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ALDIR BLANC – DECLARAÇÃO DE APOIO

Em 1979, quando o Brasil já enfrentava, há mais de 15 anos, os horrores da ditadura, Elis Regina cravou no imaginário popular, para todo o sempre, uma obra-prima que viria a ser considerada, anos depois, o Hino da Anistia. Era O bêbado e a equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc. Aldir, genial como sempre, dizia saber “que uma dor assim, pungente, não há de ser inutilmente.”.

Em 2010, quando a eleição presidencial estava para ser decidida no segundo turno entre Dilma Rousseff e José Serra – e quando Marina Silva e o PSOL mantiveram-se covardemente neutros – tive a honra de expôr, aqui no Buteco do Edu, a declaração de voto do bardo da Muda, meu amigo, um de meus orixás vivos, Aldir Blanc – aqui.

Agora, às vésperas do segundo turno entre Dilma Rousseff e Aécio Neves, outra vez entre o PT e o PSDB, exatos 4 anos e um dia depois, é com bastante emoção e orgulho que exibo, em primeira mão, a declaração de apoio de Aldir Blanc à reeleição de Dilma Rousseff.

E que essa declaração corra a grande rede para que o Brasil tome conhecimento da posição tomada – e não poderia ser diferente – por um dos maiores artistas populares do Brasil. Obrigado, Aldir! Saravá!

declaração de apoio de aldir a dilma

Até.

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A POSSE DA COMANDANTE ROUSSEFF

No dia primeiro de janeiro desse 2011 que se inicia, a Mansão dos Zampronha abriu seus salões, em tarde de gala, para que assistíssemos, poucos e bons, à cerimônia da posse da presidenta eleita, Dilma Rousseff. E é sobre a cerimônia de posse que quero lhes dizer hoje, neste primeiro texto do ano.

Confirmando todas as previsões que apontavam para uma altíssima carga de emoção durante a cerimônia, a Mansão dos Zampronha foi praticamente alagada pelas lágrimas que correram de todos os olhos atentos à tela da TV.

O discurso de Dilma Rousseff, feito logo após a posse formal, foi – tenham absoluta certeza disso – absolutamente histórico. Não apenas por ter sido o primeiro discurso de uma mulher eleita presidente do Brasil. Não apenas por ter sido feito por uma mulher que, há cerca de quarenta anos, estava presa nos porões da ditadura militar que afligiu o Brasil por longos vinte e um anos, tendo sido barbaramente torturada pelo Exército durante vinte e dois dias. Mas principalmente porque ela, a Comandante Dilma Rousseff, já formalmente empossada – o que significa dizer que ali falava a Presidência da República Federativa do Brasil – rendeu homenagens (com a voz visivelmente embargada) a todas as vítimas do regime covarde que fez sangrar o Brasil durante mais de duas décadas.

“Queria dizer a vocês que eu dediquei minha toda a minha vida à causa do Brasil. Entreguei, com muitos aqui presentes, minha juventude ao sonho de um país justo e democrático. Suportei as adversidades mais extremas, infligidas a todos que ousamos enfrentar o arbítrio. Não tenho qualquer arrependimento, tampouco não tenho ressentimento ou rancor. (…). Muitos da minha geração, que tombaram pelo caminho, não podem compartilhar a alegria deste momento. Divido com eles esta conquista e rendo-lhes minha homenagem.”

Meus poucos mas fiéis leitores… Foi neste momento que a casa (a mansão) caiu. Foi impossível resistir ao choro que tomou de assalto as dezenas de olhos grudados na tela da televisão. Ver e ouvir Dilma Rousseff, orgulhosa, altiva e segura homenageando a todos os que lutaram contra a ditadura foi emocionante demais. Profundamente significativo. E histórico.

Seguiu-se o chororô durante a revista da tropa, quando os comandantes das Forças Armadas prestaram reverência a ela. Estava ali, diante de nós, sendo virada mais uma página da História do Brasil. A mesma mão que torturou e que matou, batia continência para a primeira mulher presidente do país.

Como me disse Aldir Blanc, segundos após o final da cerimônia, por telefone, “se o governo de Dilma for dez por cento do que foi seu discurso, estamos feitos!”.

Até.

