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DANIELLI PUREZA, UM PRÊMIO

Vira-e-mexe digo pra mim mesmo a frase com que um de meus orixás vivos, Aldir Blanc, encerrou uma de suas cartas dirigidas ao jornalista Arthur Dapieve, aqui: “Milhões e milhões de pessoas vivem e morrem sem conhecer esse sentimento.”. Aldir se referia, ali, ao amor que nutre pela sua mulher, e a frase é exatamente perfeita se aplicada a mim, que vivi com minha menina, desaparecida desde 09 de julho de 2011, uma história de amor dessas que chegam a doer de tão bonitas e intensas.  Eu, que tão despudoradamente venho, desde sempre!, contando aqui as nossas (e agora minhas…) histórias, estou chegando ao fim de uma semana que me foi emocionante como há muito eu não atravessava.

Na terça-feira fui surpreendido com um e-mail que me foi enviado pelo Sergio Barreto, Diretor de Pesquisa & Desenvolvimento do Ometz Group, que (retirado daqui“opera nos segmentos de educação e comunicação. Está presente em mais de 70 municípios brasileiros e também na Argentina e EUA. Hoje, fazem parte de sua holding 15 empresas e mais de 19 mil profissionais. Com a abertura do sistema de franquias, em 2000, e a criação da Lexical, em 2003, a companhia vivenciou o maior crescimento da sua história até então. Também em 2003, a empresa inovou e abriu sua primeira unidade offshore, destinada ao ensino de inglês para funcionários de plataformas de petróleo. Em 2005, a empresa deu seu primeiro grande passo em direção ao segmento de comunicação, com a produção do longa-metragem That´s All About Fame, que compõe o material didático da Wise Up. A composição do Ometz Group como holding se deu em 2008, com a criacão e o crescimento consolidado de várias empresas e áreas do grupo. Na área educacional, o Ometz Group atua com foco em todas as classes sociais por meio de seu mix de marcas, composto por Go Getter, Wise Up, Lexical e You Move. A Wise Up é hoje líder no segmento de ensino de inglês para adultos na América Latina. Para dar respaldo aos nossos mais de 400 franqueados, o Ometz Group dispõe de três empresas, a Wise Up Franchising – franqueadora das marcas Wise Up, Lexical, You Move e Go Getter – a Sparta Consulting – que oferece às franquias soluções específicas de gestão – e o Hunting Winners, que representa hoje a solução de integração entre os profissionais que atuam nas mais de 400 unidades da rede. No âmbito da comunicação, o Ometz Group atua nos segmentos audiovisual, publicitário, editorial e de telecomunicações. A Mindset Films é a produtora do Grupo e dentre os trabalhos já realizados, estão cinco longa-metragens que compõem o material didático de nossas escolas. A Yeah! é uma agência de publicidade que atende clientes no Brasil e exterior e é também responsável pelas ações de comunicação das empresas do Ometz Group. A Skopos Editora é responsável pela criação e distribuição dos materiais didáticos das escolas de idiomas do Grupo, e o Ring One é um Contact Center que atua de forma inteligente e em tempo real.”.

Fiz questão de transcrever a descrição que consta do site da empresa justamente para que vocês possam ter exata dimensão do tamanho do grupo, do qual Dani fez parte desde que voltou ao Brasil, em 1999.

E isso – exata dimensão – é o que me dá a iniciativa que me foi anunciada por e-mail:

“Edu: A partir de 2012 todo ano vamos entregar o Prêmio Danielli Pureza para a escola que demonstrar excelência na educação e na formação de profissionais. O prêmio será entregue na Ometz Conference no dia 06 de janeiro às 15 h, em São Paulo. Gostaria que você entregasse este prêmio no ano da sua criação. É uma maneira de homenageá-la e também de ter certeza de que todas as gerações de professores e coordenadores do Ometz Group saibam da importância que ela teve na história do grupo e de seu crescimento. Com certeza ele não seria possível na área educacional sem a presença da nossa Dani. O premio terá o formato dos desenhos abstratos que a Dani fazia quando estava em reunião, refletindo sobre problemas e suas soluções. Eram desenhos abstratos que ganhavam forma à medida que a reunião caminhava. Ainda não tenho a arte final mas quando tiver te mando. Acho que sempre aprendemos coisas quando as pessoas nos deixam, foi assim com a morte do meu pai e da minha mãe – e este prêmio que levará seu nome pelo menos enquanto eu ainda estiver por aqui para entregá-lo – é uma forma de deixá-la sempre como legado, como forma de dizer sim à vida,tão apaixonada que a Dani sempre foi e é, por educação e pessoas.”

Eu, meus poucos mas fiéis leitores, não preciso, em absoluto, do que quer que seja para ter exata dimensão da mulher que foi e que é a minha garota, hoje bambeando no infinito e me deixando absolutamente perdido por aqui. Mas perceber sua grandeza, também para os outros, é uma experiência indizível, emocionante, dessas de derrubar e amolecer o mais duro dos corações (o que está longe de ser o meu caso, um derretido na mais ampla acepção da palavra).

