Arquivo do mês: setembro 2008

>AMANHÃ: RUA DO MATOSO – A SÉRIE!!!!!

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Amanhã estréia, finalmente, RUA DO MATOSO – A SÉRIE, em dez capítulos.

Enquanto isso, esquente as turbinas zona-norte lendo a primeira parte dos bastidores aqui, a segunda parte aqui, a terceira parte aqui, a quarta parte aqui e a quinta e última parte aqui.

Até amanhã!

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O STUDIUM, O PUNCTUM E O OVO COZIDO

Meu queridíssimo Bruno Ribeiro é tão exagerado e tão amigo dos amigos, que conseguiu elevar um tijucano humílimo, um fotógrafo mais-que-amador e rigorosamente despretensioso, à categoria de autor de pelo menos duas fotografias objetos de estudo. Vejam o que disse o malandro em seu BOTEQUIM DO BRUNO:

“Trata-se do balcão de uma esquina carioca. Chove canivete. E a chuva imóvel, ao fundo, parece emoldurar a cena, além de ser uma pintura. Se a chuva, originalmente, não tem esta cor alaranjada, deveria ter. À esquerda está o paulistano Fernando Szegeri; ao seu lado está o carioca Luiz Antonio Simas; e, na extrema direita, o jornalista Zé Sérgio Rocha (na segunda foto, suas mãos e o ovo). Sabemos que a máquina cristalizou um momento único, em que algo fundamental estava sendo discutido. Em verdade, cantado: o samba-enredo que Simas fez para o Salgueiro. Samba este que, se os orixás e os jurados assim quiserem, irá descer com a escola na Marquês de Sapucaí, no Carnaval do ano que vem. Eis o nosso studium.

Mas Barthes ficaria confuso, talvez, na hora de encontrar o punctum da foto. Pontos de fuga não faltam: pode ser tanto a barba amazônica do Szegeri quanto a careca do Simas. Eu diria que o grande ponto de fuga, no duro, é o ovo cozido na mão do Zé Sérgio. Em ambas as fotos. Os teóricos dirão que o Zé Sérgio, ou melhor, o ovo do Zé Sérgio, prejudica definitivamente o studium da imagem. “Se aquelas mãos, colocando uma pitada de sal naquele ovo, não aparecessem na segunda foto (ouço daqui os semiólogos dizerem), esta seria uma grande foto”. Eu digo, porém, que é justamente o ovo cozido nas mãos do Zé Sérgio Rocha que faz desta uma grande foto. O ovo dá o toque tijucano à obra-prima de Eduardo Goldenberg – é detalhe invasivo, tosco, alheio à emoção que a lente da máquina captura. O ovo acaba com qualquer tentativa de afrescalhar a análise sobre um simples bate-papo de buteco. O ovo, pois, é essencial para a compreensão não apenas da cena, mas da alma peculiar da Tijuca. Punctum, diria o Zé Sérgio, é o que se faz depois de comer o ovo…”

Leiam, na íntegra, aqui.

Até.

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>SIMAS E MUSSA ENTRE OS CINCO!!!!!

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O BUTECO, que já publicou ESSE É MEU SAMBA (aqui), AINDA O SAMBA DO SIMAS E DO MUSSA (aqui), AINDA O SAMBA DO SIMAS E DO MUSSA – II (aqui) e FESTA NA ALDEIA (aqui)- continua em festa.

O samba – de longe, o meu preferido – luta, no dia 04 de outubro, sábado que vem, ao lado de mais quatro concorrentes, pelo direito de disputar a finalíssima do dia 11.

Axé, queridos!

Até.

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A TIJUCA EM ESTADO BRUTO – X

Não é demais repetir! A série A Tijuca em estado bruto nasceu e ganhou corpo por absoluto acaso, sem que nada, rigorosamente nada, tenha sido planejado. Eu, que sou modesto como um frade franciscano, recomendo a leitura de toda a série! Leiam aqui o primeiro da série, texto no qual conto o que vi e vivi numa pizzaria tijucana, O Forno Rio, numa noite de domingo (domingo é o dia mais tijucano da semana!); aqui o segundo, que traz o relato de um jantar no melhor restaurante de comida italiana do país, tijucano, é claro, o Fiorino; aqui o terceiro, pequena descrição do encontro de minha mãe com uma amiga de há séculos de vovó; aqui o quarto, narrativa saudosa fruto de um encontro meu com meu concunhado, no Salete, na Tijuca, evidentemente; aqui o quinto, no qual faço uma comparação entre a mãe judia e a mãe tijucana; aqui o sexto, sobre o simpaticíssimo assalto que sofreu vovó, há umas semanas; aqui o sétimo, sobre os vícios de minha avó; aqui o oitavo, sobre o jantar que ofereci à Lina, minha querida cunhada, no já citado melhor restaurante italiano do Brasil e aqui o nono, dando início aos relatos envolvendo o médico homeopata de minha família.

