100 ANOS DE NOEL ROSA

Em 11 de dezembro de 1910 vinha ao mundo, justo no Brasil, justo no Rio de Janeiro, um gênio absoluto: Noel de Medeiros Rosa, mais conhecido como Noel Rosa. Cortou o céu, naquele longínquo 1910, o cometa Halley. E chegava à Terra o menino de classe média, branco, que numa passagem tão a jato quanto a do cometa foi capaz de escrever, para sempre, seu nome na História do Brasil – e não exagero.

Fui sempre, desde menino, um aficcionado pela obra de Noel. Mas confesso que mais recentemente, vendo e ouvindo o brasileiro máximo Luiz Antonio Simas, foi que tomei consciência absoluta da importância histórica de Noel. Simas e sua capacidade impressionante de contextualização foi o homem capaz de me fazer ver o quanto é fundamental rendermos homenagens, as mais variadas, as mais amplas, as mais completas!, para comemorar o centenário desse monstro sagrado que em pouco mais de 26 anos de vida produziu centenas de obras-primas que orgulham o povo da terra na qual viveu Noel Rosa.

Não me conformo – e o BUTECO será, de hoje em diante e até o dia 11 de dezembro uma trincheira na defesa dessa idéia – com a pasmaceira do Poder Público diante da importância da data. Não soube, até o momento, de nenhum movimento por parte da Prefeitura da Cidade ou mesmo do Governo do Estado com relação ao 11 de dezembro de 2010.

A data cai num sábado. E que seja feriado, o que simbolicamente seria bonito demais e sem causar maiores estragos ou discussões dos tecnocratas com relação a isso. E que a cidade pare para cantar e viver Noel Rosa. E que haja festa no Boulevard 28 de Setembro, e que os bares e botequins todos tenham autorização, neste dia, para colocarem mesas e cadeiras nas ruas, e que haja violões nos bares para que o povo cante aquele que soube, como ninguém, cantar o Rio de Janeiro e seu cotidiano depois de vivê-lo intensamente, sem amarras, sem divisas, sem compromisso com mais nada que não o conteúdo de sua obra.

Deixo vocês com esse filme bem bacana produzido pela Maria Helena Ferrari, mãe do Rodrigo Ferrari, dono da FOLHA SECA, a livraria do meu coração, ele um carioca fundamental que organizou, na última segunda-feira, uma noite antológica com Noel Rosa na rua, na voz de Pedro Paulo Malta e Alfredo Del Penho, Beto Cazes, Tiago Prata e Anderson Balbueno.

Se os políticos cariocas tivessem 1% do amor pelo Rio que tem o Digão estaríamos em melhores mãos.

Até.

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ALDIR BLANC ENCERRA IMBRÓGLIO COM GUARABYRA

Quem me lê sabe: em 13 de outubro de 2010 escrevi o texto Em nome da verdade (aqui) explicando o imbróglio envolvendo a declaração de voto de Aldir Blanc publicada em primeira mão aqui no Buteco e uma resposta a essa declaração dada pelo compositor Guarabyra no blog do jornalista (?!) Augusto Nunes, da Veja. Ontem, às 19h43min, o Globo on line publicou a resposta de Aldir Blanc – encerrando a questão – abaixo transcrita e que pode ser lida também aqui:

“Logo após o primeiro turno das eleições que apontou para um segundo turno, entre Dilma Rousseff e José Serra, o compositor Aldir Blanc fez uma declaração de apoio à candidata do PT. Pouco depois, uma contestação às opiniões de Aldir – feita pelo também compositor Guttenberg Guarabira e citando nominalmente o autor de “O bêbado e a equilibrista” – foi divulgada no blog do jornalista Augusto Nunes, na Veja On Line. A resposta de Aldir está neste artigo.

Que papelão, Margarida!

Por Aldir Blanc

O ex-amigo Guttenberg Guarabyra me esculhambou no site de um semanário pelo simples direito de declarar meu apoio a uma candidatura. Depois mandou um e-mail para meu advogado. Nele, disse que gosta muito de mim, e que não sabia como sua mensagem particular se tornara pública. Deixa eu ver se entendi: Guarabyra só ofende as pessoas de quem supostamente gosta em particular, não em público? É isso? No meio das sandices, me chama de covarde.

