>SALVE O RIO DE JANEIRO!

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Está no ar a entrevista que concedemos, eu e meu mano Luiz Antonio Simas, para o site oficial do Ministério do Turismo sobre a Copa do Mundo de 2014, no Brasil. O link para o vídeo (que tem também Arlindo Cruz e Joel Santana em sua melhor forma!) está aqui, com direito a um textaço do bardo tijucano, aqui.

Até.

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>EDUARDO PAES, UM JERICO

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Li hoje, estarrecido, que “o prefeito Eduardo Paes anunciou que vai assinar um decreto municipal tornando o dia 28 de novembro como o de refundação da cidade do Rio de Janeiro. Segundo ele, a data é histórica para a capital fluminense, pois marca a tomada do Complexo do Alemão pelas forças do estado, bem como inaugura um novo momento para os cariocas.”.
Só uma besta obtusa seria capaz de pensar num troço desses. Mais que uma boçalidade, é uma prova evidente de desequilíbrio mental e de alta concentração de vaidade. Estácio de Sá, cujos restos mortais encontram-se sob uma lápide na Igreja dos Capuchinhos, na rua Haddock Lobo, na Tijuca, onde moro, revira-se de ódio diante do troço e por isso, presumo, tremeu a terra enquanto eu bebia com meu amigo Felipe Quintans, ontem à tardinha, no RIO-BRASÍLIA.
É só mais um capítulo – de tristíssima inspiração – do espetáculo que a mídia está fazendo por conta da invasão do Complexo do Alemão pelas forças de segurança. Vamos a alguns detalhes, à moda DO DOSADOR:
* no sábado pela manhã, depois da invasão da Vila Cruzeiro, assisti à transmissão da invasão do Complexo do Alemão pela TV GLOBO. Transmissão mesmo, como se estivéssemos assistindo ao desfile das escolas de samba no Sambódromo. A mesma dupla de apresentadores deu no saco dos telespectadores: “Nesse momento o helicóptero da Polícia Civil sobrevoa a região“, ou “Nesse momento os homens do BOPE se preparam para invadir o morro“, ou “Nesse momento os tanques da Marinha estão sendo abastecidos”, e foi impossível não lembrar do clima das entrevistas das concentrações, antes dos desfiles. Um nojo. Um nojo absoluto! Comentários, os mais babacas. Havia, inclusive, uma câmera com alguma espécie de efeito especial (não manjo nada disso, por isso me falta a palavra exata pra descrever o troço) dando um clima “guerra-do-iraque” à transmissão;
* não satisfeitos em “narrar” a operação policial, repórteres portando coletes à prova de balas estilizados (com o símbolo da emissora) tentavam entrevistar os comandantes da operação atrás de furos jornalísticos, perguntando sobre as estratégias etc. Gostei quando um dos repórteres tomou um safanão de um caboclo fardado, vingando a assistência que a tudo assistia irritadíssima com a papagaiada global;
* achei inacreditável a entrevista concedida ao vivo pelo Chefe da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, pelo telefone. Depois de um bom número de minutos de entrevista, disse o repórter com aquela arrogância que só os repórteres globais têm: “Vá trabalhar, Delegado, obrigado por sua entrevista.”;
* o jornal O GLOBO hoje publicou uma matéria patética sobre os cariocas que, depois de dois dias de terror – nas palavras do jornalão – retomaram suas rotinas. É inacreditável! Entrevistaram moradores da zona sul da cidade que, oh!, passaram dois dias encastelados em seus apartamentos para só então, no domingo, descerem para as ruas. Pro cacete, pô! Depois de tomar meu café da manhã no BAR DO MARRECO, às 6h, no sábado, na Tijuca, rumei pro CADEG, em Benfica, onde fiz compras. Às 8h30min já estava no ALMARA na companhia de queridos amigos que formaram uma roda de altíssima qualidade, de novo na Tijuca. Rasguei o bairro e subi o Alto da Boa Vista às 13h para almoçar no BAR DA PRACINHA com meus pais. Desci de volta pra Tijuca e encontrei os mesmos e outros amigos no GALETO REX, portento na rua do Matoso. Andei mais uns poucos quilômetros e encontrei com outros tantos no BOTECO DO AMÉRICA, na praça Afonso Pena. Depois ainda dei uma passada no RIO-BRASÍLIA para encontrar outros camaradas, e às 20h estava eu nas pedras do Arpoador fazendo pequenique, fechando o sábado, já quase domingo, num pé-sujo na esquina da Santa Clara com a Domingos Ferreira em Copacabana. O medo, o pânico, só existem na cabeça de quem se rende. É evidente que isso não inclui, nestes dias específicos, os moradores das áreas nas quais a cuíca roncava entre traficantes e policiais. Agora… ler que morador do Leblon, de Ipanema e adjacências se encagaçou e só relaxou ontem à tarde é demais pra minha (cada vez mais curta) paciência.
Até.   

