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BOLA PRETA

Corria o ano de 2009, dia 20 de janeiro, e lá estava eu – como sempre – na festa de aniversário da livraria do meu coração, a mais carioca das livrarias da cidade, a Folha Seca, comandada pelo Comendador Rodrigo Ferrari. Samba comendo solto do lado de fora, na rua do Ouvidor, até que a noite foi caindo, restamos uns poucos no interior da livraria e encostei naquele sagrado balcão com meu copo americano e minha cerveja.

Chegou-se o legendário Zé Leal, chegou-se Gabriel Cavalcante (quando ainda não me era hostil) e chegou-se, também, o querubim Tiago Prata, apelido que lhe foi dado por Aldir  Blanc (vejam aqui como foi cravado o apelido).

Alguém fez a sugestão. Bola Preta, de Jacob do Bandolim e com letra póstuma de Aldir Blanc, genial como de praxe, e contando toda a história do histórico cordão. Ouso dizer, sem medo do erro, que só eu sei, de cabeça, de cabo a rabo, a imensa letra do bardo tijucano. Com o auxílio desses três craques – e eu não me lembro quem foi que registrou o momento – mandei bala.

Estávamos a poucas semanas do Carnaval, e o Bola Preta já fazia de mim um ansioso – tanto que cantei emocionado.

Até.

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O BÊBADO E A EQUILIBRISTA

Quando eu escrevi Uma noite na Tijuca, aqui, contando sobre a inacreditável tarde, a inacreditável noite que viveu-se, no dia 10 de setembro de 2007, no Estephanio´s Bar, durante as filmagens do filme Praça Saens Peña, de Vinícius Reis, exibi, também, um vídeo gravado naquela tarde, no qual o artista plástico Mello Menezes, acompanhado pelo violão certeiro de Tiago Prata (chamado de neto, naquela noite, por Aldir Blanc, está no texto!), interpreta de forma lancinante a belíssima Valsa do Maracanã, de Paulo Emílio e Aldir Blanc (é igualmente lancinante a interpretação do Prata, um craque).

Quero lhes contar, rapidamente, sobre a relação entre o Estephanio´s Bar e o Aldir.

O Estephanio´s, já lhes contei, ficava na esquina das ruas Ribeiro Guimarães e Artistas. O Aldir, que escreveu, inclusive, o belíssimo livro Vila Isabel – Inventário da Infância, passou grande parte de sua infância a poucos metros dali, na rua dos Artistas número 257, onde moravam seus avós Aguiar e Noêmia. Aquele bar era, portanto, de certa forma emblemático pra ele. E uma curiosidade: bares têm, quase todos, imagens de santos em seus balcões, em suas paredes, em seus altares pagãos. Lá, no Estephanio´s, tínhamos uma imagem gigantesca do Aldir Blanc, pairando sobre as cabeças dos freqüentadores. Talvez por isso o diretor do filme, Vinícius Reis, tenha escolhido o Estephanio´s para a gravação das imagens de cenas do filme que juntavam o ator Chico Diaz contracenando com o Aldir, no papel dele mesmo.

E o Aldir, se não era exatamente uma figura fácil entre os freqüentadores, até que foi muitas vezes – muitas! – ao Estephanio´s – tanto no antigo, na rua Visconde de Itamarati, como no da rua dos Artistas. Foi, cantou, tocou, varou noite, protagonizou muitas das mais bacanas noites naquele bar que, como lhes disse aqui, fez história na Tijuca. Foi até enredo do bloco do pedaço, o Segura pra não cair, cujas fotos disponibilizei aqui, e escreveu aquela que é a mais bela página da história do bloco: quando o enredo, no ano seguinte, em 2005, foi o João Bosco, Aldir desfilou e, à certa altura fez sinal e pediu silêncio à bateria. Chamou o violão do bloco, disse algo em seu ouvido, fez o mesmo com o João e os dois, para delírio absoluto dos milhares de presentes, cantaram juntos O Mestre-Sala dos Mares. Vamos voltar à noite do dia 10 de setembro de 2007.

Uma vez desmontado o set de filmagens, ficamos todos para a noite que se anunciava inesquecível.

O que quero lhes dizer, hoje, e lhe mostrar, é um tesouro. Ontem à noitinha a Gisela Camara, assistente do Vinícius Reis, avisou-me que tinha descoberto um vídeo muito especial, encontrado por acaso enquanto remexia em suas coisas, seus registros, seus materiais. E era, de fato, um tesouro.