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ABRINDO A ALMA E O CORAÇÃO

E eis que chegamos ao último dia útil da campanha para o segundo turno das eleições para Presidente da República. Em menos de 48h estarão votando milhões de brasileiros, decidindo o destino do Brasil pelos próximos 4 anos. Foi, quero lhes dizer, como já disse hoje mais cedo meu irmão querido, Bruno Ribeiro, a mais difícil campanha da qual participei. Em 1989 não foi mole, mas o espaço que tínhamos para ocupar com o exercício da militância era infinitamente mais reduzido. Hoje, com a grande rede ao alcance de todos, nós, militantes da esquerda brasileira, pudemos expôr a cara na janela e defender, com unhas, dentes, coração e alma, a candidatura que abraçamos, a de Dilma Rousseff. Quero, então, lhes dizer meia-dúzia de palavras sobre essas últimas semanas. Antes, porém, um novo intróito.

Tenho, já lhes disse isso diversas vezes, muitos afilhados e afilhadas – que me dão a chance de vivenciar a paternidade que não me foi permitida exercer de forma plena. Uma delas, Ana Clara, nasceu no dia 16 de dezembro de 2002, pouco depois da primeira eleição de Lula. Dia desses, durante uma visita à pequena, ela abriu uma das gavetas da cômoda que fica em seu quarto e me exibiu, com um sorriso de matar de tão bonito no rosto, toda orgulhosa, uma carta que entreguei a seus pais, ainda na maternidade, minutos depois de sua chegada ao mundo e a ela endereçada. Vejam vocês o teste cardíaco. Disse-me ela:

– Você me escreveu essa carta no dia em que eu nasci. Posso ler pra você?

E leu.

Leu, meus poucos mas fiéis leitores, e ela deu de chorar durante a leitura e eu guinchava de tanto que também chorava. Em resumo, eu festejava sua chegada à vida e dizia a ela sobre a recente eleição do operário que haveria de mudar a história do Brasil. Pra piorar meu estado, entre soluços ela dizia:

– Muita gente saiu da miséria, né, dindo? Hoje tem mais gente pobre estudando, né, dindo?

E ficamos ali, abraçados, até que prometi levar a baixinha comigo, no domingo, pra apertar a tecla verde do “confirma”.

Enfrentamos, todos nós, ao longo dessa campanha, um massacre no que diz respeito à afronta à verdade. Mentiras, jogo sujo, golpes baixos, uma imprensa abjeta a serviço dos que lutam contra o bem do povo brasileiro, e isso exigiu de todos nós um esforço hercúleo. Falo por mim: fiz o que estava a meu alcance e, ouso dizer, fui mais além. Fiz deste humílimo blog uma trincheira a serviço da campanha de Dilma Rousseff. Guardo, com orgulho, alguns e-mails, alguns telefonemas que recebi, algumas manifestações explícitas dando conta de que ajudei a firmar o convencimento de alguns eleitores, e esse foi mesmo o papel que nos coube, semear e espalhar por aí o voto na nossa candidata.

Quem bem me conhece sabe a batalha que enfrento intramuros – particular, íntima, privada – e que somada à batalha que enfrentamos todos ao longo desse tempo me deixa à beira do esgotamento às vésperas do domingo. Nada disso, entretanto, é capaz de arrefecer esse desejo magnífico que é o desejo de um Brasil melhor, permanente, ao alcance de nossas mãos. Desejo que é fruto desse amor difícil de explicar, o amor pela Pátria.

Homenageio, da forma mais simples, a todos aqueles que estiveram (e que estão!) na mesmíssima fileira que eu. Citar um por um é impossível, evidentemente. Mas não posso me privar de agradecer publicamente aos que mais de perto viveram comigo esses dias tensos e agitados, essas noites mal-dormidas. Vou tentar pela ordem alfabética para não ferir suscetibilidades!

Aldir Blanc, amigo querido, com quem troquei – vá saber! – centenas de telefonemas, dezenas por dia, conselheiro certeiro de toda vida, e que me deu a honra de disparar, para toda a rede, sua declaração de voto, aqui.

Bruno Ribeiro, jornalista maiúsculo de Campinas, que bem sabe, como eu, como é verdadeira a frase que dia desses ouvi (ou li) por aí: Essa eleição é uma catarse coletiva. É a sociedade moralista no divã, confessando suas fantasias mais perversas”. Como ele, perdi amigos por conta não da divergência do voto mas pela aguda divergência de postura. E não me arrependo de ter rompido laços com gente que de gente não tem nada – e eu não sabia.

