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VASCO X FLAMENGO

No próximo domingo, 04 de dezembro, chega ao final a edição 2011 do Campeonato Brasileiro, e só no domingo, justo na última rodada, é que será conhecido o novo campeão brasileiro, sendo que apenas dois times têm condições de conquistar a taça: Corinthians, em primeiro lugar na tabela, e Vasco da Gama. Quem me lê sabe – e quem não sabe pode ler este texto aqui – que eu nutro intensa simpatia pelo Vasco da Gama. Com o Flamengo fora da disputa do título, o natural seria, no meu caso, torcer pelo êxito do Vasco da Gama: meu irmão (ao meu lado na foto abaixo) é Vasco, meu pai é Vasco, meu avô Oizer (também na fotografia) era Vasco, um de meus orixás vivos é Vasco, uma de minhas comadres é Vasco, uma de minhas afilhadas é Vasco, e eu tenho pelo Vasco – vá saber a razão disso – um sentimento que carrega até um pouco de inveja (invejo o comportamento da mais cafona das torcidas, o que me comove…).

Ocorre que a situação é a seguinte: o Vasco da Gama só conquista o título se vencer o Flamengo e se o Corinthians perder para o Palmeiras. Mas eu nem preciso pensar na segunda condição, eis que a primeira me impede de seguir torcendo pelo time da cruz-de-malta. Soma-se a isso o fato de que o Flamengo está em ferrenha disputa com mais cinco times (Coritiba, Internacional, Figueirense, São Paulo e Botafogo) por uma das vagas para a Libertadores 2012. Ou seja: há chance zero de eu torcer para que o Vasco da Gama seja o campeão de 2011 (e peço publicamente desculpas aos meus mais-chegados vascaínos que me viram, em mais de uma oportunidade, envergando a camisa do Vasco em dias de jogos de suma importância para os cruzmaltinos).

Confesso que me seria muito prazeroso ver o título ficar no Rio de Janeiro pelo terceiro ano consecutivo: o Flamengo venceu em 2009, o Fluminense em 2010 e não seria ruim ver o Vasco sagrar-se o campeão – não fosse pelo trágico encontro do próximo final de semana.

Falei em trágico e quero lhes contar sobre a rodada de ontem.

Estava assistindo ao jogo do Flamengo no tradicionalíssimo bar do Marreco, na Tijuca. Na TV grande, claro. Na pequenina, nos fundos do bar, passava o jogo do Vasco contra o Fluminense. Bar lotado. Eu, de camisa do Flamengo. Vencíamos por uma a zero quando o Fluminense empatou – o Vasco vencia também por uma a zero. O Corinthians, em Florianópolis, também vencia, pelo mesmo placar, o Figueirense. Foi o Fluminense empatar e os rubro-negros, que lotavam o bar, explodiram:

– Ô, ô, ô, ô… vice de novo! – e urravam.

Eu, na minha.

Terminou o jogo do Corinthians que, àquela altura, era o campeão com uma rodada de antecedência. Terminou o do Flamengo – e vencemos! Iniciou-se uma confusão entre os jogadores do Vasco e do Fluminense, e ali estava vivo o espírito combativo que faz de cada jogo uma guerra – às favas o fairplay! Até que aos 45 do segundo tempo, desfeita a confusão, o Vasco desempata o jogo. Desempata o jogo, esfria a festa antecipada do Corinthians, e eu passo a ser um possesso diante do olhar atônito dos meus irmãos-de-fé, dos rubro-negros frustrados diante do gol que eu comemorava.

Domingo que vem será um dia para os de pulso forte, de coração de aço. Será também o início do recesso de um mês sem futebol (quando os finais de semana são insossos). E que os deuses do futebol, sempre maiores que os deuses do marketing que tentam nos usurpar o futebol que amamos, zelem por nós.

Não posso encerrar sem indicar mais um golaço de meu irmão Luiz Antonio Simas, justamente sobre os malefícios da turma dos neo-amantes do esporte bretão – aqui.

Até.