Trabalhamos anos e anos nas lutas autorais, sob o comando incansável e divertidíssimo do melhor de nós, Hermínio Bello de Carvalho. Guarabyra sabe que eu não sou covarde, mas, quando fui processado recentemente, pedi a ele uma declaração. Ele respondeu: claro, evidente, sem a menor dúvida… Na semana seguinte, quando telefonei atrás do papel, roeu a corda e disse que não mais o daria, “a conselho do advogado”. Deixo aos leitores o julgamento de quem é covarde.

Numa pergunta de rara estupidez, Guarabyra me interroga: “Quem é você para falar de torturados e mortos?”. Ô trouxa, eu cuidei, como médico, de dezenas deles: torturados, familiares de torturados, parentes que tiveram seus entes queridos entregues em caixão lacrado no velório pelos esbirros da ditadura. Os raros que burlaram as ordens de não abrir o caixão, encontraram os corpos mutilados e retorcidos, jogados como animais lá dentro. Mais uma: o jornalista Hugo Sukman nega categoricamente a versão atual de Guarabyra sobre a ordem dos entrevistados na matéria que gerou o processo contra mim. E agora? Você é covarde e mentiroso, ou está só confuso?

Esclareço que encerro aqui minha participação nessa idiotice, mas deixo uma sugestão: enfia a Margarida na bagagem e passa uns tempos em Bom Jesus da Lapa. Você era mais claro quando veio de lá. Até nunca mais.”

Até.

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>DECISÃO FINAL DO STF NO CASO FSP X STM

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Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, conforme lhes contei detalhadamente aqui, o jornalão FOLHA DE SÃO PAULO, membro emérito do PIG (Partido da Imprensa Golpista, apud Paulo Henrique Amorim), tentou desesperadamente e literalmente dar um golpe na nação brasileira, conseguindo (no que não obteve êxito) acesso aos autos da ação penal, de 1970, envolvendo a presidente eleita, Dilma Rousseff. Às 15h45min do dia 29 de outubro, portanto a dois dias das eleições, a Ministra Relatora, Carmen Lúcia, negou seguimento ao recurso do jornalão paulista. Pois foi publicada no Diário da Justiça de hoje, 08 de novembro, a decisão da Ministra. A decisão, na íntegra, está abaixo.  

http://d1.scribdassets.com/ScribdViewer.swf?document_id=41543897&access_key=key-1ywp2i0rta4mb7kizwbl&page=1&viewMode=list

Até.

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>TEMOS TODOS UM NOVO PAPEL A CUMPRIR

