Arquivo do mês: maio 2006

>30.000 VISITAS!!!!!

>

Inaugurei o Buteco no dia 24 de março de 2004 e é bastante gratificante verificar que, pouco mais de dois anos depois, o troço deu certo.

eu na casa da Betinha e do Flavinho em 19 de maio de 2006

Valendo-me de comentário que fiz ontem durante agradabilíssima noite na casa da Betinha e do Flavinho: eu posso me vestir mal (a Dani nunca permitiria que eu saísse desse jeito se estivesse em casa!), mas já atingi 30.000 visitantes, pô!

Até.

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>19 DE MAIO DE 2006

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Receita ideal para uma noite fria de sexta-feira sem a companhia da minha Sorriso Maracanã

taxímetro do táxi do Paulinho

Chamar o Paulinho, de longe o maior, o melhor, o mais fiel e prestativo taxista de todo o Rio de Janeiro, e tomar o rumo da casa da Betinha e do Flavinho que convidaram para – oh, troço chato… – provar toneladas de embutidos trazidos da viagem à Espanha com uísque e boa conversa, que é sempre garantida em se tratando deles, dois amados.

Leopoldo em 19 de maio de 2006

Nina em 19 de maio de 2006

Chegar lá e dar de cara com o Leopoldo e com a Nina e com uma confissão reveladora da Betinha:

– O Flávio ligava a cada dois dias aqui pra casa pra falar com a minha prima… E sempre ficava de olhos marejados quando perguntava do Leopoldo e da Nina…

Quem diria que o Xerife, macho cascudo egresso do Cachambi, fosse dar pra esse tipo de, como direi?, delicadezas emotivas?

Betinha em 19 de maio de 2006

Ficar de papo com a Betinha, a mais-querida, sempre exaltadíssima, falando com as mãos, com os pés, com a boca, com o corpo todo.

Flavinho em 19 de maio de 2006

Ficar de papo com o Flavinho, que chegou com a história das culinárias espanhola e basca na ponta da língua.

Guerreira em 19 de maio de 2006

Ficar de papo com a Guerreira, excitadíssima com a iminente mudança para a Tijuca, onde comprou apartamento.

Dalton em 19 de maio de 2006

Ficar de papo com o Dalton, meu irmão e cada vez mais meu irmão.

eu com a Nina em 19 de maio de 2006

Ficar de dengo com a Nina, beber mais de um litro de uísque, brindar à graça de ter os amigos, chamar o Paulinho pra me levar de volta às duas da manhã, tomar o rumo de casa com o Dalton, sentar no Buteco do Edu, beber mais quatro garrafas de Brahma, acertar o almoço de sábado no Bar Brasil e, ó, pra caminha contando as horas.

Ela chega amanhã!

Até.

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>VOLTA PRA CASA

>(pra Dani, com amor)

“Casa de sombra, vida de monge
Quanta cachaça na minha dor
Volta pra casa, fica comigo
Vem que eu te espero tremendo de amor”

(Tom Jobim)

Dani em Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, 21 de maio de 2005

Ela chega amanhã, madrugada de sábado para domingo.

Domingo, faça chuva ou faça sol, vai ser o dia mais bonito da semana.

Disparado.

Até.

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UM ENCONTRO HISTÓRICO

Reuniu-se ontem, 18 de maio de 2006, a confraria S.E.M.P.R.E. (Sociedade Edificante Multicultural dos Prazeres e Rituais Etílicos) para mais um Encontro Ordinário, dessa vez organizado por mim, e foi, meus poucos mas fiéis leitores, me perdoem o que pode lhes parecer presunção, um encontro do escol carioca em matéria de buteco. E digo “escol carioca em matéria de buteco” e não posso deixar de me lembrar do Jota, aquele sujeito que joga permanentemente contra tudo o que vivemos ontem, intensamente, das 20h, quando teve início a peleja, até às 3h, quando fechamos a conta. No Quitutes da Vovó, na gloriosa Rua do Matoso 125, na Tijuca, dica que me foi passada pelo Cesar Tartaglia (presente ao Encontro), vimos e vivemos a antítese dos botecos grifados, dos Cordon Bleu da baixa gastronomia, dos pés-sujos fashion, para citar apenas três termos nojentos cunhados pela citada consoante. (eu não sei se vocês já notaram, mas pousando o mouse sobre as fotografias é possível ler as interessantes legendas de autoria desse que vos escreve, algumas delas bastante elucidativas, como a que há na foto do Vidal com o Xerife)

