Arquivo do mês: setembro 2004

MAIS UMA LENTILHA

Doces figuras, na sexta-feira passada, 17 de setembro de 2004, aproveitando a virada da meia-noite, oferecemos, eu e Sorriso Maracanã, uma Lentilha Carneada para cerca de cinqüenta amigos que atenderam nosso comovido convite a fim de comemorarmos 5 anos vivendo juntos, e eu sempre disse contente que minha nêga é uma rainha porque não larga o batente, mas sou eu que me garanto na cozinha e somos Flamengo doentes.

Para não cometer a grossura de outrora, vamos enumerar os presentes (e se você não está na lista, lamento profundamente… a revimos várias vezes), a ordem é presumivelmente por ordem de chegada até onde a memória permite: Betinha, Beth, João Vitor, Mauro & Silvinha, Sogrinho, Mico, Luiz Humberto, Lelê Sorriso Via-Láctea, Alê, Manguaça, André, Pierre & Bianka, Marcelo Cândido, Maria Paula & Dedeco, Marcy, Guerreira, Sheyla, Nice, Zé Colméia & Vinagre, Fefê & Brinco, Tetê, Alex, Vidal & Gláucia, Tatu & Sueli, Marquinho, Moniquinha & JP, Cachorro & Cris, Fofolete, Fumaça, Deyse, Banana & Beto, Gi & Zé, de Porto Alegre!

Os presentes que chegaram com presentes, aos quais agradeço daqui de novo: Flavinho, com duas garrafas da surpreendente cachaça Santa Rosa; Miguel, com seis taças de vinho; Duda, com uma do alambique de tirar o fôlego; Giulia, com duas canecas gigantescas para o café da ressaca; papai e mamãe com bolinho e uma tábua para frios; vovó com jogos americanos; Lara & Mariana com uma garrafa de vinho do porto envelhecido e o destaque absoluto da noite na categoria: Sônia, minha amada Manguassônia, que entrou no Estephanio´s com um pé de pau-brasil!, lindo, e com o seguinte cartão, que faço questão de transcrever, que quase me matou e acabou com a noite: “Edu e Dani, resolvi comprar uma plantinha para vocês. Mas que dúvida terrível: o que? Olha daqui, olha dali e vi esta linda muda de Pau-Brasil e não tive dúvida. Arrumem um cantinho para plantá-la e cuidem dela com amor e carinho para que cresça cada vez mais e viva por muito tempo. Na verdade, o que eu realmente quero é que isso aconteça com vocês. Beijos, Sônia. PS: e com a nossa amizade também, + beijos.” É ou não de matar de alegria?

Foram devastados os seis quilos de lentilha escoltada por 12 quilos de carne, lingüicinhas, paio, carne seca, lombo, costelinha, folhas de louro, muita salsa. Em euforia industrial, fiz confissões inconfessáveis a diversos convidados, dentre eles o mais assustado, de longe, o Tatu, que acompanhado da Sueli não acreditava no que brotava de mim com franqueza extrema. Não sei se o fenômeno deveu-se à redondeza da data, 5 anos, mas foi extremamente doce receber presentinhos, quase que todos, por quê, meu deus?, atinentes à prática da birita.

Isso foi na sexta-feira. Ainda nessa semana pretendo contar sobre o sábado, quando houve show da StefiBand e ensaio da Vila Isabel, e o domingo, quando a Guerreira abriu os portais de sua casa para uma Tripa à Moda do Porto, preparada por sua pobre mãe que teve de aturar, mais uma vez, a escumalha da Tijuca, num almoço em homenagem à Tetê.

Até.

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>UMA FESTA UNIBANCO

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Doces figuras, quem foi, foi, quem não foi pode, desde já, arrepender-se de forma torpe. Maria Paula, doce figura conhecida nessas plagas do Buteco, freqüentadora também do Buteco do Edu real, faz anos depois de amanhã, 15 de setembro, mas resolveu comemorar a data com uma festa no dia 11 de setembro em sua mui modesta cobertura no Leblon.

O dia era, como já disse, 11 de setembro, data na qual foram derrubadas as torres gêmeas por terroristas fanáticos. Não sei se foi mera coincidência ou se foi proposital, mas nesse mesmo dia torres de engradados de cerveja foram violentamente derrubadas por uma horda de hunos bárbaros que invadiram seu apartamento. Pobre, Maria Paula.