O vídeo mostra Aldir Blanc cantando um de seus clássicos, O Bêbado e a Equilibrista, acompanhado, mais uma vez, pelo genial Tiago Prata, à direita do bardo tijucano, de vermelho. À direita do Prata, eu. À minha frente, à esquerda do Aldir, Mary Blanc, que dá uma força ao Aldir, travado pela emoção à certa altura da letra (notem que a voz falha quando canta-se o “irmão do Henfil”…). Vê-se Rodrigo Ferrari, já quase no final do filme, no canto à direita da tela. E a voz que emenda com o tema de Chaplin, terminada a música, é do grande Mello Menezes.

Meus agradecimentos públicos à Gisela e a Tainá, que fez o registro. Um momento, sem sombra de dúvida, pra sempre na minha melhor memória, e que agora divido com vocês, meus poucos mas fiéis leitores.

Até.

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PREMIÈRE DO FILME PRAÇA SAENS PEÑA

Logo mais à noite vou, na companhia do bardo tijucano Luiz Antonio Simas (e com nossas respectivas), assistir à première do filme PRAÇA SAENS PEÑA, do diretor Vinícius Reis, que leva seu primeiro longa-metragem de ficção para os cinemas no dia 11 de dezembro, próxima sexta-feira.

Amanhã falo sobre o filme – sem nenhuma pretensão de fazer uma crítica séria, evidentemente, que cinema não é minha praia – que teve cenas filmadas no finado ESTEPHANIO´S, como lhes contei aqui, em 11 setembro de 2007, no texto UMA NOITE NA TIJUCA, escrito um dia depois das filmagens no bar.

Neste texto a que me refiro, vocês poderão perceber a emoção que vivemos, todos os presentes, naquela noite. A mesma emoção que vocês poderão perceber, lendo (e vendo) o texto, assistindo à lindíssima interpretação do Mello Menezes para VALSA DO MARACANÃ, de Paulo Emílio e Aldir Blanc (que faz papel de Aldir Blanc no filme!), uma espécie de hino da Tijuca, acompanhado pelo monstruoso violão de Tiago Prata.

A mesmíssima emoção que eu – espero – terei assistindo ao filme.

Até.

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SERRINHA NA OUVIDOR

No próximo sábado, dia 31 de janeiro, dois dias antes do dia dois de fevereiro, dia de festa de mar, a partir das 15h, na rua do Ouvidor, em frente à livraria do meu coração, haverá uma roda de samba imperdível. Comandada pelo Zé Luiz do Império Serrano e pela Luiza Dionizio, a roda prestará uma homenagem ao Império através de seus sambas de terreiro e sambas-enredo, sem falar nas músicas compostas por imperianos como Délcio Carvalho e Dona Ivone Lara e sucessos de Roberto Ribeiro.

Abençoando os presentes, uma bandeira da escola será estendida na mais carioca das ruas. Não bastasse a boniteza da coisa, lá estará exibido o protótipo da fantasia da ala das baianas da escola para o carnaval de 2009. E estarão à venda, ainda, camisas para a II Festa do Imperiano de Fé.

O Buteco, em pelo menos duas oportunidades, rendeu homenagens respeitosas à escola de Madureira. Em 11 de dezembro de 2006, quando escrevi Um Rio de lágrimas (leiam aqui) contando sobre a mágica aparição de dezenas de crianças num sábado de chuva na rua do Ouvidor e em 17 de janeiro de 2008, há pouco mais de um ano, portanto, quando escrevi Uma noite imperiana (leiam aqui) sobre a I Festa do Imperiano de Fé.

Aos imperianos de fé que cercam – papai, Álvaro Costa e Silva, Carlos Andreazza, Luiz Antônio Simas, Marcelo Moutinho, Tiago Prata – meu fraterno abraço.

Saibam todos que torço não apenas pelo êxito da festa de sábado, mas por um sucesso retumbante na avenida durante o desfile que se anuncia antológico neste 2009.

Sintomática, eu diria, esta passagem do texto Uma noite imperiana (aqui, não se esqueçam):

“Desnecessário dizer que o Teatro Rival, em uníssono, cantou Oguntê, Marabô, Caiala, Sobá, Oloxum, Ynaê, Janaína e Yemanjá, e que transformou-se em misterioso mar de lágrimas que brotavam dos olhos dos presentes à festa – dessas de não se esquecer jamais.”

Até.

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PRATA DE HAIA

Está lá, disponível no site do Ministério das Relações Exteriores, o calendário de eventos do Itamaraty para o mês de abril de 2008 – pode ser visto aqui:

“10 e 11/ABR – Roterdã, Haia e Amsterdã, Países Baixos – Visita de Estado do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Países Baixos. (Fonte: DE I)”

Mas qual, meus poucos mas fiéis leitores, qual a mais bombástica revelação omitida, sabe-se lá por qual razão, no tal site? Qual a visita que abrilhantará ainda mais a visita de Luiz Inácio Lula da Silva aos Países Baixos?