Sob a copa de uma gigantesca pata-de-vaca, imensa mesa na calçada, os sete Confrades Efetivos, hoje o quadro completo da S.E.M.P.R.E., pela ordem de chegada, eu, Vidal, Branco, Fefê, Dalton, Szegeri e Flavinho e mais os convidados, também pela ordem de chegada, Isaac Goldenberg (meu pai), Zé Sergio, Cesar Tartaglia e Lara.

Notem que o Szegeri, o Pompa, meu Otto prático, veio de São Paulo apenas e tão somente para o Encontro que se anunciava histórico e histórico foi. Notem que o Flavinho, ainda confuso com o fuso da Europa (chegara na véspera da Espanha), fez questão de comparecer e o fez munido de um aparelho de CD para que pudéssemos ouvir Sérgio Sampaio, o homenageado da noite. Notem que o Zé Sergio despencou-se de longínquas terras em Niterói e bateu um bolão ao longo da noite (na minha opinião, o craque do jogo). Notem que o Tartaglia deixou a redação do jornal às dez da noite, suponho que cansado, mas esteve lá, foi bater o ponto e engrandecer a mesa. Notem que meu pai anda ressabiado de sair à noite, mas foi incapaz de recusar o convite e, mesmo cambaleante (bebe pouco, meu pai), agüentou o tranco até bem tarde.

Dalton e eu no Encontro da S.E.M.P.R.E. em 18 de maio de 2006... ou será o Flávio Silvino e eu?????

Szegeri e Branco no Encontro da S.E.M.P.R.E. em 18 de maio de 2006

No comando do buteco, dois craques: Raimundo (balcão e cozinha) e Adaílton (atendendo a mesa). A S.E.M.P.R.E. regalou-se com porções de salaminho, porções de queijo, croquetes de carne, porções de carne assada, canja de galinha e dobradinha. Bebemos dois engradados de cerveja (sempre geladíssima), uma garrafa de cachaça Cande, aprovadíssima, várias doses de Dudu e de destilados capazes de fazer um homem como o Jota tremer nas bases (eu tenho a impressão de que o Jota gosta mesmo é de um drink).

visão do balcão do Quitutes da Vovó, na Rua do Matoso 125, na Tijuca, Rio de Janeiro, RJ

Tornando a noite ainda mais especial, o Flamengo venceu o Ipatinga por 2 a 1 e passou à final da Copa do Brasil que será disputada com o Vasco, em dois jogos que acontecerão apenas depois da Copa do Mundo. Em detalhe que torna tudo ainda mais coerente, nada de TV: o Dalton, com um radinho de pilha colado no ouvido, foi narrando, durante todo o tempo, os detalhes da partida.

Inúmeros momentos épicos deram cores ainda mais impressionante à noite, e não caberiam todos aqui, podendo, e devendo, os Confrades, listarem os melhores nos comentários a este texto. Mas é preciso destacar a senhora que foi à mesa, à certa altura, puxou da bolsa uma fotografia onde aparecia abraçada a seu filho e disse, olhos de orgulho:

– Esse é meu filho. Está jogando no Guarani, de Campinas. Mas já jogou no Fluminense. Ele é o Acerola!

E o Vidal deu de urrar:

– Sou fã do seu filho!

– Dá-lhe Acerola!

Isso comoveu demais a tal senhora. Que, depois das intensas demonstrações de carinho do Vidal, prometeu uma feijoada a ser marcada, bancada pelo Acerola (!!!!!), ali mesmo, naquela calçada! Isso, meus caros, só na zona norte.

E isso para não falar nos momentos clássicos… Telefonemas para Zé Szegeri, pai do Szegeri, sempre tão agredido pelo Fefê, seu fã número um. Telefonemas para a Rino, mãe do Dalton, obrigada, coitada, a falar com um por um. Agressões bárbaras entre os Confrades, notadamente entre o Dalton e eu, cessadas com manifestações de carinho olímpicas. E a sempre esperada sessão fodam-se-os-ausentes, sempre com o Flavinho como mediador.

