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ARREMESSO AO PASSADO (02)

Em oito dias, completo 48 anos. E em trinta e oito dias, 17/05, completa 70 anos a minha mãe. O Brizola morrera há poucas semanas e eu estava, naquela noite em 2004, num samba que acontecia no Guanabara, em Botafogo, de cara pra Baía, pro Pão de Açúcar. Estava no mesmo samba meu irmão querido, Fernando Szegeri. À certa altura, o couro comendo, noite alta, chega Beth Carvalho. E quando a Beth Carvalho chegava numa roda, meus poucos mas fiéis leitores, o couro comia ainda mais forte. Quando nos vimos, durante o abraço, lamentamos o morte de nosso eterno e saudoso governador Leonel de Moura Brizola. E na primeira oportunidade que teve, entre um samba e outro, Beth deu de cantar o Hino da Independência. Chorei. Choramos todos. Chorou de esguichar, Fernando Szegeri. E eu não sei se movido por essa emoção ou se embalado por ela, fato é que o Fernando chamou-me à beira da baía e me disse, entre soluços:

– Quero que sejas o padrinho da Iara!

Eram – o quê?! – duas e meia, três da manhã, e ele bateu o telefone pra Railídia, mãe da Iara, pra comunicar o fato. Falei também com a atônita Railídia, acordada àquela hora por tão inusitado telefonema, e eu era então padrinho da sexta criança (abaixo, foto da Iara que enfeitava minha geladeira).

iara na geladeira

Cinco anos antes, 1999, Mariana Blanc deu-me a Milena de presente. Tinha eu só 30 anos de idade. Hoje, quase-morro de orgulho da médica e da mãe do Danilo, bisneto do Aldir, neto da Mariana, tataraneto do saudoso Ceceu.

Foram chegando em fila, os afilhados. Depois da Milena, o Alfredo, filho da Raquel e do Alfredo. Em 2000, em dezembro, foi a vez da Ana Clara, a única que foi batizada na igreja, e na de São Judas Tadeu, exigência minha docemente acatada por seus pais, Magali e Ricardo. Depois da Ana Clara, o Raphael, que era filho de meus vizinhos de porta. Pouco depois, a Dhaffiny, filha da Lu e do Buba. Foi quando chegou-me a Iara.

Hoje sou também padrinho da Rosa, irmã da Iara, filha da Stefânia e do Fernando. Da Helena, que o Leo Boechat, à moda Szegeri, movido pela emoção do momento, disse-me de olhos cheios d´água e de cana:

– Quero que você seja também padrinho da Helena… – que já tinha padrinho, assim como a Iara, mas e daí? Esses afetos são de multiplicar, não?

Estávamos no final de 2011, um ano duríssimo pra mim, quando Luiz Antonio Simas e sua Candinha me deram Benjamin pra ser meu afilhado. Afilhado-de-rua, emendou o pai. Contei-lhes aqui sobre o episódio, que me emocionou sobremaneira.

Veio 2012, com ele veio vindo a Morena, e sua afilhada, a Nathalia, fez autodeclaração – é minha afilhada. A décima. Mas tem a Maria Helena, hoje uma mulher, que vira-e-mexe, como recentemente, deixa escapar um dindo falando comigo.

São, essas crianças (que já não são mais crianças em sua maioria), fonte permanente de apaziguamento das tais tormentas que me acometem, vez por outra. Eu mesmo, que às vezes teimo com a calça curta, a camisa listrada, o time de botão sempre ao alcance da mão guardado com talco dentro de uma lata de cuecas, sou um deles. Procuro pelas minhas madrinhas e não as encontro, salvo lá atrás, cada vez mais longe. Procuro por meus primos, minhas primas, eram tantos, e pude revê-los dia desses no enterro de um dos meus tios que muito pouco eu via.

No dia desse enterro a que me refiro, eu fui um assombro de “ohs” e “ahs” a cada primo que via, a cada prima que via, a cada tio, a cada tia, todos tão velhos e de cujo convívio fui sonegado na mesma medida em que fui cúmplice e partícipe dessa sonegação, desse afastamento, desse movimento que é a antítese do que genuinamente sou. Porque somos isso mesmo, a luta permanente contra o que fizemos, contra o que fizeram conosco quando não nos era possível reagir, contra a impossibilidade dolorosa de voltar o tempo, contra a finitude, esse terror, contra as janelas abertas para o infinito diante de nós.

Minha avó e minha mãe sempre me contaram que eu, moleque, ainda tropeçando quando caminhava, tinha altas conversas com as ondas do mar. Gritava, gesticulava, fazia comícios diante do oceano. Hoje encontrei minha mãe, seus olhos marejaram à certa altura, não agi como a criança que fui diante daquela água salgada brotando de seus olhos, mais bonitos hoje do que há tempos, emoldurados agora por cabelos brancos que lembram os cabelos de minha avó e de minha bisavó.