Eis a revelação que quero lhes fazer, dotado de agudíssimo orgulho: Tiago Pinto Prata, o menino de 87, embarca amanhã, 09 de abril, rumo à Haia, levando consigo o sete cordas que domina com maestria.

Tiago Prata, rua do Ouvidor em frente à livraria Folha Seca, 27 de outubro de 2007

O menino vai – foi a informação privilegiada que obtive – a pedido expresso de Luiz Inácio Lula da Silva e de dona Marisa, que ficaram malucos quando viram o menino fazendo das suas no YouTube, aqui (com Mello Menezes), aqui (na rua do Ouvidor), aqui (tocando e cantando!), aqui (com Luiz Antonio Simas), aqui (na TV GLOBO), aqui e aqui (com Wilson Moreira) e aqui (com Aldir Blanc).

Quando confirmei com o garoto a história da viagem (parece que ninguém sabe disso, notem o tamanho da modéstia do Prata em avançado contraste com meu orgulho), perguntei:

– Vai sozinho?

E ele, lixando as unhas:

– Arrã. Convidei o Gabriel mas ele não quis ir… – e deu aquele sorriso de canto de boca como esse aqui embaixo, semi-escondido pelo gole que não disfarçou que lá vinha merda.

Tiago Prata, rua do Ouvidor com travessa do Comércio, no Casual, 27 de outubro de 2007

– Por que?

– Quando eu disse “vamos comigo e com o Lula aos Países Baixos?” ele coçou o saco, pôs a mão no meu ombro e me soprou com cara de poucos amigos… “tá me estranho, viadinho?”… Burrão, né?

Um doce, como se vê, o menino-viajante.

Até.

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PRATINHA, O INTERNACIONAL

Vocês hão de me perdoar esse brevíssimo hiato – não escrevo desde sexta-feira passada, o que gerou uma meia dúzia de e-mails malcriados -, mas ando assoberbado como há muito não ficava! Razão pela qual apenas hoje atendo a um pedido patético, convenham, de meu filho mais novo, Tiago Prata. Vou lhes explicar.

Na quinta-feira passada, 14 de fevereiro, publiquei o texto Betinha, a internacional, leiam aqui, fazendo menção à recente viagem da Betinha às Filipinas com escala em Dubai. Pra quê!?

Serei preciso, como sempre.

Publiquei o texto por volta de uma hora da madrugada daquela quinta-feira, e antes das nove da manhã estrilou meu celular piscando o nome do Prata no visor do aparelho. Eu nem cheguei a dizer o alô protocolar:

– Por que apenas a Betinha é internacional?! Por que? – o tom era de choramingo.

O cérebro ainda fazia as necessárias sinapses para compreender o tom de mágoa do menino, quando ele emendou, fungando:

– Esqueceu que eu passei o réveillon em Buenos Aires? – e bateu com o telefone no gancho imaginário.

Eis que minutos depois eu recebo o e-mail abaixo.

email

Notem, então, que atendo ao pedido – patético, devo repetir – do garoto, numa prova incontestável de que mimo, sem rodeios, minha cria.

E já que ele fez questão de anunciar sua viagem para Buenos Aires, já que ele fez questão de ser taxado, publicamente, de internacional, vou me permitir tecer brevíssimos comentários sobre o destino do menino na passagem do ano.

Antes, porém, brevíssima digressão.

Eu disse um pouco mais acima que o pedido do Prata foi patético. E foi mesmo. Mas trata-se de um meninote, de um garoto recém-chegado aos 21 anos, ainda gozando as delícias dos dez, doze, treze anos de idade.

Não fosse verdade isso, e não seria rotina uma cena como essa.

Tiago Prata dormindo na Folha Seca, 22 de dezembro de 2007

O sujeito entra na Folha Seca, a livraria do meu coração, em pleno sábado, samba armado pra começar às duas da tarde, e a Dani e o Digão, de dentro do balcão, pondo o indicador sobre os lábios, a ponta do dedo sobre a ponta do nariz:

– Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! O Pratinha está dormindo…

Voltemos ao tema.

Tiago Prata foi, então, passar o réveillon em Buenos Aires. E não estava sozinho.

A classe média brasileira, que na década de 60, 70, gostava de arvorar suas viagens para Petrópolis, Teresópolis ou Friburgo como se fosse para os Alpes Suíços (que a Betinha também conhece!), a classe média que comprava casacos de pele, pantufas, gorros, luvas e botas para desfilar diante do Palácio de Cristal, do Dedo de Deus, ou das cachoeirinhas de Friburgo, agora faz de Buenos Aires sua mais nova meca.

