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COVARDIA E HIPOCRISIA DE MÃOS DADAS

Zuenir Ventura, a quem tenho incontáveis restrições (que não vêm ao caso neste momento em que lhes escrevo), foi autor de uma tremenda bola fora (mais uma) em sua coluneta n´O GLOBO de hoje. Dêem uma olhada na imagem abaixo, trecho final de seu texto publicado na página OPINIÃO do jornal.

Leram? Vou repetir:

“Não é possível que um jogador, ídolo e artilheiro da maior torcida do Brasil, possa dar declarações tão irresponsáveis a uma televisão sobre a sua clara ligação com traficantes pesadamente armados, e considerar isso um fato normal, corriqueiro. Se não fosse uma figura pública, já seria errado. Sendo um ídolo e um exemplo a ser copiado naturalmente pelos que admiram seu futebol, crianças, inclusive, é péssimo para o esporte, para ele, para o Flamengo e para a sociedade.”

Zuenir, covardemente, hipocritamente, lava suas mãos e fecha com um estúpido “nada a acrescentar”. Mas eu tenho, vamos lá.

Pra começar, vou ser sucinto: Adriano e Vágner Love só estão sendo perseguidos pela mídia (hoje por Zuenir Ventura) e pelos clássicos membros da classe média mais odiosa por uma razão muito simples… Ambos são de origem humilde. Nasceram pobres. São pretos. E a escumalha elitista adora complementar o tratamento com os tarja-preta liberando o ódio que sente pelos que são humildes, pelos que são pobres, pelos que são pretos.

Vamos a exemplos – e eles poderiam ser tantos que eu lhes cansaria se fosse expô-los, todos, um a um.

Adriano envolveu-se num barraco com a namorada (ou noiva, pouco importa). O barracou deu-se numa favela. Não numa favela qualquer. Mas na favela onde Adriano nasceu e onde foi criado. Manchetes, reportagens sensacionalistas, dedos indicadores podres apontados em sua direção.

A atriz Suzana Vieira, por exemplo. Barraqueira de carteirinha (para usarmos expressão popularíssima), notoriamente uma grossa no trato com os que ela considera “mortais”, quando expulsou – depois de um barraco (a repetição é proposital) semelhante ao que envolveu Adriano na favela – seu marido de casa (morto mais tarde por conta de envolvimento com drogas), na Barra da Tijuca, foi tratada como celebridade agredida com pose de estátua e vítima. A VEJA, lixo em forma de revista, entrevistou “uma das atrizes mais bem pagas do Brasil” e não houve uma grita na grande imprensa (leiam a patética entrevista aqui). É permanentemente chamada para entrevistas na televisão, tratada como divindade (praticamente mumificada) durante as transmissões do Carnaval e idolatrada pela classe média, pelas donas-de-casa, pelos cidadãos de bem pagadores de impostos.

Maria Gadú, essa que foi catapultada, repetinamente, à condição de diva da música brasileira, envolveu-se recentemente num barraco, num piti, no aeroporto do Galeão. Agrediu, foi o que disseram, funcionários de uma companhia aérea. A imprensa? Até que tentou, parece, obter mais informações sobre o episódio. Mas os assessores da cantora abafaram o troço (vejam aqui). Queridíssima da imprensa meia-boca, é apresentada pelo Faustão como “um grande caráter” (não estou dizendo que ela não é, nem a conheço, mas a diferença de tratamento é aviltante), exaltada por sua discografia de um disco só e a patuléia baba diante da cantora.

Vamos a Vágner Love. Ele foi filmado chegando a uma favela (onde, como Adriano, tem amigos, onde foi criado) cercado por traficantes armados (deferência que essas comunidades concedem a quem consideram, digamos, importante). Deu-se a grita.

Essa escória incomodou-se quando o falecido Michael Jackson filmou um de seus clipes no alto do morro Dona Marta? Alguém achou (ou acha) que os produtores do cantor pediram autorização às autoridades legalmente constituídas para a realização das filmagens? Zuenir Ventura teria achado, à época, um mau exemplo para os fãs de Michael Jackson o fato de as filmagens terem sido feitas numa favela a cujo acesso tiveram, os americanos, por conta de evidentes acertos com os chefões do tráfico do local? Alguém se incomodou quando a Madonna saiu passeando pela cidade escoltada por policiais militares armados (exatamente como Vágner Love)?