Ontem à tarde, estando eu ancorado no balcão do Bar Rebouças, chegou-me por e-mail a arte-final do prêmio que entregarei no dia 06 de janeiro, em São Paulo. Fui, ali, diante da beleza da coisa, um homem em frangalhos tomado por uma emoção que até então eu não experimentara. Assim foi apresentada a arte-final, pela agência que a criou:

“No segundo dia da Conference, todos os coordenadores do P&D se reunirão para premiar a escola que, durante 2011, demonstrou maior comprometimento com a educação e a qualidade de ensino. Este prêmio será batizado de “Prêmio Danielli Pureza”, uma homenagem a essa que foi um grande exemplo de zelo pela qualidade dentro das unidades. Seus rabiscos abstratos e num primeiro momento sem sentido, logo tomavam forma e surpreendiam a todos, tal qual sua inexplicável alegria em meio a tantas dificuldades de saúde se vertiam em surpreendentes resultados em seu trabalho. Sempre acompanhada de seu sorriso cativante, Pureza fez do prazer de formar pessoas uma cura tão implacável, que nem o pior dos cânceres poderia detê-la. Um traço simples, puro, retrata toda a grandeza e de seu olhar. Mechas de cabelo feitos em rabisco de mão saem do topo de sua cabeça, representando o quanto sua visão ia além de qualquer debilidade física, ao longo do caminho tornam-se raízes que representam a profundidade de sua dedicação e por fim tomam a forma de mãos que escrevem, mãos que lecionam, como as de Pureza, que tinha em mãos a cura do maior câncer da humanidade: a falta de conhecimento.”.

Ora, bolas… eu, me conhecendo como eu me conheço, já antevejo como será a cerimônia de entrega do prêmio…

Eu terei – sei que terei! – a capacidade mágica, encantada, misteriosa, movido por um misto de saudade, de amor, de alegria e de orgulho, de tornar quase-sagrado o certificado, que há de levar para o(a) vencedor(a) do prêmio, em 2012 e nos demais anos seguintes, o axé, a força, a energia e a grandeza da minha menina.

Meu coração, em ligeiro descompasso, abalado e revigorado diante da beleza em estado bruto que essa iniciativa representa, há de suportar o tranco.

Até.

P.S. 1: torno público meu agradecimento e minha gratidão a esse homem que pensou na homenagem, Sergio Barreto, uma das pessoas que Dani, enquanto esteve por aqui, mais amou e admirou – amor e admiração que permanecem, tenho certeza -, a Flávio Augusto, Presidente do Ometz Group, que com Dani conviveu, profissionalmente, por mais de 12 anos, e a cada um dos funcionários que, também tenho certeza, vibram diante da justíssima lembrança que a eterniza, também, entre eles;

P.S. 2: se você quiser ver e ouvir o Sergio Barreto apresentando, conversando e entrevistando a dona do sorriso mais bonito do mundo, assista isso aqui;

P.S. 3: no dia seguinte ao que recebi tão bonita notícia, o artista plástico Mello Menezes enviou-me um desenho da Dani absolutamente genial, igualmente emocionante, e sobre ele – seu fim! – falarei mais adiante;

P.S. 4: e fechando a semana de beleza intensa, outra notícia de me-derrubar: Luiz Antonio Simas e Candinha, pais do pequeno Benjamin, deram-me a incumbência de apadrinhar o moleque, o que me fez chorar quase o dia inteiro ontem. Eu não tenho mais, disse isso a eles, a coisa mais bonita que eu sempre pude oferecer aos meus afilhados, que é a dinda… Mas serei, lá vai mais uma certeza, o melhor padrinho do mundo pro garoto. A vocês, meus irmãos Simas e Candinha, minha gratidão, meu respeito e minha emoção mais pura.

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AMANHÃ É DIA DE SIMAS

Como amanhã, 02 de novembro, é feriado – dia de pouca audiência nestas plagas, dia de flanar pela cidade – aproveito para fazer, hoje, minha humílima homenagem a esse grande brasileiro que é Luiz Antonio Simas – e peço licença para brevíssima digressão – que aniversaria amanhã.

Sempre me é comovente verificar, com meus próprios olhos, que meu primeiro contato com Luiz Antonio Simas deu-se no dia 18 de agosto de 2006, quando ele deixou o seguinte comentário neste texto aqui:

“Eduardo, sou um leitor assíduo do blog, morador do Maracanã, amigo do peito do grande Rodrigo Ferrari (da inestimável livraria Folha Seca) e admirador das suas campanhas cívicas – sim, cívicas – contra as sem-vergonhices do Jota e dos Leblons da vida. Mas sempre estive em silêncio obsequioso. Hoje, porém, vou me manifestar: sensacional! Como eleitor e admirador do velho, aplaudo de pé a cena! Quanto ao Roberto Talma…nunca me enganou! Francamente… abraço.”

