Arquivo do mês: janeiro 2006

DOMINGO É O DIA

“Aonde houver cachaça
aonde houver barril:
presente está a Turma do Funil!”

(Mirabeau, M. de Oliveira e Castro)


(foto de Pedro Toledo)

Eu já disse e vou repetir.

Domingo é o melhor dia pra beber.

E esse troço de “melhor dia pra beber” cria sempre uma cizânia violentíssima quando os biriteiros se encontram. O Fefê, por exemplo, prefere beber às segundas-feiras. “Dia de profissional”, diz ele. O Branco, dono de beleza acachapante, prefere beber acordado pouco se importando com o dia da semana. É um estilo. O Szegeri. O Szegeri eu não sei. Andamos tão distantes que eu me percebo, agora, incapaz de apontar seu dia preferido para o esporte. Estivéssemos em dezembro do ano passado e eu saberia lhes dizer não apenas isso, mas qualquer coisa que envolvesse meu irmão paulista. Hoje, não. Beligerante, birrento, mais-paulista-que-nunca, o Szegeri está a milhares de quilômetros de mim embora eu ainda o guarde com carinho. Não me bate mais o telefone. Não me manda mais um rascunho de email. Um “olá” amistoso. Nada. Vejo chegando o 27 de abril e nem assim o Procurador irá me procurar.

Eu disse “Procurador” apenas para lhe contar uma de semana passada. O Szegeri trabalha na Procuradoria da República, em São Paulo. Quando ligo (ligava) para lá ele atendia pomposo:

– Procuradoria.

E bastava eu dizer, “Fala, mano!”, e toda a pompa, todo o protocolo, toda a cerimônia era pisoteada, cuspida, violada e estuprada diante dos uivos de alegria do meu bom amigo. Semana passada foi diferente (somente a segunda parte do telefonema).

Ele atendeu:

– Procuradoria.

E eu:

– Fala, mano!

E ele:

– Procuradoria.

E eu:

– Sou eu, Szegeri!

E ele:

– Procuradoria.

Desliguei tristíssimo. Dito isso, em frente.

Disse ontem que o Dalton é a cada dia mais meu irmão. E no dia da semana eleito para a melhor porranca somos siameses. É no domingo que o Dalton acorda com sede de beduíno. Foi assim no domingo retrasado. Foi assim no domingo passado. E será assim no próximo domingo. Será assim, acredito e espero, nos domingos vindouros (há tempos não digo isso: “Como estou antigo!”).

Nesse último domingo, a Dani, minha Maracanã amada, foi beber conosco. E portou-se como uma monitora com seus alunos petizes.

Sentamos à mesa e pedimos os chopes. O Dalton sorrindo:

– Edu? Cachacinha?

E eu guinchei que sim.

A Dani:

– Meninos… mas já?

Quando ela disse “já?” nós dois já lambíamos os beiços (cada um lambeu seu próprio beiço, é necessário o destaque).

E ficamos ali bebericando à graça da vida intercalando cada par de chopes com um copinho de Boazinha.

Fomos ao Estephanio´s.

O Dalton (descalço):

– Tequilinha? Tequilinha?

E a Dani:

– Meninos… pra quê isso?

E quando ela disse “pra quê isso?” sorvíamos o limão e o sal no sulco das mãos (cada um na sua, de novo).

É incrível esse troço quase-religioso. Eu dispenso a sexta-feira, eu fico recluso aos sábados, mas aos domingos dá-me um bicho carpinteiro (minha bisavó dizia isso demais…) e lá vou eu, cantando que se alguém perguntar por mim diz que eu fui por aí… Fazendo côro com o Dalton. Dá-me uma vontade gigantesca, sempre, da companhia do Szegeri. Mas ele – não é demais repetir – anda ainda mais distante do que Rio e São Paulo.

Até.