Agora estão no pé do Adriano, de novo, porque o jogador supostamente teria comprado uma moto no nome da mãe de um traficante do morro da Chatuba, no Complexo do Alemão. Esses mesmos porcos que perseguem o artilheiro ficam incomodados, ou escrevem reportagens na mesma linha investigativa, ou provocam o Ministério Público quando os protagonistas de operações supostamente ilícitas são bem nascidos, ricos e brancos? Políticos em geral, sócios de empresas enterrados até o último fio de cabelo na nojeira que é o desvio de dinheiro público, atores e atrizes, cantores e cantoras que enterram seus narizes bem desenhados em fileiras de cocaína, lobistas, essa merdalha toda é incomodada como incomodados estão sendo os dois jogadores a que me refiro?

Um sócio de uma empresa de engenharia, por exemplo, bem nascido, afortunado por conta de ligações escusas com governos pelo Brasil afora, um sarandalho qualquer que sequer tem conta em banco – só carrega dinheiro vivo! -, que mantém as filhotas numa escola caríssima, que têm carros blindados, apartamentos de altíssimo luxo comprados em nome de terceiros, que freqüenta as altas rodas, é cumprimentado por aí como um bem sucedido, como um mal menor (para quem ao menos enxerga o mal que isso é), como um inimputável.

O troço é nojento e só não vê quem não quer.

Como dizia o Fausto Wolff… O que é que diferencia um traficante armado até os dentes de um senador da República que desvia milhões e milhões de dólares para sua conta pessoal num paraíso fical?

A arma, acintosa, numa das mãos do primeiro.

O segundo é assassino e como assassino deve ser tratado. Impede a construção de hospitais públicos, de escolas públicas, escraviza gerações e gerações junto aos grilhões da ignorância e lança as camadas mais pobres aos corredores sujos de hospitais-sucata sem médicos. Porque até esses últimos, depois de garantirem seus salários fixos através de concursos públicos, vão pra lá bater o ponto, apenas (quando vão!), abrem suntuosos consultórios onde cobrarão os olhos da cara de quem pode (e é cada vez menos gente) pagar por seus serviços.

Contra a ventura nada se pode, não é, Zuenir?

Até.

P.S.: não é demais repetir. Porcos covardes se valendo do anonimato NUNCA (com a ênfase szegeriana) terão vez e voz no BUTECO. Acaba de pintar o comentário de um rato, recusado aquele e enxotado este último. Aqui, não.

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SOU MAIS A FAROFA DO LULA

Nojenta a insinuação preconceituosa feita na capa de O GLOBO de hoje, mantendo a linha preconceituosa que costura o fétido jornal carioca. Prefiro infinitamente mais a barriga e a farofa do Lula do que a pose pernóstica e a comida histriônica da qual se servia, quando no Palácio do Planalto, Fernando Henrique Cardoso.
publicado em O GLOBO de 05 de janeiro de 2010
Até.

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OS JORNALISTAS DE O GLOBO

Recebi ontem e-mail – sobre o qual não tecerei mais comentários – que me foi enviado por um jornalista de O GLOBO. Nele, à certa altura, o remetente escreve:

“Quero dizer que respeito seu trabalho e sou leitor há anos do seu blog, apesar de realmente não entender direito seu ódio pelos jornalistas que por acaso trabalham no Globo.”

Vamos lá.

Não quero exatamente respondê-lo por aqui – o farei, depois, particularmente, sem alarde, sabe-se lá se pessoalmente até (penso em convidar o autor da missiva eletrônica para um cotovelo-no-balcão). Mas preciso dizer, até mesmo para que disso saibam meus poucos mas fiéis leitores, que não tenho ódio pelos jornalistas que por acaso trabalham n´O GLOBO.

Tenho amigos, colegas, conhecidos que trabalham no jornal, o que já põe por terra o ódio generalizado que me imputa o autor do e-mail.

