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SALVE, JÚNIOR!

No dia 25 do mês passado, quando o quadragenário Rodrigo Ferrari comemorou, é óbvio, quarenta anos, na festa pública que houve na rua do Ouvidor – como lhes contei aqui – um dos presentes me fez, em questão de segundos, voltar a ter nove anos de idade, vestindo calças curtas e camisa de malha listrada, sandália de dedo e olhos brilhando.

Pausa: eu disse festa pública porque houve, no dia 28, dia exato de seu nascimento, a festa privada, mais fechada que cabaço de Honório Gurgel, para uns poucos eleitos, não mais que vinte. Eu poderia, aqui, dar o nome de um por um, mas o próprio Digão me fez o apelo quando despedimo-nos naquela noite chuvosa de terça-feira:

– Edu… Não conte nada sobre essa festa, ok? Não quero magoar a quem não chamei…

E pra rimar, eu gritei no corredor de mármore, fazendo eco:

– OK!

Dito isso, em frente.

Eu dizia que um dos presentes me arremessou, numa guinada, num tranco, em direção ao passado. E refiro-me a uma pessoa presente, e não a um simples presente que o aniversariante teria recebido. Preciso fazer nova pausa já que falei em presente.

Disse-me o Digão, muxoxando, no domingo, dia seguinte ao da festa pública:

– Ganhei pouquíssimos presentes…

E eu:

– É?

– Muita gente com aquele papinho “a lembrancinha vem depois”… Muita gente que me prometeu coisas e não cumpriu…

Ele chegou a me dar os nomes… Mas não os revelarei, é claro, já que sou um poço de discrição.

Enfim, o drama de sempre, conforme eu já havia dito aqui, quando comemorei meu aniversário.

O presente a que me refiro, atende pelo nome de Leovegildo Lins da Gama Júnior. Sim, ele mesmo. O Júnior. Figura fácil pela cidade, já o encontrei na praia, já o encontrei no Maracanã, já o encontrei em diversas rodas de samba pelo Rio, mas nunca – eis o mistério da fé – o impacto foi tão grande quanto naquela tarde.

Seria a emoção que já me causava a passagem dos quarenta anos do poço artesiano de doçura? Seria o cenário, seria o fato de estarmos ali, naquele canto sagrado da cidade, onde mora o verdadeiro axé do Rio de Janeiro? Não sei. Ainda agora, dias depois, não sei.

Sei apenas que bati os olhos no cara e voltei às cadeiras azuis do Maracanã numa tarde de 1978. Segurei firme nas mãos da minha garota – e naquele longínquo 1978 eram as mãos de meu pai que me davam a segurança de que eu precisava – e disse, já de olhos cheios d´água:

– Quero ir falar com ele… – e apontei.

A Sorriso Maracanã, que me conhece como poucos, disse sorrindo:

– Vai lá, meu amor…

E matou-me quando completou, sacando que eu, sozinho, faria merdas olímpicas:

– Eu vou com você…

Notem que o Felipinho Cereal, de posse de sua câmera, foi um craque. Sacou o lance e flagrou o momento em que o Júnior, craque eterno do mais-querido, responsável por lances e conquistas cravadas em mim, inabaláveis e indestrutíveis, com um sorriso, uma paciência e um carinho que só os ídolos têm, consola o menino de olhos cheios d´água que foi até ele apenas para agradecer.

Eduardo Goldenberg e Junior, rua do Ouvidor, 25 de agosto de 2007

Não pela fotografia que minha Dani tirou de nós, segundos antes, ela que aparece ao fundo, entre nós dois.

Mas por tudo.

Até.

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Arquivado em futebol, Rio de Janeiro