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MAIS SOBRE SANTA

Preciso confessar a vocês, de pé diante do balcão imaginário, que me empolguei com a repercussão de meu humílimo texto no qual discorro, brevemente, sobre o comportamento de grande parte das pessoas que sobem para o aprazível bairro de Santa Teresa, que elas chamam de Santa, com uma intimidade tão falsa quanto o comportamento a que me referi (e ao qual novamente me referirei hoje, leiam aqui). Luiz Antonio Simas  fez menção ao texto em seu Histórias do Brasil (aqui) e Carlos Andreazza, em seu Tribuneiros (aqui). Recebi alguns e-mails elogiando o que escrevi, e um comentário – apenas um – que não publiquei por ser anônimo ( enquanto lia as agressões do descolado a telinha do computador exalava um repugnante cheiro de maconha e de pele mal lavada).

E do que me acusava o ser humano que enviou tal comentário sob o manto do anonimato?

Sentem-se, meus poucos mas fiéis leitores, que a acusação do bicho-grilo é gravíssima.

Pausa: tomei um pito de mamãe, dia desses. Disse-me ela, por e-mail (recebo e-mails de mamãe com freqüência), que este chavão – meus poucos mas fiéis leitores – é “às vezes cansativo para quem lê sempre”. Em frente.

Acusou-me de ser bairrista.

Eu?

Ora, pobre do homem que não é bairrista. Pobre do homem que não nutre, pelo chão no qual nasceu, cresceu e no qual vive, um amor fanático, cego, retumbante e patriótico. Vejam vocês o caso de Arthur Tirone, o Favela. O caboclo escreveu dia desses: “Sou, e quem me conhece sabe, um sujeito fincado neste brejo.”. Referia-se, é claro, à Barra Funda, e esse amor do Favela por seu chão nos torna ainda mais próximos, jungidos pelo amor sagrado que nos une à nossa terra. Vejam vocês o caso de Luiz Antonio Simas, que tem pregado por onde anda sua decisão, inamovível, de não deixar os limites da Tijuca para nada que não seja estritamente indispensável. Leiam o Felipinho Cereal, aqui, e me digam se esse troço de amor pelo bairro não é bonito pacas. Ora, meus poucos mas fiéis leitores (desculpe, mamãe), percebam que o piolhento que me agrediu através do comentário não publicado foi infeliz, como deve ser infeliz, ele próprio, morando no Leblon, onde disse viver desde que nasceu. Escreveu, à certa altura, o fedorento: “Nasci e até hoje vivo no Leblon. Mas não dispenso a feijuca do Bar do Mineiro nos finais de semana. Não dispenso a carne-de-sol do Bar do Arnaudo. Não dispenso o clima do Sobrenatural com suas cervas geladaças. Não dispenso o cineminha no Cine Santa. E tenho dinheiro para tudo isso, o que não deve ser seu caso.”.

Vejam os clichês pipocando no texto. A “feijuca” (eles são íntimos de tudo) do Bar do Mineiro (que é apenas razoável). A carne-de-sol do Bar do Arnaudo (que não faz nem cócegas na que é servida no Bar do Chico pela metade do preço). A “cerva geladaça” do Sobrenatural, o “cineminha no Cine Santa”.

Encaixa-se, com perfeição de puzzle, na descrição que fiz do jovem que sai da zona sul em direção ao Largo da Carioca em busca do bondinho que o levará para Santa Teresa.

Posso apostar minhas fichas como o cheio-de-lêndeas estuda na PUC (onde estudei Direito e onde vivi à margem dos descolados que me rejeitavam como um pestilento). Permitam-me lhes contar um troço, rápido. Primeiro dia de aula, ano de 1987. Fui para o campus de chinelo de dedo (o que me garantiu o apelido de “pedreiro” nos primeiros meses), bermuda, camisa de malha, uma mochila, um caderno, caneta, lapiseira e borracha. Os homens de minha turma, todos, de terno.

Já trabalhando?, eu me perguntei.

Não. Era pose. Pose, pose e apenas pose.