Tive ímpetos de enxugá-los. Mas por medo de molhar os meus, fiquei quieto, com certo medo, até. Não é hora de me expôr.

E não estou sendo irônico nesse momento em que sinto o vento dos leques das velhas matriarcas da minha família farfalhando e escondendo, e deixando de esconder, e escondendo, e deixando de esconder seus rostos.

A Morena adora usar leque.

Até.

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UMA SAUDADE E UMA ESPERANÇA

Eu não achei, franca e sinceramente, que fosse viver o que vivo hoje, o que vivemos hoje no Brasil. Desde meninote, à minha moda, interessei-me por política. Em 1982, com apenas 12, 13 anos de idade, fascinei-me, na exata acepção que a palavra fascínio tem pra um menino, com a figura de Leonel de Moura Brizola. Dentro de casa, entre os leques das mais-velhas, maços de Hollywood da minha avó e de Minister do meu avô, tios e tias que hoje são só saudade, eu já era olhado com certa dó: “Brizola é o demônio, meu filho!”“Um agitador!”, era sempre por aí o que eu ouvia daqueles lacerdistas, admiradores da Sandra Cavalcante. Mas eu brilhava os olhos quando via e ouvia o Brizola falar. Escapava pra Cinelândia, escondido, pra juntar-me aos que me diziam mais à alma quando o assunto era política: velhos e velhas de lenço vermelho no pescoço, a Juventude do PDT à qual não me filiei por medo, sim, por medo, e eu voltava pra casa sempre ainda mais admirado com aquele homem que começou a campanha com 1% e a venceu contra tudo e contra todos, inclusive o golpe da Proconsult que Moreira Franco (esse mesmo que hoje agita o golpe) e Roberto Marinho tentaram implementar para tirar a vitória colossal de Brizola (entenda aqui o que fizeram com Brizola em 1982).

Engajei-me a fundo na campanha para a eleição de Darcy Ribeiro, que Brizola tentou fazer sucessor. Fomos derrotados.

Ingressei na Faculdade de Direito em 1987 e vivi, na PUC-RJ, período riquíssimo: a Constituição Federal estava sendo gestada, meus professores eram todos de esquerda, e vivi, no ambiente universitário, a primeira eleição direta para Presidente do Brasil desde a ditadura, que iniciou-se em 1964. Eu era, meus poucos mais fiéis leitores, o único eleitor do Brizola da turma, que se dividia entre Lula e (pasmem) Roberto Freire – havia, claro, eleitores de direita mas que eram minoria. E apenas um de meus professores, o hoje Juiz Federal Firly Nascimento (e então Defensor Público), também era eleitor do velho Brizola.

Em 1989 dei meu primeiro voto pra valer nele, Leonel de moura Brizola. Perdemos por pouco.

E a tristeza também durou pouco: elegi Brizola Governador do Rio de Janeiro em 1990, Estado que o elegeu, consagradamente, duas vezes!

Em 92, durante o processo de impeachment de Fernando Collor, não juntei-me aos cara-pintadas: ouvi a voz do mais sábio que alertava: “A nossa posição… quando eu digo minha, eu digo nossa, porque nós elaboramos uma posição partidária. Até aqui, cada um de nós emite as suas opiniões, somos um partido democrático; eu, como mais velho, emito as minhas, mas elaboramos a nossa posição. Nós tratamos de condenar certas atitudes, certos procedimentos, porque entendemos que um clima de histeria é inconveniente para as próprias investigações, para se fazer justiça. Nós já vimos episódios semelhantes, nunca deram bons resultados. Condenamos esses excessos, às vezes a falta de isenção e principalmente os que procuravam colocar a carreta diante dos bois, [aqueles que] antes de investigar, antes de conhecer exaustivamente os fatos, recomendavam logo o impeachment, inclusive fazendo vistas grossas para as outras áreas de corrupção gravíssimas que existem no país e que no fundo estão disputando a sua continuidade no poder ou a sua ida para o poder.”

Em 1994, fiz campanha ainda mais apaixonado: o vice de Brizola era Darcy Ribeiro, e até hoje me emociono só de pensar na possibilidade que deixamos de viver, tendo Brizola como Presidente e Darcy como vice.

Em 1998 também votei em Brizola, mas como vice de Lula – embora pensasse, na época, que deveria ser o contrário. Mas foi só mais um gesto de grandeza desse que foi o maior homem público que o Brasil conheceu.

Em 16 de setembro de 2000 fiz um troço que me fez aproximar-me verdadeiramente do saudoso Brizola. Na cara da Rede Globo, na tela da Rede Globo, durante campanha para a Prefeitura do Rio de Janeiro gritei seu nome, ao vivo, para desespero do Roberto Talma, que dirigia o programa (aqui conto tudo).

Se não posso dizer que desfrutamos de intenso convívio ou mesmo de amizade, encho o peito de orgulho porque estivemos juntos muitas vezes (sempre a convite dele) e em todas as vezes – todas! – em algum momento ele me chamava à uma roda de amigos e correligionários. E dizia:

– Eduardo! Conte aquele teu episódio colossal na Rede Globo!