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>MARACANÃ, MEU RIO, CORRE E ME SOCORRE

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Em tempos de Rio de Janeiro massacrado por uma imprensa sensacionalista, minha humílima homenagem à minha aldeia – permanentemente em paz.

Até.

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>A SITUAÇÃO NO RIO DE JANEIRO

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Publiquei ontem o texto O GLOBO CONTRA O RIO (aqui), até o momento com 11 comentários, um deles de um rapaz que dá seu testemunho sobre as UPPs, ele que tem família morando na favela Cidade de Deus, na zona oeste do Rio de Janeiro. É comovente e só uma besta-fera, incapaz de olhar para além de seu próprio umbigo, não reconhece que o Governo do Estado está, ao menos na questão da segurança pública, agindo com uma seriedade que não tínhamos há muitos anos.
Não sou, antes que me acusem de ser chapa-branca, exatamente um entusiasta do governo Sérgio Cabral, eis que carecemos da mão forte do Estado em inúmeras áreas, como na educação, na saúde, nos transportes públicos (estes em estado caótico). Mas os números que me foram fornecidos pelo Governo do Estado egressos da área da Segurança Pública são bastante evidentes no apontar para um acerto de mão quanto a tão tormentoso tema.
Vamos lá: há dois anos, o Governo do Estado do Rio de Janeiro iniciou o processo de implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) – um novo modelo de Segurança Pública e de policiamento que promove a aproximação entre a população e a polícia, aliada ao fortalecimento de políticas sociais nas comunidades. As UPPs representam uma importante arma do Governo do Estado do Rio para recuperar territórios perdidos para o crime organizado e levar a inclusão social à parcela mais carente da população. Hoje, já são 12 UPPs, que beneficiam cerca de 200 mil pessoas em 36 comunidades das zonas Norte, Sul e Oeste da cidade e no seu entorno. Até o final de 2014, o Governo do Estado vai pacificar todas as comunidades onde houver o controle de bandidos armados.
Criadas em dezembro de 2008 pela Secretaria de Segurança Pública (e o Beltrame, Secretário de Segurança do Estado, me parece um homem muitíssimo bem intencionado), as UPPs trabalham com os princípios da Polícia Comunitária – um conceito e uma estratégia fundamentada na parceria entre a população e as instituições da área de segurança pública. O governo do Rio está investindo R$ 15 milhões na qualificação da Academia de Polícia para que, até 2016, sejam formados cerca de 60 mil policiais no Estado. Até o fim de 2010, 3,5 mil novos policiais serão destinados às Unidades Pacificadoras.
Ao recuperar territórios ocupados há décadas por traficantes e, recentemente, por milicianos, as UPPs levam a paz às comunidades do Morro Santa Marta (Botafogo – Zona Sul); Cidade de Deus (Jacarepaguá – Zona Oeste), Jardim Batam (Realengo – Zona Oeste); Babilônia e Chapéu Mangueira (Leme – Zona Sul); Pavão-Pavãozinho e Cantagalo (Copacabana e Ipanema – Zona Sul); Tabajaras e Cabritos (Copacabana – Zona Sul); Providência, Pedra Lisa e Moreira Pinto (Centro); Borel, Indiana, Catrambi, Formiga, Morro da Cruz, Bananal, Casa Branca e Chácara do Céu (Tijuca – Zona Norte); Andaraí, Nova Divinéia, João Paulo II, Juscelino Kubitschek, Jamelão, Morro Santo Agostinho, Borda do Mato, Rodo e Arrelia (Andaraí – Zona Norte); Salgueiro (Tijuca); Turano, Chacrinha, Matinha, 117, Liberdade, Pedacinho do Céu, Paula Ramos, Rodo e Sumaré (Tijuca).
Agora vamos aos números, para que depois eu sente a borduna em quem merece.
Ações integradas de segurança – como a criação das Regiões Integradas de Segurança Pública (RISPs), das UPPs e do Sistema de Gerenciamento de Metas para Indicadores Estratégicos de Criminalidade – foram fundamentais para a queda dos principais índices de criminalidade do estado do Rio de Janeiro. Em agosto de 2010, o Instituto de Segurança Pública (ISP) registrou o menor número de homicídios desde 1991: 344 casos no estado.
O objetivo do Governo é impor ao Rio taxas civilizadas de criminalidade, que no estado sempre estiveram em patamares elevados. E isso tem sido possível graças à metodologia de combate ao crime, que alia gestão e acompanhamento.
Ações como a criação das RISPs, a consolidação das Áreas Integradas de Segurança Pública (Aisp) e outras medidas, com foco em indicadores estratégicos, como os de homicídios, roubos de rua, roubos de veículos e latrocínios, foram fundamentais para a melhoria dos números.
No primeiro semestre de 2010, em comparação com o mesmo período de 2009, o número de homicídios caiu 20,2% (menos 107 casos); o de latrocínio (roubo seguido de morte) teve uma redução de 33% (menos 38 casos) e o de mortes por auto de resistência (em confronto com a polícia) registrou uma queda de 10% (menos 56 casos).
Os casos de balas perdidas também registraram redução: menos 18,4% (menos 19 atingidos) que no semestre do ano passado. Assim como foi registrada redução de 68,8% (menos 11 casos) no número de policiais militares mortos em serviço, e de 57% (menos 4 casos) no número de policiais civis mortos também em serviço.
Já os índices de roubo de veículos caíram 23,1% (menos 3.266 casos); roubo a transeunte, 13,5% (menos 5.160 casos); e roubo em coletivo, 17,8% (menos 873 casos). Ao mesmo tempo em que houve aumento no número de prisões: 10,7% a mais (mais 948 prisões).
Os dados abaixo são do Instituto de Segurança Pública (ISP), e vocês não os verão nos jornalões:
• Homicídio Doloso: redução de 20,4% (menos 88 vítimas) – 344 casos em 2010, 432 casos em 2009.

• Mortes por Auto de Resistência: redução de 60% (menos 45 casos) – 30 casos em 2010, 75 casos em 2009.

• Roubo de Veículo: redução de 19,1% (menos 369 casos) – 1.559 casos em 2010, 1.928 casos em 2009.