Dani, minha companheira amada, a mulher que me ensinou a sorrir e que é, sobretudo, hoje mais que nunca, a expressão da superação diuturna que me dá sustento à vida. Indo à Volta Redonda para exercer o direito do voto, comove-me sobremaneira e a ela dedico, daqui, minha mais profunda emoção.

Eduardo Carvalho, amigo novo. Cabra dos bons. E torno pública sua aventura de domingo para que saibam todos o quanto é bonito o que nos move. Comprou, há muitos meses, um pacote de viagem para o nordeste justo nesse final de semana. Embarca amanhã, o Edu. E no domingo, às sete da matina, estarei no aeroporto Tom Jobim para buscá-lo e levá-lo, a jato, pra Copacabana, onde vota. E de lá, de volta, pouquíssimas horas depois, para o aeroporto. Um grande gesto de um grande brasileiro.

Flavinha Calé, presidente da União Estadual dos Estudantes- UEE/RJ – que viveu comigo a emoção do último ato da campanha no Rio de Janeiro, incansável militante que engrandece o PCdoB, ao qual é filiada, tijucana como eu.

José de Abreu, com quem mantive contato por conta da campanha graças a coincidências incríveis, e que foi – como sempre – um militante gigante, responsável por grandes momentos na grande rede, quando convocava milhares de internautas e blogueiros para ouvi-lo ao vivo, na câmera, injentando ânimo em quem insistia no pessimismo.

Leo Boechat, meu compadre, que foi capaz de agüentar incontáveis convocações às pressas para um desabafo diante de um balcão qualquer, no Centro ou na Tijuca, conselheiro de escol, sujeito por quem tenho incomensurável carinho.

Rodrigo, de São Paulo, outro com quem troquei infindáveis telefonemas, um grande companheiro que jamais me sonegou as informações mais quentes, as notícias mais frescas e uma permanente fonte de conhecimento no que diz respeito ao jogo eleitoral e partidário.

E pra fechar… Sonia Zampronha, uma grande amiga, uma espécie de mãe-postiça, outra que jamais me faltou nas horas mais difíceis. Através dela, uma militante incansável do PT desde São Bernardo, onde morou, cheia de moral com o Presidente Lula, homenageio a todos os que entraram de cabeça na campanha. A Sonia lutou como o diabo pra dominar a internet, entrou no twitter – aqui – e viciou no troço. Cancelou viagem e outros bichos pra não perder as rédeas dos movimentos que cercaram a campanha eleitoral. Deu-me, já disse isso outras tantas vezes, dois grandes presentes: seus filhos André e Marcela, dois mais-que-queridos que também jamais me negaram o ombro quando precisei.

E encerro, por hoje, deixando com vocês essa gravação imortal da imortal Elis Regina cantando O Bêbado e a Equilibrista, de Aldir Blanc e João Bosco, este também um parceiraço que me concedeu uma belíssima entrevista em 2007, aqui. E quero fazer a última confissão e a última homenagem do dia. Dá-se, comigo, um troço curiosíssimo…

Sempre que ouço Elis Regina (e dá-se o mesmo quando ouço o Gonzaguinha) eu me lembro, e chego a ter saudade, de um homem a quem não conheci: José Augusto Bicalho Roque. Hoje, vivendo pra lá das nuvens, no mata-borrão do céu, foi casado com a Sonia e é o pai do André e da Marcela. Militante do PT de primeira hora, o Zé Augusto foi um “cidadão brasileiro que, incansavelmente, devido à sua participação ativa à frente das nossas entidades profissionais e nos movimentos políticos e sociais, tinha a capacidade de olhar a realidade com esperança de transformá-la e de agir de forma que os desafios em ações se concretizassem”, e isso foi dito sobre ele na comemoração dos 50 anos do Conselho Regional de Química do Rio de Janeiro, do qual foi presidente.

E como eu ando assim – como dizer? -, como tanta gente, emocionado a ponto de chorar em anúncio de televisão, o tempo se embaralha em mim e eu misturo o nascimento da Ana Clara com a saudade do Zé Augusto, e antevejo a emoção do domingo. Quando sairei de casa, cedo, sozinho, de mãos dadas com a esperança, essa equilibrista danada que me faz companhia há um bocado de tempo e de quem espero tanto, para mim e para o Brasil.