Todo mundo – pergunte a quem está do seu lado agora! – tem a melhor dica do melhor bife de chorizo de Buenos Aires, todo mundo sabe de cor os endereços de Puerto Madero, todo mundo trata o estádio Bombonera com a intimidade de um Maracanã, de um Parque Antártica, todo mundo volta mastigando alfajores como se os biscoitos fossem testemunhas da infância de cada um, todo mundo volta falando “hola, que tal?”, “buenos dias”, com a facilidade de uma calopsita bem treinada, e por aí vai.

Resumo da ópera: não deixa de ser internacional, também, como queria, o Prata. Mas a Betinha tem, digamos, mais garbo.

Até.

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UMA NOITE IMPERIANA

– E aí, Edu! Como foi na Cinelândia?

Foi o que me perguntou, aflito e ansioso pelas notícias, às nove e quarenta da manhã de hoje, o Favela.

Eu poderia ser sucinto, como nunca fui, e responder do alto do orgulho que só os boêmios têm:

– Comecei bebendo uma cervejinha com o João Bosco às seis e cheguei em casa às seis…

Como jamais – com a ênfase szegeriana – fui sucinto, vamos aos fatos.

Às seis da tarde bateu-me um fio (acordei velho, velhíssimo… quem, meu Deus, nas novas gerações, bate um fio para alguém?????), conforme o combinado, o João Bosco. Encontramo-nos no Odeon, pusemos o papo em dia – aliás, belíssimo papo e prenúncio de uma noite histórica, até que estrilou meu telefone. Era papai.

Papai, que recusa-se, como um teimoso incorrigível, a sair de casa à noite, rendeu-se a meu convite e ao amor que sente pelo Império Serrano e foi, com mamãe, para a festa da verde-e-branco de Madureira.

Isaac Goldenberg e Mariazinha Goldenberg, Teatro Rival, 16 de janeiro de 2008

Meu pai estava visivelmente emocionado – ele negará isso até a morte, mas estava -, assim como minha mãe, que derrubou-se à certa altura. Vou lhes contar.

Durante todo o show – que foi belíssimo e emocionante – papai marejava os olhos, cutucava a mim e ao Fefê e dizia em tom paternal:

– Aprendam, meus filhos… Isso é uma escola de samba!

Até que senti as unhas de mamãe cravadas em meu braço.

Jorginho do Império cantava, à capela:

“Uma pequena notável
Cantou muito samba
É motivo de carnaval
Pandeiro, camisa listrada
Tornou a baiana internacional
Seu nome corria chão
Na boca de toda gente

Que grilo é esse?
Vou embarcar nessa onda
É o Império Serrano que canta
Dando uma de Carmem Miranda

Cai, cai, cai, cai
Quem mandou escorregar
Cai, cai, cai, cai
É melhor se levantar, oi…”

Bem a calhar o refrão.

Mamãe estava derrubada, olhos cheios d´água, como cheio de balões esteve, ontem, o céu de Madureira, e disse:

– O primeiro carnaval do Fefê…

E quando seus olhos deitaram-se sobre os meus, lembramos, em comovido silêncio, que era esse um dos sambas que ela cantava, formosa que sempre foi, para me fazer dormir.

Leiam Reminiscências do Carnaval, por favor, escrito em 04 de fevereiro de 2005, há quase três anos, portanto, e vejam que não minto, que sou preciso do início ao fim. Leiam, por favor… aqui, porque é comovente demais a percepção e a confirmação de nossa própria coerência!

João Bosco, Teatro Rival, 16 de janeiro de 2008

As apresentações, todas, foram belíssimas. Além do próprio Jorginho do Império, se apresentaram Moyseis Marques acompanhado por Tiago Prata, Cláudio Jorge, Dorina, Wanderley Monteiro, Nilze Carvalho, Andréia Caffé (a grande surpresa da noite, salve Nova Iguaçu!!!!!) o Jongo da Serrinha comandado por uma sempre iluminada Tia Maria, a Velha Guarda Show do Império Serrano, Zé Luiz, João Bosco, a bateria da verde-e-branco com seus agogôs inconfundíveis e se o objetivo da escola foi angariar axé… estejam certos… o Império Serrano vai pisar forte, fortíssimo, na avenida!

Desnecessário dizer que o Teatro Rival, em uníssono, cantou Oguntê, Marabô, Caiala, Sobá, Oloxum, Ynaê, Janaína e Yemanjá, e que transformou-se em misterioso mar de lágrimas que brotavam dos olhos dos presentes à festa – dessas de não se esquecer jamais.

Danielli Pureza e João Bosco, rua Álvaro Alvim em frente ao Teatro Rival, 16 de janeiro de 2008

Agora prestem atenção.

Saímos do Rival, tontos de felicidade, e sentamos diante do teatro – havia mesas espalhadas pela rua – para mais um bocado de cerveja, que a sede era de anteontem. A escalação da mesa: eu, Dani, João Bosco, Simas, Candinha, Mussa, Elaine, Prata, Luísa, Moutinho e Flávia.