Pois então. O cheio-de-lêndeas estuda na PUC, planeja suas incursões à Santa Teresa (que ele chama de Santa, como sói acontecer) apertando um na vilinha dos Diretórios Acadêmicos da Universidade, vai aos lugares-clichês que fazem a festa da Veja Rio, é eleitor empedernido do PSOL (que é, como bem disse o Simas, Santa Teresa em forma de partido político) e tem a pachorra de perder seu tempo para me chamar de bairrista, como se isso fosse uma forma de agressão.

Deus permita que eu me mantenha assim, tijucano até o último de meus dias, e por várias encarnações.

Até.

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BEBENDO COM O BERINJELA

Vocês hão de se recordar… No começo de setembro esteve no Rio o meu queridíssimo Favela. Escrevi FAVELA NO RIO, DE NOVO e publiquei umas fotos do malandro (em preto e branco), bebendo com dois caboclos num final de noite no COLUMBINHA (vejam aqui).

Pois no final da noite de sábado, 27 de setembro, já madrugada de domingo, pediu-me o mano Szegeri (de passagem pelo Rio de Janeiro), depois de um dia de fortíssimas emoções (vejam aqui):

– Eu quero ir beber no Columbinha com aquele negro velho que eu conheci pelas fotos e que bebeu com o Favela, será que ele tá lá?

Saímos do BAR DO CHICO, atravessamos a Afonso Pena, bebemos uma no BAR PINK e tomamos o rumo do COLUMBINHA. E não é que estava lá o Berinjela?

Fernando Szegeri e Berinjela, COLUMBINHA, Tijuca, 28 de setembro de 2008, 0h34min
Fernando Szegeri e Berinjela, COLUMBINHA, Tijuca, 28 de setembro de 2008, 0h35min
Fernando Szegeri e Berinjela, COLUMBINHA, Tijuca, 28 de setembro de 2008, 0h35min

Até.

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JULIO CESAR, O IMPERADOR

Há, no Rio-Brasília, meu buteco de fé e buteco de fé, também, do Felipinho Cereal e de uma pá de gente que entende do riscado (perguntem, por exemplo, ao queridíssimo Arthur Tirone, o Favela – de São Paulo -, ou ao Bruno Ribeiro – de Campinas -, qual o buteco do coração deles, aqui no Rio de Janeiro), dois garçons que estão, como se não bastasse o portento que é o bar, entre os melhores do Brasil: o Deus e o Imperador. O primeiro chama-se Deuzenir e o segundo, Julio Cesar. Pra facilitar os trabalhos de comunicação no Rio-Brasília – troço importantíssimo dentro de um buteco! – eles são chamados pelos apelidos, Deus e Imperador.

E é sobre esse último que quero lhes falar hoje.

Aliás, para ser mais preciso, preciso lhes dizer que o que escrevo hoje tem como alvo, percipuamente, meu irmão paulista, o homem da barba amazônica, Fernando José Szegeri. Como foi, também, para Fernando José Szegeri que fiz a fotografia que ilustra Julio Cesar, o Imperador. E por uma razão muito simples…

Dia desses, há uns meses, estava o Szegeri, comigo e com outros amigos em comum, no Rio-Brasília. Falava-se sobre futebol, quando o homem da barba amazônica, espetando o indicador em direção ao Imperador, perguntou:

– E você? Vasco, Flamengo, Botafogo, Fluminense ou América?

E o Imperador, indignado:

– Nenhum deles. Sou Palmeiras!

O Szegeri, palmeirense de carteirinha, quase que teve uma síncope. Buscou entender as razões:

– Você é de São Paulo?

– Do Rio.

– Morou lá quando pequeno?

– Não.

– Meu Deus! Meu Deus! Palmeiras! Palmeiras! Palmeiras! – deu de gritar o Szegeri.

Quando eu o flagrei, na terça-feira à noite, quando estive no Rio-Brasília com o Felipinho Cereal e o Favela, trajando a camisa verde-e-branca do Palmeiras, não pensei duas vezes:

– Imperador! Vira pra cá! Quero fazer uma foto pra mostrar você com essa camisa àquele amigo meu de São Paulo!

