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HOJE É DIA DE MANGA

Desde que Dani foi bambear no infinito, antes disso até, uma moça me acompanha, de muito perto, com as mãos cheias de carinho e os olhos cheios  de perdão. As mesmas mãos, os mesmos olhos, que jamais faltaram, também, pra minha menina – e durante todo o duro caminho que Dani foi obrigada, pela vida, a percorrer, ela foi uma leoa na batalha pelo melhor, o tempo todo, pra mulher que me ensinou a sorrir. Quis, essa mesma vida, que fosse ela a estar do meu lado no exato instante em que Dani foi oló. Não sei se foi por isso, também por isso, por eu ser um sujeito tão cheio de manias, que eu jamais a deixei sair de perto de lá pra cá. Como eu tive a impressão, naquele momento, de que iria cair, pra nunca mais levantar, e foi nas mãos dela que eu me segurei, jamais deixei de querer tê-las entre as minhas, por mais que eu saiba que será necessário, alguma hora, aprender a andar sozinho. Foi quem veio comigo, pra casa, na madrugada do 10 de julho, pra comigo dividir a dura tarefa de escolher a última roupa que vestiria minha menina. Foi a quem, desde então, nunca mais dei sossego.

É quase sempre o primeiro telefonema do dia. É a quem, pobrezinha!, eu recorro pra decidir as coisas mais comezinhas do dia-a-dia, e meus telefonemas, muitas vezes, são apenas pra perguntar – e agora? É quem compreende, de mais-perto, minhas angústias e meus medos, minhas preocupações e minhas dúvidas, é quem me acende as luzes enquanto eu percorro meus cantos mais escuros e quem me sorri sem quase nunca me contrariar, eis que sabe, essa moça, o quão difícil é lidar comigo – ainda mais num momento em que me encontro ainda tão frágil.

São dela, as mãos que não me faltam. É dela, o abraço que me acolhe quando a solidão me machuca. É ela que ouve, compreende e decifra os enigmas que deixo pelo chão enquanto caminho.

É dela, o dia de hoje.

Parabéns, Manga!

Até.

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FINAL DE ANO

Eis que chegamos ao final do ano de 2010. Para mim 2010 terá a marca da saudade deixada por minha avó, que foi oló há poucas semanas, nesse dezembro que termina amanhã. Terá, também, a marca da batalha que travamos em prol da eleição da primeira mulher presidente do Brasil e a marca do último dos oito anos de governo do primeiro operário presidente do Brasil, revolucionário por conta da inversão que siginificou a impressão de suas medidas. Passamos a pensar grande, deixamos de lado a visão elitista e acadêmica que nos regeu durante séculos e a despedida desse homem, no dia primeiro de janeiro, vai ser emocionante demais, fazendo com que 2011 comece sob a égide também da saudade e da esperança.

Mas o que quero lhes trazer hoje, nesse último texto de 2010, depois desse hiato gerado pela correria do final do ano – meu último texto foi publicado no dia 17 de dezembro – é uma homenagem com cara de cartão postal dirigido a todos vocês, meus poucos mas fiéis leitores, que me lêem.

2010 não foi, como não tem sido a vida, um ano tranqüilo. A situação que enfrento intramuros é capaz de estabelecer um permanente desafio que – é como penso – exige de mim a exata medida entre o medo e a esperança, entre a angústia e o ânimo, entre o ateísmo e a fé, entre o branco e o preto, entre o fogo e a tempestade, entre a baunilha e o sal. Mais que nunca, e tem sido assim a cada dia que passo, valho-me da lição de um de meus mestres e a cada tristeza ergo o meu copo ao humor – essa é a grandeza que o samba me ensinou.

Muita gente foi (e é) fundamental para que esse enfrentamento aconteça de forma a não me desestabilizar. E ainda que eu siga permanentemente em estado de visível desequilíbrio, como a esperança que dança na corda bamba de sombrinha, acordo diariamente disposto a assistir, sorrindo, o show continuar de mãos dadas com a esperança-equilibrista.

Mas a homenagem que presto hoje vai pra Marcela, minha amada Manguaça, que aparece na foto que ilustra este texto acarinhando meu vira-latas. Ninguém mais foi mais a expressão do carinho do que ela. Não me faltou, nunca, seu abraço, seu cafuné, seus dedos me enxugando o choro, seu colo e seu ombro paciente e doce. Filha de uma moça igualmente imprescindível, filha de um moço que talvez já tenha conhecido minha avó de mais perto, irmã de um sujeito que não nega o berço – ele também um poço de afeto -, a Manguaça recebe, daqui, minha mais profunda declaração pública de gratidão por tudo que é, por tudo que representa, por tudo que faz.