Dias depois, o citado Rodrigo Ferrari, justamente na Folha Seca, tratou de nos apresentar pessoalmente. E ali, naquela tarde, eu o reconheci (já o conhecia, vá entender os mistérios da vida, como lhes contei aqui).

De lá pra cá, já lá se vão mais de cinco anos. Somos – digo sem medo do erro – amigos na mais ampla acepção da palavra, e eu tenho um tremendo orgulho de dizer isso. Professor de História (e eu tenho declarada inveja de seus alunos, ainda que eu me considere, a cada conversa, um aprendiz diante do mestre), conhecedor profundo dos mistérios do invisível, apaixonado – como eu – pelo Brasil e por sua gente, o Simas ocupa, por incontáveis razões, especial lugar na minha vida.

Seja porque somos vizinhos e fanáticos por nossa aldeia, o que nos propicia infinitas conversas pessoalmente, quase sempre diante de um balcão qualquer de qualquer uma das espeluncas que nos comovem, seja porque jamais me negou o apoio na condição de sacerdote que é, e que com uma seriedade rara de se ver ele exerce, seja porque foi em sua casa que tantas e tantas vezes ele me acolheu, na reta final da vida de minha menina (ele que mora na mesma rua do fatídico hospital…), sempre disposto a me secar as lágrimas (e muitas vezes dividi-las comigo) e me molhar o bico com o Red Label que guardava só pra mim… – “Edu, seu remedinho…” – a fim de que eu ajustasse meu pH antes de enfrentar a dureza daquelas visitas…

Luiz Antonio Simas, companheiro da Candinha e pai há pouco menos de um ano do Benjamin, é – em apertada síntese – um presente que ganhei na vida. Lembro – impossível não lembrar – do quanto minha menina vibrou com o nascimento do moleque, que deu-se justo num dia em que estiveram, os dois, almoçando em nossa casa (como lhes contei aqui, no texto Tocologia na Tijuca) – pra profunda alegria da Dani, que sempre que pôde esteve perto do pequeno Benjamin.

Dia desses o Simas pregou-me uma peça, me enviando por e-mail uma porção de fotografias da Sorriso Maracanã em sua casa, onde passou algumas tardes curtindo o primogênito: com ele no colo, trocando suas fraldas, dando banho etc

Hoje, comovidíssimo (eu sempre me comovo no dia do aniversário dos meus), devolvo ao Simas a gentileza, com a fotografia que segue abaixo. É tudo o que desejo a ele pela passagem de mais um dois de novembro: uma vida tão bonita, tão luminosa, tão generosa e tão espetacular quanto o sorriso que se insinua pelos caminhos que sigo, tão escancarado ao lado dele (Dani amava o careca!) naquele primeiro de janeiro de 2008. Ergo o copo cheio de espessa espuma pedindo a nosso pai Ogum – meu e dele! – muita saúde, muita paz e muito amor. Axé, meu irmão. Obrigado por tudo.

Até.

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O RIO, POR LUIZ ANTONIO SIMAS

Já que falei hoje, mais cedo, aqui, sobre o Rio de Janeiro, essa cidade absolutamente fora de série, decidi transcrever alguns trechos de uma recente entrevista que demos, eu e Luiz Antonio Simas, professor maiúsculo as 24h do dia, justamente sobre o Rio. É evidente que as transcrições são todas de falas do Simas, que estava, inclusive, emocionadíssimo nesse dia. Exaltou-se, falou alto, foi veemente quando expôs, de forma despudorada, sua paixão pela cidade em que vive.

