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DO DOSADOR

* Quem me lê sabe: no dia 08 de junho deste 2011 que se aproxima do final, atendendo a um pedido que me foi feito por meu irmão e por meu pai, assisti à final da Copa do Brasil – Coritiba e Vasco – devidamente trajado com a camisa que ostenta a belíssima cruz de malta. O relato está todo aqui, na íntegra. Pequena pausa. Gosto demais do meu relato e gosto ainda mais dos comentários que lá foram deixados (36 comentários até o momento em que lhes escrevo): há desde uma declaração da Leonor Macedo (uma escritora de mão cheia) – “Odeio menos o Vasco depois desse texto. Você é constrangedoramente foda.” – a um depoimento que me comove, do professor Idelber Avelar – “É lindo, lindo, lindo, o que você fez pelo Vasco nestas finais. Sabe o que isso faz? Isso ajuda na luta contra a violência nos estádios. Humaniza as pessoas. Não há time que eu deteste mais neste planeta que o Flamengo, mas saber que uma pessoa maravilhosa como você é flamenguista nos faz, a todos, irmãos no planeta.” -. Fim da pausa, retomo o fio do raciocínio. Pois na quarta-feira, anteontem, 09 de novembro, fui novamente convocado para assistir, com as mesmas pessoas, no mesmo bar, à mesma mesa (!!!!!), a partida entre Vasco e Universitario, do Peru, pelo joga da volta das quartas-de-final da Copa Sul-Americana. Precisando ganhar e reverter a vantagem do time peruano, que ganhara, jogando em casa, na semana anterior, o Vasco teria uma tarefa árdua pela frente. E eu, na condição de amuleto, fui convocado. Atendi ao chamado. E a tarefa foi ainda mais árdua, pois a equipe peruana chegou a estar à frente, no placar (2 a 1), obrigando o Vasco a vencer por pelo menos três gols de diferença. A nota hilariante, dessa vez, ficou por conta de que eu – rubro-negro há várias encarnações – era o único (vou repetir, o único!) vestido com a camisa do Vasco – e o bar estava apinhado de vascaínos, a começar por meu irmão, pelo Mauro, pelo Milton (os mesmos três à mesa comigo). Resultado: sabe-se lá por conta de que mecanismo disparado dentro de mim, logo após o apito final passei a agredir, verbalmente (sem qualquer pudor ou polidez), os torcedores presentes no estabelecimento. Foi de cagão, covarde, medroso pra baixo. Os três – que gentilmente não me deixaram pagar a conta, como em junho – precisaram me acalmar e me lembrar que o jogo tinha acabado e meu papel estava cumprido. O único registro fotográfico da noite está aqui. E reitero: a turma da fuzarca é mesmo boa;

* um registro: faz anos amanhã – 10 anos – o filhote da Leonor, o Lucas – a quem eu chamava enquanto convivemos, e a recíproca era verdadeira, carinhosamente (o carinho também era recíproco, ainda que tenha sido curto, o convívio) de Zé. A Leonor (escritora de mão cheia, como lhes disse acima) publicou no seu Eneaotil uma carta belíssima, comovente, pro Lucas, por ocasião dos 10 anos – que não são 10 dias, como diria minha bisavó (a carta pode, e deve, ser lida aqui). Por razões desinfluentes para a compreensão do que tenho como objetivo, não vou estar em São Paulo amanhã, não vou sequer falar com ele (protagonista de ao menos uma história contada aqui, no Buteco), e nem mesmo sei se consigo fazer chegar até ele os meus parabéns por conta de data tão bacana. O que espero é que, com sorte, um dia – ainda que demore – ele venha a ler isso, saiba que lembrei do seu décimo aniversário e que até comprei um presente bacana que não vou poder entregar no dia de amanhã. Sei, entretanto, e isso me dá certo alento, que nas vezes em que estivemos juntos – poucas, repito – fui um cara legal pra ele, a quem dediquei o melhor e o mais-que-pude. Os parabéns, é claro, vão também pra Leonor, pro Rodrigo (seu tio), pra Rose e pro Fausto (seus avós maternos). Vida que segue;

