfleto publicitário
– Simas, veja se isso é possível! A Dani enlouqueceu, camarada! Com o dinheiro desse colchão eu passaria o carnaval à base de uísque, pagando tudo pros amigos, gastando, gastando, e ainda me sobraria para uma viagem ao nordeste, eu e ela, pra descansar dos quatro dias de folia!

O Simas bateu os olhos no panfleto e parecia aterrado com o que lia.

– Desde 1898?

– Pra você ver…

– Cinco zonas de suporte especializadas que proporcionam uma melhor adaptação anatômica?

– Pra tu ter noção da coisa… Se eu me mexer à noite, malandro, e meu cotovelo, por exemplo, entrar na zona da coxa da minha garota, fudeu, eu acordo praticamente aleijado…

– Parecido com o meu! Também tem tecnologia HardFoam?!?!?!?!

– Mas é claro! Dani fazia questão disso!

– Candida também, caralho… – e Candinha continua chupando o canudinho prestando tremenda atenção ao nosso desabafo.

– Edu! E há zonas de suporte especializadas estrategicamente localizadas e fileiras de molas mais firmes que dão o suporte anatômico correto às zonas críticas do corpo?

– Há. Claro que há. O que eu não sei, sinceramente, é quais são as zonas críticas do meu corpo – eu disse alisando a barriga proeminente.

– Nem eu – devolveu o Simas coçando, acintosamente, o saco…

– Luiz Antonio! – ralhou Candida.

Ele fez que não ouviu.

– Simão… E por falar em molas…

– Dani também fez questão de molas ensacadas?

– Evidentemente! A recomendação foi expressa! Não importa a marca! Não importa a cor! Não importa nada! Nada! Tem que ter molas ensacadas!

Eis aí, meus poucos mas fiéis leitores, o instante em que interrompo a verídica narrativa para uma breve digressão, que fiz, de pé, e com veemência, para um Rio-Brasília atento.

Falo tendo a Dani como parâmetro, mas sei que o troço vale para qualquer mulher.

Dani viveu décadas dormindo feliz. Dormiu em colchões de mola, em colchões de espuma, em esteiras quando necessário, em sofás quando não tinha jeito, em colchonetes ordinários quando era essa a única opção. Nunca, jamais, em tempo algum reclamou da noite reparadora. Nunca. Mas bastou ver – e aonde eu não sei! – uma propaganda – e eu sempre digo que a propaganda e o marketing são a raiz da infelicidade humana – de colchões com molas ensacadas que tornou-se, o tal produto, sua obsessão olímpica.

Eu, inclusive, se solteiro fosse – fica minha dica – sairia no Bola Preta fantasiado de mola ensacada, uma fantasia simples, bastaria um lençol em volta do corpo, dizendo no ouvido das moças “oi, sou uma mola ensacada, vem dormir comigo que você jamais vai se arrepender” e outras merdas do mesmo gênero. Eu comeria, tenho uma inabalável certeza quanto a isso, várias foliãs, várias, mesmo sendo esse feio que eu sou.

Daí as mulheres, facilmente levadas no bico – que expressão velha! que expressão caquética! -, passam a PRECISAR de um colchão de molas ensacadas para serem mulheres felizes. O marido não mais importa. O namorado é um ninguém. Tudo passa a girar em volta desse mito que é o colchão de molas ensacadas. Choram, fazem beicinho, passam a rolar na cama à noite como nunca dantes atribuindo a insônia à ausência de molas ensacadas, um inferno.

Mas eis que então, colchão escolhido, Dani mandou-me à loja. Lá fui eu, triste, mas fui, que um pedido da minha menina eu não nego.

Entro no loja e vem a vendedora, que não sabe que estou ali com ordens a cumprir. Por coincidência, me aponta o colchão escolhido pela Dani, o que, aliás, torna ainda mais evidente o quanto é agressiva a publicidade da coisa. Estende-me o folheto.

Eu faço:

– Oh!

E ela sorri aquele sorriso peguei-mais-um-otário.

– Gostou, senhor?

– Hum. Mais ou menos.

Ela se decepciona e quase me agride:

– Como?! São fabricados desde 1898!