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RABADA NO BUTECO

“Toca de tatu, lingüiça e paio, boi zebú,
rabada com angú, rabo de saia…”

(João Bosco, Paulo Emílio e Aldir Blanc)

O Buteco está em festa, de novo. Fomos ontem, eu e a Sorriso Maracanã (a cada dia mais bonita), ao sopé do Morro dos Macacos visitar a Dhaffiny (uma de nossas afilhadas), a Stefany, Buba e Lu, pais das duas meninas que têm sorrisos aptos a receber apelidos, mais à frente, de um cada vez mais ausente Szegeri. Breve pausa.

O Szegeri tem tido ataques histéricos incompreensíveis. Eu tentei parar de fumar (voltei de novo) e foi ele, meu irmão paulista, quem teve reações estranhíssimas, crises de abstinência vigorosas e pitis homéricos transformados em verborragia agressiva aqui nesse canto tão sweet, como diria minha amada e poliglota Dani. Agrediu leitoras, agrediu até mesmo amigas nossas, agrediu – vejam vocês! – aquela a quem um dia ele chamou de “musa”. Vejam bem. Teve reações estranhíssimas, teve crises de abstinência vigorosas, teve pitis homéricos e quando eu tentei dizer a ele quatro ou cinco palavras contra seu estado beligerante sofri um ataque de coices pelo telefone que vou lhes contar! Daí, para minha tristeza, está cada vez mais ausente o irmão a quem tanto amo. Explicado isso, vamos em frente.

Sempre que chegamos lá, na casa amarela onde moram (eu disse casa amarela e lembrei-me, de novo, do meu irmão Szegeri), a casa vira uma festa. Dani vai ao chão onde se acaba de brincar com as meninas e com a Lu e eu fico bebericando uma cerveja geladíssima com meu compadre Buba, comprada na birosca no final da Petrocochino. Daí que ontem, papo vai, papo vem, lá pela sexta garrafa, o Buba me conta que encontrara o Fefê na véspera. Que o Fefê disse algo como “pô, você nunca me convidou pra ir à casa de vocês…”, e o Buba ficou mal, disse-me ele. E emendou:

– Quero fazer um almoço no domingo que vem aqui em casa em homenagem a seu irmão!

Pra quê?

Eu que ando com vontades olímpicas de cozinhar pra batalhões assumi o compromisso de chegar no domingo cedinho munido da rabada já temperada, dos agriões e mais que tais. Buba e Lu ficaram com o arroz. Fizeram na hora a lista dos convidados, limitados a vinte, e fizeram questão de chamar, além do Fefê e da Brinco, o Dalton, mais meu irmão a cada dia. Cada um chegando com seus engradados e a Vila Isabel, naquele pedaço, vai tremer no domingo.

Para os que gostam de rabada, desde já lambam os beiços.

Vou comprar seis quilos de rabada na quarta-feira, cortada na junta dos ossos. Preparar a vinha d´alhos na quinta pela manhã, com seis garrafas de vinho tinto, muita cebola cortada em quatro, muito dente de alho, muitas folhas de louro, muitos grãos de pimenta do reino preta. Vai tudo pra geladeira, e tudo será mexido duas, três vezes ao dia. E no domingo de manhã, cedíssimo, parto pra lá, pra preparar o rega-bofe.

Tô assim, ó, riscando os dias na folhinha imaginária!

Até.

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>RESENHA (por Vicente Melo)

>

Eu não tenho hábito – ou melhor, jamais fiz isso! – de escrever nada nos finais de semana. Mas ontem o Buteco recebeu uma mensagem tão bonita e que me deixou tão feliz, que a ela dou destaque hoje. Vem do jornalista Vicente Melo, da minha mui querida cidade de Volta Redonda, que fez uma espécie de resenha sobre o livro que lancei em dezembro do ano passado. Ergo o copo imaginário ao lado do seu Osório, comandante da esquina da Artistas com a Ribeiro Guimarães, à saúde do Vicente!