Quanto aos demais – alvos de diversos textos meus nos quais exponho, sem dó nem piedade, a vilania dessa gente – não nutro ódio. Guardo, sim, desprezo profundo por eles. Eles, que são membros dessa casta que descarrega – ela, sim! – ódio por nosso povo, por nossa gente mais simples, pelo carioca zona-norte e suburbano, por todos aqueles que não se enquadram nessa categoria patética que é rotulada como “descolada” e que é responsável pelo que há de mais bacana, genuíno e autêntico na minha mui amada cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Por tijucanos como eu, como Felipe Quintans, como Luiz Antonio Simas, criado e moldado em Nova Iguaçu, por cariocas do subúrbio como Diego Moreira, Marcelo Moutinho e José Sergio Rocha, por cariocas hoje exilados como Bruno Ribeiro, cariocas de alma como Arthur Tirone e Fernando Szegeri – e tantos outros que são permanentemente desprezados por essa suposta elite que trabalha, perniciosamente, contra o Rio de Janeiro.

Como João Ximenes Braga, que assina quinzenalmente uma coluna desprezível no igualmente desprezível caderno ELA, encartado aos sábados no jornal O GLOBO. Dia desses, referiu-se com nojo aos pobres (vejam aqui).

Hoje, sábado, manda o seguinte, comentando sobre uma briga que teria assistido no domingo passado, depois do jogo Flamengo e Grêmio, entre “dois galalaus” (o termo é dele), na praça São Salvador, em Laranjeiras:

Não tece uma linha sobre a barbárie coletiva que teve como palco a rua Ataulfo de Paiva, no Leblon, ou a praça Santos Dumont, na Gávea – e como protagonistas responsáveis os filhos mimados da riqueza, os inimputáveis e inatingíveis também mimados pela mídia (os figurantes, digamos assim, das novelas que têm o Leblon como cenário).

Pois ele, João Ximenes Braga, tem ódio – ele, sim! – e um ódio exposto às escâncaras e corroborado pelo jornal – que ele, jornal, também fomenta, ainda que subliminarmente, todos os dias em suas páginas – da zona norte, do subúrbio, do Rio de Janeiro que não se rende ao modus descolado de vida.

Até.

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INVERSÃO DE VALORES

(ou “A SALVAGUARDA DE QUEM NÃO TEM ESCRÚPULOS”)

Acabo de comprar (e ler, e já me arrependi de fazê-lo) o jornal O GLOBO, ninho de gente desqualificada e preconceituosa que lá não estaria se aquilo fosse um jornal sério.

Li (e a reação foi uma mistura de nojo e ódio) a coluna de João Ximenes Braga, no caderno ELA (repugnante), editado por Ana Cristina Reis, que plagiou (sem jamais dignar-se a uma mísera explicação) matéria inteira publicada no jornal americano NEW YORK TIMES (como provei aqui).

Na coluna de hoje (mal escrita como de hábito, chega a dar dó), o colunista conta (vejam que assunto palpitante!!!) sobre seu conflito acerca da eleição (babquíssima, diga-se de passagem) do “melhor destino gay gobal”, e lamenta ter votado em Montreal pois “o Rio ainda tem muito o que fazer pra merecer esse título em particular”. Um nojo, como se vê. Daqui, peço aos deuses que nos regem que JAMAIS (com a ênfase szegeriana) permitam que o Rio venha a merecer esse título degradante.

O colunista fala, às escâncaras, que não gosta de pobre (“na falta de termo mais politicamente incorreto”) – vejam a imagem abaixo.

coluna publicada no caderno ELA de O GLOBO de 05 de setembro de 2009

Mais à frente diz que ao chegar na praia, no trecho em frente à rua Farme de Amoedo, na quarta-feira passada, pensou, em vez de “opa, cheguei na praia gay”, “opa, cheguei na praia de pobre”.

“E qual o problema de pobre na praia?” – ele continua.

Vamos ao que diz o colunista: “Fora ser difícil de repetir rápido três vezes, nenhum, a surpresa está em a Farme parecer tão pouco gay.”.