A foto abaixo foi tirada na casa do Martinho da Vila, nosso último encontro. Éramos poucos: eu, minha mulher à época, Martinho da Vila e Cléo, Martnália e Analimar, Paulinho da Aba, Beth Carvalho, Lupi, Brizola e seus dois netos, Leonel Brizola e Brizola Neto, o Carlito. Martinho e Cléo ofereceram um jantar ao Brizola porque o sonho da Cléo, gaúcha como ele, era não apenas conhecer Brizola, mas vê-lo assinar a Carta Testamento de Getúlio Vargas que ela pretendia emoldurar e pôr na parede. Foi uma noite de nunca mais esquecer.

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Brizola estava à vontade. Comeu (serviu-se picanha), bebeu vinho, cantou quando formou-se a roda de samba (a memória me trai e não me recordo dos demais músicos, além do Paulinho da Aba), contou histórias impressionantes, falou do suicídio de Getúlio Vargas, sobre a Cadeia da Legalidade, de suas campanhas, de sua infância, marejou os olhos quando falou dos CIEPs… e pediu pra cantar quando estava indo embora, alta madrugada:

“Felicidade, vou me embora e a saudade no meu peito ainda mora e é por isso que eu gosto lá de fora onde sei que a falsidade não vigora…”

Não houve quem não chorasse.

Como choro agora – faço a confissão.

Sinto muita saudade do meu eterno e saudoso Governador Leonel de Moura Brizola nesse momento sombrio que atravessamos.

E muita esperança.

De mãos dadas com a mulher com quem divido mais que a vida – sonhos, projetos, um futuro – espero o domingo com esse travo no peito.

Até.

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BRIZOLA, JULGADO MORTO PELA VEJA EM 68

Em 12/07/2013 o Diário do centro do mundo publicou matéria de Kiko Nogueira – aqui – dando conta da descoberta que fiz sobre o processo, movido pelo Ministério Público, movido contra uma funcionária da Receita Federal que teria dado sumiço no processo que apurava e cobrava mais de 600 milhões de reais em impostos sonegados pela GLOBOPAR, empresa-camarilha que envolve a Rede Globo de Televisão, que deveria ser julgada por crime contínuo de lesa-pátria desde sua fundação.

No dia seguinte, 13/07/2013, o Diário do centro do mundo publicou texto que publiquei, originariamente, aqui, no próprio Buteco do Edu, que atingiu, no dia 12/07, sexta-feira, por conta das incontáveis replicadas que o texto do Kiko Nogueira ganhou web afora, seu recorde de visitas num só dia.

Este texto do dia 13/07 – Contra a Globo? Tudo! – fez com que eu recebesse centenas de e-mails de gente de todos os cantos do Brasil manifestando seu sentimento de profunda admiração e respeito por Leonel de Moura Brizola, meu eterno e saudoso Governador do Estado do Rio de Janeiro. Os 30 comentários deixados no blog dando bem a conta da importância que Brizola teve para o Brasil e para os brasileiros, e dão bem a dimensão do mito em que se transformou quando nos deixou (se bem que, a bem da verdade, Brizola mitificou-se em vida!). E isso – faço a confissão pública – me deu vontade de expôr, um pouco mais, o nome de Leonel Brizola. Mais que isso: de mostrar o quanto Brizola foi perseguido, vilipendiado, vítima de campanhas difamatórias, sórdidas, de uma implacável campanha que visou, sem sucesso, apagar seu nome da História do Brasil – ou de marcá-lo como um fracassado, adjetivo que é a antítese da síntese de sua trajetória.

Daí lembrei que em 20/09/2010 publiquei As capas da revista Veja, aqui. Em 23/09/2010, publiquei Veja contra Brizola em 1982, aqui. E em 27/09/2010, no último texto dessa pequena trilogia exibindo a vilania da revista Veja contra Leonel Brizola, publiquei Mais previsões da Veja contra Brizola, aqui.

A edição é de 23 de outubro de 1968. O editor, Victor Civita, morto em 1990, anuncia a matéria da página 14, tomem nota:

“Nossos repórteres trabalharam durante tôda a semana para mostrar o ‘terrorismo’ brasileiro, que vem crescendo – e tanto nos preocupa.”

E quem é destaque na tal matéria?

Ele, claro, Leonel de Moura Brizola.

Em destaque, Leonel Brizola é apresentado como “o terror que vem de fora tem a forma da intriga”.

E vejam o que disse, a até hoje inconcebível revista Veja, sobre Leonel Brizola. Alguns pontos:

“Depois de ter a sua falência decretada em suas duas primeiras vidas (como líder popular no Brasil e revolucionário no exílio), deixa o tempo passar, buscando uma oportunidade de viver pela terceira vez.”