“Quando eu falo pra alguém conhecer o Rio de Janeiro, a primeira coisa que eu digo é o seguinte: já é uma cidade interessante pra você conhecer, porque é uma cidade absolutamente improvável. Se você observa, por exemplo, a característica da geografia do Rio, aqui não era pra você ter cidade nenhuma! Porque isso aqui era pântano, era montanha, era alagadiço, era o mar invadindo tudo… Então pra você construir uma cidade aqui, você teve que furar morro pra fazer túnel, você teve que drenar pântano, então é uma cidade absolutamente inusitada. E eu acho que o Rio é a cidade mais sincera do Brasil. Por que? Por conta dessa geografia muito peculiar do Rio… a montanha, o mar… O Rio é uma cidade, por exemplo, que não tem aquela noção clássica de periferia. Quando você chega, por exemplo, a São Paulo, a Belo Horizonte, você tem um centro, você tem uma região que é habitada por uma classe média, por uma classe média-alta, e aí você vai lá pro inferno e lá no inferno você tem a periferia…. A periferia do Rio de Janeiro tá dentro da cidade! O Leblon, que é o bairro de IPTU mais caro, Ipanema, que tem IPTU mais caro… Só que Ipanema tá convivendo com o Pavão-Pavãozinho, o Leblon tá convivendo com o Vidigal, aqui na Tijuca a gente tá convivendo com o Borel, tá convivendo com a Formiga, tá convivendo com o morro do Salgueiro, a gente tá convivendo com o Turano, a gente tá convivendo com a Casa Branca… E isso deu ao Rio de Janeiro uma peculiaridade cultural absolutamente maravilhosa… Isso é muito sério! Quando o Noel Rosa morreu, que é um ícone da nossa cidade… o Zé Ramos da Mangueira fez um samba pro Noel Rosa! O Noel Rosa era o branco, o Noel Rosa era o estudante de Medicina, o Noel Rosa era o aluno do São Bento que subia o morro da Mangueira porque era do lado da Vila Isabel, onde ele morava, um bairro que tinha operário, que tinha classe média… Aí o Zé Ramos faz o samba quando o Noel morre, ele diz (cantando):Chegou a capital do samba / Dando boa noite com alegria / Viemos apresentar o que a Mangueira tem / Mocidade, samba e harmonia / Nossas baianas com seus colares e guias / Até parece que estou na Bahia”. Aí ele diz: “Da cidade alta da Mangueira / Avisto a Vila, sinto saudades de alguém…”. Sinto saudades de alguém! É o Noel! É do Noel! Ele tá lá do alto do morro da Mangueira, e da cidade alta da Mangueira ele enxerga Vila Isabel! Ele enxerga o bairro onde viveu o sujeito de classe média, o Noel Rosa…Que aí subiu o morro, e aí o morro desceu… Então isso deu ao Rio de Janeiro uma peculiaridade! A nossa cidade é uma cidade única! É uma cidade que misturou tudo, é uma cidade de cultura de fronteira, é uma cidade em que a periferia tá dentro dela, o Rio de Janeiro não é uma cidade covarde! Todas as críticas que fazem à minha cidade do Rio de Janeiro são críticas que me fazem cada vez mais gostar do Rio de Janeiro! Porque o Rio de Janeiro não esconde! O Rio de Janeiro é aquilo que ele é mesmo! Eu chamaria um sujeito pra conhecer o Rio de Janeiro, primeiro, pra conhecer uma cidade que é rigorosamente peculiar. Você não vai encontrar outra com essa característica que o Rio tem!

A formação do Rio é muito parecida com Salvador, com São Luis do Maranhão, com o Recife… Na verdade, foram os grandes portos de recebimento de escravos no Brasil… Se você considerar que a gente teve 388 anos de escravidão, quase 4 séculos, a cidade é essencialmente uma cidade de rua, uma cidade negra, que tem essa característica…Aqui, pro Rio, vieram muitos bantos, depois chegam os yorubás, e os saberes africanos tem uma característica peculiar que é a seguinte: a cultura, a vida, ela se passa muito no espaço da rua, no espaço do mercado, a casa é um detalhe! Então o Rio de Janeiro tem uma tradição que eu acho que herdou da África… como Salvador tem, como São Luis tem… como Havana, em Cuba, tem… Esse detalhe é interessante… é uma cidade de rua, é uma cidade de mercado, em que o encontro é no espaço público… De certa maneira, o espaço de civilização entre os africanos é o espaço público. A vida ali se passa na rua… Você chega à Nigéria, à Angola, ao Congo, a rua é o espaço de convívio. E o Rio é uma cidade de rua, as coisas acontecem na rua, é a cidade do mercado, da feira… o Rio é uma das quatro grandes cidades do Brasil que eu chamo de cidades que têm como patrono, Elegbara, Exu… a entidade que cuida da rua, da esquina… Daí a ligação com Salvador, que é conhecida como a Roma Negra…

Se você chegasse no Rio de Janeiro em 1910, você ia observar o seguinte: está surgindo o samba urbano, tal como o conhecemos hoje, como manifestação cultural de comunidades negras… quem faz samba em 1910 é o preto! É o cara que tá batendo tambor, são as macumbas na casa da Tia Ciata, tá rolando aquele babado entre os negros. E o futebol era praticado rigorosamente por branco. Então em 1910, é o branco joga bola e é o preto faz samba. Se você viaja um pouquinho no tempo e chega ao início dos anos 30, o grande ídolo do futebol no Rio de Janeiro é um preto, é Leônidas da Silva, e o grande sambista é um branco de classe média, o Noel Rosa. O Rio é a cidade que permitiu ao branco fazer samba e ao preto jogar bola! Os dois se conheceram, porque o Leônidas chegou a morar em Vila Isabel, o Noel era de 1910, o Leônidas de 1913… É uma circulação tensa e intensa…”

É por isso que eu sempre digo e agora repito: sou um sujeito de sorte por desfrutar do convívio com esse brasileiro máximo que é Luiz Antonio Simas!

Até.

