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DO DOSADOR

  • Luiz Antonio Simas, meu amigo há mais de 10 anos, meu irmão, meu compadre e o homem que cuida de mim com a competência de sacerdote mais-velho, é um tímido e um modesto, embora os movimentos em torno dele façam parecer o contrário, razão pela qual não viria (e não virá) a público dizer o que eu disse a ele, a pedidos. Aldir Blanc, um de meus orixás vivos, com quem falo com freqüência (os assuntos vão do futebol à política internacional, dos livros à música, das mulheres aos escrotos da vida pública), mandou-me e-mail e pediu que repassasse o recado ao Simas, o que fiz prontamente. Eis o e-mail do Bardo da Muda: “Viu esse? Por favor, mande um tremendo abraço pro Simas. Ninguém está escrevendo como ele. Bj, Aldir.”. Referia-se, o Aldir, ao texto Brasil, um tremendo sucesso, publicado pelo Simas no Facebook. O portentoso texto – brilhante! – pode ser lido aqui. Era o que eu queria lhes dizer;
  • Ainda sobre Luiz Antonio Simas (ele, se quiser, que confirme): há mais de 10 anos, logo que eu o conheci, ainda não éramos íntimos, eu ainda não tinha recebido a honraria de ser nomeado padrinho-de-rua do seu Benjamin, disse a ele e à minha comadre, Candida: “Luiz Antonio Simas, com as proporções e as individualidades devidas e preservadas [tenho horror dessa coisa de sucessor, substituto e outros bichos], vai ser o Suassuna do Sudeste. Vai correr Brasil, de camisolão, cantando e encantando toda a gente que com ele esbarrar.”. Quando Sérgio Cabral (o pai, por favor) apresentou Aldir Blanc e João Bosco em 1972 na série Disco de Bolso, d´O Pasquim, disse algo assim: “Quando o Brasil inteiro reconhecer a genialidade de Bosco e Blanc como a maior dupla de parceiros da música brasileira quero esse mérito, o de ter dito primeiro.”. Cito de cabeça, mas foi algo assim. Com o Simas, podem apostar, vou querer o mesmo mérito;
  • Eis que tem início, hoje, a Semana Santa. Hoje, a Missa do Lava-Pés. Amanhã, a Procissão do Senhor Morto, no Sábado de Aleluia a missa do Fogo Pascal, e no domingo de Páscoa serei um sobrevivente renascido depois da Quaresma, 40 longos dias de holocausto. Não sou católico, quem me acompanha sabe. Mas mora em mim, eternizada, as Semanas Santas da minha infância que, com a graça dos deuses, foi uma zorra na matéria: minha bisavó e minha tia Hidinha, católicas fervorosas, cumpriam a Quaresma, vestiam preto na Sexta-Feira Santa, a casa de meus avós (com quem as duas moravam) era um silêncio agudíssimo em respeito à data. Meu avô dizia-se católico, respeitava o silêncio das duas mas não me recordo dele tão envolvido com a data. Vovó, por sua vez, espírita fanática, tinha certa dó de ver a mãe e a tia ainda tão presas aos rituais da Santa Igreja Católica. Meu tio Carlos Henrique, irmão de vovó, também respeitava a liturgia da mãe e da tia mas gostava mesmo era da umbanda, vestia branco às sextas-feiras (incluindo a Sexta-Feira Santa, o que gerava leve reprimendas de minha bisavó consubstanciadas num balançar de cabeça com os olhos fechados), recebia o Caboclo Tupiara com quem eu trocava altos papos, meu pai depois deu de ser cavalo do Caboclo Tupinambá, minha avó não dispensava um passe do caboclo – qualquer um deles – com um dos livros do Kardec debaixo do braço, meu avô não dizia nada (era um calado) mas fazia o sinal de cruz sempre que passava por uma igreja. Ah, sim, a Penha, que trabalhava na casa de meus avós, tinha um cabelo que ia até a altura dos joelhos e é a primeira e mais remota lembrança de tenho de uma pentecostal fanática;
  • Isso pra não falar da banda paterna. Avós judeus. Minha avó freqüentava, escondida de meu avô, um centro espírita na Praça da Bandeira (moravam na Tijuca). O Clube Monte Sinai era quase que o playground de minha casa, o que significa dizer que a imensa maioria dos meus amigos de infância era judia, que fui a dezenas de Bar-Mitzva em praticamente todas as sinagogas da cidade (o que fez com que, até hoje, eu recite trechos da Torá num ídiche de causar inveja em israelense nativo) e sempre com aquele drama que me acompanha, de certa forma, até hoje: “Eduardo Goldenberg? Judeu, né?”. Daí eu conto toda a ladainha numa tentativa que não cessa de fazer com que eu mesmo compreenda quem sou e que fruto deu esse caldo todo, uma vez que eu me comovo feito o diabo na Semana Santa, choro às escâncaras no Círio de Nazaré, bato cabeça pra Ogum, meu pai, faço ebó quando Ifá manda, converso com minha avó à noite, rezo de mãos dadas com a Morena e vou assim, por aí, eternamente assustado e assombrado como o menino de calças curtas e camisa listrada que renega meus 48 anos de idade.
  • Até.