Hoje quero lhes contar mais sobre nosso médico homeopata, o doutor Lauro. O doutor Lauro, a quem a família inteira, vivos e mortos, atribui o milagre da cura de minha mãe – que teve tifo aos três anos de idade -, jamais admitiu amortecer, sobre seus próprios ombros, o peso que minha parentalha, na íntegra, tinha (e tem) como incontestável. Basta alguém soprar, baixinho que seja, o nome do doutor Lauro e começam os murmúrios com as mãos espalmadas para o alto – “Um santo homem!”, “Um sábio!”, “Um verdadeiro espírita!”, “Salvou a Mariazinha!”, “Trata da Maricota desde os três anos!”, essas bossas médico-patrióticas.

Curioso é que meu pai, meu amado pai, que evidentemente não conhecia mamãe quando ela teve o tifo, nutriu, ao longo da vida (ainda nutre, o doutor Lauro é que não clinica mais), desde que o conheceu e à sua história, verdadeira adoração, febril idolatria, preocupante fixação no médico homeopata de hábitos simples.

Se você, meu caro leitor, esbarrar no meu velho pai por aí (papai anda pela Tijuca diariamente), diga que lê o Buteco, abra um sorriso franco em direção a ele, pouse uma das mãos em seu ombro e pergunte:

– E o doutor Lauro, Isaac?

E você ouvirá:

– Tá fazendo uma tremenda falta…

Papai é desses homens que anda com frases prontas no bolso. Experimente:

– Issac?! E a Noêmia?

– Uma lutadora! Eu gosto da Noêmia! – e abrirá um sorrisão.

Pausa para lhes contar uma recentíssima de papai (como vocês sabem, escrevo em ritmo febril, quase-mediunicamente, então vocês têm de me perdoar, vez por outra, esses arroubos, essas idas-e-vindas, essas mudanças bruscas de assunto). Estávamos, no domingo passado, reunidos em torno desse portento que é Fernando José Szegeri, na casa de papai e mamãe, no Alto da Boa Vista. Mamãe preparou, para homenageá-lo, um cozido, a geladeira estava cheia de cerveja, de vinho verde (do branco e do tinto), o uísque jorrando das torneiras da sala, até que papai pediu silêncio com o copo estendido. Iria fazer um discurso (e esse pequeno discurso, apenas ele, justificaria estar, o texto de hoje, na série A Tijuca em estado bruto):

– Quero propor um brinde, primeiramente, à minha mulher! Um brinde a você, Dani, minha nora amada, eu amo você! Também amo você, Lina! Obrigado por tudo!

Papai tropeçava nas sílabas, uma garrafa de Red Label já tinha ido embora. Ele continuou, soluçando de leve:

– Um brinde, meus filhos… Dudu… Nando… e Szegeri, meu filho que veio de São Paulo…

O Szegeri começou a chorar. Papai prosseguiu:

– Um brinde, Cacá! Meu irmão! Meu irmão! E um brinde, por fim, a você, Verinha, minha querida… Um beijo!

Ele ia se sentar quando eu o interpelei:

– Pai? E a vovó?!

Vovó estava cabisbaixa, ao meu lado, e chegou a dizer baixinho:

– Deixa pra lá, Dudu, deixa pra lá…

E meu pai, espetando o copo em direção à sogra:

– Sua vó está quase todo dia aqui, pô! – e estatelou-se, às gargalhadas, no sofá.

Vamos voltar às reações de papai com relação ao doutor Lauro.

Assim que papai conheceu mamãe (leiam Papai arremessado ao passado para entenderem um bocadinho a história dos dois, aqui), num dos primeiros lanches de domingo na casa de meus avós – papai e mamãe eram vigiadíssimos! -, vovó passava manteiga num brioche para meu avô quando lembrou, num estalo:

– Ih, meu Deus do céu! Está na hora do meu remédio!

