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EU SABIA!

Ontem mesmo eu escrevi aqui que o final da notinha publicada ontem na coluneta do Joaquim Ferreira dos Santos (leia aqui) escondia “uma incitação aos instintos dos investidores que mantêm mentiras espalhadas pela zona sul”.

Vinte e quatro horas depois eis a nota de hoje:

nota publicada no jornal O GLOBO de 24 de julho de 2006

Vem mais merda por aí, anotem. Vou deixar minhas previsões registradas aqui para que depois, daqui a uns meses, quando o lixo for inaugurado, eu possa repetir sorrindo e de pé no banquinho de madeira do buteco imaginário: eu sou preciso do início ao fim!

Ana Cristina Reis exaltará o “pólo plurigastronômico”. A Luciana Fróes (também com atentados apontados por mim, aqui) escreverá matéria de capa da revista RioShow, de O GLOBO, numa das sextas-feiras seguintes à inauguração. A coluneta do Joaquim Ferreira dos Santos dará nota em cima de nota, afinal Antônio Rodrigues, mega-investidor e testa-de-ferro de espanhóis que não querem aparecer, sabe agradar a imprensa, os famosos, os nem-tanto, mas isso deixa para lá, com a licença do Stanislaw Ponte Preta. O Ed Motta (um bobo, um deslumbrado, um pernóstico, um anti-brasileiro, vejam aqui) dará entrevistas comentando a qualidade das cervejas belgas que lá serão vendidas.

Tudo muito triste.

E os editores do jornal, ó, em silêncio.

Até.

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ACR E UM PLÁGIO

Hoje farei a demonstração de um plágio nojento, às escâncaras. Se encaro a cruzada contra os atentados planejados pelo Joaquim Ferreira dos Santos com bom humor, se comecei há pouco a marcar em cima o J. Lessa e se até a Luciana Fróes entrou na roda, agora é a vez da Ana Cristina Reis, jornalista (risos) que assina colunas no descartável, desprezível e abjeto caderno Ela, do jornal O Globo, ser alvo da ferina caneta que uso no Buteco. Mas o troço agora é mais sério. Trata-se de plágio que é, como se sabe, “a apresentação feita por alguém, como de sua própria autoria, de trabalho, obra intelectual etc. produzido por outrem”, na definição precisa do Dicionário Houaiss.

A Ana Cristina Reis, que não escreve rigorosamente nada de interessante, no dia 19 de março de 2005, mantendo a linha fútil que caracteriza o caderno já citado, publicou matéria intitulada Bistrôs parisienses. Vamos transcrevê-la:

“Entre um restaurante estrelado e outro, tem sempre lugar para um bistrô quando o destino é Paris. Aqui vai uma lista dos meus preferidos, para guardar na agenda. Além de ótima comida, você economiza na conta para depois gastar em comprinhas: os menus custam de 28 a 38 euros por pessoa. Um casal, pedindo sobremesa e vinho, gasta cerca de cem euros. Nada mal para Paris, n’est ce pas? Aqui vão eles:

Aux Lyonnais: Rue St. Marc 32 (4296-6504). É o bistrô de cozinha lionesa de Alain Ducasse com Thierry de la Bosse, do L’Amie Louis. São de ajoelhar os ovos com camarões e cogumelos.

La Régalade: Avenue Jean Moulin 49 (4545-6858). Trocou de chef mas continua superbe com seu leitão à pururuca.

Chez Michel: Rue de Belzunce 10 (4453-0620). Tem o melhor ovo mexido com creme de Paris.

L’Os à Moelle: Rue Vasco da Gama 3 (4557-2727). O filé com tutano é imbatível.

Café Moderne: Rue Notre Dame des Victoires 40 (5340-8410). Peça o dourado com beurre blanc.

Chez Denise: Rue Prouvaires 5 (4236-2182). São famosas suas batatas fritas, que escoltam quase todas as receitas. O pé de porco, supimpa, não é desmembrado: vem com todos os seus 32 ossinhos.”

Que nojo!

Perdoem o desabafo acima, mas tudo vai ficar mais claro.