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Sacramentado o resultado das urnas, eleita Dilma Rousseff para governar o Brasil pelos próximos quatro anos, derrotado o modelo neo-tucano-liberal, vitoriosa a verdade sobre a mentira e a calúnia, creio que temos todos uma certeza solidificada: a grande rede teve papel fundamental na vitória. Não se trata de supervalorizar nossa atuação (e refiro-me aos chamados “blogueiros sujos” e aos usuários do twitter que, incansavelmente, trocavam o dia pela noite em prol do bloqueio da onda de ódio e de inverdades propalada pelos oponentes). Mas simplesmente de afirmar o óbvio: cada blogueiro e cada blogueira teve papel importante na campanha, atuando, inclusive, como parte de uma espécie de conselho informal a orientar o comando da dita campanha eletrônica. Os responsáveis pela campanha do PT na grande rede dormiram muito no ponto, comeram muita mosca, e a militância foi fundamental para que as coisas tomassem o rumo certo na hora certa. Não por acaso sentimo-nos todos homenageados e representados no domingo quando o ator José de Abreu chorava no palco, atrás de Dilma Rousseff, comemorando a vitória depois de semanas estressantes, desgastantes e de muito trabalho. Não era apenas o Zé de Abreu que estava ali (o MarcosOvos, o ZéBigorna, alguns de seus condinomes no twitter), éramos todos nós.
E terminada a campanha temos de ter outra certeza: chegou a fim a campanha eleitoral e com ele incia-se outra tão grave e tão urgente quanto… Uma campanha para o pleno restabelecimento da democracia lato sensu. É preciso fazer baixar a poeira da campanha e suas imposições posturais, e dou exemplos: sabemos todos que candidato que não vai à Igreja fazer pose de cristão não se elege, saibamos disso; candidato que defende a discriminalização do aborto de forma incisiva não se elege, saibamos disso; candidato que isso, candidato que aquilo… enfim… há uma fórmula a ser seguida e que é preciso ser diluída após as eleições. O Brasil não precisa de uma boa-moça no comando, o Brasil precisa de uma pessoa firme, comprometida com o bem-estar dos brasileiros e estamos, nesse ponto, em boas mãos. Mas é preciso, em paralelo, exatamente como fizemos durante a campanha, comprar as brigas certas para evitar o mal maior – e passo a explicar.
Na terça-feira passada conversei com meu mano Luiz Antonio Simas. Brasileiro máximo, eleitor de Dilma Rousseff, meu irmão fechou os olhos (com extrema sabedoria) para os salamaleques marqueteiros que impuseram uma postura cristã na candidata eleita. Simas é preto, é africano, cultua os orixás, os encantados, e ele me dizia, comovido, que estava determinado a disparar uma campanha para defender aquilo que sempre é (e foi, é claro) omitido em época de campanha eleitoral: o candomblé, a umbanda, a encantaria, o Brasil mais profundo e mais caboclo, mais mestiço e mais bonito. Ou alguém acha que um candidato, posando ao lado de uma mãe-de-santo, dentro de um terreiro, se elege para algum cargo público?! Mas é preciso fazer correr o Brasil que há uma legião imensa de gente que se comove, mais por poesia do que por fé (como nos disse, certa feita, o próprio Simas), com esses troços tão presentes e arraigados na cultura brasileira. E por aí a fila tem que andar.
Tenho lido, pela grande rede, que todos têm esse mesmo desejo: o de unir forças, cada um com a sua fatia do bolo, em prol da disseminação da democracia, em prol da verdade, em prol da revisão da História, em prol de mais informação para mais gente a fim de que enterremos, aos poucos, a pretensão de quem pretende o poder pelo viés da mentira, do engodo e do sufocamento das (ditas) minorias.
O que me toca – eis o que quero lhes dizer desde o início – é o seguinte: tenho verdadeira ojeriza ao mau gosto. Mais que isso, preocupa-me demais um movimento que começa a pôr as mangas de fora e que tem nascedouro – eis o que é muito impressionante e preocupante! – numa juventude que está, aí, em sua grande maioria, na casa dos 15 aos 25 anos. Uma juventude que une-se, em pensamento e em ação, a uma parcela mais velha da população brasileira e que denota um vácuo gigantesco a exigir pulso firme do Ministério Público e de nós. O Ministério Público valendo-se de suas prerrogativas para exigir a punição dos excessos e nós exercendo o poder de fazer ecoar as nossas vozes capazes de tornarem públicas as barbaridades que estão correndo por aí. Vamos aos fatos.
O jornalista Paulo Henrique Amorim publicou, ontem, aqui, uma história arrepiante: estudantes paulistas lançaram mão do movimento SÃO PAULO (SÓ) PARA PAULISTAS. Pregam, os fascistas, o extermínio e a expulsão de imigrantes (nordestinos precipuamente) de São Paulo. Algo como fez a estudante de Direito, Mayara Petruso, que sugeriu aos paulistas o extermínio de nordestinos. Discordo frontalmente de um sociólogo da USP que diz que a jovem de idéias lastimáveis não pode ser transformada em bode expiatório, vejam aqui. Penso que pode e penso que deve. Somente com punições exemplares daremos um basta em movimentos como este. E tem mais…
Um sujeito que assina Mauro Freire, no twitter, disse o que disse como prova a imagem abaixo…       