Era isso.

Até.

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MEU BRASIL TÁ QUERENDO DILMA!

Ainda estou, confesso, emocionadíssimo com o encontro de ontem à noite no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro. Fundado no ano de 1966, o Casa Grande notabilizou-se por ter sido palco da resistência à ditadura militar, protagonizada pela classe artística e intelectual brasileira. E ontem, 18 de outubro de 2010, mais uma gloriosa página foi escrita naquele palco: ao lado de Dilma Rousseff, contra o agudo retrocesso consubstanciado na candidatura tucana e nas mais conservadoras lideranças brasileiras, centenas de mestres da literatura e da música, artistas e filósofos manifestaram o voto na candidata que representa o avanço da dignidade que conquistamos após 8 anos de governo Lula, a reconstrução de um Estado forte e a solidificação da soberania nacional.

Antes, porém, de lhes dizer o que quero dizer por conta da comovente noite, peço licença a Oswaldo Maneschi, jornalista a quem ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente, amigo do peito de meu amigo do peito, José Sergio Rocha, para transcrever trechos do discurso de meu eterno e saudoso governador, Leonel de Moura Brizola, por aquele primeiro editado, por ocasião de seus 78 anos, no Clube Luso Brasileiro, na zona oeste do Rio de Janeiro, no dia 29 de janeiro de 2000. Leiam e vocês entenderão o porquê da menção à fala, sempre precisa, do homem que tanta falta nos faz nesse momento grave que atravessamos, e perceberão que a História é implacável e sempre se repete, com os personagens apenas mudando de nomes nos mesmos cenários capazes de representar o presente:

“Companheiros, companheiras da Zona Oeste, o meu reconhecimento pessoal. O meu abraço a todos vocês, quadros de nosso partido, daqui e de outras regiões que vieram para este encontro. Agora estou satisfeito, sinto-me feliz. Sinto-me energizado por vocês. Porque o nosso partido estava necessitando disso. Estávamos precisando elevar a temperatura, elevar o nível de nossa participação.

Nós nascemos, nos organizamos como partido e existimos para o desempenho de grandes responsabilidades. Não apenas para eleger um ou outro. Não apenas para participar de uma ou outra função. Nós nascemos e existimos como partido político para mudar o Brasil. Vivemos o nosso primeiro quarto de hora como uma espécie de preliminar. Não nos entregaremos nunca!

Nós sabemos que tudo vai mudar neste país porque a continuar o que aí está desde a ditadura é transformar o Brasil de um país poderoso, de um povo com futuro — numa colônia dominada e explorada pelos outros. Com isso não nos conformamos! E o nosso partido está mostrando de novo a sua vitalidade. Obrigado companheiros, obrigado companheiras, obrigado a todos vocês por esta homenagem, por este gesto em torno de meu nome, no meu aniversário que já há muito não comemorava. Completo 78 anos, mas sinto-me como se tivesse 68!

Cada um tem a idade que realmente tem. É isso que ocorre comigo, Leonel Brizola. Há muito afirmo para nossos adversários: venho de uma família, por parte de pai e por parte de mãe, de longevos. Não contem com o meu desaparecimento porque ainda vou incomodar muito! Olha, Deus que está lá em cima, está decidindo. Deus, lá em cima, está dizendo… Olha, o Leonel Brizola teve o seu quarto de hora na vida política, na vida pública brasileira, mas vou lhe conceder mais três minutos porque tenho certeza de que nesses três minutos ele muda completamente a situação de nosso país.

Nosso partido não pode, de maneira alguma nesse momento, sair de rabo de foguete de ninguém. Nosso partido sairá com candidatura própria – esta é a nossa natureza. Já fizemos todas as experiências, inclusive assumindo papéis da maior modéstia, da maior humildade. Se eles não conseguiram nada, agora é a nossa vez. Escrevam o que estou dizendo: o começo da jornada de nossa causa, de nossa bandeira, de nosso partido, será a eleição municipal do Rio de Janeiro!

