Arquivo do mês: janeiro 2009

>FAZER REGISTROS

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Tenho feito, com alguma frequência (para assombro coletivo, eu que vivia dizendo “jamais deixarei de usar o trema”, abandonei de vez os dois pingos sobre o “u”), referências à beleza que é o homem que se integra com o meio em que vive. Dessa integração, dessa interação, nasce, consequentemente (escrevi consequentemente só para confirmar que jamais voltarei a usar o trema), um homem novo, renovado, mais disposto, melhor. Explico.

O homem, para integrar-se a seu meio, para interagir com os homens que vivem à sua volta, precisa necessariamente estender e alongar o próprio olhar. Estendendo o próprio olhar à sua volta, descobrirá gente que jamais conheceria se dominado pela pressa e pela correria dos dias de hoje, pelo egoísmo, pelo centrismo exacerbado, pela falta de disposição de interagir.

Descobrindo essa gente, diversa, diferente, variada, com outros valores, com outra cultura, com outra bagagem, o homem passará a se sentir, isso é de uma clareza aguda, efetivamente um homem melhor, mais capaz de compreender o mundo em que vive e infinitamente mais capacitado para se conhecer melhor e, evidentemente, para viver melhor.

E isso porque o resultado da vivência com a diversidade é, sempre, o aumento da massa crítica do homem. Ele passa a saber com mais clareza porque gosta disso ou daquilo, passa a saber com mais fundamento porque não gosta disso ou daquilo, e aprende, mais, a não criticar ou menosprezar o que não gosta porque passa a entender, sem dor (!!!!!), que cada homem é um diverso capaz de alcançar diferentes níveis de entendimento e com capacidade para ser feliz através de outras vias, através de outros meios e com objetivos, também, diferentes.

Estou nesse aparente rodamoinho para lhes dizer que uma das formas mais divertidas e mais bacanas de fazer essa interação, essa integração e esse estender de olhos, é fazer registros. Para fazer registros há que se ter disposição para ver, para ouvir, para ler, para estudar, para pesquisar e para, depois, dividir com os outros o resultado desse trabalho (sim, é um trabalho).

E somos capazes, todos, de fazer registros, ainda que sem grandes pretensões (acadêmicas ou não).

Eu, por exemplo, humílimo, quando me propus, junto com Felipinho Cereal (e mais papai e mais Luiz Antonio Simas), a fazer um relato mais acurado sobre a rua do Matoso, descobri coisas incríveis, conheci gente interessantíssima e levei (sem que essa fosse minha precípua intenção) emoção e alegria pra muita gente (ler o texto O EMAIL DA OLGA, aqui, dará bem a dimensão do que lhes falo).

O Felipinho Cereal também faz seus registros e a leitura de seu BOEMIA E NOSTALGIA (aqui) é obrigatória por isso. Eu, por exemplo, em diversas ocasiões, tenho uma olímpica certeza: não fosse o Felipinho Cereal e eu jamais conheceria uma porção de coisas bacanas que ele descobre, que ele registra e que ele divide, generosamente, com toda a gente.

Luiz Antonio Simas é outro. Quando dá de dividir conosco seus tesouros guardados com carinho (como esse aqui, samba-enredo do Império Serrano em 1989 gravado ao vivo!) nos comove, nos emociona, o que dá a ele dimensão ainda maior. Trata-se de um professor de História, maiúsculo, que dá aula durante as 24 horas do dia. Um homem de bem, portanto. Dos imprescindíveis. Recomendo, vivamente, a leitura de seu texto PEQUENA CONFISSÃO NO DIA DOS PROFESSORES, que pode ser lido aqui. Dará a vocês a idéia do que é viver com a sensação do dever cumprido e com a consciência plena de que temos, sempre, todos nós, muito a fazer.

Outro que também tem sido um monstro no que diz respeito a registros, a memórias, a efetivo resgate nesse país sem cultura de preservação de seus tesouros, é Arthur Tirone, o Favela, que comanda o ANHANGÜERA (com crase, leiam aqui). O que esse caboclo tem feito pela história do futebol de várzea, pela história da Barra Funda, pela história da gente daquele pedaço de São Paulo, não está no gibi, como diria minha saudosa bisavó. Um de seus últimos textos, GABRIEL DE MEDEIROS (que pode ser lido aqui) é emocionante demais. Tem todos os ingredientes capazes de comover a gente: tem imagem de documentos de mais de 70 anos, tem história, tem registro, tem pesquisa (o que ele e o irmão têm feito ainda vai dar samba, anotem!).

