Arquivo do mês: fevereiro 2005

>PEQUENO ADENDO AO TEXTO SOBRE VOLTA REDONDA

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Vejam que pérola, escrita seguramente por um covarde, que não deu-se ao trabalho sequer da identificação. Está nos comentários do texto sobre a vergonha que está assolando Volta Redonda:

“Só um detalhe: não foi o FHC quem comandou a privatização da CSN. Foi o Itamar Franco. E mais: a questão das terras tem mais causas ocultas do que parece. O Steinbruch é um daqueles judeus que nos causa ódio a Hitler, por não ter feito o serviço direito.”

Alguns comentários.

É sabido que sempre que há um movimento de tensão social, como esse gerado pela sanha dos dirigentes da CSN, o caldeirão dos ódios e dos preconceitos é remexido.

Esse anti-semita covarde, antes de qualquer coisa, demonstra que não é exatamente um dotado de mínima inteligência mesmo para compreender um texto. Meu texto não menciona em nenhum momento que foi FHC quem conduziu o processo de privatização da CSN, embora tenha sido o principal responsável pelo desmonte do Estado. É citado no texto como o homem que premiou o General responsável pela operação militar que matou três operários.

E mais, e mais triste, e mais lamentável, louva a Hitler, protagonista do maior crime contra a humanidade já registrado na História.

Se há coisas mal explicadas ou mesmo escusas na questão das terras de Volta Redonda – e deve mesmo haver, eis que tais questões, no Brasil, são cheias de maracutaias mesmo – isso não justifica a truculência e a sanha suja do Sr. Steinbruch, anos depois.

Até.

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>VOLTA REDONDA

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20 de fevereiro de 2005 entrou, definitivamente, para a história da cidade de Volta Redonda.

Como o 09 de Novembro de 1988, quando três operários foram covardemente assassinados pelo Exército Brasileiro, comandado pelo General José Luiz Lopes da Silva, um boçal truculento que terminou por ser premiado pelo ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso que o nomeou Ministro do Superior Tribunal Militar. O Exército Brasileiro, autorizado pelo Juiz Moises Cohen, outro covarde, invadiu a Usina Siderúrgica de Volta Redonda, a até então estatal CSN, para reprimir uma greve legítima que pleiteava direitos que por fim foram integralmente atendidos no final de novembro, quando a greve corajosa terminou. Vale lembrar que o Exército Brasileiro atendida ordens do Presidente José Sarney e contou com o reforço do Batalhão do Rio de Janeiro, então governado por outro escroque, Moreira Franco.

Pausa.

As duas datas marcam a cidade, sem dúvida. Uma cidade operária, com um bravo histórico de lutas, uma cidade com o povo sempre à esquerda da esquerda, corajoso, que viu, quando da privatização vergonhosa da CSN, levada a cabo por Itamar Franco, ruirem anos e anos de conquistas sociais.

Demissões em massa, perto da casa dos 20.000 funcionários.

Fornecedores locais, de Barra Mansa, de Resende, faliram.

Benjamim Steinbruch, o novo “dono” da CSN, comprada com dinheiro do BNDES que jamais foi pago, até aquele momento maior acionista do Grupo Vicunha, à beira da falência, tornou-se dono de Volta Redonda.

Não é piada: graças às benesses de uma privatização vergonhosa, o Sr. Benjamim, muitíssimo bem assessorado por advogados à frente de bancas biliardárias que mancham a honra do advogado, tornou-se proprietário, dono, xerife, de toda uma cidade.

Levantamentos feitos ao longo dos anos que se seguiram à venda da CSN, um dos orgulhos de Getúlio Vargas, demonstraram que junto com a entrega do patrimônio da CSN, a Usina Siderúrgica Nacional, Benjamim detém mais de 20 quilômetros quadrados da cidade de Volta Redonda, terreno suficiente para a construção de mais CINCO siderúrgicas do mesmo porte da gigantesca CSN.

Ruas inteiras da cidade (mais de 150), postos de gasolina, clubes que agitam a vida social da cidade (Umuarama, Aero Clube Náutico, Clube do Laranjal e Fotofilatélico), fazendas, casas e mais casas, é tudo do Sr. Benjamim Steinbruch, que tornou-se dono de tudo depois de uma patética batida de martelo num desses leilões imundos que entregaram o patrimônio nacional em troca de moeda podre.

Eu não tenho muita paciência para discutir esse tema, privatização, com mais ninguém. Tomo como verdade a lição que aprendi lendo “O Brasil Privatizado”, do saudoso e igualmente corajoso, como o bravo povo de Volta Redonda, Aloysio Biondi.