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DO DOSADOR

* Quem me lê sabe: no dia 08 de junho deste 2011 que se aproxima do final, atendendo a um pedido que me foi feito por meu irmão e por meu pai, assisti à final da Copa do Brasil – Coritiba e Vasco – devidamente trajado com a camisa que ostenta a belíssima cruz de malta. O relato está todo aqui, na íntegra. Pequena pausa. Gosto demais do meu relato e gosto ainda mais dos comentários que lá foram deixados (36 comentários até o momento em que lhes escrevo): há desde uma declaração da Leonor Macedo (uma escritora de mão cheia) – “Odeio menos o Vasco depois desse texto. Você é constrangedoramente foda.” – a um depoimento que me comove, do professor Idelber Avelar – “É lindo, lindo, lindo, o que você fez pelo Vasco nestas finais. Sabe o que isso faz? Isso ajuda na luta contra a violência nos estádios. Humaniza as pessoas. Não há time que eu deteste mais neste planeta que o Flamengo, mas saber que uma pessoa maravilhosa como você é flamenguista nos faz, a todos, irmãos no planeta.” -. Fim da pausa, retomo o fio do raciocínio. Pois na quarta-feira, anteontem, 09 de novembro, fui novamente convocado para assistir, com as mesmas pessoas, no mesmo bar, à mesma mesa (!!!!!), a partida entre Vasco e Universitario, do Peru, pelo joga da volta das quartas-de-final da Copa Sul-Americana. Precisando ganhar e reverter a vantagem do time peruano, que ganhara, jogando em casa, na semana anterior, o Vasco teria uma tarefa árdua pela frente. E eu, na condição de amuleto, fui convocado. Atendi ao chamado. E a tarefa foi ainda mais árdua, pois a equipe peruana chegou a estar à frente, no placar (2 a 1), obrigando o Vasco a vencer por pelo menos três gols de diferença. A nota hilariante, dessa vez, ficou por conta de que eu – rubro-negro há várias encarnações – era o único (vou repetir, o único!) vestido com a camisa do Vasco – e o bar estava apinhado de vascaínos, a começar por meu irmão, pelo Mauro, pelo Milton (os mesmos três à mesa comigo). Resultado: sabe-se lá por conta de que mecanismo disparado dentro de mim, logo após o apito final passei a agredir, verbalmente (sem qualquer pudor ou polidez), os torcedores presentes no estabelecimento. Foi de cagão, covarde, medroso pra baixo. Os três – que gentilmente não me deixaram pagar a conta, como em junho – precisaram me acalmar e me lembrar que o jogo tinha acabado e meu papel estava cumprido. O único registro fotográfico da noite está aqui. E reitero: a turma da fuzarca é mesmo boa;

* um registro: faz anos amanhã – 10 anos – o filhote da Leonor, o Lucas – a quem eu chamava enquanto convivemos, e a recíproca era verdadeira, carinhosamente (o carinho também era recíproco, ainda que tenha sido curto, o convívio) de Zé. A Leonor (escritora de mão cheia, como lhes disse acima) publicou no seu Eneaotil uma carta belíssima, comovente, pro Lucas, por ocasião dos 10 anos – que não são 10 dias, como diria minha bisavó (a carta pode, e deve, ser lida aqui). Por razões desinfluentes para a compreensão do que tenho como objetivo, não vou estar em São Paulo amanhã, não vou sequer falar com ele (protagonista de ao menos uma história contada aqui, no Buteco), e nem mesmo sei se consigo fazer chegar até ele os meus parabéns por conta de data tão bacana. O que espero é que, com sorte, um dia – ainda que demore – ele venha a ler isso, saiba que lembrei do seu décimo aniversário e que até comprei um presente bacana que não vou poder entregar no dia de amanhã. Sei, entretanto, e isso me dá certo alento, que nas vezes em que estivemos juntos – poucas, repito – fui um cara legal pra ele, a quem dediquei o melhor e o mais-que-pude. Os parabéns, é claro, vão também pra Leonor, pro Rodrigo (seu tio), pra Rose e pro Fausto (seus avós maternos). Vida que segue;