“Hoje sua mensagem é pouco mais que nada.”

“Brizola político morreu, cassado pela Revolução; Brizola revolucionário parece ter se suicidado.”

Abaixo, a imagem da página 18 da edição de 23/10/1968 da Veja. Clicando sobre a imagem, você poderá lê-la com mais nitidez.

veja de 23 de outubro de 1968

Brizola morreu quase 40 anos depois da decretação de sua morte política por essa revista, que nem fazendo previsão presta, fazendo política – o que jamais deixou de fazer! – e deixando um legado para o Brasil e para os brasileiros que jamais será esquecido.

Até.

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CONTRA A GLOBO? TUDO!

Assim que começaram a pipocar as primeiras notícias após eu ter descoberto a ação penal movida perante a Justiça Federal do Estado do Rio de Janeiro pelo Ministério Público contra a funcionária que sumira com os autos do processo que envolvia a Receita Federal do Brasil e a GLOBOPAR – que autuava a empresa por sonegação de impostos que, à época, somavam cerca de 600 milhões de reais – tratei logo de, dotado de justificado orgulho, contar a novidade a meu pai, por e-mail. A resposta veio em tom de reprimenda (e como seu preciso do início ao fim, reproduzirei sua sintética resposta exatamente da forma como me chegou, às 14h34min do dia 09 de julho próximo passado):

“Cara , onde voce está se metendo ………….”

Venho ao blog, hoje, não apenas por conta da repercussão absurda que ganhou a matéria publicada no Diário do centro do mundo – clicando na foto abaixo você será direcionado para ela -, o que me dá vontade de dar alguma espécie de satisfação a tanta gente que está me mandando e-mail me dando parabéns pela “coragem”, é o que mais tenho lido, mas para responder a meu pai (ou a mim mesmo, esse blog sempre funcionou perfeitamente como uma espécie de divã eletrônico).

diariodocentrodomundo

Onde estou me metendo, afinal? – e acho que a pergunta nem é cabível.

Estou exercendo um direito que é meu e é inalienável: o de me informar, e a Rede Globo de Televisão, o jornal O Globo, toda e qualquer empresa desse cogumelo de poder, desde que foi criada (com o mesmo dinheiro americano que financiou a ditadura militar no Brasil, mantida e adulada pela Vênus Platinada), esmera-se dia e noite no extremo oposto: sonega (opa!) informação, distorce os fatos, mente, manipula, lobotomiza.

Quando conversei com o Kiko Nogueira, do DCM, contei a ele sobre meu brizolismo. Eu tinha 12, 13 anos de idade – pensem nisso, em 1981/1982! – e a figura de Leonel Brizola, desde a primeira vez que o vi, impactou-me de tal forma que eu ia, quase-escondido, à Cinelândia para ver seus comícios, para estar perto da Brizolândia, espaço sagrado para eleitores e simpatizantes do velho caudilho, ao lado da Câmara dos Vereadores. E eu ia escondido porque, além de ser um pirralho, em casa meus avós, minha bisavó, meus pais – até – não tinham lá simpatia pelo homem a quem chamavam, freqüentemente, de “agitador”. Pois eu gostava era daquele agito!

Lembro-me, ainda moleque, de ouvir o Brizola dizer num comício: “Quando vocês tiverem dúvidas quanto a que posição tomar diante de qualquer situação, atentem… Se a Rede Globo for a favor, somos contra. Se for contra, somos a favor!”.

Vi Brizola passar como um trator por cima de seus adversários na eleição de 1982 para o Governo do Estado do Rio de Janeiro, quando ele era considerado “candidato sem chances do PDT ao Palácio Guanabara” – leiam aqui Veja contra Brizola em 1982, interessante pesquisa sobre a maneira como a imprensa tratava (e como sempre tratou!) o maior dos homens públicos brasileiros. E quando venceu, veio à tona um golpe sórdido, descoberto a tempo, engendrado pela Rede Globo, que tentava roubar votos de Brizola para tirar de suas mãos a vitória consagradora e acachapante.

Acompanhava, extasiado – e mais à frente pude ver como não era mero deslumbre -, sua atuação como Governador do Rio de Janeiro: cercado dos melhores homens, Brizola revolucionou a relação da polícia com a população pobre, marginalizada, das favelas. De seu absoluto e irrestrito respeito aos Direitos Humanos e às garantias fundamentais – “se a polícia não dá botinada na porta de cobertura na Vieira Souto, não será em porta de barraco que vai dar” – é que nasceu a sórdida mentira, adulada pela Rede Globo, de que Brizola era conivente com o crime organizado. Seu projeto educacional, os CIEPs, que seriam depois destruídos por Moreira Franco, foi mais uma de suas obras que para sempre ficarão na memória do povo do Rio de Janeiro. Nilo Batista, Darcy Ribeiro, Abdias do Nascimento, Oscar Niemeyer, alguns dos nomes que compunham a linha de frente de seu governo. E isso diz tudo.