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* começa o mês de junho e, conseqüentemente, a contagem regressiva mais obsessiva para o início da Copa do Mundo de 2010. Estamos a pouco mais de 9 dias do início da Copa do Mundo, o que significa dizer que o futebol passa a ser, mais agudamente, o assunto reinante no balcão virtual do Buteco. Sobre os jogos do Brasil, ainda não sei aonde irei vê-los, eis que compartilho da mesmíssima opinião de Luiz Antonio Simas, aqui manifestada. Quero evitar as grandes aglomerações e o bonde das descontroladas, de que nos fala o professor. É tudo o que sei, por enquanto;

* eu disse que “não sei aonde irei vê-los” mas preciso fazer a correção. O jogo do dia 25 de junho, Brasil e Portugal, às 11h, assistirei em São Paulo, na companhia de meu irmão Fernando Szegeri, que completa 40 anos na véspera. E eu, como faço há anos, estarei em São Paulo no dia do aniversário de meu irmão;

* eu disse que “estarei em São Paulo no dia do aniversário de meu irmão” e preciso fazer a emenda: estarei em Campinas no dia 23 de junho, cumprindo uma promessa que é dívida há muitos anos. Escoltado por meus caríssimos Bruno Ribeiro e Marcelo Coelho, pretendo conhecer seus bunkers na cidade em que vivem, repetindo o ritual que com eles vivi, diversas vezes, aqui no Rio de Janeiro. Lá assistirei, seguramente, Eslovênia e Inglaterra, às 11h, e Gana e Alemanha, às 15h30min, meus jogos preferidos do dia. Aonde, também não sei. Confio nos dois;

* de Campinas, aí sim!, sigo para São Paulo no próprio dia 23 à noite. À meia-noite acontece o réveillon do homem da barba amazônica. A agenda em São Paulo promete. No dia 24, todas as atenções estarão voltadas para os passos, os gestos e as palavras pronunciadas pelo então quarentão. No dia 25, pela manhã, o jogo contra os portugueses. À noite, Didu e Gisa Nogueira na sede do Anhangüera. O sábado é uma janela aberta para o infinito. E o domingo, dedicado ao aniversário de uma de minhas amadas afilhadas. Retorno ao Rio de Janeiro apenas na segunda-feira de manhã;

* seu Brasil, figura impoluta no Bar do Marreco, soube ontem do aumento de preços que elevou a Brahma para R$ 3,80. Com a autoridade de seus cabelos brancos, socou o balcão de vidro e bradou:

– Tu tá achando que é o Outback, né, Marreco?! Não pago um centavo a mais. Teu bar é um lixo!

E ele, que bate ponto lá todos os dias, não pagou mesmo;

* Celsinho, meu chapa, fez curiosa observação. Por que os pernósticos-do-vinho não falam a palavra “vinho” sem o “bom” antes? Diz ele que ninguém anuncia que vai beber uma “boa cerveja”, que vai combinar “um bom chope”, que, com sede, quer beber uma “boa água”. Verdade absoluta;

* estamos há poucos dias do início da Copa do Mundo, repito. E a 11 dias do Arraiá dos Namorados, mais uma imprescindível iniciativa do vereador Eliomar Coelho, o homem que criou o Dia Municipal do Teatro de Bonecos (27 de abril) e o Dia Municipal da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha (25 de julho). E querem que eu leve o PSOL a sério.

Até.

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* Mantém-se o vergonhoso silêncio dos jornais cariocas (parece, disse-me Fernando Molica, que o jornal O DIA deu nota sobre o escândalo que maculou o mais recente concurso promovido pelo TJRJ, anulado pelo CNJ – detalhes aqui). Vou mudar o rumo da prosa, mas não vou dar refresco. Quero ver até onde vai a falta de escrúpulo dos que têm o rabo preso com os poderosos que nos oprimem. Ficarei de olho;

* não me canso de recomendar o vídeo que mostra a deputada estadual Cidinha Campos (que sempre teve e terá meu voto) pondo o dedo no focinho de José Nader, membro de uma família barra pesada, apesar de ter seu nascedouro em Barra Mansa. É comovente acompanhar a indignação de Cidinha, uma mulher que faz calar os constrangidos deputados presentes à sessão, a grande maioria deles incapaz de sequer saber o que é indignação. Assistam aqui o vídeo que já foi assistido mais de 630.000 vezes. Imperdível, também, é o embate verbal entre Cidinha Campos e o nefasto José Nader. Dá pra perceber várias coisas durante o filme, de aproximadamente 10 minutos de duração, e nesse ponto o vídeo é bastante significativo: a coragem de Cidinha Campos, que esculacha com José Nader, presente à sessão e fazendo cara de deboche permanentemente (o que só corrobora o que já sabemos a seu respeito), e a hipocrisia do deputado Mario Marques (PSDB), que, como um sabujo depois de requerer um aparte, pede à Cidinha que meça as palavras, tomando em seguida um foralhaço da própria, aqui;

* quero dar uma satisfação a vocês. Foi exitosa a campanha para ajudar, com o possível, o primo de nosso querido Luiz Antonio Simas. Diversos leitores do BUTECO chegaram junto e me ajudaram a encher dois carros com roupas, utensílios domésticos, louças, talheres, brinquedos, muita coisa. Sempre acho que solidariedade rima com anonimato, razão pela qual acho mais bacana não dizer, aqui, quem foi que ajudou na campanha de arrecadação. Ontem, quando entreguei o último lote pro Guilherme, seu primo, pude perceber a gratidão do malandro. Sintam-se todos os que ajudaram nisso, abraçadíssimos. Meu mais sincero muito obrigado;

