ESTEPHANIO´S, A FESTA

Eis que finalmente chegou o grande dia. No último sábado, dia 03 de março, no Portão Vermelho (aqui), reuniu-se a turba que, durante muitos anos, reuniu-se dia após dia, noite após noite, no Estephanio´s Bar, na esquina da rua dos Artistas com a Ribeiro Guimarães. Aqui, em texto de janeiro de 2012, você pode ler um bocadinho sobre a história desse fenômeno que fez história naquela esquina – legendária por tudo o que aconteceu naquele pedaço da zona norte da cidade.

É na saudade – já disse o poeta – que tudo o que amamos sobrevive.

Pois bem. Deu-se que meu irmão teve a idéia de, mais de cinco anos depois do encerramento das atividades do Estephanio´s, que ficava onde hoje funciona uma filial do Bar do Adão, reunir toda aquela gente em torno de uma festa com o bar como tema. E bastou a idéia vir à tona para que muita gente passasse a ansiar, com a ansiedade de uma mãe de primeira viagem, pela chegada do grande dia. E eu queria lhes contar uma coisa, passada a festa: foi, a noite, um êxito absoluto. Falo por mim e falo pelas mais de 150 pessoas que subiram a serra de Santa Tereza: tudo correu exatamente dentro da expectativa que, sei, cada um guardava.

Foi incrível ver que aquilo que plantei, ao longo da semana passada e que soou como pilhéria pra muita gente, foi colhido nos jardins do Portão Vermelho. Eu sabia – sabia! – que a reunião de toda aquela gente produziria uma espécie de surto coletivo, de arremesso violento em direção ao passado, e eu sabia que cada um dos presentes, cada um dos privilegiados presentes, veria o tal “espírito do Estephanio´s” riscando sua pemba imaginária naquele chão. Pois teve de tudo: como nos velhos tempos, não sobrou bebida pra contar história. Bebeu-se toda a cerveja, todo o uísque, todo o vinho, toda a cachaça à venda. Estivesse cheia de vodka a piscina do Portão Vermelho e aquilo se transformaria num aquário, já alta madrugada, com gente fazendo roncar o fundo da piscina – tamanha a sede, daquela gente! Dançou-se muito, riu-se muito, emocionou-se muito, e eu vou – de novo, mais uma vez – correr o risco de cometer algumas injustiças omitindo o nome de um, de outro, mas eu quero deixar registrado aqui o meu agradecimento a cada um, as minhas parcas e confessionais impressões da noite (me perdoem se soarei modorrento).

Eu cheguei ao Portão Vermelho por volta do meio-dia para preparar o caldinho de feijão que seria servido à noite, e de cara já agradeço ao Fernando, meu irmão, à Lina, minha cunhada (a quem chamo de “nora” com alguma freqüência durante minhas sessões de psicanálise, o que diz muito sobre mim), ao Blas e a papai e mamãe que estavam também, desde cedo lá. Sem eles a festa não teria acontecido. À Jô, pela mão na cozinha. Ao Zezinho, que era garçom do Estephanio´s e que foi tratado, durante a festa, como uma entidade, uma aparição – ele que foi convocado, em caráter de urgência, para dar ainda mais coerência a tudo. Aos quatro primeiros que dividiram mesa comigo (depois não sentei-me mais!): Felipinho, Kadu, Andréia e Drica. Pequena pausa.

Fefê deu de apresentar assim, a Drica:

– Oi, essa é a Drica, ex-mulher do Dedeco.

Fez isso – o quê?! – duas, três vezes, até que foi advertido pela mulher:

– Fernando, não é melhor dizer Drica, apenas?! Por que esse ex-mulher do Dedeco, o tempo todo?

Era – foi ao que eu atribuí – já conseqüência do arremesso em direção ao passado que a todos conduziu pra trás.

Obrigado a Lelê Peitos (e velho-me do apelido consagrado no bar), ela que compareceu depois que convoquei uma tropa de choque para retirá-la de casa, já que a Lelê anda caseira demais. E obrigado também ao Zé, seu marido, paciente me vendo chorar diante da mulher, fazendo a ela pequenas e comovidas declarações de amor e gratidão. Obrigado Betinha e Flavinho (sempre, sempre, sempre presentes!), Vidal e Denise (Vidal fez fotografias, tocou guitarra, tocou gaita e ainda cantou, craque), Felipão e Regina (de volta, de volta!), Dalton e Alessandra, André e Marcelo, Mauro e Vanja (e obrigado pela garrafa de medovača, queridos!, recebida e imediatamente dividida com muita gente que, como eu, ficou alucinada com a bebida sérvia), Ruivinha e Itamar, Cacau e Ângela (salve, a Tijuca!), Zé Colméia e Bianca, Guerreira e Mauro, Duda e Ricardo, Rafa e Tito, Carmen e Isabel, Cacá e Vera, Deyse, Manguaça, Maria Paula, Rob, Juju Vovó, Marcy, Dedeco, Márcio Branco, Rogerinho, Índio, Wagner, gente que, a despeito dos rumos que a vida seguiu, não perdeu a capacidade de buscar a tal emoção que a saudade provoca naqueles que sabem que é nela que – é inevitável voltar ao poeta – tudo o que amamos sobrevive.

Até.

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3 Comentários

Arquivado em botequim

3 Respostas para “ESTEPHANIO´S, A FESTA

  1. Drica

    Indescritível, meu caro Edu, como disse, esse “arremesso violento em direção ao passado” que jamais terá fim! bjo grande

  2. Pingback: OS DENTES DE MINHA AVÓ | BUTECO DO EDU

  3. Vivi "Baiana"

    Meu Deus que saudade daqueles tempos do ESTEPHANIO´S! Como queria ter ido a essa festa e rever todas essas pessoas, as histórias, as viagens a Paraty, o sambinha do domingo, os amores, as bebedeiras, as risadas, as discussões dos filósofos depois do décimo chopp, dos meninos, da Fernanda, Letícia, Lú, enfim… guardo essas memórias como algo lúdico e tão distante hoje! Abraços da “Baiana”, como eu era conhecida por lá!

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