Arquivo do mês: maio 2007

>NÃO, EU NÃO SABIA

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Disso, especificamente, disso eu não sabia.

nota publicada no jornal O GLOBO de 30 de maio de 2007

Mas o Jota – quem mais? – me fez saber.

Torço, agora, para que ele faça o serviço porco por completo e dê o nome dos porcos-sócios do repugnante “clube do talher”.

Não interessa a mais ninguém a razão pela qual anseio pela odiosa lista.

E mudando o foco, pra encerrar: que poder tem o homúnculo que o impede de levar um esporro mastodôntico do editor do jornal O GLOBO? A coluneta não chama GENTE BOA e não foi criada para enaltecer o carioca, o carioquismo, as coisas da cidade?

Por que é que temos de ficar sabendo de tamanha podridão e em São Paulo? Que o homúnculo faça, então – repetindo – o serviço completo e dê o nome dos membros da canalha.

É como diria Deus:

– É de foder.

Até.

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>SIMAS, O POLIGLOTA

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Vocês hão de se lembrar o que lhes contei sobre o domingo retrasado, 20 de maio, sobre o qual discorri, brevemente, aqui.

Mas deixei de lhes contar – e agora mais do que contar eu mostro, o que apenas atesta minha condição de preciso do início ao fim, sempre – sobre peculiar faceta daquela tarde, já noite no instante das peculiaridades a que me refiro.

O Simas, esse portentoso brasileiro, esse carioca fundamental, esse historiador maiúsculo, esse amigo imprescindível, pouco depois de ficar extremamente comovido com a lembrança que trouxe à tona – o aniversário de 509 anos da chegada de Vasco da Gama à Calicute -, deu início a uma aula imaginária de História para os presentes. Eu disse “aula imaginária” apenas porque ele não estava no cenário previsível, ou seja, não estava numa sala de aula, lugar onde nosso querido protagonista brilha vivamente – é opinião unânime entre seus milhares de alunos. Mas deu, sim, uma magnífica aula de História, e provarei o que lhes conto. Tenham um pouco de paciência.

Antes, breve confissão.

Tenho uma aguda, corrosiva, destrutiva e intensa inveja dos alunos do Simas. Não há uma única vez em que eu esteja com ele – e são muitas as vezes, ainda bem – e que não chegue um, dois, três alunos que dizem quase que batendo continência:

– Professor! Fui seu aluno!

E há, no olhar desses alunos, um orgulho que me dá dores de úlcera.

Todo mundo foi aluno do Simas. Menos eu.

Já vi velhos, velhas, gente que está, digamos, a um passo da cidade do pé junto, rendendo homenagens a ele. Até esses, eu testemunho, põem as mãos trêmulas e enrugadas sobre a calva cabeça do bom Simas e dizem, sibilando entre as pererecas:

– Professor…!

Voltemos.

Pois a princípio, mantendo uma tradição sua de há séculos, o Simas cantou o hino de Portugal. Notem, ao fundo, o Felipinho, num gesto de nobreza-zona-norte, pagando a conta da mesa inteira.

http://video.google.com/googleplayer.swf?docId=7620976291474599352&hl=en

Não satisfeito, nosso herói, numa afinação germânica, passou a cantar, dando explicações sobre a letra e sobre a melodia – “belíssima”, é o que ele diz – do hino da Alemanha. Eu, vão tomando nota do nosso estado, disse apenas:

– Eu conheço a versão húngara!

Eu a cantei, inclusive. Para minha sorte, nada foi gravado.

Mas eis a atuação do Simas:

http://video.google.com/googleplayer.swf?docId=2663428317088498275&hl=en

E fechando a noite, um filme com 3 minutos de duração, com Luiz Antonio Simas dando aulas sobre o hino da África e mais que tais. Notem o dedo indicador apontado na fuça dos alunos imaginários. Notem o olhar virado para as câmeras. Notem que os presentes tiram dúvidas, fazem perguntas… E notem a beleza do momento. Ah, sim. E notem, ao fundo, Joaquim e Terezinha fechando o Rio-Brasília

http://video.google.com/googleplayer.swf?docId=-6975129065053352950&hl=en

Faço aqui, publicamente, uma sugestão ao meu irmão paulista, o Szegeri. Pensemos noutros países, noutros hinos, para que façamos nova rodada em São Paulo com nosso mestre, o Velho!

Até!