Ingressei na faculdade de Direito em 1987 e em 1989 fui um dos poucos alunos a fazer ferrenha campanha por sua eleição para Presidente da República – a esquerda, na PUC/RJ, se dividia entre Lula e Roberto Freire. Foi meu primeiro voto em Leonel Brizola!

Tornei a vê-lo Governador do Rio de Janeiro em 1991, tendo vencido as eleições em 1990 – e foi meu segundo voto em Leonel Brizola, em que votei outras tantas vezes.

Em 2000, deu-se o episódio que contei aqui, no texto Faz um 12, Brizola! – e foi a partir daí que conheci, pessoalmente, o velho Leonel.

Nunca – nunca! – me esquecerei de nossa primeira (de muitas) conversa pessoalmente, na sede do PDT, na rua Sete de Setembro, no Centro.

Brizola queria porque queria que eu me filiasse ao PDT. Repetiu, algumas vezes: “Te filia ao PDT, eu abono tua ficha!”, e ficava repetindo – e eu admiradíssimo, diante dele – que era preciso que alguém com tamanha coragem ingressasse na vida pública. Porque ele achou admirável (usou mesmo essa palavra!) o que eu fiz, ao vivo, na Rede Globo. Hoje, confesso, me arrependo tremendamente: não porque eu fosse seguir carreira na política, mas porque eu teria, ao menos, essa relíquia, a ficha de filiação abonada por ele.

Em 2004, a morte levou Brizola – jamais seus ideais.

E eu quero lhes fazer uma última confissão: muitas vezes, em muitas ocasiões, em comícios, em rápidas aparições na sede do PDT, em caminhadas durante as campanhas, cantei junto com Brizola – e com o povo! – o hino que ele mais gostava…

“Brava gente brasileira!
Longe vá… temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.”

Em quase todas as vezes – como no dia de seu comovente velório, no Palácio Guanabara – chorei quieto vendo aquele homem, um brasileiro maiúsculo, honrado, vilipendiado a vida inteira pela Rede Globo, cantando esses versos com brilhos nos olhos, com gana, com um amor pelo Brasil que não vi, nunca mais, nos olhos de nenhum de nossos homens públicos.

Pois quando eu disse ao Kiko Nogueira, já no final do nosso papo, que eu não quero mudar o mundo, que eu só quero fazer um barulhinho, foi por conta dessas constatações que a gente vai acumulando com o tempo: eu queria muito mudar o mundo, mas sozinho não posso; eu quero viver minha vida sem grandes ambições, a mesma vida “simples e digna que todos os trabalhadores brasileiros deveriam ter”, como disse meu irmão e meu compadre, Luiz Antonio Simas, aqui; mas sempre que puder – como foi agora, nesse caso – vou fazer das minhas, lutando contra o dragão, para honrar tudo aquilo que aprendi com ele, Leonel de Moura Brizola.

Se eu tenho medo?, outra pergunta que o Kiko me fez. Não.

Tudo o que sempre fiz (pouco, perto do que eu gostaria) e que sempre farei para expôr as vísceras podres desse império que destrói o Brasil desde 26 de abril de 1965, será sempre dentro da legalidade – outra lição que tomei com Brizola.

Por mim, meu último registro a seu lado – e nesse dia, na casa do Martinho da Vila, cantamos o Hino da Independência, pouco depois de Brizola – o próprio! – cantar, sozinho, acompanhado pelos músicos que lá estavam, Felicidade, de Lupicínio Rodrigues. Uma noite de não se esquecer.

Made with Repix (http://repix.it)

Até.

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JORNAL NACIONAL, UM DESSERVIÇO AO BRASIL

Não assisti, em defesa de minha saúde, o Jornal Nacional da noite de ontem, apresentado por esse sujeito que envergonha a profissão do jornalista, o apresentador do telejornal da TV Globo, William Bonner (o mesmo que, noutra ocasião, numa cena patética, forçou o choro ao anunciar a morte de seu patrão, Roberto Marinho, um dos homens que mais mal fez ao Brasil). Acompanhei, entretanto, pelo twitter, a reação dos meus diante do que foi considerado uma das maiores manipulações desta TV Globo, tão afeita a este método desde que foi fundada de forma já bastante elucidada, criada para ser instrumento de dominação midiática, de alienação, de desinformação, de desserviço.

Assisti, sim, aos minutos finais (curioso diante de tantas manifestações de revolta no microblog). Supostamente noticiando o final da primeira etapa do julgamento da Ação Penal que vem sendo chamada de “julgamento do mensalão”, valeu-se a Rede Globo de música de suspense ao fundo, congelamento de imagens pré-selecionadas, transcrição de frases supostamente impactantes proferidas pelos Ministros do STF (foi curioso perceber que nenhum dos Ministros que absolveram grande parte dos réus teve sequer ao menos uma fala reproduzida!), tudo anunciado por um casal de apresentadores que forjama expressões de revolta e de indignação. Um nojo!