O “desmonte do Estado”, promovido pelo maior filho da puta que já esteve à frente do Governo Brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, entregou de bandeja, cumprindo ordens espúrias jamais bem explicadas ao povo brasileiro, litros de sangue e suor que ajudaram a construir o patrimônio público brasileiro.

O silêncio vergonhoso que sempre pautou o assunto na chamada grande imprensa – que de grande não tem nada – obteve êxito ao fazer grande parcela da população entender como um benefício as privatizações que acabaram com a “mamata do estatismo”.

Telebras, CSN, Light, Vale do Rio Doce, Banerj, Embraer, Rede Ferroviária, todas entregues.

Como bem disse Biondi em seu livro, a questão não é ser contra ou a favor das privatizações. O centro de tudo é entender como foram feitas as privatizações dessas empresas no Brasil.

No livro, estão expostos, em carne rasgada à mostra, os processos todos viciados e com cartas marcadas, moedas podres, juros larga e sacanamente subsidiados, impressionantes preços mínimos, contas mentirosas, dívidas – vejam o absurdo! – assumidas pelo governo, tarifas recalculadas antes das vendas e uma impressionante avalanche de suspeitas contra o modelo brasileiro de privatização.

Pausa.

Mas estou a falar de Volta Redonda.

Atentem para o teor da nota oficial divulgada pela CSN:

“A empresa respeita a manifestação das pessoas envolvidas, mas não pode deixar de zelar pelo seu patrimônio. Esses imóveis estão sendo usados a título gratuito e é de competência da empresa prestar contas a acionistas. A legislação vigente está sendo rigorosamente respeitada”.

É de dar nojo, engulho, ódio.

A legislação, que esses porcos branem ao vento para justificar sua sanha capitalista sem limites, é a mesma que foi estuprada, violada, violentada, desrespeitada e ignorada quando do início do processo de privatização da CSN.

O Sr. Benjamim Steinbruch, como bem diz a nota, está preocupado em “prestar contas a acionistas”.

Que se fodam os acionistas, sinceramente.

Desse cidadão, hoje dono da cidade, nada se pode esperar.

Mas antes, o Governo Federal, que fez disso uma das bandeiras de campanha, tem de prestar contas ao povo brasileiro e, neste caso, em particular, ao povo de Volta Redonda.

Espero, francamente, que com a mesma gana que o povo voltaredondense saiu às ruas para festejar o título da Taça Guanabara conquistado em 20 de fevereiro de 2005, com a mesma raça que encheu mais de 150 ônibus em direção ao Maracanã, esse povo combata de forma virulenta, consciente e organizada, esse assalto que os “donos” da CSN e seus acionistas querem perpetrar na cidade.

As notificações, assinadas por um portentoso escritório de advocacia de São Paulo, já começaram a chegar, concedendo prazo de 90 (noventa) dias para desocupação dos terrenos, dos clubes, das casas, dos postos de gasolina.

As notificações, certamente, balizarão ações envolvendo a posse de tudo isso.

Que não haja um Juiz covarde como o que legitimou o massacre dos trabalhadores em 1988.

E que o povo honre o apelido da cidade, Cidade do Aço, e massacre, agora sim, quem merece uma resposta e um enfrentamento à altura.

Até.

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A DESINIBIDA DO GRAJAÚ

Doces figuras, na foto, um flagrante da Sorriso Via-Láctea, a Lelê, que foi assim batizada pelo Szegeri, rodeada por três uruguaios que ela, doce e gentilmente, recebeu em sua casa para o Carnaval. Nada demais, certo?

Errado.

Lelê mora no Grajaú.

Sozinha.

Num prédio pequeno.

E o Grajaú, pra quem não sabe, perde por pouco da Tijuca em matéria de preconceito, de vizinhos chatos, de vizinhas fofoqueiras, de viúvas embalsamadas em rascantes comentários.

Os uruguaios chegaram na sexta-feira, véspera da festa momesca.

Uma senhora de bobs azuis e cor-de-rosa e lenço estampado em bege e verde na cabeça assistia a vida passar no sofá surrado da portaria. Acompanhou atenta a chegada dos caras. Entrou com eles no elevador e saltou junto no segundo andar.

De soslaio, os viu serem recebidos pela efusiva Lelê, copo de cerveja na mão, shortinho e camiseta de malha surrada.

Tocou a campainha da vizinha na hora.