Desejo a vocês, que me lêem, um ano-manguaça. Se no ano-novo todos vocês tiverem que seja dez por cento do que essa moça representou pra mim nesse 2010, o ano de 2011 será um ano fabuloso. E não me ocorre palavra melhor e mais adequada do que “fabuloso”. Porque é isso que ela é: quase que um troço de fábula, indizível, concretização dos melhores desejos em termos de gente.

A todos, muita saúde. Muita disposição para os enfrentamentos que a vida exige. Muito ânimo, muita paz, muito amor, muito axé.

Até 2011!

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E LÁ VAMOS NÓS!

Bem, meus caros, poucos mas fiéis leitores… Parto hoje, com a Sorriso Maracanã, a mulher que me ensinou a sorrir, essa força bruta e delicadíssima que é a Dani, para dez dias em Portugal. Estou, assim, exaltando a Dani nesse momento não apenas porque estou nessa manhã, depois de quase sete anos a seu lado, ainda mais apaixonado que ontem, mas porque eu me borro de medo de avião, de viagem, tenho tremores só de olhar mala, e só a mão da minha garota é capaz de me devolver a paz e a tranqüilidade. Só seu cheiro é capaz de me servir de calmante, só seu sorriso é capaz de me fazer esboçar um sorriso quando o avião decola, só seu abraço me faz cochilar durante o vôo.

E vamos parar com isso, ou daqui a pouco os comentários começam a chegar, ai, que lindo, oh, que amor bonito, ui, que relação é essa?, e o Szegeri vai me esculhambar.

Por falar em esculhambar. Pô. Saquem o “bilhete eletrônico” emitido pela TAP.

bilhete eletrônico da TAP

Feiíssimo. Sem charme algum. Era bem mais interessante – vejam como um pobre, um tijucano raciocina – aquele libreto, páginas e mais páginas, carbono vermelho, mil e uma instruções, tudo mais solene, mais grave, mais emocionante. Agora, não. Em nome da praticidade, do corte de custos, dessas merdas que nos atropelam, a gente imprime, de casa, o bilhete aéreo, banalizando um troço que, ao menos para mim, é altamente importante eis que sinto-me, sempre, na iminência da morte quando viajo.

São só dez dias, lembrem-se disso. Embarcamos de volta – se lá chegarmos, toc, toc, toc na tábua de madeira imaginária – no dia 05 de junho. Ou seja, pouquíssimo. Mas mesmo assim, mesmo sendo pouquíssimo, notem como os queridos que me cercam me conhecem bem. Dão, a essa mínima viagem, a essa curta ausência, uma importância como a que foi dada à viagem do major Marcos à Estação Espacial Internacional (ISS). Vejam.

Hoje já chegou e-mail da Maria Paula e da Manguaça. Almoçam conosco, hoje, no Salete, a Inês, a Guerreira e a Betinha. A Guerreira irá nos levar ao aeroporto, para onde também vai, para um beijo-tchau, o Mauro, que já esteve conosco ontem à noite, bem tarde, no Rio-Brasília, para um beijo-tchau também. Eu fui assistir ao jogo do Flamengo e Dani chegou, tadinha, tardíssimo, arrumando as malas, eis que eu não guardo nem meia. Ontem ligou-me o Pompa, de São Paulo, para um solene “boa viagem, meu irmão”, e eu chorei quando desliguei. Ah, sim. Disse-me mais, o Pompa, em tom de súplica:

– Querido… Não vá ao Rock in Rio, por favor…

Papai, mamãe, minha sogra, Maguinha, a irmã que eu não tive, todos ligaram como se fôssemos ficar um ano fora. Talvez seja tudo reflexo do que me vai na alma numa altura dessas.

Mas, enfim. Amanhã, às 6h40min, horário de Lisboa, estarão a nossa espera, no aeroporto, Próspero e Cidália, pais da Inês, que gentilmente acataram o pedido da filha:

– Resgatem o Edu e a Dani no aeroporto, por favor!

Lá ainda encontraremos o Cristiano, meu irmão, que fugirá, por cinco dias, de Clermont-Ferrand, e a Fumaça, que fugirá, por dois dias, de Maputo.

Estou levando na bagagem meu palmtop de pobre, o mesmo que levei para Belo Horizonte. Prometo, para o retorno, relatos detalhados, bem à minha moda.

Até.