Não fossem transmitidos pela TV os julgamentos do STF (e eu sou rigorosamente contra a transmissão, sempre fui!) e o resultado desse julgamento a que me refiro teria sido outro. A espetacularização de uma sessão solene de julgamento por membros da mais alta Corte do Poder Judiciário é, em tudo, contrária à formalidade, serenidade e discrição que a atuação de um julgador exige.

Não é sobre o julgamento, seu resultado, suas conseqüências que quero falar. Quero falar sobre a podridão da Rede Globo, cogumelo de poder que Leonel de Moura Brizola, em 1989, durante a campanha para a Presidência da República, prometia “implodir com apenas uma canetada”. E faria isso, sem dúvida, o corajoso Brizola, o único homem temido pela Rede Globo.

Reproduzo, abaixo, na íntegra, o texto do direito de resposta (caso único na história da televisão brasileira!) que Leonel Brizola obteve após anos de intensa batalha jurídica nos tribunais, lido pela voz de Cid Moreira (o William Bonner da época). Recomendo que vocês releiam, adaptem para os dias de hoje as frases em negrito, a fim de que emerja novamente a autoridade do homem público que mais falta faz ao Brasil.

“Em cumprimento à sentença do juiz de Direito da 18ª Vara Criminal da Cidade do Rio de Janeiro, em ação de direito de resposta movida contra a TV Globo, passamos a transmitir a nota de resposta do sr. Leonel de Moura Brizola.

Todos sabem que eu, Leonel Brizola, só posso ocupar espaço na Globo quando amparado pela Justiça. Aqui citam o meu nome para ser intrigado, desmerecido e achincalhado, perante o povo brasileiro. Quinta-feira, neste mesmo Jornal Nacional, a pretexto de citar editorial de ‘O Globo’, fui acusado na minha honra e, pior, apontado como alguém de mente senil. Ora, tenho 70 anos, 16 a menos que meu difamador, Roberto Marinho, que tem 86 anos. Se é esse o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que os use para si. Não reconheço à Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e basta para isso olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de 20 anos, que dominou o nosso país.

Todos sabem que critico há muito tempo a TV Globo, seu poder imperial e suas manipulações. Mas a ira da Globo, que se manifestou na quinta-feira, não tem nenhuma relação com posições éticas ou de princípios. É apenas o temor de perder o negócio bilionário, que para ela representa a transmissão do Carnaval. Dinheiro, acima de tudo.

Em 83, quando construí a passarela, a Globo sabotou, boicotou, não quis transmitir e tentou inviabilizar de todas as formas o ponto alto do Carnaval carioca.

Também aí não tem autoridade moral para questionar-me. E mais, reagi contra a Globo em defesa do Estado do Rio de Janeiro que por duas vezes, contra a vontade da Globo, elegeu-me como seu representante maior.

E isso é que não perdoarão nunca. Até mesmo a pesquisa mostrada na quinta-feira revela como tudo na Globo é tendencioso e manipulado. Ninguém questiona o direito da Globo mostrar os problemas da cidade. Seria antes um dever para qualquer órgão de imprensa, dever que a Globo jamais cumpriu quando se encontravam no Palácio Guanabara governantes de sua predileção.

Quando ela diz que denuncia os maus administradores deveria dizer, sim, que ataca e tenta desmoralizar os homens públicos que não se vergam diante do seu poder.

Se eu tivesse as pretensões eleitoreiras, de que tentam me acusar, não estaria aqui lutando contra um gigante como a Rede Globo.

Faço-o porque não cheguei aos 70 anos de idade para ser um acomodado. Quando me insulta por nossas relações de cooperação administrativa com o Governo Federal, a Globo remorde-se de inveja e rancor e só vê nisso bajulação e servilismo. É compreensível: quem sempre viveu de concessões e favores do Poder Público não é capaz de ver nos outros senão os vícios que carrega em si mesmo.

Que o povo brasileiro faça o seu julgamento e na sua consciência lúcida e honrada separe os que são dignos e coerentes daqueles que sempre foram servis, gananciosos e interesseiros.

Assina Leonel Brizola.”

Diante da iminência de ver fracassado o plano podre, com ares de golpe, que envolveu visivelmente os jornalões, a TV Globo, o STF (é triste e revoltante ver o Ministro Joaquim Barbosa, na sessão de hoje, pedindo pressa [pressa!!!!!] a seus pares no momento dos votos visando a dosimetria das penas dos condenados, querendo atender ao roteiro estabelecido para que tudo esteja terminado antes das eleições de domingo…), restou à Rede Globo o papel podre da noite de ontem (e teremos mais hoje, teremos mais na sexta, no sábado…). Teme, indubitavelmente, perder o negócio bilionário que mantêm com o tucanato no Estado de São Paulo que se vê prestes a eleger, como Prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad, do PT.

