O CONTRATO DO COMIDA DI BUTECO

Eu sou um sujeito – é um de meus jargões preferidos – preciso do início ao fim. Além disso, sou advogado. E, por vício de profissão, faço questão de provar, sempre que possível (a prova negativa, a título de ilustração, é impossível), tudo aquilo que digo. Dito isso, vamos ao que quero lhes dizer hoje.

Estávamos a poucas semanas da abertura oficial desse pernicioso festival que atende pelo nome de Comida di Buteco. Pelo twitter, eu disse uma ou outra coisa sobre o festival e o perfil do festival (@_comidadibuteco) começou a me desmentir (sempre se dirigindo a outros usuários, jamais a mim, através do perfil @butecodoedu). Foi um tal de “onde você leu tal informação?”, “não procede esta informação”, e outras evasivas do mesmo gênero. Pois bem, enquanto não consegui acesso ao contrato, ao regulamento e a seus 4 anexos, não sosseguei. Breve pausa: fico pensando no quanto é importante correr atrás de provas que dêem sustento ao que dizemos, fico pensando no modus operandide nossa imprensa meia-boca, fico feliz quando posso dizer, calcado em provas irrefutáveis, que acho isso e aquilo de determinada coisa. Voltemos.O festival, que diz por aí que prima pela simplicidade, que apenas zela pela cultura dos botequins, que preserva a cultura dos locais nos quais se realiza esse horror, obriga seus “convidados” – os bares participantes! – a um sem fim de regras que, só por serem regras, são a própria negação da cultura desse troço tão arraigado no dia-a-dia do brasileiro. Ainda mais sendo as regras que são. Vamos a elas. E prestem bastante atenção. Vocês podem clicar nas imagens para que possam ler, com mais clareza, as cláusulas do troço.

Vale dizer que o contrato aqui exposto diz respeito ao Comida di Buteco do Rio de Janeiro. Embora eu suponha que no resto do Brasil seja o mesmo contrato (são mais 14 cidades conspurcadas por eles), não me atrevo a afirmar isso.

Os bares participantes – vejam quanta formalidade! – devem entregar até 30 de novembro (ou seja, 7 meses antes) xerox da identidade e do CPF de um dos sócios, contrato social, cartão do CNPJ e alvará de funcionamento emitido pelo Poder Público. Devem, ainda, entregar devidamente assinados o contrato e seus anexos I, II, III e IV.

Devem se comprometer, ainda, a comparecer à sessão de fotos que será marcada pelos organizadores a fim de que sejam fotografados os pratos concorrentes e os sócios dos bares. Como a comissão organizadora é generosa, são oferecidas duas datas. E o que acontece se o dono do bar, por acaso, não comparece em uma das duas datas?! Ora, ela pagará a diária do fotógrafo (que deverá ser o mesmo indicado pela comissão organizadora – não há menção ao valor desta diária…) para que o mesmo se desloque até o bar para a sessão de fotos.

Dizem, os organizadores, que não serão aceitas incrições de “refeições”, apenas de petiscos.

E mais: os “caros parceiros” (sim, eles chamam os participantes sujeitos à tirania do festival de “parceiros”) são obrigados a comparecer à “reunião de abertura” e convidados para o que eles chamam de “desafio Doritos” (Doritos é um dos patrocinadores do negócio). Os participantes que fizerem “o petisco de Doritos” concorrem ao prêmio de R$ 5.000,00 “em verba para investimento no local.”.

Aí acima temos a explicação do “desafio Doritos” e do desafio Hellmann´s. Vejam que graça: “A Maionese Hellmann´s também fará uma premiação em dinheiro. Porém estarão participando os botecos que utilizarem o produto na própria receita do petisco concorrente.”. O Doritos oferecerá R$ 5.000,00. A Hellmann´s, “uma premiação em dinheiro”. De quanto? O contrato não fala.

Alguém aí sabe de algum buteco de verdade que usa Doritos ou maionese em suas receitas? Pois é. Viva a Jabalândia.

O próximo item é mais impactante, quando se trata das “obrigações de cada boteco participante”. Vamos destrinchá-las.

