>UMA QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA

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Desde ontem, quando escrevi VAI CHEGAR A HORA DA CANALHA – leiam aqui -, e desde que li o comentário do Marcão“recusar atendimento médico de emergência a quem precisa é crime” -, um troço voltou, e vira-e-mexe isso acontece, à minha cabeça.

Como determinadas pessoas conseguem desempenhar papéis tão perniciosos à sociedade?

Explico.

Como pode um cidadão formar-se em medicina e aceitar trabalhar num lugar – no caso o Shopping Rio Design Center – em que a ordem é atender apenas aos clientes do empreendimento, deixando de lado, sem atendimento, os funcionários que, no final das contas, sustentam o negócio?

Isso me lembra história recente envolvendo minha Sorriso Maracanã. Precisando de um determinado exame e sendo usuária da UNIMED (sem o negrito, imerecido), minha garota teve a autorização para o tal exame negada. Entrei em campo. Telefonei pra lá, puto, vociferando contra os sanguessugas que tocam a UNIMED (e é assim com a AMIL, com a DIX, com a SULAMERICA…) e eis o final da conversa:

– Então eu vou autorizar, ok? Mas o Sr. me compreenda… Sou médico, empregado da UNIMED, e sou pago justamente para isso, para filtrar os pedidos de exame considerados supérfluos pela empresa…

Mandei-o à merda, literalmente – fiz questão de confirmar que nossa conversa ESTAVA sendo gravada -, e desliguei com intensa piedade daquele homem, daquele covarde, daquele desgraçado que se formou e que se nega, diariamente, a cumprir a função social da profissão que abraçou.

Assim se passa, também, com os advogados.

Como pode – pergunto-me sempre que enfrento uma grande empresa – alguém se prestar ao papel sujo de defender quem não tem defesa? Como pode um advogado – e cruzo com inúmeros playboys de merda e desclassificadas que rodam suas bolsinhas Louis Vuitton pelos corredores do Tribunal de Justiça se prestando a esse papel sórdido – defender um grande banco em detrimento de um mutuário com dificuldade para honrar seus compromissos, em detrimento de um idoso, de uma idosa, ludibriados por promessas falsas de crédito barato? Como pode?

Como pode um jornalista prestar-se ao papel de só escrever bosta atrás de bosta, dia após dia, pisando em cima do jornalismo maiúsculo, negando-se a defender quem não tem condições de se defender, omitindo-se quando é imperioso falar a verdade? Como pode aceitar fazer parte do jogo sujo dos poderosos que manipulam informações conforme sua conveniência, vendendo a alma aos diabos que hão de ver sua hora chegar?

Como pode?

Até.

10 Comentários

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10 Respostas para “>UMA QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA

  1. >Como pode? Mestre Paulo da Portela deu a triste resposta, mano velho:”Ouro desça do seu tronoPara ver o abandonoDe milhões de almas aflitas(Como gritam)Sua majestade a prataMão ingrata, indiferente, friaSorri da nossa agonia…”Belo e pertinente texto! Beijo

  2. >Que beleza, Edu! Tenho um puta orgulho de você!! Mas precisamos nos mexer…

  3. >E os atores que ganham a confiança do povo fazendo tv e depois vendem financiamentos extorsivos como se fossem negócios da China? Muitas vezes as propagandas são veiculadas nos intervalos das novelas em que eles atuam. Uma vergonha.

  4. >Porque a escolha profissional dessa galera não está ligada à vocação, ao amor à profissão, ela esta ligada a busca de ascensão social, poder, dinheiro e pra ser chamado de doutor. Tudo conforme as regras do capital… Isso é tudo muito triste, mas existem aqueles que não são assim, e que aliás, fazem questão de não sê-lo.Abs,Ps.: O show de ontem foi foda!!! Mais uma vez, e agora publicamente, brigadão…

  5. >edu, depois do que o seu amigo simas trancreveu, encerram-se os comentários. mandou bem, lembrando o grande paulo benjamin de oliveira. encerram-se os comentários mas não a perplexidade.

  6. >É verdade, Simão… é a sabedoria do povo dizendo tudo em forma de arte…Fefê: orgulho tenho eu de tê-lo como irmão e – agora! – como cliente. Haveremos de arrebentar com a CREDICARD e com a VIVO, duas empresas de merda que lesam, impiedosa e diariamente, os consumidores.Betinha: tivéssemos homens mais arrojados e mais corajosos no Ministério Público (principalmente na semi-patética seção de defesa dos direitos coletivos e difusos), e todos esses atores, que sabem muito bem o que estão fazendo, seriam chamados à responsabilidade. São covardes, são gananciosos, são desonestos.Rodrigo: você sabe – já lhe disse isso mais de uma vez – que deposito grandes esperanças em você, a um passo de se formar em Direito (e graças ao PROUNI, diga-se para que os “cansados” ouçam). Você é um indignado como eu. E, tenho firme esperança, um incapaz de ser corrompido pela podridão do sistema. Quanto ao show, mais que merecido o, digamos, presente. Abração!Caíque: é isso… Não podemos perder, nunca, a capacidade da indignação.

  7. >Com licença, Edu. Não posso dizer que tenho orgulho de você como disse seu irmão, afinal não lhe conheço pessoalmente e acho que isso dificilmente ocorrerá, pois moro no Acre e nunca fui ao Rio de Janeiro. Mas você é um de meus ídolos. Isso é. Parabéns.

  8. >Gostaria de fazer uma sugestão ao Edu. Se muda para Cuba, pois assim, você terá saúde de primeira e não pagará nada por isso! Além disso, poderão viver no regime idealizado por todos vocês!José Eduardo Flores

  9. >Edu, o Rodrigo disse tudo. Em específico da profissão de jornalista – da qual faço parte – vejo aqui nos estagiários que trabalham comigo a imensa falta de tesão e amor pela profissão que escolheram.Já tinha comentado que essa molecada tem como sonho trabalhar em assessorias de imprensa (uma aqui saiu essa semana pra ser atendente de banco. Nada contra, mas me cheirou arrego). E os que aqui estão não pensariam duas vezes em abandonar uma redação se recebessem 300 conto a mais para fabricar textos imbecis e virar robozinho dessa coisa tão nociva que é o jornalismo de release.Enquanto isso, a gente vai tentando e sempre nos indignando. Talvez até com mais força que o necessário para compensar a falta da grande maioria acomodada (e cansada!).Abraços!

  10. >Como pode uma empresa que possui o jornal carioca de maior circulação e uma das rádios AM mais ouvidas conseguir também concessão de canal de televisão e monopolizar, assim, o que é ou não é notícia em todos os canais de mídia?Ah, sim… é que a concessão foi ganha logo depois do golpe que nos levou à ditadura.

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