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LIÇÕES DE PEDAGOGIA

Luiz Antonio Simas, brasileiro máximo, meu irmão de fé, respeitado professor de História, é pai de primeira viagem do carioquíssimo Benjamin, que completa amanhã, 21 de maio, dois meses de vida. Garoto de sorte, o Benjamin. A mãe é uma doçura que começa pelo nome – Cândida. E o pai, um caboclo sabido demais, conhecedor dos mistérios do invisível, que carrega nos olhos verdes toda a sabedoria ancestral que nos remete à mata brasileira e sua imensidão encantadora. Pois o Simas, que anda numa alegria comovente por conta do moleque recém-chegado, escreveu um tratado anteontem em seu imprescindível blog, o Histórias Brasileiras. No texto, afirma que “o medo é um instrumento pedagógico da maior eficácia na educação de uma criança”. Só por conta dessa curtíssima transcrição ouço daqui os sapateados histéricos de educadores, pedagogos, psicólogos, quadros do PSOL e quejandos. Mas o que quero lhes dizer hoje é o seguinte: concordo inteiramente com o bardo tijucano, morador da aldeia Maracanã, cuja oca dista pouco mais de 1km da minha. Mas vamos às minhas razões.

Lendo o texto a que fiz referência, e que pode ser lido na íntegra aqui, percebo que os medos que geraram reações pânicas no menino Luiz Antonio foram os mesmos que me foram plantados, enterrados em mim como sapo de macumba (apud Nelson Rodrigues).

Eu era um menino. Uma de minhas tias, casada com um irmão de minha avó, a tia Noêmia, tinha uma casa em Campo Grande, zona oeste da cidade, num condomínio chamado Clube 34, tratado como sítio por toda a parentalha. Pois havia, no tal Clube 34, uma piscina enorme, redonda, funda, e não houve um só dia em que eu não ouvisse de meu pai a frase que gerava uma concordância unânime entre as tias:

– Cuidado na piscina! Olha o garoto que morreu sugado pelo ralo! Morreu, ouviu? Morreu!

E sempre fui, na piscina em Campo Grande, um menino de olhos esbugalhados diante da possibilidade da sucção fatal.

Eu era um menino. Papai me dava semanada, nunca me deu mesada (vá entender). E dizia, todos os dias, ao me deixar no portão da escola:

– Compre sua merenda na cantina, viu? Apenas na cantina! Esse moço da carrocinha coloca cocaína nas balas que vende. Sabe o que é cocaína?

Eu, trêmulo, com a pequena mochila no colo no banco de trás do carro, dizia que não. E papai, soturno pelo retrovisor:

– É um pó, meu filho, uma droga. Vicia. Vicia e mata. Como o ralo das piscinas, entendeu?

E na hora do recreio eu comprava meu Mirabel na cantina e olhava, com intensa piedade, para os colegas que atravessavam o portão em direção à carrocinha, como se fossem pré-cadáveres à beira da morte.

Eu era um menino. E exatamente como o mestre Luiz Antonio, evitava ir ao banheiro sozinho durante as aulas. Lá estava, é claro, a Belmel, a loura defunta, de algodões ensangüentados nas narinas, disposta a vingar o filho que morrera antes dela.

Eu era um menino, e assistia sempre, estarrecido, um diálogo recorrente entre minha bisavó, Mathilde, e minha tia (sua irmã), tia Idinha. Leque fremindo numa das mãos, dizia minha bisavó:

– Idinha, espia. Não vá esquecer do espelhinho quando eu morrer.

Tia Idinha fazia o sinal da cruz:

– Pidôca, isso se você morrer antes. Se eu morrer antes, veja lá, não vá esquecer do espelhinho!

Dava-se o seguinte: o ator Sérgio Cardoso, cujo corpo havia sido exumado, fora encontrado de bruços dentro do caixão. A tampa do dito cujo estava marcada, por dentro, pelas unhadas vigorosas que o pobre-diabo dera depois de acordado a sete palmos do chão, fruto do desespero diante da situação. Vai daí que espalhou-se pela cidade, pelo país, o pânico. Ser enterrado vivo era o medo súbito de toda uma geração. E minha bisavó tinha a tática infalível:

– Idinha… Você não se importe com a reação da assistência na capelinha. Aproxime-se de meu corpo e deixe durante um bom tempo o espelhinho diante de minhas narinas. Se embaçar é batata. Estou viva. Não pemita que fechem o caixão, entendeu?

Eu, molecote, tinha pesadelos horripilantes.

Numa só noite eu estava nadando no Clube 34 e era sugado pelo ralo. Dado como morto. Velado por uma família inconformada. E acordava aos berros quando me percebia vivo no caixãozinho já fechado. Noutra noite, atravessava o portão do colégio e comprava uma bala Soft na carrocinha. Era um zumbi, minutos depois, flechado pelo vício da cocaína e fadado a viver por aí perambulando em busca de mais pó. Noutra noite, ainda, eu era acometido por uma diarréia violenta durante a aula de Estudos Sociais e sentado no vaso do banheiro do colégio Palas via agigantar-se diante de mim o vulto impressionante da loura assassina.