– O seu Fernando?

– É!

E abriu o sorrisão esticando, orgulhoso, a camisa do Palmeiras.

Julio Cesar, o Imperador, 09 de setembro de 2008, no RIO-BRASÍLIA, na rua Almirante Gavião, na Tijuca

O Imperador é um grande garçom. Graças à gestão e à impressionante visão empresarial do Joaquim, o Imperador é obrigado, vez por outra, a atender o buteco lotado, sozinho! E dá conta do recado. Dá conta do recado e não perde a pose, não perde o bom humor, não se perde, está sempre sorrindo, sempre pronto a dar sugestões se flagra o freguês entre o torresmo e a moela e é um craque na arte de pescar as mais geladas garrafas de dentro das geladeiras.

Se você pintar no pedaço, do meio pro final da tarde, e ficar até o abaixar das portas, você testemunhará o Imperador se despedindo com uma cara de quem acabou de chegar. E o verá montado em sua bicicleta, que ele vai pedalando, todas as noites, pra casa, no tijucaníssimo morro do Borel.

Uma grande figura, um grande personagem carioca.

Até.

ps: eu não sei quanto a vocês… mas é um bocado comovente perceber, devagar, com olhos de ver, os azulejos pretos e azuis na parede à esquerda de quem entra, as três pesadíssimas mesas de tampo mármore que foram do refeitório do Instituto La-Fayette, os espelhos sobre as mesas com molduras de madeira, essa atmosfera inebriante que guarnece os butecos de verdade…

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FAVELA NO RJ – PARTE III

Eu lhes disse ontem que a belezura do sábado (sobre o qual falei aqui e aqui) foi prenúncio de um domingo mais-que-perfeito. Vamos, então, a ele.

Antes, um intróito.

Fui, na segunda-feira, um dia depois da partida dos quatro (Arthur Favela, Milena, Brunão e Daniel, carinhosamente chamado de Gordo), comprar pão na Padaria Milú, na esquina da Hadock Lobo com a rua do Matoso.

O malandro que atende no balcão dos lanches, ao me ver na fila do caixa, fez como os bonecos infláveis dos postos de gasolina e me chamou:

– Diga lá, malandro, bom dia.

E ele, coçando o ouvido com a tampa da caneta que mantém equilibrada na orelha direita:

– Cadê seus amigos?

Estranhei:

– Que amigos?

– Dois paulistas que tomaram café da manhã ontem aqui…

Lembrei-me, então, do que os dois – Brunão e Gordo – haviam me contado no final da manhã de domingo, quando bateram lá em casa.

– Ah, foram embora ontem à noite…

E ele, com aquela classe da Tijuca:

– Porra… dois porcos, Edu…

Eis o que os dois me contaram cheios de um orgulho da Barra Funda, do Bom Retiro, bairros co-irmãos da minha Tijuca – e leiam com os erres dobrados, com todo o sotaque possível:

– Porra, Eduzão… Eu e o Gordo comemos doze mistos-quentes hoje da manhã na padaria da esquina… O tiozinho que nos atendeu, Eduzão, porra, não tava acreditando… E o Gordo ainda pediu um bolo de cenoura no final, Edu, do tamanho de um paralelepípedo!

E por aí.

Às onze da manhã de domingo, quando eu voltava do passeio com o meu fiel vira-latas, e enquanto reinava a paz em nossa casa, Dani, Favela e Milena ainda no oitavo sono, deparei-me com os dois ogros na portaria do prédio.

Subimos e, de cara, abri a primeira Brahma.

Todos de pé por volta de uma da tarde – nós já na caninha também – e tomamos o rumo do Salete, a pedidos.

Daniel Frangiotti no Salete, 09 de dezembro de 2007

Um troço impressionante, confesso.

Eu já havia me impressionado, recentemente, quando levei o Prata, também pela primeira vez, ao Salete. O menino de 87 comeu seis empadas.

O Brunão e o Gordo, em questão de minutos, devastaram – somente os dois! – vinte e seis empadas! Eu disse VINTE E SEIS, com a ênfase szegeriana.

