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A OITAVA LENTILHA!!!!!

Os amigos que atenderam ao nosso chamado, meu e da minha Sorriso Maracanã, para a comemoração pública de mais-um-ano-juntos, puderam testemunhar…

Maria Paula e Dani no Estephanio´s, 17 de setembro de 2007

Foi essa a cara da noite! Essa, a cara das duas, Maria Paula e Dani, com a felicidade carimbada no rosto, foi a mais-constante das sete da noite até às três da madrugada, quando fecharam-se as portas do Estephanio´s Bar, que abrigou, pelo oitavo ano, a lentilha carneada que celebra a arte do nosso encontro.

Vai ser impossível dar o nome de todos os que lá estiveram – e eu não o faria correndo o risco mínimo de um único tropeço de memória. E vai ser impossível agradecer pelos inúmeros presentes que recebemos, todos eles, sem exceção, escolhidos a dedo (isso ficou visível diante do inusitado de cada um deles!).

Encerro, por hoje, dividindo com vocês esse momento magnífico da noite. Meu filho – que compareceu com minha nora, é evidente – Tiago Prata e meu guarda-costas (decidi isso ontem e ainda não o avisei…) Gabriel Cavalcante mataram a pau, pra variar, meu garoto no 7 cordas e meu segurança no cavaquinho.

E repetiu-se o momento mágico de segunda-feira passada, como lhes contei aqui:  Moyseis Marques, que também pintou por lá, acompanhado pelos dois geniozinhos, repetiu, em emocionada interpretação, Imperial, lancinante samba do Wilson das Neves com letra cortante de Aldir Blanc – aqui.

Até.

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E LÁ VAMOS NÓS!

Bem, meus caros, poucos mas fiéis leitores… Parto hoje, com a Sorriso Maracanã, a mulher que me ensinou a sorrir, essa força bruta e delicadíssima que é a Dani, para dez dias em Portugal. Estou, assim, exaltando a Dani nesse momento não apenas porque estou nessa manhã, depois de quase sete anos a seu lado, ainda mais apaixonado que ontem, mas porque eu me borro de medo de avião, de viagem, tenho tremores só de olhar mala, e só a mão da minha garota é capaz de me devolver a paz e a tranqüilidade. Só seu cheiro é capaz de me servir de calmante, só seu sorriso é capaz de me fazer esboçar um sorriso quando o avião decola, só seu abraço me faz cochilar durante o vôo.

E vamos parar com isso, ou daqui a pouco os comentários começam a chegar, ai, que lindo, oh, que amor bonito, ui, que relação é essa?, e o Szegeri vai me esculhambar.

Por falar em esculhambar. Pô. Saquem o “bilhete eletrônico” emitido pela TAP.

bilhete eletrônico da TAP

Feiíssimo. Sem charme algum. Era bem mais interessante – vejam como um pobre, um tijucano raciocina – aquele libreto, páginas e mais páginas, carbono vermelho, mil e uma instruções, tudo mais solene, mais grave, mais emocionante. Agora, não. Em nome da praticidade, do corte de custos, dessas merdas que nos atropelam, a gente imprime, de casa, o bilhete aéreo, banalizando um troço que, ao menos para mim, é altamente importante eis que sinto-me, sempre, na iminência da morte quando viajo.

São só dez dias, lembrem-se disso. Embarcamos de volta – se lá chegarmos, toc, toc, toc na tábua de madeira imaginária – no dia 05 de junho. Ou seja, pouquíssimo. Mas mesmo assim, mesmo sendo pouquíssimo, notem como os queridos que me cercam me conhecem bem. Dão, a essa mínima viagem, a essa curta ausência, uma importância como a que foi dada à viagem do major Marcos à Estação Espacial Internacional (ISS). Vejam.