Acontece, meus poucos mas fiéis leitores, que quando a noite é mágica as surpresas se sucedem, a boniteza fica sendo cada vez mais presente e a berzundela não cessa.

Havia uma mesa, ao lado da nossa, na qual bebiam, e jogavam conversa fora, uns cinco, seis malandros. Todos na faixa dos cinqüenta anos – eu conhecia apenas o Ivan Milanez -, os caboclos foram se chegando, como só em buteco mesmo, e começaram a puxar sambas, um atrás do outro – meus amigos testemunharão a meu favor! -, um mais bonito que o outro, até que um deles – Careca, foi como ele se apresentou – disse:

– Canto os sambas do Império de 1948 até hoje, se vocês quiserem!

Sacou de um pandeiro, mandou ver, cantou Silas de Oliveira que nenhum de nós conhecia, cantaram e dançaram jongo nas pedras pisadas daquela rua, durante a madrugada, e o furdunço só terminou quando o dono do bar em frente pediu arrego.

João Bosco, Ivan Milanez, Careca e amigos na rua Álvaro Alvim em frente ao Teatro Rival, 16 de janeiro de 2008

Despedimo-nos, todos rigorosamente embriagados pela beleza da estreladíssima noite de quarta-feira, e foi o João que propôs, às três da manhã:

– Vamos comer um javali no Capela?

De lá saímos, em estado bruto de felicidade, às cinco e meia da manhã, com mesas e cadeiras empilhadas, Miro e Cícero a postos aguardando a debandada, o sol forçando a barra da noite, e eu me despedi de todos, um por um, agradecendo pela graça do encontro e pela força da noitada.

Luiz Antonio Simas, Marcelo Moutinho, Flávia, Elaine, Alberto Mussa e João Bosco, Nova Capela, Lapa, Rio de Janeiro, 16 de janeiro de 2008

Disse no ouvido do João, antes de entrar no táxi, blanquianamente:

– Eu gosto quando alvorece porque parece que está anoitecendo…

E ele, de volta:

– E gosto quando anoitece que só vendo porque penso que alvorece…

Fui, pelo caminho, cantando:

“… e então parece que eu pude
mais uma vez, outra noite,
reviver a juventude.
Todo boêmio é feliz
porque quanto mais triste
mais se ilude.
Esse é o segredo de quem,
como eu, vive na boemia:
colocar no mesmo barco
realidade e poesia.
Rindo da própria agonia,
vivendo em paz ou sem paz,
pra mim tanto faz
se é noite ou se é dia.”

Até.

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O DIA DOS PAIS DE TIAGO PRATA

O título de hoje – O dia dos pais de Tiago Prata – pode gerar (e vai gerar, com certeza) certa confusão.

Eu não quero que o foco seja o dia dos pais do menino. Mas o dia dos pais do menino. Explico.

Domingo comemora-se o dia dos pais, troço, aliás, tremendamente chato. Eu, por exemplo, filho dedicado que sou, vou, religiosamente, todas as segundas-feiras, jantar com papai e mamãe – e o jantar é, eis um dos grandes prêmios que a vida me dá, uma delícia indizível. O pau ronca à mesa, invariavelmente, mas o afeto que paira naquele apartamento no Alto da Boa Vista semanalmante justifica a romaria semanal. Mas como eu estava dizendo… domingo é o dia dos pais. Deu-me vontade de falar mais um troço.

Só gosta, mesmo, do dia dos pais, o sujeito que abomina, que não tolera, que não suporta seu próprio pai (e o sujeito que não tem, pelo pai, uma adoração e uma idolatria cegas, não é ninguém). A besta passa o ano inteiro sem vontade alguma de ver o velho. Daí, no segundo domingo de agosto, vai ver o coroa com um presente nas mãos (razão precípua da data exclusivamente comercial) e sente-se (todo canalha é assim) o melhor dos filhos no final do dia. Vamos em frente.

Escrevi, dia desses, um texto chamado Prata, a obsessão coletiva – que pode ser lido aqui.

Nele, comento sobre esse desvario coletivo: todo mundo quer ser pai do Prata. Todo mundo quer cutucar um desconhecido durante uma roda de samba, uma roda de choro, apontar pro menino e dizer orgulhoso:

– Meu filho, ó!

Acabei de escrever essa frase e lembrei-me, agudamente, de Sérgio Prata, pai biológico do pequeno gênio – leiam seu verbete aqui. Não bastasse o sujeito ser verbete, é ainda pai biológico do gênio das 7 cordas. Vamos em frente.