• Roubo a Transeunte: redução de 7,0% (menos 390 casos) – 5.167 casos em 2010, 5.557 casos em 2009
• Roubo em Coletivo: redução de 6,7% (menos 50 casos) – 695 casos em 2010, 745 casos em 2009.
• Latrocínio (Roubo seguido de morte): sem alteração – 12 casos em 2010, 12 casos em 2009
Agora vamos ao que quero lhes dizer.
O GLOBO continua sua campanha sórdida denegrindo a imagem do Rio de Janeiro. A ele, o mais nojento jornal carioca, não interessam os números que apontam para um acerto do trajeto traçado pelo Governo do Estado no setor da Segurança Pública. A ele interessa fazer ecoar a voz abjeta da abjeta classe média e da elite preconceituosa que NUNCA (com a ênfase szegeriana) se preocuparam com os altíssimos índices de violência que tornavam um inferno a vida dos mais pobres, dos favelados, dos que vivem à margem da zona sul, o único Rio de Janeiro que interessa ao jornal O GLOBO.
“Cuidado com o que este jornal publica!”, já nos alertava Leonel Brizola (vejam aqui) há exatos 21 anos. E hoje vemos, uma vez mais, gente com alguma expressão nos mais diversos segmentos da sociedade gemendo “ohs” e “ahs” a cada carro queimado no asfalto, nítida expressão da reação da bandidagem que vem perdendo terreno com a implementação da política do Governo do Estado.
Essa escória NUNCA reclamou da violência com a veemência de hoje porque a violência estava praticamente restrita aos morros, às favelas, e fodam-se os pobres, os pobres que fiquem lá, que morram lá, que nos deixem em paz – assim pensa essa parcela da sociedade.
Quantas crianças eram impedidas de freqüentar a escola por conta do aparelhamento do tráfico nas favelas? Quantos pais e quantas mães temiam pela vida de seus filhos, entregues à própria sorte nas mãos sedutoras do dinheiro fácil oferecido pelo tráfico organizado? Quantos trabalhadores e quantas trabalhadoras passavam noites em claro em meio a tiroteios nas favelas? Quantos cadáveres eram desovados bem longe da terra dessa gente – Baixada Fluminense, para ficar num só exemplo – sem causar um suspiro de indignação?
Pois quero lhes dizer uma coisa: o projeto de segurança ora implantado terá efeitos a longo prazo. E mais…
O projeto de EDUCAÇÃO que Leonel Brizola implantou no Rio em 1982 – com 500 CIEPs espalhados pelo Estado – estaria surtindo efeitos agora, mais de 20 anos depois, com uma massa impressionante de crianças bem formadas e aptas ao ingresso no mercado formal de trabalho.
Foi essa mesma escumalha, essa mesma escória, essa mesma célula podre da sociedade que bradou contra os CIEPs.
Hoje, 28 anos depois, a medida é mais radical, infinitamente mais radical, para combater a violência que grassava onde os olhos dessa gente escrota não enxergava. As conseqüências? Infinitamente mais duras.
Mas é preciso progredir, ir em frente, não ceder nem à pressão da bandidagem e nem à pressão dessa classe média egoísta e dessa elite podre que infecta o Rio de Janeiro. Tampouco ceder à pressão da imprensa golpista que, não satisfeita com o que fez no curso das eleições, continua a fazer das suas para desestablizar o status quo de uma cidade que teima em reinventar seus caminhos em prol de uma vida de paz.
Os que têm medo, que procurem os psicotrópicos ou o psiquiatra, que leiam O GLOBO e escrevam suas cartas-de-merda destilando ódio.
Eu, neste específico ponto, apóio integralmente a política de segurança pública do Rio de Janeiro. E quero mais é ver o circo pegar fogo. Depois, como Fênix, e como sempre, renasceremos das cinzas, infinitamente melhores.
Até.

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O GLOBO CONTRA O RIO

Não é novidade para ninguém que o jornal O GLOBO não gosta de pobre, não gosta do povo, não gosta da idéia de ver a cidade do jeito que ela é, cercada de morros por todos os lados, os morros e suas favelas, os do asfalto e os de lá de cima convivendo em harmonia, nada disso agrada ao jornalão carioca e a seu público-alvo, a classe média mais abjeta e rancorosa e a elite que, na contramão do Brasil, deu seus votos, em enxurradas, para o candidato não eleito da oposição.

Vamos por partes para que eu seja claro.

Não tenho, ainda, idéia 100% formada sobre as UPPs (unidades de polícia pacificadora) e seus efeitos, mas é inegável que para os moradores dos morros já atendidos pela política de segurança do Estado do Rio de Janeiro o troço é bilhete premiado. Com a chegada da polícia, e conseqüentemente do Estado, a vida dessa gente – como diz o samba do Guineto em parceria com Magalhaaposto que está um colosso (guardadas as devidas proporções, é claro, e se levarmos em conta como eram as coisas antes da chegada do Estado). Não convivem mais com o crime-organizado, com os traficantes, não transitam mais entre metralhadoras e fuzis. Isso é ponto pacífico.

