ROBERTA SUDBRACK FEZ JANTAR PRA DANI

Quem me lê sabe o quanto fui, durante um bom tempo, no blog, no twitter, implacável com Roberta Sudbrack. Implicava com ela por tudo, e não vem ao caso, aqui e agora, dizer sobre as razões que me motivaram a agir assim. O que me vem à cabeça, hoje, depois da noite impactante de ontem, toda ela arquitetada pela Roberta, é o seguinte trecho do texto que meu querido amigo Bruno Ribeiro, hoje Secretário de Cultura de Campinas, escreveu por ocasião dos meus 40 anos (o texto, na íntegra, pode ser lido aqui):

“Feliz daquele que sobrevive à uma briga com o Edu e não leva a coisa pelo lado pessoal. Sua gratidão – e esta é a palavra que melhor o define – é algo comovente e ninguém jamais poderá chamá-lo de ingrato. De muita coisa se pode chamar o Edu, menos de ingrato para aqueles que lhe são caros. Coisa rara em tempos tão egoístas.”

Isso me vem à cabeça, mas sob outra ótica: eu é que fui feliz, homem de profunda sorte, por conta da grandeza do gesto da Roberta Sudbrack, e vou lhes explicar tudo através deste texto que pretende homenagear não apenas a Dani, o que venho fazendo desde o começo da semana, mas também a ela, Roberta.

No começo de maio deste ano, minha menina precisou se submeter a uma transfusão de sangue por conta do quadro agudo de anemia pelo qual passava. Vali-me, naquele dia, de todos os meios a meu alcance para fazer o apelo em busca de doadores correr mundo. Usei o twitter, o Facebook, o e-mail, não medi esforços para atingir o maior número de pessoas possível. Muita gente me ajudou a fazer correr, ainda mais, a corrente. Uma delas, em silêncio (soube dias depois, através de um amiga em comum…), foi Roberta Sudbrack.

Fui, no momento em que soube disso, um homem profundamente emocionado. Não bastasse estar fragilizado por conta de toda a turbulência que me cercava a vida naquele momento, aquele – foi assim que chamei o gesto… – tapa de luva de pelica me doeu, pelo melhor viés, no fundo da alma. Aquela mulher a quem tanto agredi, muitas vezes com rudeza e leviandade, simplesmente valeu-se de sua intensa popularidade – mais de 25.000 a seguem no twitter… – para me ajudar, ajudar a Dani, naquele momento tão difícil de nossas vidas…

Escrevi, no dia seguinte, um e-mail endereçado a ela. A resposta veio poucos minutos depois. Sóbria, elegante, e tomei mais um – foi assim que chamei o gesto de novo… – tapa de luva de pelica.

Soube, pouco depois, pela minha queridíssima Katia Lopes, a Katita, responsável pelo Aconchego Carioca, que a Roberta (uma vez mais em silêncio, sem alarde…) procurava sempre saber notícias da Dani, saber notícias minhas. Voltamos a trocar alguns e-mails, até que me chegou, certa ocasião, no comecinho de junho, um convite da própria Roberta para que fôssemos, eu e Dani, jantar no RS, seu festejado e consagrado restaurante no Jardim Botânico. Dani ficou radiante – e por vários motivos.

Alimentava, há algum tempo, o desejo de ir conhecer o restaurante e conhecer, de perto, a tão bem falada comida do RS. Tinha medo – isso chegava a ser engraçado -, entretanto, de ir comigo ao RS, isso até o convite ser feito. Temia pela reação da Roberta diante do fato de minha presença no pedaço. Convite feito, data marcada, e eis que, na véspera do jantar tão esperado, complicações em seu quadro de saúde, já abaladíssima, causaram uma internação de emergência. Eu mesmo desmarquei, por e-mail, com a Roberta.

