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RESSACA CÍVICA – E UM BEIJO PRO JEAN WYLLYS

Acordei hoje com um travo na garganta, um desmedido aperto no coração, uma tristeza sem tamanho por conta do triste espetáculo protagonizado ontem em Brasília e televisionado para todo o Brasil. Triste espetáculo, diga-se, mais do que previsível. Graças a acordos que envolvem nem sei quem (agências americanas com interesse nas riquezas brasileiras, políticos inescrupulosos, banqueiros e industriais brasileiros, elementos do Poder Judiciário e do Ministério Público, vá saber…), assistimos, ao longo de muitos meses, mais precisamente desde a reeleição da Presidenta Dilma Rousseff, um sem fim de operações muito bem estruturadas – coisa de gênios do marketing, reconheço – com o único fim de enfiar na cabeça do povo (desinformado, despolitizado, facilmente manipulado) que o PT é o partido mais corrupto da História do Brasil. Vem, é verdade, de mais longe a tal operação: começou com o chamado “mensalão” e uma perseguição insana a políticos filiados ao Partido dos Trabalhadores. Foram sendo minadas, uma a uma, as lideranças que embasavam a política dos Governos Lula: José Dirceu, Luiz Gushiken, José Genoíno entre outros. Como se não bastasse veio o “petrolão” e o massacre (midiático, inclusive) não cessou. Lula se reelegeu. E elegeu sua sucessora, Dilma Rousseff, a primeira mulher Presidenta da República do Brasil – uma mulher íntegra contra a qual jamais pesou qualquer malfeito. Uma mulher, diga-se, que quando nomeou Graça Foster para presidir a Petrobras deu a ela uma função principal: acabar com a rataria na estatal.

E a guerra insana seguiu seu curso (ou seu roteiro, como penso). Um Juiz Federal da cidade de Curitiba, no Paraná, deu de dar início ao espetáculo da “lavajato”. A impressionante simetria entre as ações do Juiz, da Polícia Federal, dos meios de comunicação (capitaneados, como sempre, pela Rede Globo), funcionando como numa engrenagem perfeita, os rios de dinheiro que foram sendo injetados pela FIESP e outros bichos em movimentos apartidários que surgiram do nada (filhotes dos tais movimentos de junho de 2013, que culminaram na eleição do Congresso Nacional mais conservador de todos os tempos), tudo isso foi minando, de maneira absolutamente maquiavélica, o segundo mandato de Dilma Rousseff. Vazamentos ilegais de trechos de delações premiadas (jornalistas em quem confio me garantem que havia fila de jornalistas no gabinete de determinado Ministro do STF em busca desses vazamentos), grampos ilegais (incluindo o telefone da Presidência da República) que a Rede Globo transmitia sem qualquer pudor, a abertura do processo de impeachment tocado por um corrupto como Eduardo Cunha e chegamos ao dia de ontem.

O que se viu ontem, em Brasília, foi um retrato do Brasil de hoje. Os 513 Deputados Federais que compõem, repito, a mais conservadora e reacionária Câmara dos Deputados, exibiram ao Brasil e ao mundo a baixeza, a pequenez, a desfaçatez e a sordidez que saiu das urnas, em 2014, fruto – repito – dos inconseqüentes protestos pelo Brasil afora tocados por gente sem qualquer liderança partidária “contra tudo isso que está aí”.

mulher chorando

A imagem dessa mulher de vermelho, chorando após a vitória de Eduardo Cunha e de Michel Temer, o mais podre vice-presidente que o mundo já viu (desconheço outro que, investido do cargo, tenta atentado tanto contra qualquer Presidente da República, conspirando à luz do dia de forma tão abjeta) é a imagem do que eu tinha na alma quando acordei, ainda enojado e acometido de uma ressaca cívica que, se me entristece demais no dia de hoje, não será capaz de me fazer desistir da luta em prol do que acredito. Salvou-me, na manhã de hoje, a minha Morena. O olhar que trocamos e as mãos dadas em silêncio foram e são o meu conforto, o meu esteio, a minha cidadela.

Vou me poupar – e a vocês, que me lêem – de tecer qualquer comentário sobre “a” ou “b”, uma vez que foram muitos os Deputados Federais que me enojaram ontem com suas posturas, com seus discursos, com suas bravatas.

Quero lhes dizer apenas uma coisa: diante do que fez o cada vez mais inconcebível Jair Bolsonaro, que ao proferir seu voto rendeu homenagens ao homem que torturou Dilma Rousseff e outros tantos nos anos de chumbo no Brasil, ao homem que morreu carregando nas costas entre 60 e 80 assassinatos nos porões da ditadura, quem me representou naquela Sessão foi o Deputado Federal Jean Wyllys que escarrou, sem dó nem piedade, na cara de um sujeito que, se fôssemos mais sérios e contássemos com um Ministério Público e uma Justiça mais eficazes, sairia preso da Câmara dos Deputados.

“Não vai ter golpe e vai ter luta”, cantou o Brasil inteiro nas últimas semanas. Espero que a luta não tenha sido apenas verso pra tornar mais bonito o canto. Há de haver luta. É preciso que haja luta. E é imperioso que ela comece já.

Até.

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