Acontece que a cada ação, uma reação, embora especialistas em segurança pública, neste específico caso, ainda não afirmem que os últimos casos de violência na cidade estejam diretamente ligados à instalação das UPPs. É o que penso, mas não posso, por razões evidentes, dizer que se trata de uma verdade absoluta.

A bandidagem, posta pra correr das favelas, pode (eu disse pode) estar buscando alternativas, claro que pelo viés do crime (são bandidos, pô!) no asfalto. E que ninguém tenha, pelo amor de todos os deuses, a ilusão de que as UPPs (ou qualquer outra medida!) irão acabar com o tráfico (e nem é esse o objetivo de tal política). Se alguém me apontar um lugar no mundo onde não haja a possibilidade de se adquirir qualquer produto traficado, seja droga ou seja arma, eu repenso isso. Mas vamos em frente.

A que se deve, então – e por que tanta revolta esse troço me causa! – mais uma campanha sórdida do jornal O GLOBO contra o Rio de Janeiro? Volto ao primeiro parágrafo: ao ódio que têm de pobre, de favela, de povo na mais estrita acepção da palavra. Quem tem a idade que eu tenho bem lembra e sabe: Leonel de Moura Brizola tentou resolver o problema da educação no Estado com os CIEPs, passou a oferecer escola de qualidade para centenas de milhares de crianças pobres e deu-se o rebu. A classe média tinha nojo só de pensar que o filho de sua empregada doméstica estudava numa escola pública em tempo integral, com piscina, com dentistas, com alimentação adequada. O jornal O GLOBO foi a voz da escória e enquanto não viu fracassado o projeto educacional de Brizola – graças à ação criminosa de Carlos Alberto Direito, Secretário de Educação de Moreira Franco que fechou não-sei-quantas escolas – não sossegou (falei sobre isso, aqui).

A título de ilustração – não custa lembrar… – O GLOBO foi também contra a construção do Sambódromo, negando-se a transmitir o primeiro desfile da Passarela do Samba, outra monumental obra do velho caudilho, que precisou recorrer à Justiça para responder à altura no horário nobre do Jornal Nacional, reestabelecendo a verdade dos fatos, pois além da campanha sórdida contra o Sambódromo O GLOBO atribuiu a ele e às suas políticas um arrastão fabricado nas areias de Ipanema.

Pequena pausa: recomendo vivamente a leitura do trabalho ARRASTÃO MEDIÁTICO E RACISMO NO RIO DE JANEIRO, de autoria do Professor-Doutor Dalmir Franciscoaqui. Enfaticamente. Vamos em frente.

Daí O GLOBO recomeça sua campanha…

As matérias que dão conta dos últimos casos de violência no Rio de Janeiro usam e abusam das mesmíssimas expressões de sempre, repetidas pelas estagiárias-de-redação (apud Nelson Rodrigues): onda de violência, ações terroristas, arrastões em cadeia e por aí. Os números que evidenciam, há muitos meses, queda nos números de crimes praticados no Estado não ganham nem nota de rodapé.

O faraó César Maia, rejeitado pela população do Estado para o cargo de Senador da República, traveste-se de Carlos Lacerda e, como um corvo, replica, todos os dias pela manhã, no twitter, as manchetes sensacionalistas do jornalão carioca.

A classe média e seus insuportáveis “pagadores de impostos” se descabelam, aumentam a dose dos psicotrópicos e os membros da elite, como aqueles primeiros, escrevem cartas indignadas para os jornais, pressionam os jornais dos quais são público-alvo e estamos aí diante de notícias mais-que-sensacionalistas a pespegar o medo na cabeça da população.

