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CENAS TIJUCANAS

Reuniu-se ontem, desde o começo da manhã, uma turma que vou lhes contar. Feita a feira, fomos ao Bar do Chico, eu e Luiz Antonio Simas. Aos poucos a mesa foi crescendo, e vieram Felipe Quintas (El Pipo) – ansiosíssimo com a disputa pelo terceiro lugar na Copa das Confederações entre Espanha, seu país do coração, e África do Sul, do nosso bravo Joel Santana), e meu cunhado, Marcelo, que veio de Guarulhos pra conhecer a esquina, e Carlos Andreazza (egresso do jogo que sagrou o Flamengo bicampeão brasileiro de basquete), e José Sergio Rocha, e nosso xerife, o Flavinho com sua Betinha, e mais e mais e mais e mais (ando discretíssimo, não há razão para lhes contar tudo).

O que quero lhe contar é que assistíamos ao Brasil e Estados Unidos pela final da Copa das Confederações na menor TV da cidade (peço o testemunho dos presentes). Na contramão da moda que pede televisões de LCD gigantescas (as mais humildes biroscas têm dessas televisões), o Bar do Chico mantém pendurada no teto uma 14 polegadas com bombril na antena (o bombril foi trocado ontem, segundos antes do jogo, pelo próprio Chico).

O jogo foi aquela chatice, viramos o primeiro tempo perdendo de dois a zero mas a camisa canarinho (menosprezada por grande parte do time no final da partida que preferiu exibir ao mundo seu amor, sua devoção e sua fé em Jesus, deixando pra lá o orgulho de vestir a mais respeitada camisa do mundo) falou mais alto e vencemos por três a dois.

Pausa: independentemente das regras da FIFA, fosse eu dirigente da CBF e os jogadores seriam proibidos de exibir qualquer mensagem antes, durante e depois das partidas. Vivemos num país laico e essas demonstrações de cunho religioso (para não ter de me estender mais) são lamentáveis. Cada um que cuide de sua fé dentro de casa. Voltando.

O que queria lhes contar é apenas o seguinte: no instante em que o Brasil marca o terceiro gol, na cabeçada do Lúcio, vira-se um biriteiro que assistia ao jogo de pé, no balcão, e grita de braços abertos como um Cristo Redentor se dirigindo à Estátua da Liberdade (para delírio da assistência):

– The house is down!

Até.

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O STUDIUM, O PUNCTUM E O OVO COZIDO

Meu queridíssimo Bruno Ribeiro é tão exagerado e tão amigo dos amigos, que conseguiu elevar um tijucano humílimo, um fotógrafo mais-que-amador e rigorosamente despretensioso, à categoria de autor de pelo menos duas fotografias objetos de estudo. Vejam o que disse o malandro em seu BOTEQUIM DO BRUNO:

“Trata-se do balcão de uma esquina carioca. Chove canivete. E a chuva imóvel, ao fundo, parece emoldurar a cena, além de ser uma pintura. Se a chuva, originalmente, não tem esta cor alaranjada, deveria ter. À esquerda está o paulistano Fernando Szegeri; ao seu lado está o carioca Luiz Antonio Simas; e, na extrema direita, o jornalista Zé Sérgio Rocha (na segunda foto, suas mãos e o ovo). Sabemos que a máquina cristalizou um momento único, em que algo fundamental estava sendo discutido. Em verdade, cantado: o samba-enredo que Simas fez para o Salgueiro. Samba este que, se os orixás e os jurados assim quiserem, irá descer com a escola na Marquês de Sapucaí, no Carnaval do ano que vem. Eis o nosso studium.