Eu tenho como certo que foi a última festa que ela promoveu em sua casa. Vamos aos detalhes para que fique tudo claro.

A festa estava marcada para começar às 17h. Betinha, uma moça, digamos, um tanto quanto hiperbólica, resolveu marcar uma pequena concentração em sua casa às 13h, para a qual fui convocado com o desafio de preparar camarão frito no azeite com alho, coentro e colorau português. Para lá rumamos eu, Dani Sorriso Maracanã, Fefê, Brinco, Flavinho, Guerreira, Marcy, Lelê Sorriso Via-Láctea, Mauro e Ruivinha.

É preciso fazer pequena pausa para descrever uma cena patética. Eu, mantendo minhas tradições tijucanas mais-que-arraigadas, saí de casa com a Dani de táxi (jurei nunca mais dirigir quando for beber) portando uma mochila com roupas, escovas de dente e afins, e uma bolsa de palha (a indefectível marca da Tijuca) contendo pequenos apetrechos de cozinha.

Fomos convidados para dormir na casa da Maria Paula, o que aceitamos de pronto. A cena era bizarra. Partimos da Tijuca como se estivéssemos indo para a Região dos Lagos. Na casa da Betinha, o que era para ser uma simples concentração com camarãozinho e uma cervejinha, transformou-se numa festa. A anfitriã, que dormira na véspera às 6h da manhã, nos recebeu com largo sorriso, abraço confortável e – pasmem – uísque, ginjinha (bebida portuguesa feita com ginja, uma fruta), cerveja em toda a extensão da geladeira e vinho branco. Preparei sete frigideiradas (numa frigideira linda que mais parece o Maracanã visto de cima, enorme, que acabei ganhando de presente no final do furdunço) até que soou o gongo às 17h para que rumássemos para o Leblon. Ruivinha e eu tomamos banho (separados, diga-se), em mais um momento tijucano clássico, e partimos todos calibradíssimos para a festa da Maria Paula.

Lá chegando, Pierre comandava o som num bate-estacas insuportável. Maria Paula contratou um staff de primeira que preparava crepes em velocidade e quantidade industriais. Talvez me esqueça de alguns nomes, mas zanzavam pela cobertura de incontáveis metros quadrados, além de todos os que estavam na Betinha, Pierre, Simone, Giulia, Sérgio Barreto, Cícero, Fumaça, Paulo Henrique, Manguaça, Mauro, Zé Colméia, Vinagre, Duda, Deyse, Tom, Garrett, Fernanda, muita gente. E o Dedeco, que merecerá, mais à frente, um capítulo à parte.

Havia um contraste nítido na festa. De um lado, os convidados bem nascidos, chiques, discretos, elegantes e sóbrios da Maria Paula. De outro, bem mais populoso, a escumalha da Tijuca (há os que não moram na Tijuca, mas que têm a alma vagabunda desse adorável bairro da zona norte da cidade), a choldra, a plebe ignara que não escondia a satisfação de estar naquele local fausto.

Fiquei descalço nos primeiros quinze minutos. Guerreira galopava entre os convidados, Fefê dava chope para um bebê de meses de idade, afilhado da Maria Paula, para absoluto choque de seus pais, Dedeco (mais detalhes à frente) checava cada aposento do apartamento em nítido deslumbramento, Brinco comia crepes de todos os sabores sabendo que a creperia funcionaria até às 21h, Pierre voltou a fazer declarações de amor pra mim e pra Dani (prontamente retribuídas), Lelê Sorriso Via-Láctea dançava de braços abertos lembrando um helicóptero e quebrando os copos dos incautos mais sóbrios.

Às 22h ela gritou, uhuuuuu, dez da noite ainda e já estou bebaça!, e os mais educados começaram a ir embora.

Decidi, não sei ainda a razão, acompanhar cada convidado do elevador até a portaria. Numa das levas partiram Pierre, Fernanda e uma moças em direção a uma boate no Centro da cidade.

Pierre me anunciou, tô a fim de pegar a fulana (não lembro mesmo seu nome). Pus a garota dentro do elevador e comecei, você vai com eles, dance com o Pierre, ele dança muito e outras besteiras do gênero. A coitada mandou, Pierre, eu só vou dançar se você abrir uma roda no meio da pista pra mim, e eu de voleio, ele só vai abrir um buraco no meio da pista se você liberar sua roda pra ele. Finíssimo.