Essa gente quer o morro longe – o que é, evidentemente, impossível. Sendo impossível, quer o morro cercado, ainda que lá dentro exploda a violência e que a morte bata à porta de mães e pais trabalhadores, vítimas dos traficantes armados até os dentes. Querem, do morro, a empregada doméstica e o eletricista. O tocador da bateria que irá proporcionar-lhes o espetáculo do Carnaval, assistido dos camarotes regados a champagne e cocaína.

Essa gente tem pressa e não admite aguardar o médio e o longo prazo que medidas como as UPPs exige.

Essa gente é nojenta.

É asquerosa.

E jornais como O GLOBO, nojento e asqueroso, cumprem perfeitamente o papel de porta-voz dessa escória.

Risco de ser vítima de um ato de violência sofremos todos em todos os lugares do mundo: no Rio, em Nova Iorque, em Roma, em Paris, em Buenos Aires. O problema é que O GLOBO fica aqui. E O GLOBO odeia pobre. Odeia política em prol dos pobres. O que O GLOBO gosta é de incitar o ódio na população carioca, vide a nova empreitada do jornal, o canal de delação, o @ILEGALeDAI, no twitter.

Se você não é do Rio – e como recebi ligações de amigos de fora me perguntando sobre isso… – tenha uma certeza: o Rio de Janeiro está vivíssimo. E seguirá arrancando as flechas do peito do padroeiro, essas flechas cheias de veneno que insistem em cravar no peito da gente.

Até.

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>RAILÍDIA CARVALHO, UMA PEQUENA HOMENAGEM

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Estive de novo, uma vez mais, em São Paulo no final da semana passada. Graças à ação conjunta de amigos que me presentearam com as passagens de ida e de volta – e eles sabem de minha gratidão por conta disso, citá-los tornaria a leitura modorrenta -, cheguei em São Paulo às 14h15min de sexta-feira e de lá voltei apenas no final do dia de ontem, depois de um almoço de antologia no fabuloso SINHÁ, do Julinho Bernardo.
Tudo foi incrivelmente perfeito e a enxurrada de emoções tornou a viagem simplesmente inesquecível. Fortaleço meus laços com São Paulo – a banda boa de São Paulo! – cada vez mais, onde tenho amigos incríveis e uma família, literalmente uma família cujo nascedouro é o homem da barba amazônica, meu irmão de fé, Fernando Szegeri. Foi ele, brasileiro máximo, que me apresentou a São Paulo que aprendi a amar. Foi ele que me apresentou pessoas incríveis, imprescindíveis para mim, foi ele que gerou três filhos lindos com duas mulheres lindas, ambas minhas comadres, eu que sou padrinho de duas de suas filhas. Mas o que quero lhes dizer hoje, em forma de homenagem, envolve minha comadre Railídia Carvalho, e me permitam um novo intróito.
A Rai, como é carinhosamente chamada, é paraense e adotou São Paulo quando casou-se com o Fernando, lá se vão muitos anos. Um dia, corria o ano de de 2004, estava eu com o Fernando numa memorável roda de samba em Botafogo, aos pés do Pão de Açúcar e às margens da Baía de Guanabara. Quatro da manhã e ele me chama às falas. Comovido como o diabo, deu-me, naquela noite, sua filha Iara, filha também da Rai, como afilhada (o relato do troço está aqui).

De lá pra cá estreitaram-se meus laços com a Railídia, e é sobre ela – daqui pra frente – que quero falar.

A Rai é uma mulher amazônica, brasileira do mais alto fio de cabelo à sola dos pés ainda molhados pelas águas dos rios e igarapés que ajudaram a moldar sua alma sensível e gigantesca. Pois no sábado, meus poucos mas fiéis leitores, estava eu fumando meu cigarro do lado de fora do Ó DO BOROGODÓ quando minha comadre desceu do carro e aproximou-se de mim, majestosa e iluminada.