* falei da deputada Cidinha Campos e quero lhes contar um troço. Moro, hoje, no apartamento em que moraram meus avós paternos, Oizer e Elisa Goldenberg. Desde que me mudei, lá se vão dez anos, recebo, com bastante freqüência, correspondências enviadas ora da ALERJ ora da CMRJ endereçadas à FAMÍLIA GOLDENBERG. Seus remetentes? O deputado estadual Gerson Bergher e sua mulher, a vereadora Teresa Bergher. Sempre enviei e-mails aos dois, que NUNCA (com a ênfase szegeriana) mereceram meu voto, pedindo, educada e polidamente, que interrompensem a remessa das cartas. NUNCA (o que diz muito sobre o modus operandi de seus gabinetes) obtive uma resposta. Tampouco cessou o envio dos lixos envelopados e pagos com dinheiro público. Hoje, depois de ter recebido ontem à noite mais uma nojenta carta da vereadora Teresa Bergher (convidando a “família” para uma sessão solene em homenagem ao 62o. aniversário do Estado de Israel (?!?!?!?!?!), enviei novo e-mail, um pouco mais, digamos, pungente. Vamos ver se dessa vez a falta de vergonha chega ao fim. TODAS as cartas, TODAS, têm esse cunho: ou Israel ou as festas do calendário judaico. Se isso não é mau uso do dinheiro público, não sei o que é;

* domingo se enfrentam Flamengo e Botafogo pela final da Taça Rio. Vencendo o Flamengo, teremos duas partidas pela frente para decidir o Campeonato Carioca de 2010. Vencendo o Botafogo, a fatura está liquidada. A derrota do Flamengo, na quarta-feira passada, pela Libertadores, foi um baque e poderá alterar o rendimento do time. Mas em futebol, diga-se, tudo é possível. Não tenho palpite. E que vença o Flamengo, que essa conversa de “que vença o melhor” não é do meu feitio.

Até.

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* Quero, antes de entregar-me ao salubérrimo exercício da digressão, fazer uma pergunta a meus amigos e leitores e leitoras jornalistas – os não jornalistas, é claro, podem dar seus palpites (e falo sério, não pensem, por favor, que se trata de pilhéria). É lícito a um(a) jornalista que exerce a função de crítico(a) gastronômico(a) sair por aí, tomando café da manhã, almoçando, lanchando, jantando e ceiando pelos bares, restaurantes, lanchonetes e que tais da cidade, previamente identificado(a) para que os donos e/ou gerentes das casas visitadas saibam da visita, não pagando um mísero centavo pela conta?; mais: é lícito após uma refeição mal sucedida atender ao pedido do dono e/ou do gerente para livrar a cara do estabelecimento em uma eventual avaliação a ser publicada? Faço, assim – como dizer? – mero exercício diante do que sei acontecer por aí;

* por falar em mero exercício do que sei acontecer por aí, quero lhes dizer uma coisa. O BUTECO DO EDU também está no TWITTER (aqui), e lá – ao contrário do que acontece aqui no blog – o dono do estabelecimento só fala besteira (não consigo compreender os que usam aquilo com seriedade beneditina). Mas lá, como aqui, ouço cada coisa que vou lhes contar! É imperdível, por exemplo, acompanhar o BOCA DE SABÃO, aparentemente comandado por policiais militares indignados com a farra na cúpula da PM. Ontem mesmo foi possível ler troços como Vc, policial, quer comprar talão de multa de transito? O preço é 500, talão do Estado e 800 talão do município., ou Alô @mp_rj, PF, @reporterdecrime A jogatina continua na Rua Firmino Fragoso nº 287, LOJA F, em Madureira, área do 9º BPM. Ou ainda O Maj Castro Neto do 2º BPM continua tentando extorquir a casa de show Vivo Rio e já ameaçou tirar o trailler da PM de lá. Ou Na PMERJ existe um BUDA! É o Sgt Gama do BPFMA. Fica o dia inteiro sentado com o barrigão em cima da mesa esperando o $$$ do pessoal da rua. É engraçado demais se você pensar que pode ser tudo verdade e imaginar a cara dos denunciados diante da exposição para milhares de pessoas (o BOCA DE SABÃO tem, por exemplo, o triplo de seguidores que tem o compositor Moacyr Luz). Mas é triste e lamentável verificarmos o quão podre é a estrutura da polícia do Estado. Leia (ou siga) o BOCA DE SABÃO aqui;

* tenho um conhecido que notabiliza-se por uma característica muito peculiar: NUNCA (com a ênfase szegeriana) pagou UMA (com a mesmíssima ênfase) conta que fosse (ou que seja, já que ele continua comendo e bebendo por aí, às expensas de quem o convida). Eu, com esses olhos que a terra há de comer (um deles com ptose palpebral), já vi a cena centenas de vezes. Vem a conta à mesa e ele vai ao banheiro, levanta-se, abraça o garçom, elogia o dono, o gerente, gargalha e farfalha os braços elogiando o que comeu e o que bebeu – coçar o bolso, que é bom, neca de pitibiriba, como diria minha bisavó. E é – convenhamos – um craque na arte da bajulação. Bajula, bajula, eleogia, elogia, elege novos ídolos, novos ícones e novos points, sempre à espera do convite que, tem sido inevitável, acaba chegando. É chamado – eu mesmo já ouvi, e fui ao chão de tanto rir – de Jacarepaguá. Segundo o autor da alcunha, por conta de que é lá, em Jacarepaguá, que será inaugurada uma estátua em homenagem ao sujeito. No Largo do Bicão;