– Foda-se, minha senhora. Há muita merda fabricada desde muito antes disso…

Ela, com metas a cumprir, finge que não ouve a agressão.

– Mas, senhor… Mas ele é feito de molas ensacadas, e a ação independente das molas asseguram que os movimentos de sua companheira não lhe incomodem durante seu decanso…

– Minha senhora, mas à noite eu quero é rosetar! Se ela dança, eu danço!

Ela vai enrubescendo de ódio mas mantém a fleuma:

– As bordas do colchão são super firmes para sentar…

– Eu sento em poltrona, porra!

Rola uma lágrima dos olhos da vendedora, que range os dentes, num acesso de bruxismo à plena luz do dia.

Até que eu morro de pena e dou o golpe final. Como um possesso, viro o panfleto e aponto.

panfleto publicitário
Finjo estar emocionado. Forjo o choro. E pergunto, já fungando, assoando o nariz, lencinho tirado do bolso na mão.

– O que houve, senhor?

– Como é seu nome?

– Cilene, senhor… O que aconteceu? Fui ríspida com o senhor?

– Não, em absoluto… Se a senhora tivesse me dito antes, dona Cilene…

– Dito o quê?

– Se eu soubesse, dona Cilene, que o doutor Vincent Lucido dorme em um colchão King Koil porque seu desenho anatômico se adapta corretamente ao seu corpo e proporciona o suporte que ele necessita e o conforto que ele quer… – assôo o nariz com força, fazendo um barulho asqueroso – E que é esse o colchão que ele recomenda a todos os seus pacientes…

– O senhor conhece o doutor… ? … como é mesmo o nome dele…?

Eu faço que sim com a cabeça e nos encaminhamos para a formalização da compra.

Contei essa história pro Simas que, diante de uma incrédula Candida – “Vocês, homens, não nos entendem nunca…” – rolava de rir nas calçadas da rua Almirante Gavião.

Até.

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BETH CARVALHO NO RIO-BRASÍLIA

Tudo apontava para uma segunda-feira insossa, tediosa, monótona, triste. Sem minha Sorriso Maracanã, que está viajando de novo, eu havia decidido, no máximo, receber o Simas em casa para um uísque socialíssimo, rápido, só pra matar as saudades. Em nome da precisão vou explicar o por quê disso.

Estava eu em Volta Redonda desde a sexta-feira. E já no sábado, e já pela manhã, chega uma enigmática, emblemática e polidíssima mensagem no meu celular, enviada pelo velho Simas:

“Costurou na boca do sapo o resto do angu… saudade, caralho!”, era o que dizia o recado.

Comovi-me com a demonstração de afeto, fiz juras de amor quando respondi, e encontrar o Simas na segunda-feira tornou-se um compromisso. Pois bem. Vou prosseguir.

Antes, porém, confesso que me vem a cabeça o Rodrigo Manguaça, que sempre duvida do que me acontece, como contei aqui, quando escrevi isso:

“Dia desses eu fui jantar na casa da minha amada Sônia, mãe dos queridos Manguaça e Manguaço, e lá encontrei-me com o Rodrigo, primo desses dois, sobrinho daquel´outra. Disse-me o Rodrigo, comentando sobre o episódio envolvendo a garotada do jongo da Serrinha, que relatei aqui, que tudo na minha vida era encantado demais, bonito demais, quase que duvidando das belezuras que conto aqui no Buteco. Não duvidava de mim, exatamente, mas queixava-se, numa pilhéria, do marasmo de sua vida em contraste com as surpresas da minha.”

Marquei, de fato, o uísque com o Simas. Eu o aguardava às sete da noite quando o Prata me bateu o telefone:

– Edu, estou querendo levar a Beth pra conhecer o Rio-Brasília… Vamos?

Eu disse “vamos” e pensei “babau segunda-feira quietinho”.

Notem que o Prata já havia me ligado à tarde:

– Vamos ao Samba do Trabalhador?

Como não sou músico – digo sempre isso a ele – e eu estava de terno, no centro da cidade, no instante do telefonema, recusei, evidentemente, o convite.