Hoje já chegou e-mail da Maria Paula e da Manguaça. Almoçam conosco, hoje, no Salete, a Inês, a Guerreira e a Betinha. A Guerreira irá nos levar ao aeroporto, para onde também vai, para um beijo-tchau, o Mauro, que já esteve conosco ontem à noite, bem tarde, no Rio-Brasília, para um beijo-tchau também. Eu fui assistir ao jogo do Flamengo e Dani chegou, tadinha, tardíssimo, arrumando as malas, eis que eu não guardo nem meia. Ontem ligou-me o Pompa, de São Paulo, para um solene “boa viagem, meu irmão”, e eu chorei quando desliguei. Ah, sim. Disse-me mais, o Pompa, em tom de súplica:

– Querido… Não vá ao Rock in Rio, por favor…

Papai, mamãe, minha sogra, Maguinha, a irmã que eu não tive, todos ligaram como se fôssemos ficar um ano fora. Talvez seja tudo reflexo do que me vai na alma numa altura dessas.

Mas, enfim. Amanhã, às 6h40min, horário de Lisboa, estarão a nossa espera, no aeroporto, Próspero e Cidália, pais da Inês, que gentilmente acataram o pedido da filha:

– Resgatem o Edu e a Dani no aeroporto, por favor!

Lá ainda encontraremos o Cristiano, meu irmão, que fugirá, por cinco dias, de Clermont-Ferrand, e a Fumaça, que fugirá, por dois dias, de Maputo.

Estou levando na bagagem meu palmtop de pobre, o mesmo que levei para Belo Horizonte. Prometo, para o retorno, relatos detalhados, bem à minha moda.

Até.

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FUMAÇA VERSÃO 2006

Na foto acima, Dani Sorriso Maracanã, eu, Fumaça e meu copo de uísque numa dose à VM, ou à Vinicius de Moraes, na noite do reveillon.

Citei a Fumaça e sou obrigado a reparar um erro grosseiro que cometi quando lhes contei sobre a noite de lançamento do livro no Estephanio´s. Disse eu, à certa altura, que a Incêndio comprara algo entre 4 e 5 livros. Errei. E de pé no banquinho imaginário corrijo-me entre chibatadas de autoflagelo nas costas: a Incêndio comprou quase 20 livros. Feita a correção, vamos em frente.

A Fumaça, já lhes disse, ri como quem respira. Mais-que-ri. Gargalha.

Veio de Maputo, onde está a trabalho, para passar o 31 de dezembro entre os amigos. E eis que à meia-noite, depois dos fogos, chega à festa toda a família inflamável. À Fumaça juntaram-se Incêndio, Bombeiro, Brasa e Ventarola. Ou, como queiram, à Débora juntaram-se Terezinha, Oswaldo, Paulo e Duda. “Ventarola?”, ouço daqui a Fumaça perguntar. E eu respondo que sim. É a Duda, que mantém o Brasa aceso. Vamos seguir.

A Fumaça, com quem encontrei-me no 31 pela manhã, fazia juras as mais pífias.

– Não ponho uma gota de espumante na boca hoje.

– Vou ficar na Coca Light.

– No máximo uma cervejinha.

E eu rolava de rir no chão de mármore da mansão à beira-mar (rolava no chão de mármore eis que tal sensação, para um tijucano de quatro costados, é de uma delícia indizível).

Duvidava de suas juras bizarras, feitas com os indicadores cruzados sobre os lábios, dando beijinhos na própria mão.

E veio a festa e a Fumaça bebeu Mumm no gargalo, socou o garçom que lhe ofereceu uma Coca Light e bebia um copo de cerveja a cada cinco taças de espumante, fora as bicadinhas esporádicas no meu uísque.

Como também já contei, o dia primeiro foi todo ele passado na casa da Maria Paula no Leblon, onde o piso também é de mármore e onde eu também rolava pelas mesmíssimas tijucanas razões.

Bebemos e comemos aquilo que nós, da zona norte, chamamos de “enterro dos ossos”, nome esdrúxulo pro troço já que há de tudo, menos osso no farnel.