Mas Barthes ficaria confuso, talvez, na hora de encontrar o punctum da foto. Pontos de fuga não faltam: pode ser tanto a barba amazônica do Szegeri quanto a careca do Simas. Eu diria que o grande ponto de fuga, no duro, é o ovo cozido na mão do Zé Sérgio. Em ambas as fotos. Os teóricos dirão que o Zé Sérgio, ou melhor, o ovo do Zé Sérgio, prejudica definitivamente o studium da imagem. “Se aquelas mãos, colocando uma pitada de sal naquele ovo, não aparecessem na segunda foto (ouço daqui os semiólogos dizerem), esta seria uma grande foto”. Eu digo, porém, que é justamente o ovo cozido nas mãos do Zé Sérgio Rocha que faz desta uma grande foto. O ovo dá o toque tijucano à obra-prima de Eduardo Goldenberg – é detalhe invasivo, tosco, alheio à emoção que a lente da máquina captura. O ovo acaba com qualquer tentativa de afrescalhar a análise sobre um simples bate-papo de buteco. O ovo, pois, é essencial para a compreensão não apenas da cena, mas da alma peculiar da Tijuca. Punctum, diria o Zé Sérgio, é o que se faz depois de comer o ovo…”

Leiam, na íntegra, aqui.

Até.

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MESA FORTE

Um sábado com direito a fortes emoções e fortíssima chuva adiando o fim da noite.

Marcelo Vidal, Fernando Szegeri, Isaac Goldenberg, Felipe Quintans (o Felipinho Cereal) e Luiz Antonio Simas, QUITANDA ABRONHENSE, na Tijuca, 27 de setembro de 2008, 15h29min
Fernando Szegeri, Fernando Goldenberg e Isaac Goldenberg, QUITANDA ABRONHENSE, na Tijuca, 27 de setembro de 2008, 15h43min
Fernando Szegeri e Felipe Quintans (o Felipinho Cereal), ESCONDIDINHO DA MATOSO, Tijuca, 27 de setembro de 2008, 17h03min
Fernando Szegeri, Luiz Antonio Simas e José Sergio Rocha, BAR DO CHICO, na Tijuca, 27 de setembro de 2008, 20h36min
Fernando Szegeri e Luiz Antonio Simas, BAR DO CHICO, na Tijuca, 27 de setembro de 2008, 20h36min

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O DEPOIMENTO DO ZÉ SERGIO

O texto À MODA DA TIJUCA, leia-o aqui, no qual eu conto como agi com duas sobrinhas amadas diante de uma babaquice olímpica imposta às meninas pelo colégio rendeu, até o momento, vinte e oito comentários. Nenhum tão significativo e tão no espírito da história que contei como o do meu queridíssimo José Sergio Rocha. Fala, :

“Tenho quase certeza de que sou um dos mais veteranos do grupo que está lhe dando os parabéns, com exceção do Isaac (porra, Isaac, é o animal do teu filho que te chama de mais velho, eu só estou chamando de veterano).

Por isso mesmo, estou ainda mais perplexo com essa porra toda que está acontecendo nos costumes. Por isso, não me surpreendem absurdos como este que foi comentado pelo Daniel A., aí mais pra cima.

Um dia, numa festinha de aniversário de criança, em Icaraí, há uns 10 anos, quase saí na porrada com a mãe e o babaca do padrinho de uma menina, por incentivarem a guria e os outros pivetes da festa a dançarem com a porra da garrafinha.

O próprio pai da menina, meu chapa, com quem eu tomava algumas na merda do plei, ficou sem fôlego quando viu a filha de uns cinco anos chegar fantasiada de Carla Peres, com shortinho cavado, bustiê, maquiadinha feito uma barbie. Quase teve um troço, mas não falou nada.

Eu é que não me aguentei e fiz um discurso contra aquela bosta.

Aí vieram o babaca do padrinho, a escrota da madrinha e a mais escrota de todas, a mãe, tentando me desqualificar, dizendo que eu estava velho e biritado. Porra, aí o tempo quase fechou. Chamei aqueles putos todos de idiotas, pedófilos enrustidos, o caralho a quatro.

Somente outro convidado da merda da festa, que o Edu conheceu por eu ter levado uma vez no Estephanio´s, é que entrou também na confusão. Saímos ou fomos convidados a sair, nem me lembro.

O meu outro chapa, pai da aniversariante, quase veio junto, mas a coisa estava feia demais. Quem mandou casar com uma imbecil daquelas e ainda por cima deixar que ela chamasse para padrinhos um casal de cuzões?

A “Pequena Miss Sunshine” lavou minha alma, mas isso foi dez anos depois. Puta que os pariu!”