* eu queria entender o que se passa na cabeça dos homens que dirigem as escolas de samba do Rio de Janeiro (salvo raríssimas exceções). Luiz Antonio Simas, um de meus ídolos vivos, contou que, dia desses, a BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS anunciou show com o padre Fábio de Melo em sua quadra (aqui). E eu leio, hoje, nos jornais, que no próximo sábado, 19 de dezembro, a UNIDOS DE VILA ISABEL receberá o cantor Lulu Santos, o tricolor que se orgulha de fazer parte da torcida mais cheirosa do Brasil. Mais patético – tirem as crianças da sala! – é ler que o show faz parte do projeto CASA DE BAMBA!!!!! Vejam o “bamba” Lulu Santos aqui, com a Xuxa, e vejam a que ponto pode chegar a capacidade do rídiculo. Adendo: tenho intensa piedade das crianças que, bisonhamente, pulam como cabritos em volta do cenário do tal clipe. Depois, mais à frente, os pais reclamarão… isso deixa para lá. Adendo: vejam aqui, constrangidos, o padre Fábio de Melo cantando na quadra da escola da BEIJA-FLOR a música (?!) que compôs em homenagem à azul-e-branco de Nilópolis. É inacreditável (para não dizer ridículo, e as risadas ao fundo dão bem conta do papelão do padre), aos 4m30s do filme, vermos o religioso ensaiando passos de samba travestido de mestre-sala para, depois, assistirmos à entrada, no palco, do prefeito da cidade acompanhado dos dirigentes da escola (do crime e de samba);

* e pra encerrar quero lhes dizer que, na primeira semana de janeiro, vou almoçar no restaurante de Roberta Sudbrack, no Jardim Botânico. E por várias razões. Fui convidado e convite não se nega, ainda mais partindo de quem partiu, um fraterno amigo que me pede, gesto muito nobre, a omissão de seu nome (desconfio dos que fazem gentilezas em troca da promoção). Em segundo lugar, porque quero, eu mesmo, provar da comida da festejadíssima gaúcha, conterrânea de meu eterno e saudoso governador Leonel de Moura Brizola. Como são muito controversas as opiniões sobre sua cozinha, vou lá tirar minha prova. E, em terceiro lugar, porque quero poder cumprimentá-la e lhe dizer, franca e sinceramente, que minhas críticas, feitas com veemência aqui no BUTECO, nada têm de pessoal;

* ah, sim, eu ia me esquecendo. Ontem, durante a crise belga no cada vez mais imperdível AL-FÁRÁBI, na rua do Rosário, na companhia de meus caríssimos (em ordem alfabética para não ferir suscetibilidades) Bruno Gaya, Carlinhos Alves, Guto, Leo Boechat, Luiz Antonio Simas e Luiz Carlos Fraga, provei da nova cerveja PAULISTÂNIA, dizem que lançada para fazer frente à THEREZÓPOLIS GOLD. Fabulosa, a cerveja, fabulosa! Leo Boechat, degustador de gosto apurado (o meu provador favorito), depois de meter o nariz dentro do copo, fungar ruidosamente, fechar os olhinhos, franzir a testa e beber o primeiro gole, deu a sentença: excelente! – e só quem sabe como soa o “excelente” expelido pela boca do meu compadre sabe o quão excelente é, de fato, a nova cerveja do mercado. Disse mais, o especialista:

– É, seguramente, uma puro malte Lager Premium com teor alcoólico de 4,8%. Feita com duas variedades de malte e duas de lúpulo, a cerveja tem um paladar refrescante e aroma lupulado. A análise sensorial foi desenvolvida por Cilene Saorin e a produção pelo mestre cervejeiro Matthias Reinold, tendo sido usado um lúpulo que não é comercializado no Brasil, o Hersbrucker.

Um craque, o Leo!

Até.

P.S.: recomendo, viva e efusivamente, a leitura dos comentários. O freqüentador bissexto deste balcão, José Sergio Rocha, está dando aula como quem respira em seus, até então, dois comentários.

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* estive ontem ao lado de mais de 30.000 pessoas, no Maracanã, para ver a vitória de virada do Flamengo sobre o Atlético Mineiro por 3 a 1. O jogo foi, em tudo, perfeito, e desde muito antes de entrarmos no estádio – que jogo de futebol, meu poucos mas fiéis leitores, pra torcedor que se preze, começa muito antes do apito inicial. Às sete e meia da noite já bebíamos na concentração no Bode Cheiroso, na General Canabarro, comandado pela fabulosa Martha (ou seria Marta?). Eu, Bemoreira, Henrique, Tiago Prata, garrafas de Antarctica derrubadas (Leo Bemoreira Boechat chegou e primeiro e decidiu o rótulo), uma generosa porção de salaminho fatiado pelo Bigode e tomamos a direção do maior do mundo (será sempre, e para sempre, o maior do mundo). A idéia era garantir o tanque cheio durante os 90 minutos a seco, que ninguém pode ver futebol no estádio bebendo Itaipiva sem álcool. Qual o quê?! Encontramo-nos, nas arquibancadas, com Felipinho Cereal, que fora assistir a derrota de seu América para o Artsul por 2 a 1. Qual um cão perdigueiro, perserverante, ágil, atento e um grande farejador, Felipinho Cereal apareceu, nos primeiros minutos do primeiro tempo, com latas de Antarctica, geladíssimas, obtidas após uma fabulosa perseguição atrás de um vendedor portando uma suspeitíssima bolsa de plástico branco de onde pingava a água do gelo! Aliás, preciso lhes contar isso. Havia uma esquema incrível no estádio. Os vendedores de cerveja, todos, tinham rádios. Comunicando-se com eles, umas espécies de maitres espalhados estrategicamente a cada dois setores das arquibancadas indicando a posição da freguesia sedenta. O que nos garantiu, até o apito final, cerveja estupidamente gelada pelo mesmo preço da sem álcool. Decidimos, eu e Bemoreira, que levaremos o Felipinho a todos os jogos, pagando seu ingresso e os 10% do consumo;