Uma infância tranqüila, como se vê.

Hoje, percebo tristíssimo que são pueris os medos da garotada. Medo de que se quebrem os controles do Wii. Medo de que caia a conexão da banda-larga. Medo de que sejam hackeados os perfis do Orkut ou do Facebook. Medo de que acabe a bateria do celular no meio da rua… Uma falta absoluta de encantamento, uma ausência completa de um pânico-humanizado capaz de mostrar à molecada a finitude do homem, sua falibilidade e seus limites.

Entro, pois, de cabeça, na campanha lançada por Luiz Antonio Simas. Meus afilhados que se cuidem. Os filhos e filhas de meus amigos, de meus vizinhos, todos que se preparem!

Até.

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TOCOLOGIA NA TIJUCA

(dedicado a Benjamin D´Angelo Carneiro Simas)

Eis-me aqui, de volta, depois de dez dias de afastamento – necessários em razão da lufa-lufa do cotidiano (notem, pelo uso da palavra “lufa-lufa”, que voltei ainda mais velho, mais antigo, mais múmia). Quero lhes contar hoje sobre a experiência que vivi no último domingo, 20 de março, dentro de minha própria casa. E como sou preciso do início ao fim farei minuciosa exposição dos fatos.

Estava eu, no sábado, a caminho da casa de meu irmão para um churrasco para o qual havíamos sido convidados, eu e minha menina. Estrilou meu celular. Era uma mensagem SMS. O autor? Luiz Antonio Simas, meu irmão, brasileiro máximo, tijucano de escol:

“Alguma boa para hoje?” – foi sua mensagem, curta e direta.

Disquei para ele.

Candinha, mulher do caboclo, acordara disposta e a fim de um encontro, um almoço, algo assim. Vamos a uma breve pausa para construção do cenário fático.

Candinha estava, já no sábado, com o ciclo da gestação completo. O que significa dizer que, a qualquer momento, poderia dar à luz o menino Benjamin. Voltemos.

Contei sobre o churrasco e a impossibilidade do encontro naquele dia. Atendendo sugestão de minha menina, excitadíssima com a gravidez da amiga, fiz o convite:

– Que tal vocês almoçarem lá em casa amanhã? Faço a feira cedo, compro camarões…

Ele me interrompeu:

– Camarões?! Claro! Claro! A que horas?

E marcamos. O Simas tem, pelo camarão, uma atração dionisíaca. É o agudo oposto, por exemplo, de meu compadre Leonardo Boechat, que sofre de uma alergia terrível a crustáceos, frutos-do-mar e outros bichos.

Fiz a feira cedíssimo no domingo. Comprei dois quilos de camarão, uma massa italiana, bastante alho, vinho branco português e às 13h30min – a hora exata marcada, tijucano é implacável! – explodiu a campainha.

Entram pela porta da sala (aberta pela primeira vez desde que moramos lá, há 12 anos, todos entram pela porta da cozinha por questões de praticidade, foi uma singela homanegem sugerida pela minha garota) Luiz Antonio Simas e Candinha, redonda, plena, deslumbrante de tão bonita (a maternidade ilumina a mãe desde a concepção). Houve, naquele momento, uma festa. Minha menina emocionada com a presença deles e antes mesmo de terminados os cumprimentos percebi o gesto de Luiz Antonio que, com o polegar da mão direita num vai-e-vem em direção à própria boca, implorava por algo para beber.

Até que recebemos relativamente pouco, mas temos o hábito de oferecer faustos ágapes a nossos convidados. Deixei gelando doze garrafas de Cerpa Tijuca, ouro líquido, e o Simas não escondia a ansiedade. As moças tricotando na sala e eu fiz a pergunta de praxe para o momento:

– Ansioso, velho?

Deu-se o seguinte: Luiz Antonio pôs metade da garrafa dentro da boca, bebeu tudo num só gole, pediu outra e disse:

– Evidente! Acho que estourou a bolsa! Estourou a bolsa!

– Estourou?

– Arrã.

Candinha, atenta, da sala:

– Luiz Antonio, calma.

Estava estranho, o professor.

Como uma piorra, zanzava entre a cozinha e a sala. Diversas vezes dirigiu-se à Candinha:

– Liga pro doutor! Liga! – e dizia isso gemendo, coçando a cabeça árida de pelos, roendo as unhas.

A certa altura Candinha disse um simples “vou ao banheiro”. Parecia ter deflagrado uma guerra. Foi trancar-se no toalete e Luiz Antonio começar:

– E aí, querida?! Tudo bem?

Luiz Antonio estava de quatro farejando por baixo da porta:

– Isso não é cheiro de xixi, Cândida! Abre essa porta!