* na semana passada, no dia 05, sábado, fiz, na Mansão dos Zampronha, no Alto da Boa Vista, um pernil de porco para pouco mais de dez pessoas (as fotos do ágape podem ser vistas aqui). Eu, que tenho publicadas, no menu à direita, até o momento, dezoito receitas, recebi uma quantidade colossal de e-mails implorando a receita do pernil (enquanto eu preparava o pernil, com mais de 24h de antecedência, fui postando fotos no Twitter (aqui) e mesmo no Facebook (aqui), o que foi despertando a curiosidade da assistência). Até terça-feira, dia 15 de novembro, manter-me-ei afastado daqui. Mas prometo, ainda para a semana que vem, a receita do pernil que ficou, modéstia às favas, sensacional;

* se estivesse vivo e entre nós, faria 70 anos, amanhã, o grande e saudoso João Nogueira, que foi bambear no infinito há mais de dez anos. Dia, como tenho dito aos amigos no curso da semana, de beber na rua, nas esquinas, cantando seus sambas e celebrando a graça de viver na mesma cidade em que nasceu João Nogueira. Recomendo, vivamente, que se veja, também, esse filme (vejam,  aqui, belíssima imagens), sobre a inauguração do Clube do Samba, uma brilhante iniciativa do rubro-negro do Méier;

* e pra encerrar: estamos na reta final do mais emocionante Campeonato Brasileiro da era dos (lamentáveis) pontos corridos. Faltando cinco rodadas, Corinthians, Vasco, Fluminense, Botafogo, Flamengo, até o Figueirense (!), qualquer um tem chance de se sagrar campeão. Quero, é evidente, que o Flamengo saia com o heptacampeonato conquistado. Se isso não for possível, que o título não saia do Rio de Janeiro, onde ele está desde 2009 (com o Flamengo, e em 2010 com o Fluminense).

Até.

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O VASCO NÃO PODE EURICAR

(pra meu pai, Isaac, pra Aldir Blanc, Mariana Blanc e Milena Blanc)

Sou, vocês estão cansados de saber, Flamengo há não sei quantas encarnações. Nasci, dessa vez, em 69, em ninho de vascaínos. Vô paterno vascaíno, o velho Oizer (aqui), pai vascaíno, o velho Isaac (que passou pela tristeza de assistir, in loco, à minha conversão, aqui), um irmão que seguiu pela trilha cruzmaltina, amigos mais-que-queridos que dividem a mesma crença, uma comadre que tem ataques apopléticos a cada jogo do time da colina e uma afilhada que tem surtos de ai-meu-Deus a cada derrota. Como se não bastasse, tenho pelo Vasco (e me é evidente que a raiz disso tudo está nas incansáveis tentativas empreitadas por meu pai para me ver vascaíno como ele), intensa admiração (aqui, falo sobre isso). Sou – e já disse isso reiteradas vezes – um homem em estado de profunda admiração diante da torcida cruzmaltina. É, de longe, a mais carioca de todas. A mais cafona – e tenho, pela cafonice, uma atração indizível. E a fase pela qual passa o clube de São Januário (eis o que quero lhes dizer) tem me deixado, saquem a ironia, em estado de profunda preocupação.

Dividi, durante anos, com meus mais-chegados, a indignação por conta da direção do clube, nas mãos sujas do sujo Eurico Miranda. Trocava telefonemas extensos com o Aldir, por exemplo, que tinha ataques de cólera por conta do modus operandi do canalha. Até que, muitos anos depois, muitos anos depois de intenso locupletamento, assume o clube o ídolo Roberto Dinamite.

Por não ser vascaíno, desconheço o que se passa em São Januário. Não sei a quê atribuir a má-fase do Vasco, que ainda não pontuou no Campeonato Carioca de 2011. Sinto, entretanto, o cheiro do enxofre, a proximidade do dedo sujo do ex-dirigente que – quem duvida? – gargalha, com um de seus fétidos charutos entre os dedos, a cada derrota do Vasco da Gama.

É o que queria lhes dizer: solidarizo-me com os vascaínos. Torço pela recuperação do clube, desde que ela não comece no próximo domingo, quando teremos o primeiro Flamengo e Vasco do ano! Torço para ver de novo a cafonalhada em festa, a portuguesada eufórica, Dulce Rosalina balançando suas pulseiras no Orum, meu avô Oizer podendo dizer de novo que o Vasco é “o melhor time do mundo”, e o Roberto Dinamite tendo êxito na condução dessa virada.

Até.

