>RAILÍDIA CARVALHO, UMA PEQUENA HOMENAGEM

>

Estive de novo, uma vez mais, em São Paulo no final da semana passada. Graças à ação conjunta de amigos que me presentearam com as passagens de ida e de volta – e eles sabem de minha gratidão por conta disso, citá-los tornaria a leitura modorrenta -, cheguei em São Paulo às 14h15min de sexta-feira e de lá voltei apenas no final do dia de ontem, depois de um almoço de antologia no fabuloso SINHÁ, do Julinho Bernardo.
Tudo foi incrivelmente perfeito e a enxurrada de emoções tornou a viagem simplesmente inesquecível. Fortaleço meus laços com São Paulo – a banda boa de São Paulo! – cada vez mais, onde tenho amigos incríveis e uma família, literalmente uma família cujo nascedouro é o homem da barba amazônica, meu irmão de fé, Fernando Szegeri. Foi ele, brasileiro máximo, que me apresentou a São Paulo que aprendi a amar. Foi ele que me apresentou pessoas incríveis, imprescindíveis para mim, foi ele que gerou três filhos lindos com duas mulheres lindas, ambas minhas comadres, eu que sou padrinho de duas de suas filhas. Mas o que quero lhes dizer hoje, em forma de homenagem, envolve minha comadre Railídia Carvalho, e me permitam um novo intróito.
A Rai, como é carinhosamente chamada, é paraense e adotou São Paulo quando casou-se com o Fernando, lá se vão muitos anos. Um dia, corria o ano de de 2004, estava eu com o Fernando numa memorável roda de samba em Botafogo, aos pés do Pão de Açúcar e às margens da Baía de Guanabara. Quatro da manhã e ele me chama às falas. Comovido como o diabo, deu-me, naquela noite, sua filha Iara, filha também da Rai, como afilhada (o relato do troço está aqui).

De lá pra cá estreitaram-se meus laços com a Railídia, e é sobre ela – daqui pra frente – que quero falar.

A Rai é uma mulher amazônica, brasileira do mais alto fio de cabelo à sola dos pés ainda molhados pelas águas dos rios e igarapés que ajudaram a moldar sua alma sensível e gigantesca. Pois no sábado, meus poucos mas fiéis leitores, estava eu fumando meu cigarro do lado de fora do Ó DO BOROGODÓ quando minha comadre desceu do carro e aproximou-se de mim, majestosa e iluminada.

Estava pra começar a roda de samba dos Inimigos do Batente. Linda, vestida de flores e com uma flor vermelha nos cabelos, deu-me um abraço que foi a senha para o que estava por vir. A Rai estava – e o troço dá-se a cada sábado, mais forte nesse dia em que a roda louvava o Dia da Consciência Negra – possuída.

Cantou descalça, pôs a foto de seus ancestrais na mesa – seu avô João Valente presente! -, cantou e encantou como uma encantada, chamou quem devia com a autoridade que só quem detêm poder pode chamar, cantou sorrindo, cantou chorando, e derramou sobre nós um axé que só quem esteve lá sentiu.

Na manhã de domingo, de papo com uns amigos, veio à tona o assunto: a imprensa brasileira, meia-boca que só ela, vira-e-mexe adula umas cantoras dessalgadas que são, nas manchetes produzidas pelo jabá e pelos releases, “novas deusas da Lapa”, “reivenções das raízes do samba”, “repaginações das tradições” e outras besteiras do gênero. Há muito que eu não vejo uma cantora com a carga que a Railídia carrega dentro dela.

Há muito que eu não vejo uma cantora com o domínio de repertório que a Railídia tem. É samba, é coco, é toada, é congada, é partido-alto, é chula, é ponto de macumba, é maracatu, ijexá, afoxé, batuque, caxambu, bumba-meu-boi, forró, xaxado e xote, maculelê, carimbó, é Brasil em sua máxima expressão.

Eu tenho um orgulho danado, desmedido, de ser amigo dessa mulher. De ser compadre dessa mulher. De tê-la no coração e de me saber guardado ali, naquele coração imenso e denso como as florestas do seu Pará.