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OS EMAILS DO SZEGERI

Sempre que espoca um email do Szegeri no monitor de meu computador – seja o de casa ou o do escritório -, e eles espocam como pipoca na panela e não no odioso microondas, dá-se em mim uma sensação quase juvenil de festa. Sinto-me prestigiado, sinto-me lembrado, e ser prestigiado e lembrado pelo maior ser humano vivo sobre a Terra é, convenhamos, um privilégio. Feito o intróito, vamos aos fatos.

Pois na semana passada, mais precisamente no dia 24 de maio de 2007 – exatamente um mês antes de seu aniversário, e eu atribuo a isso o teor do troço… – espocou, logo pela manhã, um email do Szegeri, lindíssimo, como todos os que ele escreve (notem que hoje, como se isso fosse possível, acordei admirando ainda mais o meu irmão paulista).

Li.

E respondi apenas:

“Publicarei, amanhã, este e-mail no Buteco.”

Não o fiz, mas o faço agora. Leiam o teor da mensagem, na íntegra:

“Querido, voltei a beber de maneira imunda. Tenho consumido uma quantidade industrial de coisas gordurosas, frituras, acepipes das piores procedências. Voltei à dezena dos 90kg. E o pior: estou gostando. Atribuo tudo isso à vossa pessoa. Ou, melhor dizendo, a ausência da vossa pessoa. Bebo sozinho, assisto o futebol sozinho, leio sozinho, escrevo sozinho. Vivo sozinho nesta cidade horrorosa, onde a Barra da Tijuca não é exceção, é regra. E pra piorar, o inverno hoje instalou-se cruelmente e promete permanecer por uns quatro anos. Pra piorar tudo ainda mais, 90% dos butiquins desta triste cidade não tem Macieira 5 estrelas, a única coisa capaz de aplacar as minhas aflições. (ontem fui obrigado a ficar bebendo Jurubeba, como nos velhos tempos, por causa de um ligeiro incômodo hepático) Há, de maneira geral, uma acentuada tendência para se beber. Os doces montes cônicos de feno. Amo você de maneira única.”

Antes que alguém julgue louco meu irmão paulista, um aviso. O decassílabo solto no email, “doces montes cônicos de feno” é referência a uma mensagem, belíssima, dirigida a Rubem Braga e escrita por Vinícius de Moraes. Feita a explicação que julguei necessária – e o Szegeri detestará que eu a tenha dado, eu sei – vamos em frente.

Como eu já disse, quando recebi e li esta mensagem, comuniquei – achei ético, e sei que o Szegeri detestará esta justificativa – que a publicaria no BUTECO. E como resposta, veio novo email, no mesmíssimo dia, pouco antes das sete da noite:

“Por causa da sua mensagem, tomei uma dupla batida de pêssego no almoço (feita, como se deve, de uma cachaça abaixo da linha da pobreza) e uma Caracu, o que me custou uma dor de cabeça que persiste até o momento (18h23min). Tomei um comprimido desconhecido oferecido por um colega, que pareceu estar vencido (o comprimido; e agora eu). Acho que não durarei muito.”

Vejam que o assola uma espécie de depressão às vésperas de seu dia de anos. E – o que é pior – toda a sorte de conseqüência decorrentes da dita cuja é atribuída a mim. O que me consome, quero lhes dizer.

E quero lhes dizer outra coisa antes de me despedir: irei a São Paulo, como em todos os anos, passar o aniversário do Szegeri a seu lado, apesar dele nunca ter feito o mesmo comigo (fez esse ano, é verdade, mas por mero acaso, já que veio, mesmo, para faturar o cachê da apresentação no Trapiche Gamboa).

Vou com Dani, é evidente.

Mas a boa nova é que vão, também, Luiz Antonio Simas e Candida.

Eis então o que queria lhes contar desde o princípio: o Szegeri escreveu-me os emails antes de saber que o Simas estava indo a São Paulo também. Como eu acho que faremos São Paulo tremer quando sentarmos à mesa, vi, na frase “há, de maneira geral, uma acentuada tendência para se beber” uma verdadeira profecia. Acho, também, que não duraremos muito.

Até.

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>TIA LILA FOI OLÓ

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O sábado teria sido perfeito se não tivéssemos recebido a notícia, tristíssima, que foi a antítese da alegria que durou o dia inteiro.

Sobre o sábado, suas alegrias e suas surpresas, falo outro dia.