Bem, acho que também enquanto poetiza, o Edu dá continuidade a sua viagem. É que temos mesmo nossos outros lados. Ao que parece, os do Edu são otimamente semelhantes. Porém, tô aqui e agora para falar do Botequim da Vida, que só agora li.

É preciso ter aptidão para viver, a alma santa e o olhar complacente para decorar o espaço da festa. O Edu tem. Prende cada fita em seu devido lugar, cada renda e cada buquê ocupam parcimoniosamente seus precisos pontos, tudo com o máximo de luxo, porque não apenas percebe o valor, mas exerce o respeito e dignifica o espaço para o maior espetáculo da terra: o desfile do espírito humano. É assim em seu livro. Fica impossível falar da carioquice, prender-se ao estilo coloquial, da ênfase dos diálogos teatrais na construção do particular humor de Edu, pois é irrecusável o convite para puxar uma cadeira, tomar o chopp e esquecer os compromissos menores.

No bar, no lar, no elevador, no táxi, no Maracanã, no Tribunal, na banca do bicho, enquanto existirem Edus e Tijucas, seremos testemunhas de que a amizade é o melhor alimento para a alma e nos faz juntos e iguais aos que acreditamos dignos de nossa fantasia. Como instituição respeitada, o bar é o lugar ideal para materializarmos aquilo que não é obrigação, o melhor da vida, por isso o Edu decora com tanto zelo. É aí que o “grande seu Osório” planeja se solta um arroto ou um pôta!, e sempre rola uma Gisleyne para ampliar o argumento dos que já dobram a curva do 15º chopp e incentivar os que gostariam de ser diferentes, mas vêm suas mazelas expostas no meio do salão. Aliás, deliciosas mazelas que na roda produzem delírios ao destruir os cânones e desalojar os credos. Onde o SEMPRE busca consagrar a vida na terra como no céu, é impossível não ter um Dedeco como referência, um taxista livre para uma história de amor e dor, a lembrança do afogamento em Niterói, a figura ímpar do Comandante nu, quiçá denunciando a ausência de seu Armani, uma Dra. Vitorina que estragaria a nossa festa se se mantivesse com os metódicos do hortifruti e a terrível constatação de que até o Brizola morre. É a arte de ocupar o tempo de viver com a menor dor possível, usando o feitiço das histórias e palpites da vida sem fim.

Enquanto Edus e Tijucas puderem se encontrar, estará protegido o melhor do patrimônio humano, o encontro com tudo o que tem direito para a sua manutenção: a cumplicidade, o machismo, a lascívia, a dor, a festa, a nostalgia, o medo e o heroísmo, a glória e a derrota e o chopp, claro, ousadia dos que querem um pouco do sonho agora. Da dura realidade sobra para cada um de nós apenas um sentimento de independência, o direito de escolha e a liberdade de expressão, portanto: raclete, nunca mais, um chopp, por favor e foda-se a freira!

Vicente Melo

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>DITO E FEITO

>

Os corpos sobre a cama,
fremindo e tremendo,
suados, colados,
ardendo de amor.

Os gritos e os afagos,
os beijos e os abraços,
as mãos juntas apertadas
e a sensação de que cada segundo
não cabe no mundo
de nós dois.

Há a supressão natural
do instante de depois
já que cada entrelaçar de nossos corpos
anuncia nova festa de gozos
e sussurros
sem fim.

Eu mais inteiro em você.
Você mais inteira em mim.

A unidade de dois faz-se realidade
pondo de lado a utopia dos maus amantes.

Nada será igual daqui pra frente,
como nunca foi parecido, nada, antes.

Nossos suores se misturam ao cheiro
que invade o espaço
de quatro paredes.

Aliás, paredes que parecem não mais existir,
já que derrubamos, há tempos,
os espectros de paredes,
e muros, e barreiras que havia entre nós.