Uma noite, como se vê, histórica. Com apenas uma nota triste. Eu diria que quase-trágica: Zé Sergio, a dinda afetiva do Szegeri e minha também, valendo-se de reprovável cavilação, mandou chamar o Paulinho, taxista do coração de todos, fez o Paulinho levá-lo ao inferno em Niterói e lá chegando disse ao trabalhador:

– Ih! sem dinheiro. Acho que o Edu me roubou.

Gargalhou, arrotou, entrou pelo portão e mais não disse. Um biltre incomensurável, o Coroca.

Até.

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>MENGOOOOO!!!!!

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Reúne-se hoje a S.E.M.P.R.E. (Sociedade Edificante Multicultural dos Prazeres e Rituais Etílicos) às 19h e um tantinho mais tarde entram em campo, no Maracanã, Flamengo e Ipatinga para decidirem quem disputará a final da Copa do Brasil com o Vasco, que arrancou ontem a classificação diante do Fluminense.

Uma final da Copa do Brasil entre Flamengo e Vasco será, sem dúvida, eletrizante.

eu de costas, 07 de maio de 2006

Mas para isso, evidentemente, o Flamengo tem de passar pelo Ipatinga logo mais à noite.

Razão pela qual eu, cheio de orgulho, visto hoje essa camisa, minha e só minha, com meu nome, meu ano de nascimento e uma de minhas preferências, tudo estampado nas costas, para, de pé no balcão erguer o copo ao êxito do rubro-negro que, ultimamente, eu defino assim: rubro de vergonha e negro de perspectiva. Reverter isso, é tudo o que quero.

Até.

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>AMANHÃ É DIA DE CONFRARIA

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Reúne-se amanhã, 18 de maio de 2006, a Confraria S.E.M.P.R.E. (Sociedade Edificante Multicultural dos Prazeres e Rituais Etílicos), a partir das 19h, em local que não me é permitido dizer, ao menos ainda, por forças estatutárias. Conto-lhes depois do Encontro, provavelmente na sexta-feira.

Depois de um longo período em que esteve dispersa, a Confraria, revolvida por seus bravos membros, irá juntar-se novamente em torno de uma mesa, de um pé-sujo, de boa comida e de boa bebida, recebendo como convidados os queridos Cesar Tartaglia e José Sergio Rocha. Tendo como objetivo um dentre tantos previstos em seu Estatuto: lutar contra a odiosa proliferação dos botecos com “o” (e não butecos), dos drinking-center, como bem disse o Fraga, dos bares grifados e dos Cordon Bleu da baixa gastronomia, como prega o igualmente odioso Jota.

Mas acima de tudo, meus amigos, me dá especial alegria verificar a força dessa Confraria.

Acabo de receber, pelo celular, mensagem do Szegeri (que pela primeira vez assina Pompa).

De São Paulo, decisão tomada de última hora como pedem os grandes momentos como o que se anuncia, meu irmão, meu Confrade querido, o Pompa chega amanhã.

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Até.

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>E COMO FAZ SOL…

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… depois de vários dias nublados, dias anti-cariocas, dias soturnos, e como o céu está num azul dele próprio se admirar, parece até mesmo que fui eu que o pintei por amor e por saudade da minha Sorriso Maracanã, a trabalho em Salvador…

céu da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ, 17 de maio de 2006

… nosso mais novo companheiro, o Pepperoni, provando que de bobo não tem nada, catou uma brecha de sol ao pé da cama e ó, lá na maior preguiça.

Pepperoni, 17 de maio de 2006

Até.

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17 DE MAIO

Hoje, 17 de maio, faz anos a formosa, minha mãe. Ergo, então, o copo à sua saúde torcendo para que ainda possamos fazer isso juntos por muitos anos. E vamos ao que me corrói desde ontem.

De mim pode-se dizer quase tudo: que sou antipático, mal humorado, parcial, exagerado. Não que eu acate ou mesmo aceite, eis que depois da chegada da Sorriso Maracanã em minha vida deixei a antipatia e o mal humor no pasto que vacas tentaram destruir. Parcial eu sou mesmo. Exagerado, jamais. Mas admito que falem, admito. Avaliação, afinal, cada um faz a sua. Agora, francamente. O que não admito em hipótese alguma é ouvir dizerem que eu não sou solidário com os que amo. Ah, isso não. E explico.