Falo hoje, agora, onze da noite de domingo, recém-chegado de São Lourenço, sobre a tia Lila, Marília Aparecida de Miranda Albim, irmã mais velha do Comandante, meu legendário sogro, que virou saudade pouco depois das nove da noite de ontem.

tia Lila em São Lourenço, ano de 2001

Virou saudade é mera poesia, artifício barato pra diminuir a dor.

Vi a Lila em apenas duas ocasiões: quando estive em São Lourenço, com a Dani, em 2001 – quando foram feitas estas fotografias -, apenas para conhecê-la e quando ela esteve no Rio, pouco tempo depois, para visitar a sobrinhada carioca.

Amamo-nos, entretanto, de maneira torpe, desde o primeiro olhar. Tipo do troço que não se explica.

E falo de um amor que não exigia a presença, se é que me entendem.

Adiei diversas vezes uma nova ida à São Lourenço. Poderia, por isso, ser agora o piegas previsível e dizer que arrependo-me profundamente de ter adiado tantas idas programadas e prometidas. Mas não me arrependo. Ainda que seja mais bonito dizer que sim, que me arrependo.

Ao contrário, guardo intenso orgulho do enredo que vivemos desde o primeiro abraço.

eu e tia Lila em São Lourenço, ano de 2001

Há poucas semanas bati o telefone pra São Lourenço, tarde da noite. Atendeu-me a Patrícia, sua filha. Eu mal disse o “alô” e ela gritou:

– Mãe! É o seu amor…

Fiquei com a tia Lila coisa de dez, quinze minutos, conversando. Lembro-me com nitidez olímpica – Dani por testemunha – de ter dito a ela algumas muitas vezes, encorajado – se é que me entendem – pelas generosas doses de RedLabel daquela noite, que eu a amava intensamente. Ela ria. Até que estendi o telefone pra Dani.

E vi minha garota rindo, rindo muito, até que desligaram. Disse-me a Sorriso Maracanã:

– Tia Lila disse que gosta mais de você do que de mim…

Como diria o Szegeri, meu mano paulista, foi mentira, mas foi lindo.

De pé diante do balcão imaginário do buteco, ergo meu copo – realíssimo, agora! – com muito gelo e uma fabulosa dose de GreenLabel em homenagem a ela. Com meu amor, pra sempre.

Até.

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>A CANALHA: MODUS OPERANDI

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Tudo pode sempre ser pior quando estamos falando do jornal O GLOBO e de sua dispensável revista RioShow, publicada às sextas-feiras. Por exemplo? Uma matéria a quatro mãos, evidentemente que pior graças aos donos das mãos. Os donos das mãos? A Éle e o Jota Éle, duas figurinhas fáceis aqui no balcão do BUTECO.

O título da matéria?

matéria publicada na revista RioShow, de O GLOBO, de 25 de maio de 2007

E sobre o quê é a podre matéria? Sobre os diferentes tipos de cobrança que há nos restaurantes da zona sul da cidade (sempre na zona sul da cidade, não há outra cidade na cabeça dos membros da pandilha que trabalha para o mencionado jornal).

O troço é de fazer vomitar. Ou de revoltar alguns. O que me faz ter certeza de que o dia da grande revolta não tarda. Mas isso é assunto pra outro dia. Vamos a alguns trechos.

A duplinha que assina a matéria conta que “andam um tanto ácidas as relações de alguns clientes do Carlota com a chef Carla Pernambuco desde que a concorrida casa do Leblon instituiu a cobrança de uma taxa para quem quiser dividir prato por lá”.

É isso mesmo! Você chega, escolhe um prato e decide que quer dividir com quem lhe acompanha.

Os dois jornalistas (pausa para rir) dão um exemplo: “O acréscimo é de 40%, o que faz com que a partilha do risoto de presunto de Parma com camarões grelhados que ilustra a nossa capa, por exemplo, pule de R$62 para R$86,80”.

E a dona da casa-de-merda justifica:

matéria publicada na revista RioShow, de O GLOBO, de 25 de maio de 2007

Ninguém se sente enganado, é verdade, já que o assalto está anunciado no cardápio. Mas quem entra no jogo é, convenhamos, um tremendo otário. E otário tem mais é que se foder mesmo.

No Rio-Brasília, por exemplo, chegou um dia desses um casal fresquinho, egresso do Leblon, freqüentador do Carlota e doido por um programa selvagem escolhido durante folheada no Guia RioBotequim. Deus os atendeu:

– Tem rabada?

E ele:

– Arrã.

– Quanto é?

– Dez paus.

– Dá pra dividir?