* final do jogo e tomamos o rumo do Aconchego Carioca e depois do Petit Paulete, na Praça da Bandeira, onde comemoramos a vitória até pouco depois de uma da manhã. Praça da Bandeira, quero repetir. A praça não dá bandeira, como sugeriu Luciana Fróes, em lamentável e deselegante reportagem n´O GLOBO (onde mais?);

* eu gostaria de lançar, aqui, uma campanha cívica, uma cruzada nacional. Peço a todos vocês, meus poucos mas fiéis leitores, que procurem nas redondezas (mercados, supermercados, quitandas, delicatessens, o diabo!) por garrafas de Macieira, o Macieira Cinco Estrelas. Peço, mais, que perguntem pelo preço da unidade e pela quantidade disponível. Há um amigo meu, um queridíssimo amigo meu que me pede sigilo de sua identidade, precisando (o verbo foi usado por ele) estocar Macieira em casa. Rumores dão conta do fechamento da fábrica, pelo que urge atender ao necessitado. E-mails, por favor, por aqui;

* domingo, quero repetir, vai tremer a esquina da Pardal Mallet com Afonso Pena. Com Luiz Antonio Simas de volta (ele está pra chegar, leiam aqui) e com jogo do Flamengo no Maracanã às 16h, o dia promete;

* sugiro a vocês, por fim, que comprem a edição de amanhã do Jornal do Brasil. Este que vos escreve estará lá, no Caderno Idéias, com texto ilustrado pelo Stocker, criador do genial Tulípio (vejam aqui).

Até.

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* uma pequena fábula… O preço do pato está cada vez mais caro. Eu, um teimoso quase-incorrigível, estou no vermelho no banco mas continuo pagando o valor imposto pelo mercado e pelos investidores que jogam na roleta e que ditam o ritmo dos negócios. Costumo dizer, não sem razão, que sou uma espécie de Maria da Penha, a porta-bandeira rolando pela ribanceira, com uma fundamental diferença: não ateei, sozinho, fogo às vestes. No meio do salão de jogos, deixo, com um estranho prazer, que lancem querosene e gasolina sobre minhas roupas. Já encharcado e já devidamente embebido como bucha de balão, assisto sempre um, dentre os tantos que se divertem com a brincadeira, riscando um palito de fósforos e arremessando-o em minha direção, aceso. Há sempre muita fumaça mas quem tosse sou eu. Quem sente os olhos ardendo, somente eu. Quem sentes as dores das queimaduras, eu. Depois de encarnar Maria da Penha, sou Fênix. Os investidores não se dão sequer ao trabalho de empunhar um extintor, que seja. Contratam, depois de organizarem uma vaquinha informal, numa espécie de processo de expurgo, um cirurgião plástico que dá sempre um jeito de consertar o estrago visível a olho nu. E assim caminho com humildade até o próximo incêndio.

* sonhei, na noite passada, com a atriz Hattie McDaniel, a babá crioulona do filme E o vento levou (na foto abaixo). No sonho, Hattie protestava agudamente contra a lei municipal 4.891, de autoria de vereador do PSOL, que homenageia as mulheres negras latino-americanas e caribenhas (vejam aqui). Nascida no Kansas, Estados Unidos, a doce negrona, que espumava furiosamente enquanto gritava contra a iniciativa do PSOL, ela ainda revoltada com o fato de não terem permitido seu enterro no cemitério de Hollywood justamente por ser negra, pedia-me o registro do protesto por ter sido excluída das homenagens do dia 25 de julho, que esse ano cai num sábado.

a atriz Hattie McDaniel, que interpretou a personagem Mammy em ´E o Vento Levou...´

* lembrei-me demais da tia Lita, tia-avó de Luiz Antonio Simas, quando Erasmo Carlos subiu ao palco do Maracanã pra cantar Amigo com Roberto Carlos, no último sábado. Meu sogro, que comigo assistia ao espetáculo pela TV, havia acabado de dizer “li que eles não se falam há muitos anos, estão brigados” quando o Tremendão apareceu no telão do palco, prenúncio de sua entrada triunfal no palco, que fez o Rei chorar de dar dó. Ele, meu sogro, não entendeu nada quando eu disse que tia Lita deveria estar em festa onde quer que estivesse (leiam aqui).

* falei do show do Rei, no Maracanã, no sábado passado, e não é possível deixar de falar sobre a transmissão da TV Globo. A transmissão, creiam, pateticamente, não foi ao vivo embora a apresentadora Patrícia Poeta fizesse crer que sim. Não estivesse eu ouvindo a rádio Globo AM e eu não teria sabido que fazia (faria) papel de palhaço diante da TV.

* uma última palavra. Um cidadão por quem tenho profundo respeito escreveu-me, ontem (depois de ouvir lamúrias minhas sobre recentes episódios significativos no que diz respeito à pequena aldeia que nos cerca), o seguinte: “E o esquerdismo, já dizia Lênin, é uma “doença infantil do comunismo”. O esquerdista é aquele cara que fica politicamente adolescente a vida inteira.”. Só uma besta (ou um adolescente perene), do último fio de cabelo à sola dos sapatos, pisoteia em seus afetos por conta de divergências políticas.

Até.

