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NOEL ROSA – 100 ANOS

Eis que amanhã Noel Rosa faz 100 anos. Não vou fazer do balcão virtual do BUTECO oratório para chorumelas ou arengas contra a calhordice da prefeitura calhorda do Rio de Janeiro que ignora solenemente a data. É uma vergonha, é verdade, mas não se poderia mesmo esperar nada diferente de uma administração que parece querer marcar sua atuação por conta da chamada operação “choque de ordem”.

O povo carioca, entretanto, é mestre na arte da subversão da ordem. E historicamente dispensa o auxílio do poder constituído para fazer suas festas que também historicamente sempre lhe foram sonegadas, boicotadas, proibidas até.

Amanhã, portanto, é dia do carioca sair às ruas (como sempre, aliás…) e brindar à memória de Noel. Beber, cantar, jogar porrinha, fazer samba, fazer troça, incorporar o espírito do homem que em tão pouco tempo de vida nos deixou um legado que está aí, quase um século depois, vivo e impregnado no imaginário popular.

O BUTECO fica, portanto, até segunda-feira, exibindo Noel através do traço inconfundível do mestre Loredano, um homem que, como o Poeta da Vila, ama o Rio de Janeiro inifinitas vezes mais que qualquer administrador oportunista como os que ora ocupam os cargos de comando da cidade.

Como dica para amanhã indico a roda de samba que outro carioca máximo, Rodrigo Ferrari, fará em frente à livraria FOLHA SECA, na rua do Ouvidor 37. Mas o ponto alto, quero crer, será mesmo na Vila Isabel, no Boulevard 28 de Setembro, onde viveu Noel Rosa. É lá que ele “vaga na noite e no dia, vive na Terra e no céu”.

Até.

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100 ANOS DE NOEL ROSA

Em 11 de dezembro de 1910 vinha ao mundo, justo no Brasil, justo no Rio de Janeiro, um gênio absoluto: Noel de Medeiros Rosa, mais conhecido como Noel Rosa. Cortou o céu, naquele longínquo 1910, o cometa Halley. E chegava à Terra o menino de classe média, branco, que numa passagem tão a jato quanto a do cometa foi capaz de escrever, para sempre, seu nome na História do Brasil – e não exagero.

Fui sempre, desde menino, um aficcionado pela obra de Noel. Mas confesso que mais recentemente, vendo e ouvindo o brasileiro máximo Luiz Antonio Simas, foi que tomei consciência absoluta da importância histórica de Noel. Simas e sua capacidade impressionante de contextualização foi o homem capaz de me fazer ver o quanto é fundamental rendermos homenagens, as mais variadas, as mais amplas, as mais completas!, para comemorar o centenário desse monstro sagrado que em pouco mais de 26 anos de vida produziu centenas de obras-primas que orgulham o povo da terra na qual viveu Noel Rosa.

Não me conformo – e o BUTECO será, de hoje em diante e até o dia 11 de dezembro uma trincheira na defesa dessa idéia – com a pasmaceira do Poder Público diante da importância da data. Não soube, até o momento, de nenhum movimento por parte da Prefeitura da Cidade ou mesmo do Governo do Estado com relação ao 11 de dezembro de 2010.

A data cai num sábado. E que seja feriado, o que simbolicamente seria bonito demais e sem causar maiores estragos ou discussões dos tecnocratas com relação a isso. E que a cidade pare para cantar e viver Noel Rosa. E que haja festa no Boulevard 28 de Setembro, e que os bares e botequins todos tenham autorização, neste dia, para colocarem mesas e cadeiras nas ruas, e que haja violões nos bares para que o povo cante aquele que soube, como ninguém, cantar o Rio de Janeiro e seu cotidiano depois de vivê-lo intensamente, sem amarras, sem divisas, sem compromisso com mais nada que não o conteúdo de sua obra.

Deixo vocês com esse filme bem bacana produzido pela Maria Helena Ferrari, mãe do Rodrigo Ferrari, dono da FOLHA SECA, a livraria do meu coração, ele um carioca fundamental que organizou, na última segunda-feira, uma noite antológica com Noel Rosa na rua, na voz de Pedro Paulo Malta e Alfredo Del Penho, Beto Cazes, Tiago Prata e Anderson Balbueno.

Se os políticos cariocas tivessem 1% do amor pelo Rio que tem o Digão estaríamos em melhores mãos.

Até.

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