Comentando o tal texto, disse José Sergio Rocha, o Zé Sergio, dinda de todos nós:

“Edu, tenho uma notícia triste pra te passar: o Pratinha não é teu filho. Rodrigo, o Digão da Ouvidor, também está enganado. E o Szegeri, tadinho, também. Pra ser honesto contigo, o próprio pai biológico do mais barbeiro dos motoristas não o é, pois também levou bomba no exame de DNA. A figura em questão (cinco fotos!!! quanta viadagem!!!) é, na verdade, filho do Grande Otelo com a Odete Lara. O irmão mais velho dele, também apelidado de Pratinha, fazia anúncio pra Ótica do Povo (morou?). Quem me contou foi o Nei Lopes, que vai verbetar (no bom sentido) o conhecido violonista (e motorista infrator) na próxima edição da “Diáspora”.”

Tiago Prata em SP, 24 de junho de 2007

Vai daí que ontem reunimo-nos, na livraria do meu coração, a Folha Seca, eu, Luiz Antonio Simas e esse poço artesiano de ternura, Rodrigo Ferrari, o Digão Folha Seca.

Cerveja que vai, cerveja que vem, eu tinha justamente acabado de escolher o presente para dar a meu velho pai no domingo, quando o Digão perguntou, coçando a espessa barba grisalha, enquanto embrulhava o livro:

– Será que algum de nós ganhará presente do Prata no domingo?

Estabeleceu-se o caos.

Nos entreolhávamos no instante em que o Digão respondeu à própria pergunta:

– É o mínimo, né?

Eu, tentando me defender de uma eventual decepção no domingo, disse:

– Pra mim não precisa… Nós nos falamos todos os dias… – e mostrei, orgulhoso, o nome do menino na lista de chamadas recebidas de meu celular.

O Simas, pra não ficar por baixo:

– Entre nós não há isso! Ele mora aqui independente de presente! – disse batendo com a mão espalmada no lado esquerdo do peito.

Mas a verdade – a aguda, nua, crua e crudelíssima verdade – é essa: passaremos, os três, o domingo inteiro, esperando um mísero telefonema, que seja, para um singelo “feliz dia dos pais”.

Eu, por exemplo, para evitar decepções maiores, vou ao encontro do menino, que comanda, aos domingos, desde o domingo passado, a roda de samba, a partir das 18h, no Estephanio´s Bar, em Vila Isabel.

Até.

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FARTURA

E disse Luiz Antônio Simas, aqui, quando escreveu, com a discrição que lhe é peculiar, sobre nosso irmão paulista, Fernando Szegeri:

“Vem daí a conhecida hospitalidade do povo Yorubá, farta em gentilezas, bebidas, comidas e danças.”

Meu querido Simas foi, e é isso que é importante destacar, extremamente econômico, moderado, parco – eu diria – e modestíssimo.

O simples ato de misturar gentileza, bebida, comida e dança, dentro da mesma gamela da fartura, faz com que o leitor se distraia e não preste atenção num dos troços mais impressionantes do final de semana – principalmente para um tijucano confesso: a quantidade de comida oferecida pelo casal anfitrião.

Vamos aos fatos.

Ao chegar à casa de meus irmãos queridos, Szegeri e Stê, na sexta-feira passada no final da manhã, deparei-me com uma perna traseira de porco, o festejadíssimo presunto cru, inteira – vou repetir… inteira – sobre a pia da cozinha. Eu jamais havia visto coisa igual, só no cinema.

presunto cru

Tomado por uma alegria juvenil deslumbrada, perguntei:

– Posso cortar?

Szegeri, à moda de Xangô, como um trovão, gritou um não que fez tremer a Vila Romana.

Pequena pausa elucidativa: ao chegarem Bruno Ribeiro e Luiz Antônio Simas, o Szegeri foi um verdadeiro distribuidor de facas, dirigindo-se aos dois o tempo inteiro:

– Brunão, quer cortar uma fatia?

– Simas, vá fundo no lado esquerdo!

E fazia essas ofertas com um sorriso que eu, e apenas eu, percebia.

Mas o presunto cru, gigantesco – quero repetir – a próxima foto não engana -, era apenas um detalhe do farnel aparatoso.

Fernando Szegeri cortando presunto cru, São Paulo, 22 de junho de 2007

Pepinos em conserva, lingüiças defumadas de variadas bitolas e temperos, tremoços portugueses, panceta de leitão, panceta defumada – para quem não sabe, a panceta é um embutido de porco que vem com o próprio couro, com toicinho e carne da barriga dentro, alimento salubérrimo, como se vê -, pães de enlouquecer um padeiro tijucano, queijos indescritíves no que diz repeito à quantidade, qualidade e variedade, e eu, acostumado à simplicidade carioca e à falta de dinheiro disponível para tantos arroubos gastronômicos – eu seria, vê-se, vaiado dentro de uma comunidade Yorubá – sofria de pequenos arremessos e falta de ar diante das etiquetas com códigos de barra e preços ofuscando minha visão zona-norte.