Eis aí a inversão de valores e a covardia abjeta de João Ximenes Braga: encastelado na redação (árida de jornalistas de verdade), cospe na cara da gente ao manifestar sua avesão por gente pobre.

Por força de uma legislação de merda que tolhe o que é considerado politicamente incorreto apenas no que tange às chamadas minorias organizadas, ele pode escrever, num jornal de imensa circulação, barbaridades como essa, inoculando o ódio e incentivando o preconceito.

Eu, por muito menos, quando emiti minha opinião sobre uma nota publicada na coluna GENTE BOA, de O GLOBO, fui processado pelo protagonista da tal nota (essa que exponho aqui) que foi à Justiça apenas em busca de dinheiro (para comprar mais bonecas, pelo que deduzi). O autor da ação, outro que em seu inacreditável blog (que acompanhei durante certo tempo para ver se ele teria coragem de contar para seu público-leitor a fragorosa derrocada de sua iniciativa) manifesta seu ódio pelos pobres, não levou um centavo furado e sua denúncia foi rejeitada, mas é triste perceber a insuportável mania de perseguição dessas minorias que por um lado desfilam por aí expondo seus orgulhos e depois buscam a Justiça dizendo-se, oh!, moralmente abaladas.

Se eu dissesse aqui o que penso, a fundo, sobre gente como este colunista de O GLOBO, seria crucificado e, quiçá, processado novamente. Ele, sob o manto da covardia, escreve o que escreve e é saudado – muito provavelmente – por seus colegas de areia e de balcão de casa de sucos, que também odeiam os pobres.

Ele é reincidente. Leiam aqui e aqui.

O que o faz ficar, ainda, no Brasil?

E como – como, meu Deus? – pode um jornal empregar (e publicar) um cara desses, sendo que somos um país com uma imensa maioria pobre?

Tirem vocês as suas conclusões.

Até.

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BELMONTE RIMA COM DESMONTE

Quem deu a dica da matéria, publicada no blog de Juarez Becoza, hospedado no Globo on Line, foi o leitor Caio Vinícius.

É tudo extremamente lamentável. São os movimentos dos “belmontes corações” – expressão que li, dia desses, no jornal.

publicado no blog de Juarez Becoza, n´O GLOBO ON LINE, em primeiro de dezembro de 2008

Leia aqui.

Até.

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DEU NO JORNAL O DIA

A leitora (ou o leitor) que assina Wan chamou minha atenção com o comentário que fez, vejam aqui. Corri atrás da informação e a confirmei no site do jornal O DIA, em matéria intitulada MILHÕES DE LUCRO COM AS BALAS, que pode ser lida, na íntegra, aqui. Eis os trechos que quero destacar:

“Traficantes de drogas sintéticas chegam a negociar de 30 mil a 40 mil comprimidos de ecstasy às vésperas de festas como a Tribe Rio, realizada no fim de semana em Itaboraí, de acordo com investigadores que calculam o faturamento dos criminosos entre R$ 750 mil e R$ 1 milhão. O lucro é semelhante ao obtido pelos organizadores de grandes eventos de música eletrônica, segundo agentes. Ontem, o sítio Happy Land, onde aconteceu a rave, foi interditado por 30 dias, para a conclusão das investigações sobre a morte do estudante Lucas Francesco Amêndola Maiorano, 17 anos.

Policiais estiveram no local e encontraram pequena quantidade de cocaína e papelotes vazios em um banheiro químico, além de vestígios de consumo exagerado de bebidas alcoólicas. Pelos canteiros do terreno, muitas garrafas de uísque, vinho e vodca. Também havia palitos de pirulito espalhados pelo chão e centenas de garrafas de água — artifícios para evitar overdose e hidratar o corpo. Na comunidade oficial da rave no Orkut, pessoas que estariam no mesmo grupo de Lucas comentaram que ele teria consumido 10 comprimidos de ecstasy.

Segundo o delegado Antônio Ricardo Lima, da 71ª DP (Itaboraí), a Directa Produções, empresa que promoveu a Tribe Rio, e a Guepardo Vigilância, responsável pela segurança do evento, podem ser indiciadas por não reprimir o tráfico e o consumo de drogas. A pena é a mesma para o crime de tráfico — 5 a 15 anos de prisão. O delegado também não descarta a possibilidade de indiciá-las por homicídio.

