RAPHAEL VIDAL, UM MALUCO FUNDAMENTAL

Por conta da proximidade do lançamento do livro de Fábio Fabato e Luiz Antônio Simas neste sábado (cito os autores em ordem alfabética para não ferir suscetibilidades), 07 de fevereiro, no Largo de São Francisco da Prainha, uma iniciativa do Raphael Vidal e da Editora Mórula, resolvi publicar no blog o texto (editado, revisto e aumentado) que publiquei no Facebook por ocasião do aniversário do Vidal, comemorado – leiam! – de forma inusitada em setembro do ano passado.

Convidando para o lançamento do livro, escreveu o Raphael Vidal, no Facebook:

“O Luiz Antonio Simas e o Eduardo Goldenberg me chamam de maluco fundamental para o Rio de Janeiro. Mas eu gosto de me apresentar como bagunceiro. E é isso que farei no lançamento do “Pra tudo começar na quinta-feira” (de Simas e Fabato): bagunça. Vamos pra rua, ocupar o Largo da Prainha, com baião-de-dois da Luziete (os 100 primeiros que comprarem o livro vão ganhar a iguaria), roda de samba com uma turma boa, entre eles Natan Nascimento e Fernando Infernando, e no final, o bloco Tamborim Sensação!

Não me venham com debate e mediação: vai ter é bate-papo com muita cerveja, Alberto Mussa, Marcelo Moutinho e os autores.

O furdunço começa às 14h!

A editora Mórula vai ficar conhecida como a que fez o lançamento de livro mais bagunçado da história do Rio de Janeiro.

E essa é a maior homenagem que podemos fazer ao carnaval e à nossa cidade.

Saravá!”

É ou não é um maluco fundamental, o Vidal?

Escrevi o tal texto que me referi em 20 de setembro de 2014, quando o Raphael Vidal fez história e fez mágica – e eu explico, não sem antes uma pequena digressão sobre o bardo do Morro da Conceição.

O Vidal é – e eu já disse isso a ele algumas vezes – como também é o Carlos Meijueiro (que já ouviu de mim a mesma coisa…), uma espécie de maluco fundamental para que o Rio de Janeiro siga sendo firmemente o Rio de Janeiro. Mais que um maluco fundamental, é um desvairado imprescindível! O Vidal é, e eu não tenho a menor dúvida disso, um sujeito de quem muito se ouvirá falar daqui a 100, 150, 200 anos. Porque o Vidal tem (e temos, portanto, muita sorte de sermos seus contemporâneos) o dom de transformar seus sonhos em realidade e, ainda mais bonito do que isso, a capacidade de sonhar, de realizar, de dar forma e de efetivar como ação aquilo que, para muitos, fica apenas na intenção e no pensamento. E seus sonhos – eis aí uma das grandes qualidades do caboclo – são sempre coletivos e plurais, nunca individuais ou egoístas.

Pois o maluco do Vidal resolveu, no anos passado, comemorar seu aniversário de uma forma absolutamente insana e, muito também por isso, genial. Criou o que ele chamou de “percurso sentimental pelos bairros onde morei”.

Alugou um ônibus (um lotação!), encheu o ônibus de amigos de infância e de amigos forjados durante o percurso (um talento incrível que ele tem é o de fazer amigos de infância antes do fim do primeiro gole depois do primeiro brinde no primeiro encontro), e deu de percorrer a cidade parando nos botequins mais vagabundos aos quais eu não resisto, apud Aldir Blanc.

Tive a honra de dividir com ele, e com a assistência do coletivo, algumas horas no balcão do Twistinho, glória tijucana na rua Uruguai. Vidal contou, à moda dos melhores contadores de história, juntando gente à sua volta, uma dentre tantas as histórias que permeiam sua vida. E emocionou um bocado de gente, que foi às lágrimas – meninos, eu vi!

Lá pintaram também o Simas com o Benjamin (com uma peneira pra caçar saci), Felipinho Cereal, o Leo Boechat, o Bruno Hoffman, os Filhos de Gandhi (sim, os Filhos de Gandhi!), e teve caça ao saci, teve jam session, teve samba, teve choro, teve afoxé, teve marafo, teve cerveja, e ele continuou sendo genial quando, no dia seguinte, deu de narrar, lá no Facebook, numa série que pode ser chamada de “contando ninguém acredita”, como foi a maluquice (mais uma) que ele protagonizou.

Eu vi, meninos, eu vi, o Vidal, coração do tamanho do Morro da Conceição, assentado nas pedras da zona portuária, ganhar de presente uma caixa de charutos cubanos, abri-la e distribuir os puros aos amigos na calçada. Eu vi o Vidal chorando, grato, emocionado, ciente (não tenho dúvida!) de que estava, ali, ajudando a arrancar as flechas do peito do meu padroeiro, porque São Sebastião do Rio de Janeiro ainda pode se salvar.

raphael vidal

Obrigado, Vidal. Eu queria mesmo era te agradecer de novo! – por tudo isso, pelo privilégio que foi ter sido convocado pra erguer um brinde na tua intenção naquele setembro passado.

Um beijo, mano velho. E saravá!

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1 comentário

Arquivado em gente

Uma resposta para “RAPHAEL VIDAL, UM MALUCO FUNDAMENTAL

  1. Oi Eduardo, tudo bem?
    Você tem um texto muito foda. Ele é leve e divertido.
    Te acompanho desde 2010 e já passei muita raiva com as coisas que você posta no Twitter, mas foda-se. O Buteco do Edu é um baita blog. Saúde!!!

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