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* tenho cada vez menos, por razões de foro íntimo e seguindo as atuais e vigentes diretrizes da gerência do Buteco, exposto no balcão imaginário meu dia-a-dia. Não posso, entretanto, deixar passar em brancas nuvens (expressão que mamãe adora e usa à mancheia) a fabulosa reunião da manhã de ontem, domingo, 07 de junho de 2009, na minha cada-vez-mais-amada Tijuca, mais precisamente no Bar do Chico, esquina das aprazíveis Afonso Pena e Pardal Mallet. À mesa, por ordem de chegada, este que vos escreve, Luiz Antonio Simas, Luiz Carlos Fraga, Felipinho Cereal e Jean e Leo Boechat, o nosso Bemoreira (Jean é seu primo, de São Paulo, e que sofre de agudo amor pelas manhãs tijucanas). A manhã, que seguiu o mesmíssimo ritual de incontáveis domingos passados, ganhou especiais cores graças à presença – pela qual eu ansiava há semanas, semanas! – de Carlos Andreazza, do Tribuneiros. Não bastasse o prazer que tive de conhecer pessoalmente o bardo imperiano e rubro-negro, testemunhamos todos o nascimento de uma idéia que dá, ao carnaval de 2010, desde já, uma dimensão antológica. Leiam aqui, o emocionado relato do Andreazza;

* terminou, ontem à noite, a papagaiada promovida pela Secretaria Municipal de Cultura, o chamado Viradão Cultural. Não gostaria que prevalecesse a idéia, equivocada (segundo me pareceu diante do comentário feito pelo Marcelo Moutinho aqui), de que sou contra a iniciativa. Só não dá é pra achar que a Prefeitura está promovendo cultura. Não está. O que a Prefeitura fez foi promover mais de 300 eventos durante o final de semana passado. Política cultural, franca e sinceramente, não é isso. Eu adoraria saber, aliás, quanto custou a festança aos cofres públicos;

* estamos a 48 horas do início do julgamento da ação que decidirá a questão que envolve o menino Sean, no STF (falei sobre isso aqui). Não sei quanto a vocês, mas eu pretendo assistir ao julgamento pela TV Senado como quem assiste jogo de Copa do Mundo. O tribunal ameaça pegar fogo, diversos interesses (alguns escusos) estarão em jogo e o programa promete ser imperdível;

* troço chato, incrivelmente chato, potencialmente chato, é o sujeito analisado, quer seja pelo psicanalista quer seja pelo próprio analisado, que vira-e-mexe assume ares de doutor na matéria. O analisado luta contra a espontaneidade e tem olhos de intensa piedade pra você, que é normal (ao menos pensa que é) e dispensa o divã e a hora de conversa paga. Genial, como todas as frases de sua autoria, é esta frase de Nelson Rodrigues: “Entre o psicanalista e o doente, o mais perigoso é o psicanalista.”. O mais digno de dó, entretanto, é o doente. Quero ver se no curso dessa semana faço minhas digressões sobre o tema;

* dentre os destaques do mobiliário do Bar do Chico está um quadro do Dicró, morador da Tijuca, mais precisamente da Professor Gabizo, a poucos metros da residência oficial de Luiz Antonio Simas (vejam abaixo).

poster do Dicró no BAR DO CHICO, na Tijuca

Ficamos ali, depois que o Jean, fã do bom crioulo, fotografou a peça permanentemente pendurada à entrada do buteco, imaginando como poderia se dar a contratação do astro. Como ele oferece serviços de SAMBA, PAGODE e PIADAS, ficamos nos perguntando se há a possibilidade de montarmos diversos “combos” (um só com o samba, um com samba e pagode, outro só com piadas, por aí…) ou se vem tudo num pacote só. Felipinho Cereal ainda tentou contato com o Dicró, sem sucesso. Queríamos saber quanto nos custaria (e eu apostei que ele iria pelo simples prazer de uma cerveja gelada numa manhã de domingo) sua companhia à mesa.

Até.

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* começa hoje no Rio o chamado Viradão Cultural promovido pela Secretaria Municipal de Cultura, inspirado em iniciativa que já é sucesso, há alguns anos, na cidade de São Paulo, e é bom pararmos por aí. Não podemos também, por exemplo, e a tucanalhada já se movimenta nesse sentido aqui no Rio, “importar” a inconcebível lei municipal paulista que proíbe terminantemente o fumo em qualquer (com a ênfase szegeriana) lugar (é ou não inimaginável um buteco sem cigarro?). O troço começa hoje à noite e termina junto com o domingo. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas quero daqui, do balcão imaginário do Buteco, dar-lhes outra dica, não por qualquer razão que não seja a de marcar o contraponto, dar voz e vez a quem a imprensa ignora, lançar luzes, ainda que modestas, sobre o que é bom demais. Haverá, neste final de semana, o fabuloso arraial junino da Igreja dos Capuchinhos, na fabulosa Haddock Lobo, na Tijuca, evidentemente. Dois dias de festa, quermesse, barraquinhas, esse frio que assombra a cidade e a certeza de distância absoluta da confusão e do tumulto que – anotem – marcará essa rave desnecessária. Se São Paulo necessita e aspira por eventos desse porte, por absoluta falta de generosidade da natureza (é uma cidade fria, convenhamos), o Rio de Janeiro, franca e sinceramente, prescinde disso.