Muitos dizem: é apenas uma eleição municipal. Mas digo a vocês: o Rio de Janeiro não é só um município, ele é o coração do Brasil, é a essência do povo brasileiro. As eleições do Rio de Janeiro terão sentido de mudança nacional. É isto o que ocorre quando uma população tem a consciência política que tem o Rio de Janeiro. Ele é o grande tambor da vida nacional e vamos tocar o tambor do nosso futuro, da nossa existência, da nossa vida, dos destinos de nosso povo e de nossa pátria.

(…) O Rio de Janeiro é a área, é a população que mais está repudiando o governo federal. Nós somos justamente a população que vem sofrendo mais com essa política ridícula, com esta entrega do nosso país, com a obra triste e vergonhosa desse grupo de vendilhões da pátria que está controlando e dominando o nosso país. Vendilhões mesmo! Esta é a afirmação que fazem os nossos deputados. Esta é a afirmação que faz o nosso povo por toda parte. Vendilhões de nossa pátria! Só peço a Deus lá em cima que me dê a decisão, que me dê a energia do filho que Ele mandou para a Terra e ponha na minha mão aquela vara que Nosso Senhor Jesus Cristo teve nas suas mãos para expulsar do templo os vendilhões! Isto é o que vai acontecer! E as eleições no Rio de Janeiro serão um ato de empunhadura dessa vara. Essas eleições serão muito importantes. Aqui no Rio de Janeiro iremos assistir a vitória de nosso povo, o princípio do fim desse regime infame que vem esmagando o nosso povo, que vem liquidando com o futuro de nossa Nação.

(…) É para esta caminhada, companheiros e companheiras, que estou aqui com vocês. Não vim só para massagear o meu coração, recebendo as homenagens que vocês estão prestando pelo meu aniversário. Não. Não vim aqui só para comer um pedacinho de bolo. Não. Não foi para isto que viemos. Viemos para, juntos, proclamarmos nossa decisão de partirmos para uma caminhada que vai parar muito além dos limites do município do Rio de Janeiro. Porque vai ser com ele, com o seu povo, com a sua gente, que iremos nos juntar ao povo brasileiro, por toda parte, para pôr fim a esse período miserável, de humilhação, de entrega, esse período vergonhoso que vem enterrando com nosso país. Vai ser do Rio de Janeiro que vai partir o princípio do fim desse período infame, desse regime. É para esta convocação que concordei com esta concentração, com este momento que vivemos. De nenhuma forma me limito a uma festa de aniversário. Não é para isto. Não foi para isto que vim aqui e que vocês se deslocaram até este lugar. Não. Viemos aqui para dar o nosso grito de esperança, viemos para gritar pela mobilização de nosso partido.

Quantas companheiras e companheiros que há tempos não via aqui se encontram. Alguns que até estavam afastados de nós estou vendo aqui. E este é o sentido deste encontro, esta é uma grande anistia entre nós, trabalhistas, é o tocar do reunir de todos os trabalhistas onde quer que se encontrem. Se bate um coração trabalhista, venha para cá, vamos nos reunir e vamos nos juntar. Da parte de Leonel Brizola, este encontro tem esse sentido. Tem este sentido a candidatura própria de nosso partido. E quero dizer a vocês: esta grande anistia tem que ocorrer entre nós. Esta anistia estamos proclamando neste momento entre nós, trabalhistas. Hoje é o dia da reunião de todos, a volta de todos os de 82 e de 83. É a gota de orvalho há pouco citada pelo Lupi, de que somos planta do deserto.

Nós, somos nós. Nós nos consideramos representantes desse povo que está aí abandonado e desvalido sem saber o que fazer com suas crianças, sem saber o que fazer com seus filhos, que se sacrifica ao máximo para dar um pouquinho de educação para filhos e filhas que depois os vê, adolescentes, serem presos. Nosso povo sofre vendo os seus filhos entrarem pelos descaminhos da vida. Pois é em nome desses milhões que o nosso Partido se levanta. Se eles têm idéias bonitas, que as ponham em prática. Mas se não as puseram até agora, se não as puserem em prática amanhã – que fiquem sabendo que somos nós de um lado e todos eles de outro. Nós vamos cumprir com o nosso dever. Vamos juntos, companheiros, vencer. Obrigado a vocês”.

Que visionário! Que visionário! Não é à toa que hoje o neto desse homem, o deputado federal Brizola Neto, está na frente da luta, ombro a ombro com o povo brasileiro na marcha que há de levar Dilma Rousseff à vitória! Mas vamos ao que quero lhes dizer sobre ontem à noite.