– Arrã – tirou cera do ouvido com a ponta da tampa da caneta Bic e continuou – Uns quatro comem pra caralho…

– Mas somos só os dois…

– Então, patrão! ´cês podem se entupir até o talo!

A mulher não escondia o pavor. Ele até que estava achavando divertido. Prosseguiu:

– Dez reais, a rabada?

– Arrã…

– E dividindo uma só pra nós dois, fica quanto?

Deus tirou uma meleca diante do casal:

– Cinco pra cada um. Dez paus.

– Mas vocês aqui não cobram taxa de partilha? – disse ele.

– E se dividir… a rabada não vai ficar feia? – ela disse, histérica.

– Feio é isso aqui, ó! – disse pondo as mãos em concha diante do saco.

Deus ainda mandou os dois à merda e foi intensamente aplaudido pela assistência enquanto o casal partia em direção ao Ford EcoSport amarelo estacionado do outro lado da Almirante Gavião. Eu estava lá com o Simas e vi.

Voltemos à matéria-de-merda.

A duplinha responsável pelo texto (péssimo) dá, ainda, outros exemplos.

Contam que um restaurante japonês, à maneira do que ocorre nos restaurantes que cobram a chamada taxa de rolha – que é cobrada quando o cliente leva o vinho de casa – passou a cobrar a taxa de rosca. E contam que a rosca, no tal restaurante – no Leblon, onde mais? – custa R$50.

Voltemos ao Rio-Brasília. Outro domingo. Outro casal à mesa. Só que dessa vez, um casal gay, frise-se. Ambos vestiam a camisa do Fluminense. Era dia de jogo no Maracanã. Pediram dez sardinhas fritas a Deus, que os atendida contrariado. Até que um deles o chamou à mesa:

– Fala, porra.

– Eu tenho uma garrafa de saquê no cooler, dentro do carro…

– O cu é teu, faz dele o que tu quiser. Quê que tu quer?

A bichinha riu.

– Podemos beber a bebida que trouxemos aqui?

– Pode.

– Mas quanto você cobra pra taxar a nossa rosca?

Ambos deram entrada, vinte minutos depois, na Ordem Terceira da Penitência com várias escoriações pelo corpo.

Mas vamos voltar à matéria para finalizar.

Também é citada na matéria a cozinheira Roberta Sudbrack, ex-empregada doméstica de FHC no Palácio do Planalto – nada contra as empregadas domésticas, é evidente, mas é que a frescona-mór nega suas origens e isso me dá raiva.

Já a citei aqui, quando ACR, a plagiadora, a exaltou em razão de fazer “cozinha autoral das boas”. Um nojo, tudo um nojo!

Pois bem. A Sudbrack, hoje dona de um restaurante na zona sul – onde mais? – bateu todos os recordes de preconceito, de falta de sensibilidade, de escrotidão mesmo – por que não dizer a verdade? Leiam vocês mesmos:

matéria publicada na revista RioShow, de O GLOBO, de 25 de maio de 2007

Em apertada síntese, pra quem não teve saco de ler o depoimento da cozinheira: ela cobra R$200,00 por 15 pessoas que ocupam uma mesa de 18 lugares. Fatura, portanto, R$3.000,00. Ou R$3.300,00, porque é claro que ela cobra os 10%. Mas por ficar putinha com o “prejuízo”, cobra R$600,00 pelos três lugares vazios.

Essa gentalha – tomem nota – não perde por esperar. O povo não suportará por muito tempo tamanha nojeira em torno de si.

Ah, sim. Só pra fechar. No final da matéria, dão a dica de 12 restaurantes que comungam da mesma prática. TODOS, eu disse TODOS, na zona sul da cidade.

Até.

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>ERRO CRASSO

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Foi o Arthur – ou o 4rthur, que é como ele assina -quem cantou a pedra comentando o texto “INFAME”, leiam aqui:

“Edu, infelizmente, creio que essa sua nova seção, tal qual a dedicada ao Jota tende a crescer…”

Referia-se, o 4rthur, à nova seção BARBARIDADES DA ANNA RAMALHO, no link à direita, no menu.

E hoje apresento o terceiro atentado cometido pela citada que – pasmem!, pasmem! – conta, em sua execrável coluna “UI!”, com a colaboração de mais dois coleguinhas, Christovam de Chevalier e Bruno Ryfer:

nota publicada no JB de 25 de maio de 2007

Mauricio Shermann, o “bem afinadinho”, deu uma PALINHA, foi o que quis dizer a empregada do JB.