Chama muito minha atenção o item “a”, vejamos. Cada participante é obrigado a dizer, “de forma clara e detalhada”, suas receitas, seus ingredientes e o modo de preparar o prato. Pra que, hein?! Um dos participantes disse-me, com todas as letras, que o Comida di Buteco visa, em futuro próximo, comercializar os chamados “petiscos” concorrentes. Não tenho prova disso. Os organizadores negam. Mas pra quê – me pergunto – dar a receita detalhadamente, o passo-a-passo? E o segredo? E aquela dica, aquele fundamental passo da receita… por que querem saber, os organizadores, isso tudo? Não soa estranho a vocês?

O item “e” é Jabalândia total! Os bares participantes devem permitir a “distribuição e afixação de peças gráficas de divulgação do Comida di Buteco distribuídas e autorizadas pelo CDB e permitir ações de merchandising dos seus patrocinadores, especialmente distribuição de produtos, brindes, afixação de placas e peças gráficas, banners e/ou outros materiais de divulgação, durante toda a duração do concurso, nas dependências internas e nos arredores dos botecos, em caráter de exclusividade.”. Bacana, não?

Fico me perguntando: o que será considerado “arredores dos botecos”? A rua? O espaço público? Quem já foi a um dos bares participantes sabe: eles transformam o bar numa espécia de arraial da Jabalândia: bandeirolas de festa junina, banners imensos, cartazes, toalhas de papel padronizadas, e tome jabá, tome jabá, tome jabá!

Estão sentindo o drama? Pois ainda não viram nada.

Vejam o item “g” das obrigações… O Comida di Buteco proíbe – proíbe! – os seus “parceiros” de participarem de festivais congêneres. Proíbe! Salvo se prévia e expressamente autorizado pelos organizadores. Mas peraí… Eles não estão aí para divulgar a cultura do botequim? Não deveriam incentivar a participação em mais e mais palhaçadas da mesma natureza? Não, meus poucos mas fiéis leitores… Eles tomam conta da situação, compreendem?

E o que dizer do item “h” que obriga o participante a participar de um treinamento (isso, treinamento!) oferecido por “entidade com notório conhecimento na área de alimentos e bebidas e/ou hotelaria, em parceria com o Comida di Buteco”? O nome disso é padronização – e isso me dá um nojo absurdo! Quer dizer que o pé-sujo (e não há pé-sujo participando do circo, graças aos deuses…) deve receber treinamento de uma entidade qualquer escolhida pelo Comida di Buteco? E o respeito à cultura? É balela, balela pura!

O item “i” é outro nojo. Os bares devem permitir que “artistas plásticos realizem instalação artística no(s) banheiro(s) do boteco, a qual deverá nele(s) permanecer pelo período definido pelo CDB, não podendo o proprietário do estebelecimento se opor à montagem ou à desmontagem da referida instalação”. Vomitaram? Mas os banheiros não são também julgados?! Ocorre que os proprietários são obrigados a permitirem essa babaquice nos seus banheiros… Eu fico pensando na reação do Marreco (Bar do Marreco), do Paulo (Almara), do Chico (Bar do Chico), da Martha (Bode Cheiroso) diante dessa imposição… O mesmo item “i” deixa claro que existe, na encolha (vocês já viram isso na mídia?) um concurso em paralelo chamado “Arte no Banheiro”. Só que a arte do banheiro não é a arte do banheiro do participante, sacaram? Ela é imposta pelos organizadores…

O item “j” legaliza a presença do poder de polícia do Comida di Buteco, que poderá manter promotores e patrocinadores nas dependências dos bares participantes.

Bacana, né? Tem mais.

Os organizadores, no item “m” das obrigações impostas, obrigam os participantes a permitirem fotografia do bar, de sua fachada, do banheiro (!!!!!), dos proprietários, dos funcionários e dos clientes (!!!!!).

O item “n” prevê a desclassificação do bar cujo proprietário falte à chamada “reunião de abertura”.

O item “o” exige que pelo menos a metade dos funcionários dos bares participantes participem do treinamento a que se alude no item “h”.

O item “p” volta a obrigar o comparecimento na “reunião de fechamento de avaliação do evento”.

O item “q” – atenção!, atenção!, atenção! – diz que os organizadores poderão fazer, a seu exclusivo critério, cinco “eventos privativos ao longo do ano com cada boteco participante.”. Fica claro, ali, o que seja “evento privativo”? Não. Mas cheira mal.