E só se ouvia isso durante todo o Carnaval: “Já soube da morena do segundo andar?”, “Viu que absurdo aquela solteira que mora sozinha no segundo andar? Está com três homens em casa!”, e tome de samba-enredo no mais alto volume na casa da Sorriso Via-Láctea, e tome de entregador de gelo, de engradados e mais engradados de cerveja, e o entregador da farmácia portando Engov e Sal de Fruta Eno e as cobras venenosas nos corredores, “Meu Deus… não pára de chegar camisinha naquele antro”, e o síndico em pânico, e os porteiros da rua com inveja dos uruguaios, e Lelê saindo de casa na hora do almoço e voltando na hora do café da manhã no dia seguinte, e as víboras de orelhas encostadas na porta pra ouvir alguma coisa, e tome o samba do Salgueiro, e tome de Lelê urrando o refrão da Imperatriz, “a turma do Sítio apronta!”, e as vizinhas a chamando de Emília Devassa, e apelidando os caras de Rabicó, Visconde e Malasarte, e as crianças proibidas pelas mães de verem Lelê passar, e as meninas ouvindo conselhos, “veja que vergonha, minha filha!, veja que barbaridade!”, e os maridos sonhando com Lelê durante à noite, e, vida que segue, o Grajaú, na esteira da Tijuca, nunca mais será o mesmo.

Até.

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CARNAVAL: O QUE VI, O QUE NÃO VI

Doces figuras, e eis que mais um Carnaval termina, e com ele a maratona de mais de 100 horas de um ritmo alucinante que inclui viagens de metrô, táxis pela madrugada, cerveja e uísque em quantidades apoteóticas, fotos como nunca antes graças à câmera digital sempre no bolso, muito samba, muito encontros, alguns poucos desencontros e aqui vai, a título de memória e registro, uma compilação do que vi e do que não vi, mas que me contaram e é verdade eis que as fontes são mais que fideidignas. Pela ordem (as fotos podem ser vistas aqui):

01) uma gratíssima surpresa o desfile das Escolas de Samba Mirins, no Sambódromo. Fomos, eu e Dani, para ver Yayá, a Princesa da Bateria do Segura Pra Não Cair, que desfilou na Herdeiros da Vila. De lambuja, pegamos a Mangueira do Amanhã na avenida, e as duas estavam muito bonitas e foi extremamente comovente ver milhares de crianças desfilando. O programa é de graça e, ainda que fosse pago, teria valido a pena. Ano que vem tem mais com certeza.

02) impressionante, mais uma vez, o desfile do Cordão da Bola Preta. Mais de 50 mil pessoas em paz no Centro da cidade, sob escaldante sol, engrossando o Cordão. Não vi, mas o destaque absoluto foi Fernando Szegeri, um pouco acima do peso e bem peludo, com cílios postiços dourados, um rabo estonteante de sereia, seios protuberantes e uma peruca ruiva. O Bola é imperdível e eu pretendo daqui a muitos anos, já bem velhinho, sair cantando “no Bola Preta eu vou de muleta, e sinto a caceta rejuvenescer”.

03) decidi dar uma dormidinha em casa com a Dani antes do Barbas. O peso dos 35 anos me fez dormir até quase dez da noite, razão pela qual depois de muitos anos não segui o tradicional bloco de Botafogo. Pequena nota: Carnaval sem marido sumido por dias a fio, sem troca de tapas entre casais de namorados ou mesmo de casais bem casadíssimos não é a mesma coisa, como bem disse o Veríssimo hoje em O Globo. Eu não vi, mas um casal novíssimo de namorados saiu no tapa de forma comovente e poética na concentração do Barbas. Copos de cerveja arremessados, puxões de cabelo, unhadas, tapas, xingamentos, uma glória que serviu pra abrilhantar ainda mais o desfile do bloco do Nelsinho Rodrigues, cujo pai teria adorado ver a cena.

04) domingo às 8 da manhã já estávamos no Centro, eu e Dani, pro desfile do Cordão do Boitatá, que tenta, tenta, tenta, mas não consegue se esconder do povo, que acaba sempre descobrindo horário e local da partida. Foi muito bom, ainda melhor que em 2004. O Boitatá rumou pro Largo de São Francisco e depois de algumas horas ali parado, seguiu pela Rua da Carioca em direção à Praça Tiradentes, onde terminou o desfile em frente ao Real Gabinete Português de Leitura de maneira absolutamente providencial. O calor foi aliviado por um banho que levou horas, dado por uma mangueira do Corpo de Bombeiros concetada a um hidrante.