* havia jurado a mim mesmo jamais pousar os olhos no blog Internetc, da colunista especializada em informática, Cora Rónai. Desde a última Copa do Mundo, quando o troço transformou-se num palco para demonstrações de uma capivara de pelúcia (não é piada, é a verdade), prometi jamais perder meu tempo lendo o que ela escreve (mal, na minha humílima opinião). Não vai, aqui, que fique claro, qualquer agressão ou ofensa à Cora Rónai. Filha de um homem cuja história admiro, trilha caminhos que nada têm a ver com os meus, eis outra razão pela qual também não a leio. Mas parei lá hoje, e lhes explico. Tive acesso, dia desses, à brilhante e corajosa sentença emanada da Justiça Federal a respeito do menino Sean, tremendo imbróglio que vem movimentando discussões no meio jurídico, nos cidadãos que nada têm a ver com o Direito propriamente dito e já na relação entre os países envolvidos, Brasil e Estados Unidos. Diante da sentença, extremamente esclarecedora sobre o modus operandi do qual vem se valendo o padrasto do menino, lembrei-me de um lamentável texto escrito por Cora Rónai publicado no jornal O Globo e reproduzido em seu blog, e que me foi recomendado por um desavisado amigo meu que torce (torcia, a bem da verdade) contra o pai da criança. Quis relê-lo. Achei o texto, Assim é se lhe parece, aqui. E quis relê-lo para que me saltasse ainda mais aos olhos essa curiosa torcida por alguém que atenta contra a Justiça. Daí pensei: vamos ver se Cora Rónai anda falando algo sobre o assunto. Não achei nada. Mas achei, meus poucos mas fiéis leitores, um post intitulado Ê, vidão, datado de ontem, 04 de junho de 2009 (vejam aqui). E já com 30 comentários (o blog de Cora Rónai é farto em comentários. Ela posta a fotografia de um de seus gatos e em coisa de – o quê? – 10, 15, 20 minutos, dezenas e centenas de leitores estão ali, babando sobre os gatos como se à espera do potinho de leite dos felinos da colunista especializada em informática. Ela espirra e seus leitores dizem “saúde” em uníssono. Ela escreve sobre o caso do menino Sean e há uma horda de mal-informados concordando com tudo, em segundos). Nele, no tal post, abaixo reproduzido, Cora Rónai espeta, uma vez mais, o mais aprovado presidente do Brasil por seu povo. Ela, como a elite raivosa brasileira, não tolera – eis a verdade resumida -, simplesmente não tolera que um homem do povo, ocupando o mais alto cargo da República, seja um êxito, um rotundo, circular, gigantesco e irrefutável êxito. Mas mais intolerável que isso, coisa infelizmente comum entre os membros da elite que não agüentam ver, por exemplo, suas empregas domésticas podendo comprar bens de consumo aos quais jamais tiveram acesso, é que a citada colunista especializada em informática permita e mantenha um comentário como o também abaixo reproduzido: “Pq o aerolula nao cai no meio do mar?”.

retirado do blog de Cora Rónai
retirado do blog de Cora Rónai

Este, meus poucos mas fiéis leitores, o triste desejo do homem que assina o comentário, Oscar, ao que tudo indica – até prova em contrário – corroborado pela dona do blog.

Para saber mais sobre as tristes conseqüências da liminar concedida pelo Ministro do STF, Marco Aurélio de Mello, leiam, por exemplo, isso aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

* falei em STF, presidido pelo lamentável Gilmar Mendes, e faço o alerta. O STF julgará, em 10 de junho próximo, a inacreditável e inadmissível (até mesmo do ponto de vista legal) ação impetrada pelo PP, partido político brasileiro que tem, em sua fileira, o também lamentável Francisco Dornelles, e que visa pisotear leis e tratados internacionais mantendo o menino Sean no Brasil, distante de seu pai, que luta (está dito assim, claramente, na sentença a que anteriormente me referi) rigorosamente dentro das normas legais pelo direito inalienável de viver ao lado de seu filho (em aguda oposição à postura do padastro, a afirmação consta também da decisão judicial). É preciso ficar de olho no  STF. Lá está o Ministro Carlos Alberto Menezes Direito, afilhado político de Moreira Franco e de Francisco Dornelles, diretamente interessado no resultado, Presidente do PP. Estou apostando numa saraivada de pedidos de vista, o que fará o julgamento da ação arrastar-se indefinidamente. E muito preocupado com o julgamento final, temendo pelo êxito do padastro da criança e pela repercussão mundial desse tiro no pé (mais um) que o STF pode dar.

* impressiona-me, profundamente, a ausência absoluta de comentários quando lhes conto qualquer coisa sobre esse brasileiro fundamental chamado Fernando Szegeri. O mais recente texto que tem meu irmão siamês como alvo é, mais uma vez, um deserto de comentários (vejam aqui).

Até.

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* um homem de bem tem o dever, permanente, de homenagear, de louvar, de adorar seus antepassados, responsáveis diretos por sua existência. Ainda que não se creia na sobrevivência do espírito, da energia que move o corpo (ou o nome que se queira dar a isso), a simples lembrança daqueles que nos antecederam é verdadeiro bálsamo que fortalece, integra e nos sensibiliza para o sentido maior da vida. Digo isso pois sou um homem que tem, continuamente, na carteira imaginária, a imagem, o cheiro, a voz e os gestos dos meus mais-velhos, mesmo os que não conheci – e sei que me faço entender. Isso me faz um bem danado. Procuro estar sempre com Yona Glicklich, meu bisavô, com Anna Glicklich, minha bisavó, com meu bisavô Eugênio, com minha bisavó Mathilde, com minha tia Idinha, Zirota, Chico, Sílvio, com tia Mariazinha, que aos 15 anos deixou uma saudade que sinto até hoje graças aos relatos comovidos de minha avó Mathilde, que do alto de seus 84 anos é fonte permanente de uma memória que não se perde. Falei, falei, falei apenas para lhes dizer que ontem homenageei, à minha moda, Luiz Orlando Grosso, vô querido de meu queridíssimo Luiz Antonio Simas, que do céu comanda, ao som do frevo composto pelo neto, a tropa ao lado de Maurício de Nassau. Eu tenho uma tremenda vontade de ter conhecido o “velho Luiz Grosso”, que é como o chama, carinhosamente, meu mano Simas. Mas conhecendo e convivendo com o bardo tijucano, tenho certeza, conheço e convivo com o cabra egresso de Jaboatão dos Guararapes. Pra bom entendedor, meia palavra basta;