Todos esses três (e há mais, há muito mais, há infinitamente mais gente fazendo isso!) são agentes capazes de transformar a gente (aos críticos de plantão, foi de propósito) com a simples publicação de um texto.

Basta termos, sempre a postos, olhos de ver.

Até.

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SERRINHA NA OUVIDOR

No próximo sábado, dia 31 de janeiro, dois dias antes do dia dois de fevereiro, dia de festa de mar, a partir das 15h, na rua do Ouvidor, em frente à livraria do meu coração, haverá uma roda de samba imperdível. Comandada pelo Zé Luiz do Império Serrano e pela Luiza Dionizio, a roda prestará uma homenagem ao Império através de seus sambas de terreiro e sambas-enredo, sem falar nas músicas compostas por imperianos como Délcio Carvalho e Dona Ivone Lara e sucessos de Roberto Ribeiro.

Abençoando os presentes, uma bandeira da escola será estendida na mais carioca das ruas. Não bastasse a boniteza da coisa, lá estará exibido o protótipo da fantasia da ala das baianas da escola para o carnaval de 2009. E estarão à venda, ainda, camisas para a II Festa do Imperiano de Fé.

O Buteco, em pelo menos duas oportunidades, rendeu homenagens respeitosas à escola de Madureira. Em 11 de dezembro de 2006, quando escrevi Um Rio de lágrimas (leiam aqui) contando sobre a mágica aparição de dezenas de crianças num sábado de chuva na rua do Ouvidor e em 17 de janeiro de 2008, há pouco mais de um ano, portanto, quando escrevi Uma noite imperiana (leiam aqui) sobre a I Festa do Imperiano de Fé.

Aos imperianos de fé que cercam – papai, Álvaro Costa e Silva, Carlos Andreazza, Luiz Antônio Simas, Marcelo Moutinho, Tiago Prata – meu fraterno abraço.

Saibam todos que torço não apenas pelo êxito da festa de sábado, mas por um sucesso retumbante na avenida durante o desfile que se anuncia antológico neste 2009.

Sintomática, eu diria, esta passagem do texto Uma noite imperiana (aqui, não se esqueçam):

“Desnecessário dizer que o Teatro Rival, em uníssono, cantou Oguntê, Marabô, Caiala, Sobá, Oloxum, Ynaê, Janaína e Yemanjá, e que transformou-se em misterioso mar de lágrimas que brotavam dos olhos dos presentes à festa – dessas de não se esquecer jamais.”

Até.

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>NO Ó DO BOROGODÓ

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Sempre que vou à São Paulo – sempre! – vou à roda de samba dos INIMIGOS DO BATENTE no Ó DO BOROGODÓ.

roda de samba com os INIMIGOS DO BATENTE no Ó DO BOROGODÓ, em São Paulo

Neste último final de semana não foi diferente.

E sempre – sempre! – volto com a certeza de que ali se faz a mais bacana roda de samba do Brasil.

Até.

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>DO DOSADOR

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* uma agudíssima falta de tempo causada por excesso de trabalho e por diversos compromissos que têm me roubado o tempo extra que sempre dediquei ao blog tem me mantido afastado daqui. Tudo indica que a maré se manterá assim, desse jeito, razão pela qual, desde já, comunico esse diminuir de ritmo, que sempre foi frenético, convenhamos;

* começa, nesse próximo final de semana, o Campeonato Carioca de 2009. Levo fé no tricampeonato (mais um!) do meu Flamengo. O único senão é a presença do técnico Cuca. Sempre sorumbático e com jeito de perdedor, torço para que ele não contagie o time com seu desânimo olímipico;

* meu amigo José Sergio Rocha, ao escrever sobre sua sábia decisão de parar de fumar (leiam aqui) não deu nome ao boi mas eu dou. “Um amigo acaba de me enviar um email cheio de boas recomendações que vou seguir”. Fui eu;

* voltei, depois de meses sem dar às caras, à roda de samba da rua do Ouvidor no dia do padroeiro da cidade, 20 de janeiro, terça-feira passada. Depois da roda, dentro da livraria do meu coração, juntei-me ao Gabriel Cavalcante, ao Leal e ao Prata para cantar o genial choro BOLA PRETA com genial letra de Aldir Blanc. Vejam o vídeo aqui, clicando em “assistir em alta qualidade” abaixo do vídeo para compensar a baixa qualidade do cantor (não refiro-me ao Gabriel, por óbvio, mas a mim);