Eu não seria deselegante a ponto de dar o preço de cada produto. Mas o presunto cru, apenas o presunto cru, custou mais que minha ida e minha volta, de avião.

O Prata, por exemplo, quando deu de cara com a etiqueta pregada na ponta do osso do presunto, a arrancou e veio engatinhando em minha direção. Dizia, com as mãos trêmulas:

– Você viu isso? Você viu isso?

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E os camarões?

Se lhes parecem pequenos, ou mesmo médios, ou ainda grandinhos – este último adjetivo dito com ar de deboche – deve-se à minha incompetência como fotógrafo ou à qualidade tosca de minha câmera digital.

Quando retirados da geladeira pelo Szegeri, ainda crus, evidentemente, pareciam lagostas.

Foi quando o Szegeri, vendo o brilho nos meus olhos e a baba escorrendo da boca do Simas – que confessadamente devota ao camarão um amor que a mais nenhum alimento devota – deu uma de Flavinho – entenda aqui o porquê:

– Cem reais o quilo! Cem reais!

Quando ele disse “cem reais o quilo”, é preciso ser preciso do início ao fim, houve um silêncio na cozinha. Não exatamente pelo choque – que foi evidente e coletivo. Mas porque as pessoas estudavam, mudas, a melhor posição para o ataque aos crustáceos.

E eis que chega o domingo.

Chega o domingo e há, no rosto de cada um, uma tristeza carimbada.

Mas o Szegeri não deixa pedra sobre pedra.

O Prata disse, assim que levantou:

– Hoje é o enterro dos ossos? – perguntou referindo-se a uma cerimônia típica na Tijuca, na qual os convidados acabam com o resto da comida da véspera.

O Pompa, nosso bom Szegeri, riu.

Riu, fez festinha na vasta cabeleira do Prata, e disse algo que ninguém compreendeu, mas que foi:

– Ah, essa escumalha carioca…

Estalou os dedos e deu-se a mágica.

churrasco

Em questão de segundos Capitão Leo Gola – o maior e melhor churrasqueiro do mundo – comandava a churrasqueira da casa vermelha para delírios dos presentes.

Eu digo delírios dos presentes tijucanos de alma, nos quais o Prata, apesar de morar em Botafogo, se inclui.

Jamais vimos – a impressão foi unânime – tantas carnes e tão variadas.

Tanto que ontem, no final do dia, enquanto comemorávamos entre amigos o aniversário do querido Mussa – que faz anos hoje e para quem ergo o copo cheio diante do balcão imaginário – o Rodrigo Folha Seca, esse poço artesiano de ternura, abriu a mochila e de lá tirou uma peça inteira de picanha argentina maturada que estendeu sobre um papel laminado cuidadosamente forrando o balcão.

Para espanto dos presentes, fatiou a carne como se fosse um carpaccio, e disse, oferecendo o primeiro pedaço ao aniversariante:

– Roubei da casa do Szegeri!

Até.

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PRATA, A OBSESSÃO COLETIVA

Conforme lhes contei aqui, em janeiro de 2007, tenho compradas, desde o começo do ano, as passagens aéreas para comemorar, in loco, o aniversário do maior dentre os seres humanos que respiram, neste exato instante, sobre a Terra, Fernando Szegeri.

No domingo, 24 de junho, faz anos o Pompa, meu irmão paulista. E percebam a diferença abissal que nos distancia.

Às vésperas de meu aniversário, escrevi o texto Eu, coadjuvante, leiam aqui, onde, em apertada síntese, contei sobre a angustiante experiência de se perceber coadjuvante na festa de seu próprio aniversário.

Angustiante experiência que o Szegeri nunca (dito com a fúria e a intensidade szegeriana) conheceu ou conhecerá. Explico.

Eu estou indo para São Paulo. Dani, evidentemente, também. Luiz Antonio Simas e sua doce Candinha, idem. De Campinas, convocado para compôr o exército, Bruno Ribeiro comparecerá. E atentem, meus poucos mas fiéis leitores, que todos chegarão na sexta-feira, amanhã – quando começa recesso no Buteco até segunda-feira -, e só voltarão na segunda-feira.

Tudo – rigorosamente tudo – por causa do Szegeri.

Eu diria, a título ilustrativo, que nenhum dentre os pouquíssimos amigos que compareceram à comemoração do meu aniversário, gastou mais do que os R$2,00 do coletivo. Nenhum.