E notem bem que as empadas do Salete não são do tamanho dessas empadas que vendem as redes de franquia de empadas, não. São enormes. Têm polpudo recheio.

E os caras sorviam, junto com as empadas, litros de chope. Pensei com meus botões estufados da camisa apertada:

– Se tudo der certo hoje, como dizia o avô do Simas, vai dar merda.

empadas do Salete, Tijuca, 09 de dezembro de 2007
Daniel Frangiotti, Arthur Favela, Milena, Bruno Tirone e Dani Pureza, Salete, Tijuca, 09 de dezembro de 2007

Ali ficamos por uma hora, hora e meia.

Atravessamos a rua, então, e tomamos a direção do Bar do Chico – de novo e de novo a pedidos.

Minha garota, que estava mais-linda-que-nunca de bicicleta pra lá e pra cá pelas ruas da Tijuca, parando pra um chope conosco no glorioso Salete, tomou o rumo de casa.

Derrubamos algumas garrafas de Brahma enquanto esperávamos o preparo dos impressionantes lombos de bacalhau por mim encomendados com o próprio Chico, que vira-e-mexe organiza uma compra industrial pra baratear o custo. Meus queridos de São Paulo não me deixarão mentir: os lombos de bacalhau que recebi mais parecem os mais altos saltos dos monstruosos sapatos da Carmen Miranda.

Conta paga, alma lavada, tomamos a direção da casa do casal anfitrião do Trapiche Gamboa, Claudinha e Clevison, em Botafogo, onde um churrasco preparado em homenagem aos Inimigos do Batente nos aguardava.

Começamos a subir o caminho rumo ao Mundo Novo e os quatro, dentro do carro, ganiam diante da beleza aguda da cidade.

Encontramos lá uma pá de gente querida, uma pá de cerveja de gelada, uma pá de samba de primeira – reencontrei, depois de um bom tempo, Jayminho Vignolli, Mariana e a dupla dinâmica, Chico e Flora!.

Arthur Favela, Piruca, Daniel Frangiotti e Arthur Mitke, 09 de dezembro de 2007

Eis a nota triste da tarde, a única.

Bastou que chegássemos pro Szegeri me cutucar:

– O que você está fazendo aqui?

Eu, nada constrangido – acho que por conta das cervejas da manhã – respondi:

– Ué… o Clevison me convidou ontem…

E ele, seco como a carapinha negra que ostenta:

– Estou indo embora.

E foi.

Não sem antes impingir-me mais uma humilhação:

– Está de carro?

– Arrã.

– Leve-me até lá embaixo.

Resignado e mudo, o atendi.

De lá saímos às sete para encontrarmos Luiz Antonio Simas no Rio-Brasília, marcando meu retorno ao buteco do meu coração depois de ligeiro entrevero com o Joaquim, resolvido num cessar-fogo comovente no sábado pela manhã.

E foi fabuloso estarmos lá.

Notem a seqüência.

Simas entrega ao Favela, assim que chegamos, uma camisa do Nova Iguaçu Futebol Clube (site oficial, aqui). O Favela, emocionadíssimo, entrega ao Simas uma camisa da Camisa Verde e Branco, de SP, onde se lê, no peito, “100% BARRA FUNDA”. E não se tratou de retribuição por conveniência, não. Desde a véspera que eu já sabia das intenções do Favela. Beto Mussa, à mesa conosco, desfia comovente, impressionante e inacreditável repertório de sambas-de-enredo. Estrila meu celular e em segundos chega o Vidal. Minha menina também aparece, na esquina, e minha alma gane que só fico à vontade na minha cidade.

Chegam Craudio e Eva, o malandro trazendo nas mãos uma garrafa de Jack Daniels que eu não merecia. As garrafas de cerveja se acumulam à mesa, doses magníficas de maracujá, carne assada com batatas coradas, tudo constrói um cenário de uma ceia santa que irmana almas afins num final de domingo carioca, suburbano, tijucano, da várzea.

Descobri no domingo que meu coração é um campo de várzea.

À certa altura precisam se despedir Brunão e Daniel, o Gordo.