Segundo ele, os produtores da festa tinham todas as autorizações e cumpriram as exigências de uma resolução da Secretaria de Segurança para a realização de eventos. No entanto, no Orkut, freqüentadores disseram que não precisaram apresentar documentos, que não houve revista e que até os seguranças estariam vendendo drogas.

“Quero saber se os organizadores da festa e os seguranças foram coniventes. Quem não reprime o tráfico e o consumo exagerado também responde por isso. É associação. Pelo que parece, o consumo foi praticamente liberado e a segurança não deteve ninguém e não fez nenhuma apreensão”, disse ele, que espera o resultado do exame toxicológico feito no corpo de Lucas, que deve ficar pronto em 10 dias. A polícia pedirá as imagens do circuito de câmeras do sítio.

O dono da Guepardo Vigilância, Cristiano Lobo, prestou depoimento ontem. Ele afirmou que 380 seguranças trabalharam em dois turnos e que nenhum dos vigilantes flagrou freqüentadores usando entorpecentes no Happy Land. Cerca de 30 funcionários ficaram encarregados da revista na entrada do sítio. Segundo ele, para burlar a segurança, muitas mulheres servem de ‘mula’, levando ecstasy para a festa.

“Depois da revista, é difícil identificar os usuários.Eles já chegam como vocês viram aí. Muitos bebem antes de entrar e as mulheres levam os comprimidos escondidos na vagina. Quando a gente se aproxima, eles jogam o comprimido fora ou engolem”, contou Cristiano.

Na manhã de ontem, o carro-pipa que refrescou o público ainda estava no terreno, de cerca de 750 mil metros quadrados. Um caminhão recolhia os engradados de cerveja.

O dono do sítio, José Roberto Vidal, prestou depoimento e disse que apenas alugou o espaço para a Directa Produções. Em contrato, a empresa assume as responsabilidades civis e criminais com a festa.

Três amigos de Lucas, que estavam com o estudante na rave do fim de semana, devem depor. O dono da Directa, Pedro Schmitt, também terá que prestar esclarecimentos. A empresa já fez outras festas de música eletrônica e é proprietária dos bares Devassa no Flamengo e em Ipanema.

Ninguém, por favor, venha me falar em coincidência.

Até.

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NOJO ABSOLUTO

A coluneta anti-carioca Gente Boa, publicada no Segundo Caderno de O Globo, depois de adular durante meses mais essa nova moda podre trazida sabe-se lá por quem – o merdelê começou, é claro, no Leblon… -, dá notinha hoje em tom viadesco (o “argh!” não me deixa mentir), aparentemente reclamando do troço, para tentar encobrir mais propaganda deslavada (a que preço?!) para o grupo Belmonte.

Diga-se, a título de curiosidade, que é a primeira vez que o homúnculo se refere a esse lixo dessa maneira… “grupo Belmonte”.

nota publicada no Segundo Caderno de O GLOBO, na coluna GENTE BOA, em 07 de outubro de 2007

Esse lixo que essa mesma coluna tentou durante muito tempo vender como buteco, agora investe (pausa para o vômito) no ramo dos temakis, inaugurando, em Copacabana, a Temakeria Carioca.

Ah, sim! E é curioso o título da nota-de-merda… “Negócio de ocasião”… Como se não fosse um negócio de ocasião, também, a proliferação da mentira que atende pelo nome de Belmonte, Antonio´s (vejam aqui), Codajás (vejam aqui), tudo farinha do mesmo saco, ou bares do mesmo dono, ou negócios da mesma ocasião, tudo devidamente alardeado pela mesma coluneta.

É dose.

Até.

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A PODRIDÃO DE UM JORNAL

Ontem minha caixa de email espocou feito milho em pipoqueira, que eu odeio forno de microondas e, conseqüentemente, a pipoca prática que tem gosto de isopor. O relógio marcava seis e meia da manhã quando chegou o primeiro, assinado por um Tabelião (senti-me notificado):

“Meu velho, nem uma palavra sobre o atual furdunço envolvendo os pé-sujos e sua higiene, e o comentário do Juarez Becoza sobre serem lugares feitos por gente do povão para gente do povão? Já foi melhor nisso, hein? Beijos.”