E também porque não tolera, a elite podre brasileira, a mudança efetiva – e para sempre! – que Lula e o PT trouxeram para o povo brasileiro, que há de ser lúcido e honrado, no domingo, elegendo seus representantes nas cidades em que haverá segundo turno.

Ontem, mais que nunca, gritei em pensamento: RESSUSCITA, BRIZOLA!

Se você ainda não viu o vídeo com o direito de resposta acima transcrito, assista-o aqui.

Até.

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FAZ UM 12, BRIZOLA!!!!!

No dia 18 de agosto de 2006 expus, aqui, o vídeo no qual apareço gritando “Faz um 12, Brizola!”, ao vivo, na TV Globo, durante a final de um dos festivais de música promovidos pela Vênus Platinada. Ontem, depois de descobrir a conta no twitter de Serginho Groisman e Renata Ceribelli – os dois jornalistas que trabalhavam naquela noite de 16 de setembro de 2000, há quase 11 anos! -, expus novamente o meu feito na grande rede, e deu-se a bulha. Muita gente repicando o vídeo, muita gente me dando os parabéns pela coragem, muita gente achando muita graça e me perguntando sobre os detalhes que envolveram a ação que ganhou contornos de subversão (o que muito me orgulha, diga-se).Como eu sou preciso do início ao fim, vamos aos detalhes do troço.

Corria, como já lhes disse, o ano 2000. E é preciso contextualizar para que tudo ganhe os contornos de emoção que a noite teve.

Em 2000 eu e Moacyr Luz, que faz anos hoje, éramos quase-siameses (digo “éramos” porque não trocamos mais palavra). E o Moacyr, que concorrera com o samba “Eu só quero beber água”, chegara à grande final, em São Paulo, que aconteceria no Credicard Hall. Na época, um de nossos bunkers era o Bar da Dona Maria, hoje um triste arremedo de botequim na rua Garibaldi, na Tijuca, onde morava o Moacyr (no mesmo prédio onde até hoje mora Aldir Blanc). Pois o povo do Bar da Dona Maria armou animadíssima torcida pra comparecer, em peso, à finalíssima. Mandamos fazer camisas com o nome do samba, pintamos faixas, cartazes, o escambau a quatro.

Sigamos contextualizando: corria o ano 2000 e meu saudoso e eterno governador, Leonel de Moura Brizola, era candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro. Mantendo uma tradição, a sambista Beth Carvalho emprestou a voz para o principal jingle da campanha: “Faz um 12 aí! Faz um 12 aí! Com Brizola o Rio vai voltar a sorrir!”.

Em 2000, Brizola ainda era um palavrão segundo os manuais de redação da TV Globo. Seu nome era proibido, vetado, terminantemente censurado. E quem – vão tomando nota dos desenhos… – era a cantora convidada para fazer o show de encerramento do festival da Globo? Ela, Beth Carvalho. O convite, é claro, havia sido feito antes de deflagrada a campanha eleitoral, antes da voz inconfundível da Beth ecoar, aos quatro ventos, nas TVs, nas rádios, nas ruas, exaltando a candidatura de Leonel Brizola.

O que fez a TV Globo? Desconvidou Beth Carvalho e em seu lugar chamou o também sambista Jorge Aragão. Prova disso, como se não bastasse o telefonema que recebi da cantora, era o convite para o festival. Constava lá: show de encerramento com Beth Carvalho. E sobre o nome da Beth, um carimbo, vermelho, onde se lia: Jorge Aragão.

Quando a Beth me ligou – brizolista roxa! – indignada, eu disse num sem-pulo:

– Querida, fica tranqüila. Eu vou te vingar! – e mais não disse.

Confesso a vocês, quase 11 anos depois, que eu não tinha a menor idéia do que faria: mas eu faria alguma coisa (e os que bem me conhecem podem atestar como se dá, em mim, essa centelha).

Parti na véspera levando na bagagem um boné vermelho com o nome Brizola em letras brancas, enormes. E disse, de mim para mim:

– Vou levar dobrado no bolso da calça. Lá eu vejo o que faço.

Houve um encontro, no Pirajá, horas antes do festival, já em São Paulo, é claro. Só duas pessoas sabiam, àquela altura, de minhas intenções: minha menina e meu irmãozinho, Fernando Szegeri. Mas nem eu mesmo sabia, ainda, o que é que eu aprontaria. Mas eu aprontaria!

Partimos pro Credicard Hall. Teve início o festival, transmitido ao vivo para todo o Brasil. Percebi que durante os intervalos o apresentador Serginho Groisman chamava a repórter Renata Ceribelli, no meio da platéia, para entrevistar a assistência. Num desses intervalos, a abordei:

– Eu vim do Rio… Posso falar?

E ela:

– Pode! Pode! Fica aqui, fica aqui… Daqui a pouco eu entro!

E foi, num átimo, que a idéia me veio à cabeça. Ao se dirigir a mim, a repórter, eu meteria o boné na cabeça e daria o grito de guerra:

– Faz um 12, Brizola!