O que dá a entender a solteirona pernóstica? Em primeiro lugar que é íntima de Paris, o que pode até ser verdade, mas que com o tom que imprime ao texto (que não é seu!) ganha cores de nauseante informação. Em segundo lugar que 100 euros é uma pechincha. Leiam isso aqui e vejam se a moça não mente, além de tudo. Mas enfim… Vamos ao que interessa.

Tenham em mente, entretanto, que ACR lista seis de “seus” bistrôs parisienses “favoritos”, certo? Excelente. Agora tomem nota.

Em 13 de março de 2005, portanto seis dias antes da publicação da imunda matéria assinada pela plagiadora, o NEW YORK TIMES publicou extensa matéria, de autoria de Mark Bittman, intitulada “Does the Affordable Paris Bistro Still Exist? Oui.”. Leiam a matéria aqui (é necessário cadastro, grátis e fácil de fazer!!!!!). Mas você não está com paciência de fazê-lo? Daqui, de pé no balcão imaginário do Buteco, eu mastigo tudo pra você! Eis a matéria, não na íntegra (é enorme e posso mandá-la para quem me pedir por aqui), mas com os principais trechos (nos quais fica evidente o plágio) negritados:

“CHEZ MICHEL

Inside Chez Michel, a cozy neighborhood bistro beyond the Gare du Nord, the atmosphere is a tad nautical, the menu dotted with specialties of Brittany. My companion and I share brouillade d’oeufs, the creamy stew of scrambled eggs and cream, a stew of wild boar and a fantastic brandade de morue, the elegant and classic salt cod mousse – this one served in a little jam jar, beautifully browned on top and accompanied by broiled tomato, tapenade and salad.

The prix fixe bill: 30 euros each, or $40, at $1.35 to the euro.

L’OS À MOELLE

And it is, almost amazingly so, especially the 38-euro prix fixe menu. The seating is fairly comfortable, too, so the couple of hours you spend indulging your palate won’t leave you crippled.

The table is set with good rye bread with a super crust and bulots – the large snails that are so delicious one would happily order them if they weren’t being offered free – served with a parsley sauce. This was followed by a soup of Jerusalem artichokes with crunchy croutons and a shaving of black truffles. My companion opted for seared foie gras, served quite rare, with apples, beet greens and a slightly sweet dressing, while I chose a black truffle omelet. Other highlights: big scallops, served in shells, with root vegetables, lots of butter, and salt, and a huge, gorgeous marrow bone, served with a small steak.

CAFÉ MODERNE

The prix fixe for both lunch and dinner is 30 euros.

In between, the food has its highs and lows: nicely crisped dorade, served with green cabbage, tiny clams and beurre blanc, was a winner, as was risotto with langoustine. Pan-fried chicken stuffed with garlic and herbs, with about a pound of mashed potatoes and a sweet and sour brown sauce, is a bit too straightforward, which isn’t to say it was not good enough to finish. A couple of other dishes were questionable, especially the lasagna with escargot.

LA RÉGALADE

When the ownership (and chef) of La Régalade changed last summer, many of its regulars feared a great thing was gone forever.

When the staff deigns to notice you, you’re brought a pork terrine, along with bread and cornichons. The terrine, which is so silken one might think it contained 80 percent fat, is divine; you could easily get full on this and a glass of Beaujolais, and probably leave without anyone’s noticing.

But that would not be wise. You might miss the exemplary brouillade d’oeufs (with black truffles, for a supplementary charge), and you would not be able to exclaim, as did one of my companions upon cutting into a breast of pork with glistening, crunchy skin and a fork-tender underbelly, “This is the best thing I ever ate in my life.”

The fixed price for both lunch and dinner is 30 euros, and though you’ll undoubtedly select a dish that carries a supplement, at 40 euros it’s still a bargain.

AUX LYONNAIS

There is a 28-euro prix fixe at Aux Lyonnais, but the best offerings are à la carte.