Notem que a marcação de meus poucos mas fiéis leitores é, ao contrário da marcação exercida pelos zagueiros do Flamengo, infelizmente…, implacável. Mas vamos ao palpitante assunto que tantos emails provocou.

O GLOBO, ontem, através de uma de suas empregadas, Selma Schmidt (recuso-me a chamar de jornalista quem se presta a certos papéis), deu início – não tenho dúvidas disso – a uma sórdida campanha contra os butecos cariocas (ainda são dez mil, apesar da ação predatória de meia-dúzia de empresários e de milhares de babacas que caem no conto desses imbecis).

matéria publicada no jornal O GLOBO de 25 de setembro de 2007

A matéria intitulada PÉS BEM MAIS DO QUE SUJOS, que ocupa uma página inteira do caderno RIO, tem um tom denuncista covarde e propõe-se aparentemente a cobrir a vistoria (chamada de blitz, na matéria) feita em oito butecos pelo presidente da Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores. Vistoria essa acompanhada pelo jornal O GLOBO. Eis aí meus primeiros estranhamentos.

Quando houve, recentemente, um operação feita pela Delegacia do Consumidor com acompanhamento de técnicos da Vigilância Sanitária, e quando descobriram algo como cem quilos de carne vencida no Belmonte do Jardim Botânico, não havia UM mísero fotógrafo ou UM mísero jornalista de O GLOBO “acompanhando” a operação?

Por que esta notícia saiu num canto de página, tímida, sem qualquer destaque? Vejam aqui.

Vejam bem… É EVIDENTE (com a ênfase szegeriana) que, em geral, as cozinhas dos butecos pé-sujos não são, de fato, um primor de higiene e assepsia. Mas também não o são as cozinhas de QUALQUER restaurante, simples ou requintado, ou de QUALQUER bar-de-merda dessas redes perniciosas de franquia.

E não tem mais o que fazer o presidente da Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores?

A certa altura da matéria, o tal presidente da malfadada comissão alerta:

“- Quem consome alimentos preparados nesses bares está sujeito a contrair doenças infecto-contagiosas.”

E quem não está sujeito a contrair doenças infecto-contagiosas comendo em QUALQUER lugar na rua? Quem?

Mas o presidente dessa ocupadíssima comissão prefere apontar o dedo na direção, justamente, dos butecos. Sugestão rápida: por que não faz uma vistoria apurada nas contas pessoais de seus colegas vereadores? Por que não checa os contratos escusos entre a Prefeitura e algumas construtoras, que tiveram o PAN como objeto, e que enriqueceram, da noite pro dia, uma pá de gente? Por que? Por que bater no lado mais fraco, sempre? Digo lado mais fraco porque, um dia depois da publicação da tímida matéria denunciando a apreensão de carne vencida no Belmonte, deu-se ampla publicidade a uma nota oficial (é de rir) divulgada pela assessoria de imprensa (é de rir) da cadeia do bar-de-merda. Quem irá meter o indicador na fuça do vereador e defender os butecos?

Outro troço, esse engraçado. A Sra. Selma Schmidt (eu gostaria de saber como) chegou até a Sra. Rita de Cássia Goulart, manicure, 38 anos, sumidade quando o assunto é buteco. E escreveu a seguinte pérola, peça fundamental na história do jornalismo investigativo:

“Há duas semanas, a manicure Rita de Cássia Goulart, 38 anos, passou mal com a lingüiça que comeu em um pé-sujo em Laranjeiras:

– Botequim, nunca mais.”

Ontem, enquanto almoçava um PF num pé-sujo no Largo do Machado, neguinho no balcão, apontando pra tal matéria, dizia com a boca cheia de farofa, rindo violentamente:

– PQP! A Rita bebeu cerveja, bebeu cachaça, pediu rabo de galo, limão da casa, comeu meia porção de lingüiça e mete a culpa na coitada?!