* depois de consultar os mais-velhos vivos, decidi aceitar o convite que me foi feito pela organização do festival Comida di Buteco, que será realizado no mês que vem aqui no Rio de Janeiro. Em 2006 estive em Belo Horizonte para conhecê-lo de perto. Transcrevi os relatos dos dias passados na aprazível capital mineira aqui, aqui e aqui, depois falei bastante mal da idéia quando foi trazida para o Rio (e seguramente os organizadores sabiam disso quando decidiram me convidar pro júri oficial) e agora embarcarei na onda. Na medida do possível, respeitando os limites naturais que enfrenta aquele que topa participar da coisa, contarei tudo a vocês, meus poucos mas fiéis leitores. Haverá hoje, às 19h, no Hotel Marina, no Leblon, um coquetel e uma palestra, dada pelos organizadores do evento para todos os jurados do festival. Amanhã mesmo – aguardem – lhes conto tudo. A única coisa que sei, até o momento, é que o Moacyr Luz será meu colega de júri;

* falei em Moacyr Luz e quero lhes contar um troço. Dia desses, em seu blog, o Moacyr contou sobre a gravação do disco Mandingueiro, no texto Pra que pedir perdão?, leiam aqui. Não havia qualquer razão que justificasse ele ter contado o que agora lhes conto, mas quero fazê-lo, eu mesmo. Corria o ano de 1998. Eu e Moacyr muito próximos, antes de eventos que, digamos, nos afastaram. Dias antes do início da gravação do CD o Moacyr me bateu o telefone. Bateu-me o telefone e me convidou, o que tomei como um tremendo presente, para ser a voz-guia durante a gravação. Entregou-me uma fita-cassete, em voz e violão apenas, e um caderno com as letras das músicas que seriam gravadas. Em resumo: Moacyr Luz no violão, Pedro Amorim no cavaquinho, bandolim e violão tenor, Carlinhos Sete Cordas no violão de sete, Beto Cazes no pandeiro, tamborim e ganzá, Ovídio Brito no pandeiro, cuíca e tamborim, Marcelinho Moreira no tan-tan, repique de mão e tamborim, Gordinho no surdo e esse que vos escreve cantando, ao vivíssimo, as 12 faixas do CD.

Até.

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* estive, no sábado, por um bom número de horas, com meu velho pai, no glorioso RIO-BRASÍLIA, onde derrubamos algumas casco-escuro acompanhadas por uma fabulosa porção de lingüiça (jamais deixarei de usar o trema!) fina, isso depois de um lauto almoço, que nos custou a fortuna de R$ 11,00… Leia-se: arroz, feijão, batatas fritas e dois filés à milanesa do tamanho dos pés de meu pai, que calça 44. Foi fabuloso, também, ser interrompido por um cara que chegou-se à mesa:

– Com licença… você é o Edu?

– Arrã…

– Muito prazer. Sou seu leitor, leio seu blog diariamente…

– Ô, rapaz, que legal… Muito prazer…

Papai orgulhosíssimo.

– O prazer é meu, Edu. Eu sou Lúcio…

– Esse é meu pai, Lúcio…

– Famoso, famoso…

E retirou-se, o malandro, depois das despedidas.

Daqui, diante do balcão do BUTECO, deixo meu fraterno abraço público pro Lúcio, torcendo para que possamos, em breve, trocar umas idéias ali, naquele templo encravado na Almirante Gavião.

* estive, no domingo também, ontem, no mesmíssimo RIO-BRASÍLIA, para assistir a Flamengo e Vasco na companhia de meu velho pai, do Fefê, do Mauro e do Felipinho Cereal. Cercado por três vascaínos e por um americano, vi – felicíssimo! – uma contundente vitória do meu Flamengo, por três tentos a um. Duas notas tristes: a TV insistindo em mostrar Márcio Braga e Roberto Dinamite, lado a lado, na tribuna do Maracanã, e meu pai e meu irmão abandonando o barco aos 25 minutos do segundo tempo, esbravejando contra o inacreditável técnico Antônio Lopes. Dez Brahmas e dois limões da casa depois, tomei o rumo de casa com a sensação do dever cumprido.

* eu ando pior a cada dia com essa mania insuportável – confesso – de querer o bem dos meus, mesmo no futebol. Sofri, confesso, com a derrota do Palmeiras por 2 a 1 para o São Paulo. Eu – vejam que patético – só conseguia pensar no Szegeri, na sua expressão de angústia durante o jogo, na sua barba cerrada sendo cofiada após o apito final, no seu muxoxo melancólico antes de desligar a TV.

* eu disse, logo aí acima, “o inacreditável técnico Antônio Lopes” – e isso porque meu pai e meu irmão têm horror às qualidades do atual treinador vascaíno -, mas preciso dizer a vocês que não há nenhum técnico em atividade no mundo, vivo ou morto, mais adequado ao Vasco da Gama. Antônio Lopes comove-me, sobremaneira, jogo após jogo, com a camisa verde de seda que ele considera seu maior talismã – passada a ferro, sempre, pelas carinhosas mãos de Dona Elza, sua mulher. Para entender melhor minhas razões, leia SOBRE O VASCO DA GAMA, aqui.

Até.

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