Estava pra começar a roda de samba dos Inimigos do Batente. Linda, vestida de flores e com uma flor vermelha nos cabelos, deu-me um abraço que foi a senha para o que estava por vir. A Rai estava – e o troço dá-se a cada sábado, mais forte nesse dia em que a roda louvava o Dia da Consciência Negra – possuída.

Cantou descalça, pôs a foto de seus ancestrais na mesa – seu avô João Valente presente! -, cantou e encantou como uma encantada, chamou quem devia com a autoridade que só quem detêm poder pode chamar, cantou sorrindo, cantou chorando, e derramou sobre nós um axé que só quem esteve lá sentiu.

Na manhã de domingo, de papo com uns amigos, veio à tona o assunto: a imprensa brasileira, meia-boca que só ela, vira-e-mexe adula umas cantoras dessalgadas que são, nas manchetes produzidas pelo jabá e pelos releases, “novas deusas da Lapa”, “reivenções das raízes do samba”, “repaginações das tradições” e outras besteiras do gênero. Há muito que eu não vejo uma cantora com a carga que a Railídia carrega dentro dela.

Há muito que eu não vejo uma cantora com o domínio de repertório que a Railídia tem. É samba, é coco, é toada, é congada, é partido-alto, é chula, é ponto de macumba, é maracatu, ijexá, afoxé, batuque, caxambu, bumba-meu-boi, forró, xaxado e xote, maculelê, carimbó, é Brasil em sua máxima expressão.

Eu tenho um orgulho danado, desmedido, de ser amigo dessa mulher. De ser compadre dessa mulher. De tê-la no coração e de me saber guardado ali, naquele coração imenso e denso como as florestas do seu Pará.


Até.

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>DO DOSADOR

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* Recebi, nesses últimos dias, diversas chamadas de diversos leitores indignados (digamos…) com o que chamam de meu sumiço. Afinal de contas minha última publicação foi no dia 12 de novembro, há seis dias portanto, o que é, reconheço, um dos maiores hiatos desde que comecei a escrever por aqui. Nada de muito significativo aconteceu para que isso ocorresse, não ao menos comigo diretamente. O que há, apenas, é acúmulo de trabalho, problemas comuns a toda gente que tenho precisado enfrentar mais amiúde e nada além disso. Eis-me aqui de novo, então, para através de pequenas doses dizer-lhes algumas coisas;
* Estou indignado (mais uma vez) com mais uma iniciativa do jornal O GLOBO, esse jornalão carioca que se presta, desde sua fundação, a aniquilar com o que há de mais genuíno e caro ao cidadão brasileiro. Quem me lê sabe que bato há anos, e sem dó nem piedade, na publicação da família Marinho. Refiro-me ao perfil @ILEGALeDAI, criado pelo jornal, no twitter. Muito de meu afastamento deve-se a uma coisa: estou estudando, com afinco, aspectos constitucionais que defendem a privacidade do cidadão, que regulam as relações entre Estado e os cidadãos, uma série de aspectos que me parecem frontalmente desrespeitados por essa nojeira. E a que se deve (para quem não acompanha o twitter) esse perfil? Foi criado pelo jornal visando apenas receber denúncias feitas por leitores (geralmente umas bestas-quadradas) sobre toda e