Números clássicos se repetiram ao longo da noite. Mauro dançou semi-nu no terraço, Marcy traçou mais um gringo, cantei árias em altíssimo volume, e às 3h30min, com a casa já vazia, eu e Dani fomos para o quarto de hóspedes e Maria Paula e Dedeco para o aposento principal do palacete.

Tínhamos que acordar relativamente cedo porque a Maria Paula decidira continuar a festa no domingo com um churrasco.

Às 11h eu estava de pé. Eu, Dani e Maria Paula tomamos cerveja da manhã, enquanto escutávamos Dedeco, o novo namorado da Maria Paula, roncando de forma torpe no quarto.

Eis a cena bizarra daquela manhã. Dedeco abre a porta enfiado num robe de seda e avistando a faxineira disse em tom solene, ovos mexidos e Proseco, por favor. Deslumbrado, o Dedeco.

A faxineira mandou-o à merda e ele voltou para o quarto.

Maria Paula foi ao quarto para acordá-lo.

Eu e Dani escutamos gritos e grunhidos enquanto Dedeco cantava ô ô ô kiss me quick fora do tom. A campainha tocou e Dani abriu a porta. Era Fefê com Brinco, Guerreira, Marcy, Yayá e João Vitor, para suprema felicidade da Maria Paula que a-d-o-r-a criança.

Os dois saíram do quarto. Fefê invadiu o ninho de amor e de quatro farejou o colchão de forma torpe. Não vou repetir o que ele disse, mas foi algo impagável. Flavinho recebeu dezenas de telefonemas e chegou depois com picanha, lingüiça, farofa, salada de batatas, asa de frango, coxinhas, maços de cigarro, carvão e afins.

Fumaça chegou depois com um pote imenso de vidro com batata a calabresa preparada pela Incêndio, sua mãe, e era um presente para mim. Liguei comovido para Incêndio para agradecer o mimo.

Logo depois chegou a maluca da Betinha com mais camarões, alho e colorau. Fefê comandou a churrasqueira, eu mandei ver na frigideira com os camarões, e derrubamos 3 engrados de cerveja.

Na véspera, durante a festa, fora as caipirinhas e as cachaças, foram detonados 7 engradados.

Como no domingo éramos apenas 10 (eu, Dani, Guerreira, Marcy, Maria Paula, Dedeco, Fefê, Brinco, Flavinho e Betinha), ultrapassamos a média.

Ligamos para o Szegeri, depois o malandro ligou de volta para que falássemos com a Iara, eu chorei de forma torpe, ligamos para o Comandante, Marco ligou da Itália e eu cantei durante 10 minutos em italiano, houve um momento de catarse coletiva quando Fefê, Yayá, Brinco, Dani, Guerreira e Betinha choraram sem qualquer razão aparente, Dani fazia acrobacias com fitas coloridas, a vizinhança em choque a tudo assistia usando binóculos, lunetas e outros instrumentos ópticos, e a festa atingiu a marca de 30h ininterruptas, quando Marcy cunhou a frase: isso é uma festa Unibanco.

Saímos de lá a meia-noite.

Creio, francamente, que a Maria Paula jamais cometerá tamanho descalabro novamente.

Dedeco dormiu lá novamente. Que l-i-n-d-o.

Até.

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>A DOCE IARA AGORA É MINHA TAMBÉM

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Doces figuras, já são quase cinco anos vivendo com a Dani.

E já são seis os afilhados, que, como diz o meu irmão Szegeri, são a maior prova de carinho que alguém pode dar a um amigo.

Pela ordem: Mariana Blanc, amiga querida, uma das pessoas a quem, além de carinho, devoto eterna gratidão, em 1999, na quadra do Salgueiro, em meio ao som dos tamborins da vermelho-e-branco, deu-me a Milena, a dona dos mais lindos cílios do planeta e leitora compulsiva de deixar muito marmanjo no chinelo, como afilhada. Diga-se que cada vez que ela me olha com aqueles olhos-desenhados-à-mão e me chama diiiindo, eu tenho taquicardias violentas.