Ligo pro Simas a fim de comunicar a mudança de planos, mas o menino prodígio é mais rápido que eu e já havia avisado a ele, que disse assim:

– O Prata acaba de me ligar. Estou indo, com Candida, pro Rio-Brasília!

Eu, que não sou homem de mentir, como havia convidado o Simas pra um uísque em casa, cheguei ao Rio-Brasília com o dito cujo.

Estávamos ali, bebericando o uísque, alternando com golinhos de cerveja e de maracujá, quando dobra a esquina o portentoso Dorival, conduzido pelo Prata, imediatamente seguido pela Beth. E deu-se mais uma surpresa da noite. A Beth salta do carro com duas mulheres que nos são apresentadas. Sheila, sua assessora de imprensa, e Monica Manir, jornalista de São Paulo, do Estadão, a quem a Beth me apresenta assim:

– A Monica disse que já troca emails com você faz tempo…

Verdade. Lendo isso aqui vocês hão de entender. A Monica, que chegou ao Buteco do Edu graças à indicação de uma amiga, já em duas oportunidades me convidou pra escrever uma carta aberta no Estadão, o que fiz com um tremendo prazer. Chegamos a marcar, quando lancei meu livro em São Paulo, de nos conhecermos, no Ó do Borogodó. Um imprevisto a impediu de ir. E acabou que nos conhecemos aqui mesmo, no Rio, no meu buteco de fé.

Pratinha e Beth Carvalho, 12 de fevereiro de 2007, no Rio-Brasília

A Beth ficou visivelmente bem impressionada com a beleza do lugar, e também pudera. Em questão de minutos a mesa era um troço! Garrafas de Brahma com véu de noiva, lingüicinha frita acebolada, queijo fatiado, doses de maracujá, uísque, carne assada com coradas, e chegam Rodrigo Folha Seca e Leo Boechat, convocados por mim, e eu percebo, naquele exato instante, não eram ainda nem nove horas da noite, que a segunda-feira não iria prestar…O Joaquim me fazia estranhíssimos sinais de dentro do balcão, aqueles sinais típicos de um náufrago em mar bravio, os braços balançando como um desses bonecos infláveis de posto de gasolina, e eu fui até lá:

– Doutor! Doutor! A Beth Carvalho, doutor, a Beth Carvalho! Obrigado! Obrigado! – notem a emoção do Joaquim.

Candida, Simas, Rodrigo Folha Seca e Leo Boechat, 12 de fevereiro de 2007, no Rio-Brasília

A certa altura, já quase dez da noite, pedi licença e fui em casa buscar o Pepperoni para uma voltinha no quarteirão. Acontece que a voltinha no quarteirão terminou no Rio-Brasília, já que quando passamos por ali o Simas gritou:- Deixa o Pepperoni aqui com a gente! Eu fico com ele.

E ficou.

Só ouço o menino gritando:

– Vem! Vem! Vem!

Em menos de vinte minutos chega, de táxi, o Gabriel da Muda, não por acaso um dos autores do samba vencedor do Nem Muda Nem Sai de Cima, que este ano homenageou a Beth.

Beth Carvalho e Gabriel do Cavaco, 12 de fevereiro de 2007, no Rio-Brasília

E ali ficamos, todos à vontade na minha cidade, na pacata Tijuca, naquela rua tranqüila, e pedimos a conta, e é preciso dizer, a essa altura, que a conta não chegou a dar nem vinte reais por pessoa, o que na zona sul dá pra você comer uma empada sem azeitona e um chope, e foram incontáveis garrafas de cerveja, doses industriais de maracujá, porções de lingüiça, porções de carne assada com batatas coradas – a Beth amou, a Beth amou! – queijinho, e um visivelmente comovido Joaquim – Terezinha chegara um pouco antes e compartilhava a emoção com o companheiro – deu de derramar sobre a mesa as saideiras, de cerveja e de maracujá. Até que não segurou a emoção – travada por uma incorrigível timidez – e me chamou:

– Será que ela tiraria uma foto conosco pra gente botar um quadro na parede?