Eu puxei, tímido e esperando a adesão imediata – que aconteceu! -, Roda de Sampa, do Kiko Dinucci.

Talvez isso explique o por quê do choro convulsivo daquela doce figura do Daniel, gordo de tanto afeto que traz dentro de si, enquanto se despedia de nós, com um até breve engasgado na voz que teimava em não sair (ouça aqui).

Até.

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FAVELA NO RJ – PARTE II

Dando continuidade à saga do final de semana (FAVELA NO RJ – PARTE I pode ser lido aqui), vou lhes contar, hoje, sobre a noite de sábado.

Notem bem um troço… Estava tão bonito o dia, estava tão alto o astral na rua do Ouvidor, que simplesmente todo mundo (com a ênfase szegeriana) que lá estava transferiu-se para o Trapiche Gamboa, com exceção dos pobrezinhos que optaram pelo show do The Police. Mas até esses (entre os quais a minha menina, Vidal, Flavinho e Betinha) saíram correndo do Maracanã e foram em busca do samba.

Candinha e Luiz Antonio Simas, Trapiche Gamboa, 08 de dezembro de 2007

E não se arrependeram, tenho certeza.

Os Inimigos do Batente, só pra variar um bocadinho, comandaram uma roda de samba da melhor qualidade, fortíssima. E quando nós chegamos ao samba – eu, Favela, Milena, Brunão e Gordo – um troço que vi me deu a certeza (que eu já tinha) da dimensão, da extensão e do peso moral de Fernando José Szegeri (dirigiu-me não mais do que cinco, seis palavras, desta vez).

Isaac Goldenberg, meu velho pai, que NUNCA (com a ênfase szegeriana novamente) sai de casa à noite, lá estava, sentado num banco e sozinho à mesa às vinte e três horas, hora em que chegamos. Lá estava e lá estava num estado de euforia como eu, depois de trinta e oito anos, sete meses e onze dias de convívio com o coroa, poucas vezes vi.

Isaac Goldenberg, Trapiche Gamboa, 08 de dezembro de 2007

O copo cheio na mão, a garrafa de cerveja diante de si, e apresentei meu velho pai a meus amigos. Disse eu:

– Pai, essa é a Milena, esse é o Brunão, esse é o Daniel, esse é o Favela…

E ele, tijucaníssimo (depois não sabem porque sou como sou):

– Que nível! Que nível!

Papai estava num estado tal, por exemplo, que encasquetou com um troço a noite inteira, que me repetia:

– Esse Daniel é primo do Zé Colméia, porra, é evidente!

E papai só foi sossegar – mas já era tarde, se é que vocês me entendem… – quando mamãe chegou.

Arthur Favela e Milena, Trapiche Gamboa, 08 de dezembro de 2007

A belezura do sábado foi – creiam, por mais que lhes pareça incredível – prenúncio de um domingo mais-que-perfeito.

Às quatro e meia da manhã, mais ou menos, para não fazer o que sempre faz o Borgonovi (vejam aqui), o Marcão (vejam aqui), o Stocker (vejam aqui) e o que fazia meu querido mano Favela em pleno salão do Trapiche Gamboa há mais de uma hora àquela altura, implorei à Dani que fôssemos embora.

Minha Sorriso Maracanã fazia carinhas, boquinhas, muxoxava – eu ficando louco! – e pedia pra ficar. Até que dei a justificativa definitiva:

– Dani, pelo amor dos deuses… Eu não posso, sob pena de macular minha biografia, dormir diante do Simas, do Szegeri, vamos embora que eu simplesmente não consigo mais manter meus olhos abertos…

E minha menina cedeu!

Dani Pureza, Lina, Fefê, Mariazinha Goldenberg, Trapiche Gamboa, 08 de dezembro de 2007

Amanhã lhes conto sobre o domingo, sobre o espetacular domingo, que teve de novo o Salete, o Bar do Chico, um churrasco em Botafogo na casa dos anfitriões do Trapiche Gamboa, e um retorno glorioso ao Rio-Brasília, de onde ontem, durante jantar na companhia do Gabriel Cavalcante e do Daniel, amigo pessoal do meu guarda-costas, bati o celular pro Favela apenas e tão-somente para dizer de minha saudade.