05) do Boitatá, partimos eu, Dani, Szegeri e Estefânia pro Rio-Brasília, de táxi. Como ambos são paulistas, o motorista deu um show de carioquice diante deles. Já que reclamávamos muito do trânsito tumultuado, das ruas fechadas, o malandro deu um tapa no taxímetro e zerou o relógio quando o mesmo já marcava R$10,00. A corrida no final das contas deu R$9,00 e o Szegeri, comovido, pagou R$19,00. Frase lapidar do motorista enquanto discutíamos a confusão do trânsito: “Olhem bem… eu posso até não enxergar, mas ouço muito bem”. Que beleza de confissão de um motorista de praça.

06) à noite, rumamos eu, Dani, Maria Paula, Guerreira, Dalton e Fumaça pro desfile da G.R.E.S. Unidos de Vila Isabel. Concentração animadíssima, como era de se prever. No metrô, na ida, Zé Colméia salta na estação Afonso Pena com Vinagre, Rodriguinho e Nicole. Sem qualquer explicação lógica, abaixou a bermuda e dançou nu, com a bunda em nossa direção, cantando “quem não chora não mama, segura, meu bem, a chupeta…”. Na Presidente Vargas, encontramos com a rapaziada da bateria da Vila, Mestre Mug, Mariozinho, Cassiano, Luiz Paulo, Menguinho, Dinha, Marcão, Cabeludo, Roberto, Macaco Branco, Mauro, Buba e eu voltei pra casa depois de deixar Dani no alto de um dos carros alegóricos da azul e branco, não sem antes encontrar com Duda, Deyse e Dedeco que estava lindíssimo vestido de mergulhador, uma máscara respiradora encravada na testa. Assisti ao desfile em casa, sozinho, chorando feito um corno abandonado pela mulher no carnaval, bebendo minha cerveja, fumando meu cigarro, comovidíssimo, ainda mais que Dani aparaceu muito na TV, brilhando lá de cima como brilha em mim. Dani chegou às 8h. Dormimos apenas 4 horas e prosseguimos a maratona.

07) concentração pro Bloco de Segunda em Botafogo na casa da Guerreira, tradição pelo terceiro ano seguido. Eu, Dani, Guerreira, Kaká, Fefê, Brinco, Betinha, Flavinho (um folião animadíssimo de dar inveja ao Papa pela disposição), Maria Paula, Omar, Ruivinha, Giulia, mais uma pá de gente. Dani de doméstica. Guerreira de Mônica, do Maurício de Souza, com direito ao coelho azul, Sansão, usado para dar porrada aleatoriamente em todo mundo que passava por perto. Salvei a Guerreira algumas muitas vezes do linchamento. Contrariando previsões pessimistas, o bloco estava muito bom. Eu e Fefê derrubamos uma garrafa de Red Label, ligamos pro Comandante algumas vezes mantendo outra tradição de há séculos, ligamos pro Isaac que ouvia mudo às nossas sandices, falamos com Mariazinha, coitada, e marcamos com papai um passeio para Paquetá para o dia seguinte, para onde, obviamente, não fomos simplesmente por que não lembrávamos de nada. Lembro-me vagamente do Dedeco passando pelo prédio já muito tarde, gritando coisas da rua em direção à varanda, de onde eu e Fefê arremessávamos cubos de gelo em sua direção. Da Guerreira saímos às 5h da manhã, pra casa.

08) terça-feira ao meio-dia Szegeri e Estefânia passaram aqui em casa para se despedirem. Bebemos duas cervejas no Buteco, comemos uma lingüicinha com carne assada na cerveja e partimos às 15h, eu, Dani e Dalton, pro Mercadinho São José, em Laranjeiras, onde encontramos Fefê, Brinco, Fumaça e Guerreira, cujo objetivo era desfilar no Bloco da Ansiedade cujo nome é justíssimo. Passamos duas horas ansiando por alguma coisa de bom, e nada. A pé, descobrimos a Adega do Juca, na Rua Gago Coutinho. Belíssima aquisição. Partimos de metrô às 19h pra Av. 28 de Setembro, eu, Dani, Guerreira e Fumaça, para bebermos na barraca do Buba, em frente ao Petisco da Vila. Vimos o Sorri Pra Mim passar, com a bateria nervosa da Vila Isabel. Às 22h, pra casa. Chegaram Fefê, Brinco e Guerreira e nos arrumamos pro desfile da G.R.E.S. Lins Imperial, grupo B, cujo enredo foi “O Bêbado e a Equilibrista”, com João Bosco e Aldir Blanc na área. Belo desfile, brincadeira comendo solta na avenida, onde encontramos Manguaça, Lelê Peitos, Serjão, Gilda, Mariana Blanc (que fazia aniversário), Chico Bosco, Rafa, Julia, Rodrigo, Edu Gordo, Moacyr Luz, Tatiana, Patrícia, Zé Reinaldo, Eloá, Mello Menezes, Ângela Bosco, Mari Blanc, Lula, muita gente conhecida, o que tornou a festa ainda melhor. Ponto alto: Brinco foi ao banheiro e em plena concentração pediu ao Fefê que tomasse conta de sua fantasia. O mesmo que nada. Quando ela voltou, haviam roubado seu chapéu. Avisada de que sem chapéu não desfilaria, Brinco já ameaçava chorar quando, mais de meia-hora depois, Fefê gritou já de dentro do curral da concentração apontando pro lado de fora… “O ladrão do chapéu!”. Um malandro beijava uma menina com aquele mapa verde e rosa do Brasil enterrado na cabeça. Um moleque que catava latas de cerveja, a pedidos, foi lá, arrancou o chapéu do cara e nos arremessou o mesmo por cima do alambrado. O sujeito nem se mexeu. Prosseguiu no beijo, o que o absolveu.