E o item “r”? Tanto o Comida di Buteco quanto seus patrocinadores “poderão utilizar livre e gratuitamente a receita do tira-gosto concorrente do concurso Comida di Buteco e/ou do concurso Doritos, podendo, por exemplo, incluí-la em seus sites e/ou livro de receitas a ser eventualmente publicado”. Sacaram a pavimentação da estrada da Jabalândia? O sujeito, no ato da inscrição, é obrigado a dar o passo-a-passo de sua receita, de sua criação. Em contrapartida (sem qualquer contrapartida, afinal a utilização será livre a gratuita), o Comida di Buteco poderá publicar seu livro de receitas… O que lhes parece?

E como se não bastassem as 18 obrigações impostas aos participantes, temos ainda o capítulo que trata das proibições, das vedações. A primeira?

Os bares não podem permitir “ações de merchandising de empresas que não sejam patrocinadoras oficiais do Comida di Buteco.”. Aqui, uma rápida: desde quanto botequim, buteco, promove ação de merchandising? Em linhas gerais, sabemos que a Bohemia – péssima cerveja – patrocina o Comida di Buteco aqui no Rio. O buteco, que ao longo dos 12 meses do ano, por exemplo, recebe inventivo da Brahma, ou de outra cerveja qualquer, durante os 30 dias de duração do festival não pode exibir ostensivamente a marca de seu patrocinador, apenas do patrocinador da Jabalândia… Sacaram a crueldade? O quão pernicioso é o mecanismo dos caras? Eles fazem uma ressalva quanto a isso… Mas proibem ações extraordinárias durante o festival… Por que?! Jabá, jabá, jabá!

E se eles impõem 18 obrigações aos participantes, comprometem-se a apenas 3 coisas: “dar ampla assistência aos botecos concorrentes”, “resolver, junto ao público participante, qualquer tipo de dúvida” e “divulgar ostensivamente o concurso”. Que tal? Quem ganha com isso?!

Confesso a vocês que o que se segue é abjeto demais para que eu me debruce, ao menos por ora, e minuciosamente, sobre as demais cláusulas do contrato de adesão ao festival.

Mas o que se vê – e o que se lê! – é de uma calhordice revoltante. Eles próprios, organizadores, reconhecem que “muitas vezes não se encontram amparados por legislação específica”. Reconhecem, mais, “que constituem verdadeiros direitos e segredos estratégicos para o desenvolvimento do seu negócio”

O quê mais tem a desenvolver como negócio o Comida di Buteco?

A tal venda de produtos congelados nos supermercados? – como me foi ventilado.

A publicação de um livro de receitas com sua marca?

Como uma das atividades econômicas da empresa Comida di Buteco é – 47.89-0-99 – Comércio varejista de outros produtos não especificados anteriormente – tudo me soa muito mal nesse contrato.

As disposições finais estão abaixo.

E que não me desmintam mais uma vez, os organizadores.

Ao contrário do que pensam uns e outros, não estou aqui para destruir ou impedir o êxito do festival. Eu não tenho esse poder – e ainda que o tivesse, faria apenas o que venho fazendo.

Meu papel – e o exerço por dever de consciência – é apenas o de dizer: não caiam nessa esparrela, enxerguem o lobo por trás da pele de cordeiro, não sejam partícipes de uma ação perniciosa que luta contra – e com armas muito cruéis – uma de nossas mais caras tradições.

Até.

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33 Comentários

Arquivado em botequim

33 Respostas para “O CONTRATO DO COMIDA DI BUTECO

  1. >Na minha opinião trata-se de um projeto bobo feito para bobos e que só os bobos caem. Um verdadeiro embuste!

  2. >Isso é nojento demais. Mas quem realmente gosta de boteco e os entende, não cai nessa.

  3. >Isso é nojento demais. Mas quem realmente gosta de boteco e os entende, não cai nessa.

  4. >Desbutecalização, mc'donaldelização.