O que exsurge da matéria covarde e meramente denuncista é o que acompanha a história desse jornal, desde sua fundação (sobre posturas do jornal O GLOBO, recomendo a leitura de elucidativo texto de meu mano Simas, aqui): ódio às coisas do povo e às coisas da gente mais simples, nojo à escâncara de tudo o que é popular e que sobrevive independente da submissão aos poderosos e às engrenagens sujas do maquinário que sustenta a canalha.

Não passarão!

Até.

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BELMONTE EM PARIS

Não, eu não estou delirando, mentindo, inventando, nada disso.

Deu na coluna Ancelmo Gois, escrita a dez mãos, n´O GLOBO de hoje:

“A rede carioca de botecos Belmonte, uma das pioneiras no estilo, digamos, pé-limpo, vai abrir uma franquia em Paris.”

Faço, aqui, a reprodução da propaganda (a que custo?), para que meu discurso de há anos ganhe contornos cada vez mais fortes de coerência.

Tomem nota de umas coisas (até mesmo para que seja mais divertido ler a quantidade de besteira que vem por aí, que a assessoria de imprensa que trabalha para esses bares-de-merda não dão ponto sem nó):

* Eu já havia dito aqui, aqui e aqui, que o cidadão que se apresenta como dono dessa rede Belmonte (que ainda engloba Codajás e Antônio´s) é apenas testa-de-ferro de um grupelho de investidores que não poupam esforços para destruir uma de nossas mais caras tradições, enganando milhares de azêmolas que pagam fortunas para fazer pose dentro dos lixos que se espalham como metástase pela cidade. Ou vocês acreditam que o humilde ex-garçom Antônio Rodrigues é, sozinho, como quer fazer crer a imprensa de merda que o bajula, dono dessa bosta toda?

* Que outro buteco – e falo dos autênticos, evidentemente – tem filial? Filial no Brasil? Que dirá, meus poucos mas fiéis leitores, em Paris?

* Muito em breve – logo após a inuguração da anunciada merda em terras francesas – os estabelecimentos da rede, aqui no Brasil, vão reproduzir os acepipes e os petiscos servidos aos europeus.

* Não duvido nada que seja anunciada a contratação do Chico (ex-garçom do Bracarense, sumidíssimo, aliás, e a gente sempre desconfia desses troços…) para trabalhar na primeira – outras muitas virão – franquia internacional da rede.

Tomem nota! Tomem nota!

Ah, sim! Eu ia me esquecendo! Um dos cinco redatores da coluna Ancelmo Góis, escreveu, hoje também, a seguinte nota:

“Tony Blair e a rainha-mãe, que vão assistir ao jogo entre Inglaterra e Brasil, na inauguração do novo Estádio de Wembley, em Londres, dia primeiro de junho, convidaram Lula para ir também.”

Segundo minha tijucana ignorância, a Rainha Mãe, Sua Majestade Rainha Elizabeth, nascida em 04 de agosto de 1900, morreu, aos 101 anos, em 30 de março de 2002.

Vamos ver se alguém de lá – em sede de O GLOBO tudo é possível – pede desculpas pela cagada amanhã.

Até.

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INVESTIMENTO DE QUANTO?

Antes mesmo de começar a escrever sobre a barbaridade que foi a matéria de capa da revista RioShow, encartada n´O GLOBO de ontem, uma observação: desde o dia 25 de janeiro de 2007 que o jota não escreve uma mísera linha sobre qualquer desses bares que ele fomentou durante meses (só aqui no BUTECO eu fui capaz de registrar trinta e três atentados, vejam no menu à direita). O jota anda, agora, voltado para o mercado da moda. E tem, evidentemente, seus preferidos. A bola da vez, por exemplo, é um sujeito cujo nome não me lembro, mas cujo sobrenome lembra o som da tosse.

Mas isso não significa, é claro, que os bares de merda que mantêm atuantes assessorias de imprensa tenham ficado sem espaço. Apenas mudaram, digamos, o foco dos seus investimentos na mídia impressa.

E quem os bajula dessa vez?