09) da Sapucaí pro Nova Capela, eu, Dani, Guerreira e Fumaça, que nos encontrou lá. Em outra mesa, ao lado, Mariana Blanc, Tatiana, Mello Menezes, Vera Mello, Aldir, Mari Blanc, e ficamos até o Capela fechar, às 6h da manhã, depois de comermos um prato que não consta do cardápio, sugestão do glorioso Cícero, o maior garçom da cidade. Polvo com alho frito, batata sautè e arroz de brócolis. Chegamos em casa quase às 7h, com o dobro de fantasias, e não lembramos como todas vieram parar aqui.

10) quarta-feira de Cinzas com feijoada na casa da Sônia. Eu, Dani, Dalton e Alessandra (que voltam todos os anos, como o Carnaval), Lelê Peitos, três amigos uruguaios, Manguaça, Manguaço, Marcelo, Betinha, Flavinho (mais animado que o Joãozinho Trinta no Samaritano), e lá assistimos à apuração das Escolas de Samba com os xingamentos de praxe. De lá fomos pro Estephanio´s, comemorar com Buba as quatro notas 10 da bateria comandada pelo Mestre Mug, que trazia na camisa, no dia do desfile, a merecida inscrição “Maestro Mug”. Chegamos em casa por volta da meia-noite e eu dormi no elevador, sendo levado arrastado pela Dani pra cama.

Como se vê, uma maratona e tanto.

Dani fugiu hoje com Guerreira pra Secretário, na serra, em busca de descanso.

Eu fiquei por aqui. Já com saudades dela, mas sábado ela volta e desfilaremos, de novo, nas Campeãs. Particularmente, se me entendem.

Até.

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REMINISCÊNCIAS DO CARNAVAL

Doces figuras, inspirado no mais recente texto do “Sodói”, capitaneado por meu irmão Szegeri, eis que desafiei-me a puxar pela memória a fim de voltar às primeiras imagens do Carnaval carioca gravadas e guardadas em mim.

Eu era um menino, muito moleque, e sou capaz de ouvir a voz de mamãe a embalar-me antes de dormir…

“Vem cá, Brasil
deixa eu ler a sua mão, menino,
que grande destino reservaram pra você,
fala Martim Cererê,
lá lá lá lá láuê,
fala Martim Cererê…”

“… seu nome corria chão,
na boca de toda gente…
Que grilo é esse?
Vou embarcar nessa onda,
é o Império Serrano que canta,
dando uma de Carmen Miranda…”

“Tengo, tengo, Santo Antônio e Chalé,
minha gente,
é muito samba no pé!”

Tenho ainda registradas as imagens de mamãe diante da TV, olhos marejados, as mãos apertando as minhas, vendo o Salgueiro desfilar na avenida colorida, muito mais colorida para os olhos de um menino. A sala da casa lotada de amigos, muitas almofadas no chão, muita cerveja nas mãos dos adultos, e a paradinha do Mestre André era comentadíssima, e a voz do Jamelão elogiadíssima, e o desfile varava a noite e eu teimava em não dormir, ansiando pelo chamado de papai.

É que sempre papai nos levava, a mim e ao Fefê, para a Avenida Presidente Vargas, para que tirássemos fotografias nos carros alegóricos do Bafo da Onça e do Cacique de Ramos. Era o ápice de nosso Carnaval, que incluía ainda os bailes nos salões do América, nós dois vetidos de índios, esparadrapos no rosto, cocar de penas brancas, tanga, descalços.

Estava injetado em mim, definitivamente, o vírus da alegria carnavalesca.

E um amor, uma devoção entre o susto e o respeito, o conforto e o deboche, a segurança e a identidade, com os índios.

Bom carnaval a todos.

Até.

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