Eu, já de olhos molhados, que essas demonstrações de afeto temperadas com humildade me comovem pra burro, disse um “mas é claro que sim!”. E vejam se eu não estava certo!

Terezinha, Beth Carvalho e Joaquim, 12 de fevereiro de 2007, no Rio-Brasília

E antes de encerrar, três episódios da noite.A certa altura bate o celular do Prata . Ele atende e fica naquele “já vou, pai”, “tô indo, pai”, “não vou demorar, pai, juro”. Até que a Beth toma o celular das mãos do menino e diz ao pai do gênio – Sérgio Prata, chorão de primeira linha, a quem a Beth evidentemente, conhece:

– Pode deixar o menino com a gente! Estamos tomando conta dele!

O Prata, por sua vez, comove-se com a intervenção elizabetana e corre em direção ao Dorival. Volta do carro com um LP nas mãos. E com os olhos marejados o entrega pra Beth:

– Autografa pra mim, Beth… Estava jogado, numa banca de discos no centro da cidade, perguntei quanto era e o cara me disse lamentando que não estava à venda, que o disco estava quebrado… Eu comprei mesmo assim! Autografa! Autografa!

Ela autografou e mandou até um “P.S.” no final, dizendo que se tratava do primeiro autógrafo, em décadas de carreira, num disco quebrado.

E por fim, vale o registro. Três coroas sentado numa mesa ao lado da nossa, já quase no final da noite, quando estavam indo embora, pediram licença, fizeram mesuras à Beth e um deles, em nome dos três, ele disse, anunciou:

– Estamos contigo, sempre, nesse episódio-papelão que a diretoria da Mangueira está fazendo…

Salve a Tijuca!

Até.

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O RECADO DE TIAGO PRATA

A vida é feita de pequenas surpresas, vejam se não.

Que (eu sei que pelas regras obtusas da língua não devemos começar uma frase com “que”) o Pratinha, o Tiago Prata, o Prata Querubim, é um geniozinho, isso é um fato. É um fato que eu atesto. Um fato que o Simas atesta. Um fato que o Rodrigo Folha Seca atesta. Um fato que o Szegeri, que nem o conhece pessoalmente, atesta.

Mas além de ser um gênio, além de ser aduladíssimo por onde quer que passe (quer seja pelo talento com o violão nos braços, quer seja pelo rosa que exibe nas partes laterais carnosas da face – quem tem Orkut que confira), o Pratinha é um antigo, também, no comportamento.

Acompanhem meu raciocínio que provará, irremediavelmente, a secularidade do menino.

Tem, o menino-prodígio, um carro sem ar-condicionado, o Dorival, nome do veículo, e isso de dar nome ao carro já é de um antigüidade vetusta, e deve ser, digo sem medo do erro, um dos únicos carros a circular no Rio de Janeiro sem ar-condicionado, o que dá a eles – ao carro e ao motorista – o adesivo da excepcionalidade. Isso para não falar da cor do carro, um horror, um horror absoluto, uma tragédia visual, única, implacável.

Há mais! Há mais! O Prata namora. Mas o namoro do Prata não tem, percebam bem, o frescor de um namorico comum a um menino de 19 anos. Não. O namoro do Prata é denso. É denso e é tenso. Pensa, o Prata, permanentemente, em porres homéricos, em projetos de suicídio, em noites vagando pela rua, a cada mínima crise que abala a relação afetiva que mantém. Eu e Simas somos, e novamente o Velho Simas – apelido dado por meu irmão Szegeri – poderá atestar a verdade do que digo, permanentemente procurados para um porrezinho, à mesa, com o geniozinho, a fim de “curar a fossa”, expressão que o Prata usa com freqüência, e notem que o simples uso da palavra “fossa” praticamente fossiliza o garoto.

E há mais. Há muito mais e eu não me estenderei mais a fim de não amofinar a sexta-feira de vocês (eu disse “amofinar” e me igualo ao Prata em arcaísmo).

Mas quero citar apenas mais uma prova, uma única prova, que tornará definitiva essa impressão da ancestralidade do Prata, essa certeza de que deve-se ao atavismo, evidentemente, esse comportamente, esse modo de ver e de viver a vida.