Até.

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E NASCEU A CRIANÇA…

Terça-feira, dia 06 de dezembro, por volta das 18h, nasceu meu filhote. “Meu Lar é o Botequim” chegou às minhas mãos, em Niterói, muito mais bonito que eu imaginara no meu mais bonito sonho. Vamos ao dia de ontem, recheado, como vocês podem imaginar, de emoções as mais intensas.

Marquei de encontrar o biltre do Zé Sergio, mais conhecido como “Dinda” em razão das carradas de declarações que faz a mim, no Mercado São Pedro, do outro lado da poça. Tomei um ônibus pra Praça VX, o Catamarã pra Niterói, e de lá um táxi pro Mercado. Zé Sergio, também conhecido como “Velha Coroca”, alcunha de autoria do meu irmão Szegeri, me esperava como um desses bonecos infláveis de posto de gasolina, branindo os braços diante da entrada do Mercado:

– Vamos pra outro lugar! – gritou o Zé já entrando no banco de trás.

Tomamos o rumo do Caneco Gelado do Mário.

Algumas garrafas de Brahma e uma porção excepcional de polvo à vinagrete, e o Zé pega o celular. Passa o telefone pra mim (antes disso o Augusto, outro biltre olímpico, também ligou).

Era o Szegeri. Minha “madrinha”, orgulhosa, quis que falássemos, eu e o Szegeri, poucos instantes antes da chegada do livro, fresquinho, direto da gráfica. O Zé decretou:

– Vamos invadir a Casa Jorge! Não agüento mais esperar aqui!

Chegamos à editora. Antes de subirmos, passamos na padaria em frente e adquirimos (eu paguei, que o Zé ontem parecia um judeu ortodoxo das piadas de buteco) algumas latinhas de cerveja, uma garrafa de espumante e biscoitinhos salgados sortidos.

Marcia Silveira, minha doce editora, não escondeu o olhar de pânico quando nos viu.

– Mas o que vocês estão fazendo aqui, meu Deus?

O Zé, com a intimidade que só os cabelos brancos permitem, gargalhou, sentou-se à mesa, abriu a primeira latinha, pôs meia dúzia de biscoitos na boca, arrotou (como o velho Osório) e disse de boca cheia:

– Vamos esperar o livro!

Uma Marcia sem jeito:

– Mas eu acabei de mandar a gráfica entregar 300 livros na casa do Edu…

– Mas vai chegar aqui primeiro, não vai? – disse o Zé com a boca lotada.

– Vai, mas…

– Sem mas-mas… Vamos esperar!

Ficamos ali, naquele bebe e come, falando besteira, quando toca a campainha. Saltamos da cadeira, eu e o Zé, e atacamos como hunos o pobre rapaz da gráfica com dois pacotinhos na mão.

A Marcia:

– Mas, gente… Calma…

O Zé estava sentado sobre a barriga do Maurício abrindo com a boca um dos pacotes. Jogou um livro em minha direção.

Saí, de fininho, com o livro nas mãos, e fui chorar na recepção da editora.

Vem o Zé, em poucos minutos.

– Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh… chorando… coisinha de viado… – disse o Zé.

O Zé disse isso e em segundos chorava de esguichar.

A Marcia tirando um sarro da cara dele:

– Ué, Zé… Não é coisinha de viado?

O Zé, que me deu um abraço de tamanduá, dizia:

– Mas tá lindo o livro do menino… – e chorava mais.

Pegou o celular, o Zé, de novo, e ligou pro Szegeri.

Entre taças de espumante e farelos de biscoito, pusemos o Szegeri, coitado, pra falar com a Marcia, com o Maurício, e ficamos ali, brindando e festejando o nascimento da criança.

De lá fui bebemorar com Flavinho e Betinha, no Picote, no Flamengo. Dei breve esticada no Bar Getúlio, onde bebi a última da noite com o Baiano, a quem intimei para o lançamento, na próxima segunda-feira, às 20h, no Estephanio´s, onde quero ver todo mundo.

Até.