Mas houve um destaque no tal pequenique.

Não sei se vocês hão de se lembrar, e tal história está, inclusive, contada no “Meu Lar é o Botequim” (comprem, comprem, comprem!), mas a Fumaça sofre de fome crônica, e foi capaz de ignorar solenemente a beleza imponente do Coliseu, em Roma, perturbada que estava pela vontade incontrolável de comer.

Dezoito horas do primeiro dia do ano.

E na sala eu, Dani, Maria Paula, Guerreira, Zé, Giulia e Fumaça.

E a Fumaça, que sempre sorri, deu de chorar dando socos nos braços da poltrona em que se encontrava.

Maria Paula preocupada:

– O que foi Debs?

Dani fazendo festinha:

– Ô, meu amor, aissipitu… (palavrinha de seu dicionário)… o que foi? É a viagem de volta pra Maputo, né?

E a Fumaça, entre soluços que espumavam salivinha pra fora da boca misturada às lágrimas:

– Não… Tô com fome!

Maria Paula, Dani e Guerreira se entreolharam e apontaram, as três, pras bandejas na mesa do centro. Frios, pães, patês, uma tonelada de comida. E a Fumaça, determinada:

– Não, não e não! Tô com fome de rabanada!

Maria Paula acionou a padaria de fé e em 20 minutos chegaram dois pães daqueles gigantescos de rabanada, leite, ovos, açucar, canela e óleo. Fui à cozinha preparar as rabanadas.

E diante do fogão eu ouvia os guinchos da faminta.

Chego à sala com a bandeja onde estão dispostas 40 rabanadas.

E assistimos, perplexos, àquele espetáculo estrelado pela Fumaça que, percebemos, incorporara de vez o espírito africano. Devorou, em coisa de 10 minutos, 30 das 40 rabanadas.

Riu. Dormiu. E roncou. Felicíssima. Com o vestido salpicado de açucar e canela.

Até.

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RACLETE, UMA EXPERIÊNCIA TRAUMÁTICA

Hoje quero lhes contar sobre meu jantar de ontem. Mas antes disso, quero dizer que, amanhã, contarei mais uma do Abelha, meu amigo protagonista da crônica de ontem, a pedidos, vejam vocês, do meu implacável Otto, meu irmão Szegeri, que me gritou, por email – como eu o conheço bem, sei, lendo, o tom que ele imprime às súplicas que me faz – “conta sobre o outdoor do Ziraldo”, e eu o farei.

Vamos ao jantar. Antes, uma explicação mínima. Eu, uma vez convidado para eventos gastronômicos, onde incluo almoços, jantares, lanches, degustações de cerveja, vinho e mais que tais, sou uma festa só. Como uma criança a quem se promete um passeio ao zoológico. Fico excitado, conto os minutos, e não recuso, jamais, um convite desse gênero.

Pois bem. Ontem fui convidado para um jantar na casa de um casal, em Copacabana, e omitirei os nomes dos anfitriões para que eu possa ficar bem à vontade para tecer meus, digamos, comentários críticos. Estávamos eu, Dani, Maria Paula, para quem confessei minhas saudades, no que fui retribuído, vejam que beleza esse mútuo sentimento de bem-querer, e, obviamente, o casal. Quero antes fazer nova pausa.

Eu já havia estado uma vez em sua casa para um outro jantar. E não me recordo, vejam bem, eu que tenho uma memória de elefante, como diz mamãe, de nenhum item do cardápio daquele jantar, eis que tenho ela, a memória, obnubilada pelo choque que representou, pra mim, naquela noite, o prato de arroz preparado pela anfitriã. Toda a gente refere-se a um arroz, quando empapado, como um “unidos venceremos”, “todos por um”, e por aí vai. Aquele arroz, não. Para mim, era a imagem da Antártida. Um imenso bloco branco, inteiriço, em formato de disco, que foi espetado, eu vi!, eu vi!, pelo constrangido anfitrião com um espeto de churrasco. E o arroz foi, sei que parece exagero, fatiado como uma peça de picanha. Lembro-me, disso eu me lembro!, que fui de uma franqueza tijucana com a cozinheira, a anfitriã, quando fui perguntado, “e aí, tá bom?”, e eu disse, “não sei, nunca comi isso na vida”, o que gerou olhares reprovadores da Dani e alguns chutes sob a mesa.