  5. >É uma grande babaquice mesmo; mas – não nos esqueçamos, Edu – boteco algum é obrigado a participar do troço. Se participam, e muitos participam!, submetem-se à camisa-de-força deste contrato espúrio por livre decisão; de modo que me parece razoável questionar também os bares que topam a parada.Por quê?Qual é a vantagem que veem na coisa?Será, apesar dos pesares, compensadora a exposição na tal mídia?Se os bares reagissem ao engodo, o "festival" teria ido pro ralo já.Deve haver algo, para além dos R$ 5 mil reais, que justifique tamanha adesão.Abraço!

  6. >Andreazza: vou tentar, pretensiosamente, responder.Eu questiono, com parcimônia, os bares que resolvem participar do festival. Por que?Tenho informações de muitos deles, os menos famosos, por exemplo, faturam, nesse 30 dias, o que não faturam nos demais 11 meses do ano. É dispensável?Mais: também não é imposto participar do nefasto "desafio Doritos". Mas para muitos desses bares, 5 mil reais é muita coisa.Esta a razão pela qual ataco, com mais veemência, a iniciativa da empresa promotora do troço: acenando com a possibilidade do faturamento, acabam atropelando a tal – detesto esse termo, mas não vejo outro mais adequado – cultura do botequim.Abração.

  7. >Concordo com o Edu, quem tem que ser atacado nesse caso é a empresa por trás do festival. O poder economico fala mais alto, mesmo que os botecos mais genuínos não aceitem participar. Sempre vai haver quem estará com a corda no pescoço e vai aceitar. Além do próprio festival alçar os botecos a fama com toda a sua mídia.O que tem de nefasto é que as obrigatoriedades e proibições retiram até aqueles que poderiam participar de uma forma mais neutra, sem essas excentricidades como Maionese e Doritos, por conta de impedimentos logísticos, culturais e até financeiros.

  8. >Caracas, que coisa enorme, nem tive saco de ler tudo mas de certo que não vai de enconto à cultura dos butequeiros.

  9. >Pela lógica de tudo que foi dito aqui, deveríamos também começar a atacar os clubes de futebol que aceitam patrocínios? A "mercantilização" do futebol acabou com o esporte?Não vejo onde o festival prejudica a "cultura do botequim". Quem é dono de um estabelecimento deste ramo sabe o quanto as contas do final do mês apertam o calo.

  10. >1) o festival pode não prejudicar o buteco em si, mas deve servir de parâmetro para os frequentadores, os do dia-a-dia, pois são esses os prejudicados com os preços cobrados durante o festival, e pelos frequentadores não de butecos, mas de 'points' (os famosos modinhas) que infernizam a vida daqueles que lá estão independente do festival. Acho que isso, por si, já é um prejuízo ao buteco; 2) Gostei da analogia ao futebol, mas respondo que sim, pelos mesmos motivos o 'marketing' e a mercantilização do futebol estão excluindo os frequentadores do dia-a-dia do futebol. São os mesmos preços exorbitantes, com a inundação das arquibancadas de 'torcedores de espetáculo', os CONSUMIDORES de espetáculo; 3) Há apenas uma diferença, se o buteco me enche o saco eu troco por outro, mesmo ficando puto, mas no futebol não dá, pois torço para um time e é em sua casa e em seu jogo que quero estar presente. Sobre o futebol, sugiro que leiam (de minha autoria): O tradicional e o moderno no futebol brasileiro… (http://migre.me/4loEm). Sobre a cultura de buteco o que você vem escrevendo sobre esse 'festival' é o que a maioria dos frequentadores de buteco (os de tradição) pensa.

  11. >Claudio, quando os clubes passaram a receber patrocínios, muita coisa se perdeu. Pense nisso. Isso é um foco de resistência. Se a internet existisse na década de 80, você acha que seria tão fácil as grandes marcas mancharem os antes imaculados mantos dos clubes. Haveria resistência, justíssima.

