COMEÇAM HOJE OS JOGOS RIO 2016

Primeiramente, FORA TEMER. Acordei, faço a confissão pública, comovido feito o diabo. Saí cedo de casa e as ruas, e o céu (azulíssimo!), atestavam que não era à toa a comoção que senti tão logo abri os olhos. Ruas cheias. Gente de todos os cantos do Brasil e do mundo zanzando pela cidade estampando na cara essa alegria tão indescritível quanto indescritível é a tal comoção que não me largou até agora, pouco mais de meio-dia. Porque se é impossível definifir o que é o carioca (por mais que, vira-e-mexe, alguém tente, sem sucesso, definir o carioca e a tal da carioquice), uma coisa é certa dizer sobre ele (sobre mim, sobre nós todos, cariocas): o carioca gosta de fazer festa e, mais do que isso, gosta de organizar festa, de ser anfitrião de festa. Estão aí o Carnaval e o Revéillon que não me deixam mentir.

Não foi diferente em 2014 durante a Copa do Mundo. Havia um exército de ignaros que repetia, como bem fazem os idiotas (que não pensam porque lhes falta o básico para tal), “não vai ter Copa”. Teve. E teve muita Copa. Organizamos o que o mundo reconhece como a Copa das Copas.

E não está sendo e não será diferente agora, a partir de hoje: os Jogos Olímpicos Rio 2016 entrarão pra História das Olimpíadas da mesma forma que a Copa do Mundo no Brasil entrou pra História das Copas do Mundo com absoluto destaque (ou não seria a Copa das Copas). Temos um golpe em curso no Brasil. Os Jogos Olímpicos são excelente oportunidade pra se gritar ao mundo que está em curso um golpe no Brasil. Mas isso não legitima a mesmíssima tribo dos ignaros que, vejam que lástima, andam gemendo por aí que estamos organizando os (pausa para uma golfada) “Jogos da Exclusão” ou, dizem os mais ignaros, as “Olimpíadas Assassinas”. São, esses, os anti-cariocas (os anti-brasileiros, eu diria).

A mim pouco importam o gigantismo dos Jogos, a organização quase marcial do Comitê Olímpico Internacional, o rigor (necessário) da segurança e outros bichos. Eu quero é saber que aqui, porque somos cariocas e porque somos brasileiros, quebraremos todos os protocolos. O prefeito da cidade (o primeiro que faz isso, dizem os arautos dos protocolos) carrega a chama olímpica, um garçom é convocado às pressas pelo COI depois de intensa e bem humoradíssima campanha espontânea para fazê-lo também carregar a tocha olímpica pelas ruas de Copacabana, alemães (eu vi, eu vi!) debruçam-se sobe o balcão do Bar do Joel pra comer cu de frango, ciceroneados por um dos seguranças da delegação dos atletas, alemão naturalizado brasileiro. Sem falar na emoção (sim, emoção, e daí?!) que foi ver minha Morena, também comovidíssima, erguendo, cheia de justificado orgulho, a tocha olímpica com a chama acesa, brilho semelhante ao (mais intenso e mais bonito) que reluzia de seus olhos naquela hora, hoje pela manhã. É isso – é essa emoção – que me interessa. E o furdunço, que começa pra valer hoje, promete e há de transformar, no dia seguinte ao encerramento dos Jogos, cada um desses ignaros em motivo de piada, como em 2014 depois da gloriosa derrota da seleção argentina diante da Alemanha.

Os do contra estão aí, firmes, para divulgar o que segundo eles não presta, o que eles dizem quase sempre seguido da frase “só no Brasil”, atestando de forma inatacável sua viralatice. Pobres-diabos, como diria Nelson Rodrigues, que previu, há décadas, a escalada dos idiotas. Eles latem, a caranava passa.

Até.

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