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FEIJOADA COMPLETA

 

Eu tenho sido acometido, de uns anos pra cá, aos domingos, de um troço que não dá nem pra chamar de mal, até porque é bom pra cacete. Acordo com uma sede de anteontem. Não importa o que foi feito do sábado, domingo eu levanto e às vezes dispenso até mesmo o café da manhã. Tamanha a sede. E anteontem, domingão, acordei não apenas com a sede de anteontem, mas também com uma fome que nem me contem! E de feijoada! Oito da manhã, aproveitando o mote de que na véspera, sábado, foi aniversário da minha mui querida Manguaça, bati o telefone pra Sônia. E fiz a proposta indecente. Eu iria ao Mundial (da Rua do Matoso, é claro), compraria tudo e me mandaria pra lá. Ela sorriu, disse que faria o arroz, picaria a cebola e o alho pro refogado e combinamos de eu estar lá antes das 10h.

E eis que fui ao Mundial e de lá parti pra Sônia com dois quilos de feijão preto, dois quilos de charque, dois de lombo, um quilo de lingüiça portuguesa, um de lingüiça calabresa, um de paio, um pé e um rabinho. Já fui recebido com caipivodka e com aquele abraço. Enquanto eu punha o feijão de molho, cortava as carnes, as laranjas pra cozinhar com o feijão (truque aprendido não-conto-com-quem), separava as folhas do louro, escaldava o pé e o rabo com limão, Sônia e Manguaça tratavam de convocar os sortudos, que foram chegando aos poucos: Dani Sorriso Maracanã (obviamente), Vidal e Gláucia, Dalton e Rino, André e Marcelo, Guerreira e Zé, Lelê Peitos, Zé Colméia e Vinagre, uma tia e a vovó.

 

E eu que sou de uma falta de modéstia olímpica não escondia o orgulho ouvindo os ohs e os ahs da Sônia diante da minha performance. Ela confessou, a certa altura, temer pelo feijão. A falta de tempo pra dessalgar as carnes, cozinhar o lombo, o rabinho, e se dizia estupefata diante do cheiro da comida, do chocolate do feijão, do sal no ponto certo (das carnes, sem uma pitada sequer).

E o glorioso momento do refogado? Sônia dizia “mas que dourado, mas que dourado…”, numa tietagem explícita, aquele tantão de cebola e alho submergindo no feijão fumegante.

Ficou perfeita. Os comensais gritavam “a melhor que você já fez”, “a melhor que já comi na vida”, “dá pra levar quentinha?, e a couve estava nos trinques, a farofa deliciosa, o arroz soltinho, a laranja gelada, e bebemos olimpicamente até 23h30min, quando a Sônia foi à sala de camisola e jogou beijinho.

Neguinho se mancou nessa hora.

Mas foi um senhor domingo.

Curioso e engraçado é que eu venho, há quase um ano, tentando marcar alguma coisa com a Sônia, um almoço, um jantar, e nada.

Foi um telefonema num dia inspirado e pronto: deu-se o encontro.

 

Pra encerrar, a foto desses dois sorrisos de felicidade já de pança cheia de feijão. Vidal, a Lenda, e Lelê Peitos, a Sorriso Via Láctea na visão do meu irmão Szegeri.

Retrato, aliás, da manhã, tarde e noite desse domingo. Um tremendo astral, todo mundo num absurdo bom humor, brindando à vida, à graça do encontro, com boa bebida e boa comida (eu não resisto a um último eleogio).

Até.

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E O BUTECO REABRIU…

Eu e Dani, ontem, 10 de janeiro de 2005, reabrimos o buteco aqui de casa em grande estilo.

O jantar seria para 6, eu, Dani, Manguaça, Sônia (ou Manguassônia para os íntimos), Manguaço e Marcelo. Arrasados por uma enchaqueca, Manguaço e Marcelo não compareceram. E perderam.

Servimos o Canapé do Léo, clássico do nosso buteco, abrimos e derrubamos 3 garrafas de vinho italiano, Sônia deliciou-se com duas caipirinhas, e – pasme, meu irmão Szegeri! – eu acompanhei Manguaça em duas, apenas duas garrafas de Original, que eu bem que merecia um prêmio depois de oito quilos a menos.

A foto é do prato principal, outro memorável clássico do buteco, preparado com algumas inovações que deram certo. Risotto alla zafferano (açafrão), feito com vialonne nano no lugar do arborio e grana padano no lugar do parmiggiano. E o filé acompanhado de um molho de redução de vinho do porto com pimentas do reino e rosa em grãos.

E durou das 21h30min até 2h, quando partiram as duas deixando-me com segredos inconfessáveis que, fruto de um juramento que fiz à Sônia, permanecerão apenas conosco. Se eu conseguir dobrar a Sônia, o que creio não ser muito difícil, mando bala daqui.

Manguaça, querida, comece o trabalho de convencimento da mamãe. Embora eu seja mais eu.

Até.

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