A FINITUDE (OU O DANILO SUMIU)

Desci à rua na manhã de domingo para ir à farmácia e para dar uma volta com o Pepperoni, meu fiel vira-latas. Na esquina oposta à farmácia, também Haddock Lobo com Caruso, o bar do Marreco que não é mais do Marreco. Através de uma operação comercial sobre a qual não me inteirei, seu Brasil – vizinho de cima – comprou a parte que era do Marreco que, por sua vez, comprou uma parte na sociedade – tomem nota do nome! – do Baby´s Moon, pé-sujo na Conde de Bonfim, quase no Largo da Segunda-Feira. São, dizem os cabeça-branca, os efeitos das UPPs na economia do bairro. Desde que nasci aqui, em 1969, nunca vi tanta obra, tanta reforma, tanto prédio subindo. Devem estar certos, os mais-velhos.

Fato é que fui ao balcão do bar do Marreco (chamarei de bar do Marreco até o fim dos meus dias) por hábito – deixei de freqüentá-lo depois da troca de peças – e o seu Brasil:

– Tá sabendo? – e esticou o pescoço em direção à porta de entrada.

Um cartaz trazia a foto do Danilo, tremendo boa-praça que trabalhava lá (aqui e aqui, falo dele).

– Desapareceu… – disse-me o seu Brasil.

– Faz quinze dias! – emendou o CDM, vizinho do Felipinho que bate ponto ali, naquele balcão, diariamente, das oito da manhã às oito da noite.

Mirei o anúncio, o apelo, o reclame colado no poste que pedia informações do paradeiro do Danilo. Tive dó do sujeito, desaparecer assim…

Voltei pra casa com a palavra finitude batendo como estaca na cabeça.

Dei a ela o remédio que eu comprara, pus água e ração pro Pepperoni, deitei-me ao lado dela na esperança de apenas descansar um pouco dos exageros do sábado e acordei, horas depois, com febre, com febre, com febre.

Além da febre, uma forte dor na região do estômago que me derrubou o domingo inteiro, que me fez ir ao médico ontem à tarde, que me fez sair do médico imediatamente em direção ao encontro de minha mãe, que me tirou do torneio de purrinha do qual participaria ontem à noite em Copacabana e que me dá, até esse momento em que lhes escrevo, um tremendo medo de morrer.

Que besteira!, dirão muitos de vocês.

Mas eu acho que foi tudo por causa da notícia do Danilo.

Pra desanuviar, a sensacional matéria que meu chapa João Tavares fez para a rádio Bradesco Esportes FM sobre o torneio de purrinha de ontem à noite no Galeto Sat´s, em Copacabana, vencido pelo Aconchego Carioca, bar que eu representaria!

Até.

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