Veio julho, veio o dia 9, um sábado, Dani não resistiu mais a tanto sofrimento e mais essa certeza se abateu sobre mim: nunca que eu iria levá-la ao restaurante da Roberta…

Na terça-feira, entretanto, dia 11 de outubro, recebi um e-mail da Roberta. Nele, pela primeira vez – ela mesmo frisou isso -, chamou-me de “Edu”. O e-mail é belíssimo, lancinante, comoveu-me intensamente, e ela dizia que tinha muita vontade de oferecer o jantar dos 40 anos da Dani, que serão (serão, serão, eis o milagre do amor!) completados amanhã. Disse, mais, que imaginava que no dia 15, justo no dia do aniversário da minha garota, eu quereria estar com os amigos mais íntimos, com a família, dizendo que tomara a liberdade de fazer uma reserva para às 21h de quinta-feira (ontem). Sugeriu que eu fosse com a Katita, o amálgama de nosso encontro, e prometeu uma mesa pra três (eu, Dani e Katita).

Notem vocês que diante do e-mail eu já era um homem comovido ao extremo. Fiquei feliz por saber que a Roberta era capaz dessa loucura sã, desse ritual tão caro ao Brasil, dessa generosidade que me parecia fictícia. Às oito passei no Aconchego Carioca, bebi uma cerveja com a Katia pra amansar o coração e tomamos o rumo do restaurante.

Meus poucos mais fiéis leitores… O que vivi lá, ontem, foi coisa de mágica, que só alguém extremamente sensível é capaz de produzir. Doeu-me muito na alma saber que fui capaz de fazer o que fiz com a Roberta, alguém que, por sua vez, foi capaz de me proporcionar o que me proporcionou ontem.

Fomos recebidos com intenso carinho – não por ela, uma tímida, como é sabido e consabido. Mesa de três – e minha menina estava ali, à mesa, diante de pratos, talheres, das taças… – e eu e Katia jantamos sob forte emoção, prato a prato, vinho a vinho, e como se não bastasse a excelência da comida, da bebida, do atendimento, já no final do jantar chegou à mesa uma torta de chocolate, uma vela acesa, e ali – faço a confissão desavergonhadamente – chorei copiosamente como temia. E temi – confesso de novo – encontrar aquela mulher tão surpreendente, tão generosa, tão amorosa com alguém que foi tão… isso deixa para lá!

Subimos as escadas e fomos à cozinha.

Diante dela fiquei sem ter o quê dizer.

Pedi desculpas por tanta rudeza – e ela foi doce, de novo.

Agradeci pela noite, pelo jantar, por tanta coisa bonita, tanta capacidade de dar amor a quem ela sequer conhecia (no meu caso), a quem ela sequer conheceu (no caso da Dani).

Não disse a ela dez por cento do que eu pretendia dizer, travei-me – eis a verdade.

Dei a ela meu livro, fiz uma dedicatória que, sei, foi incapaz de dizer a ela sobre meu sentimento de gratidão, e fiquei ali, mais falando com os olhos marejados do que com a boca, diante de quem mostrou-se absolutamente incrível.

E mostrando o quanto ela é surpreendente, doce, ainda fez mais.

Pouco antes de sairmos, assim que dela eu me despedi, ela disse:

– Ah, espere um pouco só! Quero te dar uma lembrança!

E voltou da cozinha com a comanda de nossa mesa, de número 13, como a imagem abaixo comprova, reservada para Edu, Dani e Katita.

Um presente impactante, uma noite inesquecível, um gesto absolutamente irretribuível.

Devo tudo a ela, Roberta Sudbrack, que mostrou-se portadora de sentimentos tão nobres. A Katita, que construiu, aos poucos, nossa aproximação… Roberta disse, à certa altura:

– Você não desistiu, né, Katita? – e riu.

E devo também a Dani, que esteve ali, conosco, com sua energia, com suas vibrações de intenso amor, de intensa alegria diante daquilo tudo.

Irretribuível – repito, agudamente – o gesto da Roberta.

É o que posso – ou o que consigo – por ora, dizer.

Até.

21 Comentários

Arquivado em confissões

21 Respostas para “ROBERTA SUDBRACK FEZ JANTAR PRA DANI

  1. marianna araujo

    mais uma bela homenagem. aqui uma confissão: deu uma vontade da porra de ir ao RS, menos pela comida e muito mais pela figura da Roberta. Irei em breve, assim como fui ao aconchego por recomendação sua no twitter e não consegui mais deixá-lo.
    parabéns para dani! que a saudade seja mansa contigo, edu.
    um abraço carinhoso.