  12. >Ao xará, acredito que deva haver um pouco mais de profundidade nas análises do que escreveu o Edu, do futebol e, principalmente, da cultura de buteco. A meu ver, em nenhum momento se combateu a utilização de verba publicitária, mas sim o lastro de merda deixado por algumas ações de marketing lamentáveis como essa. Combate-se, em todos os casos, a imposição de certas regras que atendem a interesses que não o coletivo. Segundo o proposto do festival, os bares venderiam sua alma ao evento e ainda teriam de seguir uma padronização medíocre. A depender do Comida di Boteco, daqui a pouco teremos a etiqueta para pedir uma cerveja no balcão.Daí, a higienização, a elitização e a mediocridade são as tais bostas que o marketing pelo marketing vão deixando no caminho. Os bêbados e os torcedores queremos apenas que certos valores construídos heróica ou folcloricamente através dos tempos não sejam estuprados. Ao mesmo tempo, ninguém é ingênuo ao ponto de ignorar o sistema político-econômico vigente, que cria a necessidade da transferência de dinheiro do mais rico pro mais pobre (ainda que isso transpareça certa dependência e que ela fique restrita às relações comerciais).Resumidamente, basta apenas respeito, e isso nunca estará previsto em contrato, ou pelo menos naquele que foi denunciado aqui. Não somos "público-alvo", somos bebuns. Não somos "clientes", somos torcedores.

  13. >Dou o braço a torcer na questão do contrato. De fato, ele impõe regras demais, o que torna a coisa toda uma burocracia digna de um filme Kafkaniano (que, aliás, eu nunca consigo assistir até o fim, pois são chatos pra caralho), e que não combina com a informalidade botequeira. Mas eu gosto muito de andar por aí provando quitutes legais e diferenciados, sem pagar mais do que o preço justo. Como saber em que botecos estão estes quitutes? O Comida di Buteco, bem ou mal, nos dá um "mapa" do tesouro. Neste sentido, gosto do papel de "guia" que ele oferece. Tivéssemos outra forma de fazer isso sem precisar de um concurso burocrático e nefasto como ele, seria perfeito. Mas como seria?Ao lado desta indagação, continuo achando que é preciso diferenciar boteco, do tipo autênctico pé-sujo com torresmão, picles, ovo colorido e porção de salaminho… daqueles barzinhos que já deixaram de ser botecos há muito tempo, mas continuam usando o "título" de boteco. Estes bares são os que na maioria das vezes participam do Comida di Buteco. Enfim, dá pra filosofar bastante sobre o tema. E as polêmicas que o Edu coloca são bem interessantes para isso, concordemos ou não com elas.

  14. >Eis a ervilha virando petit pois, só de sacanagem. Bar virando McDonalds de bêbado, como muito já se disse por aí. Minha mina de ouro é o boteco vagabundo do lado da minha casa, onde eu bebo minha cerveja entre os cachaças que eu conheço desde que caguei a primeira fralda.

  15. >Claudio diz:"Eu gosto muito de andar por aí provando quitutes legais e diferenciados, sem pagar mais do que o preço justo. Como saber em que botecos estão estes quitutes? O Comida di Buteco, bem ou mal, nos dá um "mapa" do tesouro. Neste sentido, gosto do papel de "guia" que ele oferece. Tivéssemos outra forma de fazer isso sem precisar de um concurso burocrático e nefasto como ele, seria perfeito. Mas como seria?".Respondo: simples, meu caro. O Buteco do Edu é um excelente guia para quem mora no Rio. Além disso, bebum nunca precisou de "guia" para descobrir bons butecos. Basta ter faro e gostar de bater perna pela cidade. Quem ama a sua cidade, conhece seus meandros. Neles estão as "minas de ouro" que você procura.

  16. >Espero que o Edu não se importe com a ocupação deste espaço para dar asas à polêmica e ao bate-papo. Mas afinal, aqui é um boteco online, ok? Então continuando… O Bruno disse uma coisa certa "bebum nunca precisou de "guia" para descobrir bons butecos". Concordo plenamente. O problema comigo é justamente esse. Gosto dos botecos não apenas para beber, afinal, bebo pouco. (Acho que vou ser expulso daqui depois desta confissão ! ). Cerveja barata e cachaça eu bebo em qualquer esquina. Mas estou sempre à procura de coisas legais pra comer. E não aguento mais salaminho, linguiça, ovo de codorna, torresmo duro, coxinha… adoro tudo isso. Mas tem hora que enjoa. Aí você quer uma coisinha mais bacana para beliscar, e não tem. Longe de querer ser advogado do Comida di Buteco (vejam só minha situação, moro em S. Paulo onde o evento nem acontece), mas se eu morasse em BH ou no Rio ia querer provar os quitutes concorrentes (menos os que têm maionese Hellmans, claro). Então eu vejo uma solução à vista: boicote-se os bares participantes durante os 30 dias do evento. E os absolvemos nos outros 335 dias do ano. Será que resolve?