Veio depois o anúncio feito pela Magali e Ricardo durante um jantar no Fiorino. Maga anunciou que estava grávida e que seríamos, eu e Dani, os padrinhos. É preciso dizer que naquele momento fui ao banheiro chorar como órfão. No dia em que a Ana Clara nasceu, 16 de dezembro, enquanto Magali paria, Dani me oferecia café, bolo, pipoca e cerveja na calçada em frente ao hospital pra me acalmar, onde alaguei, sensivelmente, o Humaitá. Assustei um pouco os avós paternos da Ana, pessoas muito mais recatadas e educadas que eu, quando invadi o quarto com uísque debaixo de um braço e tamborim repicando na outra mão.

O terceiro anúncio veio dos Estados Unidos. Alfredinho, o número 3. Os pais do Alfredinho nem me conhecem, mas isso é o que menos importa. Alfredinho , o Batata, veio ao Brasil com a avó materna em dezembro do ano passado, nos entendemos perfeitamente e eu o espero ansiosamente já que ele está voltando, de novo, em dezembro próximo. Notem que figuraça. Quando de sua última visita, com a avó, os pais nos EUA, eu perguntava, Alfredinho, como está o papai sem você?, e ele, com aquele português de bebê, futito, traduzindo, fodido. O Batata é dos meus.

O quarto, uma surpresa. Vizinhos de porta, Ana e Júlio, convocaram a mim e à Dani pra uma conversa no final do ano passado. Pensei logo que fosse esporro, já que eu e Dani não somos, digamos, vizinhos corteses ou discretos. Mas não. Eles nos deram Raphael, não escondemos o choque com a notícia mais-que-inesperada e tudo o que consegui dizer foi, vocês vão se arrepender tremendamente, vejam vocês que incentivador. Raphael é um tremendo encrenqueiro, é o melhor amigo humano da Pimenta, toca a campainha aqui de casa centenas de vezes ao dia e a Pimenta retribui, latindo vorazmente cada vez que passa pela porta de seu apartamento. Já está ensaiando dizer dindinha, e Dani quica cada vez que o encontra no corredor.

O quinto, outra grande surpresa. Buba da Vila e Lu nos entregaram a Dhaffiny. Já contei muito aqui sobre eles, quando contei sobre o “Chá de Beber” que oferecemos quando ela nasceu, ao pé do Morro dos Macacos. O Buba é um dos maiores corações que conheço, a Lu é dulcíssima e a garota tem tudo pra ser uma craque, atestando que pelo fruto se conhece a árvore.

A sexta. Meus irmãos, Fernando e Cristiano, não têm filhos. Mas há alguns anos encontrei um terceiro irmão.

Fernando Szegeri, um caso clássico de irmão siamês, alma vagabunda como a minha, devoções semelhantes, lágrimas abundantes a cada encontro, esteve no Rio na semana passada para trabalhar. Isso foi o que ele disse.

Fernando veio mesmo para o Encontro da Confraria no Bar Getúlio e esticou a semana inteira.

Bebemos e festejamos a graça do encontro em dimensão siderúrgica.

Na quarta-feira fomos ao Clube Guanabara, na careta da Baía de Guanabara, Pão de Açucar no cenário, com Dani, Betinha, Guerreira, Maria Paula e Manguaça. Um timaço.

Lá pelas tantas, num lance cujos detalhes prefiro omitir, Fernando e eu, abraçados e chorando emocionados, chamamos a Dani pro abraço. E ele decretou: vocês são padrinhos da Iara.

Bem, pra quem conhece o Fernando e a dimensão do amor que o malandro tem pela “mulher mais linda do mundo”, que é como ele se refere a ela, sabe o tamanho do presente, sabe a intensidade do gesto e a honra do título.

Ás 4h da madrugada, no Bar Getúlio, lembramos de um pequeno detalhe: a mãe, a Buba do Pará, a Railídia, dona de um sorriso pau a pau com o sorriso da Dani, não havia sido consultada.

O que não foi problema. Ligamos pra SP e acordamos Railídia. Foi Fernando quem falou com ela. O malandro jura que Railídia aprovou. Mero detalhe.

No dia seguinte Dani entregou ao Fernando uma estrela azul gigantesca para que fosse levada de presente pra nossa mais recente afilhada.

É Iara, a doce Iara, quem aparece na foto abraçada à estrela. Um abraço forte como esse, um beijo imenso como a estrela, é o que mando daqui, do Buteco, pra ela, pro pai e pra mãe que, deus do céu, se arrependerão em breve da escolha.

Até.

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