  2. Adorei! Adorei!
    Obrigada por compartilhar essa história linda!
    Aonde quer que esteja, a sua menina deve estar com o sorriso maior que o maracanã!

  3. Mariane Candido

    Você me emociona todos os dias, Edu! Minha última lembrança da Dani é linda…nós duas conversando e chorando naquela tarde linda, depois do Círio, que eu acabei “furtando” o porta-retrato lindo que ela tinha ganhado! E naquele feriado, o mesmo que passamos agora, 12 de Outubro, eu acabei, mesmo sem saber, me despedindo de duas pessoas queridas, da Dani e seu sorriso maravilhoso, e Flavinho, outro querido, marido da Bia. A vida tem dessas coisas! São as marés altas e as marés baixas, as idas e vindas e por isso tudo acaba por ser tão fantástico…envio a ti minhas energias, sempre! Um grande beijo.

  4. Hans

    Lagrimas por aqui. Sábias as palavras do Bruno e sábia a capacidade de, publicamente, sempre publicamente, escancarar as emoções.

  5. Antonio Carlos

    Parabéns

  6. Patu

    Sem palavras e emocionada. Parabéns a todos os envolvidos. E hoje em especial a aniversariante. Parabéns Dani!

  7. zé sergio

    Parabéns à Dani, à Roberta, à Katia e a você, meu amigo. Se convidado (e desconfio que jamais seria por motivos óbvios, logo após o fecha parênteses), iria a caráter, com um velho sobretudo que adquiri em suaves prestações na Impecável Maré Mansa, cujos bolsos seriam capazes de armazenar a festa de Babette e a cabritada malsucedida do Geraldo Pereira.

  8. Parabéns pelo lindo texto. Não me surpreendeu a atitude da Roberta. Eu bem sei que ela é capaz destes gestos. Uma das pessoas mais carinhosas e equilibradas que conheci.

  9. Roberta Sudbrack

    Parabéns Dani! E Edu, agraçamos à vida por essa chance que ela nos deu… Abraços, Roberta Sudbrack

  10. Perla

    Grandes lições nesse texto…

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  14. Chegou um ponto no Buteco que percebi que você como todos nós, é extremamente contraditório, poderia listar muitos exemplos e graças a Deus é assim, pois dá certo conforto ao leitor, que muitas vezes se sentia culpa por discordar de uma ou outra opinião, mas no caso específico da Roberta Sudbrack, ela saiu deste episódio, até então desconhecido, acredito eu por grande parte dos leitores, como um ser humano de extrema grandeza. Faz-me refletir também, sobre a importância de expurgar nossos conceitos. Parabéns especificamente por este momento !

  15. Atitude tão bela quanto rara, a da Roberta. E mais um lindo texto seu. Muito comovente mesmo.

  16. como eu disse outro dia… gentileza quebra muito mais pernas do que violência. feliz o mundo em que há espaço para as metáforas e para as emoções gentis. =^)

  17. Pingback: ROBERTA SUDBRACK, MODUS OPERANDI | BUTECO DO EDU

  18. Jurema Ponti

    O ser humano, quando humano, é maravilhoso!!! Aí estão os belos exemplos de ser humano: Roberta Sudbrack, Dani (Sorriso Maracanã), Edu.
    Que texto emocionante, meu querido amigo! Que vivências! Quanto amor e dedicação! Esse é um verdadeiro ENCONTRO DE ALMAS! Certamente já vem de outras e muitas encarnações, essa é minha crença. Te amo! Sou sua admiradora por tudo que você é e faz na vida. Beijos, beijos, tia Ju

  19. Que pancada, caro Edu. A gente se renova com tudo isso, com tanto amor. Agora imagine, estou aqui na firma, em pleno fechamento, lendo e chorando. Beijos enormes para você, Roberta e Dani, presença tão forte e bonita. P

  20. Pingback: E QUE VENHA 2012 | BUTECO DO EDU

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