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SOBRE O VASCO DA GAMA

Quando escrevi, no começo desta semana que está terminando, o texto DO DOSADOR – leiam aqui – o leitor José Mafra, a quem ainda não conheço pessoalmente, depois de grosseiramente referir-se ao Flamengo como um “saco de gatos” e receber, de mim, resposta na mesma linha caminhão-de-lixo, escreveu, visivelmente mais ponderado, o seguinte:

“Obviamente torço pelo Vasco. Tenho a impressão que sou o único que o faz aqui pela zona sul carioca, esta terra tão estrangeira para um filho de Bento Ribeiro.

Te convoco a passar por aqui após uma vitória de seu time. Vá à Pizzaria Guanabara. Visite a PUC, o IBMEC ou qualquer outra escola dos filhos da elite. Vá às altas diretorias das maiores empresas da cidade, Edu, e veja por você mesmo.

A surpreendente torcida do Flamengo é muito grande, muito mesmo, e abarca massivamente todas as camadas sociais. Isso é bom. É ótimo. Orgulhe-se e fale de uma torcida democrática, ou algo assim.

Agora, para encontrar alguma comemoração de uma vitória do CR Vasco da Gama você terá que cruzar o túnel, porque por aqui é um silêncio só.

Isso porque o Vasco – e não há como negar o óbvio – é um time notadamente do povão, de suburbanos, favelados e portugueses donos de bodegas. Por aqui, nas cercanias do belo Jardim Botânico, só posso comentar os jogos com porteiros e faxineiros – que são, por sinal, as melhores figuras do bairro.

Há quem ache esse negócio de “time de pobre” algo horrível. Eu, assim como você, acho muito legal. Por isso tive que me manifestar e cobrar esse título que, para um torcedor que não vem ganhando muita coisa, vale bastante:

VASCO, O VERDADEIRO TIME DO POVO.”

Eis que, então, o respondi:

“José Mafra: em brevíssimo escreverei um texto sobre o tema, mas adianto: você tem razão, você tem razão. Forte abraço.”

Cumprirei hoje, portanto, a palavra empenhada.

Cumprirei a palavra empenhada mas antes quero lhes contar sobre valiosa lição que aprendi – como sempre – com esse portentoso mestre Luiz Antonio Simas, mais que nunca meu irmão. Aliás, estar com o Simas é aprender. O malandro abre a boca e a impressão que você tem é que a Barsa, a Mirador (notem como sou um caquético), está ali, diante de você, personificada e falando. Não há tema que o craque não domine, não há assunto que ele desconheça, e eu sou – eis a confissão que faço publicamente – um aluno aplicado, atento e grato pelos ensinamentos que recebo graciosamente.

Quando mencionei diante dele, dia desses, na Folha Seca, o imbróglio com o José Mafra, disse-me o Simas depois de coçar, lentamente, a cabeça calvíssima:

– O Flamengo é o time da massa, o Fluminense é o time da aristocracia decadente, o Botafogo é o time dos rebeldes sem causa, e o Vasco é que é, de fato, o time do povo!

Algo assim… Como já estávamos na décima garrafa de Serra Malte, posso estar ligeiramente equivocado quanto à qualificação do Botafogo. Pedi socorro há segundos ao Rodrigo Ferrari mas o ouvidor da rua do Ouvidor também não se lembrava com precisão da lição tomada. Dito isso, em frente.

Notem bem, entretanto, que dei razão ao José Mafra antes da aula do professor Simas. O que prova que, sim, já sabia ser o Vasco o time do povo – também.

Digo também porque essa é, a meu ver, uma discussão menor. Todos os times são – uns mais, uns menos – do povo. E todos os times têm – uns mais, uns menos – filhotes patéticos da elite fingindo gostar de futebol. Faço uma ligeira pausa para mais ligeira digressão.

Eu e Rodrigo Ferrari fomos a alguns jogos do Flamengo, durante este Campeonato Brasileiro, de cadeira especial – gentileza olímpica do Mussa. E lá, nas especiais, o que causa profundo nojo é a quantidade de viadinhos, putinhas, riquinhos e riquinhas que estão lá apenas e tão-somente por conta da onda pós-PAN e pré-Copa. Relógios caríssimos, sapatos altos, jóias, um nojo. Num dos jogos, irritado com aqueles descolados e descoladas em volta de nós, cutuquei, no intervalo, pra despero do Digão, uma típica putinha-pilotis (pra citar a PUC, lembrada pelo Mafra):

– Tu tá fazendo o quê aqui?