Até.

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FAVELA NO RJ – PARTE I

A sexta-feira foi tumultuadíssima! Fomos a um casamento no Alto da Boa Vista e depois, de lá direto, seguimos (eu, Sorriso Maracanã, Lina e Fefê) em direção ao Estephanio´s para um beijo e um abraço no Vidal, a Lenda, que fazia e comemorava aniversário. Aliás, pausa mínima para lhes contar uma passagem digna de registro. Chegamos lá, os quatro, bastante calibrados pelas incontáveis doses de Red Label servidas durante a festa do casamento. Mas encontramos o Vidal – presumi, depois do que vou lhes contar – ainda mais alto. Eu o abraçava quando tomei um tapão no lado esquerdo do peito. E disse-me a Lenda:

– Valeu pelo seu blog, Edu, valeu pelo blog!

Eu sem entender nada. E ele continuou:

– Grande blog, fundamental blog, salve, salve o blog!

Pus nas mãos dele dois dos mais de vinte bem-casados que roubei do casamento e o cara sossegou do incompreensível surto. Aliás, eu parecia, naquela esquina, estar distribuindo doce em dia de Cosme e Damião. Só pra Betinha, salvo engano meu, eu dei quatro docinhos. Vamos em frente.

Fomos dormir por volta das quatro da madrugada e estabeleceu-se o pânico em mim. Favela e Milena chegariam às sete da manhã de sábado e eu teria de estar inteiro.

Às sete bati o telefone pro malandro. Um acidente na estrada envolvendo duas ou três carretas atrasara a viagem em mais de três horas. Voltei a dormir como um anjo e pouco depois das onze eu já estava na rodoviária pra receber o casal.

Pepperoni e Arthur Favela no Buteco do Edu, manhã de 08 de dezembro de 2007

Exatamente ao meio-dia abrimos a primeira garrafa de Brahma no Buteco do Edu que mantenho em casa (sobre a gênese do buteco, leiam aqui).

E acompanhem meu raciocínio para que vocês percebam a beleza das coisas que acontecem na vida da gente sem nenhuma forçação de barra, fingimento, nada disso.

Em julho de 2006 escrevi um texto chamado O OLHAR NATIVO, AGORA SIM (leiam aqui), pouco depois de chegarmos de viagem.

E foi nesse texto, que é sobre um passeio que fiz numa manhã de sábado pelo centro histórico do Rio, salvo engano meu mais uma vez, que o Favela manifestou-se pela primeira vez no balcão do BUTECO. Saquem só:

“Edu, parabéns! Eu como um legítimo “Barra Fundense”, que adoro as coisas antigas, também fiquei emocionado com o texto e as fotos. Ah, e não são somente os cariocas que reclamam do pão de sua terra. Os mineiros, goianos, paranaenses também reclamam dos seus… Bem, há um tempo atrás já cheguei a conclusão que o que há de melhor mesmo em Sampa é o pão! Quanto ao chope, o que o Szegeri disser também assino embaixo. De olhos fechados!!!! Abração! Arthur Tirone (Favela)”

Logo abaixo do comentário do Favela, disse eu:

“Favela, meu caro, que bom que você se comoveu, meu velho. Faço de público a promessa e o convite: arme uma vinda ao Rio. Faço QUESTÃO de rodar o Centro da cidade contigo parando nos grandes bares, cheios de história, pra que tenhamos um dia daqueles. Aguardo notícias suas!”

Puta merda – me perdoem! -, mas isso é de uma boniteza cortante.

Quase um ano e cinco meses depois, eis que recebo – sem cobranças, como eu já disse, sem forçação de barra, sem teatrinho e sem fingimento – o Favela e a Milena já na condição de um dos meus.

Bebemos uma meia-dúzia em casa e fomos, os três, em direção ao Salete, um dos bares preferidos do Szegeri aqui no Rio. Bebemos uns chopes, comemos umas empadas e atravessamos a rua em direção ao Bar do Chico quando estrilou o celular do Favela.