Deixou o brioche esperando, abriu a gaveta da cômoda ao lado da mesa, tirou o vidrinho de Bryonia, encestou duas bolinhas na tampa de rosca do vidro escuro e pôs as duas, num arremesso, na boca. Disse pra si mesma, fechando o vidro:

– Hora em hora, Mathilde, não esquece!

Papai, querendo puxar assunto com a futura sogra, fincando uma fatia de mortadela com o garfo:

– Homeopatia?

Vovó, com o rosto iluminado e pondo uma das mãos sobre a mão direita de minha mãe:

– Sim, meu filho. Tratamos com a homeopatia, graças ao doutor Lauro, que salvou a vida da Mariazinha quando ela tinha três anos e teve o tifo…

E contou, durante todo o lanche, a história que eu também já lhes contei aqui.

Papai, que sempre foi um emotivo contido, chorou diante do relato emocionado de minha avó. Meu avô, homem de poucas palavras, concordou durante todo o tempo, assentindo com a cabeça, dando ares de verdade incontestável a cada palavra que vovó dizia. E mamãe, por sua vez, não escondia a satisfação diante da sensibilidade do namorado. Papai quebrou o silêncio:

– Tem que tirar o chapéu pro doutor Lauro…

– Se tem! – disse vovó.

Mamãe sorriu e meu avô reclamou seu brioche.

Foi nesse dia, então, que papai ouviu, pela primeira vez, o nome do doutor Lauro.

Julho chegou e com ele papai pegou uma gripe. Foi ao lanche dominical na casa de meus avós. Vovó abriu a porta – era sempre minha avó a abrir a porta de casa para meu pai – e deu de cara com o nariz vermelho de meu pai (papai tem um senhor nariz). Foi dar os dois beijinhos no namorado da filha única e ele, gentil:

– Não, dona Mathilde! Estou com uma gripe daquelas! E uma febrícula desde cedo…

Mamãe levantou-se preocupada (ainda sofria as conseqüências do trauma do tifo). Vovó disse:

– Você está medicado, Isaac?

Ele fez que não com a cabeça enquanto assoava o nariz com seu lenço azul e branco.

Vovó em direção à mamãe:

– Mariazinha! Vá lá dentro buscar papel e caneta!

Mamãe voltou à sala e minha avó, depois de escrever no tal papelucho, estendeu-o a meu pai:

– O telefone do doutor Lauro! Marque uma consulta para amanhã, meu filho!

Papai:

– Doutor Lauro…

E olhando ternamente para mamãe:

– … o homem que salvou sua vida!

E vovó, já caminhando pelas sendas do espiritismo:

– Graças a Deus!

Ficaram os três de conversa na sala – meu avô ouvia o noticiário no rádio num canto, sem tirar os olhos do casal de pombinhos – até que minha avó, depois do quinto espirro de meu pai, disse:

– Vou ligar pra casa do doutor Lauro! Você está muito mal, meu filho!

Papai:

– Mas hoje é domingo, dona Mathilde, não há urgência, amanhã eu mesm…

Vovó já estava pendurada no gancho:

– Doutor Lauro? Oh, doutor Lauro, que Deus o abençoe… Me perdoe estar ligando num domingo… – e ficou espetando o polegar em direção ao teto anunciando o êxito da ligação.

Papai espirrou.

– Oh, doutor Lauro… O senhor ouviu? É o Isaac, doutor Lauro, namoradinho da Mariazinha, sabe? Está com uma gripe daquelas!

Fez cara de suspense:

– Sei, sei, sei. Tenho sim, doutor Lauro! – fez sinal com a mão pedindo papel e lápis mais uma vez.

Papai levou o mesmo papelucho, e o lápis:

– Aconitum… sei… Bryonia e Belladona! – o polegar espetadíssimo, quase eufórica.

Pôs a mão no bocal do fone e disse:

– Mariazinha, minha filha, pegue lá, na cesta dos medicamentos! Tome! Tome! – e lhe estendeu o papelucho.

Continuou:

– Oh, doutor Lauro, muito obrigada! Que Deus abençoe o senhor! Amanhã, então, o Isaac irá vê-lo!

E sendo moderna, disse sorrindo em direção a meu pai:

– O.K., doutor Lauro? Um abraço, doutor Mauro, lembranças à família, o Milton e a Mariazinha estão mandando um abraço para o senhor!

E desligou.