Ela gemeu de olhos fechados:

– Ai, é que eu amo o Flamengo, o Flamengo é minha vida, o Flamengo é minha história, o Flamengo é meu amor…

De mãos dadas com um babaca vestindo um agasalho oficial da Nike (fazia uma canícula tremenda no estádio), atendeu o celular logo depois, me fez sinal pra esperar e falou:

– Oi, pai… … Quê? … … Ah, tá…

E disse-me:

– Ai, moço, dá licença que meu pai tá me chamando pro camarote… Vamos, mô?

E foi-se com o pobre-diabo.

Disso eu tenho nojo. Tenho nojo da canalha ocupando um espaço que não lhe pertence, tenho nojo das histéricas que gritam sem ao menos saberem o nome de um único jogador do time, tenho nojo dos viadinhos que ficam conversando durante o jogo sem olhar, um segundo que seja, pro gramado, tirando fotografias de tudo e de todos, pedindo – eu vi um troço desses durante um jogo recentemente – pra neguinho abaixar o volume do rádio, balançando os braços para serem filmados e aparecerem nos telões do estádio.

Mas voltemos ao Vasco.

Eu, nascido e criado na Tijuca, tendo passado a infância num apartamento na rua São Francisco Xavier 90, ao lado do número 84, na vila mágica em que moravam meus avós e minha bisavó, sou irmão e filho de vascaínos. A foto abaixo, tirada em nosso apartamento no sexto andar (depois mudamos para o segundo), me dá arrancos de saudade.

Eduardo Goldenberg e Fernando Goldenberg, início da década de 70

E eis o que eu queria lhes contar.

Meu avô paterno, Oizer (sobre ele, leiam aqui), também era vascaíno. Meu pai, repetindo, é vascaíno, assim como o Fefê. E eu sempre tive uma agudíssima inveja – meu irmão não me deixará mentir – do que eu chamo de cafonice vascaína. Sempre admirei a velha Dulce Rosalina e suas mil e quinhentas pulseiras, sempre admirei a portuguesada que gritava casaca! a cada vitória do Vasco, sempre admirei o Santana, massagista legendário do Vasco da Gama, e estou aqui escrevendo, escrevendo, e não consigo – tristíssima constatação – traduzir exatamente o que me faz admirar, olimpicamente, o Vasco da Gama e seus torcedores, e a ligação umbilical entre esses torcedores e o clube – relação que nada tem de artificial, ao contrário do que acontece com os clubes de massa que acabam conquistando torcedores por questões de modismo.

Mas dia desses – eis nova promessa – volto ao tema com mais precisão e menos digressões.

Aliás… não fosse esse meu estranhíssimo sentimento que me une ao time da colina, e eu não teria escrito este poema pro meu irmão, com que fecho o texto de hoje:

“Sendo eu Flamengo até a alma,
tendo o sangue negro
a bombear o coração vermelho,
preciso de um cigarro e muita calma
pra escrever,
depois de alguns ensaios diante do espelho,
uma frase capaz de lhe fazer compreender
a dimensão do amor que me une a você,
meu irmão siamês.

E vou escrever uma única vez:
por você sou vascaíno.

Por mais que o tempo passe
insisto em vê-lo como um menino,
mas o menino sou eu
a idolatrar o irmão que é meu maior tesouro,
num movimento e num impasse inexplicável do tempo,
que dobra as datas e me faz ter nascido depois do seu primeiro chôro.

Entre nós dois, pactos de sangue, cumplicidade,
cinzeiros cheios, muita cerveja, olhos marejados,
samba, mulheres e futebol.

Torço permanentemente para que a Vida,
a tal senhora por vezes desatenta,
atenda minha reza estúpida
que pede para que eu jamais lhe sinta a falta.

Passarei, como os craques passam,
de passagem,
deixando com você,
como homenagem,
meu coração calejado, na colina mais alta,
devidamente marcado pela Cruz de Malta.”

Até.

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