O Szegeri, por exemplo. O Szegeri é um sujeito a quem eu amo. Alma afim, irmão siamês, o Szegeri é, para mim, o amigo necessário. Tenho, aliás, já lhes disse isso, ligado diariamente para o Pompa a fim de lhe ouvir desde conselhos graves a até mesmo um simples e paulista “bom dia”. Faz-me bem. Vejam um dos textos de ontem, por exemplo. Estava eu discorrendo sobre uma matéria qualquer publicada recentemente, quando, já quase no final do texto estaquei: não há o Szegeri, ainda. E tasquei, ali, na quadragésima linha (número redondo, pomposo, como ele bem merece), seu nome solto… Szegeri. Fechei o texto feliz com a sensação de dever cumprido. Mas enfim, vou ser objetivo.

Fernando Szegeri em Pouso da Cajaíba, 27 de março de 2005, foto de minha autoria

Estava ontem, no meio da tarde, assoberbadíssimo, diante do monitor, trabalhando, preparando petições, quando tocou o som do OutlookExpress comunicando a chegada de uma nova mensagem. Fui checar. Email do Szegeri. E email do Szegeri é sempre um acontecimento. Queixava-se, meu bom amigo, de algumas coisas que em absoluto interessam a vocês. Respondi, com certa pressa, sua mensagem e, minutos depois, novamente a sineta toca. Novo email do Pompa. Não vou aqui, ao contrário do que já fiz em outras ocasiões quando isso mostrou-se necessário para ampla compreensão dos fatos em análise, quebrar o sigilo da correspondência na íntegra, mas apenas um parágrafo do taciturno e lúgubre email do Pompa:

“Obrigado, querido. Acho que estou com um certo complexo de rejeição, depois de ter sido o ÚNICO da minha seção a não ser convidado para o almoço de despedida de uma colega.”

Notem bem. Antes de mais nada é preciso dizer que somente quem o conhece e tem a capacidade de ouvir sua voz dizendo “NUNCA” quando lê um “NUNCA” desses, em caixa alta, num de seus emails, é capaz de rir, mesmo diante da tragédia anunciada.

Eu imaginei a cena e fui um abatido dali em diante.

Todos os colegas do Pompa cochichando na repartição. Trocando bilhetes. Olhares. E isso desde cedo. Até que há o badalo do sino ao meio-dia. E os funcionários se atropelam em busca da roletinha da saída e fica ele, o bom Szegeri, ali, sozinho, em meio a processos, prontuários, pareceres, encarando a triste sensação do abandono. E com fome.

Voltei ao email e minha dó aumentou. O Pompa mandou-me o tal email ao meio-dia e oito minutos. Ou seja. Oito minutos após a humilhação a que foi submetido pela vaca com quem trabalhava (se o almoço foi para a despedida da vaca, o verbo no passado é adequado) meu irmão estava fazendo do teclado e do monitor seus confessores e de mim seu confidente.

Tivesse eu dinheiro sobrando e teria partido em direção ao Santos Dumont, tomado o primeiro vôo para São Paulo, um táxi para a repartição onde trabalha o Pompa e esperado a vaca e seus coleguinhas voltarem do almoço. E invadiria, como um huno, a saleta onde o encontraria faminto, com olhos desgostosos e a alma pisada.

Para saltar num abraço e num urro:

– Vamos, Fernando Szegeri! Vamos almoçar no Pasquale! – e olhando pra vaquinha – Vamos que essa vaca não te merece!

Faria isso, ou algo do gênero.

Parcialíssimo.

E aí ele daria pulos como esse da foto. De alegria e de orgulho de mim.

Até.

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>LUANA PIOVANI

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(da série SACO: só acontece comigo)

Eu tenho um hábito que, confesso, me diverte. E passei a lançar mão dele justamente para me livrar do enfado de uma viagem de táxi (mas funciona, também, em ônibus, na praia, em qualquer lugar).

E não preciso de mais nada além de um celular. Explico.

E explico contando o que fiz no dia do meu aniversário, 27 de abril.