Até.

3 Comentários

Arquivado em Uncategorized

>DO DOSADOR

>

* Recebi, nesses últimos dias, diversas chamadas de diversos leitores indignados (digamos…) com o que chamam de meu sumiço. Afinal de contas minha última publicação foi no dia 12 de novembro, há seis dias portanto, o que é, reconheço, um dos maiores hiatos desde que comecei a escrever por aqui. Nada de muito significativo aconteceu para que isso ocorresse, não ao menos comigo diretamente. O que há, apenas, é acúmulo de trabalho, problemas comuns a toda gente que tenho precisado enfrentar mais amiúde e nada além disso. Eis-me aqui de novo, então, para através de pequenas doses dizer-lhes algumas coisas;
* Estou indignado (mais uma vez) com mais uma iniciativa do jornal O GLOBO, esse jornalão carioca que se presta, desde sua fundação, a aniquilar com o que há de mais genuíno e caro ao cidadão brasileiro. Quem me lê sabe que bato há anos, e sem dó nem piedade, na publicação da família Marinho. Refiro-me ao perfil @ILEGALeDAI, criado pelo jornal, no twitter. Muito de meu afastamento deve-se a uma coisa: estou estudando, com afinco, aspectos constitucionais que defendem a privacidade do cidadão, que regulam as relações entre Estado e os cidadãos, uma série de aspectos que me parecem frontalmente desrespeitados por essa nojeira. E a que se deve (para quem não acompanha o twitter) esse perfil? Foi criado pelo jornal visando apenas receber denúncias feitas por leitores (geralmente umas bestas-quadradas) sobre toda e qualquer “irregularidade” na cidade do Rio de Janeiro. Notem, de cara, o absurdo da coisa (deixarei para mais à frente, nos próximos dias, um estudo mais profundo do caso): cidadãos munidos de todo tipo de parafernália (câmeras digitais, celulares com câmera etc) têm enviado para O GLOBO (que por sua vez replica a denúncia) fotografias de todo gênero com o que eles (as bestas-quadradas) chamam de denúncias. Carros estacionados em locais proibidos, bares com mesas e cadeiras nas calçadas e por aí vai. De cara, qualquer beócio pode imaginar uma quantidade incrível de iniquidades. E se os bares-alvos da escumalha tiverem licença da municipalidade para o uso da calçada? E se o carro está estacionado lá por conta de qualquer emergência e momentaneamente autorizado pela autoridade policial? São tantas as hipóteses e tão pouco o cuidado dos inábeis operadores do perfil @ILEGALeDAI que a coisa é, digo sem medo do erro, um risco tremendo para o bem-estar da socidade. Leitores mais babacas fazem questão, inclusive, de fotografar as placas dos veículos! E isso – tirem as crianças da sala! – por conta do incentivo irresponsável do jornal O GLOBO, já que o @ILEGALeDAI fica implorando (e hoje para 4.755 seguidores) por denúncias, imagens, dados que possibilitem a identificação do suposto violador das normas e das posturas oficiais. Este blog, que mantém perfil no twitter – @butecodoedu -, é claro, já foi bloqueado pelos canalhas. Não admitem críticas. Não admitem o confronto. E antes que me julguem daí, que fique claro: é evidente (por formação pessoal e profissional) que não sou a favor das ilegalidades lato sensu. Mas não me convencem os argumentos do jornal de que esse perfil foi criado para servir de ponte entre o cidadão e o Poder Público. Em primeiro lugar porque cabe ao Poder Público, através de suas ouvidorias e de seus órgãos fiscalizadores, receber as denúncias, apurá-las e eventualmente punir qualquer ilegalidade cometida por quem quer que seja, não ao jornal, que filtrará tudo o que receber conforme sua conveniência. Em segundo lugar porque esse tipo de iniciativa funciona como um fomento perigoso para que os ratos-cidadãos saiam do esgoto munidos de suas parafernálias a fim de resolverem, por viés inadequado, suas frustrações. Não por outra razão já vemos entre os 4.755 seguidores do @ILEGALeDAI centenas (ou milhares) de perfis criados exclusivamente com este fim. É a mesma escumalha que refere-se aos CDR´s de Cuba (os Comitês de Defesa da Revolução) com revolta, e aqui repetem (com uma finalidade infinitamente menos nobre), muito mal comparando, o mesmo modus operandi. É imperioso que o Ministério Público reaja a esta iniciativa do jornal. É triste ver que políticos-de-merda, investidos de cargos tanto no Município como no Estado, comemorem a criação do canal do jornal O GLOBO. Querem, é evidente, a vitrine, não o bem da cidade e da sociedade que representam. Fica este post como primeiro registro neste blog para uso futuro: a se manter a coisa do jeito que está viveremos tempos de intensa tensão social. Está feito, humildemente, meu alerta;