Resta o sorriso do amor bem feito,
do amor perfeito,
o sorriso meio sem jeito,
minha mão sobre seu peito,
nós dois rindo muito…

As roupas espalhadas pelo chão,
um sentimento a nos arrebatar o coração,
e um tanto
de marshmellow
de Nhá Benta no colchão.

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CANÇÃO DA MANHàFELIZ

“De repente em minha vida
já tão fria e sem desejos
estes festejos
esta emoção…”

(Haroldo Barbosa e Luiz Reis)

Eu sentia-me exatamente assim. Semi-morto. Um autômato. Quase um vegetal. Há exatos cinco anos. E o simples fato dessa memória da data, o simples uso da palavra “exatos” para contar os anos e pontuar a dor de meia década é capaz de deixar bem nítido o tamanho do rasgo na minha alma ou no que um dia pude chamar de alma (pude, não… no que um dia chamaram de alma por mim).

A dor do abandono deve doer. Eu digo deve doer porque o que me vitimou não foi abandono. Foi nem sei dizer o quê. Aquela vaca confessa numa manhã de sábado de carnaval que está saindo de casa e justo por causa daquele a quem eu considerava um grande amigo. “Vamos pra Paris”, foi só o que ela disse já de pé no centro da sala, duas malas enormes a seu lado, e nem um beijo, nem um abraço, nada.

E pior que isso.

Nem sinal de nada. Foi assim, de uma hora pra outra. Claro que de uma hora pra outra segundo a minha visão. “Estamos juntos há seis anos”, isso foi dito assim, fria e pausadamente, para responder meu monocórdio “desde quando?”.

Mas ontem, sei lá o que me deu, depois de exatos cinco anos (uso o exato de novo e percebo a cicatriz fechando), contratei a Leila (escolhi pelo nome, o mesmo), a quem encontrei numa dessas agências de acompanhantes (que é como as putas se denominam pela internet). Minha única exigência: dormir comigo.

Paguei o triplo do valor que me fora dito pela telefonista, educadíssima (como estão refinados os puteiros, os bordéis, os lupanares). “Dormindo fica mais caro”.

Não me importava.

Eu queria acordar dizendo “Leila, bom dia” novamente.

Mas ao acordar, vendo a Leila ali, dezoito anos (isso foi o que ela me disse, não tem mais de dezesseis), em posição fetal, nua, os pezinhos enroscados, uma manhã luminosa arrebentando a veneziana e frisando de luz o colchão, senti uma emoção que já desconhecia.

Os quarenta anos que nos separavam não tinham a menor importância.

E enquanto fotografava Leila, com um nó na garganta, um calor no peito e um tremor indisfarçável nas mãos, notei que só estava dizendo “exatos cinco anos” porque não havia me permitido, minimamente que fosse, uma oportunidade mínima de um esboço de emoção.

Quando eu disse a ela, assim que fez a primeira preguiça, “Vou tirá-la dessa vida, minha querida…”, ela gargalhou, perguntou por torradas e café bem forte. Acendeu um cigarro e disse brincando com a fumaça:

– Todos dizem isso.

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HOJE É DIA DE ISAAC, MEU PAI

“A mata inteira fica muda ao teu cantar
Tudo se cala para ouvir tua canção
Que vai ao céu numa sentida melodia
Vai a Deus em forma triste de oração”

(Jacobina e Murilo Latini)

Hoje, 25 de janeiro, meu pai faz anos.

Meu pai está ficando velho.

Tão velho quanto “Uirapuru”, meu primeiro registro musical. Meu pai me fazia dormir, bebê, assobiando nos meus olhos (tática infalível que mantinha meus olhos fechados deixando-me a um passo do sono profundo) uma das mais tristes melodias do nosso cancioneiro. Uma das mais tristes melodias, mas a preferida de meu pai.

Ergo, do Buteco, o copo imaginário à saúde de meu velho pai.

Canto, no balcão, a mesmíssima melodia para que vá até ele e não ao céu, meu mais emocionado beijo, meu mais afetuoso abraço, minha mais verdadeira gratidão por tudo.