* na semana passada, no dia 05, sábado, fiz, na Mansão dos Zampronha, no Alto da Boa Vista, um pernil de porco para pouco mais de dez pessoas (as fotos do ágape podem ser vistas aqui). Eu, que tenho publicadas, no menu à direita, até o momento, dezoito receitas, recebi uma quantidade colossal de e-mails implorando a receita do pernil (enquanto eu preparava o pernil, com mais de 24h de antecedência, fui postando fotos no Twitter (aqui) e mesmo no Facebook (aqui), o que foi despertando a curiosidade da assistência). Até terça-feira, dia 15 de novembro, manter-me-ei afastado daqui. Mas prometo, ainda para a semana que vem, a receita do pernil que ficou, modéstia às favas, sensacional;

* se estivesse vivo e entre nós, faria 70 anos, amanhã, o grande e saudoso João Nogueira, que foi bambear no infinito há mais de dez anos. Dia, como tenho dito aos amigos no curso da semana, de beber na rua, nas esquinas, cantando seus sambas e celebrando a graça de viver na mesma cidade em que nasceu João Nogueira. Recomendo, vivamente, que se veja, também, esse filme (vejam,  aqui, belíssima imagens), sobre a inauguração do Clube do Samba, uma brilhante iniciativa do rubro-negro do Méier;

* e pra encerrar: estamos na reta final do mais emocionante Campeonato Brasileiro da era dos (lamentáveis) pontos corridos. Faltando cinco rodadas, Corinthians, Vasco, Fluminense, Botafogo, Flamengo, até o Figueirense (!), qualquer um tem chance de se sagrar campeão. Quero, é evidente, que o Flamengo saia com o heptacampeonato conquistado. Se isso não for possível, que o título não saia do Rio de Janeiro, onde ele está desde 2009 (com o Flamengo, e em 2010 com o Fluminense).

Até.

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E LÁ VAMOS NÓS!

Bem, meus caros, poucos mas fiéis leitores… Parto hoje, com a Sorriso Maracanã, a mulher que me ensinou a sorrir, essa força bruta e delicadíssima que é a Dani, para dez dias em Portugal. Estou, assim, exaltando a Dani nesse momento não apenas porque estou nessa manhã, depois de quase sete anos a seu lado, ainda mais apaixonado que ontem, mas porque eu me borro de medo de avião, de viagem, tenho tremores só de olhar mala, e só a mão da minha garota é capaz de me devolver a paz e a tranqüilidade. Só seu cheiro é capaz de me servir de calmante, só seu sorriso é capaz de me fazer esboçar um sorriso quando o avião decola, só seu abraço me faz cochilar durante o vôo.

E vamos parar com isso, ou daqui a pouco os comentários começam a chegar, ai, que lindo, oh, que amor bonito, ui, que relação é essa?, e o Szegeri vai me esculhambar.

Por falar em esculhambar. Pô. Saquem o “bilhete eletrônico” emitido pela TAP.

bilhete eletrônico da TAP

Feiíssimo. Sem charme algum. Era bem mais interessante – vejam como um pobre, um tijucano raciocina – aquele libreto, páginas e mais páginas, carbono vermelho, mil e uma instruções, tudo mais solene, mais grave, mais emocionante. Agora, não. Em nome da praticidade, do corte de custos, dessas merdas que nos atropelam, a gente imprime, de casa, o bilhete aéreo, banalizando um troço que, ao menos para mim, é altamente importante eis que sinto-me, sempre, na iminência da morte quando viajo.

São só dez dias, lembrem-se disso. Embarcamos de volta – se lá chegarmos, toc, toc, toc na tábua de madeira imaginária – no dia 05 de junho. Ou seja, pouquíssimo. Mas mesmo assim, mesmo sendo pouquíssimo, notem como os queridos que me cercam me conhecem bem. Dão, a essa mínima viagem, a essa curta ausência, uma importância como a que foi dada à viagem do major Marcos à Estação Espacial Internacional (ISS). Vejam.