PALHINHA pode ser uma porção de coisas, inclusive um grande jogador do Cruzeiro. Menos o que o trio tentou dizer.

Lamentável.

Vai pra galeria de atentados. E este já é o terceiro!

Ah, sim… Notem que acima da nota podre (aliás… que conteúdo, que conteúdo!) há o nome de duas senhoras da alta sociedade da Barra da Tijuca: Vera Loyola e Hosana Pereira, as duas sem o negrito, é claro.

Da primeira eu já tinha ouvido falar. Da segunda, não. Fui tentar saber. Vejam o que achei (neste site, sobre os estrangeirismos na Barra Cada Vez Menos da Tijuca):

“Os moradores se orgulham do aspecto que o bairro vem tomando. Hosana Pereira, casada com “o rei do ferro-velho” (todo mundo na Barra é rei de alguma coisa, já que os emergentes são os ricos que prosperaram graças a negócios pouco prováveis, como padarias, entrega de quentinhas, etc.): “a Barra tem um clima de Miami. Qual é o problema? A gente tem de copiar o que é melhor. E o melhor são os Estados Unidos”

Precisa dizer mais alguma coisa? Não, né?

Até.

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O COORDENADOR EDITORIAL

Volto ao balcão pra bater, de novo, com renovado prazer, nesse projeto nojento chamado Amores Expressos, sobre o qual já falei aqui (gerando acalorado debate, com 27 comentários até o momento), e que gerou, inacreditavelmente, um site que, na verdade, é um coletivo de blogs desprezíveis, como demonstrei aqui.

E volto ao tema porque deparei-me, hoje cedo, com um e-mail enviado por um leitor do Buteco, recomendando (se é que me entendem) a leitura do blog do coordenador editorial do tal projeto.

capa do blog de João Paulo Cuenca

O blog, abrigado no jornal O Globo, que emprega o coordenador editorial – além do referido blog – intitulado Blog de anotações o coordenador editorial também escreve para o suplemento Megazine, direcionado ao público jovem e que vem encartado no jornal às terças-feiras – trouxe, no dia 20 de maio, um lamentável texto chamado – pausa para a golfada olímpica – “You´re invisible now”. Leiam:

“Chegar a Paris depois da canseira que tomei de Tóquio é um alívio. Como aqui não tenho a obrigação de ter idéias e experiências geniais e estrambóticas todos os dias, me sinto descansado e confortável. Tudo aqui é fácil, ao contrário do Japão, onde qualquer saída era um desafio.

Ao mesmo tempo, cada esquina carrega uma lembrança, algumas agradáveis, outras nem tanto. Mas sei conviver com cada uma delas, e nada me tira o prazer de andar por essas ruas.

Sobre voltar, sinto saudades bastante localizadas e específicas. Nenhuma do Rio de Janeiro. Para sentir saudades genuínas da minha cidade em pedaços, acho que precisaria multiplicar a duração dessa viagem por alguns anos.

Não sinto que pertença ao Rio. Não sinto que pertença a nenhum lugar.

Encaro cada viagem dessas como um exercício de desapego. E me surpreendo como me sinto plenamente capaz de abandonar este jornal, minhas publicações passadas e futuras, meus leitores, coleguinhas e editores, para trabalhar como barman numa biboca em Asakusa ou Belleville. Mandaria uma passagem só de ida (vinda) para a menina e não pensaria em retorno.

Por que na verdade não há retorno possível. No final de cada viagem, não sinto que volte para o mesmo lugar – por mais que seja o mesmo lugar. Eu é que nunca volto o mesmo.”

Que tal?

O sujeito reclama do projeto que ele mesmo coordena e para o qual foi escalado (por ele mesmo) para escrever quando diz que “(…) aqui não tenho a obrigação de ter idéias e experiências geniais e estrambóticas todos os dias, me sinto descansado e confortável.”.

O sujeito reclama, de certo modo, da cidade em que vive quando diz que “(…) sinto saudades bastante localizadas e específicas. Nenhuma do Rio de Janeiro.”.

E por fim reclama do jornal que o emprega, dos colegas, dos leitores e de seus editores quando diz que “(…) me surpreendo como me sinto plenamente capaz de abandonar este jornal, minhas publicações passadas e futuras, meus leitores, coleguinhas e editores, para trabalhar como barman numa biboca em Asakusa ou Belleville.”.

É como diz Deus:

– É de foder.

Até.

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