Here, the gutsy food is prepared with great attention, and the service is better than average. (You have to figure that Mr. Ducasse’s staff is reasonably well trained.) I’ve eaten my way through the menu and have yet to find a nondessert dish that I didn’t adore. Eggs cooked in cream with mushrooms and shrimp were universally beloved (one of my companions, who ate this back in October, is still talking about it); a stew of winter vegetables (served in January) was a surefire remedy for midwinter blues, containing chestnuts, salsify, turnips, shallots, onions, potatoes, a load of butter and a bit of good stock.

CHEZ DENISE

The côte de boeuf, served with marrow bones, is theoretically for two but really suitable for a family of four. On my most recent visit I ordered pied de cochon and was served an entire foot, grilled. The waiter mocked me because it didn’t come with French fries – they are really not to be missed – but my companion’s calf’s liver did, and since she was busy with the liver and its mound of bacon, I got my share. The crisp-tender pig’s foot was work, as it always is when the kitchen doesn’t disassemble it (there are 32 bones in a pig’s foot), but it was a chore well worth tackling. Other choices include kidney, brains, steaks and chops, and I’ve yet to find a loser among them. A meal comes to about 30 euros.

The price for a meal for two, with wine and tip, at these six restaurants is about 100 euro, or $135. And though they all accept credit cards, it’s safer to assume that American Express will be refused; take your Visa card or MasterCard. You can travel to all of these places effortlessly (and relatively inexpensively) by taxi, or with a little work by Mètro.

Chez Michel, 10, rue de Belzunce, 10th Arrondissement; (33-1) 44.53.06.20.

L’Os à Moelle, 3, rue Vasco de Gama, 15th; (33-1) 45.57.27.27.

Café Moderne, 40, rue Notre-Dame-des-Victoires, Second; (33-1) 53.40.84.10.

La Régalade, 49, avenue Jean-Moulin, 14th; (33-1) 45.45.68.58. Reservations essential.

Aux Lyonnais, 32, rue St.-Marc, Second; (33-1) 42.96.65.04.

Chez Denise, 5, rue Prouvaires, First; (33-1) 42.36.21.82.”

E o que é que há de importante para verificar?

Os seis restaurantes que a pífia Ana Cristina Reis lista são exatamente os mesmos seis listados pela matéria do NYT.

Os detalhes apontados pela ordinária Ana Cristina Reis são exatamente os mesmos apontados por Mark Bittman. Vamos a eles (estão negritados na matéria do NYT):

01) No CHEZ MICHEL, Ana Cristina Reis recomenda o melhor ovo mexido com creme de Paris; Mark Bittman fala dele.

02) No L´OS A MOELLE, Ana Cristina Reis recomenda o filé com tutano; o mesmíssimo prato citado por Mark Bittman.

03) No CAFE MODERNE, Ana Cristina Reis recomenda o dourado com beurre blanc; Mark Bittman, claro, idem idem idem.

04) No LA RÉGALADE, Ana Cristina Reis, de maneira imunda (usando a palavra superbe), recomenda o leitão a pururuca; mesma dica de Mark Bittman.

05) No AUX LYONNAIS, Ana Cristina Reis diz que são de ajoelhar os ovos… (pausa para vomitar)… Evidentemente que Mark Bittman recomenda o mesmíssimo prato.

06) No momento de comentar sobre o Chez Denise, aí sim, Ana Cristina Reis perde ainda mais as estribeiras como se fosse possível. Ela ainda poderia – sem êxito, digo desde já – dizer que tudo foi uma terrível coincidência (risos). Mas ela exalta o fato de que, nesse bistrô de merda, o “pé de porco, sumpimpa, não é desmembrado: vem com todos os seus 32 ossinhos”. Atentem para o que vai negritado no comentário de Mark Bittman. É de vomitar de novo.

Uma plagiadora. Um embuste.

Ah, sim. Evidentemente que nada aconteceu diante do plágio escancarado que, também é evidente, foi descoberto por alguém. Ana Cristina Reis é editora (risos) do abominável caderno Ela.

Até.