E com o aniversário do Pompa, um evento que movimenta a economia da cidade – e eu diria sem medo do erro que a economia do País -, as pessoas gastam o que não gastam comigo no curso de toda a vida. Vejam o Simas, por exemplo: ele e Candida rasparam do cofrinho, só com as passagens aéreas, pra mais de R$500,00. E há, ainda, o presente de aniversário, o gasto com transporte, alimentação, esses troços. Gastarão – essa a verdade econômica – os tubos. Mas não é exatamente nada disso o que quero lhes contar (acabo de escrever o maior intróito da história do Buteco!).

Quer dizer, minto. É sobre isso, sim, mas sobre outra ótica, e vou explicar.

Vão também para São Paulo, e gastando muito, mas muito mais dinheiro (já que decidiram a viagem de última hora), Rodrigo Folha Seca, esse extenso poço artesiano de ternura, e Tiago Prata, o gênio do 7 cordas, filho de todos nós, filho meu, sobretudo, que pleitei, em primeiro lugar, a paternidade do menino.

Tiago Prata no Adonis, em 06 de março de 2007

Eis aí o ponto nodal, o personagem sobre o qual quero trabalhar – Tiago Prata.

Bati o telefone pro Szegeri na semana passada:

– O que foi, porra? – atendeu-me assim.

– O Prata também vai pra São Paulo – eu disse, ligeiramente magoado com a receptividade que meu nome piscando na tela de seu aparelho gerou.

Ele desligou o telefone.

Eu pensei – confesso agora – que a ligação caíra.

Mas em segundos estrilou meu celular:

– Fala, mano.

– Jura que ele vem?

– Por Deus.

– Meu filho vem! Meu filho vem! – e desligou de novo.

Vai daí que comecei a receber emails dos amigos do Szegeri – meus também, quero crer, embora meu irmão paulista diga que todos têm apenas piedade de mim – querendo detalhes – vão tomando nota! – da visita do Prata.

Eu cheguei a responder um, o primeiro, com um texto visivelmente escrito por um pai que é todo orgulho por conta do talento do filho.

Mas a resposta me veio implacável. Trancrevo-a:

“Edu: deixe de ser patético! Faça um filho seu e não encha o saco com essas histórias delirantes. Quero saber, apenas, onde posso ver o Pratinha em ação em São Paulo. Simples assim. Seu chato!”

Que doce, não?

Essa a razão pela qual não respondi a mais ninguém.

Mas eu diria, sem a mínima possibilidade de errar, que o Prata tornou-se a obsessão dos paulistanos. Todos querem vê-lo, tocá-lo, farejá-lo, num espetáculo que se anuncia à beira da histeria.

As reservas para o sábado, no Ó do Borogodó – tomem nota, tomem nota! -, estão esgotadas, mesmo com o aviso na porta, desde a semana passada, que a chegada do Querubim é, ainda, uma incógnita em razão do caos aéreo.

Tiago Prata no Adonis, em 06 de março de 2007

E isso porque o garoto tocará, no sábado à tarde, durante a festa de lançamento de dois livros na rua do Ouvidor, na livraria Folha Seca. Parte de lá, na companhia do Rodrigo, direto para o Santos Dumont. Ritmo, como se vê, de astro de primeira grandeza.

Relatou-me, o Szegeri, por email, e ele fez isso apenas para me deixar com ciúmes (sou ciumentíssimo), que há gente querendo contratar o menino a peso de ouro para – vá lá! – a execução de uma música, um choro, um samba.

Chegou-se, então, ao seguinte ponto.

O Szegeri mobiliza, como já provei, multidões.

Tiago Prata no Adonis, em 06 de março de 2007

Mas Tiago Prata, e vá entender como se deu, da noite pro dia, a transformação do menino em astro disputado a tapa, reverteu a ordem natural das coisas, talvez com a mesma maestria e com a mesma mágica com que reverte mãos e dedos nos passeios de encantamento que faz com o bojo do violão no peito, tornou-se a bola da vez dessa viagem que se anuncia – guardem o que estou dizendo! – histórica.

Há meses, muitos meses, que venho desejando e guardando no coração a ansiedade pelo nosso encontro, a um só tempo.

Fará falta o Fefê, por exemplo. Fará falta mais um ou mais outro – e não direi outros nomes.

Mas quando sentarmos à mesa de um buteco qualquer, sob o comando do Szegeri, eu, Bruno Ribeiro, Simas, Rodrigo Folha Seca, Prata, Favela, Leo Golla, Deco, Borgonovi, Julio Vellozo, Augusto, Marcão, Craudio e quem mais chegar – algo mudará pra sempre.

Ao menos em mim, disso não tenho dúvida.

Tiago Prata no Adonis, em 06 de março de 2007

E quando virarmos todos saudade, ele, o caçula, metade da idade, no mínimo, de cada um de nós, será o guardião dos segredos que da mesa emergirão.

Quem viver verá.

Até.

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