Ligou-me, ontem, o Prata. Estava eu ocupadíssimo, no Tribunal de Justiça, com o telefone desligado, razão pela qual não pude atendê-lo. Eu sempre – digo isso em nome da precisão – atendo meus amigos. Sempre. Que dirá um filho.

“Um filho?”, gritarão vocês.

Sim. Um filho. Foi, também, uma surpresa para mim. Mas não é exatamente sobre isso que eu quero falar. Atentem! Atentem!

Sabem vocês que a Livraria Folha Seca, a livraria do meu coração, além de ser a melhor livraria da cidade é também o ponto de encontro preferido dos amigos, o buteco preferido dos amigos etc etc etc, palco de momentos memoráveis, como esse aqui, ó.

Mas ouçam o curto, mas significativo, recado deixado pelo Prata na secretária eletrônica do meu celular, integralmente transcrito abaixo.

E notem como o menino – dezenove anos! – refere-se ao troço: “escritório”.

Escritório!

Gênio! Gênio! Gênio!

Ouçam o recado aqui.

“Eduardo Goldenberg, aqui é seu filho mais novo, Tiago Prata. É, quando puder me dá uma ligadinha. Estou indo em breve para o escritório, tomar uma cerveja, e depois eu queria falar contigo também, uma outra coisa, falou? Um abraço, tchau!”

Confesso que não é de todo má a idéia de ganhar um filho assim, pronto, já com dezenove anos de idade: rubro-negro, talentoso, dono de um gosto musical afinadíssimo com o meu, e, o que é mais bonito, mais velho, mais antigo, mais sábio do que eu.

Até.

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>UM IRRETRIBUÍVEL, DE NOVO

>

Como diria Wilson das Neves: ô, sorte!

Eu falei no nome do Wilson das Neves, imperiano de fé, e lembrei-me, imediatamente, do convite que me fez o Marcelo Moutinho para, com o Simas e com meu pai, assistirmos juntos ao show que aconteceu ontem, no Teatro Rival, em comemoração aos 60 anos do Império Serrano. Eu agradeci o convite dizendo que já tinha marcado um encontro, no Rio-Brasília, com duas queridas amigas, Manguaça e sua mãe, Sônia, Manguassônia pros íntimos.

Ocorre que no decorrer do dia ligou-me o Rodrigo Folha Seca, em estado de graça com a chegada de sua Joana, vindo de rápida viagem capaz de deixar meu amigo cabisbaixíssimo. Eu não titubeei:

– Rio-Brasília às oito e meia!

A bem da verdade e em nome da precisão, devo dizer que o encontro foi provocado pela Sônia, que queria me entregar um presente que me fora anunciado no domingo. E, já no domingo, eu era um ser em estado absoluto de ansiedade. Tentei cooptar a Manguaça, tentei comprar a empregada da Sônia prometendo mundos e fundos em troca da revelação do segredo, tudo em vão. E o encontro seria, também – digo isso ainda mais obsessivamente em busca da precisão que me acompanha como sombra – uma forma de agradecer pessoalmente à Joana o carinho que foi – babem! babem! – o bolo de chocolate que ela fez – babem! babem! – só pra mim.

Mas enfim.

Por que eu abri o texto dizendo “ô, sorte!”?????

Vejam se eu não sou um sujeito de sorte. Não deixo, nunca, de mencionar os presentes irretribuíveis que eu recebo, nunca. Aprendi com papai e mamãe – sempre repito isso também – a cultivar a gratidão. E sou grato a cada carinho que recebo, como esses todos que conto aqui, e como esse último, que conto aqui (antepenúltimo, agora, depois do bolo da Joana e do presente da Sônia).

E o que me deu a Sônia?

buteco feito artesanalmente pela Sônia

Vejam que lindo!

Ganhei um buteco, um mini-buteco, um lindo e comovente buteco, um nicho desses de pendurar na parede, e é evidente que vou pendurar esse, que foi batizado BUTECO DA SÔNIA, no meu buteco particular, aqui em casa.