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DE NOVO, E PELA ÚLTIMA VEZ, ELA

Doces figuras, como o Buteco se propõe a tratar de gente, eu havia prometido a mim mesmo nunca mais citar a figura desprezível da Ana Cristina Reis, que, sabe-se lá como, conseguiu a editoria do Caderno Ela, igualmente desprezível, e talvez aí resida a grande sacada dos diretores do Jornal O Globo.

Mas como aqui mesmo no Buteco escrevi breve texto sobre um de seus artigos no qual Ana Cristina Reis menospreza os trabalhadores sem-terra, se diz, ridiculamente, uma sem-vinho, sem-piscina e sem-sandália-italiana-de-strass, não resisti a reproduzir para vocês trechos do artigo publicado hoje no mesmo caderno.

Percebam, leitores, como Ana Cristina Reis cai em contradição (quando fala dos vinhos), como Ana Cristina Reis é fútil (passou duas noites em Buenos Aires assistindo “Celebridade”) e como Ana Cristina Reis é odiosamente preconceituosa (quando compara os pedintes argentinos e brasileiros).

É, prometo de novo, agora publicamente, a última vez que lanço luzes sobre essa alma soturna e escura. Eis os trechos:

“No último sábado, estava de cachecol e cashemere, céu azul sobre a cabeça, vinho à mesa, folhas de outono à volta, sentada num café na Recoleta vendo o tempo e os portenhos passarem. É, eu não tenho ódio dos argentinos. Mas por pouco não mudo de idéia na última hora.”

Ela não era uma sem-vinho? E vai beber logo na Recoleta, o mais caro e mais pernóstico bairro de Buenos Aires? Tsc.

Mais:

“Pedinte por pedinte, prefiro os de Buenos Aires no inverno: usam gorro, luvas e casaco.”.

Mostra-se, de novo, preconceituosa, odiosamente preconceituosa. Tsc.

Segue Ana Cristina Reis:

“Compreendo nossa rixa com os portenhos num ponto: eles não são mesmo simpáticos.”.

É incrível. Estive em Buenos Aires com a Dani, o Zé, a Gi e a Guerreira no ano passado.

Impressionou-nos a extrema simpatia dos argentinos, a receptividade, o sentimento da unidade da América Latina, ainda mais que lá estivemos logo depois da eleição do Lula, que eles enxergavam, como eu, como uma guinada em direção ao favorecimento das camadas mais pobres, e às vésperas da eleição na Argentina, quando o povo era claro ao manifestar seu desejo de mudança nos rumos de sua política econômica.

Como Ana Cristina Reis odeia pobre, talvez isso explique a razão de sua impressão torta.

A antipática, para dizer o mínimo, é ela. Tsc.

Mais:

“Todas essas profundas considerações, faço-as agora, sóbria. Porque lá, curtindo o friozinho e a companhia de minha irmã, a única preocupação era saber qual seria o vinho da próxima refeição.”.

Como bebe a “sem-vinho”… Tsc.

Seguindo:

“Por duas vezes, ficamos no quarto vendo “Celebridade”. Em boa companhia: vinho, queijos e frios.”.

Programaço, o de Ana Cristina Reis. Mil vezes tsc.

Bem, doces figuras, eu não resisti – e é a última vez, quero repetir – a mostrar a vocês quem é essa Ana Cristina Reis, editora, a que ponto chegou o jornalismo (salco exceções que se contam numa mão, ainda existe?) brasileiro.

Ah, em determinado do artigo que intitulou “Ah, o amor”, Ana Cristina Reis diz que, apesar da antipatia dos portenhos, ela não temeu ser cuspida na cara por um deles por força de uma lei que proíbe o argentino de cuspir na rua.

Cuspo eu, daqui, então.

Até.

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O ÓDIO (OU A FRUSTRAÇÃO) DE ANA CRISTINA REIS

Doces figuras, vou deixar por alguns instantes o tom pessoal da revista para, voltando aos velhos tempos, que jamais me abandonaram, sentar o cacete numa figura abjeta que trabalha como editora do jornal O Globo, e isso já é incompreensível, eis que a mesma não é jornalista e não tem nem cacoete de jornalista. Ana Cristina Reis, editora do dispensável, fútil, inútil e acéfalo caderno Ela do jornal O Globo, publicado aos sábados, assinou uma coluna no caderno do dia 17 de abril de 2004, que seria motivo o bastante para qualificá-la como uma desqualificada para a função que exerce.