* amanhã cedo embarco para São Paulo para o que se anuncia um grande final de semana – o que significa que só retornarei ao balcão virtual do BUTECO na segunda-feira. E desde já deixo minha dica para o sábado em São Paulo (roteiro meu de todo o sempre), dessa vez especial por conta da coincidência das datas: no sábado, dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, a grande dica é a roda de samba dos Inimigos do Batente no Ó DO BOROGODÓ. Imperdível;

* foi uma imensa surpresa receber a notícia através de um de meus poucos mas fiéis leitores, Marcelo Vendramel. A cervejaria CERPA está relançando, depois de muitos anos, a cerveja TIJUCA, criada no final da década de 60 (ou início de 70, não consegui apurar com precisão) apenas para exportação. O Marcelo não apenas me mandou a foto do tesouro (aqui) como me pôs em contato direto com a fábrica, em Belém. Pois lá fiquei sabendo que a cerveja, segundo o representante que me atendeu muito superior à clássica CERPA, está sendo relançada para venda no Brasil por conta da recente invasão das cervejas importadas no país. A antiga TIJUCA EXPORT (jamais vendida por aqui) tinha outro rótulo, hoje vendido como relíquia para colecionadores (vejam aqui). Já mexi meus pauzinhos e estou contando as horas para receber a primeira garrafa em minhas mãos. Sem qualquer modéstia eu lhes digo: ninguém, mais do que eu, merece dar o primeiro gole nessa preciosidade, eu que tenho pela Tijuca, meu bairro, meu berço, minha aldeia, um amor que não pode ser medido. E antevejo: beberei TIJUCA pelo resto da vida!

Até.

5 Comentários

Arquivado em Uncategorized

>E PROSSEGUE O ENEM 2010

>http://d1.scribdassets.com/ScribdViewer.swf?document_id=42215076&access_key=key-myegec9lmg3prr2lmnk&page=1&viewMode=list

2 Comentários

Arquivado em Uncategorized

100 ANOS DE NOEL ROSA

Em 11 de dezembro de 1910 vinha ao mundo, justo no Brasil, justo no Rio de Janeiro, um gênio absoluto: Noel de Medeiros Rosa, mais conhecido como Noel Rosa. Cortou o céu, naquele longínquo 1910, o cometa Halley. E chegava à Terra o menino de classe média, branco, que numa passagem tão a jato quanto a do cometa foi capaz de escrever, para sempre, seu nome na História do Brasil – e não exagero.

Fui sempre, desde menino, um aficcionado pela obra de Noel. Mas confesso que mais recentemente, vendo e ouvindo o brasileiro máximo Luiz Antonio Simas, foi que tomei consciência absoluta da importância histórica de Noel. Simas e sua capacidade impressionante de contextualização foi o homem capaz de me fazer ver o quanto é fundamental rendermos homenagens, as mais variadas, as mais amplas, as mais completas!, para comemorar o centenário desse monstro sagrado que em pouco mais de 26 anos de vida produziu centenas de obras-primas que orgulham o povo da terra na qual viveu Noel Rosa.

Não me conformo – e o BUTECO será, de hoje em diante e até o dia 11 de dezembro uma trincheira na defesa dessa idéia – com a pasmaceira do Poder Público diante da importância da data. Não soube, até o momento, de nenhum movimento por parte da Prefeitura da Cidade ou mesmo do Governo do Estado com relação ao 11 de dezembro de 2010.