Vejam bem… Tem piso e paredes de azulejo, quadros do Rio antigo, um escudo do Flamengo, uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, uma imagem de São Jorge, engradados de cerveja, queijos, cerveja na mesa…

Comovente demais.

Ergo daqui, de pé diante do balcão imaginário do buteco, o copo em homenagem à Sônia, essa mais-que-querida, mãos que não fazem apenas uma das mais gostosas comidas que já comi na vida, mas que é capaz de mágicas como essa, que ganhei pra mim. Foi feito, é claro, por ela. Com amor, como me disse. Que retribuo, daqui, já que me falta talento para retribuir à altura.

Ô, sorte!

Até.

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>AGORA, SIM!

>

Certas coisas são capazes de me dar alegria sem que digam respeito, diretamente, a mim. Vejam isso.

Ontem, escrevendo aqui sobre o episódio que envolve a Estação Primeira de Mangueira e a cantora Beth Carvalho, comentando a péssima matéria assinada pela jornalista Célia Costa, eu disse (e em negrito, o que me importa):

“Ontem saiu nota na coluna do Ancelmo Góis dando conta de que a Mangueira, a gloriosa Estação Primeira de Mangueira, desfilará esse ano abrindo mão da presença da não menos gloriosa Beth Carvalho. Hoje, n´O GLOBO também, no caderno RIO, Célia Costa assina matéria com o seguinte título: “Magoada, Beth Carvalho pode não desfilar pela Mangueira neste ano”, com o subtítulo “Cantora alega problema na coluna e diz que presidente negou vaga num carro”. Na tal matéria, a única menção ao nome do presidente da escola, Percival Pires, que teria negado peremptoriamente uma vaga na escola para Beth Carvalho, é a seguinte: “Percival Pires disse que desconhece o assunto”. E só isso. Mas peralá! Peralá! Eu não sou jornalista, é verdade, mas me parece que a moça que assina a matéria deveria, então, perguntar diretamente:

– Sr. Percival, a Beth Carvalho terá ou não vaga na Mangueira no desfile deste ano?

Mas, não. Não perguntou. E a matéria acabou que não informa nada. Rotina, n´O GLOBO.”

nota publicada no jornal O GLOBO de 07 de fevereiro de 2007

Ora! E não é que hoje, quarta-feira, o jornalista Cesar Tartaglia, carioca máximo, faz exatamente o que deixou de fazer sua coleguinha na véspera? Notem bem o teor da nota “Beth, a voz indignada do samba”, novamente negritada no trecho que me importa:

“Mas que bicho mordeu a diretoria da Mangueira? Desrespeitar Beth Carvalho, baluarte com 36 anos de escola, e deixar o dito pelo não dito? Beth está duplamente chocada, com a deselegância de lhe negarem um merecido lugar num carro – que ela reivindicara não por pavoneamento, mas por necessidade médica – e com a maneira como o presidente Percival Pires procurou dar por encerrado o episódio, declarando que desconhecia o assunto. Mas como desconhecer se ele mesmo negou o pedido ao empresário de Beth? Outra pergunta: ainda que desconhecesse, qual a posição do presidente sobre a solicitação dela: afinal, a Mangueira vai ou não atender o pedido de uma de suas mais representativas personagens? Moçada, não é hora de ficar calado. As escolas desrespeitam suas tradições, como fizeram com a velha guarda da Portela, por exemplo, e fica por isso? É preciso mostrar o desserviço que determinadas diretorias prestam à história das escolas.”

Que beleza! Assim é que se comporta um jornalista, pombas! Tomando posição. Sendo direto. Objetivo. Cobrando respostas para perguntas que elucidam a questão focada. Tudo o que a coleguinha do Tartaglia, na véspera, com mais espaço, não fez.

A se frisar, também, a belezura que é a solidariedade no meio do samba, prestada por gente bamba que não comete covardia. O mesmo Tartaglia, hoje também, anuncia que a Portela (através da Surica), a Grande Rio e a Império Serrano ofereceram à Beth Carvalho um “carro prontinho pra ela”.

A Beth merece essa homenagem. E a Mangueira, a manter-se a estúpida decisão que a deixa de fora do desfile, merece o repúdio de todos nós.

Até.

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