O quê esperar disso? Quantas provas temos de que movimentos calcados no ódio se transformaram em movimentos que geraram as piores páginas da história da humanidade? O quê esperar de uma geração que desconhece por completo o que foi a ditadura militar no Brasil? O que esperar de uma pessoa (que não merece sequer ser chamado de “gente”) que deseja o que deseja esse tal de Mauro Freire? O mesmo – guardadas as devidas proporções – que desejou Martistela Bairros Schmidt – vejam aqui. O mesmo que fez o Deputado Federal reeleito – por eleitores da mesma estirpe – Jair Bolsonaro, que continua por aí, solto, mesmo depois de dizer “o grande erro foi torturar e não matar” – vejam aqui.
Nada disso pode ficar impune, e somos todos capazes de exigir a punição dessa escória.

Quando Dilma Rousseff, ex-guerrilheira, subir a rampa do Planalto e for reverenciada pelos chefes das Forças Armadas, as mesmas que protagonizaram prisões e torturas – que a vitimaram – no Brasil, estaremos – é fato – virando uma importante página de nossa História. E começando a escrever outra.

Nós, agentes da grande rede, temos de reescrevê-la também. Eu – isso eu garanto a vocês – estou fazendo a minha parte.

Até.

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>JOSÉ DIRCEU – PELO RESTABELECIMENTO DA VERDADE

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Na noite de segunda-feira, primeiro de novembro de 2010, o programa RODA VIVA entrevistou José Dirceu, um brasileiro máximo injustamente demonizado pela imprensa meia-boca brasileira e por uma legião gigantesca de brasileiros que simplesmente desconhecem a História do Brasil e insistem na inversão de papéis colocando como vilões grandes heróis.
Foi a primeira entrevista concedida por José Dirceu ao programa que se notabilizou por trazer à cena figuras de extrema relevância no cenário brasileiro, notadamente no cenário político. Foi também – e isso foi extremamente significativo – a primeira entrevista após a história eleição de Dilma Rousseff, na véspera. Vamos a algumas informações sobre Zé Dirceu retiradas de seu site.
José Dirceu de Oliveira e Silva é mineiro, de Passa Quatro, e nasceu em 16 de março de 1946. Em 1961, repetindo a história de vida de tantos brasileiros, mudou-se para São Paulo em 1961, para estudar e trabalhar. Em 65, já com a ditadura militar instalada no Brasil, deu início ao curso de Direito na PUC/SP e se tornou líder do movimento estudantil, chegando à presidência da União Estadual dos Estudantes, da qual é presidente de honra. Foi preso pela ditadura militar em 1968 ao participar do 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes, em Ibiúna (SP), organizado na clandestinidade.
Foi um dos 15 presos libertados por exigência dos seqüestradores do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, e banido do país. Durante o exílio, trabalhou e estudou em Cuba, tendo voltado clandestinamente ao país por duas vezes. Na primeira, permaneceu no Brasil entre 1971 e 1972. Voltou, em 1974, quando residiu em Cruzeiro do Oeste, no Paraná, por cinco anos. Com a anistia, voltou à legalidade, em dezembro de 1979.
Participou ativamente da fundação do PT, em 1980, e do movimento pela anistia para os processados e condenados por atuação política. Também fez parte da coordenação da campanha pelas eleições diretas para presidente da República, em 1984.
De 1981 a 1983, foi secretário de Formação Política do PT; de 1983 a 1987, secretário-geral do Diretório Regional do PT de São Paulo; e de 1987 a 1993 foi secretário-geral do Diretório Nacional. Entre 1981 e 1986 foi assistente jurídico, auxiliar parlamentar e assessor técnico na Assembléia Legislativa de São Paulo. Formou-se em Direito, em 1983, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP).
Em 1986 foi eleito deputado estadual em São Paulo. Em 1990 elegeu-se deputado federal e em 1994 candidatou-se ao governo de São Paulo, recebendo dois milhões de votos. Voltou a se eleger deputado federal em 1998 e 2002, quando foi o segundo mais votado do país, com 556.563 votos. Na Câmara dos Deputados, assinou, com Eduardo Suplicy, requerimento propondo a “CPI do PC” (Paulo César Farias), que levou ao impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. Também participou da elaboração dos projetos de reforma do Judiciário, da Segurança Pública e do sistema político.
Em 1995 assumiu a presidência do PT, sendo reeleito por três vezes. Na última, em 2001, foi escolhido diretamente pelos filiados da legenda em um processo inédito no Brasil de eleições diretas para todas direções de um partido político. Ocupou a função até 2002, quando se licenciou para participar do governo do presidente Lula. Integrante da coordenação das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República em 1989, 1994 e 1998, foi o coordenador-geral em 2002. Com a vitória de Lula, assumiu a função de coordenador político da equipe de transição.
Em janeiro de 2003, José Dirceu assumiu a cadeira de deputado federal, mas logo se licenciou para assumir a função de ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, permanecendo no cargo até junho de 2005, quando retornou à Câmara dos Deputados. Seu mandato foi cassado em dezembro do mesmo ano e teve a inelegibilidade decretada por oito anos, num processo eminentemente político sem qualquer fundamentação calcada em provas, o que faz com que, desde então, José Dirceu trave uma batalha jurídica em busca da decretação de sua inocência. É ele mesmo que conta:
“Tenho andado muito pelo Brasil, reunindo-me com amigos e companheiros, fazendo palestras, participando de debates. Recebo, aonde vou, a solidariedade e o apoio dos que têm plena consciência de que a punição a mim imposta por 293 deputados foi injusta e política. Não cometi nenhum crime, não feri o decoro parlamentar, não me envolvi em negociatas. Meus adversários políticos, que pregaram a minha cassação para afastar-me da vida pública, não conseguiram uma só prova documental ou testemunhal para justificar a decisão tomada pela Câmara dos Deputados.
Mesmo sem provas, o procurador-geral da União incluiu-me na denúncia que apresentou ao Supremo Tribunal Federal contra 40 pessoas que ele considera envolvidas no episódio que ficou conhecido como “mensalão”. Não apenas me incluiu, entendeu que eu era o chefe do que ele denominou “organização criminosa”. Até hoje essa denúncia não foi apreciada pelo STF, deixando-me na incômoda situação de réu sem julgamento.