Tomei o táxi na porta de casa em direção ao escritório. Sentei-me à frente, ao lado do motorista, e bati o telefone pro Szegeri a fim de agradecer as flores que chegaram logo cedo lá em casa. Liguei pra Stê, em seguida. Quando estava discando pra Juliana Amaral, o homem diz:

– Já vi que é seu aniversário, doutor. Parabéns!

– Obrigado, chefe! – e falo com a Ju.

Quando desligo é que me vem a idéia.

Luana Piovani

E começo o troço, celular no ouvido.

Notem que o motorista me ouve, apenas, evidentemente.

– Alô? É do PROJAC? (…) Quem está falando? (…) Ô, Lúcia, bom dia… Você pode me ligar com o estúdio 4?

O motorista de soslaio, atento.

– Alô? Quem fala? (…) Oi, Lucineide… Se eu não estiver enganado a gravação está no intervalo, certo? (…) (finjo uma pequena gargalhada) Você pode ver se a Lu está por aí? (…) Ah, sim. Desculpa… (rio de novo) Luana Piovani. (…) Eduardo. (…) É particular. (…) Ela sabe quem é. (…) OK, querida, eu espero.

O cara não segura o susto e o carro engasga. Os olhos em mim.

– Oi, meu amor! E precisava disso, Lu? (gargalho) (…) Você não existe… (…) Marquei às nove da noite. (…) Você vai, né? (gargalho muito) (…) Ô, meu amor, se você vai chegar tarde mas vai chegar sozinha, é até melhor, né? (dou soquinhos no painel do táxi e rio mais)

O motorista aumenta o ar-condicionado e acompanha minha conversa como se fosse jogo de Copa do Mundo.

– Tá bem, gatinha. (…) Eu durmo lá, então. Acho que tem uns pijamas meus na tua casa, não tem? (mais risos) (…) Tá bom, então, meu amor. (…) Bom dia pra você. (…) Outro, querida. (…) Na boca também…

Desligo já quase no Largo do Machado.

– Quanto deu, patrão?

– Do-do-doze reais.

– Táqui – e estendo quinze.

Ele me passa o troco dizendo:

– O doutor me permite?

Faço um ar bem blasè:

– Claro.

– O Sr. estava falando com a Luana Pi-piovani… a… atriz?

Faço ar de contrariado:

– Estava, chefe.

– O Sr. não me leva a mal, não… Mas… o-o-onde o Sr. vai comemorar o aniversário?

– Hein?!

Levanto. Bato a porta.

O cara ainda me chama:

– Do-do-dotô! Por favor…

Viro-me já na calçada:

– Sim.

– É meu sonho vê-la de perto… Vi que o Sr. é bem amigo dela… Vai até dormir lá hoje… (ele tem os olhos marejados) Quebra essa pra mim, chefia…

– Boa tarde, meu chapa! Era só o que me faltava!

E guincho de rir antes mesmo de chegar ao elevador.

Até.

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>SÓ DÓI QUANDO EU RIO

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(da série EU ASSINO EMBAIXO)

Diante da minha empolgação com o que li hoje no Sodói, blog do meu querido irmão Szegeri, inauguro hoje, no Buteco, a série “EU ASSINO EMBAIXO”, que transcreverá, quando for o caso, troços que eu gostaria de ter escrito. E eu, de fato, assino embaixo disso aí:

“Terça-feira de cinzas

Manhã de cidade esvaziada, movimento muito abaixo do normal, clima geral de ressaca de um não-carnaval onde o morro, efetivamente, desceu. E tenho que me confessar verdadeiramente aterrorizado.

Aterrorizado com a irresponsabilidade e a falta de mínimo compromisso ético de veículos de comunicação de massa, concessionários de serviço público, a disseminar indiscriminadamente um sem número de boatos com o intuito único do faturamento comercial. Esses deveriam ser os primeiros bandidos a serem presos.

Aterrorizado com a facilidade com que uma população inteira, capitaneada por uma elite com acesso a automóveis e computadores, se deixa irracionalmente levar ao estado de pânico; seu absoluto estranhamento e despreparo em relação ao mundo de violência que domina o cotidiano de noventa por cento da população brasileira.