A data cai num sábado. E que seja feriado, o que simbolicamente seria bonito demais e sem causar maiores estragos ou discussões dos tecnocratas com relação a isso. E que a cidade pare para cantar e viver Noel Rosa. E que haja festa no Boulevard 28 de Setembro, e que os bares e botequins todos tenham autorização, neste dia, para colocarem mesas e cadeiras nas ruas, e que haja violões nos bares para que o povo cante aquele que soube, como ninguém, cantar o Rio de Janeiro e seu cotidiano depois de vivê-lo intensamente, sem amarras, sem divisas, sem compromisso com mais nada que não o conteúdo de sua obra.

Deixo vocês com esse filme bem bacana produzido pela Maria Helena Ferrari, mãe do Rodrigo Ferrari, dono da FOLHA SECA, a livraria do meu coração, ele um carioca fundamental que organizou, na última segunda-feira, uma noite antológica com Noel Rosa na rua, na voz de Pedro Paulo Malta e Alfredo Del Penho, Beto Cazes, Tiago Prata e Anderson Balbueno.

Se os políticos cariocas tivessem 1% do amor pelo Rio que tem o Digão estaríamos em melhores mãos.

Até.

1 comentário

Arquivado em gente, música, Rio de Janeiro

ALDIR BLANC ENCERRA IMBRÓGLIO COM GUARABYRA

Quem me lê sabe: em 13 de outubro de 2010 escrevi o texto Em nome da verdade (aqui) explicando o imbróglio envolvendo a declaração de voto de Aldir Blanc publicada em primeira mão aqui no Buteco e uma resposta a essa declaração dada pelo compositor Guarabyra no blog do jornalista (?!) Augusto Nunes, da Veja. Ontem, às 19h43min, o Globo on line publicou a resposta de Aldir Blanc – encerrando a questão – abaixo transcrita e que pode ser lida também aqui:

“Logo após o primeiro turno das eleições que apontou para um segundo turno, entre Dilma Rousseff e José Serra, o compositor Aldir Blanc fez uma declaração de apoio à candidata do PT. Pouco depois, uma contestação às opiniões de Aldir – feita pelo também compositor Guttenberg Guarabira e citando nominalmente o autor de “O bêbado e a equilibrista” – foi divulgada no blog do jornalista Augusto Nunes, na Veja On Line. A resposta de Aldir está neste artigo.

Que papelão, Margarida!

Por Aldir Blanc

O ex-amigo Guttenberg Guarabyra me esculhambou no site de um semanário pelo simples direito de declarar meu apoio a uma candidatura. Depois mandou um e-mail para meu advogado. Nele, disse que gosta muito de mim, e que não sabia como sua mensagem particular se tornara pública. Deixa eu ver se entendi: Guarabyra só ofende as pessoas de quem supostamente gosta em particular, não em público? É isso? No meio das sandices, me chama de covarde.

Trabalhamos anos e anos nas lutas autorais, sob o comando incansável e divertidíssimo do melhor de nós, Hermínio Bello de Carvalho. Guarabyra sabe que eu não sou covarde, mas, quando fui processado recentemente, pedi a ele uma declaração. Ele respondeu: claro, evidente, sem a menor dúvida… Na semana seguinte, quando telefonei atrás do papel, roeu a corda e disse que não mais o daria, “a conselho do advogado”. Deixo aos leitores o julgamento de quem é covarde.

Numa pergunta de rara estupidez, Guarabyra me interroga: “Quem é você para falar de torturados e mortos?”. Ô trouxa, eu cuidei, como médico, de dezenas deles: torturados, familiares de torturados, parentes que tiveram seus entes queridos entregues em caixão lacrado no velório pelos esbirros da ditadura. Os raros que burlaram as ordens de não abrir o caixão, encontraram os corpos mutilados e retorcidos, jogados como animais lá dentro. Mais uma: o jornalista Hugo Sukman nega categoricamente a versão atual de Guarabyra sobre a ordem dos entrevistados na matéria que gerou o processo contra mim. E agora? Você é covarde e mentiroso, ou está só confuso?