Ao lado disso, meus adversários procuraram me envolver em vários outros episódios largamente explorados pela imprensa. Tentaram, a todo custo, acabar com minha vida pública, construída com muita luta desde a adolescência. Não tiveram sucesso.

Como disse no discurso em que fiz minha própria defesa, na sessão da Câmara em que a maioria decidiu pela cassação de meu mandato e decretação de minha inelegibilidade por oito anos, não abandonarei a vida pública e a luta política em nenhuma circunstância.

Continuo militante político, embora sem mandato e sem função de direção partidária. E continuarei lutando, sobretudo, pelo reconhecimento de minha inocência.

Esta publicação, preparada por amigos e companheiros que têm travado essa luta ao meu lado, tem o objetivo de apresentar meus argumentos e mostrar minhas razões de forma simples e direta. Agradeço a todos pela iniciativa, um instrumento a mais para que os que ainda têm alguma dúvida possam entender melhor a enorme injustiça cometida contra quem nada quer além de combater a injustiça e restabelecer a verdade.”
O trecho mais bonito deste depoimento acima transcrito é: “Não abandonarei a vida pública e a luta política em nenhuma circustância.”.
Eis que o RODA VIVA, depois de cinco anos, trouxe Zé Dirceu para, diante das câmeras, enfrentar entrevistadores que – vocês verão – sem nenhum preparo e munidos de um indisfarçado ódio – com destaque para o sabujo Augusto Nunes – apenas o ajudaram a mostrar para o Brasil a verdade que a mídia suja e golpista insiste em esconder.
Recomendo tempo e paciência. Ao longo de 4 blocos, abaixo, uma aula de História. Uma lição para os que têm olhos de ver e ouvidos de ouvir. Eu, humílimo, que durante toda a campanha eleitoral vali-me de meu espaço nas redes sociais para exaltar seu nome (que considero imprescindível para a construção de um governo sólido e imune à sujeira que insiste, diuturnamente, em derrubá-lo) – o que me rendeu um bocado de antipatia – assisti, orgulhoso, à sua entrevista e orgulhosamente a exibo aqui.