O coleguinha do jota, o jota éle, apontado como autor de apenas – até o presente instante – dois atentados, esse aqui e esse outro aqui.

O terceiro atentado, porém, é de grandes proporções.

Trata-se de matéria de capa.

revista RioShow de 30 de março de 2007

Eis o título:

BARES LADO B . As redes Belmonte, Conversa Fiada, Informal e Manoel & Joaquim abrem botequins com nomes diferentes para evitar o desgaste de suas marcas

É ou não é um nojo?

Conseguiu, o aprendiz do jota, citar quatro bares na capa da revista.

Quatro, não. Cinco.

A foto que ilustra a primeira página mostra, acintosamente, a placa do Antônio´s Bar e Botequim, e tem pequeno texto no rodapé:

O Antônio´s, na Lapa, é a mais nova cria de Antônio Rodrigues, dono do Belmonte

São, portanto, cinco os bares-de-merda citados na capa (onde o espaço deve ser mais caro).

Na matéria, de quatro páginas, o jota éle cita outros bares e explica, aos leitores, como funciona a máquina. Vamos lá, transcrevendo alguns trechos:

Seguinte: como qualquer bar, as redes de botecos limpinhos e arrumadinhos começaram com um modesto endereço único. Depois, cresceram, apareceram e se tornaram redes. Agora proliferam bares que pertencem a essa galera mas trazem um outro nome na fachada. Assim, Antônio Rodrigues, dono do Belmonte, está à frente do Antônio´s e do Codajás. Abílio Fernandes, criador do Manoel & Juaquim, é hoje o feliz proprietário do Armazém Carioca. Parte da turma do Informal também responde pelo Jiló. E por aí vai.

Por aí vai, mas eu não interrompi a conta. Somam-se aos cinco já citados na capa, o Codajás, o Armazém Carioca e o Jiló. Já são oito. Vamos em frente.

Transcrevendo:

Negócios também foram a motivação de Daniel Guerbatin, que pretende se desligar da rede Conversa Fiada num futuro próximo. Há um ano, ele juntou-se a sete investidores e imaugurou o Gente Fina, no Leblon. Mais elegante que as casas da rede, o bar vive lotado até altas horas.

– O Gente Fina foi pensado como um investimento, de olho na rentabilidade. Mas não acredito em desgaste de marca. O segundo bar é uma tendência, uma forma de oferecer uma outra opção ao público.

Não perdendo a conta, com o Gente Fina, são nove os citados até aqui.

A matéria – que é propaganda pura – traz, ainda, o depoimento de José Octavio Sebadelhe, da equipe que escreve o guia Rio Botequim.:

Boteco é boteco. Esses bares-franquia, queiramos ou não, têm uma onda meio fake. Repara só como muitos desses estabelecimentos adotaram a alcunha de botequim ou boteco. Isso é uma coisa relativamente nova. Quando fizemos o primeiro Rio Botequim, os donos de pés-sujos reclamavam, gritavam que não eram donos de botequins. Hoje a palavra é como um título de nobreza, todo mundo quer ser boteco. O tal do segundo bar não passa de mais uma jogada de marketing. Dono de boteco de verdade não quer crescer porque sabe que vai se perder no caminho.

Um troço, convenhamos, muito próximo do que digo aqui, no balcão imaginário do BUTECO, há anos.

Mas como essa turma investe pesado, pesadíssimo, e como o jota éle de bobo não tem nada, ele arrumou espaço para dois tijolinhos dentro da matéria. No primeiro ele cita o Espelunca Chic e o Esculaxo, este último ainda por inaugurar.

São, até agora, onze os citados.

O segundo tijolinho é dedicado, inteiramente, ao Devassa.

Doze bares citados.

Quanto – essa a pergunta – investiram os mega-investidores nessa matéria?

E só mais uma, pra encerrar por hoje: será que os clientes, os incautos que freqüentam esses lixos, lendo uma matéria dessas, lendo os depoimentos dos mega-investidores, não se sentem uns idiotas fazendo fila nas portas das filiais espalhadas pela cidade e pagando fortunas pelo que bebem e comem, enchendo os bolsos desses caras?

Até.

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