Esclareço que encerro aqui minha participação nessa idiotice, mas deixo uma sugestão: enfia a Margarida na bagagem e passa uns tempos em Bom Jesus da Lapa. Você era mais claro quando veio de lá. Até nunca mais.”

Até.

3 Comentários

Arquivado em música, política

>DECISÃO FINAL DO STF NO CASO FSP X STM

>

Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, conforme lhes contei detalhadamente aqui, o jornalão FOLHA DE SÃO PAULO, membro emérito do PIG (Partido da Imprensa Golpista, apud Paulo Henrique Amorim), tentou desesperadamente e literalmente dar um golpe na nação brasileira, conseguindo (no que não obteve êxito) acesso aos autos da ação penal, de 1970, envolvendo a presidente eleita, Dilma Rousseff. Às 15h45min do dia 29 de outubro, portanto a dois dias das eleições, a Ministra Relatora, Carmen Lúcia, negou seguimento ao recurso do jornalão paulista. Pois foi publicada no Diário da Justiça de hoje, 08 de novembro, a decisão da Ministra. A decisão, na íntegra, está abaixo.  

http://d1.scribdassets.com/ScribdViewer.swf?document_id=41543897&access_key=key-1ywp2i0rta4mb7kizwbl&page=1&viewMode=list

Até.