Até.

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UMA DIVISÃO NÍTIDA, SÓ NÃO VÊ QUEM NÃO QUER

Depois da festa de domingo por conta da vitória nas urnas, a noite de ontem me deu mais um motivo para comemorar: Dilma Rousseff concedeu ontem sua primeira entrevista como presidente eleita. Para a TV GLOBO? Não. Para a RECORD, e quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir bem sabe o significado disso. Rompendo com uma hegemonia arrogante (guardadas as devidas proporções foi o que Dunga fez com o conglomerado durante a Copa do Mundo), respondendo aos ataques sujos que sofreu ao longo da campanha, a presidente Rousseff (há uma mágica na redução de seu nome e espero estar sendo claro…) deu preferência à concorrente da GLOBO e com isso deu claros sinais de que agora o buraco é mais embaixo. E sobre a entrevista que concedeu, horas depois, ao Jornal Nacional, uma observação: por que ontem, somente ontem, a emissora carioca construiu, ao longo de três pequenas matérias exibidas no curso da entrevista conduzida por William Bonner, a imagem de Dilma Rousseff como a de uma mulher competente, sensível, corajosa e capaz de bem comandar o país? Ao longo da campanha Dilma Rousseff foi chamada pejorativamente de “durona”, de “fria” e, criminosamente, de “terrorista”. Pois ontem a TV GLOBO cuidou de “rever” seus conceitos: entrevistando ex-colegas de trabalho deixou claro que a “durona” é apenas (01) uma mulher inflexível no que diz respeito ao cumprimento estrito de seus deveres na condução de seus cargos, (02) uma mulher sensível que ajudou, com o envio de recursos para a Bulgária, seu irmão que vivia em condições precárias e (03) uma mulher que, na clandestinidade, atuava como estrategista sem jamais ter pegado em armas (o que, na minha humílima opinião, em nada mancharia sua biografia). Mas vamos ao que quero lhes dizer. Não sem antes recomendar a leitura do texto DILMA E A VITÓRIA DA MILITÂNCIA, de Renato Rovai, com o qual concordo inteiramente: nós, militantes que atuamos com denodo no combate à mentira propagada contra nossa candidata, fomos, sim, peças fundamentais na construção da vitória. E eu, sem modéstia, sinto-me como um mísero tijolo na estrutura gigantesca dessa construção. O texto pode ser lido aqui.

O jornal O GLOBO traz hoje o mapa com o resultado da eleição na cidade do Rio de Janeiro (imagem abaixo). Em vermelho, vitória de Dilma Rousseff. Em azul, vitória do tucano. E quero fazer pequenas digressões sobre os resultados…

Acho – sempre achei – uma tremenda graça quando alguém começa com o blá-blá-blá: “Esse papo de luta de classes não existe mais”, “Não existe mais divisão de classes, o mundo moderno não comporta mais isso”, “Marx é uma besta” e outros bichos. Não terei a pretensão de discutir isso aqui. Mas quero trazer a discussão pro campo da observação do momento, que é nítido, claro, evidente, o que ajuda a pôr por terra esse papo que desconstrói uma verdade que jamais deixará de ser verdade.