Vem a Candinha pelo corredor, Luiz Antonio a seguindo de joelhos depois de cheirar o vaso sanitário com o apuro de um pastor-alemão. Senta-se na melhor poltrona da casa, alisa a barriga e diz:

– Tudo em ordem…

Servi o almoço.

Senti algo respingando em meus pés. Luiz Antonio estava urinando, de nervoso. Fez-se uma poça sob a mesa, meu vira-latas, honrando a raça, lambia aquilo com intenso prazer. Simas mastigava os camarões chorando. E dizia, de boca cheia:

– Liga pro doutor, liga pro doutor… Desculpe a mijada, Edu, mas tá foda…

Terminado o almoço, ligaram pro doutor. Enquanto Candinha falava, docemente, ao telefone, Luiz Antonio rezava, de joelhos e mãos postas, diante da mulher. Ela desligou, pediu um copo d´água e ouviu os apelos do marido:

– E aí, meu amor… O que ele disse?

– Recomendou que nós fôssemos agora pro hosp…

Só voltei a ter notícias a 01h37min da madruga de segunda-feira, por telefone. Foi quando veio ao mundo o primogênito de Luiz Antonio Simas. Ontem, no meio da tarde, nova mensagem no celular:

“Benjamin já se encontra em terras tijucanas. No caminho, demonstrou especial interesse pela região da Praça da Bandeira”

Minutos depois – e eu infelizmente não pude atender ao convite – ligou-me o pai, o felizardo, não cabendo em si de tanta euforia.

Mãe e filho em casa, e o pai – imerso na euforia mágica da paternidade que eu não pude experimentar – no Salete, comprando o almoço e brindando à vida com um chope bem tirado.

Até.

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PINGOS NO IS

Já fui obrigado, uma vez, vejam aqui, a colocar, como se diz corriqueiramente, pingos nos is para que eu fosse – como dizer? – compreendido. Aliás, é curioso ler o texto a que me refiro, PINGOS NO IS, de 21 de julho de 2009, para ver como recebi, a bordunadas, o Claudio Renato, hoje freqüentador mais que assíduo deste BUTECO e mesmo das mesas às quais me sento por aí.

Volto, hoje, 11 de fevereiro de 2010, ao mesmo tema: PINGOS NO IS. E serei didático, e serei cândido, e serei discreto – como poucas vezes fui neste balcão a cada dia que passa mais e mais freqüentado (antes que me lancem as pedras, estou a falar de quantidade, apenas). Vou, inclusive, evitar citar nomes quando me for conveniente por uma única razão: saberão, os destinatários do recado, que é a eles que me refiro, o que me basta, franca e sinceramente. Não sou de criar polêmica a troco de nada e citar os nomes que não citarei serviria, apenas, como mote para que os bombeiros que tentam apagar o fogo com gasolina entrassem em ação. Feito o não tão curto intróito, vamos ao que interessa.

Sou um homem simples, profundamente simples, não tenho posses, não exerço qualquer cargo que me dê status ou algo que o valha e não tenho poder a ponto de fazer com que as pessoas queiram me lustrar a bola brilhante que ostento presa no pescoço. Não tenho, portanto, qualquer puxa-saco em torno de mim. E por que lhes digo isso? E por que venho, aqui, diante do balcão imaginário do BUTECO, colocar os tais pingos nos is mais uma vez? Vou explicar.

Tenho amigos – e que são poucos. Tenho, entretanto, muita gente querida à minha volta. Gente a quem quero bastante bem, gente que – sei – quer e deseja meu bem. Como sei, também, que a postura eventualmente polemista que envergo no dia-a-dia me rende um punhado de gente que me quer pelas costas (há, ainda, os que aproveitam essa oportunidade para descer o sarrafo na minha pacífica pessoa). E rende também um bocado de gente (são estranhamente poucas pessoas…) que não me quer bem e que me diz isso, assim, na lata, cotovelo no balcão, diante de mim. Pois bem.

Exerço – já disse isso aqui dezenas de vezes – mesmo a postura polemista no BUTECO. Assim como exerce, o BUTECO, não eu!, postura vigorosamente debochada no TWITTER (aqui), que não serve pra quase nada a não ser pra isso mesmo, fazer pilhéria.

Vai daí que ontem fiz uma piada particular que exibi publicamente no BUTECO. Escrevi: “Tomem nota aí: os intelectuais vão acabar com o IMPÉRIO SERRANO.”.

Eis que me bateu o telefone, há pouco, um de meus poucos mas fiéis leitores. Em aguda oposição ao papel que cumprem os bombeiros de plantão, fez apenas o desabafo de alguém que não compreende como é que podem, as pessoas, levar tão a ferro e fogo o que esse polemista que vos escreve escreve (é de propósito, e acho que não tem a vírgula, que não sei usar com perfeição) e o que o BUTECO propaga no exibidor de painés que é o TWITTER.

