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MOACYR LUZ NA LUZ

Foi belíssima – belíssima! – e inesquecível a noite de 24 de agosto de 2013, em São Paulo, no Liceu, próximo à Estação da Luz, quando os Inimigos do Batente receberam, para a II Edição da série O Samba na roda em prosa & verso, o cantor e compositor carioca Moacyr Luz, sobre quem, recentemente, escrevi aqui.

Moacyr Luz com Railídia Carvalho

Moacyr Luz com Railídia Carvalho, foto de Flávia Ferreira

O Liceu, palco da festa, e as centenas de pessoas que lá estiveram, testemunharam um Moacyr visivelmente emocionado, como emocionados estavam os anfitriões dos Inimigos do Batente, dentre eles Fernando Szegeri, Railídia Carvalho, Arthur Tirone e Augusto Diniz, que formaram o time que conversou com o Moa – a prosa – antes do couro comer – o verso.

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Moacyr Luz com Fernando Szegeri, foto de Flávia Ferreira

Samba em prosa & verso é isso: há um papo informalíssimo com o convidado da noite e depois, ou mesmo durante (tudo flui com a espontaneidade das melhores rodas de samba), os Inimigos do Batente desfiam seu repertório com a competência que é uma das marcas do grupo, cuja roda (já tradicionalíssima em São Paulo e mesmo no Rio de Janeiro, onde sempre estão!) “foi concebida nas históricas tardes de sábado no Butantã, no saudoso Bar do Bilú – uma das maiores rodas de samba que essa cidade já viu, comandada pelo Dr. Chico Aguiar, o Chico Médico. O “parto” foi em fins de 1999, nas mesas do Bar do Cidão, em Pinheiros.”.

E o que quero lhes dizer, hoje, é algo que não disse no sábado, durante o bate-papo com o Moa – muito por conta da emoção que senti, por inúmeras razões, durante toda a noite.

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Moacyr Luz com Railídia Carvalho, foto de Flávia Ferreira

À certa altura da noite, um dos componentes da mesa pediu ao Moacyr que falasse sobre o samba Anjo da Velha Guarda, parceria com Aldir Blanc, dedicado ao Zeca Pagodinho.

E ele falou.

Contou que uma noite fora ao Lapases, na rua da Lapa, para uma roda de samba que era comandada pelo Monarco, no início da década de 90 (curiosamente eu estava presente nessa noite e o Moacyr lembrou-se disso, inclusive, enquanto narrava a história), e lá encontrara o Zeca Pagodinho.

E que ficara bastante impressionado com a reverência com que Monarco tratara o Zeca, daí a idéia de transformá-lo no anjo da velha guarda (ouça o samba aqui).

Eis o que quero lhes dizer: é compreensível a modéstia do Moacyr e é obrigação nossa (minha, in casu) fazer o adendo necessário.

Não é de hoje que o Moacyr, já com o nome gravado em letras de ouro e parte do tesouro que ostentamos com orgulho, cumpre o papel de anjo da velha guarda e também de luz para os mais-novos. E explico: meninos, eu vi (ironicamente o mesmo personagem…) o Monarco subir ao palco do Renascença lotado para reverenciar o Moacyr, no comando de mais uma impressionante roda do impressionante Samba do Trabalhador.

Como vi, também, a reverência com que o trataram nomes da estirpe de Guilherme de Brito, Casquinha, Jair do Cavaquinho, João Nogueira, Dona Ivone Lara, Walter Alfaiate e tantos outros.

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Moacyr Luz, foto de Flávia Ferreira

Assim como vejo, incansável que ele tem sido, o Moacyr, generosamente, estender as asas sobre os mais-novos, como Moyseis Marques, Gabriel Cavalcante e toda a rapaziada que o acompanha com a certeza de estar seguindo os passos certos de quem trilhos os caminhos certos para merecer o título que hoje é dele e ninguém tasca.

Até.

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SIMAS, UM ASTRO

Em 16 de abril de 2007, no texto chamado O domingo, que pode ser lido aqui, expus meu queridíssimo irmão Luís Antonio Simas cantando acompanhado pelo violão endiabrado do Prata.

Mais à frente, em 30 de maio, foi a vez de, no texto Simas, o poliglota, que pode ser lido aqui, mostrar a vocês nosso herói cantando, nas línguas nativas, os hinos de Portugal, da Alemanha e da África do Sul.

No princípio deste mês de junho, mais precisamente no dia 09, foi a vez de publicar Uma aula do professor Simas, que pode ser lido aqui, onde o carioca máximo aparece atuando em saula de aula, filmado às escondidas por um dentre seus milhares de alunos.

Como todos já sabem, estivemos em São Paulo no último final de semana com o objetivo precípuo de render homenagens a Fernando Szegeri, um ser humano incrível e que dedica-se, a cada dia com mais afinco, a me pespegar os piores castigos e as piores humilhações.

Fomos, no sábado, ao Ó do Borogodó, para a tradicionalíssima feijoada e para o samba comandado pelos Inimigos do Batente.

Samba comendo solto.

Até que Fernando Szegeri chama à mesa Luiz Antonio Simas para cantar.

Pequena pausa: o Szegeri jamais chamou-me à mesa para cantar a mais singela das cantigas. Eu diria, até, que jamais me disse, publicamente e ao microfone, para meu instantâneo regozijo – ah, as vaidades… – um “obrigado”, um “seja bem-vindo”, um “diretamente do Rio…”, esses troços.

Simas foi anunciado com isso e muito mais, eu diria até, sem exagero, que com honras de chefe de Estado – o que de fato, convenhamos, ele é. E cantou, para deleite dos presentes. Com vocês, em mais um vídeo estrelado por esse sujeito imprescindível, Luiz Antonio Simas cantando Pernambuco, Leão do Norte, samba de 1968 defendido pelo G.R.E.S. Império Serrano, acompanhado pelos Inimigos do Batente, aqui.

Até.

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