Canto e depois me calo para ouvir, ainda mais comovido, o canto do meu pai, com aquele jeito orgulhoso que é só dele.

Até.

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A PROFESSORINHA

“Que saudade da professorinha
Que me ensinou o bêabá…”

(Ataulfo Alves)

(foto de Paulo Barbosa)

Luísa. Professora de Língua Portuguesa. A conheci no balcão do Bar Getúlio, no Catete, numa terça-feira sem qualquer compromisso que não comigo mesmo: sentar à mesa às sete, ver o movimento nas calçadas, beber até umas nove e voltar pra casa.

Não voltei às nove porque a Luísa sentou-se à mesa. O bar lotado e eu sozinho com uma cadeira vazia à minha frente. Ela sorriu. Perguntou se podia sentar-se. Eu nem respondi. Assenti com a cabeça, ofereci a ela um cigarro que foi recusado e começamos a conversar pelo viés mais banal. “Qual seu nome?”, “Mora por aqui?”, “Faz o quê?” e eu ri demais quando ela disse Luísa com “s”, professora de língua portuguesa.

Há mais de 20 anos eu tive uma professora de português, Luísa também, também com “s”.

Ela riu de volta.

Baixinha, olhos puxados, cabelos curtos num corte antigo, gordinha mas que me deixou com um tesão absurdo ainda dentro do bar, Luísa foi gentil quando disse “eu pago a conta, faço questão, minhas férias começam hoje”.

Meu tesão dobrou por conta disso. Senti-me ali o aluno de novo. A tia pagando a conta.

Não sei exatamente como a coisa se deu, mas quando o garçom trouxe o troco naquela carteira de couro já estávamos nos beijando e eu beijei mal de propósito. Queria ser o aprendiz.

Luísa – pareceu-me – sacou o jogo e convidou-me pra um Frangelico em sua casa. Tomamos o táxi.

– Praia de Botafogo, por favor… – ela disse sentada no banco traseiro, a meu lado, alisando minha coxa acintosamente.

Pagou o táxi e subimos pelo elevador. Eu, representando, fiquei olhando pros meus próprios pés fingindo timidez e de soslaio percebi Luísa retocando a maquiagem diante do espelho.

Saltamos no nono andar. Luísa remexeu a bolsa, sacou da chave, abriu a porta e me disse “entra, meu bem…” com uma doçura estonteante.

Pediu licença e eu fiquei de pé, diante da janela, observando o movimento dos carros àquela hora. Perdi a noção do tempo hipnotizado pelo traçado vermelho e branco dos faróis e lanternas dos carros naquela noite de chuva quando escutei o “psiu” e virei-me.

Luísa nua.

– Me bate, meu bem – e estava chorando.

– Hein?

– Vem aqui, vem…

Cheguei mais perto.

Luísa tomou-me pelas mãos. Pôs minha mão direita em sua face esquerda e disse:

– Bate… com força…

Bati.

– Mais! Mais! Me machuca, querido!

Fiquei confuso, fiquei tonto, estava de novo com cinco anos de idade e a Tia Luísa, de Português, queria apanhar, e a Luísa, do Bar Getúlio, implorava por um espancamento que não estava nos meus planos. Não lembro de nada. Apenas que a Luísa, diante da minha impotência, abriu uma garrafa de Frangelico, que era, afinal, o que estava no roteiro.

Mas eu tô sempre lá.

Uma vez por semana, praticamente.

A cada dia me chama de um nome.

Seus alunos, imagino.

E eu tomei gosto. Valho-me das mãos, do cinto, de pequenos chicotes que ela coleciona, de uma colher de pau, tenho sempre que deixar uma marca em seu corpo. Só assim, me disse a Luísa, ela é feliz.

– O bêabá do prazer, meu bem, não tem regra, sabe?

Luísa – creio que isso é importante para compreendê-la – paga sempre o meu táxi quando volto pra casa.

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