O título da coluna é “ÓDIO”, sentimento que a mesma consegue, com louvor, despertar no leitor de sua absurda visão. Segue trecho abaixo, em itálico, seguindo-se meus comentários.

“O que a gente aprende na vida… Descobri recentemente que preciso liberar o ódio que existe dentro de mim. Nunca rodei a baiana com namorado, amigo, irmã, pais. Nunca vi ninguém da família gritando ou se xingando. Nunca desejei mal a um desafeto ­ desejava que fosse promovido e mudasse de seção. Por conseguinte, é claro que devo ter muito ódio em estoque. Até a semana passada, essa história de soltar os cachorros ­ e liberar aversão, repugnância e desprezo ­ era retórica, um exercício saudavelmente teórico. O máximo que despertou em mim foi dizer para o sujeito que insistia em espirrar água suja com sabão no pára-brisa do meu carro: “Poupe-me, rapaz. Mas a fachada de verniz está vindo abaixo. Está ficando difícil suportar tanta incompetência e tanta ausência. Não agüento mais ouvir falar do MST. Vi na TV uma reportagem que dizia “os trabalhadores do MST querem”, os “trabalhadores do MST exigem”. Os trabalhadores. E eu sou o quê? Desocupada? Porque já sei que sou boba ­ pago imposto, sigo a lei e não solto os cachorros em ninguém. O que me impede de invadir a piscina do prédio ao lado? Eu sou uma sem-piscina. O que me impede de subtrair aquela sandália italiana de strass, lindona, que minha amiga só usa uma vez por mês no máximo? Eu sou uma sem-sandália de strass. O que me impede de pegar caixas de vinho da loja de bebidas que tem tantas garrafas? Eu sou uma sem-vinho.”

Vejam bem. Ana Cristina Reis, que atende neste e-mail, deu o nome de “ÓDIO” à sua coluna, mas melhor caberia se fosse “ODE À FRUSTRAÇÃO”.

Há erros crassos no texto paupérrimo da moça (incrivelmente ela é uma moça, embora o discurso seja velho, rançoso, quatrocentão).

Começa quando a mesma diz que precisa liberar o ódio que existe dentro dela. Pobre coitada, não há nada, rigorosamente nada, dentro de Ana Cristina Reis. Vamos seguindo.

Percebe-se, ao longo da leitura, que Ana Cristina Reis mente. Mente quando diz que a um desafeto, desejava uma promoção e a mudança da seção no trabalho. Não é necessário usar mais de um neurônio para enxergar aí, neste ponto de seu texto tosco, a mentalidade da editora, que deve seguramente tratar seus “empregados” como escravos, afastando-os e mantendo, segundo sua visão estrábica e preconceituosa, o ambiente higienizado.

Percebe-se, ao longo da leitura, que Ana Cristina Reis é parte de uma burguesia suja, responsável pelo abismo que abre verdadeiras crateras no desigual tecido social brasileiro.

Percebe-se isso quando a asquerosa editora diz que, quando parada com seu carro no sinal é abordada por um garoto que não tem escola, que não tem emprego, que não tem acesso à nada, diz apenas “poupe-me, rapaz”, e deve dizer isso de dentro do carro, de vidros fechados, com cara de nojo e insensível aos problemas que arrastaram aquele garoto para os sinais de trânsito e não para os bancos da escola.

Aliás, Ana Cristina Reis, certamente, terá sido uma odiosa combatente dos CIEP´S, o maior programa educacional já implementado no País. “Imagine”, pensava Ana Cristina Reis, “esses rapazes que deveriam estar limpando vidros de carro com água suja e sabão estudando em escolas de tempo integral, com assistência médica, odontológica e fazendo três refeições por dia!”.

Percebe-se, ao longo da leitura, que Ana Cristina Reis, é burra. Burra e frustrada.

Queixa-se de não ter piscina em casa, e é impossível não lembrar dos versos “a tua piscina está cheia de ratos”, de Cazuza.