qualquer “irregularidade” na cidade do Rio de Janeiro. Notem, de cara, o absurdo da coisa (deixarei para mais à frente, nos próximos dias, um estudo mais profundo do caso): cidadãos munidos de todo tipo de parafernália (câmeras digitais, celulares com câmera etc) têm enviado para O GLOBO (que por sua vez replica a denúncia) fotografias de todo gênero com o que eles (as bestas-quadradas) chamam de denúncias. Carros estacionados em locais proibidos, bares com mesas e cadeiras nas calçadas e por aí vai. De cara, qualquer beócio pode imaginar uma quantidade incrível de iniquidades. E se os bares-alvos da escumalha tiverem licença da municipalidade para o uso da calçada? E se o carro está estacionado lá por conta de qualquer emergência e momentaneamente autorizado pela autoridade policial? São tantas as hipóteses e tão pouco o cuidado dos inábeis operadores do perfil @ILEGALeDAI que a coisa é, digo sem medo do erro, um risco tremendo para o bem-estar da socidade. Leitores mais babacas fazem questão, inclusive, de fotografar as placas dos veículos! E isso – tirem as crianças da sala! – por conta do incentivo irresponsável do jornal O GLOBO, já que o @ILEGALeDAI fica implorando (e hoje para 4.755 seguidores) por denúncias, imagens, dados que possibilitem a identificação do suposto violador das normas e das posturas oficiais. Este blog, que mantém perfil no twitter – @butecodoedu -, é claro, já foi bloqueado pelos canalhas. Não admitem críticas. Não admitem o confronto. E antes que me julguem daí, que fique claro: é evidente (por formação pessoal e profissional) que não sou a favor das ilegalidades lato sensu. Mas não me convencem os argumentos do jornal de que esse perfil foi criado para servir de ponte entre o cidadão e o Poder Público. Em primeiro lugar porque cabe ao Poder Público, através de suas ouvidorias e de seus órgãos fiscalizadores, receber as denúncias, apurá-las e eventualmente punir qualquer ilegalidade cometida por quem quer que seja, não ao jornal, que filtrará tudo o que receber conforme sua conveniência. Em segundo lugar porque esse tipo de iniciativa funciona como um fomento perigoso para que os ratos-cidadãos saiam do esgoto munidos de suas parafernálias a fim de resolverem, por viés inadequado, suas frustrações. Não por outra razão já vemos entre os 4.755 seguidores do @ILEGALeDAI centenas (ou milhares) de perfis criados exclusivamente com este fim. É a mesma escumalha que refere-se aos CDR´s de Cuba (os Comitês de Defesa da Revolução) com revolta, e aqui repetem (com uma finalidade infinitamente menos nobre), muito mal comparando, o mesmo modus operandi. É imperioso que o Ministério Público reaja a esta iniciativa do jornal. É triste ver que políticos-de-merda, investidos de cargos tanto no Município como no Estado, comemorem a criação do canal do jornal O GLOBO. Querem, é evidente, a vitrine, não o bem da cidade e da sociedade que representam. Fica este post como primeiro registro neste blog para uso futuro: a se manter a coisa do jeito que está viveremos tempos de intensa tensão social. Está feito, humildemente, meu alerta;