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

>TEMOS TODOS UM NOVO PAPEL A CUMPRIR

>

Sacramentado o resultado das urnas, eleita Dilma Rousseff para governar o Brasil pelos próximos quatro anos, derrotado o modelo neo-tucano-liberal, vitoriosa a verdade sobre a mentira e a calúnia, creio que temos todos uma certeza solidificada: a grande rede teve papel fundamental na vitória. Não se trata de supervalorizar nossa atuação (e refiro-me aos chamados “blogueiros sujos” e aos usuários do twitter que, incansavelmente, trocavam o dia pela noite em prol do bloqueio da onda de ódio e de inverdades propalada pelos oponentes). Mas simplesmente de afirmar o óbvio: cada blogueiro e cada blogueira teve papel importante na campanha, atuando, inclusive, como parte de uma espécie de conselho informal a orientar o comando da dita campanha eletrônica. Os responsáveis pela campanha do PT na grande rede dormiram muito no ponto, comeram muita mosca, e a militância foi fundamental para que as coisas tomassem o rumo certo na hora certa. Não por acaso sentimo-nos todos homenageados e representados no domingo quando o ator José de Abreu chorava no palco, atrás de Dilma Rousseff, comemorando a vitória depois de semanas estressantes, desgastantes e de muito trabalho. Não era apenas o Zé de Abreu que estava ali (o MarcosOvos, o ZéBigorna, alguns de seus condinomes no twitter), éramos todos nós.
E terminada a campanha temos de ter outra certeza: chegou a fim a campanha eleitoral e com ele incia-se outra tão grave e tão urgente quanto… Uma campanha para o pleno restabelecimento da democracia lato sensu. É preciso fazer baixar a poeira da campanha e suas imposições posturais, e dou exemplos: sabemos todos que candidato que não vai à Igreja fazer pose de cristão não se elege, saibamos disso; candidato que defende a discriminalização do aborto de forma incisiva não se elege, saibamos disso; candidato que isso, candidato que aquilo… enfim… há uma fórmula a ser seguida e que é preciso ser diluída após as eleições. O Brasil não precisa de uma boa-moça no comando, o Brasil precisa de uma pessoa firme, comprometida com o bem-estar dos brasileiros e estamos, nesse ponto, em boas mãos. Mas é preciso, em paralelo, exatamente como fizemos durante a campanha, comprar as brigas certas para evitar o mal maior – e passo a explicar.
Na terça-feira passada conversei com meu mano Luiz Antonio Simas. Brasileiro máximo, eleitor de Dilma Rousseff, meu irmão fechou os olhos (com extrema sabedoria) para os salamaleques marqueteiros que impuseram uma postura cristã na candidata eleita. Simas é preto, é africano, cultua os orixás, os encantados, e ele me dizia, comovido, que estava determinado a disparar uma campanha para defender aquilo que sempre é (e foi, é claro) omitido em época de campanha eleitoral: o candomblé, a umbanda, a encantaria, o Brasil mais profundo e mais caboclo, mais mestiço e mais bonito. Ou alguém acha que um candidato, posando ao lado de uma mãe-de-santo, dentro de um terreiro, se elege para algum cargo público?! Mas é preciso fazer correr o Brasil que há uma legião imensa de gente que se comove, mais por poesia do que por fé (como nos disse, certa feita, o próprio Simas), com esses troços tão presentes e arraigados na cultura brasileira. E por aí a fila tem que andar.
Tenho lido, pela grande rede, que todos têm esse mesmo desejo: o de unir forças, cada um com a sua fatia do bolo, em prol da disseminação da democracia, em prol da verdade, em prol da revisão da História, em prol de mais informação para mais gente a fim de que enterremos, aos poucos, a pretensão de quem pretende o poder pelo viés da mentira, do engodo e do sufocamento das (ditas) minorias.
O que me toca – eis o que quero lhes dizer desde o início – é o seguinte: tenho verdadeira ojeriza ao mau gosto. Mais que isso, preocupa-me demais um movimento que começa a pôr as mangas de fora e que tem nascedouro – eis o que é muito impressionante e preocupante! – numa juventude que está, aí, em sua grande maioria, na casa dos 15 aos 25 anos. Uma juventude que une-se, em pensamento e em ação, a uma parcela mais velha da população brasileira e que denota um vácuo gigantesco a exigir pulso firme do Ministério Público e de nós. O Ministério Público valendo-se de suas prerrogativas para exigir a punição dos excessos e nós exercendo o poder de fazer ecoar as nossas vozes capazes de tornarem públicas as barbaridades que estão correndo por aí. Vamos aos fatos.
O jornalista Paulo Henrique Amorim publicou, ontem, aqui, uma história arrepiante: estudantes paulistas lançaram mão do movimento SÃO PAULO (SÓ) PARA PAULISTAS. Pregam, os fascistas, o extermínio e a expulsão de imigrantes (nordestinos precipuamente) de São Paulo. Algo como fez a estudante de Direito, Mayara Petruso, que sugeriu aos paulistas o extermínio de nordestinos. Discordo frontalmente de um sociólogo da USP que diz que a jovem de idéias lastimáveis não pode ser transformada em bode expiatório, vejam aqui. Penso que pode e penso que deve. Somente com punições exemplares daremos um basta em movimentos como este. E tem mais…
Um sujeito que assina Mauro Freire, no twitter, disse o que disse como prova a imagem abaixo…       

O quê esperar disso? Quantas provas temos de que movimentos calcados no ódio se transformaram em movimentos que geraram as piores páginas da história da humanidade? O quê esperar de uma geração que desconhece por completo o que foi a ditadura militar no Brasil? O que esperar de uma pessoa (que não merece sequer ser chamado de “gente”) que deseja o que deseja esse tal de Mauro Freire? O mesmo – guardadas as devidas proporções – que desejou Martistela Bairros Schmidt – vejam aqui. O mesmo que fez o Deputado Federal reeleito – por eleitores da mesma estirpe – Jair Bolsonaro, que continua por aí, solto, mesmo depois de dizer “o grande erro foi torturar e não matar” – vejam aqui.
Nada disso pode ficar impune, e somos todos capazes de exigir a punição dessa escória.

Quando Dilma Rousseff, ex-guerrilheira, subir a rampa do Planalto e for reverenciada pelos chefes das Forças Armadas, as mesmas que protagonizaram prisões e torturas – que a vitimaram – no Brasil, estaremos – é fato – virando uma importante página de nossa História. E começando a escrever outra.

Nós, agentes da grande rede, temos de reescrevê-la também. Eu – isso eu garanto a vocês – estou fazendo a minha parte.

Até.

7 Comentários

Arquivado em Uncategorized