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HOJE É DIA DE BETINHA

Ergo hoje, do Buteco, o copo à saúde dessa mulher mais-que-querida, musa de um de meus irmãos, companheira de um confrade, dona de uma boniteza boa de se ver, de uma doçura que pescam aqueles que têm olhos de ver (mas capaz também de deixar o Katrina parecer brisa), companhia das melhores nas mesas dos bares, anfitriã de mão cheia, à Betinha, que hoje faz aniversário.

A Betinha, de longe uma das minhas preferidas, lê com a mesma voracidade com que bebe, bebe com a mesma voracidade com que ama os seus, e ama com a generosidade com que só os grandes seres humanos amam. Beijo, minha querida!

Como ergo o copo, também, à arte do encontro. Foi especialmente bom receber meu irmão Szegeri (que tem a Betinha como musa) e sua companheira, a doce Stê, por quatro dias em casa, depois de uma viagem de três semanas por Minas Gerais.

E, ainda, ergo o copo à minha madrinha, que ganhei depois de mais de 30 anos de vida (bem mais, estou sendo modesto).

Vou explicar.

Fomos sábado eu, Dani, Szegeri e Stê ao Candongueiro.

Conosco, à mesa, Zé Sérgio.

Papo vai, papo vem, o samba nem tinha ainda começado, cerveja que desce, cachaça que sobe, e o Zé Sérgio, num transe, numa catarse inexplicável, espancando a mesa e gritando em minha direção, o indicador quase espetado no meu protuberante nariz: “Eu tô cansado de fraude, porra! Tô cansado! E você, Edu… Preste atenção, Szegeri!, preste atenção, Stefânia!, preste atenção, Dani!, você não é uma fraude, porra! (soquinhos ritmados na mesa) Você é brilhante! (levanta-se e tasca um beijo na minha testa) Você, Edu, você… eu te descobri, porra! (eu por dentro… porra, vão dizer que eu tô comendo esse cara…)… Brilhante, brilhante, garoto! Você é brilhante!”.

E tome de elogio.

Foi a Dani quem cravou-lhe o apelido: “Bem, diante dessa performance espetacular, Zé, depois dessa rasgação de seda, depois dessa puxada violenta de saco, digna de uma madrinha orgulhosa… só vou te chamar assim, agora… Zé Dinda”.

Ergo, então, também o copo, à minha dinda.

Obrigado, Zé, pelas palavras carinhosas. Tudo exagero seu, mas foi bonitinho.

Até.

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PROVA DE CARINHO

Há um samba triste do Adoniran Barbosa que diz assim “Com a corda mi do meu cavaquinho fiz uma aliança pra ela: prova de carinho”. Pois tenham em mente esse samba, esse trecho do samba. O fundo para a leitura de hoje. Se você não conhece o samba, francamente…

Na foto, José Sérgio Rocha, mais conhecido como Zé Sérgio, que ontem – vejam que doçura a dele e vejam que quebra de sigilo de correspondência a minha! – escreveu-me assim na despedida de um dos inúmeros emails que trocamos ao longo dos dias: “Zé, orgulhoso de ter um amigo que nem tu, ô animal!”

Vejam que é no “ô, animal” que reside a doçura do Zé. Se além de não conhecer o samba você não compreende isso, francamente… (estou repetindo “francamente” hoje pela segunda vez e está me dando uma saudade aguda de ouvir o Brizola dizer “francamente” com a haste direita do óculos na boca).

Mas vamos ao Zé.

O Zé Sérgio esteve no Estephanio´s no domingo passado.

“Pra quê? Pra quê?”, perguntarão vocês. Vou responder.

Pra ver o Helinho tocar.

Mas o Helinho não estava lá.

Eis o primeiro acidente. Há o segundo.

Eu estava em casa e quieto. Recuperando-me da amigdalite e da faringite que ainda estão presentes. Toca o telefone. É o Zé Sérgio. “Estou indo pro Estephanio´s, a que horas você estará lá?”, e eu, piorando a voz, tossindo de propósito, “Acho que não vou (tusso mais)… estou com febre…”. E o Zé, aquela pompa, aquela educação, aquele respeito pelo mais próximo, “Foda-se. Não me despenquei de Niterói à toa”.