Esteva lá o arquiteto Oscar Niemeyer, um dos homens mais aplaudidos da noite, ele que tem 103 anos de dedicação às causas mais justas. Ziraldo, Hugo Carvana e Chico Buarque, que ao declarar seu apoio irrestrito a Dilma Rousseff disse, “é uia mulher de fibra, com senso de justiça social”. Sobre Lula, o grande ausente da noite, Chico Buarque afirmou: “Fala de igual para igual com todos. Nem fino com Washington, nem grosso com a Bolívia. Por isso, é respeitado no mundo inteiro como nunca antes na história desse país”.

Estiveram lá, também, Alcione, Margareth Menezes e Lecy Brandão (recém eleita deputada estadual em São Paulo, pelo PCdoB) foram as primeiras a chegar. Gilberto Gil e Zeca Pagodinho não puderam ir mas manifestaram seu apoio a Dilma. Minha queridíssima Beth Carvalho, ainda em processo de recuperação de uma cirurgia, se fez presente, como sempre, ela que jamais omitiu-se nos momentos mais importantes da história política brasileira. Empolgou os presentes quando cantou “Deixa a Dilma me levar, Dilma leva eu!”.

O ex-ministro Marcio Thomaz Bastos levou um manifesto dos advogados colhido na tarde de ontem, na sede da ABI, no Centro do Rio de Janeiro – e lá se foi minha assinatura junto! Ausentes, manifestaram também seu apoio a economista Maria da Conceição Tavares, o filósofo Frei Betto e a psicanalista Maria Rita Kehl, esta última vítima recente da fúria tucana (vejam aqui).

Uma das mais duras declarações da noite foi dada pelo escritor Fernando Morais, que foi direto, sem meias palavras: “Estou com a Dilma porque sou brasileiro e quero o Brasil nas mãos dos brasileiros. Eu sou contra a privatização canibal que esses tucanos fizeram e sei o mal que o José Serra pode fazer para o Brasil.”.

O filósofo Leonardo Boff não se omitiu e vaticinou: “A esperança venceu o medo. Agora, a verdade vai vencer a mentira.”.

Dilma Rousseff fez um discurso contundente, de improviso, comovente, e por diversas vezes a platéia que lotou o teatro (e os corredores, e a rua…) interrompeu sua fala para celebrar sua candidatura repetindo um dos mais marcantes gritos de guerra das candidaturas de Lula, desde 1989: “Olê, olê, olê, olá, Dilma, Dilma!”.

Acima, da esquerda para a direita, vemos o deputado federal eleito pelo PTLuiz Sérgio, Beth Carvalho, Oscar Niemeyer, Leonardo Boff, o governador da Bahia, Jacques Wagner, o cantor Chico César, o escritor Fernando Morais, Dilma Rousseff, Chico Buarque, Leci Brandão, Alcione, Wagner Tiso, Carlos Minc, entre outros.

Abaixo, o emocionado abraço de Chico Buarque, o anfitrião da noite, na candidata Dilma Rousseff.

Em sinal de profundo respeito a um dos maiores brasileiros de todos os tempos, Oscar Niemeyer, Dilma retribui o carinho pela presença do arquiteto, que com 103 anos de idade não faltou ao encontro. Diga-se, ainda, que os janelões do apartamento de Niemeyer, na avenida Atlântica, em Copacabana, virou um gigantesco painel de Dilma Rousseff à beira-mar.

Diante de milhares de pessoas – todas emocionadas, as imagens não me deixam mentir – Dilma Rousseff fez contundente discurso exortando a todos para o caminho da vitória.

Foi mais que emocionante. Foi, eu diria, significativo. O Rio de Janeiro, o tambor de ressonância de que nos falava Brizola, bateu forte ontem à noite em consonância com os milhões de corações brasileiros que anseiam pela vitória da continuidade. E esse soar do tambor há de correr chão, há de varrer o Brasil, há de varrer pra longe o atraso, o medo, a covardia, a vilania, a baixeza e a subserviência a quem, durante tanto tempo, nos renegou o futuro que hoje está em nossas mãos.

Aumentem o volume! Meu Brasil tá querendo Dilma!

Até.