  17. >Pedro Bial poderia ser a animador desse negócio.

  18. >esse festival é pra quem não frequenta buteco constantemente, é coisa pra gente babaca que quer ver e ser vista, postar no twitter que foi ao tal festival. além disso, cerveja com maionese hellmans dá caganeira…

  19. >Para os dois Claudios:Não existe problema nenhum em um simples concurso gastronomico que você possa provar novos quitutes. Acredito que existam vários por aí.O problema que o Edu levanta é o que o nome e esse "projeto" tentam vender. Que isso é o verdadeiro, autentico e genuino boteco brasileiro. Aí se faz necessária a resistência. Porque como se sabe o botequim nosso de cada dia, é uma instituição secular brasileira, que vem sendo atacada cotidianamente, seja pelos "botequins-franquias", pelos "botequins com grife", ´pés-sujos com porta de banheiro estilizada". E o "festival" é mais um desses ataques.

  20. >Enquanto isso a Festa de São Jorge aqui do Rio teve um desfalque memorável, o já saudoso Paulistinha boteco com mais de 60 anos de resistência senhores. É triste.

  21. >Sou consumidor botéquico desde que não precisei mais pedir grana pro meu pai para ir prá escola.Sou belorizontino e acredito que o concurso "comida de boteco" começou aqui, não tenho mais certeza.Adoro o evento, faço peregrinação para rir dos nomes dos pratos e degustar as invenções mais improváveis para apresentar um prato.O problema é a "institucionalização" da delícia vagabunda que é a frequência aos botecos em busca de diversão e convivência, com o "risco" de ainda haver um músico desconhecido arrebentando de bom."Maquidonaldização" foi a melhor definição que li aqui nos comentários.Fodam-se os empresários oportunistas que encaixotam cultura e vendem como sabão.Enquanto houver um contrato com esses termos, tou FORA.

  22. >Patê de feijão com maionese? Croquetes com bandeirinhas e farofa de Doritos? ”Mapa do tesouro de quitutes diferenciados”? Banheiros com decoração descolada?Passo. Isso é piada pra otário.

  23. >Banheiro foi feito pra mijar e não pra ter decoração descolada.O máximo de luxo que um banheiro de boteco pode ter é um limãozinho no urinol pra gente mirar o mijo.O resto é frescurada. Significa. Ainda mais quando se usa o termo "boteco" pra legitimar uma palhaçada dessas.

  24. >Meu caro, tudo bem?Desculpe a franqueza, mas para mim, sinceramente, esse post é muito peido pra pouca bosta. É claro que o Comida di Buteco é um evento privado com fins lucrativos, e isso contempla a jabatização do buteco participante. Não acho a coisa tão nojenta assim. O sucesso de publicidade que o evento virou causou isso. E os bares tem lucro com a participação, ganho de imagem etc. Já participei até de barraquinha de festa de interior e a jabazeira existia, evidentemente que em escala menor, como era de se esperar, já que estávamos tratando de eventos infinitamente menores. Mas as regras existiam, ou a gente entrava no esquema ou caía fora, mesmo tendo que vender Kaiser pra galera.Abraço.

  25. >Caramba, como tu é chato! Quis participar do concurso e não foi escolhido? É daí que vem sua mágoa?E existe sempre a opção de não assinar nada! Também acho muito barulho por nada. O CdB é um evento privado e tem suas regras, como qualquer evento deste porte. Se não concorda, não participa! Simples assim.

  26. >Sou de BH, onde essa palhaçada começou. Por aqui, em geral, quem vai nesse negócio não vai a boteco no resto do ano. São turistas em sua própria cidade, não sabem nada de boteco.E, ainda por cima, tem esse negócio de ingredientes obrigatórios. Em 2011, os do "norte de Minas". Resultado: 30 estabelecimentos oferecendo carne de sol com pequi. Quem for a um não precisa ir ao resto.Na capital dos botecos, botequeiro legítimo passa longe dessa frescura.