Era o Bruno, seu irmão. Dizia já estar com o Gordo na rua do Ouvidor, para onde seguiríamos. Haveria lá – e houve, e foi perfeita! – uma roda de samba comandada pelo Gabriel Cavalcante, meu guarda-costas – comparado pelo Cesinha Tartaglia ao Jamelão! -, e pelo Prata.

Antes de partirmos ao encontro deles, disse-me o Favela, um obsessivo como eu:

– Edu, sabe o que quero fazer amanhã?

E eu:

– Hã…

– Salete e Bar do Chico! De novo!

E me permitam derramar sobre o balcão mais provas das belezas que a vida apronta. Escrevi, em julho de 2007, um texto chamado BABAQUICE TEM LIMITE, leiam aqui. Nele, falo sobre o Bruno e sobre o Daniel, o Gordo, que veio com ele ao Rio. Vejam isso:

“Anseio, veementemente (redudância proposital), pelos comentários do camarada Favela a este troço que exponho hoje, puto dentro das calças, no balcão virtual do BUTECO. Mais que os do Favela, anseio pelos comentários de seu irmão Bruno, um sujeito que tem, visivelmente, a Tijuca dentro de si. Como anseio pelas palavras, que serão seguramente delicadas, do Daniel, o santista, um cara que tem – vê-se pelo desenho de seu corpo – vaidades agudas com a aparência.”

Lá chegamos e nem vou me dar ao trabalho de escrever o óbvio. Foi tudo perfeito, inclusive a chuva que caiu, inclemente, durante vinte minutos, tempo suficiente para de lá enxotar os chatos.

Daniel Frangiotti (de costas), Milena Carmo, Arthur Fabela e Bruno Tirone, rua do Ouvidor, 08 de dezembro de 2007

Samba na rua do Ouvidor é certeza de encontrar muita gente querida, beber muita cerveja muito gelada, só ouvir muito samba de muita qualidade. Citar o nome dos presentes é sempre um grande risco, mas vamos lá.

Eis parte do time que se valia do poderoso axé daquele canto da cidade: Simas com Candinha, Fefê com Lina, Blas Rivera (conheça o malandro, aqui), Bemoreira, Tiago Prata, Gabriel Cavalcante, Cesinha Tartaglia, Rodrigo Ferrari, Daniela Duarte, Leal com Maria Helena, Arthur Mitke com a Carla, Daniel Scisínio, Rodrigo Jesus, Anderson Balbueno, Jorge Alexandre, Marechal, gente pra burro!

Arthur Mitke, Edu Goldenberg, Leo Bemoreira Boechat e Luiz Antonio Simas, rua do Ouvidor, 08 de dezembro de 2007

À certa altura, já por volta das sete da noite, eis que surge Fernando José Szegeri.

Surge Fernando Szegeri e muda-se o eixo da rua em direção a ele. O cara é um portento. Rouba as atenções, é mais assediado que o Sting em qualquer lugar do mundo, e começamos, ali, então, a fazer os planos para a noite, quando os Inimigos do Batente se apresentariam – e se apresentaram, e foi lindo! – no Trapiche Gamboa.

Amanhã, evidentemente, conto a vocês o que foi a noite desse sábado inacreditavelmente bonito.

Bruno Tirone, Fernando Szegeri e Daniel Frangiotti na livraria Folha Seca, 08 de dezembro de 2007

Adianto, entretanto, que eu estava derrubado às quatro horas da manhã, implorando à minha Sorriso Maracanã para que fôssemos embora.

Fernando Szegeri, Brunão, Gordo e Luiz Antonio Simas ainda ficaram bebendo numa espelunca, na esquina da rua Camerino com Sacadura Cabral, até sete e meia da manhã.

E pra fechar por hoje, esses dois sorrisos que embelezam qualquer parada… Minha garota, a Sorriso Maracanã, e Railídia Carvalho, minha comadre querida.

Dani Pureza e Railídia no Trapiche Gamboa, 08 de dezembro de 2007

Até.

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