Aterrorizado pelo desfile de autoridades e pseudo-analistas em dezenas de depoimentos absolutamente – quero repetir: ABSOLUTAMENTE – incapazes de passar da estrita superficialidade dos fênomenos ocorridos, tratando de reduzí-los a implicações e explicações de cunho administrativo-gerencial, a única lógica que a sociedade coisificada parece capaz de compreender. Debater sobre formas e modelos desprovidos de conteúdo material é o que eles sabem, incapazes de lidar com contradições gritantes de forma minimamente operacional. Que fazem diagnósticos franceses, advogam soluções estadunidenses, sem perceber que nossa sociedade tem muito menos em comum com Holanda e Canadá do que com Ruanda ou Burundi.

Aterrorizado pelo fato de que nem a de certa forma inédita e generalizada eclosão de um estado extremo de violência possa dissuadir a média da opinião pública da idéia suicida de que a repressão deva ser intensificada. De que as pessoas continuem a pedir mais e mais violência e não percebam que é precisamente a inexistência de controles e limitações racionais do modo de proceder do aparelho repressivo que gere um campo de disputa onde vencerá o mais apto a dominar esses modos de atuação. Quando o estado usa irracional e ilimitadamente a violência – de cujo uso deveria deter o monopólio justamente por usá-la de forma estritamente racional – joga-se em uma batalha a priori perdida: os “inimigos” serão sempre mais numerosos, estarão sempre em posição geográfica provilegiada, mais disseminados, mais escondidos, mais motivados e com menos a perder.

Aterrorizado pela incapacidade das pessoas mais próximas em compreender que o clamor por uma interpretação que leve em conta a estrutura violenta da sociedade brasileira, baseada na hierarquia, no privilégio de castas e estamentos e historicamente mediada pela repressão, não configura sociologismo despreocupado de resolver as questões emergenciais que se põem para o reestabelecimento da normalidade social. Mas que, ao contrário, num momento agudo de crise, só um esforço profundo para compreender os complexos processos econômicos, políticos e simbólicos é via apta à reconstrução de alguma racionalidade capaz de desviar a rota deste nosso trem desgovernado rumo à completa dissolução das formas civilizadas. Falando na linguagem direta que a situação exige: é preciso dialogar e se entender com a bandidagem, não para se curvar quando a situação não tem mais remédio, mas para estabelecer padrões mínimos de interlocução que ponham frente a frente as forças sociais que eles representam, de um lado, e o estado de direito, de outro. É hora de encararmos que as massas excluídas, das quais a criminalidade é somente uma das vozes (a mais poderosa, por óbvio), representam uma força social presente e efetivamente constitutiva do modelo sócio-econômico que criamos e não uma anomalia na ordem constituída que se possa enfrentar reprimindo. E como tal merecem respeito, senão por sua dignidade humana abstrata, pela capacidade que adquiriram de fazer valer seus interesses, língua que a sociedade capitalista entende bem.

Aterrorizado com a passiva perplexidade das forças políticas sinceramente comprometidas com a transformação da sociedade brasileira, sua completa incapacidade de enxergar as formas presentes de negatividade que dominam as sociedades capitalistas periféricas, presas a diagnósticos historicamente desatualizados e a práticas políticas estratégicas elaboradas em face de realidades hoje superadas, se é que em algum dia tiveram lugar entre nós. Incapazes que são de perceber como as formas de opressão social e de destruição do indivíduo há muito deixaram de se restringir à extração da mais-valia, não vêem que não é mais o proletariado a encarnação da negatividade que move dialeticamente a História, muito menos que esse movimento possa não nos levar aonde pensávamos que levaria. Ignoram a complexização das formas opressivas que ensejam no substrato simbólico coletivo a identificação das vozes da resistência indistintamente com o PCC, Che Guevara e Osama Bin Laden. Enquanto estamos preocupados em ganhar os congressos estudantis e dirigir as entidades sindicais, o bonde da História está a depositar em outras mãos as forças de dissolução da ordem burguesa.

Este espaço propõe-se há quase dois anos e meio a falar de cultura. E é de cultura que se vai continuar a falar, é de cultura que se PRECISA falar, antítese única e possível da barbárie.

Fernando Szegeri”

Edu

Até.

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