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EU QUERO DILMA ROUSSEFF EM ESTADO BRUTO

Aconteceu ontem, às 22h, o primeiro debate da série programada para esse segundo turno das eleições presidenciais. Na Band, Dilma Rousseff e José Serra se enfrentaram, literalmente, em busca da preferência do eleitorado brasileiro, que voltará às urnas no próximo dia 31 para eleger a sucessora (prefiro assim) de Lula. Eu, como boa parte dos que já optaram por Dilma Rousseff no primeiro turno, ansiava por uma candidata mais aguerrida, mais incisiva, menos passiva e mais solta, razão pela qual gostei bastante do resultado final. Tenho dito com freqüência: quem assistiu à resposta dada por Dilma Rousseff ao senador Agripino Maia (aqui) pode verificar que ali, durante mais de cinco minutos, está a autêntica e genuína, a brava brasileira visivelmente sem as amarras que toda e qualquer campanha eleitoral mais recente coloca nos candidatos, posto que os marqueteiros, como se não bastasse todo o mal que impingem ao público, estudam o eleitorado como quem estuda os consumidores ávidos por um produto qualquer. Tenho, por isso, aguda saudade de Leonel Brizola e de seu modus operandi em campanhas eleitorais. Ali, ao responder emocionada à sórdida pergunta do senador do DEM, Dilma Rousseff é Dilma Rousseff em estado bruto. Não gagueja. Não titubeia. Não fala lentamente, não perde o raciocínio, não demonstra insegurança. A Dilma que vimos no primeiro turno – e como eu clamava pela modificação desse quadro! – foi uma Dilma amarrada, presa à lógica dos comandantes de sua campanha, fria, passiva e muito diferente da mulher destemida e do “animal político” a que tantas vezes Lula fez referência ao longo de seu madato.

Eis que ontem, para minha completa satisfação, vimos a verdadeira face de Dilma Rousseff, ou aquilo que pode ter sido o princípio do fim dessa manipulação supostamente higiência imposta pelos marqueteiros. O seu eleitorado, convicto da opção por uma continuidade, também esperava por essa reação. Vimos Dilma Rousseff acuando, agora sim – e pela primeira vez – o mitômano tucano. Foi visível o susto de José Serra diante de sua oponente. O tucano tergiversou o tempo todo, o que foi bem marcado, ao longo de todo o debate por Dilma Rousseff, que valeu-se do verbo “tergiversar” incontáveis vezes. Gaguejou. Perdeu a voz. Perdeu o chão. Perdeu o prumo.

Senti falta, entretanto, de um tackle mais bem aplicado por Dilma Rousseff, o que poderá ocorrer nos próximos dois debates que já estão programados: foi quando o mitômano José Serra, com aquela veemência que não convence ninguém, com aquela falsa indignação que caracteriza os mitômanos, falou sobre a questão das drogas, sobre sua delirante idéia de criar um ministério para tratar da segurança e das fronteiras…

Fiquei, diante da TV, esperando aquela Dilma Rousseff a que me referi. Aquela que perguntaria, de dedo em riste, sobre a “cracolândia”, praga que infesta São Paulo, cidade governada pelos tucanos há mais de dez anos. O candidato que, levianamente, prometeu durante o debate vigiar e controlar as fronteiras do Brasil, país de dimensões continentais, foi e é incapaz de controlar as fronteiras de São Paulo. Ali, diante das penas das asas dos tucanos, milhares de homens e mulheres, jovens, crianças, meninos e meninas, fazem uso do crack, abusam da violência, e transformam aquela região central da maior cidade do país num verdadeiro quadro de horror que expõe, de forma aguda, a incompetência do PSDB, e diretamente de José Serra, prefeito da cidade e governador do estado nestes últimos anos, aos olhos de quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir.

E que daqui pra frente Dilma Rousseff torne-se mais e mais incisiva, enfática, direta e combativa. Só os mentirosos, os covardes e os fracos verão nisso o que o mitômano chamou, ontem, de agressão. Desacostumados ao debate, ao contraditório, em tudo vêem agressividade. Agressão é, necessariamente, ato ação revestida de hostilidade e de provocação. Quem tem sido vítima disso, desde o início da campanha, é justamente Dilma Rousseff. Tudo o que quero – e ontem a vi fazendo isso! – é que ela reaja. Sem amarras.

Sendo Dilma Rousseff em estado bruto.

Até.

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