E lá fui eu. E piorei a olhos vistos, a cada par de minutos que passava, o biltre baixo do Zé Sérgio me oferecendo cachaça, capivodka, cigarros. Eu disse “Zé Sérgio me oferecendo” e preciso completar, “e eu aceitando tudo”.

Bem. A noite passava, o samba comendo solto, e o Zé decidiu passar da cerveja pra cachaça. Primeira dose? “Vou de Chico Mineiro”, decretou o Zé que não entende rigorosamente nada de cachaça. Pediu a segunda. E pediu a terceira.

Quando, animadíssimo, decidiu pedir a quarta dose, pôs os cotovelos no balcão e pediu ao Hilton: “Mais um do Chico de Assis”. O Hilton fez que não tinha. “Então do Chico Buarque”. De novo, o Hilton. Zé perdendo a paciência, “Chico Bento, porra!”, e quando o Hilton fez que não mais uma vez o Zé descontrolou-se, “Bar de merda! Bar bosta! Não tem as cachaças que eu peço…”, e o Fefê o interrompeu servindo-lhe mais uma dose esfregando o rótulo “Chico Mineiro” no nariz (vejam, na foto, como é adunco o nariz do Zé).

Aliás eu falei de nariz do Zé Sérgio e preciso lhes contar sobre a primeira impressão da Dani. Quando a apresentei ao Zé a Dani ficou, por trás dele, fazendo sinais estranhíssimos em minha direção. Eu, que sempre me comporto mal nessas situações, sou péssimo em disfarces ou sutilezas comportamentais, dizia “o quê? o quê? não estou entendendo!”, e o Zé sem jeito pensando que era com ele. E era. Mas vamos em frente.

Daí ela me chama num canto. “Conheço ele, conheço ele de algum lugar…”. E eu, espetado de curiosidade ficava repetindo “donde? donde? donde?”, e ela com as mãozinhas na cabeça, cotovelos apoiados na mesa, balançando a cabeça denotando o esforço que fazia pra lembrar. Até que explodiu, a Dani.

Abriu os braços e o sorriso (Maracanã lotado, vejam que imagem linda – e é do Szegeri, de novo). E gritou “Já sei!”. Eu pus meu ouvido em sua boca e fiquei “donde? donde? donde?”, até que ela… “De lugar nenhum…”, e passou a guinchar de rir chamando a atenção da assistência. “Ele é a c-a-r-a do Paulo Silvino!!!!!”, e aí o guincho foi coletivo, Fefê batendo palminha de tanto que ria, eu no chão, Dani rôxa, sem ar, e vejam pela foto se não é uma inapelável constatação. Vamos voltar ao domingo.

“O que é que tem…” – estão dizendo vocês – “…o samba do Adoniran com o Zé Sérgio?”

Vou explicar.

O Zé, a certa altura, a roda de samba havia terminado, já tinha bebido entre 8 e 10 doses de cachaça, cerca de 10 a 15 chopes, algumas cervejas em garrafa, uma capivodka de tangerina e comido, apenas, uma porção de bolinho de carne, “os melhores do mundo”, ele repetiu de boca cheia a cada bolinho que comeu. Pagou a conta. Estava se despedindo e saindo do bar quando voltou correndo e, vi apenas de longe, cravou as unhas no braço do Erasmo em cujo bolso botou umas notas de dinheiro. Fiquei obervando. Encostou-se no balcão e bebeu mais uma.

Passados uns dez minutos o Erasmo lhe estende uma sacola. E vem o Zé Sérgio em minha direção, andando como um pato bêbado, girando a sacolinha e estaca diante de mim num pulinho ridículo. E diz: “Não são os melhores do bolinho do mundo? Pois bem. Tô levando pra viagem pra melhor mulher do mundo!”. Deu-me um beijo, beijou a Dani e partiu em busca de um táxi, e eu só fiquei observando aquele sujeito caminhando e tratando a bolsinha plástica, que rodava sem parar, como se fora a bengalinha do Chaplin.

“Pobre Dôra”, pensei.

Até.

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