Ontem, durante pequeno evento sócio-etílico-cultural, acusaram-me de arrebanhar uma manada de puxa-sacos (ou algo assim, não estou em busca da transcrição literal do que foi dito). E isso – eis o que é triste – depois que parti em direção à minha casa.

Hoje, me contou meu interlocutor, Carlos Andreazza, outrora assíduo deste balcão virtual, desceu o lenho na minha pacífica pessoa. Disse a ele, meu interlocutor – e digo agora, de público -, que retirar o link para o blog do Andreazza do menu à dirteita do painel do BUTECO – já expliquei aqui a razão, não quero repetir – não foi apenas uma decisão que serve para o menu. Eu, que prezo o Andreazza como apenas ele, quero crer, sabe (eis aí um exemplo de alguém que diz o que pensa sem a máscara podre do anonimato – e se ele, como já tentaram me sugerir, vale-se do anonimato noutras ocasiões não me interessa, até porque não creio nessa hipótese), não leio mais o TRIBUNEIROS por razões simples que nem me caberia elencar (mas vou fazê-lo, ainda que em apertada síntese): (01) estamos em ano de eleição e somos agudamente opostos no terreno da política, (02) estamos nos aproximando do Carnaval e somos agudamente opostos no terreno da compreensão do que seja, hoje, o esquema que envolve as escolas de samba, (03) eu jogo no bicho e sou ferrenho defensor desse saudável hábito, mais uma aguda oposição, e por aí vai. Portanto, não me interessa fazer aqui a minha defesa (se é que preciso dela), até mesmo porque só contesta aquele que conhece os termos da exordial (estou advogadíssimo).

Ontem, meu irmão Luiz Antonio Simas virou-se pra mim e disse:

– Fiquei triste com o que você escreveu.

Não era pra ter ficado – foi o que pensei, franca e sinceramente.

Conheço muitos imperianos – de fé alguns, de ocasião, outros – e tenho por eles, e pela escola, profundo respeito. Não preciso elencar mais do que dois imperianos – Luiz Antonio Simas e meu amado pai – para dar cores de verdade ao que digo.

A frase que publiquei ontem no BUTECO – polêmica em estado bruto, meus poucos mas fiéis leitores – e que o BUTECO publicou no TWITTER – pilhéria em estado bruto, meus poucos mas fiéis leitores – não é, exatamente, de minha autoria.

Foi dita (e seguida de outras tantas que prefiro omitir pra não aumentar o volume do fogo) por um imperiano. E por um imperiano de fé. Foi aqui reproduzida, portanto, em tom de piada particular e porque concordo com ela na exata medida em que foi dita (explico mais abaixo).

Tendo dado as explicações que entendo cabíveis, despeço-me para só voltar amanhã. Aviso, desde já, aos curiosos de plantão, aos bombeiros adeptos da gasolina como comubustível diante do incêndio, que não vai adiantar NADA (com a ênfase szegeriana) me perguntarem – por e-mail, por comentário (serão vetados), por telefone ou ao vivo – quem foi o autor da frase (com a qual concordo integralmente, até porque no contexto em que foi dita representa uma brincadeira que só quem sai de casa com o bom-humor guardado no bolso entende).

Até.

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NOS FLA X FLUS É O AI JESUS

Quando a torcida mais cheirosa do Brasil, na insuspeita opinião de Lulu Santos, ergueu nas arquibancadas uma faixa na qual se lia “Nos Fla x Flus é o ai-Jesus” – frase surrupiada do hino rubro-negro – senti cheiro de sangue. O primeiro tempo terminou num 3 a 1 pro Fluminense que – por conta do odor, que não passava – não chegou a me assustar ou mesmo desanimar. Até porque o Felipinho Cereal, dado a previsões certeiras, dizia a cada gol que o tricolor das Laranjeiras perdia:

– O Flamengo vai ganhar o jogo.

Luiz Antonio Simas, também à mesa, fazia que “sim” com a cabeça, lustrando imaginariamente a careca que reluzia dentro do Estudantil.

Vai daí que, com um jogador a menos, o Flamengo foi o Flamengo de novo. A bambilândia carioca torcida do Fluminense, que passou a semana inteira arrotando com a arrogância costumeira troços do tipo “o time está acertadinho”, “temos a defesa menos vazada”, “gol, se sofrermos, será apenas um” e outro bichos, foi saindo de fininho, antes mesmo do apito final, depois de ver sua rede balançar gloriosas cinco vezes, quatro delas no segundo tempo, selando a vitória histórica do Flamengo por 5 a 3.

Os tricolores do Estudantil, em número infinitamente menor, também foram deixando o bar arrotando – já não tão arrogantes – besteiras do tipo “foi apenas um amistoso”, “esse jogo não valeu nada”, por aí.

Ó. Estão ouvindo daí?

Tsc.

Até.

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