Hoje já chegou e-mail da Maria Paula e da Manguaça. Almoçam conosco, hoje, no Salete, a Inês, a Guerreira e a Betinha. A Guerreira irá nos levar ao aeroporto, para onde também vai, para um beijo-tchau, o Mauro, que já esteve conosco ontem à noite, bem tarde, no Rio-Brasília, para um beijo-tchau também. Eu fui assistir ao jogo do Flamengo e Dani chegou, tadinha, tardíssimo, arrumando as malas, eis que eu não guardo nem meia. Ontem ligou-me o Pompa, de São Paulo, para um solene “boa viagem, meu irmão”, e eu chorei quando desliguei. Ah, sim. Disse-me mais, o Pompa, em tom de súplica:

– Querido… Não vá ao Rock in Rio, por favor…

Papai, mamãe, minha sogra, Maguinha, a irmã que eu não tive, todos ligaram como se fôssemos ficar um ano fora. Talvez seja tudo reflexo do que me vai na alma numa altura dessas.

Mas, enfim. Amanhã, às 6h40min, horário de Lisboa, estarão a nossa espera, no aeroporto, Próspero e Cidália, pais da Inês, que gentilmente acataram o pedido da filha:

– Resgatem o Edu e a Dani no aeroporto, por favor!

Lá ainda encontraremos o Cristiano, meu irmão, que fugirá, por cinco dias, de Clermont-Ferrand, e a Fumaça, que fugirá, por dois dias, de Maputo.

Estou levando na bagagem meu palmtop de pobre, o mesmo que levei para Belo Horizonte. Prometo, para o retorno, relatos detalhados, bem à minha moda.

Até.

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UMA PEQUENA HOMENAGEM A DUAS FIGURAS QUERIDAS

Doces figuras, quero daqui, do Buteco, levantar um brinde em homenagem a duas pessoas queridíssimas que, nesta semana, dentro desse tenebroso mês de junho que já se foi, me deram, cada qual a seu modo, alegrias bastante intensas.

Dois biólogos, uma estranha coincidência.

A moça primeiro. Val, morando atualmente em Denver, nos EUA, longe do Brasil e de seu filho Davi, estudando, sofrendo todos os revezes que sofre um brasileiro no estrangeiro, a distância dos amigos, da língua, mandou-me email comovente cujo trecho reproduzo:

“Você continua a me emocionar com o seu “Boteco do Edu”… e eu já chamava ele assim, antes de você mudar o nome oficialmente… acho perfeito… Juro que quando tiver um tempo, deixarei meu registro lá… Mas posso te adiantar uma coisa: ler o “Boteco do Edu” já faz parte das minhas estratégias de sobrevivência aqui… Você me faz mais feliz por me sentir próxima do meu Brasil, da Cidade Maravilhosa, do chopp geladinho (mofado como diz o Fefê) e do clima de amizade e companheirismo que só quem é brasileiro conhece… Como diria o poeta: “Os Estados Unidos é bom, mas é uma merda. O Brasil pode ser uma merda, mas é BOM!” Bom demais… Beijos saudosos de tudo e todos, Val.”

Eis uma das razões pela qual vale a pena manter o Buteco de pé, aberto, funcionando a mil. Beijo grande, Val!

O rapaz. Mauro Rebelo, meu irmão, que esteve também fora do Brasil por mais de 2 anos estudando, voltou há pouco e esteve muito próximo de tomar a decisão de voltar, graças à incompetência e sordidez dos governos que lhe postergavam o pagamento de sua bolsa, tornando inviável sua permanência no país. Acontece que o malandro, nesta semana, enfrentando dezenas de feras de sua área, disputando uma vaga (isso mesmo, UMA vaga) para Professor da UFRJ, cravou 10 do início ao fim das avaliações e abocanhou o concurso.

O que não me causou nenhuma espécie.

Atrás daquela quilha gigantesca, esconde-se um geniozinho. Beijo, meu irmão!

Até.

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