Mamãe chegou de volta com os medicamentos. Vovó, zelosa, explicou a meu pai, calma e pausadamente, como ele teria de tomar os remédios. E disse, colocando-os em fila na mesinha de centro:

– Comece agora, meu filho! Comece agora!

Lancharam, papai parou de espirrar – “E ainda dizem que a homeopatia é lenta!”, disse vovó, quase-fanática -, e quando foi haver a despedida, falou, maternal:

– Leve os remédios, meu filho. Continue tomando, agora de meia em meia-hora. Amanhã, quando você sair do doutor Lauro, passe por aqui, devolve esses remédios e aproveita para nos dar notícia acerca de seu quadro!

Mamãe achava aquele cuidado da própria mãe com seu namorado, uma benção. E seus olhos deixavam isso muito claro.

Papai despediu-se com um aceno de meu avô – que nada disse -, despediu-se de mamãe (não podiam ir, sozinhos, ao portão da rua), e quando ia estender a mão em direção à vovó, ela lhe disse:

– Espia! Espera um minutinho!

Sumiu pelo corredor e voltou, ligeira:

– Meu filho, vá com Deus e que Jesus te acompanhe até em casa. E… – pigarreou – … tome. Espero que você goste. Não há pressa. Depois você devolve.

E estendeu, sorrindo, um exemplar do Livro dos Espíritos, o mesmo que ganhara, anos antes, do doutor Lauro.

Papai o pôs debaixo do braço. Vovó:

– Alguma coisa contra, meu filho?

– Muito pelo contrário, dona Mathilde, muito pelo contrário…

Tomou a direção do portão, deu o último adeus da noite, e vovó, suspirando e fechando a porta:

– Um bom rapaz, o Isaac… Graças a Deus, minha filha, graças a Deus!

Até.

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>PREÇO DE BUTECO

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A porção de salaminho que vocês vêem quase devastada na fotografia abaixo, caprichadíssima e de qualidade, custa R$ 8,00 (oito reais) na QUITANDA ABRONHENSE, cortado na hora pelo seu José.

porção de salaminho, QUITANDA ABRONHENSE, na Tijuca

No bistrô que o ex-dono do RIO-BRASÍLIA abriu na Almirante Gavião – como eu já havia lhes contado aqui e aqui – custa R$ 25,90 (vinte e cinco reais e noventa centavos).

Por essa e por outras, não ponho meus pés lá.

Até.

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>CASA DE FERREIRO, ESPETO DE PAU

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Reparem no cartaz – imundo – à direita da foto (cliquem sobre a fotografia e vocês poderão vê-la em tamanho maior). ORGANIZE-SE, são as lições contidas no papel que mal se lê, de tanta sujeira. E atentem para a lição de número 5: SE SUJOU, LIMPE. E isso, meus poucos mas fiéis leitores, num dos bares mais sujos em que já pisei em quase 40 anos de vida. Ou o mais sujo, quero ser franco.

ESCONDIDINHO DA MATOSO, 27 de setembro de 2008, Felipe Quintans (o Felipinho Cereal) ao fundo

Casa de ferreiro, espeto de pau – literalmente.

Até.

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BEBENDO COM O BERINJELA

Vocês hão de se recordar… No começo de setembro esteve no Rio o meu queridíssimo Favela. Escrevi FAVELA NO RIO, DE NOVO e publiquei umas fotos do malandro (em preto e branco), bebendo com dois caboclos num final de noite no COLUMBINHA (vejam aqui).

Pois no final da noite de sábado, 27 de setembro, já madrugada de domingo, pediu-me o mano Szegeri (de passagem pelo Rio de Janeiro), depois de um dia de fortíssimas emoções (vejam aqui):

– Eu quero ir beber no Columbinha com aquele negro velho que eu conheci pelas fotos e que bebeu com o Favela, será que ele tá lá?

Saímos do BAR DO CHICO, atravessamos a Afonso Pena, bebemos uma no BAR PINK e tomamos o rumo do COLUMBINHA. E não é que estava lá o Berinjela?

Fernando Szegeri e Berinjela, COLUMBINHA, Tijuca, 28 de setembro de 2008, 0h34min
Fernando Szegeri e Berinjela, COLUMBINHA, Tijuca, 28 de setembro de 2008, 0h35min
Fernando Szegeri e Berinjela, COLUMBINHA, Tijuca, 28 de setembro de 2008, 0h35min

Até.

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