Vai daí que ontem, ainda no elevador em direção ao apartamento, a Dani passava as instruções, “veja lá o que vai falar”, “se não for pra elogiar mantenha-se calado”, e outras coisas mais referentes à etiqueta.

E eis que, a certa altura, é anunciado o cardápio: fondue de queijo, raclete e fondue de chocolate. Tremi. A princípio de felicidade, eis que não foi mencionado nenhum prato com arroz. Depois, porque nunca comi raclete. Os fondues eu traçaria fácil, mas a raclete… Bem, disse a mim mesmo, vamos em frente.

Veio à mesa o fondue de queijo. E algumas espetadas de pão no queijo depois, diz a Dani, educadíssima… “Fulana… está d-e-l-i-c-i-o-s-o esse fondue… parabéns!”. Antes que a moça agradecesse eu emendei, “Menos, Dani… pra fazer isso basta derreter o queijo que já vem pronto e cortar as fatias de pão”. Tomei um bico nas canelas, risos amarelos deram novas cores à sala, e veio à mesa a raclete. Estou escrevendo e não sei se é a raclete ou o raclete. Então… veio à mesa… raclete, sem qualquer artigo. Melhor assim.

O anifitrião pôs, no centro da mesa, um aparelho, que no formato lembra um disco voador, ligou o mesmo à tomada e em segundos fazia qualquer coisa perto dos 45 graus centígrados à mesa. Uma delícia, pensei eu. Cada um de nós recebeu uma espécie de pá de louça e eu, vejam que vexame, pensei que fossem leques a fim de aliviar a barra do calor e dei de me abanar com o troço. Mais um chute, mais sorrisos amarelo-gema e fiquei observando os demais convivas para imitá-los. O cenário era composto, ainda, por potinhos à minha frente contendo pepinos em conserva, milhos em miniatura, bacon, ovo mexido, cebolinha em conserva, tomate seco, talos de queijo gruyère e pimenta do reino. A anfitriã, gentilíssima, ensinou-me a fazer o treco. Pus sobre o que pensei ser meu leque um talo de queijo e sobre ele salpiquei bacon. Fui instruído a pôr no interior da nave espacial à minha frente a pá para que tudo derretesse. Sobre a nave espacial, tentem imaginar isso, batatas já cozidas esquentavam para que depois recebessem o queijo já fundido por cima. Uma praticidade comovente sob um calor do Iraque. Queimei meu antebraço na chapa quente e comi apenas uma leva da, ou do, raclete. Nunca mais, quero confessar.

E eis que veio à mesa o fondue de chocolate. Vejam uma coisa. O que eu vi com o arroz no primeiro jantar a que me referi, vi com o chocolate. Uma peça única, imensa, redonda, preta, cheirando a queimado, no formato da panelinha de louça, e a anfitriã, tadinha, dizendo, “deu errado”, e eu emendei, “pra variar”, e aí a Dani não suportou mais meu comportamento e me deu um soco, sem cerimônia, mandando-me calar a boca. Vejam como um casal da Tijuca é capaz de cenas espetaculares.

O anfitrião ainda chegou a dizer, “mas isso nunca aconteceu, querida”, e eu tive certeza, ali, de que eu é que sou o pé-frio. Pena que o “frio” a que me refiro é apenas imaginário, já que seria bastante desejável algo realmente frio pra temperar a temperatura da sala, àquela altura na casa dos 60 graus centígrados, depois da panelinha do fondue de queijo, do aparelho para raclete e da panelinha do fondue de chocolate.

Até.

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