* amanhã cedo embarco para São Paulo para o que se anuncia um grande final de semana – o que significa que só retornarei ao balcão virtual do BUTECO na segunda-feira. E desde já deixo minha dica para o sábado em São Paulo (roteiro meu de todo o sempre), dessa vez especial por conta da coincidência das datas: no sábado, dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, a grande dica é a roda de samba dos Inimigos do Batente no Ó DO BOROGODÓ. Imperdível;

* foi uma imensa surpresa receber a notícia através de um de meus poucos mas fiéis leitores, Marcelo Vendramel. A cervejaria CERPA está relançando, depois de muitos anos, a cerveja TIJUCA, criada no final da década de 60 (ou início de 70, não consegui apurar com precisão) apenas para exportação. O Marcelo não apenas me mandou a foto do tesouro (aqui) como me pôs em contato direto com a fábrica, em Belém. Pois lá fiquei sabendo que a cerveja, segundo o representante que me atendeu muito superior à clássica CERPA, está sendo relançada para venda no Brasil por conta da recente invasão das cervejas importadas no país. A antiga TIJUCA EXPORT (jamais vendida por aqui) tinha outro rótulo, hoje vendido como relíquia para colecionadores (vejam aqui). Já mexi meus pauzinhos e estou contando as horas para receber a primeira garrafa em minhas mãos. Sem qualquer modéstia eu lhes digo: ninguém, mais do que eu, merece dar o primeiro gole nessa preciosidade, eu que tenho pela Tijuca, meu bairro, meu berço, minha aldeia, um amor que não pode ser medido. E antevejo: beberei TIJUCA pelo resto da vida!

Até.

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