E assim foi.

Atentem para a dinâmica dos fatos:

01) segundos após meu grito estrilou meu celular. E eu só ouvia as gargalhadas da minha querida Beth Carvalho;

02) fui cercado, logo depois, por 8 seguranças, todos de terno, que diziam coisas como “fora daqui”, “vem conosco, vamos dar uma volta lá fora”, e eu resistindo. Um deles, pelo rádio, gritou “o Talma quer esse cara fora do teatro!”, por aí;

03) estrila de novo meu celular. É meu pai, aflito: “Você enlouqueceu? Já são mais de cinco minutos de comerciais, eles pararam a transmissão do festival! O que está acontecendo?”;

04) minha menina pula, como um coala, na minha cintura e começa: “Ninguém toca nele, ninguém toca nele!”, a essa altura os caras já estavam me empurrando pro lado de fora. Chegam Fernando Szegeri e Marcus Gramegna, amigo de São Paulo, o bravo Marcão, ambos advogados, e passam a exigir uma explicação para aquela truculência;

05) um homem, mais velho, apresentou-se como o Chefe da Segurança e me perguntou, calmamente, o que eu havia feito. Exibi o boné e disse: “Gritei o nome do Brizola com esse boné na cabeça. Eis minha arma, eis meu crime…”. O homem riu, disfaraçadamente, e disse: “Você não fez isso… diz que não fez…”, e passou a negociar uma saída pacífica;

06) eu soube, tempos depois, que o Moacyr Luz, que entraria em seguida no palco, estava sendo abordado, também por seguranças, na coxia, já que eu vestia a camisa com o nome de seu samba. Queriam saber, a todo custo, quem eu era, onde morava, detalhes;

07) uns minutos mais tarde, graças à intervenção do Chefe da Segurança, graças à atuação do Szegeri e do Marcão, e de minha menina, chegamos a um consenso: nós continuaríamos no teatro, afastados da platéia, numa espécie de camarote vip. E vigiados de perto. A cada ida minha ao banheiro, lá iam dois, três seguranças!;

08) terminado o festival o Chefe da Segurança me pediu, encarecidamente, que eu lhe entregasse o boné “para perícia”. Ri tanto daquilo que não me opus;

09) voltamos todos ao Pirajá. E o Moacyr Luz não me dirigiu palavra, atribuindo a mim sua derrota.

No domingo seguinte, a revista Veja exibiu minha imagem com a frase: “Eduardo Goldenberg, advogado carioca, no auditório do Credicard Hall durante a final do festival de MPB da Globo, colocando a repórter Renata Ceribelli numa saia-justa”. Tal texto foi escrito por um jornalista amigo meu, razão pela qual meu nome aparecia na matéria (abaixo).

Quando eu cheguei de volta ao Rio, a página do PDT na internet exibia o vídeo com uma tarja enorme: “Deu 12 na Globo”, e seguia um texto exaltando um “homem que pôs o nome de Brizola, depois de anos de censura, no horário nobre da TV Globo”. Escrevi para o partido. Identifiquei-me. Disse que minha imagem estava à disposição da candidatura de Brizola. E isso me rendeu um telefonema, que durou 40 minutos, do próprio, poucas horas depois do envio da mensagem.

Dali em diante, sempre que eu encontrava Brizola (e nosso último encontro foi em 2002 na casa do Martinho da Vila, como lhes contei aqui), ele fazia referência ao episódio.

Eu tenho um orgulho danado de ter feito o que fiz. Era o que eu queria lhes contar.

Até.

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MAIS PREVISÕES DA VEJA SOBRE BRIZOLA

E prossigo hoje exibindo a performance da VEJA, um dos mais atuantes órgãos de imprensa a serviço dos poderosos. Aqui, fiz um vasto levantamento do papelão que a revista fez no ano de 1982 durante a campanha e a cobertura das eleições diretas para governadores daquele ano, com foco em Leonel Brizola, massacrado e perseguido pela revista, dado como “sem chances” de chegar à vitória. Hoje, encontrei outro desses tesouros que desmascaram a revista. Notem a capa da edição de julho de 1981. Ela trata das primeiras pesquisas para as eleições do ano seguinte.

Abaixo, foto da mesma edição mostra Miguel Arraes e Leonel Brizola. Atentem para a legenda:

“Leonel Brizola e Miguel Arraes: esmagados pelo peso do eleitorado jovem”

E mantendo sua tradição de prognósticos furadíssimos, notem trecho da matéria, em destaque, com destaque para o seguinte vaticínio:

“O PDT e seu chefe podem morrer já no primeiro teste.”

Como todos sabem, no ano seguinte, em 1982, o dado como morto Leonel de Moura Brizola, contra tudo e contra todos, elegeu-se governador do Estado do Rio de Janeiro. Morta, há muito anos, e claudicante, está a revista VEJA.

Até.

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