Queixa-se de não ter uma sandália italiana de strass e de não ter vinhos, dizendo-se também uma “sem-vinho”, numa alusão novamente pobre, estúpida e repugnante aos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que são, sem dúvida, o mais importante movimento de que temos notícia no Brasil, liderado hoje por João Pedro Stedile.

Ana Cristina Reis, quando cita o MST e seus membros, fala em trabalhadores, entre aspas, expediente ordinário para dar tintas de deboche ao título.

Vamos repetir esse trecho: “Não agüento mais ouvir falar do MST. Vi na TV uma reportagem que dizia “os trabalhadores do MST querem”, os “trabalhadores do MST exigem”. Os trabalhadores. E eu sou o quê? Desocupada? Porque já sei que sou boba ­ pago imposto, sigo a lei e não solto os cachorros em ninguém.”

É preciso que alguém diga, e daqui eu digo, a essa moça, quero repetir, desqualificada para a função que exerce, o que ela quer saber quando pergunta “e eu sou o que?”.

Ana Cristina Reis, quando diz que paga os impostos e segue a lei, precisa saber que a lei a que ela se refere, é, ou deveria ser, para todos e por todos cumprida.

Ela, eu posso dizer, é uma frustrada, ou não estaria se valendo de espaço num jornal do porte de O Globo para destilar suas frustrações, suas queixas de que não tem piscina, de que não tem sandália italiana de strass e de que não tem vinho.

Quanto ao vinho, eu sei e posso afirmar que é mentira. Não sei se Ana Cristina Reis faz parte dos “Companheiros da Boa Mesa”, mas é assídua freqüentadora dos almoços mensais da confraria. É reconhecidamente citada em colunas de diversos jornais como conhecedora de vinhos, da alta gastronomia, o que, a bem da verdade, não depõe contra. O que depõe contra é a desfaçatez de Ana Cristina Reis quando diz que é uma “sem vinho”, e o que é pior, tudo isso para destilar seu ódio, daí o nome com que batizou a coluna, contra o MST.

Seria recomendável que a moça, que deve bradar aos quatro ventos que é jornalista, lesse a edição 288 da revista Carta Capital, que faz jornalismo de verdade.

Para saber que os assentamentos, arrancados à força pelos bravos lutadores do MST, têm trazido significativos ganhos sócio-econômicos que saltam a olho nu. Tomando por base 15 mil famílias assentadas entre os anos de 1985 e 1997, pesquisadores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro coletaram dados sobre os impactos da reforma agrária em todo o País.

Diz a matéria, assinada por Amália Safatle e Luiz Alberto Weber, que os assentamentos elevaram o poder de compra das famílias assentadas, dinamizaram o comércio local das cidades em volta dos assentamentos, melhoraram as condições de alimentação da população assentada, reforçaram os laços familiares, aumentaram o poder de organização política dos trabalhadores, incrementaram o status social dos ex-sem-terra, diversificaram a pauta agrícola e geraram empregos. E o mais importante. Todos foram incluídos na pauta da cidadania. Um dado importantíssimo da pesquisa, e isso está lá na matéria, diz que “96% dos assentamentos pesquisados tiveram como origem movimentos de resistência ou ocupação de áreas (…), foram feitos na marra, sem esperar pela boa vontade do poder público, empunhando bandeiras do MST (…)”.

É como diz João Pedro Stedile, em entrevista à Carta Capital: “Qualquer assentamento no Brasil, seja do MST ou não, é uma escola de cidadania. lá as pessoas conquistam os direitos de cidadão. A maioria continua pobre. Mas todos se alimentam bem, todos têm trabalho, todos têm casa, mesmo que seja humilde, e todas as crianças, todas, vão à escola.”.

Tudo isso deve ser insuportável para uma pessoa como Ana Cristina Reis.

Que não é pobre, está longe disso, mas quer mais. E além de querer mais, não admite a luta, fundamental para as conquistas mínimas de um cidadão, para os que nada tem.

Escola de cidadania nela.

Se ainda houver tempo.

Até.

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