  27. >Quer comer comida de buteco, isso é muito simples, vá a um e arrisca. E tem mais… o q q produtor playboy de eventos e cariocas entendem de buteco? playboy só bebe em bar (bar <> buteco) e os caricas têm praia, não precisam se alcoolizar como nós mineiros e… buteco de verdade, xexelento, copo sujo, com garçom mal humorado… é soh aqui mesmo em Minas. Vale a pena até um tour de curar chifre, via sacra ou happy hour com a galera.Viva a nação classe C, que não morre graças ao chouriço com giló e cebola do Buteco do Manéco.Viva o Bar do João e o Cabral!Cerveja barata, gelada e muié feia!

  28. >Tentativa de pausteirizar a cultura popular.A ideologia e estética da classe média quando chega destrói tudo que tem cheiro de popular. Transformar os botecos numa grande praça de alimentação de shoping center é matá-los como manifestação cultural, pois se é chic, se é clean, não é boteco. O interessante é que essa gente tem um baita preconceito contra o verdadeiro boteco e seus frequentadores, para quem torcem o nariz por considerarem imprestáveis e incultos bêbados improdutivos, mas ao mesmo tempo gostam de posar de botequeiros. Desta forma, esta assepcia propicia que os afetados dândis possam frequentar os ambientes e possam arrotar que são botequeiros.

  29. >Botequeiros,Concordo que o CdB está virando um filho de mãe desconhecida. Aqui em Belo Horizonte, onde tudo isso começou, a coisa já está bem avacalhada…Acho que treinamento para os profissionais é essencial, pelo menos para Belo Horizonte, uma vez que por aquí o atendimento é lamentável!Entendo que a sinalização é necessária para que apareça a marca do patrocinador e haja verba para colocar o festival no ar, mas poderia ser um pouco menos ostensiva.Outra coisa que sou contra, e aí sim penso que estamos minando as "raízes dos butecos" é a imposição de ingredientes. Isso pra mim é difícil de engolir.Concordo com o fato de ser um mapa, mas como disse o Fofão, o botequeiro mineiro está correndo dos bares… Aqui em BH vemos que anualmente menos pessoas frequentam o festival e cada vez menos bares participam.

  30. ´Só tenho uma coisa a dizer…vc é mesmo danado…se tivéssemos mais pessoas como vc..talvez nossa realidade seria outra..realmente sua veia de advogada provoca isso..mas com certeza não é o responsável maior..é de vc..vem de dentro..da alma…só pode…
    Saudações

  31. Marcela Juliana Abrahão

    Eu sinceramente acredito que sim a “promoção” da cultura nesse evento, não é considerada, devido a todo o dinheiro envolvido, mas vamos e venhamos, se o festival não tivesse regras, duvido que teria dado certo e que principalmente vcs não estariam aqui criticando a falta de organização. Assim como tudo na vida existem regras, – que não precisam ser tão rígidas – mas são necessárias. Sim poderia se tirar o obrigação de os bares meio que padronizarem, mas foi como muitos falaram aqui, eles entram por que querem e as promoções não são obrigatórias, então acho que antes de criticar ferrenhamente algo, é necessário se ver os dois lados da moeda. Tenho amigo que tem bar participando e posso falar com conhecimento de causa, eles faturam nesses 30 dias o que o resto do ano eles não conseguem, se juntar todos os meses na maioria dos casos. Então se ele aceita participar é simplesmente pq ele promove o estabelecimento dele que continua a ser visitado mesmo depois que acaba o festival e que também auxilia no crescimento do faturamento. E ainda tem a história do “jabá”, agora me responde você patrocinaria um evento ao qual seu nome seria colocado como detalhe na divulgação????? Pelo amor de Deus eu sou publicitária e sabemos que a ideia ai é vender de todas as formas e jeitos possíveis. Então é logico que se estou investindo num evento deste porte, quero meu retorno de alguma forma e a unica forma que eles tem é publicidade pesada dentro do local onde os clientes estarão provando o meu produto. Então fica minha opinião.

  32. Thiago Dias Bitelli

    Porra, Edu, tu é mito!!!!!!!!!!!!!

  33. Leo

    É amigo Edu agora entendi, realmente você tem razão.
    Abraço grande
    Paulo Leonardo

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