Em que lugares do Rio de Janeiro venceu o tucano-conservador José Serra? Na zona norte, apenas em parte da Grande Tijuca (muito bem representada pelos fascistas do denominado Grupo Grande Tijuca do qual tanto já falei aqui neste balcão) e no Grajaú (encarnado na figura do general de pijama que hoje exerce o poder como síndico de seu edifício). Na região da Tijuca em que moro (Rio Comprido, Estácio, Catumbi e Turano) a surra que demos foi de 64,85% a 35,15%. Na zona sul, é claro, e na Barra da Tijuca, uma vitória acachapante de José Serra. Na região de Ipanema e da Lagoa, o tucano venceu de 72,84% a 27,16%! Na zona sul salvaram-se apenas os bairros do Flamengo, Cosme Velho, Santa Teresa, Catumbi e Bairro de Fátima. São Conrado e Gávea aparecem como dando a vitória a Dilma Rousseff mas é certo que a vitória nesta seção eleitoral deve-se à maciça presença de moradores do Vidigal e da Rocinha.

No subúrbio, na zona norte (em Mangueira a votação de Dilma Rousseff chegou a 77,36%!), na Baixada Fluminense, em diversos bairros a candidata superou a marca de 70% dos votos! Engenho Novo, Sampaio, Rocha, Cachambi, Ramos e Inhaúma (com mais de 80% dos válidos), Deodoro, Ricardo de Albuquerque, Guadalupe, Barros Filho, Olaria, Cascadura, Vicente de Carvalho, Tomás Coelho, Bonsucesso, Manguinhos, Vila do João, Parada de Lucas, Vigário Geral, Higienópolis, Del Castilho, Maria da Graça, Penha, Grotão, Pavuna, Acari, Coelho Neto, Vila Kennedy e Bangu!

Isso nada mais é do que a expressão da uma verdade incontestável: o povo sofrido que sentiu na pele e na mesa os resultados obtidos ao longo de oito anos de governo Lula não teve dúvidas na hora de votar. A elite e a parte podre da classe média que sentiu o aumento dos gastos com psicotrópicos a cada avanço em prol dos mais pobres, também não teve dúvidas. Mas somos mais e maiores. Por isso, a vitória!

Pra comemorar o resultado e a vitória do povo, Chico Buarque canta o subúrbio, aqui!

Até.

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A LIÇÃO DAS URNAS: GENEBRA NA CABEÇA

Eis que elegemos a primeira mulher Presidente do Brasil! Tudo o que eu lhes disser sobre a emoção do dia de ontem será insuficiente para que tenham, vocês todos, a exata noção do que foi o dia 31 de outubro de 2010. Mal preguei o olho à noite. Às sete já estava no aeroporto Tom Jobim para buscar meu queridíssimo Edu Carvalho, como lhes contei aqui. Encontramos com o Delfim, tomamos café em Copacabana, para onde o levei para para votar e de lá, de volta, ao aeroporto (aqui, nós três na esquina da Barata Ribeiro com a Figueiredo de Magalhães). Depois fui tomar café da manhã na mansão dos Zampronha. Na presença da Sonia, do André, do Marcelo e da Marcela – com quem mais tarde encontraria de novo no Rio-Brasília – parti para o voto. Contei a vocês, também, aqui, sobre o marido da Sonia, o Zé Augusto, e cometi a maluquice poética de levá-lo para votar comigo (aqui, em 8 segundos, o exato instante de meu voto) depois de vê-la chorar, na sala, dizendo “estou com muita saudade do Zé… ele teria tanto orgulho de votar na Dilma…”, e acho, mesmo, que ele votou! Encontrei-me depois com meu compadre Leo Boechat, e foi no Rio-Brasília que tomamos o porre cívico à espera da confirmação da eleição de Dilma Rousseff. Um bando de amigos comemorou, numa explosão de emoção, a vitória do povo brasileiro: eu, André, Candinha, Danilo Medeiros (que veio de SP pra votar em Teresópolis, na região serrana do Rio, Diego Moreira, Flavinha Calé, Luiz Antonio Simas, Marcela, Marcelo, Serginho Comunista, até que pouco antes das 18h minha menina chegou de Volta Redonda com a certeza do dever cumprido! Mais tarde, já de casa, disparei telefonemas para amigos meus de todo o Brasil… e fui dormir com a alma aliviada e o coração tranqüilo.

Álvaro Costa e Silva, o bravo Marcehal, publicou hoje, no JB, crônica sobre o pedaço. Abaixo. Basta clicar na imagem para ler.

Até.

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