* mudando de assunto, agudamente, quero lhes dizer que na próxima terça-feira, 27 de janeiro, às 20h, fará palestra pública no Rio de Janeiro, em Copacabana mais precisamente, o professor Maury Rodrigues da Cruz, fundador da SBEE (Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas). O tema de sua palestra será O ESPIRITISMO E A AÇÃO SOCIAL. Como o assunto (espiritismo) é muitíssimo mal tratado e maltratado por aí em razão de inacreditáveis confusões que se fazem e principalmente de ignorância na mais pura acepção da palavra, e como ele é um dos mais brilhantes oradores que já conheci, faço o convite sem medo. Será na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 1102, casa 01, na Praça Sara Kubistcheck. O professor Maury, que mora em Curitiba, vem ao Rio muito raramente. O que torna a oportunidade, para quem se interessa minimamente pelos assuntos (espiritismo e ação social), imperdível.

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>SÃO SEBASTIÃO

>fitinhas de São Sebastião, foto de Eduardo Goldenberg

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>CESAR TARTAGLIA, NO EMBALO

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Desde ontem, quarta-feira, começou a ser publicada a coluna semanal NO EMBALO escrita (e muito bem escrita!) por meu compadre e meu vizinho, Cesar Tartaglia, sobre carnaval.

coluna de Cesar Tartaglia, no jornal O GLOBO, sobre o carnaval

Daqui, do balcão imaginário do BUTECO, recomendo vivamente sua leitura. Provando que sabe das coisas, Tartaglia estréia louvando seu Molequinho, Darcy da Mangueira, Jamelão, Xangô da Mangueira e Luiz Carlos da Vila. E será essa, como sempre, a tônica da coluna até o final do carnaval: muita mulher bonita, muita história boa pra ser contada e muita gente de primeira pra ser homenageada.

Até.

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DO DOSADOR

* incrível a sensação boa que dá perceber, quase dois anos depois de termos escrito alguma coisa, que alguém cai de páraquedas no blog, se emociona e ainda se dá ao trabalho de nos escrever, como aqui. Daqui, do balcão imaginário do BUTECO, eu que tenho pessoas muito cridas em Portugal, mando um abraço do tamanho da Tijuca pro Luís P.;

* incrível, também, o email que recebi, no domingo à noite, de um leitor de Manaus. Conta-me o Alfredo que, na quinta-feira passada, por conta de umas compras que fez, foi dar uma geral no freezer, junto com a mulher. Eles acharam uma rabada comprada há poucas semanas e decidiram prepará-la no domingo seguinte. Foram à internet, chegaram ao BUTECO, chegaram à receita da rabada (aqui) e prepararam o prato, “que ficou uma delícia”, “ainda que tenha feito algumas alterações em termos de quantidade e tempo”, disse-me ele. Mandou-me, o Alfredo, inclusive as fotos. Gentilíssimo. Típico troço que faz valer a pena manter o blog. O Alfredo, empolgado, ainda comprou meu livro, MEU LAR É O BOTEQUIM, através de depósito bancário. Hoje mesmo o bichinho segue para Manaus, portador de um fraterno abraço meu no Alfredo, na Let, sua mulher, e nos três filhos (o mais novo, João Vinícius, aparece numa das fotos caindo dentro da rabada!);

* como eu já havia lhes contado aqui, a matéria sobre a Tijuca, para a qual demos entrevista eu e Felipinho Cereal, saiu publicada na edição deste mês de janeiro na revista CONEXÃO RIO. Ficou muito bacana. E lá estão citadas a FLORA NOVA BRASIL, a TINTURARIA MASCOTE, a QUITANDA ABRONHENSE, a PADARIA TRIGUS, a CASA D´QUEIJOS E FRIOS, o QUEIJEIRO DA MUDA, o FIGUEIREDO REI DAS CHINELAS e outros gloriosos comércios do bairro onde vivemos;

* a idade, que chega a galopes, cutuca você e grita “velho!” no seu ouvido quando você vai dar um beijo na sua afilhada, fazendo 15 anos, e as amigas dela te chamam de tio o tempo inteiro. A situação é óbvia e batida, mas aconteceu comigo, pela primeira vez, na semana passada;

* completa 60 anos, em 2009, o MONTANHA CLUBE, o clube mais legal da cidade. Dia desses, quando o tempo que tem me faltado permitir, falo sobre ele.

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